3777: Sexta extinção em massa cada vez mais próxima. Mais de 500 vertebrados estão em risco

CIÊNCIA/BIOLOGIA/ECOLOGIA

razlisyam / Pixabay
O tigre-malaio é uma espécies perto da extinção.

Uma sexta extinção em massa está cada vez mais perto, alertam os cientistas. Mais de 500 espécies de vertebrados estão sob ameaça de extinção devido aos seres humanos.

Em 2015, o biólogo da Universidade de Stanford Paul Ehrlich foi um dos co-autores de um estudo que previa uma sexta extinção em massa a caminho. Agora, cinco anos depois, Ehrlich e os seus colegas fizeram um ponto de situação e concluíram que, afinal, o ritmo da extinção é provavelmente muito maior do que se pensava anteriormente.

Num novo artigo publicado esta segunda-feira na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, os investigadores revelam que o comércio de animais selvagens e outros impactos humanos extinguiram centenas de espécies e levaram muitas outras para o precipício da extinção a um ritmo sem precedentes.

A actividade humana, o exponencial aumento populacional, a invasão e a destruição de ecossistemas estão a ameaçar a sobrevivências de mais de 500 vertebrados, concluem os cientistas.

“Quando a humanidade extermina populações e espécies de outras criaturas, está a cortar o membro em que está sentada, destruindo partes do nosso próprio sistema de apoio à vida”, disse Ehrlich. “A conservação de espécies ameaçadas deve ser elevada a uma emergência nacional e global para Governos e instituições”.

“A sexta extinção em massa que está a decorrer pode ser a ameaça ambiental mais séria à persistência da civilização, porque é irreversível”, lê-se no novo estudo.

Com esta perda de robustez, os ecossistemas são cada vez menos capazes de preservar um clima estável, fornecer água doce, polinizar as culturas e proteger a humanidade de desastres e doenças naturais.

Os investigadores descobriram que 515 espécies de vertebrados terrestres, cerca de 1,7% de todas as espécies em vias de extinção observadas – estão muitíssimo perto de desaparecem. Isto significa que há menos de 1.000 espécimes vivos, sendo que metade desta espécies têm menos de 250 indivíduos.

“Milhares de populações de espécies de animais vertebrados criticamente ameaçadas desapareceram num século, o que indica que a sexta extinção em massa é causada por humanos e está a acelerar. A aceleração da crise de extinção é clara, e deve-se ao crescimento ainda rápido dos humanos e das taxas de consumo”, lê-se ainda no estudo.

“O que fazemos para lidar com a actual crise de extinção nas próximas duas décadas definirá o destino de milhões de espécies”, disse o autor do estudo, Gerardo Ceballos, citado pelo Phys. “Estamos a enfrentar a nossa oportunidade final de garantir que os muitos serviços que a natureza nos fornece não são sabotados irremediavelmente”.

Para além de sugerirem a proibição global do comércio de espécies selvagens, os autores do estudo destacam as espécies e regiões onde os recursos de conservação podem ser melhor direccionados.

“As relações entre a saúde humana e o bem-estar e a saúde do nosso planeta são bem conhecidas”, disse Rohan Clarke, professor da Escola de Ciências Biológicas da Universidade Monash da Austrália, que não participou do estudo.

“Esta investigação destaca a fragilidade dos sistemas de suporte da Terra e a necessidade urgente de agir. A exigência de que a conservação de espécies ameaçadas seja elevada a uma emergência nacional e global é justificada e urgente”, acrescentou o cientista, citado pelo New Atlas.

ZAP //

Por ZAP
3 Junho, 2020

 

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3353: Animais selvagens estão a repovoar as florestas de Fukushima

CIÊNCIA/BIOLOGIA

Dez anos depois do acidente nuclear de Fukushima, no Japão, um novo estudo sugere que a vida selvagem está a prosperar nas suas florestas radioactivas abandonadas.

Segundo a revista Newsweek, a nova investigação documentou mais de 20 espécies nas redondezas à volta da central nuclear, incluindo macacos, cães-guaxinim, lebres-japonesas e, principalmente, javalis.

“Os nossos resultados representam a primeira evidência de que numerosas espécies de animais selvagens são agora abundantes em toda a zona de evacuação de Fukushima, apesar da presença de contaminação radiológica”, diz em comunicado James Beasley, biólogo da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

No total, os cientistas capturaram mais de 267 mil fotografias durante 120 dias. As imagens mostram que várias espécies estão a florescer na zona de exclusão, surgindo com mais frequência em áreas totalmente desabitadas do que naquelas que o são.

O javali, por exemplo, apareceu em mais de 46 mil fotografias. Os investigadores descobriram que era três vezes mais abundante na zona excluída pelo Homem do que nas zonas que, aos poucos, começam a ser novamente habitadas.

Só houve uma excepção: o serow japonês, um antílope que parece preferir áreas rurais montanhosas habitadas. Geralmente distantes dos humanos, os investigadores sugerem que esse pode ser uma estratégia para evitar as comunidades de javalis.

Este ‘boom’ de vida selvagem é semelhante ao ocorrido em Chernobyl, local de outro grande desastre nuclear que agora é casa de espécies como lobos e outros mamíferos.

“Dado que a quantidade de radiação libertada da usina de Fukushima Daiichi foi substancialmente menor do que a libertadas em Chernobyl, não surpreende estarmos agora a ver evidências desses mesmos tipos de respostas em Fukushima”, explica Beasley.

“O inesperado é a taxa e a extensão das populações de javalis e outras espécies geralmente em conflito com as pessoas terem aumentado em número, apesar dos extensos esforços de controlo para reduzir as populações destas espécies em áreas evacuadas”.

Embora o estudo, publicado na revista Frontiers in Ecology and the Environment, não se foque na saúde destes animais, Beasley recorda que outras pesquisas já mostraram que a exposição prolongada à radiação “tem o potencial de causar mutações a nível molecular, impactar a reprodução e causar outros tipos de danos celulares”.

Javalis radioactivos multiplicam-se a ritmo assustador em Fukushima

A área à volta da central de Fukushima foi evacuada há cinco anos, mas animais selvagens como javalis e guaxinins parecem…

ZAP //

Por ZAP
12 Janeiro, 2020

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