2229: Úrano tem 13 anéis (e são diferentes de tudo o resto no Sistema Solar)

NASA

Saturno pode ser o mais vistoso, mas não é o único planeta no Sistema Solar circulado por anéis. Os 13 anéis de Úrano revelaram detalhes antes desconhecidos quando apareceram numa fotografia térmica que os astrónomos tiraram do planeta gelado.

Pela primeira vez, investigadores determinaram a temperatura dos anéis e confirmaram que o anel principal – chamado anel épsilon – é como nenhum outro no Sistema Solar. Normalmente, Saturno é o único retratado com anéis, porque os que circulam Úrano, Júpiter e Neptuno só são vistos com telescópios poderosos.

Júpiter tem quatro anéis, Neptuno tem cinco e Saturno tem milhares. Quando se trata de Úrano, não sabemos muito sobre os seus anéis, uma vez que reflectem muito pouca luz nos comprimentos de onda do infravermelho óptico e próximo, normalmente usados para observações do Sistema Solar. São tão obscuros que só foram descobertos em 1977.

Por isso, foi um pouco inesperado quando os anéis apareceram em imagens térmicas que os astrónomos tiraram para explorar a estrutura de temperatura da atmosfera do planeta. “Ficamos surpreendidos ao ver claramente os anéis quando reduzimos os dados pela primeira vez”, disse o astrónomo Leigh Fletcher, da Universidade de Leicester em comunicado.

Por ser uma imagem térmica, pela primeira vez a equipa descobriu a temperatura dos anéis: 77 Kelvin, o ponto de ebulição do nitrogénio líquido na pressão atmosférica padrão, e o equivalente a -195ºC. Os resultados foram aceites na revista The Astrophysical Journal e estão disponíveis no arXiv.

Também confirmou que os anéis são estranhos, quando comparados com aqueles em redor de outros planetas. Nos anéis de Saturno, as partículas correm em toda a gama, desde pó até pedregulhos grossos. Júpiter e Neptuno têm anéis muito empoeirados, compostos principalmente de partículas finas. Já Úrano tem folhas de poeira entre os seus anéis, mas os anéis em si contêm apenas pedaços do tamanho de uma bola de golfe.

“Não vemos as coisas menores”, disse o astrónomo Edward Molter, da UC Berkeley. “Algo tem varrido as coisas menores para fora ou está tudo junto. Apenas não sabemos. Este é um passo para entender a composição deles e se todos os anéis vieram do mesmo material de origem ou são diferentes para cada anel”.

Possíveis fontes incluem ejecta de impacto das luas, como visto nos anéis de Júpiter; asteróides capturados pela gravidade do planeta, então de alguma forma pulverizados; detritos remanescentes da formação do planeta; ou detritos do impacto teorizado que literalmente derrubou o planeta de lado. A explicação mais provável é objectos que orbitam sólidos, destruídos por impactos ou forças de maré.

De acordo com dados anteriores, incluindo imagens em infravermelho próximo tiradas usando o Observatório Keck em 2004, a própria composição dos anéis ao redor de Úrano é diferente dos outros.

“O albedo é muito mais baixo: são muito escuros, como o carvão”, disse Molter. “Também são extremamente estreitos em comparação com os anéis de Saturno. O mais largo, o anel épsilon, varia de 20 a 100 quilómetros de largura, enquanto Saturno tem centenas ou dezenas de milhares de quilómetros de largura.”

Os anéis ainda são um grande mistério, mas pode ter mais pistas em breve, quando o Telescópio Espacial James Webb chegar ao céu em 2021.

ZAP //

Por ZAP
25 Junho, 2019

2194: Cassini revela nova escultura nos anéis de Saturno

Mosaico de imagens a cores falsas que mostra Dafne, uma das luas embebidas nos anéis de Saturno, e das ondas que levanta na divisão de Keeler. As imagens recolhidas durante as órbitas próximas da Cassini em 2017 estão a fornecer novas informações sobre o funcionamento complexo dos anéis.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/Space Science Institute

Uma nova análise mostra que à medida que a sonda Cassini da NASA mergulhava perto de Saturno durante o seu último ano, a nave fornecia detalhes intrincados sobre o funcionamento dos anéis complexos do planeta.

Embora a missão tenha terminado em 2017, continua a surgir ciência dos dados recolhidos. Um novo artigo publicado na edição de 13 de Junho da revista Science descreve resultados de quatro instrumentos da Cassini, as observações mais próximas dos anéis principais.

As descobertas incluem detalhes finos de características esculpidas por massas embutidas nos anéis. Texturas e padrões, de amontoados a parecidos com palha, sobressaem das imagens, levantando questões sobre as interacções que os moldaram. Novos mapas revelam como as cores, a química e a temperatura mudam nos anéis.

Como um planeta em construção dentro de um disco de material proto-planetário, minúsculas luas inseridas nos anéis de Saturno (chamadas de A a G, na ordem da sua descoberta) interagem com as partículas em redor. Desta forma, o artigo fornece mais evidências de que os anéis são uma janela para os processos astrofísicos de discos que moldam o nosso Sistema Solar.

As observações também aprofundam a compreensão dos cientistas do complexo sistema de Saturno. Os cientistas concluem que na orla externa dos anéis principais, uma série de estrias similares geradas por impactos no anel F têm o mesmo comprimento e orientação, mostrando que provavelmente foram provocadas por um bando de impactores que atingiram o anel ao mesmo tempo. Isto mostra que o anel é esculpido por correntes de material que orbita o próprio Saturno em vez de, por exemplo, detritos cometários (que se movem em torno do Sol) que chocam contra os anéis.

“Estes novos detalhes de como as luas estão a esculpir, de várias maneiras, os anéis, fornecem uma janela para a formação do Sistema Solar, onde também temos discos evoluindo sob a influência de massas embutidas,” disse Matt Tiscareno, autor principal e cientista da Cassini, do Instituto SETI em Mountain View, no estado norte-americano da Califórnia.

Mistérios Duradouros

Ao mesmo tempo, surgiram novos puzzles e mistérios antigos aprofundaram-se com as investigações mais recentes. As imagens detalhadas dos anéis trouxeram para o foco três texturas diferentes – amontoadas, macias e “riscadas” – e deixaram claro que estas texturas ocorrem em cinturas com limites nítidos. Mas porquê? Em muitos lugares, as cinturas não estão ligadas a quaisquer características dos anéis que os cientistas já tenham identificado.

“Isto diz-nos que a aparência dos anéis não é apenas uma função de quanto material existe,” disse Tiscareno. “Tem que haver algo diferente sobre as características das partículas, talvez afectando o que acontece quando duas partículas dos anéis colidem e ressaltam uma da outra. E nós ainda não sabemos o que é.”

Os dados analisados foram recolhidos durante as Órbitas Rasantes pelos Anéis (entre Dezembro de 2016 e Abril de 2017) e durante o Grande Final (de Abril a Setembro de 2017), quando a Cassini voou logo acima das nuvens de Saturno. À medida que a espaço-nave ficava sem combustível, a equipa da missão fê-la mergulhar deliberadamente na atmosfera do planeta em Setembro de 2017.

O instrumento VIMS (Visible and Infrared Mapping Spectrometer) da Cassini descobriu outro mistério. O espectrómetro, que observou os anéis no visível e no infravermelho próximo, identificou bandas anormalmente fracas de água gelada na parte mais externa do anel A. Isto foi uma surpresa, porque a área é conhecida por ser altamente reflectiva, o que geralmente é um sinal de gelo menos contaminado e, portanto, de bandas de água gelada mais fortes.

O novo mapa espectral também esclarece a composição dos anéis. E apesar dos cientistas já saberem que a água gelada era o principal componente, o mapa espectral descartou gelo de amónia e gelo de metano detectáveis como ingredientes. Mas também não indica compostos orgânicos – uma surpresa, dado o material orgânico que a Cassini descobriu a fluir do anel D para a atmosfera de Saturno.

“Se existisse material orgânico em grandes quantidades – pelo menos nos anéis principais A, B e C – nós tínhamo-lo visto,” disse Phil Nicholson, cientista do VIMS da Cassini da Universidade de Cornell em Ithaca, Nova Iorque, EUA. “Ainda não estou convencido de que são um componente importante dos anéis principais.”

Este estudo assinala o início da próxima era de ciência da Cassini, disse Jeff Cuzzi, do Centro de Pesquisa Ames da NASA, que estuda os anéis de Saturno desde a década de 1970 e é o cientista interdisciplinar dos anéis da missão Cassini.

“Nós vemos muito mais, e mais de perto, e estamos a obter quebra-cabeças novos e mais interessantes,” acrescentou Cuzzi. “Estamos apenas a adaptar-nos à nova fase, que é a de construir novos modelos detalhados da evolução dos anéis – incluindo a nova revelação de dados da Cassini de que os anéis são muito mais jovens do que Saturno.”

As novas observações dão aos cientistas uma visão ainda mais íntima dos anéis e cada análise revela novas complexidades, disse a cientista do projecto Cassini, Linda Spilker, do JPL da NASA em Pasadena, Califórnia.

“É como aumentar a ampliação durante a observação dos anéis. Todos nós conseguimos ver em mais detalhe o que está a acontecer,” salientou Spilker. “A obtenção desta resolução extra respondeu a muitas perguntas, mas muitas outras permanecem.”

Astronomia On-line
18 de Junho de 2019

2055: Os anéis de Saturno estão a desaparecer (e a culpa é nossa)

NASA/JPL/SSI
Imagem dos anéis de Saturno, pela sonda Cassini

Recentemente, um grupo de cientistas alertou que os anéis de Saturno podem vir a desaparecer devido às futuras explorações humanas. 

Exploradores de asteróides e bilionários da tecnologia poderão roubar pedras preciosas do Espaço num futuro próximo, incluindo os anéis gelados de Saturno. Num estudo recente, publicado na Acta Astronautica, um grupo de cientistas sugere aos governantes que apresentem um conjunto claro de directrizes e restrições que devam ser estritamente seguidas por todos na indústria espacial.

“Se não pensarmos sobre este problema agora, seguiremos o nosso caminho e, daqui a algumas centenas de anos, enfrentaremos uma crise extrema, muito pior do que a que temos na Terra”, afirma Martin Elvis, astrofísico do Observatório Astrofísico Smithsonian, citado pelo IBTimes.

“Depois de explorar o Sistema Solar, não há mais nenhum lugar para ir.” Elvis faz uma referência especial às agências espaciais privadas, como a SpaceX e a Blue Origin, de Elon Musk, que estão a mudar o conceito de indústria espacial.

A SpaceX, por exemplo, está a tornar as viagens espaciais mais “acessíveis”, prometendo inclusive que o turismo espacial será uma realidade no futuro. Além disso, a empresa de Musk espera estabelecer colónias humanas noutros planetas, como Marte.

Por outro lado, a Blue Origin projecta um futuro onde milhões de pessoas poderiam viver e trabalhar no Espaço. Esta indústria multi-bilionária do futuro despertou o interesse dos investidores, mas colocar este empreendimento em prática pode significar a recolha de recursos preciosos do nosso Sistema Solar.

Elvis e Tony Milligan, co-autor do artigo e filósofo no King’s College de Londres, sugeriram o “oitavo princípio” para os seres humanos lidarem com os recursos do Sistema Solar: somente um oitavo do nosso Sistema Solar pode ser recolhido, enquanto que o resto deve ser protegido.

Os anéis de Saturno poderiam ser uma fonte abundante de pedras e gelo. Mas além destes elegantes anéis, os humanos poderiam também extrair ferro do cinturão de asteróides. A quantidade de ferro do cinturão é tanta que, mesmo que apenas um oitavo seja extraído, ainda é um milhão de vezes maior do que o encontrado na Terra.

Outro exemplo é o Helio-3, que se pensa ser abundante na Lua e pode valer mais do que ouro num futuro próximo.

ZAP //

Por ZAP
26 Maio, 2019


1492: Saturno nem sempre foi o “senhor dos anéis”

NASA/JPL/SSI

Cientistas sugeriram que os anéis de Saturno não se formaram ao mesmo tempo que o planeta e são mais jovens, partindo de novas medições do campo gravitacional do planeta.

As novas medições do campo gravitacional de Saturno foram obtidas com base nas observações da sonda Cassini durante as órbitas finais pelo planeta, em 2017, e permitiram aos investigadores determinar a massa e a idade dos seus anéis, refere um comunicado da American Association for the Advancement of Science, associação que edita a revista científica Science, onde os resultados do trabalho são publicados.

Segundo os autores do estudo, Saturno formou-se há 4,5 mil milhões de anos, enquanto os seus anéis têm entre dez e 100 milhões de anos. Os dados não esclarecem, porém, como os anéis se formaram tão recentemente.

Os astrónomos ainda discutem a origem dos anéis. Alguns acreditam que tenham sido formados por fragmentos de um antigo protoplaneta no início do Sistema Solar, enquanto outros consideram-nos produto de cataclismos recentes.

As descobertas fizeram com que astrónomos passassem a pensar na altura em que os anéis surgiram. Para obter a resposta exacta sobre o surgimento dos anéis são necessários dois parâmetros, de acordo com Burkhard Militzer, professor de ciências terrestres e planetárias da Universidade da Califórnia: a massa das partículas de poeira e gelo dos anéis e quão bem os anéis refletem a luz do Sol.

Os anéis de Saturno e de outros planetas gigantes devem gradualmente desaparecer, porque as camadas de gelo perderão partículas de poeira e matéria orgânica devido aos raios ultravioleta do Sol, e, sendo assim, quanto mais brilhantes são os anéis, menos anos de vida terão.

A velocidade das nuvens, por sua vez, depende da massa, da espessura e da composição. Sendo assim, quanto mais matéria escondida dentro das nuvens, mais lento será o processo de “enegrecimento” dessas estruturas.

A sonda Cassini mediu o brilho dos anéis de Saturno nos primeiros anos do seu trabalho. Mas a informação sobre a massa exacta era inacessível até ao mergulho da sonda – cuja primeira oportunidade surgiu em 2017, quando a sonda começou a fazer “mergulhos” pelos anéis, preparando-se para a “morte heróica” na atmosfera de Saturno.

Um dos anéis de Saturno não é como os outros

Quando o Sol se pôs nos anéis de Saturno em Agosto de 2009, os cientistas da missão Cassini da NASA…

“A primeira vez que vi nos dados, não acreditei, porque confiava nos nossos modelos e demorou um tempo para cair a ficha que havia algum efeito que estava a mudar o campo gravitacional que não tínhamos considerado”, disse Militzer.

“Trata-se de fluxos massivos na atmosfera a uns nove mil quilómetros de profundidade ao redor da região equatorial. Pensávamos que estas nuvens eram como as nuvens da Terra, que estão confinadas a uma fina camada e quase não têm massa. Mas, em Saturno, são realmente massivas“, destacou.

Quando a anomalia foi estudada, descobriu-se que a massa dos anéis era inesperadamente pequena. Sendo assim, Saturno tornou-se “senhor dos anéis” há pouco tempo em escala astronómica: aproximadamente 100 milhões de anos. Os anéis podem ser resultado da união de partículas de uma pequena lua ou de um grande cometa, baseando-se nas partículas capturadas pela Cassini durante o seu mergulho.

Há um mês, um outro estudo, divulgado pela agência espacial norte-americana NASA, estimou, com base em dados da mesma sonda, que os anéis de Saturno podem desaparecer no prazo de 100 milhões de anos.

De acordo com o estudo, a gravidade de Saturno está a empurrar os anéis – constituídos essencialmente por gelo – para a camada superior da atmosfera do planeta. Essa investigação também apoiava o cenário de que os anéis não teriam mais do que 100 milhões de anos.

Os anéis de Saturno foram descobertos por Galileu Galilei em 1610, que os considerava três grandes satélites. Em meados do século XVII, Christian Huygens descobriu que os “satélites” de Galileu eram, de facto, anéis de poeira e gelo.

ZAP // Lusa / Sputnik

Por ZAP
19 Janeiro, 2019

 

1455: Anéis tornam Saturno mais sombrio, azul e menos nublado no inverno

JPL / Space Science Institute / NASA
O planeta Saturno, visto pela sonda Cassini durante o equinócio

Em Saturno, a mudança das estações pode significar mudanças na nebulosidade – e cor – dos céus. Nos 13 anos em que a sonda Cassini orbitou Saturno, de 2004 a 2017, os cientistas notaram que a atmosfera no hemisfério norte do planeta passou de azul para dourado ou mesmo salmão.

De acordo com uma nova investigação, a alteração de cor surgiu de mudanças na quantidade de neblina accionada pela luz solar na atmosfera de Saturno.

“Penso que ficámos todos surpreendidos com o porquê da atmosfera ser azul,” disse o cientista planetário Scott Edgington, vice cientista do projecto da missão Cassini. Edington apresentou os novos achados numa palestra há duas semanas atrás na reunião de outono da União Geofísica Americana em Washington, D.C.

Os cientistas esforçam-se por descobrir todas as fontes de luz que brilham em Saturno e por entender como a luz interage quimicamente com a atmosfera do planeta. Responder a estas perguntas pode ajudar os cientistas a melhor entenderem as diferenças nas atmosferas dos gigantes gasosos do Sistema Solar, Júpiter e Saturno, e nos gigantes gelados Úrano e Neptuno.

Júpiter e Saturno têm neblinas que lhes dão uma cor dourada, enquanto Úrano e Neptuno têm atmosferas mais limpas como o céu azul da Terra num dia sem nuvens. Mas, tal como os investigadores viram nas imagens da Cassini, Saturno nem sempre estava coberto por névoa dourada. “É claro que ficámos a coçar as nossas cabeças,” comenta Edgington. “Por que não é nublado em todos lugares, tal como Júpiter?”

No caso de Saturno, a luz solar particularmente limitada no inverno parece deixar a atmosfera do planeta recuperar de ataques de nebulosidade. O motivo da protecção solar extra? Os enormes anéis do planeta.

O principal factor das estações de Saturno é a inclinação do planeta, tal como na Terra. A Terra está inclinada de tal modo que o hemisfério norte enfrenta o Sol mais directamente em Junho e o hemisfério sul em Dezembro. Em Dezembro, o hemisfério norte passa por longas noites de inverno enquanto o hemisfério sul goza de longos dias de verão.

O mesmo efeito acontece em Saturno, que tem uma inclinação ligeiramente superior à da Terra. Mas Saturno também tem um grande sistema de anéis que bloqueia a luz solar para o hemisfério inclinado para longe do Sol, tornando os Invernos ainda menos ensolarados no gigante de gás.

A alteração de exposição solar do planeta é responsável pelas mudanças sazonais na nebulosidade atmosférica, explicou Edgington.

A luz solar separa as moléculas do gás metano, elemento este que corresponde a uma fracção pequena, mas significativa da atmosfera de Saturno. O metano é quebrado para formar outras moléculas como etano e acetileno, que desencadeiam uma rede complexa de reacções químicas que eventualmente dão azo à neblina.

Quando um hemisfério de Saturno desfruta de um inverno sombreado, o processo de formação da neblina diminui. As partículas existentes de neblina aglomeram-se para formar grãos mais pesados e afundam-se ainda mais na atmosfera do planeta, fora de vista e sem novas porções de neblina para os substituir.

Graças a isso, os Verões saturnianos tendem a ter um céu nebuloso e dourado, enquanto os Invernos têm céus mais claros e azuis. “Parece que há uma ligação directa entre o que vemos e o que a química nos diz que deve acontecer,” realçou Edginton.

Os cientistas vão continuar a estudar os dados da atmosfera de Saturno recolhidos pela Cassini. Ainda precisam de incorporar os últimos anos de dados da Cassini neste projecto, salienta Edgington.

Um aspecto do projecto com que Edgington parecia especialmente entusiasmado era descobrir como a luz reflectida dos anéis de Saturno contribui para a exposição solar do planeta. Dado que os anéis de Saturno estendem-se muito além do corpo principal do planeta, a luz solar pode ser reflectida das partes mais distantes dos anéis e incidir sobre o lado escuro do planeta. “Até o lado escuro do planeta não é, na realidade, assim tão escuro,” disse Edgington.

ZAP // CCVAlg

Por CCVAlg
7 Janeiro, 2019

 

1429: Os Anéis de Saturno estão a “chover” no planeta e vão desaparecer

Uma equipa de cientistas da NASA confirmou que os icónicos anéis de Saturno são não apenas mais recentes do que se pensava, mas também que estão a perder-se, atraídos para o planeta pela sua gravidade – como uma “chuva” de partículas geladas.

No início deste ano, o grupo analisou uma molécula encontrada na atmosfera do planeta usando o telescópio Keck II, localizado no Hawai, e descobriu uma estrutura formada por três átomos de hidrogénio. O problema é que cerca de 1,9 mil litros de água têm vindo a cair no planeta a cada segundo. Esta grande quantidade de chuva pode fazer com que Saturno perca totalmente os seus anéis mais rápido do que se esperava.

“Estimamos que esta chuva de anéis drene uma quantidade de água capaz de encher uma piscina olímpica de anéis de Saturno em meia hora”, disse James O’Donoghue, do Goddard Space Flight Center da NASA, em Maryland, EUA.

“Só com isto, todo o sistema de anéis desapareceria em 300 milhões de anos, mas junte-se a queda de materiais dos anéis no equador de Saturno, medida pela sonda Cassini, e os anéis têm menos de 100 milhões de anos de vida“, acrescenta, citado pelo The New York Times.

Há muito que os cientistas tentam perceber se o planeta tem os anéis desde a sua formação ou se os adquiriu posteriormente. O estudo de O’Donoghue, publicado no início de Novembro na revista Icarus, aponta mais para a segunda hipótese, ao calcular que, provavelmente, têm menos de 100 milhões de anos de idade. A confirmar-se, os anéis estarão a meio da sua vida.

As primeiras pistas a apontar para a “chuva de anéis” foram captadas pela missão Voyager, há décadas, quando detectou variações peculiares na atmosfera superior de Saturno, variações na densidade dos anéis e um trio de bandas escuras e estreitas em torno de algumas latitudes mais a norte.

Estas faixas foram mais tarde associadas à forma do enorme campo magnético de Saturno, com Jack Connerney, da NASA, a propor a teoria de que partículas de gelo com carga eléctrica dos anéis estariam a “chover” na atmosfera superior do planeta.

Os anéis de Saturno são constituídos essencialmente por uma mistura de gelo, poeira e material rochoso. Jeff Cuzzi, da NASA, afirma que o desaparecimento da estrutura que se localiza em torno de Saturno pode realmente ocorrer, uma vez que a dissipação dos anéis não depende apenas de quanto material ainda está neles, mas de outras forças físicas, das mudança no planeta e de como este material é reabastecido.

Agora, a equipa quer ver como é que a chuva de anéis muda com as estações do ano em Saturno. À medida que o planeta avança na sua órbita de 29,4 anos, os anéis são expostos ao Sol em graus variados. Como a luz ultravioleta do Sol carrega os grãos de gelo e faz com que reajam ao campo magnético de Saturno, a variação da exposição à luz do sol pode alterar a quantidade de chuva dos anéis.

MC, ZAP //

Por MC
19 Dezembro, 2018

 

1357: Descoberto anel com 2.000 anos que pertenceu a Pôncio Pilatos

CIÊNCIA

Ernmuhl / Wikimedia
Torre de David em Jerusalém

O nome de Pôncio Pilatos – o governador da província romana da Judeia que ordenou a crucificação de Jesus Cristo – foi encontrado gravado num antigo anel de bronze encontrado há 50 anos na Cisjordânia.

De acordo com o Haaretz, que avança a notícia, a jóia foi encontrada já na década de 1960, mas só agora é que os cientistas conseguiram decifrar as suas inscrição. O anel foi encontrado juntamente com outros milhares de objectos descobertos durante as escavações arqueológicas no antigo Palácio do rei Herodes, lideradas por Gideon Forster.

Recentemente, uma outra equipa científica, liderada por por Roi Porat, voltou a examinar o objecto de 2.000 anos e decifrou a inscrição gravada.

De acordo com os especialistas, as inscrições no anel incluem uma vasilha de vinho rodeada com uma palavra grega traduzida como “Pilatos”. Os investigadores ligaram assim o anel ao governador Pôncio Pilatos, que governou entre os anos 26 e 36. Segundo os especialistas, o nome encontrado no anel era raro à luz da época em de Israel.

“Eu não conheço nenhum outro Pilatos naquela época, e o anel mostra que [o dono do anel] era uma pessoa de estatuto e riqueza”, comentou o professor Danny Schwartz.

É de salientar que um anel deste tipo – de bronze e com inscrições gravadas – era característico da cavalaria romana da época, à qual Pôncio Pilatos pertencia. Por outro lado, revelaram os cientistas, o anel é um objecto bastante simples, sugerindo que o governador foi capaz de usá-lo durante o seu trabalho diário ou então poderia pertencer a um dos seus funcionários que o usavam para afirmar o seu nome.

Contudo, os cientistas acreditam que o mais certo é que a jóia tenha pertencido a Pôncios Pilatos, tal como aponta a própria imprensa de Israel.

O anel agora encontrado junta-se a um outro objecto atribuído ao governador, a chamada pedra de Pilatos, descoberta em 1961 no complexo arqueológico de Cesareia Marítima, em Israel, que também tinha o seu nome gravado.

Os resultados da pesquisa foram publicado na Israel Exploration Journal

ZAP // RT

Por ZAP
1 Dezembro, 2018

 

1122: Chovem partículas minúsculas do anel mais interno de Saturno

NASA / /JPL-Caltech
A sonda Cassini da NASA

Durante as suas últimas órbitas em 2017, a sonda Cassini mergulhou entre os anéis de Saturno e a sua atmosfera, sendo banhada por uma chuva de partículas minúsculas a que os astrónomos chamaram de chuva ring rain.

A sonda internacional da NASA, que explorou Saturno e as suas luas entre 2004 e 2017, terminou os seus trabalhos no ano passado, mas as suas descobertas continuam a fascinar-nos. Agora, e pouco depois de os cientistas terem perdido contacto com Cassini, são publicados novas pesquisas sobre as órbitas finais da sonda.

De acordo com uma nova investigação, publicada na semana passada na revista Science, um equipa de cientistas recolheu com sucesso material microscópico que flui entre Saturno e o seu anel mais interno – conhecido como anel D.

“As nossas medições mostram exactamente quais são estes materiais, como é que estes são distribuídos e quanta poeira está a entrar em Saturno”, disse Hsu, autor principal do estudo e pesquisador associado do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP).

Durante décadas, os astrónomos suspeitaram que os anéis de Saturno atingiram o planeta com grãos de gelo. Agora, e com as observações de Cassini divulgadas recentemente, surgem as primeiras visões detalhadas sobre estas chuvas celestes.

A investigação aponta que a chuva dos anéis está altamente contaminada com matéria orgânica e outras moléculas, atingindo Saturno com milhares de quilogramas por segundo. compreender a quantidade e a composição destas chuvas pode ajudar a esclarecer a origem e a evolução dos anéis de Saturno, nota a Science News.

A água representa apenas 25% do material que “chove” dos anéis de Saturno para a atmosfera. De acordo com a investigação, o material restante é composto por metano, dióxido de carbono, nitrogénio, amoníaco, dióxido de carbono e nano-partículas orgânicas.

A diversidade da composição química da chuva de anéis foi “uma grande surpresa”, uma vez que observações remotas mostram que o sistema de anéis de Saturno é quase inteiramente constituído por gelo, explicou Lisa Spilker, investigadora do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, que não participou no estudo.

Os cientistas ainda não conseguem explicar com certeza por que motivo a chuva de anéis é tão desprovida de água. Mas uma coisa é certa: chove em Saturno. A cada segundo, os anéis de Saturno fazem “chover” milhares de quilogramas de de água gelada, bem como moléculas orgânicas e outras partículas minúsculas.

Golpe de engenharia e navegação

A descoberta agora divulgada é fruto da grand finale da missão, na qual Cassini realizou um conjunto de manobras arriscadas nos anéis do planeta. Segundo os cientistas, citados pela Physics.org, a recolha destas poeiras sob estas condições revelou-se um golpe de engenharia e navegação, que a equipa já aspirava desde 2010.

“Esta é a primeira vez que partículas dos anéis de Saturno são analisadas com instrumentos construídos pelo Homem”, disse Sascha Kempf, co-autora do estudo e investigadora associada do LASP. “Se há alguns anos nos tivessem perguntado se isto era possível, nos teríamos respondido ‘de forma alguma’”, reiterou a cientista.

A incrível Cassini foi lançada em 1997, tendo chegado ao sexto planeta do Sistema Solar em 2004. A sonda, fruto de um projecto conjunto da NASA, ESA e da ASI, tinha como principal objectivo estudar Saturno e os seus satélites naturais.

ZAP //

Por ZAP
10 Outubro, 2018