2724: Desvendado o enigma da localização inóspita de Machu Picchu

CIÊNCIA

Pedro Szekely / Flickr

Investigadores desvendaram o enigma da localização inacessível de Machu Picchu. As falhas geológicas presentes por debaixo da cidade do Império Inca.

O antigo santuário Inca de Machu Picchu é um dos maiores feitos arquitectónicos da humanidade. Construído no topo de uma remota montanha nos Andes, o Machu Picchu atrai milhões de visitantes todos os anos pela sua grandiosidade.

Depois de anos intrigados por que razão os Incas construíram o seu aldeamento num local tão inóspito, os cientistas conseguiram descobrir a razão pela qual o fizeram. Uma nova investigação sugere que a cidade foi propositadamente construída entre as falhas geológicas por debaixo da montanha.

Segundo o Phys, o geólogo brasileiro Rualdo Menegat apresentou os resultados detalhados desta investigação esta segunda-feira no encontro anual da Geological Society of America. “A localização de Machu Picchu não é uma coincidência“, disse Menegat. “Seria impossível construir um local assim nas montanhas altas se o substrato não fosse fracturado”.

O especialista combinou dados e medições de imagens de satélite para compilar uma densa rede de fracturas e falhas que atravessam a área do Machu Picchu. O Russia Today explica que estas variam em escala: algumas são visíveis em pequenas pedras, enquanto outras têm centenas de quilómetros e controlam a orientação de alguns dos vales.

A análise do geólogo brasileiro permitiu concluir que tanto os edifícios e escadas como os campos agrícolas circundantes são orientados de acordo com as tendências dessas grandes falhas.

“Outras cidades antigas dos Incas, incluindo Ollantaytambo, Pisac e Cusco também estão localizadas na intersecção de falhas“, explicou Menegat. “Cada um é precisamente a expressão das principais direcções das falhas geológicas do local”.

“A intensa fractura predispôs as rochas a partirem da mesma forma, o que reduziu bastante a energia necessária para esculpi-las”, disse ainda o geólogo. Além disso, as falhas tectónicas nesta zona permitiam um abastecimento de água único ao local, já que a água da chuva era canalizada pelas falhas até à cidade.

“Cerca de dois terços do esforço para construir o santuário envolveu a construção de drenagens subterrâneas”, explicou Menegat. No entanto, em sentido contrário, as falhas também permitiam drenar a cidade em caso de cheias — algo que é bastante comum na região.

“As fracturas pré-existentes apoiaram este processo e ajudam a explicar a sua preservação notável. O Machu Picchu mostra-nos claramente que a civilização Inca era um império de rochas fracturadas”, concluiu Menegat, citado pela Europa Press.

ZAP //

Por ZAP
27 Setembro, 2019

 

2260: De olhos postos na matéria escura, Portugal junta-se a oito países para construir observatório de raios gama nos Andes

CIÊNCIA

Hugo Ortuño Suárez / Flickr

Portugal e mais oito países juntam-se a partir desta segunda-feira numa colaboração internacional para construir um observatório de raios gama na região dos Andes, para procurar sinais de matéria escura no centro da Via Láctea. O projecto deverá estar a funcionar dentro de 8 a 10 anos.

O anúncio foi feito em comunicado pelo Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), que representa a participação portuguesa.

Além do LIP, estão envolvidos mais 37 institutos de investigação, oriundos da Alemanha, Argentina, Brasil, Estados Unidos, Itália, México, Reino Unido e República Checa. A concretizar-se a sua construção, será o primeiro observatório de raios gama no hemisfério sul. Já existe um do género, mas no hemisfério norte, no México.

Em declarações à Lusa, o presidente do LIP, Mário Pimenta, disse que o projecto da infraestrutura será concluído em 2022 para que o consórcio possa avançar com candidaturas a financiamento para a obra, que demorará cinco anos.

Mário Pimenta estima em pelo menos 50 milhões de euros o custo da construção do observatório, que incluirá vários tanques de água colocados a uma altitude superior a 4.400 metros para detectar partículas de alta energia através da sua interacção com a água.

O presidente do LIP espera que, angariadas as verbas, o observatório de raios gama no hemisfério sul (SWGO) possa estar a funcionar num prazo de oito a dez anos.

O SWGO servirá para detectar raios gama de energia mais alta, “partículas de luz biliões de vezes mais energéticas do que a luz visível”, permitindo aos físicos descortinarem a origem dos raios cósmicos de alta energia e procurarem partículas de matéria escura e desvios em relação à Teoria da Relatividade Geral de Albert Einstein, refere o comunicado do LIP.

Segundo o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas, o “campo de visão amplo do SWGO torna-o ideal” para procurar emissões de raios gama “vindas de regiões extensas do céu, como as chamadas bolhas de Fermi”, estruturas com dimensões comparáveis à Via Láctea e “ricas em matéria escura”, bem como “fenómenos inesperados”, como a fusão de duas estrelas de neutrões, que dá origem a um buraco negro (região de onde nem a luz escapa).

O LIP destaca que a localização do SWGO, no hemisfério sul, possibilitará “observar directamente a região mais interessante da Via Láctea”, o seu centro, que tem um buraco negro quatro milhões de vezes “mais pesado” do que o Sol.

O SWGO parte das experiências feitas com o observatório no México, o HAWC, que detecta, a elevada altitude, “os chuveiros de partículas produzidos pelos raios gama primários que atingem a atmosfera”, mas também irá explorar “novas tecnologias que permitam aumentar a sensibilidade e baixar o limiar de energia do detector”.

Realçando a importância do SWGO, o LIP assinala que o estudo das emissões de raios gama de muita alta energia, que podem durar segundos ou dias, requer a observação contínua de “grandes porções do céu, sensíveis às energias acima do alcance” das observações por satélite e um trabalho em conjunto com outros observatórios, de fotões, neutrinos e ondas gravitacionais.

O Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas lembra que a detecção directa dos raios gama primários só pode ser feita com telescópios espaciais, como o Fermi, mas a tecnologia usada é mais onerosa, limitando o tamanho dos detectores e a sua sensibilidade.

Telescópios terrestres como os de Cherenkov permitem detectar, igualmente, raios gama de alta energia, mas, ao contrário do observatório SWGO proposto, têm “tempos de observação e campos de visão limitados”, apesar de “muito precisos”. Um desses telescópios está instalado na ilha espanhola de La Palma, nas Canárias.

ZAP // Lusa

Por ZAP
1 Julho, 2019

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1813: Descoberta misteriosa religião nas profundezas de um lago dos Andes

CIÊNCIA

(dr) Teddy Seguin

Há centenas de anos, a costa oeste da América do Sul era governada pelos Incas – um misterioso império considerado a sociedade mais avançada existente nas Américas antes da chegada de Colombo.

Porém, muito tempo antes de os Incas deterem o domínio sobre as vastas terras que se estendiam da Colômbia ao Chile, uma sociedade ainda mais misteriosa habitava na região dos Andes. Este império mais antigo foi chamado o estado de Tiwanaku, sobre o qual se sabe menos ainda. No seu auge, poderá ter tido entre 10 mil a 20 mil pessoas.

Os detalhes escassos que se sabe sobre o estado de Tiwanaku vêm de achados arqueológicos, descobrindo uma trilha de pistas sobre o povo Tiwanaku e a sua cultura há muito desaparecida. Agora, os cientistas acabam de anunciar a descoberta de uma grande peça nova do quebra-cabeça.

No primeiro mergulho e escavação arqueológica sistemática realizado nas águas do recife de Khoa, perto da Ilha do Sol no Lago Titicaca, na Bolívia, os investigadores encontraram evidências submersas de ofertas rituais feitas a divindades sobrenaturais – o que significa que a religião existia nesta parte do mundo – muito mais cedo do que se pensava.

“As pessoas costumam associar a Ilha do Sol aos Incas porque era um local de peregrinação importante para eles e porque deixaram para trás numerosas construções cerimoniais e ofertas na e em redor desta ilha”, disse o antropólogo José Capriles, da Pennsylvania State University.

“A nossa investigação mostra que o povo Tiwanaku, que se desenvolveu no Lago Titicaca entre 500 e 1.100 a.C, foi o primeiro a oferecer objectos de valor a divindades religiosas da região”, explicou.

Capriles e a sua equipa usaram sonar e fotogrametria 3D subaquática para monitorizar e mapear o recife durante uma visita de estudo de 19 dias ao Lago Titicaca durante 2013. Nos sedimentos no lago, encontraram queimadores de incenso em forma de puma, com fragmentos de carvão presentes nos depósitos escavados, e vários ornamentos de ouro, conchas e pedras.

(dr) Teddy Seguin
A equipa encontrou ofertas rituais, como queimadores de incenso; lamas sacrificados; e ornamentos de ouro, conchas e pedras

Acredita-se que o puma tenha sido um importante símbolo religioso para os Tiwanaku. Um motivo com um rosto com raios representado em dois medalhões de ouro sugere que as ofertas deveriam ser explicitamente para a principal figura mítica na sua iconografia religiosa, às vezes chamada de Viracocha.

Os investigadores dizem que as peças de oferta – datadas entre os séculos VIII e X a.C – não foram parar ao lago por acidente, mas parecem que foram projectadas para ficarem submersas. “A presença de âncoras perto das ofertas sugere que as autoridades oficiais podem ter depositado as ofertas durante rituais realizados em barcos”, referiu Capriles.

Os arqueólogos também encontraram evidências de peixes, anfíbios e ossos de aves, que, segundo a equipa, provavelmente se depositaram naturalmente no ecossistema submerso.

Mas há um animal na mistura que não é como os outros. Os ossos de quatro lamas também foram descobertos. Pensa-se que terão sido mortos no local ou perto dele e enterrados no mar como ofertas de sacrifício no antigo ritual.

Embora não se possa saber com certeza exactamente o que estes actos de oferta significaram para o povo Tiwanaku, o facto de que tais elaborados ritos foram realizados diz-nos algo mais sobre o estado e a sofisticação dos Tiwanaku.

Mais do que um mero culto num local extremo, as cerimónias em Khoa refletem uma interacção complexa de estar situado no centro do lago enquanto são realizadas por um pequeno grupo de elite”, escrevem os autores no artigo, publicado na revista PNAS.

“Eles também enfatizam a exibição de forças poderosas, como a disseminação de rituais focados na representação de uma divindade de rosto com raios e pumas cheios de fumo, o sacrifício de lamas e a disposição conspícua da riqueza.”

Os arqueólogos dizem que estes gestos simbólicos são todos os pilares de uma sociedade complexa emergente, que se poderia estar a expandir e talvez a procurar cooperar com outros grupos na região andina. Esses esforços podem ter valido a pena no curto prazo, até cerca de meio milénio depois.

ZAP // Live Science

Por ZAP
6 Abril, 2019

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1283: Descoberto o segredo da sobrevivência dos antigos povos dos Andes

CIÊNCIA

(CC0/PD) etifae / Pixabay
Cordilheira dos Andes

Uma nova investigação, baseada nos antigos assentamentos das populações que viveram na Cordilheira dos Andes, revelou que estes povos sofreram mutações genéticas que lhes permitiram sobreviver em condições tão adversas.

De acordo com o novo estudo, publicado na semana passada na revista Science Advances, estas populações que viviam em territórios de elevada altitude foram modificando e adaptando os seus organismos ao longos dos anos.

E foi graças a estas alterações genéticas – que incluem corações maiores e pressão arterial ligeiramente mais alta – que conseguiram resistir e sobreviver às condições adversas dos Andes, evitando também certas doenças.

“Apesar das duras condições ambientais, os Andes foram povoados relativamente cedo após a entrada no continente [sul-americano]. As características adaptativas necessárias para a ocupação permanente podem ter sido seleccionadas por um período de tempo relativamente curto, na ordem dos milhares de anos“, pode ler-se na publicação.

Segundo o artigo, uma das mutações foi identificada foi no gene DST, que fez com que a anatomia dos corações da população dos Andes fosse mudando. A análise genética notou que os ventrículos direitos deste povo eram maiores comparativamente a um coração normal, melhorando assim o fornecimento de sangue oxigenado.

Outro sinal de adaptação foi encontrado no gene MGAM (maltase-glucoamilase), uma enzima intestinal. Os ancestrais do Andes, que habitaram estas terras altas há cerca de 7.000 anos, consumiam muito milho e batatas – produtos tradicionalmente consumidos naquela zona da América de Sul – e a evolução do MGAM permitiu-lhe fazer uma melhor digestão do amido.

A presença do MGAM produziu “uma mudança significativa na dieta” deste povo. Apesar de estas populações ingerirem muito amido, os seu genomas não produziram cópias adicionais do gene da amilase, como aconteceu nas áreas rurais da Europa.

No que respeita ao sistema imunológico, os povos dos Andes mostraram também ser mais resistentes. Durante a a epidemia de varíola na América Latina, causada pela chegada dos espanhóis, as taxas de mortalidade nos Andes foram entre 23% e 27%. No resto das Américas, as taxas de mortalidade ascenderam a 90%.

A análise genética, que analisou os vestígios mortais de vários ancestrais que viveram nos Andes, revelou que a adaptação foi o grande segredo para a prosperidade desta população.

ZAP // RT / LiveScience

Por ZAP
14 Novembro, 2018

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