3937: Descobertas duas super-Terras em órbita de anã vermelha próxima

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do sistema multi-planetário de super-Terras recém-descoberto em órbita da anã vermelha Gliese 887.
Crédito: Mark Garlick

Os exoplanetas mais próximos fornecem-nos as melhores oportunidades para estudos detalhados, incluindo a busca por evidências de vida para lá do Sistema Solar. Uma investigação liderada pela Universidade de Gotinga, Alemanha, por astrónomos do projecto RedDots, detectou um sistema de super-Terras em órbita da estrela próxima Gliese 887, a anã vermelha mais brilhante do céu. As super-Terras são exoplanetas com uma massa maior do que a da Terra, mas substancialmente inferior às dos nossos gigantes gelados locais, Úrano e Neptuno. As super-Terras recém-descobertas ficam perto da zona habitável da anã vermelha, onde a água pode existir no estado líquido, e podem ser mundos rochosos. Os resultados foram publicados na revista Science.

A equipa de astrónomos do RedDots monitorizou a anã vermelha usando o espectrógrafo HARPS do ESO no Chile. Usaram uma técnica chamada “oscilação Doppler”, que lhes permite medir as pequenas oscilações da estrela provocadas pela atração gravitacional dos planetas. Os sinais regulares correspondem a órbitas de apenas 9,3 e 21,8 dias, indicando duas super-Terras – Gliese 887b e Gliese 887c – ambas maiores que a Terra e movendo-se rapidamente, muito mais depressa que Mercúrio. Os cientistas estimam que a temperatura de Gliese 887c ronde os 70ºC.

Gliese 887 é uma das estrelas mais próximas do Sol, a cerca de 11 anos-luz de distância. É muito mais ténue e tem aproximadamente metade do tamanho do nosso Sol, o que significa que a zona habitável está muito mais próxima de Gliese 887 do que a distância Terra-Sol. O RedDots descobriu mais dois factos interessantes sobre Gliese 887, que acabam sendo boas notícias não apenas para os planetas recém-descobertos, mas também para os astrónomos. A primeira é que a anã vermelha tem muito poucas manchas estelares, ao contrário do nosso Sol. Se Gliese 887 fosse tão activa quanto o nosso Sol, é provável que um vento estelar forte – fluxo de material que pode erodir a atmosfera de um planeta – simplesmente varresse as atmosferas dos planetas. Isto significa que os planetas recém-descobertos podem reter as suas atmosferas ou ter atmosferas mais espessas que a da Terra, e potencialmente hospedar vida, mesmo que GJ887 receba mais luz do que a Terra. A outra característica interessante que a equipa descobriu é que o brilho de Gliese 887 é quase constante. Portanto, será relativamente fácil detectar as atmosferas do sistema de super-Terras, tornando-o um alvo principal do Telescópio Espacial James Webb, o sucessor do Telescópio Hubble.

A Dra. Sandra Jeffers, da Universidade de Gotinga e autora principal do estudo, conclui: “Estes planetas vão fornecer as melhores possibilidades para estudos mais detalhados, incluindo a busca por vida para lá do nosso Sistema Solar.”

Astronomia On-line
30 de Junho de 2020

 

spacenews

 

3927: π-Terra. Exoplaneta do tamanho da Terra orbita a sua estrela em 3,14 dias

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Gabriel Pérez Díaz / Instituto de Astrofísica das Canárias
Impressão de artista de um sistema planetário com três exoplanetas rochosos do tamanho da Terra

Usando dados da missão Kepler/K2 da NASA, os telescópios SPECULOOS e o espectrómetro Echelle de alta resolução (HIRES), uma equipa de astrónomos descobriu um planeta do tamanho da Terra numa órbita próxima ao redor da anã vermelha EPIC 249631677.

A anã vermelha EPIC 249631677 localiza-se a 185 anos-luz de distância, na constelação de Libra, e tem mais de mil milhões de anos. A temperatura ronda os 3.000 graus Celsius e é cerca de cinco vezes mais pequena do que o nosso Sol.

O astrónomo Prajwal Niraula explicou, citado pelo Sci-News, que os cientistas voltaram a analisar os dados do Kepler/K2, uma missão que terminou no ano passado, e as curvas de luz das estrelas com temperaturas inferiores a 3.200 graus Celsius.

“Entre as 1.213 estrelas que se enquadravam nos critérios, a EPIC 249631677 apresentou o sinal de trânsito periódico mais forte”, referiu. “Observamos três trânsitos adicionais do planeta com os Observatórios Sul e Norte do SPECULOOS e um espectro estelar, o que nos permitiu validar a natureza planetária do sinal.”

O exoplaneta recém-descoberto orbita a sua estrela-mãe com um período de 3,14 dias. Oficialmente conhecido como EPIC 249631677b e apelidado de π-Terra, o planeta é apenas 5% mais pequeno do que a Terra.

De acordo com o artigo científico, que será publicado no AAS journals, o mundo alienígena tem uma temperatura superficial estimada em torno dos 190 graus Celsius, o que significa que é demasiado quente para hospedar vida (pelo menos, como a conhecemos).

ZAP //

Por ZAP
28 Junho, 2020

 

spacenews

 

2544: Encontrados três exoplanetas rochosos em órbita de uma estrela a apenas 12 anos-luz

CIÊNCIA

ESO / M. Kornmesser
Impressão artística de planetas a orbitar uma estrela anã vermelha

Três novos exoplanetas foram encontrados em órbita de uma estrela próxima, e um deles está muito bem classificado para ser potencialmente habitável.

De acordo com o Science Alert, os três exoplanetas agora encontrados são rochosos, sendo que o mais externo está a orbitar a estrela na zona habitável, onde as temperaturas são compatíveis com a possibilidade de água líquida na superfície.

Estamos a falar da estrela Gliese 1061, que se encontra a cerca de 12 anos-luz, tornando-a a 20.ª estrela mais próxima do Sistema Solar. Os exoplanetas foram agora apelidados de Gliese 1016 b, Gliese 1016 c e Gliese 1016 d.

Os investigadores também encontraram evidências que poderiam indicar um quarto planeta, hipótese que depois foi descartada. As descobertas são relatadas no arXiv e foram submetidas no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

A Gliese 1061 é uma anã vermelha. Estas estrelas são frias e fracas, o que significa que a sua zona habitável é muito mais próxima da estrela do que uma estrela mais quente e brilhante como, por exemplo, o Sol. E os planetas que orbitam as suas estrelas de perto são mais fáceis de encontrar do que estrelas muito mais distantes, tornando-as um bom alvo para procurar exoplanetas habitáveis.

Anãs vermelhas são muitas vezes inquietas e selvagens, amarrando o espaço à sua volta com explosões estelares. É o caso do Proxima b, o exoplaneta encontrado a orbitar a zona habitável da sua estrela mais próxima, Proxima Centauri.

A Gliese 1061 é muito parecida com a Proxima Centauri, mas com uma grande diferença: é muito mais silenciosa, o que significa probabilidades de habitabilidade potencialmente maiores.

O Gliese 1016 b, o planeta mais interno, é 1,38 vezes a massa da Terra. O planeta do meio, Gliese 1016 c, é 1,75 vezes a massa da Terra. E o planeta mais externo, Gliese 1016 d, é 1,68 vezes a massa da Terra. São estas dimensões que permitem inferir que os planetas são rochosos, uma vez que estas massas raramente são vistas em exoplanetas gasosos.

Além disso, os três orbitam a estrela muito mais perto do que qualquer um dos planetas do Sistema Solar. O Gliese 1016 b dá a volta a cada 3,1 dias, o Gliese 1016 c a cada 6,7 dias e o Gliese 1016 d a cada 13 dias, estando este último na zona habitável.

Claro que isso não significa que a vida está à nossa espera a apenas 12 anos-luz de distância. Tal como notam os investigadores, a estrela pode estar agora sossegada mas provavelmente já foi bastante activa no seu passado recente. Se estiver a banhar os seus planetas em radiação estelar, qualquer vida que lá esteja provavelmente não irá sobreviver.

ZAP //

Por ZAP
30 Agosto, 2019