3788: Cientistas cidadãos avistam a mais próxima anã castanha jovem e com disco

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Investigadores do MIT, da Universidade do Oklahoma e de outras instituições, com a ajuda de cientistas cidadãos, identificaram uma anã castanha com disco que é a mais jovem do seu tipo a cerca de 100 parsecs da Terra. A anã castanha, de nome W1200-7845 e ilustrada na imagem, parece ter o tipo de disco que pode, potencialmente, formar planetas.
Crédito: NASA/William Pendrill

As anãs castanhas são a “filha do meio” da astronomia, demasiado grandes para serem planetas, mas não grandes o suficiente para serem estrelas. Tal como as suas irmãs estelares, estes objectos formam-se a partir do colapso gravitacional de poeira e gás. Mas, em vez de se condensarem para formar o núcleo quente de uma estrela, as anãs castanhas encontram um equilíbrio mais “zen”, atingindo de alguma forma um estado mais tranquilo e estável em comparação com as estrelas movidas a fusão nuclear.

As anãs castanhas são consideradas o elo que falta entre os planetas gigantes gasosos mais massivos e as estrelas mais pequenas e, dado que têm brilho relativamente baixo, têm sido difíceis de detectar no céu nocturno. Tal como as estrelas, algumas anãs castanhas podem reter o disco turbulento de gás e poeira que sobrou da sua formação inicial. Este material pode colidir e acumular para formar planetas, embora não esteja claro exactamente que tipo de planetas as anãs castanhas podem gerar.

Agora, investigadores do MIT (Massachusetts Institute of Technology), da Universidade do Oklahoma e de outras instituições, com a ajuda de cientistas cidadãos, identificaram uma anã castanha com disco que é a mais jovem do seu tipo a cerca de 100 parsecs da Terra. A anã castanha, de nome W1200-7845, parece ter o tipo de disco que pode, potencialmente, formar planetas. Tem aproximadamente 3,7 milhões de anos e fica a 102 parsecs, ou mais ou menos 332 anos-luz da Terra.

A esta distância, os cientistas poderão observar o jovem sistema com telescópios futuros de próxima geração, a fim de examinar as condições iniciais do disco de uma anã castanha e talvez aprender mais sobre o tipo de planeta que as anãs castanhas podem suportar.

O novo sistema foi descoberto através do Disk Detective, um projecto de “crowdsourcing” financiado pela NASA e hospedado pelo Zooniverse que fornece imagens de objectos no espaço para o público classificar, com o objectivo de seleccionar objectos que provavelmente são estrelas com discos que podem, potencialmente, hospedar planetas.

Os cientistas apresentaram os seus achados, bem como uma nova versão do website Disk Detective, esta semana na reunião virtual da Sociedade Astronómica Americana.

“Dentro da nossa vizinhança solar”

Os utilizadores do site Diskdetective.org, lançado em 2014, podem vasculhar “flipbooks” – imagens do mesmo objecto no espaço, obtidas pelo WISE (Wide-field Infrared Survey Explorer), que detecta emissões infravermelhas como radiação térmica emitida pelos remanescentes de gás e poeira nos discos estelares. Um utilizador pode classificar um objecto com base em certos critérios, como por exemplo se o objecto parece oval – uma forma que mais se assemelha a uma galáxia – ou redondo – um sinal de que o objecto é mais provavelmente uma estrela que hospeda um disco.

“Temos vários cientistas cidadãos a observar cada objecto e a dar a sua opinião independente, e confiamos na sabedoria do público para decidir o que provavelmente são galáxias e o que provavelmente são estrelas com discos em seu redor,” diz o co-autor do estudo Steven Silverberg, pós-doutorado do Instituto Kavli para Astrofísica e Pesquisa Espacial do MIT.

A partir daí, uma equipa científica, incluindo Silverberg, acompanha discos classificados pelo público, usando métodos mais sofisticados e telescópios para determinar se, de facto, são discos e quais as características que os discos podem ter.

No caso do recém-descoberto W1200-7845, os cientistas cidadãos classificaram o objecto como tendo um disco pela primeira vez em 2016. A equipa científica, incluindo Silverberg e Maria Schutte, estudante da Universidade do Oklahoma, examinou mais atentamente a fonte com um instrumento infravermelho acoplado aos telescópios Magellan de 6,5 metros do Observatório Las Campanas no Chile.

Com estas novas observações, determinaram que a fonte era, de facto, um disco em torno de uma anã castanha que vivia dentro de um “grupo em movimento” – um enxame de estrelas que tende a mover-se como um só pelo céu nocturno. Na astronomia, é muito mais fácil determinar a idade de um grupo de objectos do que de um objecto sozinho. Dado que a anã castanha faz parte de um grupo em movimento que contém cerca de 30 estrelas, investigadores anteriores foram capazes de estimar uma idade média, cerca de 3,7 milhões de anos, que provavelmente também corresponde à idade da anã castanha.

W1200-7845 também está muito perto da Terra, a cerca de 102 parsecs de distância (aproximadamente 332 anos-luz), o que a torna na anã castanha jovem mais próxima já detectada. Para comparação, a estrela mais próxima do Sol, Proxima Centauri, fica a 4,24 anos-luz de distância (W1200-7845 não é a anã castanha mais próxima, apenas a mais jovem, com disco, mais próxima; essa distinção pertence a Luhman 16, a cerca de 6,5 anos-luz).

“A esta distância, consideramos que está dentro do ‘bairro solar’,” diz Schutte. “Esta proximidade é muito importante, porque as anãs castanhas têm uma massa pequena e são inerentemente menos brilhantes do que outros objectos como estrelas. Portanto, quanto mais próximos estes objectos estiverem de nós, mais detalhes podemos observar.”

À procura de Peter Pan

A equipa planeia observar W1200-7845 com outros telescópios, como o ALMA (Atacama Large Millimeter Array) no Chile, que tem 66 antenas enormes que funcionam juntas como um poderoso telescópio para observar o Universo entre o rádio e o infravermelho. Nesta gama de comprimentos de onda, e com esta precisão, os investigadores esperam ver o próprio disco da anã castanha, para medir a sua massa e raio.

“A massa de um disco apenas informa a quantidade de material aí existente, o que nos pode dizer se existe formação planetária e que tipo de planetas é capaz de produzir,” diz Silverberg. “Também podemos usar estes dados para determinar os gases no sistema e a composição do disco.”

Entretanto, os investigadores estão a lançar uma nova versão do Disk Detective. Em Abril de 2019, o site entrou em hiato, pois a sua plataforma, o popular portal de cientistas cidadãos Zooniverse, retirou brevemente a sua plataforma de software anterior em favor de uma versão actualizada. A plataforma actualizada levou Silverberg e colegas a reformular o Disk Detective. A nova versão, lançada esta semana, inclui imagens de um levantamento de todo o céu, PanSTARRS, que observa a maior parte do céu em alta resolução e no visível.

“Estamos desta vez a obter imagens mais actuais com diferentes telescópios e com melhor resolução espacial,” diz Silverberg, que gere o novo site no MIT.

Ao passo que a versão anterior do site tinha como objectivo encontrar discos em torno de estrelas e de outros objectos, o novo site está desenhado para selecionar discos “Peter Pan” – discos de gás e poeira que devem ter idade suficiente para formar planetas, mas que por algum motivo ainda não o fizeram.

“Chamamo-los de discos Peter Pan porque parecem nunca crescer,” acrescenta Silverberg.

A equipa identificou o seu primeiro disco Peter Pan com o Disk Detective em 2016. Desde então, foram encontrados outros sete, cada um com pelo menos 20 milhões de anos. Com o novo website, esperam identificar e estudar mais destes discos, o que pode ajudar a determinar as condições sob as quais os planetas, e possivelmente a vida, se podem formar.

“Os discos que encontrarmos serão lugares excelentes para procurar exoplanetas,” diz Silverberg.

“Se os planetas demorarem mais tempo para se formar do que pensávamos anteriormente, a estrela que orbitam terá menos surtos energéticos quando finalmente se formarem. Se o planeta estiver menos exposto a estas explosões de radiação estelar do que em torno de uma estrela mais jovem, isso poderá afectar significativamente as nossas expectativas de descobrir aí vida.”

Astronomia On-line
5 de Junho de 2020

 

spacenews

 

3680: Cientistas descobrem uma anã castanha às riscas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Caltech / R. Hurt (IPAC)

Uma equipa de astrónomos descobriu uma anã castanha distante – um corpo celeste frio semelhante a uma estrela – coberta de riscas não muito diferentes das nuvens que cobrem o gigante Júpiter.

Em comunicado, os cientistas do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech), nos Estados Unidos, referem ter encontrado aquilo que parecem ser faixas de nuvens a cruzar a superfície da anã castanha Luhman 16A, localizada a 6,5 anos luz do Sistema Solar.

Trata-se de uma descoberta bizarra contudo, nota o portal Science Alert, esta não é a primeira anã castanha às riscas já encontrada.

Ainda assim, sustentam os cientistas, esta descoberta pode ser importante, uma vez que a técnica utilizada pelos cientistas na análise da Luhman 16A, a polarimetria, pode fornecer uma nova ferramenta para os cientistas estudarem e entenderem o Cosmos.

A polarimetria é uma técnica que funciona da mesma forma do que os óculos de sol polarizados que bloqueiam o brilho da sul solar, explica a equipa na mesma nota.

“Costumo pensar em instrumentos polarimétricos como os óculos de sol polarizados de um astrónomo (…) Mas em vez de tentar bloquear esse brilho, estamos a tentar medi-lo“, explicou Maxwell Millar-Blanchaer, um dos cientistas envolvidos no estudo.

Quanto às nuvens encontradas, os cientistas acreditam que sejam compostas por silicatos ou amoníaco. “Na realidade, é um clima bastante horrível“, completou Julien Girard, co-autor do estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica especializada The Astrophysical Journal.

ZAP //

Por ZAP
13 Maio, 2020

 

spacenews

 

3653: Astrónomos encontram bandas de nuvens, parecidas às de Júpiter, na anã castanha mais próxima

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista da anã castanha Luhman 16A, na qual os astrónomos encontraram evidências de bandas de nuvens. O objecto vermelho no plano de fundo é Luhman 16B, a anã castanha gémea de Luhman 16A. É o sistema constituído por anãs castanhas mais próximo da Terra, a 6,5 anos-luz.
Crédito: Caltech/R. Hurt (IPAC)

Uma equipa de astrónomos descobriu que a anã castanha mais próxima, Luhman 16A, mostra sinais de bandas de nuvens semelhantes às vistas em Júpiter e em Saturno. Esta é a primeira vez que os cientistas usam a técnica de polarimetria para determinar as propriedades de nuvens atmosféricas fora do nosso Sistema Solar, ou exonuvens.

As anãs castanhas são objectos mais massivos do que os planetas, mas menos massivos do que as estrelas, e normalmente têm 13 a 80 vezes a massa de Júpiter. Luhman 16A faz parte de um sistema binário que contém uma segunda anã castanha, Luhman 16B. A uma distância de 6,5 anos-luz, é o terceiro sistema mais próximo do nosso Sol, depois de Alpha Centauri e da Estrela de Barnard. Ambas as anãs castanhas têm cerca de 30 vezes a massa de Júpiter.

Apesar de Luhman 16A e 16B terem massas e temperaturas similares (cerca de 1000º C) e, presumivelmente, se terem formado ao mesmo tempo, mostram um clima marcadamente diferente. Luhman 16B não mostra sinais de bandas estacionárias de nuvens, exibindo ao invés evidências de nuvens mais irregulares. Luhman 16B, portanto, apresenta variações visíveis de brilho como resultado das suas características nubladas, ao contrário de Luhman 16A.

“Tal como a Terra e Vénus, estes objectos são gémeos com climas muito diferentes,” disse Julien Girard do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, membro da equipa de descoberta. “Podem chover coisas como silicatos ou amónia. Na verdade, é um clima horrível.”

Os investigadores usaram um instrumento no VLT (Very Large Telescope) no Chile para estudar a luz polarizada do sistema Luhman 16. A polarização é uma propriedade da luz que representa a direcção a que a onda de luz oscila. Os óculos de sol polarizados bloqueiam uma direcção de polarização a fim de reduzir o brilho e melhorar o contraste.

“Em vez de tentar bloquear este brilho, estamos a tentar medi-lo,” explicou o autor principal Max Millar-Blanchaer do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) em Pasadena, EUA.

Quando a luz é reflectida por partículas, como gotículas nas nuvens, pode favorecer um certo ângulo de polarização. Ao medir a polarização preferida da luz de um sistema distante, os astrónomos podem deduzir a presença de nuvens sem resolver directamente quaisquer estruturas de nuvens nas anãs castanhas.

“Mesmo a anos-luz de distância, podemos usar a polarização para determinar o que a luz encontrou ao longo do seu caminho,” acrescentou Girard.

“Para determinar o que a luz encontrou pelo caminho, comparámos observações com modelos com propriedades diferentes: as atmosferas das anãs castanhas com estruturas sólidas de nuvens, bandas listradas e até anãs castanhas oblatas devido à sua rápida rotação. Descobrimos que apenas modelos de atmosferas com bandas de nuvens podiam corresponder às nossas observações de Luhman 16A,” explicou Theodora Karalidi, da Universidade da Florida Central, em Orlando, EUA, membro da equipa de descoberta.

A técnica de polarimetria não se limita às anãs castanhas. Também pode ser aplicada a exoplanetas que orbitam estrelas distantes. As atmosferas de exoplanetas gigantes e quentes são semelhantes às das anãs castanhas. Embora a medição de um sinal de polarização de exoplanetas seja mais complexa, devido ao seu brilho relativamente ténue e à proximidade com a estrela, as informações obtidas das anãs castanhas podem, potencialmente, informar estes estudos futuros.

O Telescópio Espacial James Webb da NASA será capaz de estudar sistemas como Luhman 16 para procurar sinais de variações de brilho na luz infravermelha, indicativas de características de nuvens. O WFIRST (Wide Field Infrared Survey Telescope) da NASA estará equipado com um coronógrafo que pode realizar polarimetria e poderá detectar exoplanetas gigantes na luz reflectida e eventuais sinais de nuvens nas suas atmosferas.

Astronomia On-line
8 de Maio de 2020

 

 

3552: Astrónomos medem a velocidade do vento numa anã castanha

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma anã castanha, à esquerda, e Júpiter, à direita. Impressão de artista de uma anã castanha e do seu campo magnético e topo da atmosfera, que foram observados a diferentes comprimentos de onda para determinar velocidades do vento.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF

Pela primeira vez, os cientistas mediram directamente a velocidade do vento numa anã castanha, um objecto maior que Júpiter (o maior planeta do nosso Sistema Solar) mas não suficientemente massivo para se tornar uma estrela. Para chegar à descoberta, usaram um novo método que também pode ser aplicado à aprendizagem de atmosferas de planetas dominados por gás para lá do nosso Sistema Solar.

Descrito num artigo publicado na revista Science, o trabalho combina observações de um grupo de radiotelescópios com dados do observatório infravermelho recém-aposentado da NASA, o Telescópio Espacial Spitzer, gerido pelo JPL da agência espacial no sul da Califórnia.

Oficialmente designado 2MASS J10475385+2124234, o alvo do novo estudo foi uma anã castanha localizada a 32 anos-luz da Terra – logo “aqui ao lado”, em termos cósmicos. Os investigadores detectaram ventos que se moviam em torno do astro a 2293 km/h. Em comparação, a atmosfera de Neptuno tem os ventos mais rápidos do Sistema Solar, que atingem mais de 2000 km/h.

A medição da velocidade do vento cá na Terra significa cronometrar o movimento da nossa atmosfera gasosa em relação à superfície sólida do planeta. Mas as anãs castanhas são compostas quase inteiramente de gás, de modo que “vento” refere-se a algo ligeiramente diferente. As camadas superiores de uma anã castanha são onde partes do gás se pode mover independentemente. A uma certa profundidade, a pressão torna-se tão intensa que o gás se comporta como uma única bola sólida que é considerada o interior do objecto. À medida que o interior gira, empurra as camadas superiores – a atmosfera -, fazendo com que estejam quase em sincronia.

No seu estudo, os investigadores mediram a ligeira diferença de velocidades da anã castanha em relação ao seu interior. Com uma temperatura atmosférica de mais de 600º C, esta anã castanha em particular irradia uma quantidade substancial de luz infravermelha. Juntamente com a sua proximidade à Terra, esta característica tornou possível que o Spitzer detectasse propriedades na atmosfera da anã castanha enquanto gira para dentro e para fora da nossa visão. A equipa usou estas características para registar a velocidade de rotação atmosférica.

Para determinar a velocidade do interior, focaram-se no campo magnético da anã castanha. Descobriu-se há relativamente pouco tempo que os interiores das anãs castanhas geram fortes campos magnéticos. À medida que a anã castanha gira, o campo magnético acelera partículas carregadas que, por sua vez, produzem ondas de rádio, que os investigadores detectaram com os radiotelescópios do VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) no estado norte-americano de Novo México.

Atmosferas Planetárias

O novo estudo é o primeiro a demonstrar este método comparativo para medir a velocidade do vento numa anã castanha. Para medir a sua precisão, o grupo testou a técnica usando observações de rádio e no infravermelho de Júpiter, que também é composto principalmente por gás e que tem uma estrutura física semelhante à de uma pequena anã castanha. A equipa comparou as rotações da atmosfera e do interior de Júpiter usando dados idênticos aos que conseguiram recolher para a anã castanha muito mais distante. Confirmaram então o seu cálculo para a velocidade do vento de Júpiter usando dados mais detalhados obtidos por sondas que estudaram Júpiter de perto, demonstrando assim que a sua abordagem à anã castanha funcionou.

Os cientistas já usaram o Spitzer para inferir a presença de ventos em exoplanetas e anãs castanhas com base em variações no brilho das suas atmosferas no infravermelho. E dados do HARPS (High Accuracy Radial velocity Planet Searcher) – um instrumento acoplado ao telescópio La Silla do ESO no Chile – foram usados para fazer uma medição directa da velocidade do vento num planeta distante.

Mas o novo artigo representa a primeira vez que os cientistas compararam directamente a velocidade atmosférica com a velocidade do interior de uma anã castanha. Segundo os autores, o método empregado pode ser aplicado a outras anãs castanhas ou a planetas grandes, caso as condições sejam adequadas.

“Nós pensamos que esta técnica pode ser realmente valiosa para fornecer informações sobre a dinâmica das atmosferas dos exoplanetas,” disse a autora principal Katelyn Allers, professora associada de física e astronomia na Universidade Bucknell, em Lewisburg, Pensilvânia, EUA. “O que é realmente emocionante é ser capaz de aprender que a química, a dinâmica atmosférica e o ambiente em torno de um objecto estão interligados, e a perspectiva de obter uma visão realmente abrangente destes mundos.”

Astronomia On-line
14 de Abril de 2020

 

spacenews

 

Telescópio Webb vai procurar anãs castanhas e planetas “fugitivos”

CIÊNCIA/UNIVERSO

Os cientistas vão usar o Webb para investigar o berçário estelar próximo NGC 1333 em busca dos seus residentes mais pequenos e ténues. É um local ideal para procurar objectos “fugitivos” e muito fracos, incluindo aqueles com massas planetárias.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/R. A. Gutermuth (Harvard-Smithsonian CfA)

Quão pequenos são os objectos celestes mais pequenos que se formam como estrelas, mas que não produzem a sua própria luz? Quão comuns são em comparação com estrelas de pleno direito? E que dizer dos “planetas fugitivos”, que se formam em torno de estrelas antes de serem lançados para o espaço interestelar? Quando o Telescópio Espacial James Webb da NASA for lançado em 2021, lançará luz sobre estas questões.

A sua resposta vai definir um limite entre objectos que se formam como estrelas, que nascem de nuvens de gás e poeira em colapso gravitacional e aqueles que se formam como planetas, criados quando o gás e a poeira se aglomeram num disco em torno de uma estrela jovem. Também vai distinguir, entre ideias concorrentes, as origens das anãs castanhas, objectos com massas entre 1% e 8% a massa do Sol que não conseguem sustentar a fusão de hidrogénio nos seus núcleos.

Num estudo liderado por Aleks Scholz da Universidade de St. Andrews no Reino Unido, investigadores vão usar o Webb para descobrir os residentes mais pequenos e ténues de um berçário estelar próximo chamado NGC 1333. Localizado a cerca de 1000 anos-luz de distância na direcção da constelação de Perseu, o enxame NGC 1333 está relativamente perto em termos astronómicos. Também é muito compacto e contém muitas estrelas jovens. Estes três factores tornam-no no local ideal para estudar a formação estelar em acção, particularmente para aqueles interessados em objectos muito fracos e flutuantes.

“As anãs castanhas menos massivas identificadas até agora têm apenas cinco a dez vezes a massa do planeta Júpiter,” explicou Scholz. “Ainda não sabemos se objectos ainda mais leves se formam nos berçários estelares. Com o Webb, esperamos identificar pela primeira vez membros do enxame tão pequenos quanto Júpiter. Os seus números, em relação às mais massivas anãs castanhas e estrelas, vão lançar luz sobre as suas origens e também fornecer pistas importantes sobre o processo mais amplo de formação estelar.”

Um limite difuso

Objectos de massa muito baixa são frios, o que significa que emitem a maior parte da sua luz em comprimentos de onda infravermelhos. A observação da radiação infravermelha com telescópios terrestres é complexa por causa da interferência da atmosfera da Terra. Devido ao seu tamanho e à capacidade de ver a radiação infravermelha com uma sensibilidade sem precedentes, o Webb é ideal para encontrar e caracterizar objectos fugitivos (ou flutuantes) com massas inferiores a cinco vezes a massa de Júpiter.

A distinção entre as anãs castanhas e os planetas gigantes é imprecisa.

“Existem alguns objectos com massas abaixo da marca dos 10 Júpiteres que flutuam livremente pelo enxame. Dado que não orbitam nenhuma estrela em particular, podemos chamá-los de anãs castanhas, ou objectos de massa planetária, pois não os conhecemos melhor,” disse Koraljka Muzic da Universidade de Lisboa em Portugal. “Por outro lado, alguns planetas gigantes e massivos podem ter reacções de fusão. E algumas anãs castanhas podem formar-se num disco.”

Há também a questão dos planetas “fugitivos” – objectos que se formam como planetas e mais tarde são expelidos dos seus sistemas solares. Estes corpos flutuantes estão condenados a vaguear para sempre entre as estrelas.

Dúzias de uma só vez

A equipa irá usar o instrumento NIRISS (Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph) do Webb para estudar estes vários objectos de baixa massa. Um espectrógrafo divide a luz de uma única fonte nas suas cores componentes, da mesma maneira que um prisma divide a luz branca num arco-íris. Esta luz transporta impressões digitais produzidas quando o material emite ou interage com a luz. Os espectrógrafos permitem que os investigadores analisem essas impressões digitais e descubram propriedades como a temperatura e composição.

O NIRISS vai fornecer à equipa informações simultâneas para dúzias de objectos. “Isto é fundamental. Para uma confirmação inequívoca de uma anã castanha ou de um planeta flutuante, precisamos de ver as assinaturas de absorção de moléculas – água ou metano, principalmente – no espectro,” explicou o membro da equipa Ray Jayawardhana da Universidade de Cornell. “A espectroscopia é demorada, e ser capaz de observar muitos objectos simultaneamente ajuda muito. A alternativa é capturar imagens primeiro, medir cores, seleccionar candidatos e, em seguida, recolher espectros, o que leva muito mais tempo e baseia-se em suposições.”

O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório científico espacial do mundo quando for lançado em 2021. Vai resolver mistérios do nosso Sistema Solar, olhar para mundos distantes em torno de outras estrelas e investigar as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um projecto internacional liderado pela NASA e pelos seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.

Astronomia On-line
3 de Janeiro de 2020

spacenews

 

2297: Astrónomos decifraram um estranho sinal vindo da Via Láctea

CIÊNCIA

NASA
Ilustração da NASA retrata uma anã castanha a orbitar longe da sua estrela hospedeira.

Ocasionalmente, um estranho objecto na Via Láctea piscava inexplicavelmente. Agora, astrónomos descobriram que se trata de uma anã castanha que orbita o sistema.

Investigadores da Universidade de Warwick, no Reino Unido, analisaram um objecto conhecido como NGTS-7, que parecia ocasionalmente emitir clarões visíveis da Terra. Ao observarem mais detalhadamente descobriram que a luz escurecia a cada 16,2 horas e que o sistema era composto por duas estrelas com aproximadamente o mesmo tamanho.

Os astrónomos notaram que apenas uma delas escurecia momentaneamente, sugerindo que havia algo escuro a circular a superfície da estrela. Neste caso, trata-se de uma anã castanha, que está a orbitar este sistema e que apenas precisa de 16,2 horas para dar uma volta completa. Os resultados da investigação foram publicados online, no mês passado, no portal arXiv.

O astrónomo Hugh Osborn disse que o facto de os investigadores terem conseguido decifrar o que causava o piscar do NGTS-7 é impressionante. Para o fazerem, segundo explica o Live Science, os cientistas usaram uma técnica semelhante à usada para detectar exoplanetas. Os astrónomos mediram a forma como a luz se dissipava com o eclipse parcial da estrela causado pela órbita da anã castanha.

“Neste caso, a anã castanha está a ser aquecida pela estrela que orbita, significando que o lado da luz está em brasa, enquanto o outro está mais escuro”, disse Osborn, explicando que a interpretação do que causava aquele “piscar” é afectada por factores como este.

O astrónomo realçou ainda que apesar de se chamarem anãs castanhas, estes corpos celestes são dezenas de vezes maiores do que Júpiter. Isto deveria torná-las fáceis de detectar, mas menos de 20 foram descobertas a passar em frente a estrelas como esta.

“O facto de terem sido avistadas tão poucas, deve ser porque são extremamente raras e não porque simplesmente não as vimos”, disse Osborn. Este é um caso ainda mais peculiar, uma vez que está bastante perto da sua estrela. Estão tão sincronizados que um lado do planeta está sempre voltado para um lado da estrela, como se amarrados por uma corda.

ZAP //

Por ZAP
10 Julho, 2019

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