2546: ONU. Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados

CIÊNCIA

(cv) Fox News

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em Setembro.

De acordo com o documento, com o aumento da frequência dos ciclones, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050. Até ao fim do século, as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.

Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.

O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em Setembro.

O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de Setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de Setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O objectivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo actual farão subir as temperaturas de 2 a 3 graus Celsius até ao fim do século.

Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem. Estas regiões do mundo vão também ser afectadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afectadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.

Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.

Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.

A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.

A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos pólos. Segundo o documento as calotes polares da Antárctica e da Gronelândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Agosto, 2019

 

2487: A Amazónia está a arder como nunca

Os incêndios registados na Amazónia (72,843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Bolsonaro ironizou: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”

© AFP

A escuridão no céu de São Paulo tapou a alegria do sol na segunda-feira. Estava preto, sombrio, a alertar o povo de que algo estaria mal. E estava. Aquele fenómeno óptico, como lhe chama este artigo do jornal “O Globo”, é uma das consequências das queimadas na Amazónia, que resulta da combinação da fuligem e de uma frente fria. O dia foi noite. Ricardo Salles, o ministro do Ambiente brasileiro, num jeito de meter as coisas que já sugere tudo menos frescura, revelou que associar aquela escuridão com as tais queimadas trata-se de “fake news”. O climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas no tema Amazónia, confirmou o fenómeno.

Os incêndios registados na Amazónia (72.843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Jair Bolsonaro, o Presidente brasileiro, revelou que se tratam de queimadas e foi irónico: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”.

Os fogos são comuns na época seca em alguns estados brasileiros, mas também há o consenso de que muitos serão responsabilidade de mão criminosa, nomeadamente de agricultores interessados na desflorestação para ganhar espaço para gado e agricultura.

© AFP

Os fogos de 2019 representam um aumento de 83% relativamente ao mesmo período de 2018, anuncia o INPE, que tem registos apenas desde 2013. “O pessoal está pedindo aí para eu colocar o exército para combater. Alguém sabe o tamanho da Amazónia?”, atirou ainda o Presidente, cujas políticas ambientais estão sob escrutínio mais do que nunca.

Na segunda-feira passada, dia 12, o Estado da Amazónia decretou estado de emergência devido ao surto de incêndios naquele território. Os incêndios na Amazónia criaram uma nuvem de fumo quase tão grande como outra provocada pelas chamas descontroladas na Sibéria, com uma dimensão equivalente aos países da União Europeia. Desde quinta-feira, diz o INPE, as imagens de satélite registaram cerca de 9500 novos incêndios no país, sendo que a maioria estão localizados na Amazónia. O INPE diz ainda, de acordo com este artigo do “The Sunday Morning Herald”, que uma grande parte dos fogos não podem ser atribuídos apenas à época seca e a fenómenos naturais. Os homens provocaram uma parte.

Em declarações ao jornal “Estadão”, o pesquisador Alberto Setzer explicou que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não têm origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em actividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer.

© AFP

A expectativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca. O INPE, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

E foi mais longe: despediu o director da agência. “Não acredito que o Presidente Jair Bolsonaro duvide dos dados produzidos pelo INPE, como diz”, disse à BBC Brasil Douglas Morton, director do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da NASA. E acrescentou: “Na verdade, para ele, são inconvenientes. Os dados são inquestionáveis. “O INPE sempre actuou de forma extremamente técnica e cuidadosa. A demissão de Ricardo Galvão é significativamente alarmante”.

Bolsonaro deu troco: “Estou à espera dos próximos números, que não serão inventados. Se eles forem alarmantes, darei conta disso a vocês”, disse o Presidente, que no passado recente havia prometido desenvolver aquela região. Perante a atitude e plano do governante para aquele território, a Noruega e a Alemanha cortaram os fundos que combatiam a desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do INPE apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

msn notícias
Expresso, Lusa
21/08/2019

 

2382: Super-fungo mortal pode ser a primeira infecção espalhada pelas alterações climáticas

CIÊNCIA

(dr) Legionella Control International

Há três anos, autoridades de saúde dos EUA alertaram centenas de milhares de médicos em hospitais de todo o país para estarem atentos para um novo tipo de fungo resistente a medicamentos que se espalhava rapidamente e causava infecções potencialmente fatais em pacientes hospitalizados em todo o mundo.

Candida auris tornou-se uma séria ameaça à saúde global desde que foi identificada há uma década, especialmente para pacientes com sistemas imunológicos comprometidos. Foi relatado em mais de 30 países e é provavelmente ainda mais difundido porque o organismo é difícil de identificar sem métodos laboratoriais especializados.

É resistente a vários anti-fúngicos e pode disseminar-se entre pacientes em hospitais e outras unidades de saúde e causar surtos. O fungo pode levar a infecções na corrente sanguínea, no coração ou no cérebro, e estudos iniciais estimam que seja fatal em 30 a 60% dos pacientes.

Os investigadores nunca conseguiram isolar o fungo do ambiente natural ou descobrir como versões geneticamente distintas surgiram independentemente, aproximadamente ao mesmo tempo na Índia, na África do Sul e na América do Sul.

Agora, cientistas nos EUA e na Holanda têm uma nova teoria: o aquecimento global pode ter desempenhado um papel fundamental e sugerem que este pode ser o primeiro exemplo de uma nova doença fúngica que surge da mudança climática, segundo um estudo publicado na revista da Sociedade Americana de Microbiologia.

As infecções fúngicas em humanos são raras. Mamíferos têm sistemas imunológicos mais avançados do que outros organismos em risco de infecções fúngicas, e a maioria dos fungos no ambiente não consegue crescer nas temperaturas do corpo humano, segundo Arturo Casadevall, um dos autores do novo estudo, que é microbiologista e imunologista na Escola de Saúde Pública Johns Hopkins Bloomberg.

Mas como o clima ficou mais quente, os investigadores dizem que C. auris conseguiu adaptar-se, o que ajudou a replicar na temperatura do corpo humano de 37ºC. Casadevall e colegas do MD Anderson Cancer Center da Universidade do Texas e do Westerdijk Fungal Biodiversity Institute em Utrecht, na Holanda, compararam C. auris com as suas espécies mais próximas e descobriram que o fungo mortal conseguia crescer em temperaturas mais altas.

“A coisa mais misteriosa é que Candida auris apareceu simultaneamente em três continentes diferentes e isso é muito difícil explicar”, disse Casadevall. Algo aconteceu para permitir que o organismo “borbulhe e cause doenças”, disse. “Temos de tentar pensar, qual poderia ser a causa unificadora aqui? Estas são sociedades diferentes, populações diferentes”, explicou. “Mas a única coisa que têm em comum é que o mundo está a ficar mais quente”.

Casadevall disse que o estudo fornece uma direcção para futuras investigações. “Estamos a reunir uma série de factos para explicar algo que é mistificador”, disse.

Se os cientistas pudessem encontrar o pântano ou o lago de onde veio o fungo e analisar os outros parentes próximos, os investigadores poderiam comparar como C. auris se adaptou para crescer em temperaturas mais quentes. Os cientistas alertaram que as mudanças relacionadas ao aquecimento global apenas no ambiente não explicam a emergência do fungo.

O uso generalizado de drogas antifúngicas e o uso pesado de fungicidas nas plantações são outras teorias para o surgimento do fungo.

Nos EUA, autoridades de saúde pública dizem que o fungo é um exemplo de um organismo resistente a ser importado para o país inadvertidamente por uma pessoa doente e a espalhar-se. Em Junho de 2016, os Centros de Controle e Prevenção de Doenças emitiram um alerta clínico sobre o patógeno.

Dois meses depois, os sete primeiros casos nos EUA foram notificados ao CDC. Em maio de 2017, esse número aumentou para 77 e, a partir de 12 de Julho de 2019, houve 715 casos. A maioria dos casos foi detectada na área da cidade de Nova Iorque, Nova Jérsia e Chicago. Os pacientes podem ter o organismo na sua pele durante meses ou mais e o fungo resistente pode viver em superfícies durante um mês ou mais.

ZAP //

Por ZAP
29 Julho, 2019

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2329: Localidade a 900km do Polo Norte registou uma temperatura de 21º, a mais alta desde 1956

Johannes Zielcke / Flickr

O termómetro atingiu, no domingo, os 21 graus centígrados em Alert – a localidade habitada mais setentrional do planeta, a menos de 900 quilómetros do Polo Norte, que fica em Nunavut, no Canadá – e estabeleceu um “recorde de calor absoluto” para o verão boreal.

De acordo com a informação revelada na terça-feira por uma instituição de meteorologia canadiana, citada pelo Sapo 24, Alert, uma base militar permanente estabelecida no paralelo 82 fundamentalmente para a intercepção de comunicações russas, é sede de uma estação meteorológica desde 1950.

“É impressionante do ponto de vista estatístico. É um exemplo entre centenas de outros recordes estabelecidos pelo aquecimento global”, explicou à agência France-Press (AFP) Armel Castellan, meteorologista do Ministério do Meio Ambiente do Canadá.

A 14 de Julho, a base registou 21 graus, já a 15 de Julho, registou 20. “Este é um recorde absoluto, nunca tínhamos visto nada assim”, disse Armel Castellan.

As altas temperaturas que se verificaram no norte “são totalmente devastadoras” sobretudo porque “tivemos temperaturas muito mais quentes que o habitual durante uma semana e meia”.

O recorde anterior de 20 graus centígrados foi estabelecido no dia 08 de Julho de 1956, mas desde 2012 que se registaram vários dias com temperaturas entre 19 e 20 graus nesta estação.

Refira-se que a média diária em Alert, para um mês de Julho, é de 3,4 graus e a temperatura média máxima é de 6,1 graus.

Portanto, não será exagerado falar de “uma onda de calor árctica”, disse David Phillips, especialista do gabinete do Meio Ambiente e Mudança Climática do governo canadiano. E reforçou à CBC que se trata de algo “sem precedentes”.

“O norte, do Yukon às ilhas do Árctico, registou a sua segunda ou terceira primavera mais quente”, assinalou David Phillips. E os modelos de previsões do governo canadiano “revelam que isto vai continuar em Julho e entre Agosto e princípio de Setembro”, revelou.

A actual onda de calor deve-se a uma frente de alta pressão sobre a Gronelândia, que é “bastante excepcional” e alimenta os ventos do sul no Oceano Árctico.

De acordo com David Phillips, o Árctico está a aquecer três vezes mais rápido do que outras partes do planeta. E, por essa razão, destacou a urgência em levar a cabo uma drástica redução das emissões de carbono.

TP, ZAP //

Por TP
17 Julho, 2019

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2323: Em 2100, não haverá tartarugas macho (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

As tartarugas-marinhas-comuns nascidas num terreno fértil em Cabo Verde serão todas fêmeas por causa das mudanças climáticas, alertou um novo estudo.

Mesmo sob um cenário de baixas emissões, 99,86% das crias de tartarugas seriam fêmeas até 2100, de acordo com investigadores da Universidade de Exeter. Se as emissões continuarem inabaláveis, mais de 90% poderão ser incubadas em “altas temperaturas letais”, matando jovens antes de eclodirem.

Cabo Verde tem uma das maiores populações de nidificação de tartarugas do mundo, com cerca de 15% do total global de nidificação. O sexo das tartarugas é determinado pelas temperaturas em que são incubadas e as temperaturas quentes favorecem as fêmeas.

Os cientistas analisaram as projecções de temperatura do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) para 2100 – baixa (1,8°C), média (2,8°C) e alta (3,4°C).

Actualmente, 84% das crias em Cabo Verde são do sexo feminino, de acordo com o artigo publicado na revista Marine Ecology Progress Series. Temperaturas mais quentes poderão, então, aumentar dramaticamente esse número.

“Sob todos os três cenários de mudança climática, em 2100 mais de 99% das crias seriam fêmeas – e em cenários de média e alta emissão não poderia haver machos”, disse a Lucy Hawkes da Universidade de Exeter, de acordo com o The Independent.

A principal autora Claire Tanner, que trabalhou no estudo como parte de um mestrado na instituição, acrescentou: “O que nos surpreendeu foi como até mesmo o cenário de baixas emissões tem efeitos prejudiciais para esta população. O que isso mostra é que agora é a hora de agir sobre a mudança climática – antes que seja tarde demais para impedir as estimativas vistas neste artigo”.

As projecções baseiam-se no comportamento actual de aninhamento e os cientistas dizem que as tartarugas podem adaptar-se ao acasalar no início do ano, quando é mais frio. Em teoria, a selecção natural favorecerá as tartarugas que fizerem isso, mas a velocidade da mudança climática significará que não conseguem evoluir suficientemente rápido.

Os cientistas disseram que as tartarugas podem beneficiar de características específicas, como sombra debaixo das árvores, o que poderia fornecer condições um pouco mais frias.

A vida reprodutiva dos machos não é conhecida, portanto os machos mais velhos podem continuar a produzir anos após os novos machos deixarem de ser incubados, embora seja provável que, em algum momento, a população caia.

No ano passado, a investigação liderada pelo World Wide Fund for Nature (WWF) da Austrália descobriu que mais de 99% das tartarugas verdes que nasceram em partes da Grande Barreira de Corais eram fêmeas.

Também alertaram que as populações de tartarugas enfrentam “feminização completa” no futuro próximo. Em algumas praias do norte, perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, os cientistas descobriram que praticamente todas as tartarugas jovens eram do sexo feminino, tal como mais de 85% dos adultos.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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2282: Ameaças nos oceanos são uma “emergência”

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

O investigador Emanuel Gonçalves afirmou, na Global Exploration Summit, que decorreu em Lisboa, que o oceano está ameaçado e que “agir é uma emergência”.

No evento que junta grandes nomes da exploração, investigação e conservação do planeta, Emanuel Gonçalves, especialista em biodiversidade e membro do conselho da Fundação Oceano Azul, lembrou que é necessário proteger o oceano pois este está “sob ameaça”.

As alterações climáticas, a poluição e a degradação de habitats foram apontadas pelo biólogo como os grandes perigos para a biodiversidade marinha.

O investigador e professor, que perguntou ao público “se os humanos são imaturos para cuidar do planeta”, admitiu que o conhecimento que existe “é suficiente” e que é necessário “mostrar o caminho aos políticos e empresários”.

“A conservação e os humanos têm de andar de mãos dadas, temos de conseguir alterar o paradigma onde para haver desenvolvimento económico é necessário haver degradação ambiental”, afirmou. Para inverter esta realidade, Emanuel Gonçalves apontou três soluções que passam por “salvar o que sobrou, reconstruir o que foi que foi destruído e garantir que as actividades no oceano são sustentáveis”.

Estas são as bases do projecto Blue Azores, um programa de conservação marinha, que surgiu depois de uma expedição realizada em 2016 e que foi exposto hoje pelo orador.

Emanuel Gonçalves referiu que os Açores são uma zona de grande biodiversidade marinha, que conta com diferentes espécies de mamíferos marinhos, tartarugas, aves marinhas e de algas.

Segundo o investigador, “o Blue Azores é um passo na direcção certa” para a preservação do oceano. No âmbito deste projecto, o Governo Regional dos Açores implementou, no passado mês de Fevereiro, uma nova área de protecção marinha que abrange 150 mil quilómetros quadrados.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Julho, 2019

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2234: O planeta enfrenta um “apartheid climático”

Kathryn Hansen / NASA / Flickr

O planeta está confrontado com um “’apartheid’ climático”. De um lado, os ricos que se podem adaptar melhor às alterações climáticas, e do outro, os pobres que vão sofrer mais, disse esta segunda-feira um especialista da ONU.

Num novo relatório, o relator especial da ONU para a pobreza extrema e direitos humanos, Philip Alston, adverte que “as alterações climáticas ameaçam desfazer o progresso dos últimos 50 anos” na redução da pobreza.

O documento, que será apresentado na próxima semana ao Conselho dos Direitos do Homem, da ONU, em Genebra, apoia-se em investigações que indicam que as alterações climáticas poderão deixar sem abrigo 140 milhões de pessoas de países em desenvolvimento, até 2050.

“De uma forma perversa, enquanto os pobres são responsáveis por apenas uma fracção das emissões globais, são eles que vão pagar o preço das alterações climáticas e que têm menos capacidade de se proteger”, disse Philip Alston, citado pelo The Guardian.

E acrescentou: “Corremos o risco de ver um cenário de apartheid climático, onde os ricos pagam para escapar das ondas de calor, à fome e aos conflitos, enquanto o resto do mundo fica abandonado aos seus sofrimentos”.

O especialista salientou que apesar das repetidas advertências sobre as ameaças que representam as alterações climáticas, a questão continua a ser “uma preocupação marginal”. E criticou em particular o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, por, disse, não dar atenção e recursos suficientes a esta matéria.

É que, disse, é “terrivelmente desadequada” a forma como está a ser tratada a crise que põe em causa os direitos humanos, usando uma metodologia tradicional.

Os relatores especiais das Nações Unidas são especialistas independentes, que não falam em nome da ONU mas comunicam os resultados das suas investigações à instituição.

ZAP // Lusa

Por ZAP
25 Junho, 2019

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2210: Bactérias que “comem” carne humana estão a espalhar-se para praias onde antes não chegavam

CIÊNCIA

Will Kennard / unsplash

Bactérias que “comem” carne que vivem no oceano estão a espalhar-se para as águas das praias que, anteriormente, não estavam afectadas. As alterações climáticas podem ser as culpadas.

Os autores do relatório descreveram cinco casos de graves infecções bacterianas em pessoas que estiveram expostas a água ou frutos do mar de Delaware Bay, uma praia entre Delaware e New Jersey, nos Estados Unidos. Estas infecções são raras, sendo que a bactéria responsável pela doença, chamada Vibrio vulnificus, prefere águas mais quentes, como as do Golfo do México.

Mas, com o aumento das temperaturas do oceano devido às alterações climáticas, V. vulnificus pode estar a mover-se para norte, provocando estas infecções em áreas que não estavam afectadas anteriormente.

“Acreditamos que os clínicos devem estar cientes da possibilidade de que as infecções por V. vulnificus ocorram mais frequentemente fora das áreas geográficas tradicionais”, escreveram os autores, do Cooper University Hospital, no relatório publicado na revista Annals of Internal Medicine.

V. vulnificus vive em águas oceânicas com temperaturas superiores a 13ºC. As pessoas podem ficar infectar com a bactéria de duas maneiras: se consumirem frutos do mar contaminados ou se tiverem uma ferida aberta que entra em contacto directo com a água do mar que contém as bactérias.

Embora a maioria das pessoas infectadas com V. vulnificus desenvolva apenas sintomas leves, algumas pessoas desenvolvem infecções graves na pele ou na corrente sanguínea. V. vulnificus pode causar fasceíte necrotizante, uma infecção rara que causa a morte dos tecidos moles do corpo e pode resultar em amputações ou até morte.

Os autores observaram que, de 2008 a 2016, o hospital viu apenas um caso de infecção por V. vulnificus. Mas nos Verões de 2017 e 2018, esse número saltou para cinco casos. Todos esses pacientes tinham ido pescar caranguejos na Baía de Delaware ou consumido frutos do mar da área e todos os pacientes desenvolveram fasceíte necrotizante. Um paciente morreu.

Um homem de 46 anos sofreu uma pequena lesão na perna enquanto se agachava. Dois dias depois, desenvolveu dor progressiva, inchaço e bolhas na perna ferida, o que acabou por ser uma infecção causada por V. vulnificus. Noutro caso, um homem de 64 anos desenvolveu graves inchaços e bolhas cheias de líquido na mão direita após a limpeza e ingestão de caranguejos. Apesar de passar por uma cirurgia de emergência, desenvolveu um ritmo cardíaco anormal e morreu.

Um homem de 60 anos que comeu uma dúzia de caranguejos da Baía de Delaware desenvolveu inchaço progressivo na perna direita. A condição piorou e espalhou-se para os outros membros. Eventualmente, os médicos precisaram de amputar todos os quatro membros, embora o homem tenha sobrevivido.

Fasceíte necrotizante por infecção de V. vulnificus geralmente não ocorrem em pessoas com sistema imunológico saudável, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). As pessoas correm maior risco de infecções se tiverem doença hepática crónica ou outras condições que enfraquecem o seu sistema imunológico. Dos cinco casos descritos no relatório, três indivíduos tinham hepatite B ou C e um tinha diabetes.

Para prevenir a infecção, o CDC recomenda que pessoas com feridas abertas evitem contacto com água salgada ou salobra ou cubram as feridas com uma ligadura impermeável.Também é recomendado que as pessoas evitem comer mariscos crus ou mal cozidos.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

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2123: Alterações climáticas ameaçam Algarve até ao final do século

girolame / Flickr

Até ao final do século, o Algarve pode ter mais eventos meteorológicos extremos e uma maior mortalidade devido a ondas de calor, assim como problemas causados por cheias e pelo avanço do mar, aponta um estudo recentemente divulgado.

A subida do nível do mar, o aumento da temperatura e a diminuição dos recursos hídricos são os factores que se prevê que tornem a região do Algarve mais vulnerável até ao final do século, aponta o cenário traçado no Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas (PIAAC).

Segundo disse à Lusa o coordenador científico do plano, Luís Dias, um modelo estatístico desenvolvido no plano estima que “a mortalidade no Algarve associada a eventos particularmente quentes pode subir de 2% para 7%“, sobretudo no sotavento (leste) algarvio, sendo Alcoutim “a situação mais preocupante”.

“Em cenário de alterações climáticas, Julho e Agosto passam a ser meses muito quentes”, o que pode modificar a tendência da ocupação turística no Algarve, refere aquele responsável, que nota a possibilidade de passarem a haver duas épocas turísticas, de tempo mais ameno, intervaladas por dois meses muito quentes.

No que respeita à subida do nível do mar, as zonas mais afectadas poderão ser Faro e Quarteira – mais vulneráveis por terem ocupação urbana -, mas também Lagos e Tavira, neste último caso devido ao aumento da probabilidade da ocorrência de cheias e inundações, acrescentou o especialista.

De acordo com Luís Dias, apesar de actualmente ainda ser possível travar o avanço do mar com a alimentação artificial de praias e a criação de dunas, essas soluções poderão não ser suficientes daqui a 40 ou 50 anos, tendo que ser equacionadas outras medidas, como a construção de paredões ou, mesmo, a deslocalização de parte da população.

Por outro lado, “devem ser tomadas medidas no espaço público para proteger as áreas urbanas de cheias e inundações”, sendo necessário também que as cidades tenham mais condições para que os habitantes enfrentem o calor: através de mais espaços verdes, presença de água, sombreamento e até uso de micro-aspersores para pulverizar água.

A diminuição de recursos hídricos é outra ameaça que paira sobre a região, que actualmente já enfrenta períodos de seca, com um agravamento do cenário na agricultura que pode ser mitigado pela implementação da dessalinização de água do mar.

“Mantendo-se a agricultura no estado em que está e o consumo no estado em que está, e partindo do princípio que não haverá alteração, no pior cenário, por volta de 2080 teremos que construir uma central de dessalinização”, refere.

O PIAAC envolveu responsáveis universitários, autarcas e técnicos de instituições públicas na elaboração de propostas de medidas de adaptação que, a longo prazo, contribuam para minimizar os impactos das alterações climáticas em vários sectores.

O coordenador não científico do plano, Filipe Duarte Santos, é membro do centro de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tendo sido um dos revisores do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

Esta iniciativa envolveu um investimento superior a 470 mil euros, verba financiada em 85% pelo Fundo de Coesão, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos, e em 15% pelos municípios algarvios.

ZAP // Lusa

Por Lusa
6 Junho, 2019



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A “grande probabilidade” da humanidade extinguir-se em 30 anos

CIÊNCIA

Deserto (Reuters) © TVI24 Deserto (Reuters)

Já lá vai o tempo em que os cientistas e a população consideravam que as alterações climáticas seriam um problema que só afectaria as gerações futuras. A comunidade científica está a apelar aos governos para tomarem atitudes drásticas para conter um aquecimento devastador, e até mesmo fatal, para o planeta e que pode acontecer mais depressa do que se pensava.

Um novo estudo, publicado na terça-feira, alerta para o risco de extinção da própria humanidade nas próximas décadas, caso não sejam tomadas medidas urgentes. A investigação do Breakthrough National Centre for Climate Restoration, na Austrália, aponta para “a grande probabilidade de a civilização humana chegar ao fim” em 30 anos se as tendências actuais permanecerem inalteradas.

Segundo as conclusões, grande parte da Terra vai apresentar condições climatéricas “para lá do limiar da sobrevivência humana”, em 2050. Este cenário apocalíptico teve em conta prospeções científicas recentes, caso os objectivos do Acordo de Paris falhem, algo que se avizinha provável, de acordo com vários estudos e com o próprio Secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

Com base nas previsões, este grupo de cientistas desenhou a seguinte timeline:

De acordo com o relatório, em 2050, 55% da população mundial estaria sujeita a mais de 20 dias anuais de calor superior ao aceitável pelo organismo humano. Em vários países africanos, estas ondas de temperaturas elevadas durariam mais de 100 dias por ano, afectando a agricultura e a possibilidade de produzir bens alimentares.

Aliado ao calor, a Terra seria atormentada por eventos meteorológicos extremos, como secas, incêndios florestais e cheias.

A falta de recursos e mantimentos poderia adensar as tensões sociais em muitos países, fazer proliferar doenças e pandemias e, até, levar a uma guerra à escala mundial, que culminaria, por fim, na extinção da humanidade.

Será que estamos a caminhar para este desastre apocalíptico?

O estudo aponta que estas são previsões “extremas”, que, no pior cenário possível, culminariam com “o fim da civilização humana”. Contudo, os cientistas afirmam que é possível limitar o aquecimento a 1,5 graus Celsius se os governos se aliarem e agirem imediatamente.

Um conselho que foi já dado, vezes sem conta, pelo Secretário-Geral da ONU. Há dois anos, enquanto discursava na Web Summit, António Guterres admitiu que “o Acordo de Paris não é suficiente e mesmo que os objectivos do comité sejam alcançados, as temperaturas vão subir mais de três graus [até ao final do século] e também é claro que nem todos os países estão a cumprir aquilo que foi estabelecido”.

Num discurso mais recente, em Setembro de 2018, numa conferência especial do clima, salientou que, se os governos de todo o mundo não tomarem medidas para deter o aquecimento global até 2020, corremos o risco de perder a batalha contra as alterações climáticas.

Em Novembro do mesmo ano, um relatório da ONU deu mais algumas más notícias sobre os progressos (ou a falta deles) no ambiente desde que o Acordo de Paris foi assinado. Segundo o “Emissions Gap Report 2018”, as nações de todo o mundo estão a falhar a tarefa de limitar o aquecimento global em 2 graus e precisam do triplo dos esforços para atingir os objectivos até 2030.

O relatório anual afirmava ainda que, em vez de diminuir, o nível global de emissões de CO2 aumentou em 2017 0,7 giga-toneladas, fixando-se agora em 53,5 giga-toneladas. Para limitar o aquecimento global em 1,5 graus, as emissões de gases com efeito de estufa devem ser reduzidas em 55% até 2030, e em 25% para travar um aquecimento de 2 graus.

Durante a abertura da cimeira COP24, a presidente da Assembleia Geral da ONU, Maria Espinosa, garantiu que, ao ritmo que estamos a testemunhar as mudanças hoje em dia,a humanidade está em “risco de desaparecer. Precisamos de tomar acções urgentes e com audácia. Sejam ambiciosos, mas também responsáveis pelas gerações futuras”.

O retrato negro desta “futurologia climática” não se fica por aqui. Segundo um estudo publicado pelo Met Office, do Reino Unido, a média de temperaturas globais na Terra pode ultrapassar os objectivos do Acordo de Paris em apenas cinco anos. Os cientistas desta instituição estão a prever um aumento provável da temperatura em mais de 1 grau, até 1,5 graus Celsius, em relação ao níveis pré-industriais antes de 2022.

As previsões vão também ao encontro das conclusões publicadas num relatório da Organização Meteorológica Mundial, divulgado em Novembro do ano passado. Os dados recolhidos pela instituição apontam para um provável aumento das temperaturas globais entre 3 e 5 graus Celsius até ao final do século.

Neste documento foram ainda publicados os seguintes indicadores preocupantes:

Os modelos climáticos para as mudanças possíveis provocadas pelas alterações climáticas já fizeram correr muita tinta nos últimos anos, mas um estudo destacou-se em relação aos restantes, pela firmeza com que sublinhou que os cenários mais pessimistas do clima “são os mais fiáveis“. Esta investigação, publicada no jornal “Nature”, indica que, se as emissões seguirem as tendências actuais, há 93% de hipóteses de o aquecimento global ultrapassar os 4 graus até ao final deste século.

A ciência mostra-nos também hoje que aqueles que nas últimas décadas se dedicaram ao estudo do aquecimento global falharam importantes previsões. Não souberem quantificar a dimensão e a gravidade que estão a assumir os fogos florestais, as secas, as chuvas e as tempestades; falharam na avaliação do degelo na Antárctida e na Gronelândia, bem como na sua implicação para a subida do nível do mar; e falharam na identificação de uma série de problemas de saúde pública, que matam já milhares de pessoas por ano.

Dados recentes deixam preocupações crescentes com o ambiente

A luz ao fundo do túnel

O ano de 2030 parece ser apontado como a meta para salvar ou condenar o planeta Terra. De acordo com a ONU, temos 11 anos para limitar o aquecimento global em 1,5 graus. As Nações Unidas garantem que, para isso, são necessárias “transições sem precedentes em todos os aspectos da sociedade“.

Para tal, a ONU aponta que é necessário limitar a produção de gases com efeito de estufa, que, apesar de terem crescido em 2017, viram uma estagnação nos dois anos precedentes.

Para além disto, os especialistas salientam que o cumprimento das metas do Acordo de Paris pode salvar mais de um milhão de vidas por ano. Para isto, os países que assinaram o tratado foram chamados a assinar um “manual de condutas” para assegurar que todos os objectivos são cumpridos, na cimeira do COP24, que se realizou em Dezembro de 2018.

Para além disto, estão a ser desenvolvidas tecnologias que visam combater as alterações climáticas. A força crescente das energias renováveis está já a impedir que milhões de toneladas de CO2 cheguem à atmosfera.

Esta diminuição pode ainda ser especialmente sentida em Portugal que, de acordo com dados da Eurostat, reduziu emissões de CO2 em 9%, mais do triplo da média europeia (2,6%).

Por fim, há ainda a esperança que os EUA voltem a integrar o Acordo de Paris e a juntar forças com os restantes países do mundo para tentar travar o aquecimento global.

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Susana Laires



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2046: Subida do nível da água do mar ameaça 146 mil portugueses

CIÊNCIA

Ariane Rummery / ONU

– Na minha incrível ignorância, mas conhecedor das paisagens tropicais equatoriais, ao vivo e a cores, gostaria de saber, se alguém conseguir explicar-me, se a imagem acima é de alguma das zonas anunciadas (Setúbal, Faro ou Aveiro), dado que não reconheço este tipo de paisagem mas zonas referidas sendo que a imagem é de uma senhora que deve trabalhar para a ONU. Não existia nenhuma imagem de arquivo para ilustrar a notícia?

Setúbal, Faro e Aveiro são as zonas de maior risco, de acordo com as projecções até 2050. Segundo este estudo recente, cerca de 146 mil portugueses podem ficar numa situação vulnerável já nesse ano, perante uma subida média de um metro no nível da água do mar.

Cerca de 146 mil pessoas que vivem na faixa de risco em 11 concelhos e distritos de Portugal continental podem ficar uma situação vulnerável já em 2050, perante uma subida média de um metro no nível do mar, de acordo com o cenário projectado na “Cartografia de risco costeiro associado à subida do nível do mar como consequência das alterações climáticas”, elaborada por uma equipa da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa.

Segundo o Expresso, o número pode, no entanto, subir para 225 mil até 2100. A projecção é feita com base nos censos de 2011, cruzados com dados da cartografia de inundação e de vulnerabilidade física costeira num cenário extremo de maré cheia, coincidente com um período de marés vivas equinociais e uma intempérie semelhante ao “Hércules” que, em 2014, deixou um rasto de destruição em vários pontos do litoral.

Segundo os investigadores, os distritos mais afectados são Setúbal, Faro e Aveiro. Contudo, os cenários podem vir a ser ainda piores, uma vez que, recentemente, outra equipa de cientistas apontou, num artigo científico, para uma subida de dois metros do nível médio do mar, o dobro da projectada até aqui.”

Em Portugal, 14% da população vive na faixa de dois quilómetros ao longo da linha de preia-mar”, alerta Carlos Antunes, coordenador da equipa da Universidade de Lisboa, ao semanário.

O investigador acrescenta que municípios como Lisboa e Loulé já lhe pediram uma cartografia de risco minuciosa de modo a incorporarem estes dados nos respectivos PDM e orientarem o ordenamento do seu território. Projectos como este permitem aos decisores políticos, locais e nacionais, adoptarem medidas de adaptação às alterações climáticas.

“Mais do que as autoridades nacionais, cujos investimentos nos Programas da Orla Costeira só abrangem os concelhos do litoral (quando muitas das pessoas afectadas estão em zonas de rio e estuário), são os municípios que estão a agir”, afirmou Carlos Antunes.

Em 2015, Portugal criou uma Estratégia Nacional de Adaptação às Alterações Climáticas e o Governo deverá agora aprovar o Plano de Acção para a concretizar no Conselho de Ministros extraordinário marcado para o próximo dia 6 de Junho. O Ministério do Ambiente aprovou 180 milhões para obras de protecção de pessoas e bens face aos avanços do mar e 100 milhões para a rede hidrográfica.

“Mais de 60 municípios têm já estratégias ou estão em vias de as ter, com a grande vantagem de criar massa crítica dentro e entre municípios e permite orientar financiamentos comunitários”, afirma o presidente da Agência Portuguesa do Ambiente, Nuno Lacasta, também citado pelo Expresso.

Subida do nível das águas pode atingir 2 metros em 2100

Estimativas anteriores sugeriram que o nível das águas do mar poderia subir cerca de 98 centímetros até 2100. Agora, especialistas estão a dizer que pode ser mais do dobro.

É uma má notícia para todos. “Tal aumento no nível global do mar pode resultar numa perda de terra de 1,79 milhão de quilómetros quadrados, incluindo regiões críticas de produção de alimentos e potencial deslocamento de até 187 milhões de pessoas”, disse Jonathan Bamber, da Universidade de Bristol, em comunicado. “Um aumento do nível do mar desta magnitude teria claramente profundas consequências para a humanidade”.

Para colocar as coisas em perspectiva, esta é uma massa equivalente a sete Califórnias ou 17 Floridas. Essa é uma população maior que o Canadá, a Alemanha e o Reino Unido – juntos. Isso colocaria em risco cidades como Nova York, Londres e Xangai.

Bamber e os colegas reuniram o trabalho de 22 investigadores, líderes no seu campo, sobre o derretimento das camadas de gelo da Gronelândia e da Antárctida. Juntas, as descobertas sugerem que, se nos mantivermos nas metas estabelecidas no Acordo de Paris e as temperaturas globais não ultrapassarem 2°C acima dos níveis pré-industriais até o final do século, o nível do mar provavelmente aumentará 26 centímetros (estimativa mediana) – mas pode subir até 81 centímetros.

Mas se falharmos no Acordo de Paris, o aquecimento provavelmente aumentará para 5°C acima dos níveis pré-industriais e podemos esperar um aumento entre 51 e 178 centímetros. Quando se adiciona a expansão térmica e as contribuições dos glaciares, esse número excede os 2 metros, dizem os autores do estudo, publicado na revista Proceedings of the National Academy of Sciences.

As possíveis contribuições de derretimento das camadas de gelo (ou glaciares continentais) para o aumento do nível do mar são a maior fonte de incerteza que enfrentamos actualmente.

No entanto, estudos recentes destacaram o efeito de vários feedbacks positivos (que aceleram o derretimento) e feedbacks negativos (que fazem o oposto) que podem ocorrer no derretimento geral do gelo no futuro.

Além do mais, podemos ver com os nossos próprios olhos a aceleração do derretimento glacial, que está a acontecer a um ritmo mais rápido do que o esperado. A boa notícia é que um aumento de 2 metros é improvável – mas não impossível.

ZAP // IFL Science

Por ZAP
25 Maio, 2019


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Greve climática: para dizer que “o rei vai nu” é preciso uma criança, muitas crianças

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Milhares de jovens de mais de 100 países fazem esta sexta-feira uma nova greve estudantil, em protesto pela inacção dos governos em relação às alterações climáticas. Em Portugal, a greve deve realizar-se em 51 localidades – com estudantes a prometerem manifestações, às quais se juntam organizações não-governamentais e a sociedade civil

A iniciativa partiu da ideia de uma jovem sueca de 16 anos, Greta Thunberg, que desde o ano passado iniciou uma greve às aulas, uma forma de chamar a atenção para a necessidade de mais acção para fazer face às alterações climáticas. A meio da semana, Greta dava conta de que já tinham aderido às manifestações de sexta-feira 1 387 locais de 111 países.

Por cá, o professor e ambientalista Viriato Soromenho-Marques considera que as manifestações de jovens a favor do clima são um sinal de esperança e cita Hans Christian Andersen afirmando que foi preciso uma criança para dizer que “o rei vai nu”.

“Para dizer que ‘o rei vai nu’ é preciso uma criança, porque nós os adultos já estamos todos envolvidos nas nossas carreiras, na educação dos nossos filhos, responsabilidades familiares e económicas. Não nos queremos preocupar ao ponto de ficarmos paralisados e angustiados”, disse o professor de Filosofia da Universidade de Lisboa e ambientalista, em entrevista à Lusa.

Deputados reconhecem problemas, mas resistem…

Já o presidente da Comissão Parlamentar de Ambiente, o deputado do Bloco de Esquerda Pedro Soares disse à Lusa que toda a Assembleia da República assume que as alterações climáticas têm origem na actividade humana, que são um problema e que têm consequências devastadoras, nomeadamente para o sul da Europa, “mas depois em relação a medidas concretas há muita hesitação ainda”.

Questionado pela Lusa sobre o que fez o Parlamento na presente legislatura para fazer face às alterações climáticas. A dificuldade, respondeu Pedro Soares, está na concretização.

Foi aprovado um quadro estratégico para a política climática, há um programa e estratégia para a adaptação às alterações climáticas, há um roteiro para a neutralidade carbónica, há o Acordo de Paris aprovado para a legislação nacional, mas existe “alguma dificuldade na concretização de medidas”. “Artilhados com este conjunto de diplomas devíamos dar passos muito mais rápidos”, disse Pedro Soares.

O consenso entre os candidatos às europeias

A greve coincide com o último dia de campanha para as eleições europeias e parece ser dos poucos temas que reúne consenso, da esquerda à direita, como se constata perante os testemunhos recolhidos pela agência Lusa junto dos cabeças-de-lista dos partidos parlamentares.

Candidatos às europeias estão de acordo sobre alterações climáticas
© MIGUEL A. LOPES/LUSA

Para o candidato do PS, Pedro Marques, o tema das alterações climáticas terá de continuar no “centro da agenda” europeia, considerando que é preciso “fazer mais”, embora a Europa esteja no bom caminho. “Não deixar que as alterações climáticas saiam do centro da agenda da Europa é uma das nossas prioridades”, assumiu Pedro Marques, saudando os jovens por mostrarem “que esta geração se preocupa com a sustentabilidade” do planeta, a propósito da greve agendada para dia 24.

O cabeça de lista socialista elegeu a descarbonização da mobilidade nos transportes, a utilização de energias renováveis e a redução da utilização de plásticos como algumas das medidas que devem ser tomadas no combate às alterações climáticas.

“Fomos ambiciosos na Europa na definição de metas e estamos no bom caminho por exemplo, em Portugal, na área das energias renováveis”, destacou, acrescentando que foi também dado agora “um passo muito importante” no transporte público com a medida dos passes sociais.

Pedro Marques considerou, no entanto, que é necessário “agir muito mais”, porque 2050 “é já” e para se atingir a neutralidade carbónica nesse ano, em todo o mundo, “os jovens em particular exigem mais acção agora”, por parte da Europa.

Já a número dois do PSD às europeias defende que tem de ser a Europa a liderar o combate às alterações climáticas, e aponta como prioridades nesta área a limpeza dos oceanos e a aposta na transição energética.

“Vejo uma juventude mobilizada num assunto que lhes toca porque põe em causa esta geração e as gerações futuras”, considera Lídia Pereira, a mais nova candidata do PSD (27 anos) ao Parlamento Europeu, defendendo que o PSD “foi um pioneiro” nestes temas com nomes como Carlos Pimenta ou Macário Correia.

Admite que, se ainda fosse estudante, se poderia juntar a uma destas greves, mas empenhar-se-ia mais na mobilização de colegas e amigos, por considerar que a mudança parte também muito dos comportamentos individuais.

A nível global, apela uma posição de liderança da União Europeia. “Se não for a Europa a ter a liderança nesta questão… a Ásia não trata o plástico, nos Estados Unidos há uma semana Mike Pompeo [secretário de Estado] dizia que o degelo no Árctico é uma oportunidade económica… Se nós não pegarmos nesta causa de uma vez por todas, não vamos conseguir avançar”, alertou.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

O cabeça de lista europeu da CDU expressou compreensão pelas preocupações e inquietações do movimento mundial de jovens pela defesa do ambiente, que vai realizar nova greve climática na sexta-feira, mas recusou qualquer conflito de gerações.

“Compreendemos as preocupações e inquietações de muitas pessoas pelo mundo fora relativamente aos impactos no ambiente e, particularmente, na composição da atmosfera e, consequentemente, em alterações climáticas decorrentes de alterações induzidas pelo Homem”, disse à Lusa João Ferreira.

“Revemo-nos nessas preocupações e inquietações. Entendemos que isto não é propriamente um conflito de gerações. É um problema que tem a ver com o sistema económico e social dominante à escala global. É um problema inerente ao modo de produção capitalista e que tem de encontrar uma solução no quadro de um outro sistema que proporcione uma relação sustentável e harmoniosa entre o Homem e a Natureza”, afirmou o eurodeputado comunista.

A primeira candidata do BE às europeias, Marisa Matias, pede aos jovens que não desistam das manifestações pelo clima, mas avisa que se no domingo não se mobilizarem “para traduzir esse grito em voto, vão ter mais do mesmo”.

O combate às alterações climáticas é, precisamente, um dos três pilares do BE para estas eleições europeias, tendo Marisa Matias falado com a agência Lusa a propósito da greve mundial de estudantes pelo clima, marcada para sexta-feira.

“O que eu tenho a dizer a esses jovens é que não podemos restringir a política ao espaço das instituições, ela tem que ser feita também a partir das ruas e é fundamental que continuem a fazer as suas manifestações e reivindicações, mas que se não se mobilizarem para traduzir esse grito em voto, o que vão ter é mais do mesmo, e não é apenas com as manifestações que vão conseguir mudar o sistema e o sistema tem que ser mudado”, avisou.

Assim, a eurodeputada bloquista recandidata pede aos jovens que não desistam das manifestações porque “essa pressão é precisa na rua”. “Mas, ao mesmo tempo, não desperdicem o direito que têm, que é o direito de voto, para poderem ajudar realmente a começar o combate às alterações climáticas”, apela.

Este grito dos jovens, na perspectiva de Marisa Matias, “é necessário”, lembrando que começou por “assistir a essas greves climáticas a partir de Bruxelas e as ruas enchiam”. “É um grito fundamental, é mesmo uma das questões políticas centrais, como aliás, provavelmente, já vos tenho maçado muito ao longo desta campanha”, aponta, em jeito de brincadeira, referindo-se aos discursos que tem feito ao longo desta campanha.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Nuno Melo, eurodeputado e candidato do CDS-PP às europeias, aponta a mudança de mentalidades dos mais jovens quanto ao ambiente como um dos trunfos para a resposta na defesa do planeta, em vésperas da greve climática estudantil.

A dias da greve mundial de 24 de Maio, Melo acenou com as propostas do seu partido nas actuais eleições europeias como prioridades e respostas possíveis para o problema, mas antes assinalou, em declarações à agência Lusa, os progressos que deteta na mudança de mentalidades.

“O mundo altera-se quando as mentalidades mudam. Isso normalmente é o mais difícil e por isso é difícil alterar os hábitos dos mais velhos. Mas perceber que os mais novos têm essa preocupação, esses mais novos que não tarda muito, estarão a liderar, pode ser talvez a principal das diferenças”, afirmou.

A agenda do ambiente, adoptada pelo CDS-PP para a campanha destas europeias, é também uma das prioridades possíveis para responder aos desafios que os jovens colocam aos responsáveis políticos de hoje. O combate às alterações climáticas é uma delas, com Nuno Melo a sublinhar que, independentemente de uma resposta global, deve ser tida em conta a realidade de cada país.

Já o PAN saúda a greve mundial dos estudantes pelo clima de sexta-feira, defendendo uma declaração de “estado de emergência climático”, acompanhada de medidas para a independência energética renovável e soberania alimentar.

“A nossa primeira medida é declarar o estado de emergência climático, que terá de ser acompanhado de um plano de transição económico e social, para se criar empregos 100% verdes, com qualidade e de longo prazo, fazer a transição para uma economia descarbonizada, descentralização da produção, consumo e distribuição do consumo de energia 100% renovável”, defendeu Francisco Guerreiro em declarações à Lusa.

O cabeça de lista do PAN às eleições europeias de domingo agradeceu aos jovens a sua acção pelo ambiente, sublinhando o “modo político mas apartidário” com que têm agido: “Isso é relevante, unir-nos em torno de causas.”

As alterações climáticas são, segundo o secretário-geral da ONU, António Guterres, o maior problema da humanidade, e vão afetar dramaticamente o futuro se nada de substancial for feito.

As emissões de gases com efeito de estufa, que os países tentaram controlar no Acordo de Paris de 2015, mas que continuam a aumentar, estão já a afectar o clima e a natureza das mais diversas formas, segundo os cientistas.

A primeira greve climática de estudantes em Portugal realizou-se em 15 de Março
© ANTÓNIO PEDRO SANTOS/LUSA

Alguns dos pontos essenciais relacionados com as alterações climáticas:

Acordo de Paris

Numa conferência da ONU em Paris, em Dezembro de 2015, surgiu o chamado Acordo de Paris, segundo o qual a quase totalidade dos países do mundo se comprometeram a limitar o aumento da temperatura média global abaixo dos dois graus celsius (2ºC) em relação à época pré-industrial. Está provado que a temperatura no planeta tem vindo a aumentar e que tal se deve à acção humana. O Acordo de Paris pretende limitar esse aquecimento a menos de 2ºC e que de preferência não ultrapasse os 1,5ºC.

IPCC

O Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC), formado por cientistas e sob os auspícios da ONU, lançou em Outubro do ano passado um relatório científico segundo o qual é urgente que se tomem medidas para impedir que o aumento da temperatura exceda os 1,5ºC, salientando que as consequências de esse aumento ser de 2ºC são muito piores. Não ultrapassar até ao fim do século os 1,5ºC de aumento de temperatura significa reduzir em 45% até 2030 as emissões de dióxido de carbono.

A actividade humana provocou já o aumento da temperatura em 1ºC. Com um aumento de 0,2ºC por década os 1,5ºC serão atingidos em 2040, se nada for feito.

Aquecimento global

O aquecimento global é o nome que se dá ao aumento da temperatura sentido no planeta, seja na atmosfera seja nos oceanos, devido à actividade humana, especialmente pela queima de combustíveis fósseis. Substituir os combustíveis fósseis por energia limpa, como a eólica ou solar, diminui substancialmente a emissão de gases com efeito de estufa.

Estudantes pelo clima em Dresden (Alemanha)
© EPA/FILIP SINGER

Muitos países, entre eles Portugal, já anunciaram medidas de transição e eficiência energética para as próximas décadas, ainda que de concreto nada de substancial tenha sido feito.

O aquecimento global tem efeitos na diminuição das calotes polares, na subida do nível das águas do mar, na acidificação dos oceanos, na destruição de ecossistemas e na diminuição e extinção de espécies, e provoca fenómenos meteorológicos extremos cada vez mais intensos e frequentes.

Acidificação

A grande quantidade de dióxido de carbono lançado para a atmosfera, que provoca o chamado “efeito de estufa”, faz também com que aumente a quantidade de dióxido de carbono que se dissolve na água do mar.

Na ligação do dióxido de carbono com a água do mar forma-se o ácido carbónico, que acidifica e que se transforma, contribuindo para a acidificação. Estudos que têm sido divulgados indicam que o ph (nível de alcalinidade, neutralidade ou acidez da água) está a mudar e que a acidez dos oceanos aumentou 30%.

A acidificação pode afectar animais com conchas, algas e corais, mudar habitats e reduzir espécies (o bacalhau, por exemplo, segundo um estudo recente). Há estudos que alertam que se nada for feito o aumento da acidificação pode acabar com toda a vida nos oceanos.

Impactos nos ecossistemas

À destruição da biodiversidade causada directamente pelo Homem junta-se a destruição causada pelas alterações climáticas. Segundo um relatório científico divulgado em Abril passado, um quarto de 100 mil espécies avaliadas pode extinguir-se, seja por pressões causadas pelo homem seja pelas alterações climáticas. Os cientistas dizem que a extinção de espécies está a ocorrer a uma rapidez nunca antes registada.

Já este mês um relatório das Nações Unidas alertava que está ameaçado um milhão das oito milhões de espécies animais e vegetais que se estima existirem na Terra, sendo as alterações climáticas uma das causas directas.

Especialistas e investigadores têm ciclicamente divulgado estudos alertando para o declínio de espécies pela deterioração ou destruição de ecossistemas. E há pelo menos um estudo que diz que a maior extinção em massa do planeta aconteceu devido às alterações climáticas.

Estudantes protestam em Bona (Alemanha)
© EPA/FRIEDEMANN VOGEL

Degelo dos pólos e dos glaciares e subida do nível das águas do mar

O aumento da temperatura na Terra também se faz sentir nos pólos levando a que as massas de gelo derretam mais rapidamente. Há dois meses, na IV Assembleia da ONU para o Meio Ambiente, no Quénia, foi apresentado um relatório segundo o qual a temperatura do Árctico vai aumentar entre 3ºC a 5ºC até 2050. Para a Antárctida também têm sido apresentados estudos com dados similares.

O degelo nos pólos, onde o aumento da temperatura é superior à média, e o recuo dos glaciares afecta também a biodiversidade e as espécies que ali habitam (incluindo o Homem) e levará ao aumento do nível as águas do mar.

Especialistas estimam que o gelo marinho do Árctico tenha diminuído 40% desde 1979 e que os Verões na região deixarão de ser gelados antes de 2030, a continuarem as actuais emissões de dióxido de carbono.

Um trabalho publicado em Fevereiro na revista científica Nature indica que o derretimento do gelo na Gronelândia e na Antárctida vai causar temperaturas mais extremas e imprevisíveis, com os investigadores a alertarem que com a actual emissão global de CO2 as temperaturas irão subir 03ºC a 04ºC.

Uma equipa de investigadores da Nova Zelândia, Canadá, Reino Unido, Alemanha e Estados Unidos diz que vai haver uma subida acentuada do nível do mar a partir de 2065. E outra alerta para que os glaciares dos Alpes europeus vão perder metade do gelo até 2050.

A subida do nível do mar vai levar ao desaparecimento de zonas ribeirinhas e pode mesmo submergir países inteiros. As ilhas Fiji ou as ilhas Marshall por exemplo. Um estudo científico desta semana alerta para uma subida do nível do mar que pode atingir os dois metros.

Fenómenos meteorológicos extremos

Fenómenos meteorológicos extremos – ondas de calor, chuvas fortes, tempestades e inundações, períodos extensos de seca – decorrentes das alterações climáticas são cada vez mais frequentes, sendo dos exemplos mais recentes os ciclones que assolaram o centro e norte de Moçambique.

Mas segundo cientistas, num estudo publicado no final do ano passado na revista Nature Climate Change, vão intensificar-se até ao fim do século as catástrofes climáticas múltiplas, das ondas de calor extremo aos incêndios, das inundações às super-tempestades. Erik Franklin, investigador no Instituto de Biologia Marinha da Universidade do Havai, diz no estudo que as catástrofes estão a ocorrer e que vão piorar.

O aquecimento global está a levar a grandes secas e incêndios devastadores nas zonas secas, a chuvas intensas e inundações nas zonas húmidas e à formação de super-tempestades nos oceanos de água mais quente.

No ano passado os Estados Unidos ou a Austrália enfrentaram secas intensas e grandes incêndios, com temperaturas inéditas. Uma vaga de frio matou duas dezenas de pessoas nos Estados Unidos. Portugal também teve temperaturas muito elevadas.

Há dois anos, no final da 23.ª Conferência da ONU sobre o clima, em Bona, mais de 15 mil cientistas de 184 países concordaram que o planeta está a ser “desestabilizado pelas alterações climáticas”. Os exemplos são cada vez mais frequentes, embora desacreditados por líderes de países como os Estados Unidos, a Rússia, a Arábia Saudita ou o Kuwait.

Actualmente o consenso científico é o de que os efeitos das alterações climáticas estão a ser mais rápidos, mais intensos, mais frequentes e mais devastadores, em termos económicos, mas também humanos, com implicações na saúde e disponibilidade de alimentos no futuro.

Apesar do compromisso do Acordo de Paris as emissões de gases com efeito de estufa não estão a diminuir.

Diário de Notícias
DN/Lusa
23 Maio 2019 — 10:57

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1817: Clima, guerra, asteróides, 300 milhões de sociopatas e outras ameaças à Humanidade

Inteligência Artificial

psdholic / Deviant Art

Estarão os humanos destinados a ter o mesmo futuro que os dinossauros e os extintos dodós?

A Humanidade enfrenta actualmente inúmeros perigos potencialmente fatais, entre os quais as alterações climáticas, o risco de guerra nuclear, uma pandemia e mesmo a possibilidade de a Terra ser atingida por um asteróide gigante.

O filósofo e apresentador de rádio David Edmonds discute estes riscos com especialistas que dedicaram suas vidas profissionais a investigar como podemos mitigá-los, para tentar responder à grande questão: os seres humanos vão sobreviver até ao fim do século?

Até meados do século XX, pensávamos que vivíamos num lugar relativamente seguro, mas esse já não é agora o caso. Os riscos existenciais que ameaçam trazer destruição à humanidade são muitos, e variados.

“Um risco existencial é um tipo de ameaça à humanidade ou aos nossos descendentes que simplesmente nos aniquilaria”, explica Anders Sandberg, investigador do Instituto do Futuro da Humanidade da Universidade de Oxford.

Asteróides gigantes

Até 1980, não sabíamos que a Terra estava sujeita a catástrofes a uma escala global resultantes da colisão de corpos rochosos vindos do espaço sideral.

Mas nessa ano, uma dupla de cientistas, Luis e Walter Alvarez, pai e filho, mudou tudo o que julgávamos saber sobre a ameaça de corpos celestes ao publicar a sua teoria de que os dinossauros tinham sido mortos por um asteróide que colidiu com a Terra (e não só).

A hipótese de Alvarez foi posteriormente secundada por um painel internacional de cientistas, após a descoberta da cratera de um asteróide gigante na península do Iucatão, no México – que, disse à BBC o biólogo Ben Garrod, não podia ter caído em pior sítio.

No entanto, os cientistas que estudam riscos existenciais consideram que a probabilidade de o mundo acabar com uma colisão com um asteróide é muito remota comparada com outros riscos – nomeadamente os que nós próprios estamos a criar.

Sobre-povoamento, esgotamento de recursos e clima

A investigadora Karin Kuhlemann, da University College London, estuda a relação entre a questão populacional e os riscos representados pelas mudanças climáticas – um assunto que raramente tem espaço nas manchetes dos jornais.

Tal como o esgotamento dos recursos naturais, o impacto do crescimento exponencial da população do planeta é um tema que nos faz sentir mal, pelo que preferimos não pensar muito nele, considera a cientista.

Apesar disso, os dois assuntos estão interligados, diz Karin, e a culpa é nossa. “As alterações climáticas são consequência do sob-repovoamento, tal como o esgotamento dos recursos naturais, e as duas coisas retro-alimentam-se”, sustenta a cientista.

“Os recursos naturais do planeta estão a esgotar-se, usamos mais petróleo para compensar essa escassez, o que agrava as alterações climáticas“, diz a investigadora britânica. “Se a população não parar de crescer, será praticamente impossível impedir o avanço das mudanças climáticas”.

Curiosamente, a diminuição drástica de uma população também pode ter um impacto imprevisível nas alterações climáticas. Segundo um estudo do University College London, a colonização do continente americano pelos portugueses e espanhóis no fim do Século XV, provocou tantas mortes que fez descer a temperatura da Terra.

A destruição da biodiversidade

A Humanidade tem estado a viver como se a eliminação da vida selvagem fosse apenas “um infortúnio”. Mas segundo sustentam alguns investigadores, até ao fim da primeira metade deste século não haverá peixes no mar em quantidade suficiente para sustentar a pesca comercial. Isso quer dizer que não haverá peixe à venda no mercado.

Outra grande preocupação da comunidade científica é com os insectos, que estão também a desaparecer, lentamente mas de forma inexorável, assim como algumas espécies de aves – nomeadamente, as que se alimentam de insectos.

Os cientistas não param também de alertar que as abelhas vão desaparecer em breve, e esse desaparecimento massivo, causado pelas alterações climáticas, poderia ser catastrófico também para os humanos, podendo levar à fome a nível mundial.

“Não sabemos exactamente qual é o impacto da erradicação da biodiversidade no nosso mundo”, diz Karin Kuhlemann, “mas uma coisa é certa: ela não nos beneficia.

Pandemias

A investigadora Lalitha Sundaram do Centro de Risco Existencial, em Inglaterra, tem uma missão: avaliar riscos biológicos que possam colocar em risco a população mundial. Sundaram recorda a Gripe Espanhola, de 1918, explicando que se estima que a doença tenha provocado a morte de 50 milhões a 100 milhões de pessoas.

A pandemia aconteceu após a grande onda migratória que se seguiu à Primeira Guerra (1914-1918). Enviadas de volta a casa após o conflito, milhões de pessoas forçadas a viver em espaços confinados criaram as condições propícias à propagação da mortífera doença.

Um caso paradigmático foi o do Brasil, invadido pela gripe espanhola transportada a bordo pelo Demerara, navio procedente da Europa. Em Setembro de 1918, sem saber que trazia a terrível mutação do vírus, o transatlântico desembarcou passageiros infectados no Recife, em Salvador e no Rio.

No mês seguinte, o país todo estava submerso na que é até hoje é a mais devastadora epidemia da sua história, provocando a morte a 30 mil pessoas, entre as quais o então presidente do Brasil, Rodrigues Alves, eleito em Março de 1918 para um segundo mandato, que caiu à cama com a doença e nem chega a tomar posse.

Senado Notícias
Há 100 anos, a gripe espanhola devastou o Brasil e matou o presidente do país, Rodrigues Alves

“É por isso que, apesar de termos actualmente melhores vacinas e cuidados médicos mais avançados, a globalização traz alguns perigos“, considera Sundaram. Na altura da Gripe Espanhola, as pessoas viajavam de comboio ou barco, mas na era das viagens aéreas, as doenças podem espalhar-se mais depressa, com consequências graves.

Também o multimilionário Bill Gates está preocupado com o perigo de uma pandemia. O fundador da Microsoft diz que uma epidemia de gripe mortal é uma das maiores ameaças à Humanidade.

“Se alguma coisa pode matar dezenas de milhões de pessoas em pouco tempo é uma epidemia global. E a doença seria muito provavelmente uma forma de gripe, porque o vírus da gripe espalha-se facilmente pelo ar”, diz Gates. “Actualmente, uma gripe tão contagiosa e letal como a de 1918, mataria 33 milhões de pessoas em seis meses.”

Ameaças de indivíduos. São 300 milhões

A maior parte dos riscos existenciais criados pelos seres humanos não é intencional. Mas à medida que a ciência e a tecnologia avançam, é cada vez mais preocupante a possibilidade de ataques catastróficos propositados, como, por exemplo, a criação de um vírus de laboratório usando biotecnologia.

Se houvesse um botão do fim do mundo que pudesse destruir-nos a todos, há um número preocupante de pessoas que escolheria usá-lo, revela Phil Torres, investigador do Future of Life Institute.

Esses “apertadores de botões” podem ser extremistas religiosos que acreditam que foram enviados por Deus para destruir o mundo, normalmente como forma de o salvar, como é o caso da seita japonesa Aum Shinrikyo.

Também corremos riscos com o que Torres descreve como “actores idiossincráticos” – pessoas cuja motivação para provocar a extinção humana (em pequenos grupos ou em massa, consoante o seu potencial criativo) são meramente “motivos pessoais”.

Mas quantos “apertadores de botões” há afinal por aí à solta?  Os especialistas estimam que haja actualmente cerca de 300 milhões de sociopatas no mundo, muitos dos quais poderiam representar uma ameaça – e não apenas para o vizinho do lado.

Guerra nuclear

Uma guerra nuclear provavelmente não nos mataria a todos, mas os seus efeitos posteriores, talvez. A extinção humana que se sucederia a uma guerra nuclear seria uma combinação da devastação inicial, do caos económico e do impacto ambiental global.

Segundo explica Seth Baum, investigador do Global Catastrophic Risk Institute, os incêndios e a devastação resultantes de uma explosão nuclear poderia lançar poeira por cima das nuvens, para a estratosfera. Essa poeira poderia permanecer na estratosfera durante décadas, bloqueando a luz do sol, terminando lentamente a tarefa de extinção da Humanidade onde a deflagração das bombas não tivesse conseguido chegar.

Embora o risco de deflagração de um conflito nuclear global pareça uma história longínqua dos tempos da Guerra Fria, a verdade é que esse risco não é nulo – e na realidade, uma mera falha de sistema (ou simples erro humano) pode provocar a III Guerra Nuclear.

Mais do que isso, “o perigo de catástrofe nuclear está no seu nível mais elevado desde os tempos da Guerra Fria”, sustenta William Perry, antigo secretário da Defesa dos Estados Unidos. E o especialista em geo-estratégia Robert Farley, professor do Colégio Militar dos EUA, aponta mesmo os cinco locais em que pode começar em 2019.

Inteligência artificial

Apesar da ameaça de um conflito nuclear ser preocupante, há quem considere que os riscos associados à Inteligência Artificial são maiores. É o caso de Elon Musk, fundador da Tesla e SpaceX, para quem a IA é mais perigosa que ogivas nucleares. “Estou muito próximo da IA e devo dizer que me assusta muito”, diz Musk.

O empresário teme que o desenvolvimento da Inteligência Artificial dê origem ao poder ditatorial de um robô, ao qual ninguém pode escapar.

“Na era da inteligência artificial podemos vir a criar um ‘ditador imortal ao qual nunca escaparíamos’”, explica Elon Musk no documentário “Confias no teu computador?“, produzido pelo cineasta Chris Paine.

Musk diz ainda que a III Guerra Mundial será causada (e ganha) pela Inteligência Artificial, mas os riscos associados à inteligência artificial não surgem apenas em cenários dantescos semelhantes aos retratados pela saga de filmes “Terminator”, na qual as máquinas ganham consciência e lançam um ataque devastador para exterminar a Humanidade.

Muito antes de as máquinas poderem estar em condições de nos conquistar pelas armas, podem simplesmente causar o caos no planeta. Por exemplo, num mundo cada vez mais automatizado, um qualquer algoritmo autónomo distraído pode por acidente causar um colapso do mercado global de acções e provocar a implosão da economia.

Como reduzir os riscos existenciais?

Afinal, quão precária é a nossa civilização? Depende essencialmente do risco em causa. O mais importante é que o futuro não está determinado. A altura para agir é agora, e a comunidade científica em todo o mundo procura respostas.

Sandberg, por exemplo, estuda forma de manter as máquinas sob controlo humano. Inúmeros outros cientistas estudam formas de responder a catástrofes como uma pandemia, como impedir as alterações climáticas adicionando poeira à estratosfera, ou como sobreviver a um “inverno nuclear” com uma dieta de cogumelos.

Para Karin Kuhlemann, a batalha mais importante é reverter o crescimento populacional. “Precisamos de mudar as normas sociais sobre o tamanho das famílias, deixando de lado a postura de que todos podemos ter vários filhos e consumir quanto quisermos”, diz. Nesse sentido, todos podemos ajudar a prevenir uma catástrofe global.

AJB, ZAP // BBC

Por CC
8 Abril, 2019

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1785: Mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças tropicais se aquecimento global continuar

CIÊNCIA E SAÚDE

USDAgov / Flickr
Aedes aegypti, o mosquito da dengue

Cerca de mil milhões de pessoas ficarão expostas a doenças como a febre dengue se o aquecimento global continuar, afirmam cientistas que estudaram as temperaturas no mundo e concluíram que as doenças de climas tropicais estão em expansão.

Os investigadores afirmam que estas doenças atacarão até as zonas do globo com climas actualmente menos favoráveis aos mosquitos, porque os vírus que estes propagam provocam epidemias explosivas quando se verificam as condições certas.

As alterações climáticas são a maior e mais complexa ameaça à saúde mundial”, afirmou o biólogo Colin Carlson, da universidade norte-americana de Georgetown, em Washington, referindo que “os mosquitos são só uma parte do problema”, mas que a preocupação dos cientistas aumentou depois da epidemia de Zika no Brasil em 2015.

O estudo, publicado esta sexta-feira no boletim científico PLOS, baseou-se no registo mensal das temperaturas mundiais.

Nos próximos cinquenta anos, quase toda a população mundial estará exposta em alguma altura a doenças sazonais dos trópicos, “que já começaram a aparecer em climas propícios” como o estado norte-americano da Florida. “Zonas como a América do Norte, a Europa e montanhas nos trópicos onde o clima era demasiado frio para vírus vão enfrentar novas doenças, como a dengue“, afirmou Carlson.

Ao mesmo tempo que o clima aquece em certas regiões e potencia o aumento da população de mosquitos, nas zonas onde estes já são responsáveis pela transmissão de doenças em maior escala, o número de insectos pode diminuir porque fica demasiado quente para sobreviverem.

“Pode parecer que há más notícias por um lado e boas notícias por outro, mas acaba por ser tudo mau, porque numa região em que fique demasiado quente para a transmissão do dengue há outras ameaças para a saúde que são igualmente graves”, afirmou.

“Temos uma tarefa hercúlea pela frente. Precisamos de perceber, agente patogénico a agente patogénico e região a região, quando poderão surgir problemas para podermos planear uma resposta global”, concluiu.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Março, 2019

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1605: Há uma ameaça para a Humanidade “adormecida” no fundo do mar

Bob Embley / NOAA Office of Ocean Exploration

As alterações climáticas ameaçam causar uma enorme libertação de carbono que se encontra “adormecido” no fundo do mar, processo que já ocorreu no passado, tendo resultado num aumento da temperatura atmosférica de tal magnitude que acabou com a Era do Gelo, sugere um novo estudo.

O investigação, cujos resultados foram publicados em Janeiro passado na revista especializada Environmental Research Letters, aponta que no final do período Pleistoceno – há aproximadamente 17000 anos – uma grande quantidade de gases de efeito de estufa escapou do leito oceânico para a atmosfera devido à actividade hidrotermal.

Tal como explicam os cientistas, estes reservatórios subaquáticos de dióxido de carbono e metano são produzidos quando a actividade vulcânica liberta gás, que é então congelado até que seja encapsulado como uma massa de hidratos num estado líquido ou sólido.

Estes depósitos estão espalhados pelo leito marinho de todo o planeta e permanecem intactos, a menos que sejam perturbados por factores externos, como o aquecimento dos oceanos. Se o carbono geológico preso no interior destes reservatórios for libertado, o nível de gases de efeito estufa na atmosfera irá sofrer um enorme aumento, agravando, consequentemente, ainda mais as alterações climáticas.

Tendo isto em conta, os cientistas alertam que com a actual taxa de aquecimento global, em grande parte causada pela actividade humana, os oceanos atingirão a temperatura considerada mais crítica até o final deste século.

A título de exemplo, os especialistas mencionam um reservatório de carvão de importantes dimensões localizado na parte ocidental do Oceano Pacífico, ao largo da costa de Taiwan, que precisa apenas de um pequeno aumento, ou seja, alguns graus Celsius para perder sua estabilidade.

National Academy of Sciences
Reservatório em Taiwan

“A última vez que aconteceu, a mudança climática foi tão drástica que causou o fim da Idade do Gelo”, frisou Lowell Stott, investigador da Universidade do Sul da Califórnia, nos Estados Unidos, e principal autor do trabalho. E concluiu: “Assim que o processo geológico começar, não podemos desactivá-lo”.

ZAP //

Por ZAP
18 Fevereiro, 2019

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1555: Os vulcões russos são uma ameaça para o clima da Terra

Earth Observatory / Wikimedia
Erupção no vulcão Sarychev, na Rússia

Um grupo internacional de cientistas descobriu que as erupções dos vulcões do hemisfério norte, especialmente no território russo, exercem uma influência maior sobre o clima do planeta do que se pensava anteriormente.

As erupções dos vulcões extra-tropicais – como o Kasatochi, no Alasca, ou Sarychev, na Rússia – injectam enxofre na estratosfera inferior. No entanto, o seu impacto no clima tem sido muito fraco e de curta duração – o que fez com que os investigadores assumissem que este resultado é um reflexo de uma regra geral.

No entanto, investigadores do Centro Helmholtz de Pesquisa Oceânica Kiel (GEOMAR), do Instituto Max Planck de Meteorologia, em Hamburgo, e da Universidade de Oslo, juntamente com colegas da Suíça, dos Estados Unidos e do Reino Unido, rejeitaram essa hipótese, num recente artigo científico publicado na Nature Geoscience.

Esta equipa de cientistas investigou núcleos de gelo que contêm enxofre e concluiu que, durante os últimos 1250 anos, as erupções de vulcões extra-tropicais deviam, na verdade, provocar o arrefecimento da superfície no hemisfério norte. Desta forma, estes vulcões arrefeceram muito mais a atmosfera em comparação com os seus análogos tropicais, mesmo lançando a mesma quantidade de enxofre.

Na prática, os cientistas chegaram à conclusão que as erupções extra-tropicais são realmente mais eficientes do que as erupções tropicais em tempos de arrefecimento hemisférico em relação à quantidade de enxofre emitido pelas erupções.

O arrefecimento da atmosfera ocorre quando gases com enxofre são lançados na estratosfera a uma altitude de 10 a 15 quilómetros. Como resultado, os gases sulfurosos produzem uma neblina de aerossol sulfúrico, capaz de se manter durante vários meses ou anos. Esta neblina reflete uma parte da radiação solar, causando a diminuição da temperatura média anual.

Segundo a EurekAlert, este último estudo mostra que nas latitudes norte o tempo de vida do enxofre em aerossol é menor do que nos trópicos, ao contrário do que se pensava anteriormente. Além disso, neste caso, a influência sobre o clima limita-se ao hemisfério norte, o que aumenta o arrefecimento da atmosfera.

Os cientistas esperam que esta recente investigação os ajude a medir, com maior precisão, o nível de impacto das erupções vulcânicas na variabilidade climática, supondo que o clima no futuro seja afectado por erupções extra-tropicais explosivas.

Apesar de terem acontecido muito poucas erupções extra-tropicais explosivas em comparação com as tropicais nos últimos anos, não é completamente descartável que estas grandes erupções possam vir a acontecer, alertam os investigadores.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
4 Fevereiro, 2019

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1375: “O tempo está a esgotar-se”. David Attenborough prevê “colapso da civilização”

CIÊNCIA

Foreign and Commonwealth Office / Flickr

Se os governos nada fizerem, a civilização e o mundo natural estão em risco de colapsar. O alerta foi feito pelo naturalista britânico, David Attenborough, durante a Cimeira do Clima que decorreu na Polónia na segunda-feira.

“Neste momento, estamos a assistir a um desastre global, feito pelo homem, e que é a maior ameaça que enfrentámos em milhares de anos: as alterações climáticas”, disse o britânico de 92 anos. “Se não fizermos nada, o colapso da nossa civilização e de boa parte do mundo natural está no horizonte.”

David Attenborough, apresentador e narrador de programas sobre a vida selvagem da BBC, foi escolhido para representar a voz das pessoas do mundo na 24ª Cimeira da ONU para o Clima (COP24). Um dos principais objectivos da conferência é encontrar formas de aplicar o Acordo de Paris, celebrado em 2015.

A forma encontrada pelas Nações Unidas para dar voz aos anónimos foi, dias antes do arranque da conferência, pedir a pessoas de todo o mundo que enviassem as suas mensagens para que estas pudessem ser apresentadas aos cerca de 200 representantes de governo reunidos na Polónia.

Foi através de uma montagem, segundo o Observador, que a plateia assistiu às mensagens vindas de todos os cantos do planeta. “Não vêm o que se passa à vossa volta?”, pergunta uma jovem. “Já estamos a ver o impacto das alterações climáticas na China”, diz outra. “Isto costumava ser a minha casa”, diz outra, apontando para ruínas queimadas pelo fogo.

Nesta montagem são também apontados números: 95% dos inquiridos dizem já ter vivenciado de alguma forma as alterações climáticas, enquanto dois terços concluem que esta é a maior ameaça que o mundo enfrenta.

“As pessoas do mundo falaram: o tempo está a esgotar-se. Elas querem que vocês, os tomadores de decisão, ajam agora. Líderes do mundo, vocês têm de liderar. A continuação da civilização e do mundo natural, do qual nós dependemos, está nas vossas mãos”, concluiu Attenbrough na sua apresentação.

A COP24 decorre até dia 14 de Dezembro em Katovice. As novas tecnologias favoráveis ao clima, a população como líder da mudança e o papel da floresta são os temas centrais que a Polónia quer ver discutidos na reunião mundial do clima que começou no domingo.

ZAP // Live Science

Por ZAP
5 Dezembro, 2018

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1213: Submarino nazi com toneladas de mercúrio ameaça o mar na Noruega

DESTAQUES

A 9 de Fevereiro de 1945, nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão U-864 navegava pela costa oeste da Noruega carregado de matérias-primas para fabricar equipamento bélico – incluindo chumbo, aço e 65 toneladas de mercúrio.

A missão do U-864, chamada Operação César, era chegar até ao Japão, país aliado da Alemanha, com o objectivo de fortalecer o arsenal japonês na 2ª Guerra Mundial. A tripulação do submarino era de 73 pessoas, incluindo cientistas que trabalhavam para o regime nazi, e que iriam passar o seu conhecimento aos japoneses.

Mas a operação fracassou.

Um submarino britânico, o HMS Venturer, conseguiu interceptar o U-864 e torpedeou-o. Todos os ocupantes morreram.  O ataque entrou para a história como o único episódio da guerra em que um submarino submerso conseguiu destruir outro que também estava no fundo do mar.

Em 2003, passados 58 anos, a Marinha norueguesa encontrou os destroços do U-864, a duas milhas náuticas de distância da ilha Fedje. E a descoberta trouxe preocupações para as autoridades do país.

O submarino, cujos destroços estão a 150 metros de profundidade, está fendido em duas partes, na proa e na popa, e diversos fragmentos da embarcação repousam à volta. Agora, as autoridades norueguesas discutem qual é a melhor forma de lidar com o risco de contaminação trazido pela carga de mercúrio que ainda está no interior do U-864.

Kystverket / Norwegian Coastal Administration
Imagens captadas por sondas mostram que o U-864 está a 150 metros de profundidade

Nos anos após a descoberta dos destroços, estudos indicaram que a concentração de mercúrio nas proximidades do submarino estava acima de limites aceitáveis. Em 2005, a Autoridade de Segurança Alimentar norueguesa recomendou que crianças e mulheres grávidas não comessem alimentos que tivessem sido pescados naquela região.

Um estudo do Instituto Nacional de Investigação sobre Nutrição e Alimentos Marinhos concluiu que os peixes que tinham sido expostos a sedimentos da zona em que o submarino se encontra tinham níveis de mercúrio quatro vezes mais altos que os peixes de outras áreas da costa norueguesa.

Em 2014, a Administração Costeira da Noruega levantou outra preocupação: remover os destroços do submarino faria com que o material tóxico se espalhasse. Para evitar que o submarino se movesse durante eventuais tremores no leito marinho, foram lançados sobre os destroços 100.000 m3 de areia e rochas, para estabilizar a área.

As autoridades norueguesas decidiram agora que cobrir o submarino é a solução mais segura e ambientalmente correcta. Segundo comunicado recente do Ministério dos Transportes do país, será lançado sobre os destroços uma espécie de “cobertor” com uma área de 47.000 m2.

Se tudo correr bem, a cobertura estará concluída até 2020, “para proteger os destroços, os sedimentos contaminados e uma zona de transição de 17.000 m2“. O objectivo é conter o mortífero legado – que poderia desencadear um dos piores desastres ecológicos de sempre no Mar do Norte.

ZAP // BBC

Por CC
29 Outubro, 2018

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1141: Cientistas já sabem como alimentar 10 mil milhões de pessoas de forma sustentável até 2050

Stegerding / Flickr

Investigadores identificaram as melhorias que o planeta precisa para alimentar de forma sustentável a população humana em expansão.

“Sem uma acção eficaz, os impactos ambientais do sistema alimentar podem aumentar entre 50% a 90% até 2050”, afirmou Marco Springmann, especialista em sustentabilidade ambiental e saúde pública da Universidade de Oxford que liderou a pesquisa.

“Nesse caso, todas as fronteiras planetárias relacionadas com a produção de alimentos seriam superadas, algumas delas em mais do dobro”, acrescentou à Discover Magazine.

Segundo o estudo publicado a 10 de Outubro na revista Nature, a população terrestre aumentará tanto nos próximos 30 anos que esgotará a capacidade do planeta para cultivar alimentos suficientes.

À medida que as nações em crescimento começarem a comer mais – como já acontece no mundo ocidental – haverá uma intensificação dos impactos ambientais.

O sistema alimentar global estimula as mudança climatéricas, altera as paisagens e impulsiona a escassez de recursos.

Para tentar reverter o panorama futuro, Springmann estudou as opções possíveis para evitar uma crise mundial.

Para isso, Springmann e os seus colegas investigadores construíram um modelo para entender o impacto do sistema alimentar nos cinco principais sectores ambientais: emissões de gases de efeito de estufa, uso de terras agrícolas, uso de água doce e aplicações de nitrogénio e de fósforo.

O modelo criado pelos investigadores recria a produção de alimentos, o processamento e as necessidade de alimentação para 62 produtos agrícolas de 159 países, juntamente com pegadas ambientais específicas de cada país.

Panorama e situação actual

De acordo com a equipa, em 2010, o sistema mundial de alimentos emitiu cerca de 5,2 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono e ocupou cerca de 12,6 milhões de quilómetros quadrados de terras cultivadas (uma área maior do que os EUA).

No cultivo das terras foram ainda usados 1,810 quilómetros cúbicos de água doce e 104 teragramas de nitrogénio – algo como 300 mil aviões Boeing 747 – e 18 teragramas de fertilizantes fosfatados.

Com estes dados apresentados e a estimativa de que a população global crescerá cerca de um terço para quase 10 mil milhões até 2050, as expectativas não são as melhores.

Segundo o estudo, este aumento da população mundial, combinado com a triplicação da renda global, pressionará ainda mais o sistema alimentar elevando o impacto das catástrofes mundiais nos sectores alimentares entre 50% e 92%.

A solução sustentável

Para os investigadores, a produção de alimentos de origem animal é responsável por quase três quartos do total das emissões e é tão intensa e prejudicial para o ambiente que os cientistas propõe mudar as dietas para incluir menos carne e mais grãos, nozes, legumes, verduras e frutas.

Esta alteração no consumo de carne proporcionaria um alívio para todo o sistema global alimentar e ainda ajudaria a aumentar o índice de saúde mundial. Os investigadores recomendam ainda reduzir o desperdício de alimentos e melhorar as práticas agrícolas.

Em relação ao desperdício alimentar, segundo o estudo, mais de um terço de toda a comida produzida é perdida antes de chegar ao mercado ou é desperdiçada pelo consumidor final. Segundo o relatório, uma redução pela metade do desperdício de alimentos diminuiria o impacto ambiental do sistema alimentar em 16%.

Quanto à proposta da melhoria das práticas agrícolas, o estudo fala em aumentar a rentabilidade, reciclar o fósforo e utilizar as águas das chuvas de maneira mais eficiente para reduzir as tensões do sistema alimentar sobre o meio ambiente em 30%.

Não há uma solução única suficientemente eficaz para evitar ultrapassar fronteiras planetárias”, disse Springmann. “Mas quando várias soluções são implementadas em conjunto, a nossa pesquisa indica que pode ser possível alimentar a população em crescimento de forma sustentável”.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2018

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1115: Mudanças climáticas podem afundar oito das mais famosas cidades do mundo

CIÊNCIA

(CC0/PD) Scott Webb / pexels

Um relatório científico publicado recentemente pela organização não governamental Christian Aid aponta quais são as grandes cidades costeiras que correm o risco de sofrer fortes inundações por causa do aquecimento global.

Os especialistas alertam no documento que, se o aquecimento global for superior a 1,5 graus, o aumento do nível do mar ultrapassará os 40 centímetros, fazendo com que algumas famosas cidades costeiras “fiquem extremamente vulneráveis perante tempestades e inundações”.

“Algumas das cidades mais famosas do mundo estão a afundar-se à medida que as mudanças climáticas fazem subir o nível do mar”, advertem os autores do documento. “Estas metrópoles podem parecer fortes e estáveis, mas é uma ilusão”, diz o relatório.

À medida que o nível do mar aumenta, estas cidades correm cada vez mais perigo e ficam cada vez mais debaixo de água”, acrescenta o relatório da Christian Aid. Entre as cidades mencionadas no relatório, encontram-se oito das mais famosas metrópoles do Mundo.

A primeira dessas cidades é Jacarta, na Indonésia. Os cientistas destacam que 40% da capital do país asiático já se encontra abaixo do nível do mar e que a cidade está a  afundar-se a um ritmo de 25 centímetros por ano. Em 2050, cerca de 95% do norte da cidade estará submerso.

Houston, nos Estados Unidos, é outra importante cidade que está em risco de afundar. Para o afundamento desta cidade do estado americano do Texas contribui o fato de ser o centro da indústria do petróleo e gás dos EUA.

A extracção de minerais fez com que uma área de 12 mil quilómetros quadrados do seu território tenha sofrido um rebaixamento de até 3 metros. Parte desta zona continua a afundar-se a um ritmo de 5 centímetros por ano.

A capital britânica, Londres, por sua vez, está a afundar-se em parte devido à fusão dos glaciares. A Barreira do Tamisa, inaugurada em 1984 para proteger a cidade de inundações, foi planeada para ser usada duas ou três vezes por ano. Porém, actualmente é usada seis ou sete vezes anualmente.

O relatório afirma também que a cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”. A metrópole está a afundar-se nos sedimentos em que foi construída, devido ao peso das infraestruturas, à extracção de água subterrânea e à subida do nível do mar.

(CC0/PD) zhang kaiyv / pexels
A cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”.

Também a capital da Nigéria, Lagos, está em risco de afundar. Se o nível das águas do mar aumentar 20 centímetros, 740 mil residentes da cidade nigeriana perderão as suas casas, alertam os especialistas.

Também a cidade de Manila enfrenta a possibilidade de desaparecer submersa. Apesar de estar habituada a grandes intempéries e a um clima extremo, a capital filipina corre o risco de afundar 10 centímetros anualmente, e “pode ter os dias contados”.

O Bangladesh é um país onde as mudanças do nível do mar já provocam migração da população. As áreas residenciais de sua capital, Daca, estão apenas 6 a 8 centímetros acima do nível do mar e, no golfo de Bengala, no sudoeste da cidade, o processo parece estar a aumentar dez vezes mais depressa do que a média mundial.

Há três anos, o governo tailandês previu que Bangkok, a capital da Tailândia, estaria debaixo de água em 15 anos. Tal como no caso de Xangai, em Bangkok o processo é causado, entre outros, pelos arranha-céus da cidade, cujo peso pressiona o solo.

Mas o aumento do nível do mar não é o único problema que as áreas costeiras baixas enfrentam. Muitas cidades nessas áreas estão a afundar também por causa do abatimento do solo, que aumenta consideravelmente o risco de inundações.

Esse é o caso de São Francisco, nos EUA, que está a afundar ainda mais depressa do que o nível do mar aumenta devido ao aquecimento global: actualmente, 3 milímetros por ano e em aceleração.

A capital chinesa, Pequim, é mais conhecida pelo absurdo nível de poluição atmosférica e por ocasionais tempestades de areia. Mas a sua maior ameaça ambiental encontra-se na realidade no subsolo: a cidade está literalmente a afundar-se. O efeito é mais significativo em Chaoyang, o bairro financeiro da cidade, que está a afundar-se 11 cm por ano.

Talvez esteja na altura de a espécie humana dar mais um salto evolutivo para algo diferente – de preferência, desta vez com guelras.

ZAP // Sputnik News / Christian Aid

Por SN
8 Outubro, 2018

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1065: Aquecimento global no Pleistoceno elevou nível do mar até 13 metros

leungchitak / Flickr

O aquecimento global no final do período do Pleistoceno, com temperaturas similares às previstas para este século, reduziu a camada de gelo da Antárctida oriental e elevou o nível do mar até 13 metros acima do actual.

A conclusão é de um estudo internacional, liderado por cientistas do Instituto de Ciências da Terra do “Imperial College London”, publicado esta quinta-feira na revista Nature.

O gelo polar é uma componente essencial do sistema climatérico e afecta o nível global da água do mar e a circulação e transporte de calor nos oceanos.

Até agora a comunidade científica tinha-se centrado na camada de gelo da Antárctida ocidental, aquela que actualmente está mais vulnerável ao degelo. Ao mesmo tempo também se pensava que a região leste da Antárctida, com uma superfície equivalente a 115 vezes Portugal, e que contém cerca de metade da água doce da Terra, era menos sensível ao aquecimento global.

No entanto, o estudo agora publicado sugere que um aquecimento de dois graus na região, se se mantiver um par de milénios, vai derreter uma importante área da Antárctida oriental, com implicações no nível global da água do mar.

“Estudar o comportamento da camada de gelo no passado geológico permite-nos informar-nos sobre mudanças futuras”, disse Carlota Escutia, investigadora do Instituto Andaluz de Ciências da Terra, da Universidade de Granada, Espanha.

“Ao formarmos uma imagem de como cresceu e diminuiu o manto de gelo em cenários passados podemos entender melhor a resposta que terá a massa de gelo da Antárctida oriental no aquecimento global”, sustentou a cientista.

Para o estudo os cientistas investigaram amostras de sedimentos do fundo oceânico provenientes da bacia sub-glacial de Wilkes. As amostras foram recolhidas nas profundezas do oceano austral durante uma expedição em 2010.

As pegadas químicas deixadas nos sedimentos permitiram revelar os padrões de erosão continental à medida que a camada de gelo avançava e retrocedia.

“Detectamos que as alterações mais extremas se deram durante dois períodos entre glaciações, entre há 125.000 e 400.000 anos, quando o nível global do mar estava entre seis a 13 metros acima do nível actual”, disse Francisco Jiménez, também investigador do Instituto Andaluz de Ciências da Terra.

O Pleistoceno abrange um período que vai entre aproximadamente 1,8 milhões de anos e 11.500 anos atrás.

ZAP // Lusa

Por Lusa
23 Setembro, 2018

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1048: Mar subiu 13 metros na era geológica do Pleistoceno. Temperaturas são as deste século

Conclusão é de um estudo internacional publicado na revista “Nature”

© D.R.

O aquecimento global no final do período do Pleistoceno (era geológica que abrange um período que vai entre aproximadamente 1,8 milhões de anos e 11.500 anos atrás) apresentou temperaturas similares às previstas para este século. Na altura, o aquecimento global reduziu a camada de gelo da Antárctida oriental e elevou o nível do mar até 13 metros acima do actual.

A conclusão é de um estudo internacional, liderado por cientistas do Instituto de Ciências da Terra do “Imperial College London”, publicado esta quarta-feira na revista “Nature“.

O gelo polar é uma componente essencial do sistema climatérico e afecta nomeadamente o nível global da água do mar e a circulação e transporte de calor nos oceanos.

Até agora a comunidade científica tinha-se centrado na camada de gelo da Antárctida ocidental, aquela que actualmente está mais vulnerável ao degelo. Ao mesmo tempo também se pensava que a região leste da Antárctida, com uma superfície equivalente a 115 vezes Portugal, e que contém cerca de metade da água doce da Terra, era menos sensível ao aquecimento global.

Bastam 2 graus e 2000 anos para o mar subir

No entanto, o estudo agora publicado sugere que um aquecimento de dois graus na região, se se mantiver um par de milénios, vai derreter uma importante área da Antárctida oriental, com implicações no nível global da água do mar.

“Estudar o comportamento da camada de gelo no passado geológico permite-nos informar-nos sobre mudanças futuras. Ao formarmos uma imagem de como cresceu e diminuiu o manto de gelo em cenários passados podemos entender melhor a resposta que terá a massa de gelo da Antárctida oriental no aquecimento global”, disse Carlota Escutia, investigadora do Instituto Andaluz de Ciências da Terra, da Universidade de Granada, Espanha.

Para o estudo os cientistas investigaram amostras de sedimentos do fundo oceânico provenientes da bacia sub-glacial de Wilkes. As amostras foram recolhidas nas profundezas do oceano austral durante uma expedição em 2010.

As pegadas químicas deixadas nos sedimentos permitiram revelar os padrões de erosão continental à medida que a camada de gelo avançava e retrocedia.

Detectamos que as alterações mais extremas se deram durante dois períodos entre glaciações, entre há 125.000 e 400.000 anos, quando o nível global do mar estava entre seis a 13 metros acima do nível actual”, disse Francisco Jiménez, também investigador do Instituto Andaluz de Ciências da Terra.

Diário de Notícias
DN/Lusa
19 Setembro 2018 — 20:50

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