2827: Para as criaturas marinhas, as doenças infecciosas são a sentinela da mudança

CIÊNCIA

Richard Ling / Flickr

Uma recente investigação analisou as mudanças nas doenças relatadas em espécies submarinas num período de 44 anos. A conclusão não surpreende: a saúde dos oceanos está a piorar a passos largos.

A compreensão das tendências oceânicas é importante para avaliar as ameaças actuais aos sistemas marinhos, e as doenças são uma importante sentinela da mudança.

A equipa de Drew Harvell, professor na Cornell University, examinou vários relatórios de doenças infecciosas marinhas de 1970 a 2013, que transcendem as flutuações de curto prazo e as variações regionais. Os resultados da investigação foram publicados no dia 9 de Outubro na Proceedings of Royal Society B.

Para corais e ouriços, os relatos de doenças infecciosas aumentaram no período de 44 anos. Nas Caraíbas, os crescentes relatos de doenças de corais correlacionaram-se com eventos de aquecimento. Já se sabia que o branqueamento de corais aumenta com o aquecimento, mas Harvell explicou que a equipa estabeleceu uma conexão de longo prazo entre o aquecimento e as doenças dos corais.

“Associamos finalmente um assassino de corais como uma doença infecciosa a ataques repetidos de aquecimento ao longo de quatro décadas de mudança”, disse. “O nosso estudo mostra que os relatórios de doenças infecciosas estão associados a anomalias de temperatura quente em corais, numa escala multi-decadal”, acrescentou, citado pelo Phys.org.

Ao longo dos 44 anos, os relatórios de doenças diminuíram em peixes e elasmobrânquios (tubarões e raias). Contudo, uma diminuição das doenças nos peixes não é necessariamente uma boa notícia, uma vez que esse valor pode ser explicado pela sobre-pesca e pode ser um sinal de perturbação ecológica.

“As doenças são importantes para manter os ecossistemas marinhos saudáveis, uma vez que os parasitas desempenham um papel importante na regulação das populações”, explicou. “É possível que muitas populações de peixes estejam agora muito esgotadas para suportar níveis normais de doença, respondendo pela diminuição a longo prazo nos relatórios.”

Estes resultados ajudam os cientistas a perceber de que forma os ambientes em mudança alteram as interacções das espécies e fornecem uma base sólida para a saúde da vida marinha. Os anos estudados “precedem as grandes ondas de calor de 2015, 2016 e 2019 que devem desencadear mais surtos”.

“Ao detectar estas mudanças nas doenças, os nossos resultados oferecem uma visão rara das tendências de longo prazo e vinculam a mudança do ambiente marinho ao risco de doença”, afirmou Allison Tracy, outra autora do estudo.

ZAP //

Por ZAP
13 Outubro, 2019

 

2795: Extinção em pixeis: estes são os animais ameaçados

CIÊNCIA

Os animais são quem mais tem sofrido com a questão das alterações climáticas. A cada dia que passa, mais uma espécie fica ameaçada de extinção.

Em 2008, o World Wildlife Fund juntou-se a uma agência de publicidade japonesa para criar uma campanha para alertar para este problema. A campanha usava fotografias de espécies em vias de extinção e, nestas imagens, cada pixel representava o número de animais que ainda existiam na natureza.

A campanha tinha como objectivo sensibilizar a população para o crescente desaparecimento de algumas espécies. Agora, e mais de uma década depois, as informações não estão actualizadas.

Por esse motivo, o programador Joshua Smith decidiu recriar a ideia, mas com dados dos últimos anos disponibilizados pelo Animal Planet. O novo conjunto de imagens, que para Joshua não passou de um “desafio de programação”, rapidamente se espalhou pela Internet.

“Cada pixel é um animal. Quanto mais pixelizada a imagem, mais próxima está a espécie da extinção”, escreveu o programador no título da galeria de imagens, que pode ser encontrada aqui.

Segundo o Público, as imagens não são totalmente fidedignas. A fotografia do leopardo-de-amur, por exemplo, tem apenas 49 pixeis, mas a lista do Animal Planet refere que existem pelo menos 60 exemplares da espécie.

Nos comentários, Joshua Smith explica que tentou criar uma imagem quadrada “o mais perfeita possível” usando apenas a proporção 7×7 ou 8×8. “Oito vezes oito dá 64. Como não conseguia atingir o número certo, achei melhor subestimar do que sobrestimar.”

ZAP //

Por ZAP
7 Outubro, 2019

 

2764: VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

CIÊNCIA

© TVI24 VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

Uma águia-rabalva equipada com uma câmara vai mostrar ao mundo o impacto do aquecimento global nos Alpes.

Através dos olhos de Victor, de nove anos, um exemplar da maior águia da Europa, vai ser possível observar o estado em que se encontram os glaciares que atravessam os Alpes, alguns em risco de colapso devido às alterações climáticas, como o Monte Branco, em Itália.

O primeiro voo oficial acontece nesta quinta-feira, desde o topo da montanha suíça de Piz Corvatsch. Victor, que voará com uma câmara de 360º e um GPS, segue depois para os Alpes alemães, austríacos e italianos, terminando a viagem sobre os Alpes franceses no próximo dia 7.

Está previsto que percorra três a cinco quilómetros numa altitude de 3000 metros até 1500, num total de cinco voos.

O objectivo é derrotar a apatia no que respeita ao combate às alterações climáticas e também no sentido de proteger as próprias aves.

A Humanidade tem dois sonhos: nadar com golfinhos e voar com as águias. Esta é a primeira vez que todos voamos nas costas de uma águia numa distância destas e com esta vista, e podemos ver como é um voo real de uma águia. Como podemos convencer as pessoas a proteger as aves e o seu ambiente se nunca mostramos o que elas veem?”, afirmou o falcoeiro francês e fundador da Freedom Conservation, Jacques-Olivier Travers, em declarações à Associated Press (AP).

No vídeo abaixo poderá ver um ensaio das viagens que Victor realizará, onde é possível ver montanhistas e snowboarders.

msn notícias
Redacção TVI24
03/10/2019

 

2749: Icebergue duas vezes maior que ilha da Madeira separa-se da Antárctida

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

É o maior icebergue a soltar-se da plataforma de gelo Amery em mais de 50 anos. Cientistas dizem que evento não está ligado às alterações climáticas, sendo normal.

O icebergue D28 soltou-se no dia 25 de Setembro.
© DR

Um icebergue com 1582 quilómetros quadrados, mais de duas vezes o tamanho da ilha da Madeira (741 quilómetros quadrados), separou-se da plataforma de gelo Amery, na Antárctida. Baptizado de D28, é o maior icebergue em 50 anos e obriga a monitorização constante, já que pode tornar-se um risco se alcançar as rotas de transporte marítimo.

As plataformas de gelo, como a Amery, são massas de gelo flutuantes que são como uma extensão dos glaciares que fluem da terra para o mar.

@CopernicusEU

The new D28 Iceberg (five times the area of Malta  or ~1582km²) just calved away from Amery ice shelf #Antarctica
Before (20/09) and after (25/09) #Sentinel1 captures processed by @StefLhermitte

Os cientistas monitorizam há quase duas décadas uma secção da plataforma de gelo conhecida como “dente a abanar” (por parecer que está prestes a separar-se), mas foi de uma zona vizinha que o D28 acabou por soltar-se. “É um molar comparado com um dente de leite”, disse a professora Helen Amanda Fricker, do Instituto Scripps de Oceanografia dos EUA, à BBC.

@MarkDoman

The D28 iceberg that broke away from the Amery ice shelf in Antarctica last week. Read more about it here: http://ab.co/2o42umU  Imagery via @CopernicusEU and @sentinel_hub

“Nós previmos que um grande icebergue se iria soltar entre 2010 e 2015”, disse Fricker à estação de televisão australiana ABC. “Estou contente de ver este desprendimento depois de tantos anos. Sabíamos que iria acontecer, mas para nos manter atentos, não foi exactamente onde esperávamos”, acrescentou.

Os cientistas não acreditam que este acontecimento esteja ligado às alterações climáticas, sendo parte normal do ciclo de vida das plataformas de gelo a cada 60 ou 70 anos. O último grande icebergue a soltar da plataforma Amery, em 1963 ou 1964, tinha 9000 quilómetros quadrados.

Diário de Notícias
01 Outubro 2019 — 10:15

 

2742: Ursos polares estão a ficar sem comida

CIÊNCIA

Scott Schliebe / U.S. Fish and Wildlife Service

Segundo um especialista da Polar Bears International, a perda de gelo no Árctico está a afectar a alimentação dos ursos polares.

O Árctico está a perder gelo a um ritmo mais acelerado do que o previsto pelos cientistas, e isto é uma má notícias para os ursos polares. De acordo com um relatório do Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas e divulgado esta semana, a alimentação destes animais está a ser prejudicada.

Segundo o relatório, dedicado ao impacto das alterações climáticas nos oceanos e na criosfera, caso não haja uma acção urgente para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, os gelos permanentes vão derreter a um ritmo sem precedentes.

Um especialista entrevistado pelo The Guardian adianta que a situação está a afectar as populações de ursos polares que vivem e caçam na encosta norte do Alasca, bem como aquelas que vivem nos blocos de gelo no mar de Bering, que diz respeito a uma extensão marítima no extremo norte do oceano Pacífico.

“Agora que o gelo se afastou muito da zona costeira sabemos que os ursos não se estão a alimentar, e os que são forçados a ir para terra não encontram muito o que comer”, explica Steven Amstrup, da Polar Bears International, uma organização de conservação de ursos polares sem fins lucrativos.

Segundo o Observador, em 2015, o mesmo grupo adiantou que a população de ursos polares no mar de Beaufort, que faz parte do oceano Árctico, diminuiu em 40% na década anterior.

ZAP //

Por ZAP
30 Setembro, 2019

 

2723: “Não há planeta B”. Jovens de todo o mundo fazem greve pelo clima

José Coelho / Lusa
Manifestantes protestam durante a Greve Climática Global

Centenas de estudantes participaram, esta sexta-feira, na Greve Climática Global, alertando os líderes mundiais de que “não há planeta B”.

Porto, Coimbra, Guarda, Lisboa. Estas foram algumas das cidades em Portugal onde estudantes, de escolas básicas e secundárias, bem como professores, ambientalistas e políticos saíram às ruas para participar, esta sexta-feira, na Greve Climática Global.

Durante a iniciativa ouviram-se várias palavras de ordem e recados dirigidos ao Governo. Os manifestantes levantaram cartazes e entoaram cânticos para apelar à defesa do clima.  “Justiça climática”, “Não há Planeta B” e “Estamos a ficar sem tempo” são alguns dos exemplos.

Em Lisboa, vários partidos optaram mesmo por marcar presença na manifestação, como é o caso do PAN, do Bloco de Esquerda, do PS e do PSD., que se encontram em plena campanha eleitoral para as Legislativas de 6 de Outubro.

Portugal aderiu à iniciativa com várias acções pelo clima durante a semana, que começou a 20 de Setembro e terminou esta sexta-feira com manifestações em várias cidades, um pouco por todo o mundo.

Ambientalistas cortam Avenida Almirante Reis em Lisboa

Várias centenas de jovens cortaram esta tarde a Avenida Almirante Reis, em Lisboa, junto ao Banco de Portugal, bloqueando a circulação do trânsito, numa manifestação pacífica para exigir políticas consistentes para combater as alterações climáticas.

Tendas de campismo montadas no meio da estrada e cartazes com dizeres contra o “colapso climático” são algumas das formas de protesto, numa acção convocada pelo movimento Extinction Rebellion Portugal.

O comissário Serra, do Comando Metropolitano da PSP de Lisboa, disse à Lusa que “a situação está calma” e que a PSP está em negociações com os manifestantes para desimpedir a rua e permitir a circulação rodoviária, tendo para isso feito retirar algumas das tendas.

O comissário Serra adiantou que o direito à manifestação “não pode colidir” com o direito à circulação e que, como tal, estão a negociar com os manifestantes para irem para os passeios e desimpedirem a via.

No local, a garantir a segurança, estão agentes locais da PSP, do serviço da Intervenção Rápida, da Divisão de Trânsito e do Corpo de Intervenção, que estão já a retirar os manifestantes da estrada.

Alguns dos manifestantes, na sua maioria jovens, entre os quais muitos estrangeiros, disseram à agência Lusa que pretendem passar ali a noite.

Greta Thunberg faz-se ouvir no Canadá

A jovem activista sueca Greta Thunberg, a grande impulsionadora deste movimento, exortou hoje o primeiro-ministro canadiano e outros líderes mundiais a fazerem mais pelo meio ambiente, antes de iniciar, no Quebeque, uma jornada da greve climática em que Justin Trudeau também participou.

Questionada durante uma breve entrevista antes da manifestação, a jovem afirmou que, como a maioria dos líderes, o primeiro-ministro canadiano “não fez o suficiente” para combater as alterações climáticas.

Greta, que conheceu hoje pessoalmente Justin Trudeau ao início da manhã, enfatizou que não queria “atingir indivíduos”, mas sim “concentrar-se numa visão geral, porque é mais fácil criticar uma única pessoa”.

“A minha mensagem para políticos de todo o mundo é a mesma: escute e aja de acordo com o que a ciência diz“, pediu.

Poucos dias depois do seu retumbante “how dare you?” (“como ousam” em português) durante a reunião dos líderes mundiais nas Nações Unidas, Greta encabeçou hoje uma marcha contra as alterações climáticas considerada uma das mais importantes da história do Canadá.

O primeiro-ministro canadiano, que está em campanha eleitoral para uma reeleição, em que promete nova legislação para protecção do meio ambiente, anunciou que se juntaria ao protesto.

@GretaThunberg / Twitter

O Comité das Nações Unidas para os Direitos das Crianças saudou a participação de crianças de todo o mundo nas manifestações de luta contra as alterações climáticas, apoiando que “as suas vozes sejam ouvidas e levadas em conta”.

Aquele organismo da Organização das Nações Unidas (ONU) afirmou-se “inspirado pelos milhões de crianças e adolescentes que se manifestaram pela mudança climática”, reconhecendo que os mais novos “já estão a ser afectados pela contaminação, as secas, os desastres naturais e a degradação do ecossistema”.

O presidente do comité, Luis Pedernera, considerou bem-vinda “a activa e significativa participação das crianças, como defensores dos direitos humanos, em assuntos que os preocupem, como qualquer outra pessoa”.

Em comunicado, o comité recorda que a convenção sobre os direitos das crianças, que celebra este ano o seu trigésimo aniversário, reconhece aos menores de idade o direito à liberdade de expressão e considera inaceitável qualquer ameaça ou abuso pelo exercício dessa liberdade.

ZAP // Lusa

Por ZAP
27 Setembro, 2019

 

2707: Glaciar no Monte Branco está em risco de colapsar

CIÊNCIA

TRAILSOURCE.COM / Flickr
Monte Branco, Chamonix

O degelo deixou de ser um problema apenas da Gronelândia, Antárctida ou Árctico. O risco de colapso de um bloco de gelo de 250 mil metros cúbicos atingiu agora o Monte Branco, a mais alta montanha dos Alpes e da União Europeia.

Parte do glaciar Planpincieux, situado no lado italiano do Monte Branco, está em risco de colapso como consequência do aquecimento global. O alerta foi feito pelas autoridades locais que mandou encerrar a estrada municipal Val Ferret devido ao perigo de avalanche.

O alerta foi feito pelas autoridades locais que mandou encerrar a estrada municipal Val Ferret devido ao perigo de avalanche. De acordo com os especialistas, são cerca 250 mil metros cúbicos do glaciar que estão em risco de colapso, estando a derreter entre 50 e 60 centímetros dessa massa de gelo por dia.

O autarca da vila de Courmayeur, Stefano Miserocchi, explicou que alguns edifícios na região de Rochefort foram evacuados por precaução e garantiu que o risco de avalanche não abrange uma zona residencial ou turística, não havendo motivos para alarme.

“Este fenómeno só mostra, mais uma vez, como a montanha está a atravessar um período de maiores mudanças devido às alterações climáticas e portanto está particularmente vulnerável”, afirmou Stefano Miserocchi, citado pelos media italianos.

Os peritos da Fundação Montanha Segura sublinham que não é possível prever antecipadamente quando poderá ocorrer a avalanche, razão pela qual apelam às autoridades para se manterem vigilantes.

O Monte Branco é a cordilheira mais alta da Europa Ocidental. Possui 11 picos acima de 4.000 metros em França e Itália e atrai centenas de milhares de turistas todos os anos. O glaciar Planpincieux é monitorizado de perto desde 2013, na tentativa de estabelecer a frequência com que o gelo está a derreter. Mas as autoridades alertam que não existe um “sistema de alerta” em vigor.

Em Agosto de 2018, recorda a BBC, um casal de idosos morreu perto de Planpincieux, em Courmayeur, quando o seu carro foi arrastado de uma estrada para um vale durante um deslizamento de terra. Centenas de pessoas foram evacuadas, algumas delas de helicóptero.

No início deste mês, dezenas de pessoas participaram de uma “marcha fúnebre” para marcar o desaparecimento do glaciar Pizol no nordeste da Suíça. O glaciar, nos Alpes Glarus, encolheu para uma fracção minúscula do seu tamanho original. Os cientistas dizem que perdeu pelo menos 80% do seu volume apenas desde 2006, uma tendência acelerada pelo aumento das temperaturas globais.

Esse foi o segundo “funeral” a um glaciar, tendo o primeiro sido na Islândia. Esse evento comemorou a vida do glaciar Ok, que foi declarado morto há cinco anos.

Turistas na Islândia também observaram, no início deste ano, uma secção de um outro glaciar – chamado Breiðamerkurjökull – a quebrar e a formar uma grande onda.

ZAP //

Por ZAP
25 Setembro, 2019

 

Efeitos das alterações climáticas nos gelos e oceanos já são irreversíveis – IPCC

CIÊNCIA

© Fornecido por LUSA – Agência de Notícias de Portugal, S.A. The new Antarctic explorers

Mónaco, 25 Set 2019 (Lusa) – Os efeitos das alterações climáticas nos oceanos são já irreversíveis, consideraram hoje peritos do Painel Inter-governamental das Nações Unidas, alertando que adiar a redução de emissões só tornará pior um cenário de degelo e subida do nível do oceano global.

Mesmo contendo o aquecimento global em dois graus centígrados acima dos valores médios da era pré-industrial, um quarto do gelo permanente acumulado em regiões como Árctico vai derreter até 2100, percentagem que poderá aumentar para 70% se o mundo aquecer ainda mais, adverte o Painel Inter-governamental sobre Alterações Climáticas (IPCC) num relatório especial apresentado hoje no Mónaco.

Na apresentação do primeiro relatório especial do IPCC sobre o oceano e a criosfera, a sua vice-presidente Ko Barrett assegurou que “as consequências para a natureza e para a humanidade são vastas e severas”.

Durante o século XX, o oceano “tem sido uma esponja a absorver o dióxido de carbono e o calor em excesso” produzidos pela actividade humana, com consequências para os gelos permanentes, que estão a derreter a um ritmo que acelera a cada ano.

Mesmo os glaciares mais pequenos na Europa, na África oriental, nos Andes ou na Indonésia perderão “80% da sua massa em 2100” se as emissões de gases com efeito de estufa continuarem, salientou.

Durante o século passado, o nível médio das águas oceânicas subiu 15 centímetros, podendo chegar a “1,10 metros em 2100 se as emissões não forem fortemente reduzidas”.

A mensagem dos cientistas que integram o IPCC é que “é urgente uma acção coordenada e verdadeiramente ambiciosa” para conter as mudanças nos oceanos, nas zonas costeiras e montanhosas” que ameaçam a capacidade de centenas de milhões de pessoas de viverem nas suas comunidades, de se alimentarem e de manterem os seus modos de vida.

Da pesca ao turismo, a acidificação e o aquecimento dos oceanos trazem consequências ecológicas – espécies de águas mais frias enfrentam riscos maiores de extinção e outras como os corais são afectadas pelo aumento da acidez das águas – e económicas que ainda é difícil quantificar.

A necessidade de deslocar centenas de milhões de pessoas das zonas costeiras por causa da subida do nível das águas vai depender “das soluções de adaptação” encontradas, sendo certo que “os que dependem da pesca artesanal em latitudes baixas são os mais vulneráveis”, afirmou a investigadora Valérie Masson- Delmotte.

O aumento da temperatura e do nível das águas alterou já as características dos ciclones e outros fenómenos naturais, com ondas mais altas e chuva e vento mais intensos.

Além de protecções físicas para preservar as comunidades costeiras, são necessárias verdadeiras “redes de segurança social”, destacou.

O relatório sobre os oceanos e a criosfera foi feito ao longo de dois anos, reunindo informação de quase sete mil estudos, feitos por 104 cientistas de 36 países.

As conclusões serão levadas à conferência das Nações Unidas sobre Alterações Climáticas de 2019, a COP25, que se realiza no Chile no próximo mês de Dezembro.

+++ A Lusa viajou a convite da Fundação Oceano Azul +++

APN // JMR

msn notícias
António Pereira Neves
25/09/2019

 

2703: Alterações climáticas podem propagar fungo de doença mortal

CIÊNCIA

Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

© iStock Até ao momento, dois estados norte-americanos concentram a maioria dos 10 mil casos de febre do vale diagnosticados no país.

Califórnia e Arizona, com desertos secos e estações chuvosas, possuem o ambiente e o clima ideais para que o fungo Coccidioides, causador da doença, sobreviva e prospere. Mas, de acordo com um estudo publicado recentemente no GeoHealth, as alterações climáticas, como o aumento da temperatura global, podem fazer com que o fungo se dissemine a nível global.

A estimativa é de que até o ano de 2100, o alcance do fungo cresça a ponto de aumentar em 50% o número de casos de febre do vale. Actualmente, o fungo está restrito ao território actual por conta das chuvas e da temperatura, mas as mudanças climáticas podem aumentar significativamente o seu raio de actuação. “Calculamos que poderia haver mais áreas em que esse fungo poderia viver no futuro”, afirmou Morgan Gorris, investigador do departamento de ciências do sistema terrestre da Universidade da Califórnia em Irvine e principal autor do estudo.

O fungo Coccidioides cresce durante o período de secas, criando esporos que podem ser lançados no ar pelo vento. Esses esporos são inalados, causando a febre do vale. Apesar dos sintomas serem leves, com tosse, febre e calafrios, a doença causa cerca de 200 mortes por ano nos Estados Unidos, vitimando principalmente idosos ou pessoas com o sistema imunológico comprometido.

O estudo comparou as chuvas, a temperatura e outros dados ambientais com as taxas de incidência da febre do vale para identificar as condições ambientais correlacionadas à doença. Com essas informações, a pesquisa pôde prever quais os locais nos quais a doença poderia ser encontrada tendo como base a previsão de condições climáticas para o futuro.

Assim, o resultado foi de que os estados ocidentais ao norte estão mais propensos a ‘receber’ o fungo. “Passará por Oklahoma, Colorado, Wyoming, áreas mais secas”, explicou James Randerson, professor do departamento de ciências dos sistemas terrestres da Universidade da Califórnia e co-autor da pesquisa. Afirmou ainda que a doença tem potencialidade para se propagar por outros países – já que as alterações climáticas afectam o mundo inteiro e a globalização que facilita o transporte de pessoas sobretudo de avião irá com certeza facilitar a sua propagação.

msn lifestyle
Liliana Lopes Monteiro
24/09/2019

 

2694: Adeus, Pizol. Suíços fizeram funeral a glaciar que (quase) desapareceu

AMBIENTE

Gian Ehrenzeller / EPA

Mais de duas centenas de pessoas reuniram-se neste Domingo para realizar um funeral simbólico pelo desaparecimento de um dos glaciares mais estudados do mundo – Pizol.

Cerca de 250 pessoas reuniram-se após um trilho de duas horas pelo terreno onde antes se encontrava o antigo glaciar, localizado na montanha Pizol, que lhe dá o nome, perto de Liechtenstein e da Áustria, a 2.700 metros de altitude.

O glaciar ainda não desapareceu completamente mas, segundo os cientistas, perdeu 80% do seu volume desde 2006 devido às alterações climáticas. Restam agora 26.000 metros quadrados de gelo, menos do que quatro campos de futebol, refere o Observador.

O Pizol perdeu tanto volume que, “numa perspectiva científica, já nem sequer é um glaciar”, disse à agência AFP a activista Alessandra Degiacomi. Um estudo de investigadores suíços concluiu que, até 2050, pelo menos metade dos glaciares da Suíça vão desaparecer.

O funeral simbólico ao Pizol contou ainda com a presença de um padre e vários cientistas. A cerimónia foi organizada pela Associação Suíça pela Protecção do Clima, que pede a redução para zero das emissões de dióxido de carbono no país até 2050. Uma coroa de flores foi colocada na montanha, em memória do glaciar.

Viemos aqui para dizer ‘adeus’” ao Pizol, disse Matthias Huss, especialista em glaciares. Já o pároco de Mels, localidade onde o glaciar se localiza, pediu “ajuda de Deus para superar o enorme desafio das mudanças climáticas”.

Matthias Huss disse à AFP que, independentemente do que possamos vir a fazer, os Alpes vão perder, pelo menos, metade da massa de gelo até 2100.

O Pizol não é o primeiro glaciar a desaparecer dos Alpes Suíços. “Desde 1850, estimamos que mais de 500 glaciares suíços tenham desaparecido completamente”. Ainda assim, o Pizol é o “primeiro glaciar densamente estudado a desaparecer”. De acordo com o matutino, estava a ser acompanhado pelos especialistas desde 1893.

Depois do Pizol, os especialistas estimam que o maior glaciar dos Alpes, o Aletsch, possa vir a desaparecer completamente nas próximas oito décadas.

ZAP //

Por ZAP
23 Setembro, 2019

 

2688: Jovens do mundo inteiro ocupam a ONU em inédita Cimeira do Clima

AMBIENTE

Justin Lane / EPA
O secretário geral da ONU, António Guterres, com a activista Greta Thunberg, de 16 anos

Mais de 500 jovens, representantes de mais de 140 países, ocuparam este sábado o espaço habitualmente destinado aos diplomatas da ONU.

A United Nations Youth Climate Summit, primeira cimeira da juventude sobre o clima, em Nova York, aconteceu este sábado, após as enormes manifestações contra o aquecimento global que tiveram lugar por todo o mundo na sexta-feira.

Os jovens compareceram em força à cimeira, tendo proposto soluções concretas e exigindo dos chefes de Estado medidas para travar as mudanças climáticas.

Duas gerações inauguraram o dia de debates na sede das Nações Unidas. A primeira foi representada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres, o grande dinamizador do encontro, que culmina na segunda-feira com a Cimeira do Clima dos líderes mundiais.

A ambientalista sueca Greta Thunberg representava a segunda geração, este sábado a maioria dos participantes.

Mostrámos que estamos unidos e que os jovens são imparáveis“, disse a activista de 16 anos, que ficou conhecida pelas suas greves às sextas-feiras em frente ao Parlamento sueco, sob o lema “Sextas pelo Futuro”, que se transformaram em um movimento mundial.

A sueca preferiu dar o seu tempo ao representante de outros continentes, e foi o discurso do argentino Bruno Rodríguez, de 19 anos, que expressou melhor a indignação da juventude mundial.

“Dizem que a nossa geração deve resolver os problemas criados pelos actuais governantes, mas não vamos esperar passivamente. Chegou a hora de sermos os líderes“, disse o fundador da organização Jovens pelo Clima Argentina. “Basta! Não queremos mais combustíveis fósseis!”, afirmou o activista.

Energia rara

Segundo a correspondente da RFI em Nova York, Carrie Nooten, raramente se viu nos corredores da ONU tanta energia e tantas soluções concretas. Os participantes puderam apresentar quer projectos tecnológicos quer naturais, criados nos seus países de origem, para combater as mudanças climáticas.

Há muito tempo que pedimos um lugar à mesa dos que tomam as decisões”, disse aos jovens líderes Jayathma Wickramanayake, mandatária para a juventude do secretário-geral da ONU. “Hoje, são os líderes mundiais que estão a pedir para negociar connosco”, completou.

A jovem Kamal Karishma Kumar, das Ilhas Fiji, realçou que para as ilhas do Pacífico combater as mudanças climáticas é uma questão de sobrevivência. “Não queremos que as gerações futuras afundem com nossas ilhas“, afirmou.

Em nome dos 625 milhões de jovens africanos, o queniano Wanjuhi Njoroge recordou que os países de África são os que emitem menos gases de efeito estufa, mas os que mais sofrem com as consequências do aquecimento global, e pediu acima de tudo apoio financeiro “para trabalhar na mitigação e adaptação às mudanças climáticas”.

Sentado entre os jovens, Guterres pediu-lhes que continuem a lutar e exigir que os líderes prestem contas sobre os seus planos para o clima”.

Ainda estamos a perder a corrida contra o aquecimento global. Ainda há quem atribua subsídios às energias fósseis e centrais de carvão. Mas nota-se uma mudança nesta dinâmica, devido em parte às vossas iniciativas e à coragem com que vocês começaram este movimento”, afirmou.

Na sexta-feira, cerca de 4 milhões de jovens saíra às ruas de mais de 5 mil cidades em 163 países do planeta, para participar do maior protesto da história na luta contra as mudanças climáticas.

Cimeira dos líderes mundiais

A cimeira da juventude abriu a Cimeira do Clima da ONU, que termina esta segunda-feira com uma reunião de chefes de Estado. Representantes de mais de 60 países participam do encontro e novos anúncios para conter o aquecimento global são esperados.

Os líderes mundiais começam a chegar este domingo a Nova York para participar no evento, ao qual se segue a Assembleia Geral da ONU da próxima terça-feira. O presidente dos EUA, Donald Trump, tal como o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, vão estar presentes na Assembleia Geral da ONU, mas não participarão na Cimeira do Clima.

O motivo, António Guterres, é não terem mostrado interesse.

ZAP // RFI

Por RFI
22 Setembro, 2019

 

2679: Vem aí o Dia 0. A Austrália vai ficar sem água (e pode não ser a única)

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

UNSW

O Dia 0 está a chegar e a Austrália está prestes a ficar sem água. Os cientistas dizem que este é um aviso para todas as outras regiões em redor do mundo.

Este dia vai marcar o início do racionamento de água e o dia em que as torneiras residenciais serão fechadas, tendo um grande número de famílias e empresas de ir aos locais de recolha locais para buscar água.

O Dia 0 está pendente em, pelo menos, uma dúzia de cidades australianas que se estendem desde o estado norte de Queensland até ao estado de New South Wales, cuja capital Sidney é a cidade mais populosa do país.

Secas sucessivas e a água extra necessária para combater incêndios florestais intensos causaram uma escassez sem precedentes, com estas regiões a enfrentar a perspectiva de que as torneiras acabem numa questão de meses. A segurança da água permanece quase inexistente para muitas comunidades rurais, com dez cidades em risco de secar em seis meses se não chover e se a infra-estrutura da água não melhorar.

As consequências mais amplas fizeram com que muitas lojas estivessem à beira de fechar e o desespero levou ao roubo de água. As temperaturas estão 10º C acima da média e 130 incêndios florestais continuam a deflagrar grandes áreas australianas.

Há anos que os governos australianos paralisam a reforma da acção climática porque o crescimento económico do país está fortemente vinculado às exportações de mineração de carvão, de acordo com o Raw Story.

Mas a Austrália não é o primeiro país a enfrentar a perspectiva de um Dia 0. A cidade de São Paulo ficou em sexto lugar em 2015, assim como a sexta maior cidade da Índia, Chennai, em meados de 2018.

A África do Sul evitou por pouco o Dia 0 no ano passado, após prolongadas baixas chuvas e uma seca particularmente brutal que atingiu a cidade da Cidade do Cabo. O suprimento de água da cidade estava quase fechado, pois o seu reservatório de água doce pairava pouco acima de 13,5% da capacidade total. Se o Dia Zero tivesse sido accionado, teria sido a primeira grande cidade dos tempos modernos sem água.

O iminente Dia 0 da Austrália está a destacar a necessidade de estratégias de longo prazo para a gestão da água e para uma cooperação aprimorada em nível global. Cientistas do Instituto Grantham no Imperial College de Londres e da Universidade da Cidade do Cabo, co-autores de um artigo sobre o Dia 0 da Cidade do Cabo, dizem que a mudança climática tornará a escassez de água mais comum em cidades ao redor do mundo.

“Mudanças nas mudanças nos padrões de chuva são uma das principais causas de escassez de água e, com as mudanças climáticas, as secas e as ondas de calor serão mais prováveis”, explica Robbie Parks, co-autor do artigo. “A água é tratada como um recurso infinito, mas são necessárias apenas duas ou três estações secas para desencadear uma seca catastrófica – a Cidade do Cabo é um excelente exemplo disso -, por isso é preciso haver uma grande mudança na forma como a água é gerida.”

É uma avaliação preocupante, dado o calor extremo que este ano causou incêndios devastadores em Espanha, Grécia e EUA. As ondas de calor também elevaram o mercúrio a níveis recordes na Holanda e na França, com o Ministério da Saúde divulgando estatísticas este mês mostrando um aumento de 1.500 no número de mortes causadas por calor intenso em comparação com os anos anteriores.

Mais calor significará um aumento da demanda por água, com ameaças à segurança da água previstas como um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas.

O Instituto de Recursos Mundiais (WRI) divulgou um relatório em Julho, que dizia que um quarto da população do mundo enfrenta “stress hídrico extremo”. “Actualmente, estamos a enfrenta uma crise mundial da água”, disse Betsy Otto, directora do programa global de água do WRI.

As acções globais sobre as mudanças climáticas sofreram um revés significativo após a retirada dos EUA do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas de 2017. Agora, a activista climática juvenil Greta Thunberg está a pressionar os governos, levando a sua mensagem das ruas para as cimeiras internacionais.

O que permanece sem resposta, no entanto, é se as mudanças políticas adoptadas agora serão suficientes para deter ou reverter os danos já causados. Caso contrário, mais cidades enfrentarão o seu próprio Dia 0 num futuro não muito distante.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2677: Maior expedição científica de sempre ao Árctico parte hoje da Noruega

CIÊNCIA

M.Hoppmann / Alfred Wegener Institute
A expedição MOSAIC vai estudar o Árctico através do navio quebra-gelo RV Polarstern

A maior expedição científica de sempre ao Árctico parte hoje para estudar durante um ano os efeitos visíveis das alterações climáticas no Pólo Norte.

O quebra-gelo Polarstern, do instituto Alfred-Wegener, de Bremerhaven, na Alemanha, partirá do porto de Tromso, na Noruega, levando a bordo a equipa internacional que irá sendo rendida, envolvendo no total cerca de 600 investigadores.

Espera-os uma viagem de 2.500 quilómetros até um destino onde estarão 150 dias na penumbra do Árctico, debaixo de temperaturas que poderão cair até aos 45 graus negativos.

Os ursos polares, a atmosfera, o oceano, o gelo e todo o ecossistema serão objectos de estudo para os cientistas, que esperam recolher dados para avaliar como as alterações climáticas afectam a região e o mundo inteiro.

“Nenhuma outra parte da Terra aqueceu tão depressa nas últimas décadas como o Árctico”, salientou o chefe da missão, Markus Rex, notando que é lá que “praticamente se situa o epicentro do aquecimento global” e que é uma região ainda “muito pouco compreendida”.

É impossível “fazer previsões corretas em relação ao clima” sem dados fiáveis sobre o Árctico, assinalou, considerando que a situação é preocupante quando, como no início do ano, “no centro do Árctico fez tanto calor como na Alemanha”.

O “Polarstern” faz parte de uma frota com outros quatro quebra-gelo da Rússia, China e Suécia, apoiada por aviões e helicópteros para reabastecer e transportar as equipas em rotação.

O orçamento de 140 milhões de euros é partilhado por 60 instituições de 19 países.

ZAP // Lusa

Por Lusa
20 Setembro, 2019

 

2659: O Oceano Atlântico pode começar do outro lado do mundo

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

Uma questão chave para os cientistas do clima é sobre a possível desaceleração do sistema de circulação principal do Oceano Atlântico, o que poderia ter consequências dramáticas para a Europa e outras zonas.

Porém, um novo estudo sugere que a ajuda para este oceano pode vir de uma fonte inesperada: o Oceano Índico. O novo estudo, conduzido por Shineng Hu, da Scripps Institution of Oceanography da Universidade da Califórnia-San Diego, e Alexey Fedorov, da Yale University, publicado na revista Nature Climate Change, é o mais recente de uma crescente corpo de pesquisa que explora a forma como o aquecimento global pode alterar os componentes do clima global, como a circulação de retorno do Atlântico Sul (AMOC).

A AMOC é um dos maiores sistemas de circulação de água do planeta. De acordo com a Europa Press, funciona como uma escada rolante líquida: transporta água quente até ao Atlântico Norte através de uma corrente superior e envia água mais frio para o sul através de uma corrente mais profunda.

Ainda quem se tenha mantido estável durante milhares de anos, os dados dos últimos 15, assim como as projecções de modelos de computador, têm preocupado alguns cientistas porque tem mostrado sinais de desaceleração durante esse período. Desconhece-se, porém, se é o resultado do aquecimento ou apenas uma anomalia a curto prazo relacionada com a variabilidade natural do oceano.

“Ainda não há consenso”, admite Fedorov, “mas acredito que a questão da estabilidade do AMOC não deve ser ignorada. A mera possibilidade de colapso deve ser motivo de preocupação numa época em que a actividade humana está a forçar mudanças significativas nos sistemas da Terra”.

“Sabemos que a última vez que a AMOC enfraqueceu substancialmente foi há 15 mil a 17 mil anos e teve um impacto global”, acrescentou. “Estamos a falar de Invernos duros na Europa, com mais tempestades ou um Sahel mais seco na África devido à mudança descendente da faixa de chuva tropical, por exemplo”.

Grande parte do trabalho de Fedorov e Hu concentra-se em mecanismos e características climáticas específicas que podem estar a mudar devido ao aquecimento global. Usando uma combinação de dados de observação e modelos sofisticados de computador, rastreiam os efeitos que as alterações podem ter com o tempo.

Para o novo estudo, analisaram o aquecimento no Oceano Índico. “O Oceano Índico é uma das impressões digitais do aquecimento global”, disse Hu. “O aquecimento do Oceano Índico é considerado um dos aspectos mais fortes do aquecimento global”.

Os investigadores apontam que o seu modelo indica uma série de efeitos em cascata que se estendem do Oceano Índico ao Atlântico: à medida que o Oceano Índico aquece cada vez mais rápido, gera chuvas adicionais. Isto, por sua vez, atrai mais ar de outras partes do mundo, incluindo o Atlântico, para o Oceano Índico.

Com tantas chuvas no Oceano Índico, haverá menos chuvas no Oceano Atlântico. Menos chuvas levarão a uma maior salinidade nas águas da porção tropical do Atlântico, porque não haverá tanta água da chuva para diluí-la. A água salgada no Atlântico, ao chegar ao norte através do AMOC, arrefecerá muito mais rápido que o normal e afundará mais rápido.

“Isso funcionaria como um impulso para o AMOC, intensificando a circulação”, explica Fedorov. “Por outro lado, não sabemos por quanto tempo esse aquecimento melhorado do Oceano Índico continuará. Se o aquecimento de outros oceanos tropicais, especialmente o Pacífico, chegar ao oceano Índico, a vantagem do AMOC vai parar”.

Esta última descoberta ilustra a natureza intrincada e interconectada do clima global. À medida que os cientistas tentam entender os efeitos das mudanças climáticas, devem tentar identificar todas as variáveis ​​e mecanismos climáticos que podem desempenhar um papel.

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18 Setembro, 2019

 

2640: O pico mais alto da Suécia foi destronado por causa da sinistra remodelação das montanhas

CIÊNCIA

Tadeáš Gregor / Wikimedia

Os suecos tiveram um novo exemplo da alteração do clima do nosso planeta, com a notícia de que o ponto mais alto do país já não é o mesmo.

Em apenas 60 anos, o pico sul da montanha Kebnekaise, no extremo norte da Suécia, 150 quilómetros acima do Círculo Polar Árctico, perdeu 24 metros, e com eles o título de topo do país.

O pico norte roubou-lhe a designação de pico mais alto da Suécia, posicionando-se agora a 1,2 metros acima do irmão, nos seus 2096,8 metros. A principal diferença entre estes picos é o facto de este último ser de rocha, enquanto que o do sul é um glaciar fustigado pelo aquecimento global.

Esta alteração vai obrigar a alterar os compêndios de geografia suecos, segundo a equipa de investigadores responsável pela medição do Kebnekaise. “Isto é um marco, um sinal muito óbvio e muito claro para todos na Suécia de que as coisas estão a mudar” e que “é preciso fazer alguma coisa quanto a isso”, disse a geógrafa que liderou o projecto, Gunhild Ninis Rosqvist, da Universidade de Estocolmo, ao The Guardian.

A equipa assume uma margem de erro de apenas alguns centímetros. “Quase toda a redução deu-se nas duas últimas décadas, em que o glaciar perdeu uma média de um metro por ano“, explicou a cientista.

Rosqvist acredita que os picos norte e sul vão andar a disputar o primeiro lugar do pódio nos próximos anos, devido à neve e aos Invernos que se avizinham. Ainda assim, a prazo, o destino do pico sul está traçado e é “muito claro”.

As medições do pico foram realizadas no dia 3, concluído o degelo do verão, num ano em que a Suécia registou os meses de Maio e Julho mais quentes da sua história. A localidade de Markusvinsa, a norte do Circulo Polar Árctico, registou 34,8 ºC no dia 26 de Julho.

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14 Setembro, 2019

 

2638: Como salvar o planeta? Debate faz-se este fim de semana em Lisboa

CIÊNCIA

Face às crises climática e ambiental, urge encontrar soluções e pô-las em prática. As fundações Oceano Azul e Francisco Manuel dos Santos promovem o debate.

© Reuters

O ponto de partida é o planeta e a desordem que uma única espécie – a nossa – está a provocar no seu equilíbrio ambiental, climático e global. Em poucas décadas, que se contam pelos dedos de uma mão, as actividades humanas conduziram a Terra a um ponto que até recentemente era difícil imaginar, com problemas e crises que se acumulam em todas as frentes.

A biodiversidade terrestre está em queda abrupta, nos oceanos a sobre-pesca desertifica as águas e o lixo não degradável afoga os seres vivos, as alterações climáticas desorganizam os ecossistemas e causam fenómenos intensos e destrutivos, a exploração intensiva dos recursos naturais destrói habitats e equilíbrios ecológicos, a agricultura intensiva, com a utilização de herbicidas e pesticidas em excesso, envenena a água potável e, como se não bastasse, o desperdício alimentar a que nos damos ao luxo chega a atingir entre 25 e 30%, ou seja, um terço, dos alimentos produzidos. Mais parece um caminho traçado para o desastre. Mas como impedi-lo? E o que pode cada um de nós fazer?

É para equacionar estas questões e ensaiar respostas possíveis e concretas que a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Fundação Oceano Azul promovem neste fim de semana o encontro O Futuro do Planeta, que traz a Portugal alguns dos mais destacados nomes internacionais na área do ambiente, das alterações climáticas e da geopolítica, incluindo vários especialistas portugueses.

Durante dois dias – hoje (sábado) e amanhã (domingo), no Teatro Camões, no Parque das Nações, em Lisboa -, especialistas como o ecólogo e autor americano Carl Safina, a oceanógrafa e investigadora Sylvia Earle, o antigo secretário de Estado norte-americano John Kerry e cientistas portugueses ligados ao ambiente, oceanos, alterações climáticas, demografia ou consumo, como Viriato Soromenho-Marques, Filipe Duarte Santos, Luísa Schmidt, Iva Pires ou Noberto Serpa, vão debater os problemas que a humanidade e o planeta enfrentam no século XXI e propor caminhos para a sua resolução.

Mas o tempo urge e a janela de oportunidade é curta, acreditam hoje os especialistas. É o caso de Sylvia Earle, que estará no encontro de Lisboa, para quem tudo se jogará nos próximos dez anos, como afirmou em entrevista recente ao site de educação e ciência CoolAustralia. “Os próximos dez anos serão provavelmente os mais importantes dos próximos dez mil anos”, porque “há opções que vamos perder durante a próxima década, a menos que passemos já à acção”.

Em relação aos oceanos, para Sylvia Earle, um habitat tão natural como o terrestre, pois mergulhar é uma das suas actividades favoritas tanto em trabalho como nos tempos livres, é necessário travar a fundo em várias frentes: nas pescas e na sua utilização como caixote do lixo, mas também no que está a causar as alterações climáticas, porque elas estão a aquecer os mares. E, aí, descarbonizar a economia, reduzir drasticamente o consumo, mudar a produção dos alimentos e mudar a alimentação são os caminhos a trilhar, que estarão certamente em cima da mesa no encontro que hoje começa em Lisboa, e que pode tornar-se um marco na consciência para acção.

John Kerry, outra das figuras em destaque no encontro, deverá sublinhar igualmente em Lisboa a ideia que ainda há dias proferiu na Austrália, no âmbito da Global Table, uma conferência sobre agricultura e alimentação, de que as alterações climáticas são hoje uma emergência e que é preciso agir. Crítico da nova presidência do seu próprio país e de outros que adiam soluções para as alterações climáticas, John Kerry não poupou palavras na conferência na Austrália. “Não podemos permanecer sentados e deixar o processo político para os neandertais que não acreditam no futuro. Temos falta de liderança, mas isso vai mudar.”

Diário de Notícias
Filomena Naves
14 Setembro 2019 — 01:42

 

2580: Um enorme navio quebra-gelo vai ficar preso (de propósito) no oceano Árctico

CIÊNCIA

O navio quebra-gelo RV Polarstern vai sair da Noruega nas próximas semanas, com destino ao Árctico, para estudar nos próximos meses como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano.

Um dos navios mais indestrutíveis do mundo — RV Polarstern — vai partir da Noruega no próximo dia 20 de Setembro, em direcção ao Oceano Árctico, onde ficará preso nos próximos 13 meses (de forma propositada). O quebra-gelo tem um objectivo ambicioso: determinar como as alterações climáticas estão a remodelar este oceano, escreve o Live Science.

A expedição, chamada de Multidisciplinary drifting Observatory for the Study of Arctic Climate (MOSAIC) — algo como Observatório Multidisciplinar de Deriva para o Estudo do Clima do Árctico —, está a ser planeada há anos. Com um investimento de mais de 118 milhões de euros, vai exigir a participação de mais de 600 pessoas, entre cientistas e equipa técnica.

O líder da expedição, Markus Rex, do Instituto Alfred Wegener (que opera o Polarstern), afirma que o navio vai entrar provavelmente no gelo marinho flutuante em meados de Outubro e depois ficará à deriva no Árctico, cercado de gelo, até ao próximo verão, antes de voltar ao seu porto de origem em Bremerhaven, na Alemanha, no outono.

A MOSAIC vai investigar as fontes de energia ambiental envolvidas no derretimento e movimentação do gelo marinho; a formação e precipitação das nuvens do Árctico e os efeitos das transferências de calor e massa entre a atmosfera, o gelo e o oceano. Depois, as descobertas serão usadas para refinar os modelos computacionais do clima global.

Em diferentes fases da expedição, centenas de pessoas vão ser transportadas para este navio através de outros quatros quebra-gelo — a partir da Suécia, Rússia e China — e por aeronaves que vão pousar numa pista de gelo construída nas proximidades.

Ao contrário de outras expedições científicas, os cientistas vão estudar o ambiente do Árctico durante todo o seu ciclo anual de congelamento e descongelamento, desde o crescimento do gelo marinho no outono até à sua ruptura no verão seguinte.

Quando o gelo for espesso o suficiente (cerca de 1,5 quilómetros de espessura), vão ser instalados acampamentos e instrumentos científicos a até 50 quilómetros do navio. As medições serão feitas até quatro mil metros abaixo da superfície e a altitudes superiores a 35 mil metros.

A nova expedição recorda a viagem realizada, no final do século XIX, pelo Fram, navio de Fridtjof Nansen. O cientista norueguês e a sua equipa de 12 elementos deixaram Tromsø, a mesma cidade de onde vai partir agora o RV Polarstern, em Julho de 1893, e começaram a flutuar pelo gelo marinho em Outubro, perto das Ilhas da Nova Sibéria.

Depois de andar à deriva durante quase dois anos, Nansen ficou insatisfeito com o progresso do navio, tendo decidido deixá-lo, em Março de 1895, na tentativa de alcançar o Polo Norte sobre o gelo, juntamente com Hjalmar Johansen, um dos tripulantes.

Mas menos de um mês mais tarde, o frio intenso e o agravamento do clima obrigaram os dois exploradores a suspender a expedição e a passar o inverno polar na Terra de Francisco José, um arquipélago polar russo.

Nansen e Johansen acabariam por ser resgatados por outra expedição no Árctico, e o Fram permaneceu congelado até Agosto de 1896, antes de voltar com a restante equipa para a Noruega.

ZAP //

Por ZAP
5 Setembro, 2019

 

2556: “Muito mau”. Austrália baixa classificação do estado da Grande Barreira de Coral

CIÊNCIA

Keith Ellenbogen

A agência governamental australiana que gere a Grande Barreira de Coral baixou a classificação do estado dos corais de “mau” para “muito mau”, devido ao aquecimento global.

O relatório da Autoridade do Parque Marinho da Grande Barreira de Coral, que é actualizado a cada cinco anos, é a mais recente má notícia para os mais de 345 mil quilómetros quadrados de recife que se estendem ao longo da costa nordeste da Austrália, à medida que se agrava o impacto das alterações climáticas e do branqueamento de corais, provocado pelo aumento da temperatura da água.

O documento, divulgado esta sexta-feira, revela que a maior ameaça ao recife continua a ser a mudança climática. As outras ameaças estão associadas ao desenvolvimento costeiro, escoamento de águas de terrenos agrícolas e actividades humanas como a pesca ilegal. “Acções globais significativas para lidar com as alterações climáticas são cruciais para retardar a deterioração do ecossistema”, lê-se no relatório.

“Tais acções completarão e aumentarão muito a eficácia das iniciativas de gestão local nos recifes e na bacia hidrográfica”, frisam os relatores. Este é o terceiro relatório da agência e a deterioração continua desde o primeiro, em 2009.

A deterioração dos recifes reflecte-se essencialmente na expansão da área de corais mortos ou danificados pelo branqueamento.

O documento aponta também que as ameaças — que incluem a estrela do mar Coroa de Espinhos (Acanthaster planci) espécie predadora dos pólipos dos corais — são “múltiplos, cumulativos e crescentes”. “A acumulação de impactos, através do tempo e numa área crescente, está a afectar a capacidade de recuperação, com implicações nas comunidades e indústrias dependentes dos corais”, afirmou o presidente da autoridade, Ian Poiner.

Um estudo recente, publicado no passado mês de Abril na revista científica Nature, dava conta de uma uma descida histórica no surgimento de novos corais na Grande Barreira de Coral, apontando o aquecimento global como o principal culpado.

ZAP // Lusa

Por ZAP
31 Agosto, 2019

 

2546: ONU. Subida da água do mar pode provocar 280 milhões de deslocados

CIÊNCIA

(cv) Fox News

A subida do nível das águas do mar, em consequência do aquecimento global, pode fazer 280 milhões de deslocados, segundo um relatório preliminar científico que a ONU divulga em Setembro.

De acordo com o documento, com o aumento da frequência dos ciclones, muitas grandes cidades podem ser inundadas todos os anos a partir de 2050. Até ao fim do século, as previsões do relatório é que 30 a 99% do terreno permanentemente congelado (permafrost) deixe de o ser, libertando grandes quantidades de dióxido de carbono e de metano.

Ao mesmo tempo, os fenómenos resultantes do aquecimento global podem levar a um declínio constante da quantidade de peixe, um produto do qual muitas pessoas dependem para se alimentar.

O relatório preliminar da Organização das Nações Unidas (ONU), divulgado pela agência France Press, é da responsabilidade do Painel Intergovernamental sobre Alterações Climáticas (IPCC na sigla original), cuja versão final será divulgada em Setembro.

O relatório vai ser discutido pelos representes dos países membros do IPCC, que se reúnem no Mónaco a partir de 20 de Setembro, por alturas da cimeira mundial sobre o clima em Nova Iorque, marcada para 23 de Setembro pelo secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres.

O objectivo é alcançar compromissos mais fortes dos países para reduzir as suas emissões de dióxido de carbono, que caso se mantenham no ritmo actual farão subir as temperaturas de 2 a 3 graus Celsius até ao fim do século.

Especialistas temem que a China, Estados Unidos, União Europeia e Índia, os quatro principais emissores de gases com efeito de estufa, estejam a fazer promessas que não cumprem. Estas regiões do mundo vão também ser afectadas pela subida das águas do mar, alerta o relatório, especificando que não serão só afectadas as pequenas nações insulares ou as comunidades costeiras expostas.

Xangai, a cidade mais populosa da China, está localizada num delta, formado pela foz do rio Yangtze e pode começar a ser inundada regularmente se nada for feito para parar as alterações climáticas. E o país tem mais nove cidades em risco.

Essa subida do nível do mar coloca os Estados Unidos como um dos países mais vulneráveis, a aumentar em cinco vezes o risco de inundações, incluindo em Nova Iorque.

A União Europeia está menos vulnerável, mas os especialistas do IPCC alertam para inundações no delta do Reno. E para a Índia esperam que milhões de pessoas tenham de ser deslocadas.

A elevação do nível das águas do mar deve-se ao aumento das temperaturas que está a derreter as grandes massas de gelo nos pólos. Segundo o documento as calotes polares da Antárctica e da Gronelândia perderam mais de 400 mil milhões de toneladas de massa por ano na década antes de 2015. Os glaciares das montanhas também perderam 280 mil milhões de toneladas.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Agosto, 2019

 

2492: Os efeitos das alterações climáticas podem deixar as aranhas mais agressivas

CIÊNCIA

judygva / Flickr
A aranha Anelosimus studiosus

As alterações climáticas vão provocar muitos efeitos negativos no planeta e os cientistas acabaram de encontrar um novo: aranhas mal-humoradas.

O aquecimento global poderá não só aumentar a frequência e a intensidade de tempestades tropicais, bem como os chamados eventos climáticos “cisne negro”, assim baptizados por se tratarem de eventos imprevisíveis e de grande impacto.

E acontece que, quando falamos de aranhas, as mais agressivas serão aquelas que provavelmente vão sobreviver ao clima tempestuoso e que portanto transmitem os seus traços às novas gerações.

Segundo o Science Alert, um desses casos é o aracnídeo Anelosimus studiosus, que pode ser encontrado no continente americano, incluindo nas costas do Golfo e do Leste, destruídas por ciclones tropicais, entre maio e Novembro, vindos do Oceano Atlântico.

Geralmente, estas aranhas vivem em colónias em teias tridimensionais, mas nem todas partilham de forma pacífica o mesmo espaço. A espécie exibe dois fenótipos comportamentais: algumas são mais tolerantes e sossegadas, outras são mais agressivas. Podem viver lado a lado na mesma colónia, no entanto, quanto mais agressivas forem, mais agressiva é a colónia no geral. Problema: esta característica é hereditária.

Para determinar o efeito que as tempestades estão a ter nas aranhas, cientistas da Universidade McMaster, no Canadá, esperaram até conseguir prever um “landfall” — segundo o IPMA, quando o centro do furacão intersecta a linha de costa — e então amostraram colónias de aranhas naquele local. Depois, regressaram 48 horas após a passagem da tempestade, analisando novamente as colónias.

A equipa também registou o número de ovos em cada colónia e a taxa de sobrevivência das crias. No total, os investigadores escolheram três grandes ciclones ocorridos em 2018 e fizeram uma amostra de 240 colónias.

Inicialmente, a taxa de sobrevivência foi bastante alta (75,42%) mas a longo prazo, e no geral, o número de ovos diminuiu, assim como a taxa de sobrevivência das crias. Porém, isso não foi distribuído de forma uniforme entre colónias agressivas e tranquilas.

“Ao seguir os ciclones tropicais, observámos que colónias com respostas de forrageamento mais agressivas produziram mais ovos e tiveram mais crias a sobreviver até ao início do inverno, enquanto a tendência oposta emergiu em locais de controlo”, escreveram os investigadores no artigo publicado na revista Nature.

“Esta tendência é consistente em várias tempestades que variam no tamanho, na duração e na intensidade. Isto mostra que estes efeitos não são idiossincráticos, mas sim respostas evolutivas robustas que se sustentam em tempestades e em locais que ocupam uma extensão de cinco graus de latitude”.

A razão por que isto acontece ainda não é clara, mas uma diminuição dos recursos alimentares imediatamente depois da tempestade pode ser um factor. Além disso, as espécies de aranhas concorrentes também podem ser mais agressivas — exigindo que indivíduos mais agressivos protejam a colónia dos invasores.

Os investigadores também notam que as progenitoras podem estar demasiado ocupadas a tentar encontrar alimento e a proteger os seus recursos para poder investir tempo nos cuidados maternos, forçando as crias a desenvolver melhores habilidades de sobrevivência.

Por isso, sim, podemos estar a criar um “aranhapocalipse” sem darmos conta.

ZAP //

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22 Agosto, 2019

 

2487: A Amazónia está a arder como nunca

Os incêndios registados na Amazónia (72,843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Bolsonaro ironizou: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”

© AFP

A escuridão no céu de São Paulo tapou a alegria do sol na segunda-feira. Estava preto, sombrio, a alertar o povo de que algo estaria mal. E estava. Aquele fenómeno óptico, como lhe chama este artigo do jornal “O Globo”, é uma das consequências das queimadas na Amazónia, que resulta da combinação da fuligem e de uma frente fria. O dia foi noite. Ricardo Salles, o ministro do Ambiente brasileiro, num jeito de meter as coisas que já sugere tudo menos frescura, revelou que associar aquela escuridão com as tais queimadas trata-se de “fake news”. O climatologista Carlos Nobre, um dos maiores especialistas no tema Amazónia, confirmou o fenómeno.

Os incêndios registados na Amazónia (72.843) durante este ano são já um recorde, de acordo com o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE). Jair Bolsonaro, o Presidente brasileiro, revelou que se tratam de queimadas e foi irónico: “Antes chamavam-me capitão moto-serra. Agora estou sendo acusado de tocar fogo na Amazónia. Nero! É o Nero tocando fogo na Amazónia. É a época das queimadas por lá”.

Os fogos são comuns na época seca em alguns estados brasileiros, mas também há o consenso de que muitos serão responsabilidade de mão criminosa, nomeadamente de agricultores interessados na desflorestação para ganhar espaço para gado e agricultura.

© AFP

Os fogos de 2019 representam um aumento de 83% relativamente ao mesmo período de 2018, anuncia o INPE, que tem registos apenas desde 2013. “O pessoal está pedindo aí para eu colocar o exército para combater. Alguém sabe o tamanho da Amazónia?”, atirou ainda o Presidente, cujas políticas ambientais estão sob escrutínio mais do que nunca.

Na segunda-feira passada, dia 12, o Estado da Amazónia decretou estado de emergência devido ao surto de incêndios naquele território. Os incêndios na Amazónia criaram uma nuvem de fumo quase tão grande como outra provocada pelas chamas descontroladas na Sibéria, com uma dimensão equivalente aos países da União Europeia. Desde quinta-feira, diz o INPE, as imagens de satélite registaram cerca de 9500 novos incêndios no país, sendo que a maioria estão localizados na Amazónia. O INPE diz ainda, de acordo com este artigo do “The Sunday Morning Herald”, que uma grande parte dos fogos não podem ser atribuídos apenas à época seca e a fenómenos naturais. Os homens provocaram uma parte.

Em declarações ao jornal “Estadão”, o pesquisador Alberto Setzer explicou que o clima em 2019 está mais seco do que no ano passado, o que propicia incêndios, mas garante que grande parte deles não têm origem natural. “Nesta época do ano não há fogo natural. Todas essas queimadas são originadas em actividade humana, seja acidental ou propositada. A culpa não é do clima, ele só cria as condições, mas alguém coloca o fogo”, afirmou Setzer.

© AFP

A expectativa do especialista é que a situação piore ainda mais nas próximas semanas com a intensificação da seca. O INPE, órgão do Governo brasileiro que levanta os dados sobre a desflorestação e queimadas no país, foi alvo de críticas recentes por parte do Presidente Jair Bolsonaro, que acusou o Instituto de estar a serviço de algumas organizações não-governamentais por divulgar dados que apontam para o aumento da desflorestação da Amazónia.

E foi mais longe: despediu o director da agência. “Não acredito que o Presidente Jair Bolsonaro duvide dos dados produzidos pelo INPE, como diz”, disse à BBC Brasil Douglas Morton, director do Laboratório de Ciências Biosféricas no Centro de Voos Espaciais da NASA. E acrescentou: “Na verdade, para ele, são inconvenientes. Os dados são inquestionáveis. “O INPE sempre actuou de forma extremamente técnica e cuidadosa. A demissão de Ricardo Galvão é significativamente alarmante”.

Bolsonaro deu troco: “Estou à espera dos próximos números, que não serão inventados. Se eles forem alarmantes, darei conta disso a vocês”, disse o Presidente, que no passado recente havia prometido desenvolver aquela região. Perante a atitude e plano do governante para aquele território, a Noruega e a Alemanha cortaram os fundos que combatiam a desflorestação da Amazónia.

As recentes divulgações do INPE apontam que a desflorestação da Amazónia cresceu 88% em Junho e 278% em Julho, comparativamente com o mesmo período do ano passado. No entanto, o Governo brasileiro nega esses dados.

A Amazónia é a maior floresta tropical do mundo e possui a maior biodiversidade registada numa área do planeta. Tem cerca de cinco milhões e meio de quilómetros quadrados e inclui territórios do Brasil, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Bolívia, Guiana, Suriname e Guiana Francesa (território pertencente à França).

msn notícias
Expresso, Lusa
21/08/2019

 

2470: A Islândia fez o funeral ao primeiro glaciar assassinado pelas alterações climáticas

Onde antes havia um glaciar, há a partir de agora um memorial. Numa chamada de atenção ao aquecimento global e ao degelo, a Islândia quis assinalar a perda de Okjokull, também conhecido como _Ok_, um glaciar de 700 anos, extinto em 2014.

Okjökull, que significa “Glaciar Ok” em islandês, tornou-se a primeira grande massa de gelo da Islândia a perder oficialmente seu estatuto de glaciar, em 2014.

Em 1980, o Okjokull cobria 16 km2 de superfície. Em 2012, a extensão coberta tinha passado para apenas 0,7 km2, de acordo com um relatório da Universidade da Islândia, publicado em 2017. Em 2014, as autoridades tomaram finalmente a decisão de desclassificar o Okjokull.

Na placa comemorativa agora descerrada, a menção “415 ppm CO2” é uma referência ao nível recorde de concentração de dióxido de carbono registado na atmosfera, em maio do ano passado, em que valor de CO2 na atmosfera atingiu as 415 partes por milhão.

_Ok_ foi o primeiro a perder o estatuto de glaciar, devido à extensa área de gelo que perdeu. Agora, como monumento, lembra que nos próximos 200 anos, o mesmo acontecerá a outros — um fenómeno que pode ser dramático para o mundo e em particular para a Islândia, cujo território é composto por cerca de 12 mil km2 de glaciares.

O desaparecimento de Okjökull está a ser tratado pelas autoridades islandesas e por activistas do clima como um alerta para os efeitos do aquecimento global.

“O Ok é o primeiro glaciar da Islândia a perder seu estatuto. Nos próximos 200 anos todos os nossos principais glaciares deverão seguir o mesmo caminho“, lê-se na placa.

“Este monumento é para confirmar que sabemos o que está a acontecer e o que é preciso fazer. Só vocês sabem nós o fizemos“, diz a mensagem gravada na placa de bronze, destinada às próximas gerações.

@RiceUNews

Memorial honoring lost glacier to be installed in Iceland Aug. 18. Media invited to attend, more details here: http://news.rice.edu/2019/08/05/memorial-honoring-lost-glacier-to-be-installed-in-iceland-aug-18/#.XUhfDtSzcSc.twitter 

A dedicatória, intitulada “Uma carta para o futuro“, é da autoria do escritor islandês Andri Snaer Magnason. O projecto foi lançado por investigadores locais e da Universidade Rice, nos Estados Unidos.

Os convidados da cerimónia deste domingo incluíram a primeira-ministra da Islândia, Katrín Jakobsdóttir e a irlandesa Mary Robinson, ex-alta comissária da ONU para os Direitos Humanos.

“Este será o primeiro monumento em homenagem a um glaciar perdido para as alterações climáticas em todo o mundo”, afirmou em Julho Cymene Howe, professora da Universidade Rice, na altura da apresentação da iniciativa.

“Assinalando a morte do Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a extinção dos glaciares da Terra”, salientou a investigadora. “Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

@NASAEarth

On August 18, 2019, scientists will be among those who gather for a memorial atop Ok volcano in west-central #Iceland. The deceased being remembered is Okjökull—a once-iconic #glacier that was declared dead in 2014. https://earthobservatory.nasa.gov/images/145439/okjokull-remembered  #NASA #Landsat

Segundo os investigadores envolvidos no projecto, o debate sobre o aquecimento global “pode ser bastante abstracto, com muitas estatísticas terríveis e modelos científicos sofisticados que podem parecer incompreensíveis” — e um monumento a um glaciar desaparecido pode ser a melhor forma de percebermos o que está a acontecer ao planeta.

ZAP // Deutsche Welle / Euronews

Por ZAP
19 Agosto, 2019