2451: Poluição pode ser tão grave para pulmões como um maço de tabaco por dia

CIÊNCIA

(CC0/PD) Foto-Rabe / pixabay

A poluição atmosférica, especialmente pelo ozono, que está a aumentar devido às alterações climáticas, pode acelerar doenças pulmonares tanto quanto fumar um maço de cigarros por dia, indica um estudo esta quarta-feira divulgado.

O novo estudo, feito pelas universidades norte americanas de Washington, Colúmbia e Buffalo, foi publicado na revista científica da Associação Médica Americana (JAMA-The Journal of the American Medical Association), num artigo que adverte que a poluição do ar acelera a progressão do enfisema pulmonar.

Ainda que estudos anteriores tenham mostrado uma ligação clara entre os poluentes no ar e algumas doenças pulmonares e cardíacas, o novo estudo demonstra a associação entre uma exposição prolongada aos principais poluentes atmosféricos, especialmente o ozono, e o aumento do enfisema. O enfisema pulmonar é a destruição do tecido pulmonar, que causa tosse e falta de ar e leva à redução do oxigénio no sangue, o que dificulta a respiração e aumenta o risco de morte.

“Ficámos surpreendidos ao ver nos exames aos pulmões como foi forte o impacto da poluição atmosférica na progressão do enfisema, ao mesmo nível dos efeitos do tabagismo, o qual é de longe a causa mais conhecida de enfisema”, disse um dos principais autores do estudo, Joel Kaufman, professor de Ciências Ambientais e Saúde Ocupacional da Universidade de Washington.

A investigação concluiu que se o nível do ozono no ambiente aumentar muito em relação ao que se passava há uma década tal tem efeitos no enfisema idênticos a fumar um maço de cigarros por dia. Os resultados do estudo são baseados numa extensa investigação, de 18 anos, envolvendo mais de 7.000 pessoas e um exame detalhado da poluição do ar entre 2000 e 2018 em seis regiões metropolitanas dos Estados Unidos.

A subida das temperaturas devido às alterações climáticas leva também ao aumento do ozono ao nível do solo, um problema cuja solução é reduzir as emissões poluentes.

ZAP // Lusa

Por Lusa
15 Agosto, 2019

 

2438: No Canadá, o “turismo de icebergues” cresce alimentado pelas alterações climáticas

Jason Ardell / Flickr

A abundância de icebergues que deslizam do Pólo Norte para o Sul gerou uma nova atracção turística estreitamente vinculada à aceleração do aquecimento global.

Na hora do crepúsculo, um icebergue desaparece no mar, terminando a sua jornada da Gronelândia até Terra Nova, uma ilha do Canadá que tem vista privilegiada para assistir ao derretimento destes grandes blocos de gelo – para o fascínio dos visitantes que procuram a região nesta época do ano.

Outrora epicentro da pesca de bacalhau, a província de Terra Nova e Labrador recebe agora nas suas tranquilas aldeias costeiras hordas de fotógrafos amadores que vieram imortalizar os pedaços gigantes de gelo, cada vez em maior número, que desaguam no leste do Canadá no fim do inverno.

“Melhora de um ano para o outro. Cerca de 140 autocarros turísticos chegam à povoação a cada temporada, é bom para a economia“, disse Barry Strickland, ex-pescador de 58 anos que se tornou guia turístico em King’s Point, no norte de Terra Nova, à AFP. Há quatro anos, organiza excursões relacionadas com estes gigantes de gelo milenares que podem atingir dezenas de metros de altura e pesar centenas de milhares de toneladas.

À mercê dos ventos e das correntes, as calotas polares realizam uma viagem de milhares de quilómetros para o sul, aproximando-se da costa canadiana. Em poucas semanas, a sua água doce voltará para o oceano, depois de se ter mantido congelada.

As expedições na pequena embarcação de Barry com frequência enchem durante a “temporada alta de icebergues”, entre maio e Julho, e atraem para esta aldeia de 600 habitantes visitantes de todo o mundo. O menor movimento dos colossais blocos de gelo pode ser rastreado através de um mapa de satélite interactivo disponibilizado na Internet pelo governo da província.

“Não há muito o que fazer para os habitantes destas pequenas e isoladas cidades portuárias, de modo que o turismo é uma grande parte de nossa economia“, explica Devon Chaulk, empregado de uma loja de souvenirs em Elliston, uma aldeia de 300 habitantes situada na trajectória do “corredor de icebergues”.

“Vivi aqui toda a minha vida e o aumento do turismo nos últimos 10, 15 anos foi incrível”, conta entusiasmado Chaulk, de 28 anos.

No ano passado, mais de 500 mil turistas visitaram a província de Terra Nova, a mesma quantidade de residentes, e contribuíram para a economia local com cerca de 570 milhões de dólares canadianos (385 milhões de euros), segundo estimativas do governo local. O turismo suplantou parcialmente os rendimentos cada vez mais baixos da indústria da pesca, em crise devido à exploração excessiva do oceano no fim do século passado.

Mas, por trás dos icebergues, esconde-se uma realidade obscura: a aceleração do aquecimento global no Pólo Norte, que favorece o aparecimento de icebergues mas também faz com que a temporada seja cada vez mais imprevisível, o que prejudica as actividades que tiram benefício do fenómeno.

O Árctico aquece três vezes mais rápido do que o resto do mundo. Em Junho, a Gronelândia experimentou um derretimento de geleiras inédito para esta época do ano e temperaturas recorde foram registadas perto do Polo Norte em meados de Julho. Com os anos, os icebergues entram cada vez mais a sul, criando um risco para a navegação comercial nesta rota marítima que une a Europa com a América do Norte.

ZAP //

Por ZAP
12 Agosto, 2019

 

2424: ONU quer mudanças na dieta para travar alterações climáticas

CIÊNCIA

Will Oliver / EPA

O aquecimento global só poderá ser travado com mudanças no uso dos solos e no consumo alimentar, advertiram esta quinta-feira as Nações Unidas num relatório que servirá de base a futuras negociações sobre alterações climáticas.

Os cientistas responsáveis pelo relatório asseguram que comer menos carne e mais comida à base de plantas ajuda a combater as alterações climáticas, mas sublinham que o objectivo não é dizer aos consumidores o que devem comer, mas fazer recomendações para os líderes políticos.

O documento, aprovado ao final de cinco dias de reuniões científicas na 50.ª sessão do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, em Genebra, sustenta que uma “melhor gestão dos solos pode contribuir para travar as alterações climáticas”.

Pela primeira vez, os especialistas estabelecem uma relação directa entre as alterações climáticas e a degradação global dos solos – zonas mais áridas, perda de biodiversidade e desertificação – e alertam para um aumento das secas em regiões como o Mediterrâneo ou o sul de África devido ao aquecimento global.

Em outras zonas, como as florestas, os efeitos das mudanças climáticas podem incluir um maior risco de incêndios ou de pragas.

Segundo o estudo, um quarto das 70% de terras usadas para actividades humanas estão degradadas, com a expansão da agricultura e da silvicultura a contribuir para o aumento das emissões de C02, para a perda de ecossistemas e para a redução da biodiversidade. Insiste também na ameaça colocada pela desertificação e a necessidade de lutar contra este fenómeno.

O relatório, o segundo dos três pedidos ao IPCC após a assinatura do Acordo de Paris, que, em 2016, estabeleceu como meta manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, servirá de base às futuras negociações dos estados signatários e deverá influenciar as discussões na cimeira anual sobre o clima, agendada para Dezembro em Santiago do Chile.

Os especialistas concluíram que o aquecimento das superfícies emergentes está a aumentar a uma maior velocidade do que o aquecimento global, tendo progredido 1,53ºC e o documento prevê “riscos importantes” de falta de água nas zonas áridas, incêndios e instabilidade alimentar com um aquecimento global de 1,5ºC, passando a “muito importantes” se o aquecimento for de 2°C.

O texto contém recomendações para que os governos promovam políticas de mudança do uso florestal e agrícola dos solos, tendo em conta que as florestas absorvem cerca de um terço das emissões de dióxido de carbono (CO2).

Recomenda também a implementação de políticas que “reduzam o desperdício de comida e promovam a opção por determinados regimes alimentares” numa alusão a dietas menos carnívoras e que reduzam a população obesa ou com excesso de peso, estimada em mais de 2 mil milhões de pessoas.

De acordo com o estudo, entre 35 e 30% da comida produzida no planeta é desperdiçada, enquanto se estima que 820 milhões de pessoas passem fome em todo o mundo. Combater este problema poderá reduzir a pressão de desflorestação com o objectivo de aumentar os solos agrícolas, considera o estudo, que aponta igualmente que a agricultura, silvicultura e criação de gado representam 23% do total de emissões de C02.

É proposto, por isso, retomar as práticas agrícolas, silvícolas e de produção de gado das populações indígenas, uma vez que, segundo o documento, a “sua experiência pode contribuir para os desafios que representam as alterações climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e o combate à desertificação”.

Nesse sentido, o painel de especialistas apela para “acções de curto prazo” contra a degradação dos solos, o desperdício alimentar e as emissões de gases com efeitos de estufa no sector agrícola.

ZAP // Lusa

Por Lusa
8 Agosto, 2019

 

2414: Renas estão a morrer à fome na Noruega. A culpa é das alterações climáticas

(dr) Elin Vinje Jenssen / Norsk Polarinstitutt

Investigadores descobriram que as mais de 200 renas encontradas mortas no arquipélago Svalbard, na Noruega, morreram à fome por causa das consequências das alterações climáticas.

Todos os anos, ecologistas do Instituto Polar Norueguês (NPI) fazem uma pesquisa sobre a população de renas em Svalbard, um arquipélago na Noruega composto por glaciares e tundra congelada (um bioma no qual a baixa temperatura e estações de crescimento curtas impedem o desenvolvimento de árvores).

Depois de dez semanas de investigação, os cientistas concluíram não só que a população de renas está a diminuir, mas também que os animais estão a perder peso. De acordo com o canal estatal NRK, citado pelo Live Science, as centenas de carcaças encontradas mostram que as renas estão a passar fome. “É assustador encontrar tantos animais mortos”, afirmou Åshild Ønvik Pedersen, um membro do NPI, à televisão.

As alterações climáticas estão a levar as temperaturas mais quentes para Svalbard, o que se traduz em maior precipitação. Segundo os investigadores do NPI, as fortes chuvas, ocorridas em Dezembro do ano passado, foram responsáveis pelo número excepcionalmente alto de mortes.

Depois de ter atingido o solo, a precipitação congelou, criando “cápsulas de gelo” na tundra, uma espessa camada que impedia as renas de alcançar a vegetação nos seus pastos de inverno habituais. Isto forçou os animais a cavarem poços na neve da orla costeira para encontrar algas, que são menos nutritivas do que a sua dieta habitual.

Os cientistas também observaram renas a pastar nas falésias, algo que estes animais raramente fazem durante o inverno, quando a comida é mais abundante. As regiões montanhosas e rochosas de Svalbard não têm muita vida vegetal, sendo esta “estratégia de cabras da montanha” arriscada para as renas, porque as falésias são muito íngremes.

Sem conseguir chegar às pastagens, as renas também se deslocam até mais longe para encontrar comida. E, quando há pouco para comer, os animais mais jovens e mais velhos são geralmente os primeiros a morrer, disse Pedersen à NRK.

Em 2016, um estudo da Sociedade Ecológica Britânica feito na Noruega também concluiu que as renas estão a encolher e o seu peso diminuiu 12% em 16 anos por causa do aumento das temperaturas.

ZAP //

Por ZAP
7 Agosto, 2019

 

2405: O gelo das zonas mais altas da Gronelândia está a derreter

(CC0/PD) Barni1 / Pixabay

Todos anos, há gelo que derrete no verão. No entanto, a Gronelândia está a registar um dos maiores eventos de fusão de sempre.

Este ano, o fenómeno começou mais cedo, e a onda de calor que esta semana assolou a ilha está a afectar toda a superfície, incluindo a situada a maiores altitudes, nota o Público.

Há uma onda de calor sempre que as temperaturas ficam cinco graus acima do esperado durante, pelo menos, três dias e, segundo o professor da Universidade Nova de Lisboa Francisco Ferreira, isso não é invulgar. Mas esta “é mais intensa e mais extensa” do que é comum.

Depois de França, Alemanha ou Noruega, há agora estragos na Gronelândia, que faz parte do Reino da Dinamarca e é detentora da segunda maior reserva de gelo do mundo. O investigador sublinha que este é um dos dois grandes eventos de degelo da última década e o que está a acontecer agora pode ser ainda maior do que aconteceu em Julho de 2012, quando 98% da camada de gelo da ilha sofreu um derretimento à superfície.

No entanto, o mais capta a atenção dos cientistas é a extensão do fenómeno: as temperaturas estão acima do esperado desde Abril, antecipando a época anual de degelo.  Entre 11 e 20 de Junho, houve um nível excepcional de fusão. Só nestes dias, o manto de gelo perdeu o equivalente a 80 biliões de toneladas.

Actualmente, a onda está a afectar até os pontos mais altos da ilha. Na Summit Camp, localizada sensivelmente a meio do manto de gelo, 3.216 metros acima do nível do mar, durante oito horas de terça-feira a temperatura atingiu zero graus Celsius.

No espaço de sete anos, aconteceram dois episódios muito significativos que estão a preocupar os cientistas. “Não é o ponto de ruptura, mas estamos perto“, afirmou o cientista ao jornal.

O que acontece na Gronelândia não afecta apenas a região autónoma da Dinamarca, como também o planeta inteiro, sobretudo as regiões costeiras e países insulares como o Kiribati, uma vez que o excesso de água doce escorre para mar.

Em 2012, a água produzida pela fusão de gelo acrescentou mais de um milímetro ao nível do mar. Este ano, já está a taco-a-taco, remata o Público.

ZAP //

Por ZAP
4 Agosto, 2019

 

2380: Calor intenso atinge países nórdicos. Especialistas preocupados com a Gronelândia

Mark Garten / UN Photo
Icebergs em Ilulissat Icefjord, Gronelândia

Cidades suecas estão a registar temperaturas elevadas históricas. Especialistas estão preocupados com passagem do calor para a Gronelândia.

Os países nórdicos registam temperaturas muito elevadas, numa altura em que o calor intenso que tem atingido a Europa se desloca para norte, dando origem em algumas zonas a “noites tropicais”, anunciou este sábado o Instituto Meteorológico sueco.

Na Suécia, o calor extremo tem-se feito sentir mesmo no norte do país. A pequena cidade de Markusvinsa (norte) foi atingida por um recorde de 34,8 graus Celsius, a temperatura mais elevada verificada este ano na Suécia.

“Trata-se da temperatura mais alta no norte desde 1945 e a terceira mais elevada que registámos”, declarou à AFP o meteorologista Jon Jorpeland.

No início da semana, houve, em vários locais da Suécia, “noites tropicais”, em que a temperatura nocturna não fica abaixo de 20°C. Segundo Jon Jorpeland, as temperaturas não foram extremas no sul da Suécia, onde durante alguns dias por ano atingem os 30 graus, apesar de agora estarem acima da média.

Mas, as autoridades advertiram para o risco de escassez de água em Agosto em várias regiões.

A vaga de calor também se fez sentir na Noruega, onde os serviços de meteorologia registaram “noites tropicais” em 20 locais diferentes do sul do país. Foram emitidos alertas de calor na Suécia, Noruega e Finlândia.

A Organização Meteorológica Mundial (OMM) prevê que os fluxos atmosféricos transportem o calor da Europa para a Gronelândia, “o que terá por efeito um aumento da temperatura e um derretimento acelerado” dos glaciares.

ZAP // Lusa

Por Lusa
28 Julho, 2019

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2377: Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

© TVI24 Alterações climáticas: podemos ter apenas 18 meses para salvar a Terra

Até há pouco tempo, a comunidade científica e os líderes mundiais falavam em décadas para agir sobre o clima. Mais recentemente, o prazo passou para os dez anos, mas parece que serão as decisões tomadas nos próximos 18 meses as mais cruciais para travar as alterações climáticas.

O mais recente aviso sobre o tópico surgiu na Reunião dos Ministérios Estrangeiros do Commonwealth, que teve lugar em Londres no dia 10 de Julho, num discurso do príncipe Carlos.

Acredito que os próximos 18 meses vão decidir a nossa capacidade de manter as alterações climáticas em níveis suportáveis para a existência e nos quais consigamos restaurar o equilíbrio que precisamos para a nossa sobrevivência”.

O monarca falava sobre os eventos com os vários líderes internacionais, que vão ter lugar nos próximos meses, até 2020.

No ano passado, o Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC) concluiu que, para limitar o aquecimento global em 1,5 graus (o limite considerado seguro pelos cientistas) até ao final do século, as emissões de CO2 terão de ser cortadas em pelo menos 45% até 2030. Um indicador preocupante, uma vez que as tendências actuais apontam para um aquecimento de 3 graus ou mais até 2100.

Para atingir este objectivo ambicioso, de acordo com a BBC, os cientistas apontam que os grandes cortes nas emissões de gases poluentes têm de acontecer até ao final do próximo ano. Esta é também a data limite do Acordo de Paris, que visa a aplicação de medidas para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa até 2020.

A matemática do clima é brutalmente clara: apesar de o mundo não poder ser curado nos próximos anos, pode ficar fatalmente ferido por negligência até ao final do próximo ano”, afirmou Hans Joachim Schellnhuber, fundador do Instituto Climático de Potsdam.

 

Estas são as datas a que deve prestar atenção

Os próximos 18 meses serão decisivos na agenda do clima em todos os países que fazem parte do Acordo de Paris.

O próximo encontro internacional sobre o tópico será num encontro especial do clima, marcado por António Guterres para o dia 23 de Setembro, para reafirmar a aplicabilidade dos compromissos assumidos no COP24.

Após esta reunião, os líderes mundiais tornam a encontrar-se em Santiago, no Chile, para o COP25.

O momento-chave das negociações do Acordo de Paris vai realizar-se no final de 2020, no Reino Unido, com o COP26.

Precisamos do COP26 para assegurar que os países têm intenções sérias quanto às suas obrigações, e isso significa que teremos de dar o exemplo. Juntos, temos de tomar todos os passos necessários para restringir o aquecimento global aos 1,5 graus”, disse o Secretário para o Ambiente britânico, Michael Gove, cujo governo enfrenta um desafio acrescido por causa da possibilidade do Brexit.

msn meteorologia
Susana Laires
26/07/2019

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2375: O aspecto de uma das mais famosas montanhas da Europa está a mudar (e já se sabe quem é o culpado)

CIÊNCIA

Mrexentric / pixabay

Uma das montanhas mais pitorescas da Europa está a desmoronar-se pouco a pouco devido às alterações climáticas, alertam os especialistas.

De acordo com um artigo publicado na revista Arctic, Antarctic and Alpine Research, o derretimento o permafrost na montanha Matterhorn, de 4.480 metros de altura, e a remoção das suas geleiras estão a causar a desintegração da montanha.

A equipa do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça, instalou 50 sensores de movimento a 3.692 metros de altura em Junho para actualizar as previsões de possíveis deslizamentos de terra nesta montanha característica em forma de pirâmide que se localiza na fronteira da Suíça com a Itália.

Os investigadores compararam o derretimento de Matterhorn com um gelado de stracciatella recheado com pedaços finos de chocolate. Quando os pedaços amolecem, o gelado perde a firmeza.

“Quando as montanhas altas descongelam no verão, a rigidez diminui e os sedimentos do solo ficam instáveis ​​como consequência da água”, disse um dos cientistas, Jan Beutel, ao jornal The Daily Mail.

As fendas crescem e movem-se. Muitas continuam a mover-se na mesma direção todos os anos e, em algum momento, uma pequena escala da superfície acaba por se partir”, disse.

Embora o Matterhorn não entre em colapso, a remoção da neve e do seu manto de gelo terá consequências na aparência da montanha. “A natureza está a mudar, são mudanças subtis, mas coisas importantes estão a acontecer”, disse. O cientista lembrou que as montanhas mais altas são as primeiras a perceber as consequências da mudança climática.

O especialista sublinhou ainda que o alpinismo está a ser afectado negativamente pelo aquecimento global, criando condições instáveis ​​para subidas e aumentando o risco de deslizamentos de terra.

ZAP //

Por ZAP
27 Julho, 2019

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2368: Primeiro glaciar “assassinado” pelas alterações climáticas ganhou um memorial na Islândia

Rice University

Okjökull é um dos 400 antigos glaciares que coroam as montanhas da Islândia – pelo menos até o aquecimento global o ter encolhido tanto que perdeu oficialmente o status de glaciar em 2014.

Ok – como é chamado – foi a primeira vítima da mudança climática na Islândia, mas provavelmente não será a última. As geleiras da Islândia estão a perder cerca de dez mil milhões de toneladas de gelo por ano e todas as 400 seguirão os passos de Ok até 2200.

Agora, para lembrar a perda de Ok e as centenas de outras geleiras islandesas que podem partilhar o mesmo destino, investigadores locais e dos EUA criaram uma placa comemorativa para marcar para sempre o local onde Ok se ergueu sobre a paisagem.

A placa, que será oficialmente dedicada numa cerimónia em 18 de Agosto no local do antigo glaciar, é endereçada simplesmente ao “futuro” e envia uma mensagem assustadoramente simples, escreve o Live Science.

Rice University

“Ok é o primeiro glaciar islandês a perder o seu status de glaciar”, diz a placa. “Nos próximos 200 anos, todos os nossos glaciares deverão seguir o mesmo caminho. Este monumento reconhece que sabemos o que está a acontecer e o que precisa de ser feito”.

O texto conclui com “415ppm C02“, a proporção actual de gases de efeito estufa na atmosfera da Terra – e provavelmente a maior quantidade que o nosso planeta já viu desde antes dos humanos evoluírem.

“Este será o primeiro monumento a um glaciar perdido devido à mudança climática em qualquer parte do mundo”, disse Cymene Howe, antropólogo da Universidade Rice, em Houston, e co-criador de um documentário de 2018 sobre Ok, em comunicado. “Marcando a morte de Ok, esperamos chamar a atenção para o que está a ser perdido com a expiração dos glaciares da Terra. Estes corpos de gelo são as maiores reservas de água doce do planeta e congelados dentro deles estão histórias da atmosfera.”

“Um dos nossos colegas islandeses disse muito sabiamente: ‘Memoriais não são para os mortos, são para os vivos ”, disse Howe. “Com este memorial, queremos ressaltar que nos cabe a nós, os vivos, responder colectivamente à rápida perda de glaciares e aos impactos contínuos das mudanças climáticas. Para Ok, já é tarde demais, é agora o que os cientistas chamam de “gelo morto”.

Howe e os seus colegas investigadores instalarão a placa como parte de uma “tour não glacial”, que partirá de Reykjavik e levará os participantes a uma caminhada gratuita para o antigo local de Ok.

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Por ZAP
24 Julho, 2019

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2364: Elefantes são os nossos aliados na luta contra as alterações climáticas

CIÊNCIA

Gary M. Stolz / Wikimedia

Os elefantes-da-floresta desempenham um papel importantíssimo na luta contra as alterações climáticas, nomeadamente no armazenamento de carbono. No entanto, a espécie está em vias de extinção.

Isto de acordo com um novo estudo publicado esta segunda-feira na revista científica Nature Geoscience, que associa a alimentação dos elefantes com o aumento da quantidade de carbono que as florestas conseguem armazenar.

A má notícia é esta espécie de elefantes — parentes menores e mais vulneráveis do elefante africano — estão a extinguir-se rapidamente. A boa notícia é que, se protegermos e conservarmos estes elefantes, lutaremos simultaneamente contra as alterações climáticas.

Os elefantes são inteligentes, conscientes e altamente sociais, mas a sua característica mais notável é o tamanho. Evolutivamente, os elefantes apostaram em tornar-se grandes o suficiente para deter predadores como leões e tigres.

Em troca, eles tornaram-se escravos do seu próprio apetite. Os elefantes precisam de quantidades enormes de alimento todos os dias, algo como 5-10% da sua massa corporal. Uma típica fêmea de três toneladas poderia ingerir 200 quilogramas de alimento num só dia. A sua família pode precisar de consumir mais do que uma tonelada de comida por dia.

Não é fácil encontrar tanta comida, especialmente nas florestas tropicais, onde as plantas têm altas concentrações de defesas químicas para evitar serem comidas. Os elefantes passam a maior parte da vida a comer e a procurar comida. Os elefantes da floresta africana gostam particularmente de árvores jovens, que investem menos em defesas químicas e têm menor densidade de madeira.

Como os elefantes afectam as reservas de carbono

A principal novidade deste estudo é que eles incluem, pela primeira vez, o efeito de distúrbios de alimentação de elefantes num modelo computacional que simula processos demográficos em ecossistemas florestais.

Os investigadores descobriram que o “distúrbio do elefante” — os elefantes alimentam-se partindo galhos, puxando lianas, arrancando plantas inteiras e folhas — faz com que as florestas fiquem com mais árvores maiores. O facto de preferirem árvores pequenas a árvores grandes faz com que, em última análise, leve a um aumento de longo prazo na biomassa total.

Com árvores maiores e com mais madeira, a floresta consegue armazenar mais carbono. Os autores do estudo estimam que o desaparecimento dos elefantes-da-floresta resulte numa perda de até 7% do stock de carbono nas florestas da África Central.

A situação dos elefantes-da-floresta é particularmente dramática. Se no passado chegaram a ser milhões, a sua população agora é inferior a 10% do seu potencial tamanho e, na década de 2002 a 2011, até 62% dos elefantes da floresta podem ter sido mortos. Este declínio é principalmente explicado pela caça furtiva e pela crescente invasão humana dos seus habitats.

Os investigadores mostram que os elefantes-da-floresta produzem serviços para o ecossistema dos quais todos nós beneficiamos. Se todos somos beneficiários da conservação destes elefantes, então também deveríamos ser responsáveis para fazê-lo.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
23 Julho, 2019

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2356: Os recifes de coral estão a morrer (e a culpa também é nossa)

CIÊNCIA

usfwspacific / Flickr

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Os recifes de coral, um dos ecossistemas mais ameaçados do planeta, estão a morrer. As alterações climáticas são apontadas como o principal factor mortal, mas o aumento da temperatura dos oceanos conta apenas uma parte da história.

Trinta anos de pesquisa na Área de Preservação do Santuário de Looe Key (LKSPA), no extremo sul de Florida Keys, teve como resultado uma descoberta surpreendente: a poluição humana directa é uma ameaça devastadora para os corais e rivaliza com as alterações climáticas.

Durante vários anos, o escoamento agrícola e os esgotos indevidamente tratados fluíram para as águas oceânicas da Florida desde o norte de Everglades, elevando os níveis de nitrogénio e diminuindo o limiar de temperatura do recife para o branqueamento. Como consequência, a cobertura de corais na região reduziu de quase 33%, em 1984, para menos de 6%, em 2008.

Na sua análise, os cientistas descobriram que o branqueamento em massa ocorreu após fortes chuvas e como consequência de escoamentos terrestres. Por outras palavras, a quantidade de poluição local que entra nos oceanos representa o pior dos danos.

“Citando a mudança climática como a causa exclusiva do fim dos recifes de coral em todo o mundo, falta o ponto crítico de que a qualidade da água também desempenha um papel importante”, explica o ecologista James Porter, da Universidade da Geórgia, nos Estados Unidos.

“Apesar de haver muito pouco a fazer para deter o aquecimento global, as populações locais podem reduzir o escoamento de nitrogénio. O nosso estudo mostra que a luta para preservar os recifes de coral requer acção local, e não apenas global“, rematou, citado pelo Science Alert.

Elevados níveis de nitrogénio causam stress metabólico aos corais, aumentando a sua susceptibilidade a doenças e aumentando a proliferação de algas que, por sua vez, reduzem a luz e aceleram o declínio dos corais. No entanto, os cientistas ainda não estão certos de como essas mudanças se relacionam com o crescente problema do branqueamento em massa de corais, doenças e mortalidade.

Estudos anteriores mostraram que entre 1992 e 1996 – quando os fluxos de água doce da Florida foram direccionados para o sul – houve um aumento de 404% nas doenças dos corais no Santuário de Florida Keys.

Alguns sugeriram que estas mudanças estão ligadas aos anos do El Niño de 1997/1998, mas as datas não batem propriamente certo. Além disso, os cientistas deram muito pouca atenção ao papel que o escoamento poderia ter representado.

O mais recente estudo, publicado recentemente na Marine Biology, sugere que os recifes de coral estavam a morrer muito antes de serem afectados pelo aumento da temperatura da água.

A menos que tomemos medidas contra estas ameaças humanas, as coisas só vão piorar, alertam os investigadores. A comunidade científica prevê que a poluição de nitrogénio que flui para a costa aumente em 19%, como resultado de mudanças na precipitação devido às alterações climáticas.

No artigo científico, os cientistas deixam alguns conselhos: melhorar o tratamento dos esgotos, reduzir o uso de fertilizantes e aumentar o armazenamento e tratamento das águas fluviais.

ZAP //

Por ZAP
23 Julho, 2019

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2330: Localidade a 900km do Polo Norte registou uma temperatura de 21º, a mais alta desde 1956

Johannes Zielcke / Flickr

O termómetro atingiu, no domingo, os 21 graus centígrados em Alert – a localidade habitada mais setentrional do planeta, a menos de 900 quilómetros do Polo Norte, que fica em Nunavut, no Canadá – e estabeleceu um “recorde de calor absoluto” para o verão boreal.

De acordo com a informação revelada na terça-feira por uma instituição de meteorologia canadiana, citada pelo Sapo 24, Alert, uma base militar permanente estabelecida no paralelo 82 fundamentalmente para a intercepção de comunicações russas, é sede de uma estação meteorológica desde 1950.

“É impressionante do ponto de vista estatístico. É um exemplo entre centenas de outros recordes estabelecidos pelo aquecimento global”, explicou à agência France-Press (AFP) Armel Castellan, meteorologista do Ministério do Meio Ambiente do Canadá.

A 14 de Julho, a base registou 21 graus, já a 15 de Julho, registou 20. “Este é um recorde absoluto, nunca tínhamos visto nada assim”, disse Armel Castellan.

As altas temperaturas que se verificaram no norte “são totalmente devastadoras” sobretudo porque “tivemos temperaturas muito mais quentes que o habitual durante uma semana e meia”.

O recorde anterior de 20 graus centígrados foi estabelecido no dia 08 de Julho de 1956, mas desde 2012 que se registaram vários dias com temperaturas entre 19 e 20 graus nesta estação.

Refira-se que a média diária em Alert, para um mês de Julho, é de 3,4 graus e a temperatura média máxima é de 6,1 graus.

Portanto, não será exagerado falar de “uma onda de calor árctica”, disse David Phillips, especialista do gabinete do Meio Ambiente e Mudança Climática do governo canadiano. E reforçou à CBC que se trata de algo “sem precedentes”.

“O norte, do Yukon às ilhas do Árctico, registou a sua segunda ou terceira primavera mais quente”, assinalou David Phillips. E os modelos de previsões do governo canadiano “revelam que isto vai continuar em Julho e entre Agosto e princípio de Setembro”, revelou.

A actual onda de calor deve-se a uma frente de alta pressão sobre a Gronelândia, que é “bastante excepcional” e alimenta os ventos do sul no Oceano Árctico.

De acordo com David Phillips, o Árctico está a aquecer três vezes mais rápido do que outras partes do planeta. E, por essa razão, destacou a urgência em levar a cabo uma drástica redução das emissões de carbono.

TP, ZAP //

Por TP
17 Julho, 2019

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2324: Em 2100, não haverá tartarugas macho (e a culpa é das alterações climáticas)

CIÊNCIA

As tartarugas-marinhas-comuns nascidas num terreno fértil em Cabo Verde serão todas fêmeas por causa das mudanças climáticas, alertou um novo estudo.

Mesmo sob um cenário de baixas emissões, 99,86% das crias de tartarugas seriam fêmeas até 2100, de acordo com investigadores da Universidade de Exeter. Se as emissões continuarem inabaláveis, mais de 90% poderão ser incubadas em “altas temperaturas letais”, matando jovens antes de eclodirem.

Cabo Verde tem uma das maiores populações de nidificação de tartarugas do mundo, com cerca de 15% do total global de nidificação. O sexo das tartarugas é determinado pelas temperaturas em que são incubadas e as temperaturas quentes favorecem as fêmeas.

Os cientistas analisaram as projecções de temperatura do Painel Inter-governamental sobre as Alterações Climáticas (IPCC) para 2100 – baixa (1,8°C), média (2,8°C) e alta (3,4°C).

Actualmente, 84% das crias em Cabo Verde são do sexo feminino, de acordo com o artigo publicado na revista Marine Ecology Progress Series. Temperaturas mais quentes poderão, então, aumentar dramaticamente esse número.

“Sob todos os três cenários de mudança climática, em 2100 mais de 99% das crias seriam fêmeas – e em cenários de média e alta emissão não poderia haver machos”, disse a Lucy Hawkes da Universidade de Exeter, de acordo com o The Independent.

A principal autora Claire Tanner, que trabalhou no estudo como parte de um mestrado na instituição, acrescentou: “O que nos surpreendeu foi como até mesmo o cenário de baixas emissões tem efeitos prejudiciais para esta população. O que isso mostra é que agora é a hora de agir sobre a mudança climática – antes que seja tarde demais para impedir as estimativas vistas neste artigo”.

As projecções baseiam-se no comportamento actual de aninhamento e os cientistas dizem que as tartarugas podem adaptar-se ao acasalar no início do ano, quando é mais frio. Em teoria, a selecção natural favorecerá as tartarugas que fizerem isso, mas a velocidade da mudança climática significará que não conseguem evoluir suficientemente rápido.

Os cientistas disseram que as tartarugas podem beneficiar de características específicas, como sombra debaixo das árvores, o que poderia fornecer condições um pouco mais frias.

A vida reprodutiva dos machos não é conhecida, portanto os machos mais velhos podem continuar a produzir anos após os novos machos deixarem de ser incubados, embora seja provável que, em algum momento, a população caia.

No ano passado, a investigação liderada pelo World Wide Fund for Nature (WWF) da Austrália descobriu que mais de 99% das tartarugas verdes que nasceram em partes da Grande Barreira de Corais eram fêmeas.

Também alertaram que as populações de tartarugas enfrentam “feminização completa” no futuro próximo. Em algumas praias do norte, perto da Grande Barreira de Corais da Austrália, os cientistas descobriram que praticamente todas as tartarugas jovens eram do sexo feminino, tal como mais de 85% dos adultos.

ZAP //

Por ZAP
17 Julho, 2019

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2311: Algumas cidades vão ter climas nunca antes vistos no planeta Terra

CIÊNCIA

Gerard Van der Leun / Flickr

As alterações climáticas já são visíveis em várias regiões do globo, mas as consequências poderão ser bem mais graves a médio e longo prazo, alerta um relatório divulgado pelo jornal científico Plos One.

De acordo com o documento, citado pelo The Guardian, que analisa as 520 maiores cidades mundiais, cerca de 80% das metrópoles vão enfrentar efeitos dramáticos do aquecimento global, sublinhando por exemplo que Londres poderá ter um clima semelhante ao de Barcelona em 2050. A capital britânica deverá registar também nessa altura períodos de seca com consequências óbvias ao nível da economia e da saúde.

Também Madrid poderá registar temperaturas semelhantes às que se assinalam actualmente em Marraquexe, enquanto Estocolmo poderá ter um clima similar ao de Budapeste.

Já a capital russa poderá ter daqui a 30 anos temperaturas como as que se registam hoje em dia na capital búlgara, ao passo que Nova Iorque deverá ter um clima semelhante ao de Virginia Beach.

As cidades que se encontram actualmente nas zonas temperadas e frias no hemisfério norte vão ter um clima com as mesmas características de cidades mais próximas do Equador. Em média, as temperaturas deverão aumentar até 3,5 graus no verão e até 4,7 graus no inverno nas cidades europeias. Várias metrópoles serão atingidas por períodos de seca.

Os investigadores alertam ainda que “cerca de um quinto das cidades mundiais vão enfrentar consequências ao nível das alterações climáticas nunca antes vistas”, como será o caso de Singapura, Jacarta ou Kuala Lumpur.

“Trata-se de condições ambientais que nunca experimentámos em nenhum lugar do mundo. Isso significa que haverá novos desafios políticos, novos desafios ao nível das infraestruturas que nunca verificámos antes”, afirmou ao mesmo jornal Tom Crowther, fundador do Crowther Lab, que liderou esta investigação.

“Não estamos preparados para isto. Responder às alterações climáticas tem que começar de forma a se minimizar o seu impacto”, concluiu.

Um estudo publicado há poucos meses sugeria que, até ao ano de 2080, as cidades na América do Norte sentirão que estão a 800 quilómetros de onde estão hoje – na maioria das vezes, serão mais quentes e mais húmidas, como se todo o país existisse no sul dos EUA.

Na terça-feira, as Nações Unidas alertaram para a necessidade de os governos mundiais serem mais ambiciosos quanto ao combate das alterações climáticas até 2030. O objectivo é travar as consequências do aquecimento global e diminuir as desigualdades no mundo.

ZAP //

Por ZAP
14 Julho, 2019

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2286: Os idosos estão a contribuir para as alterações climáticas (e a sofrer com isso)

CIÊNCIA

jeremyhiebert / Flickr

A idade média está a aumentar nas populações de todo o mundo e isso pode representar um desafio para os esforços de controlo das alterações climáticas.

Hossein Estiri, da Universidade de Harvard, e Emilio Zagheni, do Instituto Max Planck de Pesquisa Demográfica, na Alemanha, descobriram que o uso de energia aumenta à medida que envelhecemos. Uma população envelhecida pode significar uma proporção maior da sociedade com altos níveis de consumo de energia, sugere um estudo recente.

Em média, o consumo de energia nas crianças aumenta à medida que crescem e, quando saem de casa, diminui. Por sua vez, uma análise dos dados dos Estados Unidos mostrou que o consumo sobre quando as pessoas atingem os 30 anos e atinge o seu pico aos 55 anos, caindo levemente antes de começar a subir outra vez.

De acordo com o New Scientist, o estudo avaliou factores como rendimento, clima, idade e tamanho da habitação. O aumento do uso de energia ao longo da vida parece estar relacionado com as nossas necessidades em cada fase da nossa vida.

A investigação concluiu que, nas cidades norte-americanas mais quentes, o uso de energia intensifica-se nas pessoas com mais de 65 anos de idade, e esse aumento parece estar relacionado com o uso de ar condicionado. Este dado sugere que as mudanças climáticas e o envelhecimento da população podem estar a aumentar os efeitos, um sobre o outro e vice versa.

As ondas de calor tornara-se mais comuns no país durante os últimos anos, e espera-se que se tornem ainda mais frequentes graças ao aquecimento global. Por sua vez, as pessoas mais velhas que usam energia para se refrescar podem estar a contribuir para mais aquecimento, pelo menos até o fornecimento de energia se ver livre dos combustíveis fósseis.

Benjamin Sovacool, da Universidade de Sussex, no Reino Unido, afirma que esta investigação mostra a importância da demografia no que diz respeito à redução das emissões de carbono. “Este estudo desafia directamente toda a comunidade científica, desafiando-a a lidar com a temporalidade e a complexidade do consumo de energia.”

O artigo científico foi publicado na Energy Research & Social Science.

ZAP //

Por ZAP
7 Julho, 2019

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2284: Plantar árvores é a melhor solução para combater alterações climáticas (mas temos de agir já)

CIÊNCIA

Romain Boukhobza / Wikimedia

Plantar árvores é a solução mais eficaz para combater as alterações climáticas, tendo o potencial de capturar dois terços das emissões de dióxido de carbono produzidas pela Humanidade.

O estudo do Laboratório Crowther, na Suíça, publicado esta sexta-feira na revista Science, é o primeiro a quantificar quantas árvores o planeta Terra pode suportar, onde poderiam existir e quanto carbono poderiam armazenar.

A investigação concluiu que há potencial para aumentar em um terço as florestas do mundo inteiro, sem afectar as actuais cidades ou as terras agrícolas. Seria o mesmo que reflorestar uma área equivalente a mais de 100 vezes o tamanho de Portugal.

Uma vez desenvolvidas, essas florestas poderiam armazenar 205 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono, cerca de dois terços dos 300 mil milhões de toneladas de carbono extra que existem na atmosfera devido à actividade humana desde a revolução industrial.

O estudo, liderado por Jean-Francois Bastin, também sugere que há um grande potencial para regenerar árvores em zonas agrícolas e urbanas, e destaca que essas árvores podem desempenhar um papel importante no combate às alterações climáticas.

Actualmente, segundo a definição de floresta das Nações Unidas, existem 5,5 mil milhões de hectares de floresta. O Laboratório Crowther diz que podiam ser reaproveitados entre 1,7 e 1,8 mil milhões de hectares em áreas com baixa actividade humana e que não são usados como terras urbanas ou agrícolas.

Mas alerta também para a urgência de se passar à acção, porque o clima já está a mudar e em cada ano a área que pode suportar novas florestas vai diminuindo. Mesmo com o aquecimento global limitado a 1,5º Celsius a área disponível para reflorestação pode ser reduzida em um quinto até 2050, assinala o estudo.

“Todos sabíamos que a reflorestação poderia ter um papel na luta contra as alterações climáticas, mas não tínhamos conhecimento científico do impacto que isso poderia causar. O nosso estudo mostra claramente que a florestação é a melhor solução disponível actualmente e fornece provas concretas para justificar o investimento”, diz Tom Crowther, professor do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH) e um dos autores do estudo.

“Se agirmos agora, isso poderia reduzir o dióxido de carbono na atmosfera em até 25%, para níveis vistos pela última vez quase há um século”, adiantou.

Se não agirmos já, e à medida que as temperaturas aumentam, cerca de 223 milhões de hectares – especialmente nos trópicos – não poderão ser considerados potenciais terrenos florestais até 2050, escreve o Science Alert.

Para tal, advertem os autores do estudo, é fundamental proteger as actuais florestas e continuar no caminho de eliminar os combustíveis fósseis, porque são necessárias décadas até que as novas florestas cresçam.

Uma análise da ONU divulgada em 2018 propunha que, além de outras medidas na luta contra as alterações climáticas, é necessário plantar mais mil milhões de hectares de floresta até 2050. O estudo vem mostrar que essas árvores podem ser plantadas e confirmam que o cenário é “indiscutivelmente alcançável”.

Mas, para isso, é necessário que a comunidade internacional faça esforços para conseguir atingir os objectivos. O espaço para fazer nascer florestas existe – agora só precisamos de trabalhar juntos para que isso aconteça.

ZAP // Lusa

Por ZAP
6 Julho, 2019

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2283: Ameaças nos oceanos são uma “emergência”

CIÊNCIA

Tiago Fioreze / wikimedia

O investigador Emanuel Gonçalves afirmou, na Global Exploration Summit, que decorreu em Lisboa, que o oceano está ameaçado e que “agir é uma emergência”.

No evento que junta grandes nomes da exploração, investigação e conservação do planeta, Emanuel Gonçalves, especialista em biodiversidade e membro do conselho da Fundação Oceano Azul, lembrou que é necessário proteger o oceano pois este está “sob ameaça”.

As alterações climáticas, a poluição e a degradação de habitats foram apontadas pelo biólogo como os grandes perigos para a biodiversidade marinha.

O investigador e professor, que perguntou ao público “se os humanos são imaturos para cuidar do planeta”, admitiu que o conhecimento que existe “é suficiente” e que é necessário “mostrar o caminho aos políticos e empresários”.

“A conservação e os humanos têm de andar de mãos dadas, temos de conseguir alterar o paradigma onde para haver desenvolvimento económico é necessário haver degradação ambiental”, afirmou. Para inverter esta realidade, Emanuel Gonçalves apontou três soluções que passam por “salvar o que sobrou, reconstruir o que foi que foi destruído e garantir que as actividades no oceano são sustentáveis”.

Estas são as bases do projecto Blue Azores, um programa de conservação marinha, que surgiu depois de uma expedição realizada em 2016 e que foi exposto hoje pelo orador.

Emanuel Gonçalves referiu que os Açores são uma zona de grande biodiversidade marinha, que conta com diferentes espécies de mamíferos marinhos, tartarugas, aves marinhas e de algas.

Segundo o investigador, “o Blue Azores é um passo na direcção certa” para a preservação do oceano. No âmbito deste projecto, o Governo Regional dos Açores implementou, no passado mês de Fevereiro, uma nova área de protecção marinha que abrange 150 mil quilómetros quadrados.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Julho, 2019

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2235: O planeta enfrenta um “apartheid climático”

Kathryn Hansen / NASA / Flickr

O planeta está confrontado com um “’apartheid’ climático”. De um lado, os ricos que se podem adaptar melhor às alterações climáticas, e do outro, os pobres que vão sofrer mais, disse esta segunda-feira um especialista da ONU.

Num novo relatório, o relator especial da ONU para a pobreza extrema e direitos humanos, Philip Alston, adverte que “as alterações climáticas ameaçam desfazer o progresso dos últimos 50 anos” na redução da pobreza.

O documento, que será apresentado na próxima semana ao Conselho dos Direitos do Homem, da ONU, em Genebra, apoia-se em investigações que indicam que as alterações climáticas poderão deixar sem abrigo 140 milhões de pessoas de países em desenvolvimento, até 2050.

“De uma forma perversa, enquanto os pobres são responsáveis por apenas uma fracção das emissões globais, são eles que vão pagar o preço das alterações climáticas e que têm menos capacidade de se proteger”, disse Philip Alston, citado pelo The Guardian.

E acrescentou: “Corremos o risco de ver um cenário de apartheid climático, onde os ricos pagam para escapar das ondas de calor, à fome e aos conflitos, enquanto o resto do mundo fica abandonado aos seus sofrimentos”.

O especialista salientou que apesar das repetidas advertências sobre as ameaças que representam as alterações climáticas, a questão continua a ser “uma preocupação marginal”. E criticou em particular o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos, por, disse, não dar atenção e recursos suficientes a esta matéria.

É que, disse, é “terrivelmente desadequada” a forma como está a ser tratada a crise que põe em causa os direitos humanos, usando uma metodologia tradicional.

Os relatores especiais das Nações Unidas são especialistas independentes, que não falam em nome da ONU mas comunicam os resultados das suas investigações à instituição.

ZAP // Lusa

Por ZAP
25 Junho, 2019

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2225: Aquecimento global vai tornar certas regiões do planeta habitáveis (e essa não é uma boa notícia)

radickraphicov / Pixabay

Algumas áreas desertas da Sibéria e partes da Rússia asiática estão a tornar-se habitáveis por causa das alterações climáticas, mostrou um novo estudo agora divulgado. Isso pode motivar uma migração em grande escala, já que outras regiões mais povoadas vão ficar demasiado quentes.

De acordo com a Science Alert, citada pelo Observador no domingo, até 2100, é possível que as temperaturas subam tanto que as zonas actualmente demasiado frias para a sobrevivência humana passem a ser mais amenas e suportáveis.

No artigo do Instituto Sukachev da Floresta, da Rússia, publicado na Environmental Research Letters, foram utilizados modelos que permitiram prever quais vão ser as condições de habitabilidade na Sibéria nas próximas décadas.

Descobriram que, já a partir de 2080, as temperaturas podem ter aumentado entre 3,4ºC e 9,1ºC durante o inverno e entre 1,9ºC e 5,7ºC durante o verão. E perceberam que a área coberta por pergelissolo – a terra permanentemente congelada das regiões próximas ao Árctico – diminuiria de 65% para os 40%.

Significa isto que, apesar de algumas regiões permaneceram inabitáveis com o aquecimento global, estes valores podem traduzir-se numa área habitável para longas estadias 15% maior do que na actualidade.

Mas isso não são boas notícias: é que, enquanto a Sibéria se torna mais acolhedora para os humanos, outras regiões do planeta vão tornar-se demasiado quentes ou ficar inundadas por causa do aumento do nível médio da água do mar. Além disso, isso obrigaria os humanos a invadir regiões dominadas por ursos polares e a enfrentar uma atmosfera poluída por produtos químicos tóxicos.

Este estudo chega numa altura em que se descobriu que a Gronelândia registou temperaturas 4,4ºC superiores ao normal ao longo desta semana. Os dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo indicam que nunca se registou uma extensão do gelo sobre o Oceano Árctico tão baixa em meados de Junho como em 2019.

TP, ZAP //

Por TP
24 Junho, 2019

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2211: Bactérias que “comem” carne humana estão a espalhar-se para praias onde antes não chegavam

CIÊNCIA

Will Kennard / unsplash

Bactérias que “comem” carne que vivem no oceano estão a espalhar-se para as águas das praias que, anteriormente, não estavam afectadas. As alterações climáticas podem ser as culpadas.

Os autores do relatório descreveram cinco casos de graves infecções bacterianas em pessoas que estiveram expostas a água ou frutos do mar de Delaware Bay, uma praia entre Delaware e New Jersey, nos Estados Unidos. Estas infecções são raras, sendo que a bactéria responsável pela doença, chamada Vibrio vulnificus, prefere águas mais quentes, como as do Golfo do México.

Mas, com o aumento das temperaturas do oceano devido às alterações climáticas, V. vulnificus pode estar a mover-se para norte, provocando estas infecções em áreas que não estavam afectadas anteriormente.

“Acreditamos que os clínicos devem estar cientes da possibilidade de que as infecções por V. vulnificus ocorram mais frequentemente fora das áreas geográficas tradicionais”, escreveram os autores, do Cooper University Hospital, no relatório publicado na revista Annals of Internal Medicine.

V. vulnificus vive em águas oceânicas com temperaturas superiores a 13ºC. As pessoas podem ficar infectar com a bactéria de duas maneiras: se consumirem frutos do mar contaminados ou se tiverem uma ferida aberta que entra em contacto directo com a água do mar que contém as bactérias.

Embora a maioria das pessoas infectadas com V. vulnificus desenvolva apenas sintomas leves, algumas pessoas desenvolvem infecções graves na pele ou na corrente sanguínea. V. vulnificus pode causar fasceíte necrotizante, uma infecção rara que causa a morte dos tecidos moles do corpo e pode resultar em amputações ou até morte.

Os autores observaram que, de 2008 a 2016, o hospital viu apenas um caso de infecção por V. vulnificus. Mas nos Verões de 2017 e 2018, esse número saltou para cinco casos. Todos esses pacientes tinham ido pescar caranguejos na Baía de Delaware ou consumido frutos do mar da área e todos os pacientes desenvolveram fasceíte necrotizante. Um paciente morreu.

Um homem de 46 anos sofreu uma pequena lesão na perna enquanto se agachava. Dois dias depois, desenvolveu dor progressiva, inchaço e bolhas na perna ferida, o que acabou por ser uma infecção causada por V. vulnificus. Noutro caso, um homem de 64 anos desenvolveu graves inchaços e bolhas cheias de líquido na mão direita após a limpeza e ingestão de caranguejos. Apesar de passar por uma cirurgia de emergência, desenvolveu um ritmo cardíaco anormal e morreu.

Um homem de 60 anos que comeu uma dúzia de caranguejos da Baía de Delaware desenvolveu inchaço progressivo na perna direita. A condição piorou e espalhou-se para os outros membros. Eventualmente, os médicos precisaram de amputar todos os quatro membros, embora o homem tenha sobrevivido.

Fasceíte necrotizante por infecção de V. vulnificus geralmente não ocorrem em pessoas com sistema imunológico saudável, de acordo com os Centros para Controle e Prevenção de Doenças (CDC). As pessoas correm maior risco de infecções se tiverem doença hepática crónica ou outras condições que enfraquecem o seu sistema imunológico. Dos cinco casos descritos no relatório, três indivíduos tinham hepatite B ou C e um tinha diabetes.

Para prevenir a infecção, o CDC recomenda que pessoas com feridas abertas evitem contacto com água salgada ou salobra ou cubram as feridas com uma ligadura impermeável.Também é recomendado que as pessoas evitem comer mariscos crus ou mal cozidos.

ZAP //

Por ZAP
22 Junho, 2019

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2198: Degelo na Gronelândia: Esta foto é a prova de que precisa para acreditar

© Twitter Superfície de gelo é agora água.

Uma imagem captada pelo climatólogo Steffen M. Olsen, no passado dia 13 de Junho, prova o impacto que as alterações climáticas estão a ter no Árctico.

O dinamarquês estava no noroeste da Gronelândia, sendo que uma das suas funções seria recuperar os dispositivos de medição que tinham sido colocados no gelo no âmbito da missão Acção Azul. Preparava-se para fazê-lo, a bordo de um trenó guiado por cães, quando percebeu que os caminhos de gelo percorridos pelos animais estavam, afinal, transformados em água.

“As comunidades na Gronelância contam com o gelo para transporte, caça e pesca. Eventos extremos, neste caso a inundação pelo início abrupto do derretimento da superfície, exige uma capacidade de previsão mais apurada no Árctico”, alertou Steffen M. Olsen, no Twitter.

16:08 – 14 de jun de 2019

A sua publicação está a tornar-se viral e um verdadeiro exemplo, alertando para a rapidez com que o gelo do árctico está a derreter.

A Gronelândia tem vindo a perder gelo nas últimas décadas devido ao aquecimento progressivo. Desde os anos 1990 que as temperaturas médias sobre o manto de gelo subiram 1,8 graus celsius no verão e até 3 graus no inverno.

Estimativas indicam que o manto gelado esteja a perder 270 mil milhões de toneladas de gelo em cada ano. Até recentemente grande parte do gelo perdia-se em icebergues, mas agora o derretimento directo já representa 70% das perdas, especialmente por causa da chuva, dizem os investigadores.

msn meteorologia
Notícias Ao Minuto
18/06/2019

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2127: Humanos pré-históricos enfrentaram mudanças climáticas (e este jogo mostra como)

CIÊNCIA

Viktor Vasnetsov (1848–1926)

Investigadores desenvolveram através da tecnologia de videojogos um cenário pré-histórico em que os participantes se viam obrigados a lidar com as mudanças climáticas, de forma a perceberem como pode ter afectado os humanos pré-históricos.

Como é que as mudanças climáticas irão reconstruir o mundo no século 21? Seremos capazes de nos adaptar e sobreviver? Tal como acontece com muitas coisas, o passado é um bom guia para o futuro. Os seres humanos vivenciaram mudanças climáticas no passado, que transformaram o ambiente — estudar a sua resposta pode responder ao nosso próprio destino.

Populações e culturas humanas morreram e foram substituídas em toda a Euroásia durante os últimos 500 mil anos. Como e por que uma população pré-histórica deslocou outra não é claro, mas esses humanos foram expostos a mudanças climáticas que mudaram o seu ambiente natural.

Os investigadores concentraram-se na região em torno de Lyon, em França, e imaginaram como os caçadores da Idade da Pedra, de há 30 mil e 50 mil anos atrás, se teriam safado à medida que o mundo ao seu redor mudava.

Aqui, como em outras partes da Euroásia, durante períodos mais frios, o ambiente teria mudado para a vegetação semelhante a uma tundra — vastos e abertos habitats que podem ter sido os mais adequados para caçar presas. Quando o clima aqueceu por alguns séculos, as árvores espalharam-se — criando bosques densos que favoreceram métodos de caça que envolvessem emboscadas.

Como estas mudanças afectaram o comportamento de caça de uma população poderá ter decidido se elas prosperaram, foram forçadas a migrar ou até mesmo morreram. A capacidade dos caçadores-colectores de detectar presas a diferentes distâncias e em ambientes diferentes teria decidido quem dominou e quem foi desalojado.

Além de construir uma máquina do tempo, descobrir como as pessoas pré-históricas responderam às mudanças climáticas só seria possível recriando os seus mundos como ambientes virtuais. Assim, os investigadores poderiam controlar a mistura e a densidade da vegetação e recrutar humanos modernos para explorá-los e ver como eles se sairiam ao encontrar as presas.

Sobreviver na Idade da Pedra virtual

Os investigadores criaram um ambiente de videojogo e pediram aos voluntários que encontrassem veados-vermelhos. O mundo que exploraram mudava para arbustos e pastagens enquanto o clima arrefecia e para uma floresta densa quando aquecia.

Os participantes conseguiram identificar o veado-vermelho a uma distância maior na pastagem do que na floresta, quando a densidade da vegetação era a mesma. À medida que a vegetação ficava mais espessa, eles esforçavam-se mais para detectar presas a distâncias maiores em ambos os ambientes.

(dr) Peter Allen e John Stewart

Os povos pré-históricos teriam enfrentado desafios semelhantes com o aquecimento do clima, mas há um padrão interessante que nos diz algo sobre as respostas humanas à mudança. Apenas quando a paisagem ficou com mais de 30% arborizada é que os participantes foram significativamente menos capazes de localizar veados a distâncias maiores.

Este foi provavelmente o momento crítico em que populações antigas foram forçadas a mudar hábitos de caça, a mudarem-se para áreas mais favoráveis às suas técnicas existentes, ou enfrentar a extinção local.

ZAP // The Conversation

Por ZAP
6 Junho, 2019



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