5139: Sinais preliminares de um planeta na zona habitável de Alpha Centauri A

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Alpha Centauri A (esquerda) e Alpha Centauri B fotografadas pelo Telescópio Espacial Hubble. Localizadas na direcção de constelação de Centauro, a uma distância de 4,3 anos-luz, o par estelar orbita o centro de gravidade comum a cada 80 anos, com uma distância média de aproximadamente 11 vezes a distância Terra-Sol.
Crédito: NASA/ESA/Hubble

Uma equipa internacional de astrónomos encontrou sinais de que poderá existir um planeta na zona habitável de Alpha Centauri AB, um sistema binário a uns meros 4,37 anos-luz de distância. Poderá ser um dos planetas na zona habitável mais próximos até à data, embora a ser confirmado não seja muito parecido com a Terra.

Alpha Centauri é o sistema estelar mais próximo do nosso Sistema Solar, contendo três estrelas diferentes. Estas são Alpha Centauri A e B, estrelas parecidas com o Sol que formam um binário íntimo uma em torno da outra a cerca de 4,37 anos-luz de distância. E também hospeda Proxima Centauri, uma pequena anã vermelha que até está mais próxima do Sol (a 4,24 anos-luz de distância) e tem uma relação gravitacional muito mais “solta” com as outras duas estrelas.

Sabemos que Proxima Centauri alberga dois planetas, um dos quais (Proxima b) parece ser um exoplaneta do tamanho da Terra na zona habitável (a gama de distâncias orbitais onde a água líquida pode existir à superfície de um planeta rochoso). Mas pensa-se que Proxima b sofre bloqueio de marés e é inundado por ventos estelares, o que significa que é improvável que seja habitável.

O potencial do sistema Alpha Centauri AB para hospedar mundos propícios à vida sempre intrigou os cientistas, mas nenhum exoplaneta conhecido foi aí encontrado – em parte porque a proximidade significava que era demasiado brilhante para os astrónomos examinarem eficazmente quaisquer objectos planetários na área. Mas num artigo publicado a semana passada na revista Nature Communications, uma equipa internacional de astrónomos usando o VLT (Very Large Telescope) do ESO no Chile encontrou um sinal de imagem térmica brilhante oriundo da zona habitável de Alpha Centauri A.

O sinal foi derivado através do NEAR (Near Earths in the Alpha Center Region), um projeto de 3 milhões de dólares financiado pelo ESO e pela iniciativa Breakthrough Watch, que visa procurar planetas rochosos do tamanho da Terra em torno de Alpha Centauri e de outros sistemas estelares até 20 anos-luz do Sol.

O NEAR promoveu actualizações do VLT que incluíram um coronógrafo térmico, que pode bloquear a luz estelar e procurar assinaturas de calor provenientes de objectos planetários à medida que estes refletem a luz das suas estrelas. Este encontrou o sinal em torno de Alpha Centauri A após analisar 100 horas de dados.

No entanto, a existência do planeta ainda não foi verificada, pelo que ainda nem tem nome. O novo sinal sugere que é do tamanho de Neptuno. Isto significa que não estamos a falar de um mundo parecido com a Terra, mas um quente gigante gasoso cinco a sete vezes maior que a Terra. Se albergasse vida, provavelmente seria vida microbiana que vagueava pelas nuvens. E o sinal pode muito bem ser provocado por uma série de outras explicações, como poeira cósmica quente, um objeto mais distante no plano de fundo, ou fotões perdidos.

A confirmação ou refutação da existência do planeta não deverá ser muito difícil – os astrónomos simplesmente têm que observar o objecto novamente e verificar se a sua nova posição corresponde à de uma órbita. Ainda não se sabe quando qualquer tipo de investigação de acompanhamento terá lugar.

Astronomia On-line
16 de Fevereiro de 2021