2347: Encontrado no topo dos Alpes um lago que não devia existir

(dr) Bryan Mestre / Instagram

Um montanhista capturou a formação de um lago “alarmante” no alto dos Alpes franceses depois de a neve glacial ter derretido durante a intensa onda de calor que atingiu a Europa central no final de Junho.

O lago, que mede cerca de 30 metros de largura, foi avistado pelo instrutor de escalada Bryan Mestre na base das montanhas Dent du Géant e Aiguilles Marbrées na cordilheira do Mont Blanc, que se estende até França, Itália e partes da Suíça.

O lago tinha cerca de 10 por 30 metros, com cerca de alguns milhares de metros cúbicos de água de degelo, segundo a National Geographic France. Embora muitas montanhas cobertas de neve hospedem lagos, é incomum em tal altitude acima do nível do mar.

No final de Junho, a Europa experimentou uma onda de calor sufocante que viu as temperaturas subir para níveis recordes em algumas áreas. Em 28 de Junho, por exemplo, França registou a temperatura mais quente de sempre: 45,8ºC na cidade de Gallargues-le-Montueux, perto da costa mediterrânea do país, de acordo com o Newsweek.

Apesar das altitudes muito maiores, a cordilheira dos Alpes não escapou ao calor, levando a um derretimento generalizado de neve e gelo. O popular resort de Chamonix teve temperaturas de 36ºC.

“Fiquei surpreendido ao ver o lago. Nos Alpes, acima da linha de 3.000 metros, a água deve estar sempre congelada“, disse Mestre ao London Evening Standard. “Quando vamos subir por um dia, se trouxermos uma garrafa de água, a água começa a congelar depois de algumas horas, mesmo que tenha ficado nas nossas mochilas”.

Mestre publicou duas fotografias, tiradas com apenas dez dias de intervalo para demonstrar a rapidez com que se formou. “Uma foi tirada em 28 de Junho”, escreveu Mestre. “Apenas 10 dias de calor extremo foram suficientes para desmoronar, derreter e formar um lago na base do Dent du Géant e do Aiguilles Marbrées.”

“Eu tenho visto eventos semelhantes nos Andes ou nas Montanhas Rochosas, mas o ecossistema é muito diferente lá”, disse. “A neve é permanente nos Alpes acima de 3.000 metros – não deve derreter. É claro que, com todo o aquecimento global, derrete. Não sou um cientista, mas é óbvio que é um efeito directo da onda de calor que atingiu a Europa.”

“Que eu saiba, esta é a primeira vez que algo assim aconteceu. O sul da Europa e os Alpes foram atingidos por uma enorme onda de calor”, escreveu. “Isto é verdadeiramente alarmante, as calotas em todo o mundo estão a derreter a uma velocidade exponencial”.

O glaciologista Ludovic Ravanel notou que um lago aparecia no alto dos Alpes franceses em 2015 e ligou a sua formação ao aquecimento global, de acordo com o The Independent. De acordo com o Copernicus Climate Change Service (C3S) da UE, no mês passado, foi o mês de Junho mais quente já registado na Terra.

Dados divulgados pela agência de satélites mostraram que as temperaturas médias da Europa estavam acima de 2ºC acima do normal e as temperaturas estavam entre 6ºC e 10ºC acima do normal na maior parte de França, Alemanha e norte da Espanha durante os últimos dias do mês.

ZAP //

Por ZAP
21 Julho, 2019

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1836: Identificado pela primeira vez um “glaciar de plástico” nos Alpes

Daniel Schwen / wikimedia

Uma equipa de investigadores identificou pela primeira vez contaminação de micro-plásticos num glaciar dos Alpes, a 3.000 metros de altitude num parque nacional do norte de Itália.

A investigação foi dirigida por especialistas de universidades de Milão e demonstrou “pela primeira vez a contaminação de micro-plásticos num glaciar alpino”, disseram os investigadores num comunicado com o título ‘Um glaciar de plástico’.

A contaminação foi quantificada em 75 partículas de plásticos – entre poliéster, poliamida, polietileno e polipropileno – por cada quilo de sedimento, um valor comparável aos níveis observados nos sedimentos marinhos e costeiros da Europa.

Com base nestes dados os investigadores estimam que a língua – projecção de gelo na parte frontal – do glaciar Forni, um dos mais importantes de Itália, “poderá conter entre 131 e 162 milhões de partículas de plástico”.

Sobre a origem do plástico dizem que pode dever-se aos restos de material usado pelos alpinistas e pessoas que visitam o local, e também a partículas arrastadas pelo vento.

Os especialistas dizem que ainda não se tinha estudado a contaminação por plásticos de áreas de alta montanha, ainda que se saiba que o problema da contaminação existe em muitas regiões do planeta e que chegou mesmo às profundezas da Fossa das Marianas (no Oceano Pacífico, o local mais profundo dos mares).

“Graças a esta investigação, confirmamos a presença de micro-plásticos nos glaciares, e futuros estudos investigarão os aspectos biológicos associados a esta presença”, disse a professora Andrea Franzetti, da Universidade de Milão, citada pelo portal Le Scienze.

ZAP // Lusa

Por ZAP
11 Abril, 2019

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1828: Alpes europeus podem ficar sem gelo até ao fim do século

© TVI24 (DR)

Os glaciares dos Alpes europeus vão perder metade do gelo até 2050, mesmo com redução de emissões de gases com efeito de estufa, e no final do século podem mesmo acabar, segundo um estudo divulgado esta terça-feira.

O estudo foi publicado na revista A Criosfera, da União Europeia das Geociências (EGU na sigla original), e apresentado hoje na Assembleia Geral da EGU, que decorre em Viena, Áustria, até sexta-feira.

Segundo a investigação, num cenário de aquecimento limitado os glaciares podem perder dois terços do gelo que têm hoje mas com um maior aquecimento o gelo pode desaparecer dos Alpes até 2100.

O estudo foi feito por uma equipa de investigadores da Suíça e dá as estimativas mais actualizadas e detalhadas sobre o futuro de todos os cerca de 4.000 glaciares dos Alpes.

Após 2050 “a evolução futura dos glaciares dependerá fortemente da evolução do clima”, disse o principal autor do estudo, Harry Zekollari, investigador do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique, na Suíça. “No caso de um aquecimento mais limitado uma parte muito mais substancial dos glaciares poderá ser salva”, referiu.

Os responsáveis pelo estudo notam que o recuo dos glaciares terá um grande impacto nos Alpes, já que eles são importantes para o ecossistema, para a paisagem e para a economia da região, pelo turismo, mas também pelo fornecimento de água doce.

Usando modelos matemáticos e dados observacionais os investigadores traçaram várias estimativas. Matthias Huss, outro dos autores do trabalho, precisou que num cenário de emissões elevadas de gases com efeito de estufa no final do século restarão manchas de gelo isoladas, não mais de 5% do volume de gelo que há hoje. Em todos os cenários, com ou sem emissões, os Alpes perdem metade do gelo até 2050.

Daniel Farinotti, outro dos autores do estudo disse que “os glaciares dos Alpes europeus e a sua evolução recente são alguns dos indicadores mais claros das mudanças em curso no clima”.

A perda de gelo está a acontecer em todo o mundo. Um estudo divulgado na segunda-feira indica que os glaciares em todo o planeta perderam mais de nove triliões de toneladas de gelo (um trilião é a unidade seguida de 18 zeros) desde 1961, fazendo aumentar o nível do mar em 27 milímetros.

A equipa que fez o estudo, liderado pela Universidade de Zurique, combinou observações nos locais com informações de satélites sobre as 19 regiões glaciares do mundo.

Segundo o estudo, publicado na revista Nature, as maiores perdas de gelo aconteceram no Alasca, seguindo-se a região da Gronelândia e os glaciares dos Alpes.

A única área a ganhar gelo nos últimos 55 anos foi uma região no sudoeste da Ásia, tanto gelo quanto outra região da Ásia perdeu no mesmo período.

Investigadores identificam glaciar nos Alpes contaminado com micro-plásticos

Uma equipa de investigadores identificou pela primeira vez contaminação de micro-plásticos num glaciar dos Alpes, a 3.000 metros de altitude num parque nacional do norte de Itália.

A investigação foi dirigida por especialistas de universidades de Milão e demonstrou “pela primeira vez a contaminação de micro-plásticos num glaciar alpino”, disseram hoje os investigadores num comunicado com o título “Um glaciar de plástico”.

A contaminação foi quantificada em 75 partículas de plásticos – entre poliéster, poliamida, polietileno e polipropileno – por cada quilo de sedimento, um valor comparável aos níveis observados nos sedimentos marinhos e costeiros da Europa.

Com base nestes dados os investigadores estimam que a língua (projecção de gelo na parte frontal) do glaciar Forni, um dos mais importantes de Itália, “poderá conter entre 131 e 162 milhões de partículas de plástico”.

Sobre a origem desse plástico dizem que pode dever-se aos restos de material usado pelos alpinistas e pessoas que visitam o local, e também a partículas arrastadas pelo vento.

Os especialistas dizem que ainda não se tinha estudado a contaminação por plásticos de áreas de alta montanha, ainda que se saiba que o problema da contaminação existe em muitas regiões do planeta e que chegou mesmo às profundezas da Fossa das Marianas (no Oceano Pacífico, o local mais profundo dos mares).

msn meteorologia
Redacção TVI24
10/04/2019

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