2875: Cientistas concluem que é possível cultivar alimentos em Marte e na Lua

CIÊNCIA

É possível cultivar alimentos em Marte e na Lua. O veredicto parte de uma equipa de cientistas holandeses que testou colheitas em condições semelhantes às lá vividas.

Para chegarem a esta conclusão, os investigadores cultivaram dez colheitas diferentes: agrião de jardim, rúcula, tomate, rabanete, centeio, quinoa, espinafre, cebolinho, ervilha e alho-porro.

Aliás, não só é possível cultivar lá estes alimentos, como também é possível obter sementes destas colheitas, tanto em Marte como na Lua. Para realizarem esta experiência, simularam as condições marcianas e lunares, verificando se era viável. O estudo foi publicado este mês na revista científica Open Agriculture.

“Ficamos encantados quando vimos os primeiros tomates já cultivados no simulador de solo de Marte ficarem vermelhos. Isso significava que o próximo passo em direcção a um ecossistema agrícola fechado sustentável foi dado”, contou o líder da investigação, Wieger Wamelink, citado pelo Tech Explorist.

Nove das dez culturas semeadas cresceram sem problemas e conseguiu-se recolher alimentos comestíveis delas. O espinafre foi a única cultura que os cientistas holandeses não conseguiram cultivar em condições marcianas ou lunares.

As sementes produzidas por três espécies (rabanete, centeio e agrião) foram testadas com sucesso relativamente à sua germinação.

ZAP //

Por ZAP
22 Outubro, 2019

 

2833: Humanos pré-históricos armazenavam medula óssea para comer mais tarde

CIÊNCIA

estt / Canva

Os humanos pré-históricos que viviam numa caverna em Israel entre 420 mil e 200 mil anos atrás armazenavam medula óssea para comer mais tarde, o que mostra que os primeiros hominídeos entendiam que os alimentos poderiam não estar disponíveis no futuro.

A Caverna Qesem, a cerca de 12 quilómetros de Tel Aviv, foi identificada como um local de ocupação humana precoce há quase 20 anos quando a construção de estradas a atravessou. Desde então, foi desenterrada uma enorme quantidade de evidência arqueológica, incluindo dezenas de milhares de ossos de animais foram processados pelos nossos ancestrais humanos.

De acordo com o estudo publicado esta semana na revista especializada Science Advances, investigadores liderados por Ruth Blasco, do Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana de Espanha, analisaram os ossos e realizaram experiências para mostrar a forma como estes ocupantes aprenderam a armazenar efectivamente a medula óssea durante semanas e meses após a morte do animal.

Por outro lado, desconhece-se quais eram as espécies de hominídeos que processaram os ossos dessa forma. Blasco, de acordo com o Newsweek, disse que, quem quer que fossem, demonstravam muitos comportamentos modernos, incluindo o uso regular de fogo, reciclagem e torrefacção de alimentos. O consumo de medula óssea é outra tarefa a ser adicionada a esta lista.

A medula óssea, o tecido encontrado dentro de alguns ossos, é altamente nutritivo, sendo mais rico em calorias do que em proteínas ou hidratos de carbono. Como resultado, teria sido uma fonte de alimento valiosa e significativa para os primeiros seres humanos.

Blasco começou a trabalhar no local de Qesem em 2011. Ao analisar os materiais da fauna lá encontrados, percebeu que havia marcas incomuns nos ossos de veado recuperados. Depois de analisar os restos mortais de quase 82 mil ossos de animais no local, a equipa mostrou que a medula óssea estava a ser preservada para ser consumida mais tarde.

A pele seca e velha é mais difícil de remover do osso do que quando está fresca. Como resultado, removê-la deixa para trás marcas específicas. “As marcas incomuns foram identificadas em experiências subsequentes e explicadas pela remoção da pele seca”, disse Blasco. “Especificamente, as marcas foram geradas pela dificuldade ou esforço necessário para remover a pele seca e os tendões firmemente presos ao osso após uma exposição sub-aérea prolongada dos ossos”.

Em experiências, os cientistas mostraram que as marcas poderiam ser replicadas ao remover a pele após duas ou mais semanas. Os investigadores também descobriram que a remoção da pele aumentou após quatro semanas. As suas experiências também mostram que o valor nutricional da medula óssea começa a deteriorar-se cerca de seis semanas após a morte do animal.

A equipa ficou surpreendida com as descobertas. “A acumulação deliberada de ossos por atraso no consumo de medula implica uma preocupação antecipada com necessidades futuras. Esse facto marca um limiar para novos modos de adaptação paleolítica, porque a capacidade de previsão ultrapassa o ‘aqui e agora’ como um meio de subsistência numa cronologia de mais de 300 mil anos”, observou.

Alguns estudos anteriores sugerem que o processo de extracção moldou a nossa própria evolução. Blasco acredita que este é apenas o começo da nossa compreensão sobre a forma como os humanos pré-históricos armazenavam alimentos para consumo posterior.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2019

 

2423: ONU quer mudanças na dieta para travar alterações climáticas

CIÊNCIA

Will Oliver / EPA

O aquecimento global só poderá ser travado com mudanças no uso dos solos e no consumo alimentar, advertiram esta quinta-feira as Nações Unidas num relatório que servirá de base a futuras negociações sobre alterações climáticas.

Os cientistas responsáveis pelo relatório asseguram que comer menos carne e mais comida à base de plantas ajuda a combater as alterações climáticas, mas sublinham que o objectivo não é dizer aos consumidores o que devem comer, mas fazer recomendações para os líderes políticos.

O documento, aprovado ao final de cinco dias de reuniões científicas na 50.ª sessão do Grupo Intergovernamental de Especialistas sobre Alterações Climáticas (IPCC) das Nações Unidas, em Genebra, sustenta que uma “melhor gestão dos solos pode contribuir para travar as alterações climáticas”.

Pela primeira vez, os especialistas estabelecem uma relação directa entre as alterações climáticas e a degradação global dos solos – zonas mais áridas, perda de biodiversidade e desertificação – e alertam para um aumento das secas em regiões como o Mediterrâneo ou o sul de África devido ao aquecimento global.

Em outras zonas, como as florestas, os efeitos das mudanças climáticas podem incluir um maior risco de incêndios ou de pragas.

Segundo o estudo, um quarto das 70% de terras usadas para actividades humanas estão degradadas, com a expansão da agricultura e da silvicultura a contribuir para o aumento das emissões de C02, para a perda de ecossistemas e para a redução da biodiversidade. Insiste também na ameaça colocada pela desertificação e a necessidade de lutar contra este fenómeno.

O relatório, o segundo dos três pedidos ao IPCC após a assinatura do Acordo de Paris, que, em 2016, estabeleceu como meta manter o aquecimento global abaixo dos 2ºC, servirá de base às futuras negociações dos estados signatários e deverá influenciar as discussões na cimeira anual sobre o clima, agendada para Dezembro em Santiago do Chile.

Os especialistas concluíram que o aquecimento das superfícies emergentes está a aumentar a uma maior velocidade do que o aquecimento global, tendo progredido 1,53ºC e o documento prevê “riscos importantes” de falta de água nas zonas áridas, incêndios e instabilidade alimentar com um aquecimento global de 1,5ºC, passando a “muito importantes” se o aquecimento for de 2°C.

O texto contém recomendações para que os governos promovam políticas de mudança do uso florestal e agrícola dos solos, tendo em conta que as florestas absorvem cerca de um terço das emissões de dióxido de carbono (CO2).

Recomenda também a implementação de políticas que “reduzam o desperdício de comida e promovam a opção por determinados regimes alimentares” numa alusão a dietas menos carnívoras e que reduzam a população obesa ou com excesso de peso, estimada em mais de 2 mil milhões de pessoas.

De acordo com o estudo, entre 35 e 30% da comida produzida no planeta é desperdiçada, enquanto se estima que 820 milhões de pessoas passem fome em todo o mundo. Combater este problema poderá reduzir a pressão de desflorestação com o objectivo de aumentar os solos agrícolas, considera o estudo, que aponta igualmente que a agricultura, silvicultura e criação de gado representam 23% do total de emissões de C02.

É proposto, por isso, retomar as práticas agrícolas, silvícolas e de produção de gado das populações indígenas, uma vez que, segundo o documento, a “sua experiência pode contribuir para os desafios que representam as alterações climáticas, a segurança alimentar, a conservação da biodiversidade e o combate à desertificação”.

Nesse sentido, o painel de especialistas apela para “acções de curto prazo” contra a degradação dos solos, o desperdício alimentar e as emissões de gases com efeitos de estufa no sector agrícola.

ZAP // Lusa

Por Lusa
8 Agosto, 2019

 

2059: Antropólogos descobriram quando é que os humanos aprenderam a cozinhar

CIÊNCIA

Randii Oliver / NASA

O hidrato de carbono amido ainda é um elemento pouco compreendido da dieta humana moderna e a nossa dieta de amido do passado pode dar uma ajuda nas investigações futuras.

Apesar de uma narrativa arqueológica que liga os nossos primeiros ancestrais hominídeos a uma dieta rica em raízes e tubérculos, há poucas evidências arqueológicas em tempo profundo do consumo de amido humano-vegetal. Geneticistas hipotetizam que a duplicação de genes de digestão do amido no início do Homo sapiens é uma resposta adaptativa a um aumento na dieta de amido.

Num novo estudo, publicado na revista Journal of Human Evolution, cientistas da Universidade Wits ofereceram a primeira evidência arqueológica de que humanos anatomicamente modernos estavam a assar e a comer amido de plantas há 120 mil anos.

O estudo é baseado em descobertas feitas na caverna do rio Klasies, na África do Sul, onde foram encontrados restos de comida carbonizada de lareiras. O trabalho é parte de uma investigação multidisciplinar sistémica sobre o papel que as plantas e o fogo desempenhavam na vida das comunidades da Idade Média da Pedra.

A principal autora, Cynthia Larbey, do Departamento de Arqueologia da Universidade de Cambridge, disse: “Os nossos resultados mostraram que as pequenas lareiras eram usadas para cozinhar alimentos e raízes de amido e tubérculos eram claramente parte da sua dieta, desde os primeiros níveis em torno de há 120 mil anos até há 65 mil anos. Apesar das mudanças nas estratégias de caça e tecnologias de ferramentas de pedra, ainda cozinhavam raízes e tubérculos”.

Já Sarah Wurz, da Escola de Geografia, Arqueologia e Estudos Ambientais da Universidade de Witwatersrand, em Joanesburgo, África do Sul, disse: “A investigação mostra que os primeiros seres humanos seguiram uma dieta equilibrada e que eram génios ecológicos, capazes de explorar inteligentemente os seus ambientes para encontrar alimentos adequados e talvez remédios”.

Combinando raízes cozidas e tubérculos com proteínas e gorduras de moluscos, peixes, fauna pequena e grande, as comunidades conseguiram adaptar-se de forma ideal ao seu ambiente, indicando grande inteligência ecológica.

“Evidências do Rio Klasies, onde vários fragmentos de crânios humanos e dois fragmentos maxilares, datados de há 120 mil anos, mostram que os seres humanos que viviam naquele período pareciam os humanos modernos de hoje. No entanto, eram um pouco mais robustos”, rematou Wurz.

ZAP //

Por ZAP
27 Maio, 2019


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2056: Cientistas analisaram vómito de tubarão e descobriram algo inesperado

CIÊNCIA

Kris Mikael Krister / Wikimedia

Um estudo divulgado na terça-feira revelou que o tubarão-tigre também se alimenta de pássaros terrestres, para surpresa dos cientistas.

Os tubarões são bastante eclécticos no que toca a comia. As presas vão desde peixes a invertebrados, mamíferos marinhos e até tartarugas. Mas um estudo recente, que identificou conteúdo nas barrigas de tubarões-tigre, encontrou um componente dietético que ninguém esperava: pássaros terrestres e canoros.

O Galeocerdo cuvier é um dos maiores tubarões e pode chegar a medir sete metros de comprimento e a pesar 600 quilos. Os cientistas já sabiam que estes animais comem quase tudo, mas descobriram que o tubarão-tigre não só aprecia aves marinhas, como gaivotas e pelicanos, como também pássaros terrestres, desde andorinhas a pombas.

“O tubarão-tigre vê algo comestível e devora, mas surpreendeu-me muito ver que também come passeriformes”, explicou Kevin Feldheim, biólogo do Feldheim of the Chicago Field Museum, nos Estados Unidos, e um dos autores do estudo, recentemente publicado na Ecology.

A equipe liderada por Marcus Drymon, da Universidade Estadual do Mississipi, estudou a dieta do tubarão-tigre depois de terem capturado exemplares de até um metro de comprimento. Depois de capturados, “sugaram” todo o conteúdo do estômago antes de libertarem os animais.

No entanto, não foi uma tarefa nada fácil, devido às mandíbulas perigosas do tubarão, capazes de triturar o casco de uma tartaruga. Além disso, os restos encontrados no estômago dos animais capturados no Golfo do México estavam parcialmente digeridos,o que dificultou o objectivo dos investigadores de determinar exactamente o tipo de ave em questão.

É aqui que entra a genética. Segundo o ScienceAlert, o material recolhido foi enviado para o Laboratório Pritzker de Sistemática Molecular e Evolução, em Chicago, para análise de ADN. “Nenhum deles era uma gaivota, pelicano ou outro tipo de ave marinha. Eram todos pássaros terrestres“, afirmou Feldheim.

De acordo com o cientista, num determinado local do litoral do Havai os filhotes de albatroz aprendem a voar, e os tubarões-tigre adultos capturam os animais. “Durante as migrações, estas aves, já cansadas, caem na água durante as tempestades“, acrescentou.

Além disso, os pássaros terrestres podem ser uma presa mais atraente do que as aves marinhas, uma vez que são menos capazes de lidar com a queda na água do que as aves marinhas.

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26 Maio, 2019


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1925: Cachorros de larvas e gelados de insectos. A dieta do planeta vai ter de mudar

CIÊNCIA

T.K. Naliaka / Wikimedia

O mundo pode estar envolvido numa crise climática e as nossas dietas estão a matar-nos, mas, em breve, poderemos desfrutar de um cachorro-quente de larvas e de um gelado de insectos.

A superpopulação está a tornar-se uma realidade no nosso planeta, colocando mais pressão sobre o meio ambiente e os seus recursos. Um dos principais problemas com a nossa gestão de recursos é a forma como obtemos a proteína na nossa dieta.

Um grande pedaço da proteína do mundo vem do gado – carne de boi, porco, cordeiro, cabra, frango ou peixe – mas é um sistema terrivelmente ineficiente. Cria toneladas de emissões de carbono, ocupa muito espaço e não é bom para a saúde.

Se vamos alimentar de forma sustentável o mundo nas próximas décadas, parece que a proteína do futuro será insectos. Assim, cientistas da Universidade de Queensland estão a investigar o uso destas criaturas como uma fonte alternativa de proteína, além de torná-las suficientemente apetitosas para consumidores exigentes.

“Um mundo superpovoado vai ter dificuldades em encontrar proteínas suficientes, a menos que as pessoas estejam dispostas a abrir as suas mentes e estômagos para uma noção muito mais ampla de alimentos”, disse Louwrens Hoffman, professor de ciência da carne na Universidade de Queensland. “O maior potencial para a produção sustentável de proteína é com insectos e novas fontes vegetais”.

A carne – pelo menos como a conhecemos – é surpreendentemente anti-económica para crescer, processar e distribuir. O gado requer oito quilos de alimento para produzir um quilo de carne, mas apenas 40% da vaca pode ser consumida. Se se comparar isso com grilos, são precisos dois quilos de alimento para produzir um quilo de carne, dos quais cerca de 80% é comestível.

No entanto, a dieta dos insectos tem um problema de imagem. Hoffman observa que os consumidores ocidentais estão dispostos a experimentar insectos em alimentos pré-preparados, mas não se sentem confortáveis ​​com a ideia de comer ou preparar refeições à base de insectos – a menos que os insectos estejam disfarçados.

Juntamente com uma equipa de cientistas de alimentos, Hoffman tem vindo a desenvolver várias maneiras de combinar proteínas alternativas numa variedade de alimentos de especialidade, como salsichas feitas de larvas da mosca negra(Hermetia illucens).

“Comeria uma salsicha feita de larvas?”, perguntou Hoffman. “E quanto a outras larvas e até mesmo insectos inteiros, como os gafanhotos? Um dos meus alunos criou um gelado de insectos muito saboroso.”

Mas se isto não estimular o apetite, os insectos poderiam ser usados ​​para alimentar galinhas. O trabalho da equipa mostrou que as dietas de frangos que incluem até 15% de refeições com larvas não reduzem o desempenho da produção de frango, eficiência no uso de nutrientes, aroma, sabor, suculência e maciez da carne, ou composição de ácidos gordos de cadeia longa.

ZAP // IFL Science
Por ZAP
5 Maio, 2019

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1625: Alerta: o planeta está menos produtivo e os alimentos estão em risco

Nas últimas duas décadas, aproximadamente 20% da superfície da terra tornou-se menos produtiva. Estudo sobre plantas, animais e microrganismos, que fazem parte das ementas dos seres humanos, relata “ameaça severa”

A humanidade está a falhar na protecção da biodiversidade pondo em causa a capacidade do mundo em produzir alimentos, de acordo com o primeiro estudo da ONU sobre plantas, animais e microrganismos, que fazem parte das ementas dos seres humanos, citado pelo jornal britânico The Guardian.

O alerta foi emitido pela Organização para a Alimentação e Agricultura (FAO, na sigla original) depois de cientistas terem descoberto evidências de que os sistemas naturais de sustentação que alimentam a dieta humana estão a deteriorar-se por todo o mundo, enquanto fazendas, cidades e fábricas devoram a terra e bombeiam produtos químicos.

O abastecimento mundial de alimentos está sob “uma ameaça severa” com a perda de biodiversidade. Nas últimas duas décadas, aproximadamente 20% da superfície da terra tornou-se menos produtiva, relata o relatório, apresentado esta sexta-feira.

No documento regista-se uma perda “debilitante” da biodiversidade do solo, florestas, campos, recifes de corais, mangais, zonas de ervas marinhas e diversidade genética em espécies de culturas e gado. Nos oceanos, um terço das áreas de pesca estão a ser “super-exploradas”.

Muitas espécies que estão indirectamente envolvidas na produção de alimentos, como aves que comem pragas das culturas e árvores de mangue que ajudam a purificar a água, são menos abundantes do que no passado, observou o estudo, que reuniu dados globais, trabalhos académicos e relatórios dos governos de 91 países.

Constatou-se que 63% das plantas, 11% das aves e 5% dos peixes e fungos estão em declínio. Os polinizadores, que fornecem serviços essenciais para três quartos das plantações do mundo, estão também sob ameaça. Para além do bem documentado declínio de abelhas e outros insectos, o relatório observou que 17% dos polinizadores de vertebrados, como morcegos e aves, estão ameaçados de extinção.

Diário de Notícias
22 Fevereiro 2019 — 08:35

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1147: Se não pararmos de comer carne, vamos acabar com o planeta

CIÊNCIA

luderbrus / Flickr

Cada cidadão deverá reduzir em 75% o seu consumo de carne de vaca, 90% de carne de porco, comer metade da quantidade de ovos e triplicar o consumo de sementes e frutos secos.

Segundo um estudo publicado esta quinta-feira na revista Nature, o consumo de carne de vaca teria de descer em 90% nos países ocidentais para que conseguíssemos evitar mudanças muito perigosas no ambiente.

Esta e outras recomendações são de alguns investigadores da Universidade de Oxford, que recomendam a redução drástica do consumo de carne para evitar alterações climáticas com efeitos devastadores.

Ao The Guardian, Marco Springmann, investigador e professor na Universidade de Oxford que liderou a investigação, disse que, actualmente, “estamos mesmo a arriscar a sustentabilidade de todo o sistema. Se estamos interessados em que as pessoas consigam comer e produzir, temos de reduzir o consumo de carne”, alertou.

Desta forma, a solução proposta pelos cientistas passa por diminuir drasticamente o consumo de carne e substituí-la por proteína animal, optando assim pelo consumo de legumes e leguminosas.

Segundo o estudo recentemente tornado publico, cada cidadão deveria reduzir em 75% o consumo de carne de vaca, em 90% o de carne de porco e comer metade da quantidade de ovos. No que diz respeito ao consumo de leguminosas, este deveria triplicar. Já o consumo de frutos secos e sementes deveria quadruplicar.

O Jornal Económico avança que a indústria agropecuária é a que mais danos causa a nível ambiental, graças à emissão de gases de efeito de estufa, à desflorestação, às quantidades de água que não são utilizadas e à contaminação de aquíferos subterrâneos.

Além desta informação – que não é propriamente uma novidade – o estudo apresenta uma previsão: se não houver uma intervenção, tudo irá ficar muito pior, dado que se prevê que a população cresça em 2,3 mil milhões em 2050, alcançando assim os 9,8 mil milhões de habitantes.

O crescimento da população estimula invariavelmente a criação de animais para consumo humano, que se está a tornar cada vez mais insustentável. Os países acidentais têm a maior culpa no cartório, dado que muitas das suas dietas são à base de produtos agropecuários.

Ainda que os investigadores lancem o alerta, admitem que esta mudança passa também pelos governos, através de políticas de educação, criação de taxas sobre os alimentos e concessão de subsídios para a produção de alimentos sustentáveis.

Isto significa que a atenção na produção de gado não é suficiente. É também necessário um cuidado adicional com os produtos de origem agrícola.

“Acho que conseguimos mudar, mas temos de ter governos mais pro-activos. As pessoas podem contribuir para a mudança se alterarem a sua alimentação, mas também se procurarem os seus políticos para lhes dizerem que precisam de ter melhores leis ambientais. Isso é muito importante”, concluiu Springmann.

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15 Outubro, 2018

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1141: Cientistas já sabem como alimentar 10 mil milhões de pessoas de forma sustentável até 2050

Stegerding / Flickr

Investigadores identificaram as melhorias que o planeta precisa para alimentar de forma sustentável a população humana em expansão.

“Sem uma acção eficaz, os impactos ambientais do sistema alimentar podem aumentar entre 50% a 90% até 2050”, afirmou Marco Springmann, especialista em sustentabilidade ambiental e saúde pública da Universidade de Oxford que liderou a pesquisa.

“Nesse caso, todas as fronteiras planetárias relacionadas com a produção de alimentos seriam superadas, algumas delas em mais do dobro”, acrescentou à Discover Magazine.

Segundo o estudo publicado a 10 de Outubro na revista Nature, a população terrestre aumentará tanto nos próximos 30 anos que esgotará a capacidade do planeta para cultivar alimentos suficientes.

À medida que as nações em crescimento começarem a comer mais – como já acontece no mundo ocidental – haverá uma intensificação dos impactos ambientais.

O sistema alimentar global estimula as mudança climatéricas, altera as paisagens e impulsiona a escassez de recursos.

Para tentar reverter o panorama futuro, Springmann estudou as opções possíveis para evitar uma crise mundial.

Para isso, Springmann e os seus colegas investigadores construíram um modelo para entender o impacto do sistema alimentar nos cinco principais sectores ambientais: emissões de gases de efeito de estufa, uso de terras agrícolas, uso de água doce e aplicações de nitrogénio e de fósforo.

O modelo criado pelos investigadores recria a produção de alimentos, o processamento e as necessidade de alimentação para 62 produtos agrícolas de 159 países, juntamente com pegadas ambientais específicas de cada país.

Panorama e situação actual

De acordo com a equipa, em 2010, o sistema mundial de alimentos emitiu cerca de 5,2 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono e ocupou cerca de 12,6 milhões de quilómetros quadrados de terras cultivadas (uma área maior do que os EUA).

No cultivo das terras foram ainda usados 1,810 quilómetros cúbicos de água doce e 104 teragramas de nitrogénio – algo como 300 mil aviões Boeing 747 – e 18 teragramas de fertilizantes fosfatados.

Com estes dados apresentados e a estimativa de que a população global crescerá cerca de um terço para quase 10 mil milhões até 2050, as expectativas não são as melhores.

Segundo o estudo, este aumento da população mundial, combinado com a triplicação da renda global, pressionará ainda mais o sistema alimentar elevando o impacto das catástrofes mundiais nos sectores alimentares entre 50% e 92%.

A solução sustentável

Para os investigadores, a produção de alimentos de origem animal é responsável por quase três quartos do total das emissões e é tão intensa e prejudicial para o ambiente que os cientistas propõe mudar as dietas para incluir menos carne e mais grãos, nozes, legumes, verduras e frutas.

Esta alteração no consumo de carne proporcionaria um alívio para todo o sistema global alimentar e ainda ajudaria a aumentar o índice de saúde mundial. Os investigadores recomendam ainda reduzir o desperdício de alimentos e melhorar as práticas agrícolas.

Em relação ao desperdício alimentar, segundo o estudo, mais de um terço de toda a comida produzida é perdida antes de chegar ao mercado ou é desperdiçada pelo consumidor final. Segundo o relatório, uma redução pela metade do desperdício de alimentos diminuiria o impacto ambiental do sistema alimentar em 16%.

Quanto à proposta da melhoria das práticas agrícolas, o estudo fala em aumentar a rentabilidade, reciclar o fósforo e utilizar as águas das chuvas de maneira mais eficiente para reduzir as tensões do sistema alimentar sobre o meio ambiente em 30%.

Não há uma solução única suficientemente eficaz para evitar ultrapassar fronteiras planetárias”, disse Springmann. “Mas quando várias soluções são implementadas em conjunto, a nossa pesquisa indica que pode ser possível alimentar a população em crescimento de forma sustentável”.

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14 Outubro, 2018

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269: Fezes de astronautas podem vir a ser transformadas em alimentos

NASA / Wikipedia

Biólogos e engenheiros da Pensilvânia, nos Estados Unidos, criaram o primeiro bio-reactor “espacial” capaz de transformar as fezes dos astronautas e cosmonautas numa mistura nutritiva de proteínas e gorduras.

Em apenas um ano, um astronauta produz cerca de 80 quilos de fezes durante uma missão espacial. Um estudo, publicado em Julho na Life Sciences in Space Research, mostra ser possível transformar as fezes de um astronauta numa “massa comestível”.

De acordo com Christopher House, professor de geociências na Universidade da Pensilvânia na Filadélfia, a equipa testou “o conceito da utilização simultânea de bio-resíduos de astronautas e a sua transformação numa biomassa comestível“.

“Embora tal ideia pareça estranha para as pessoas, não difere da comida feita de extracto de fermento e cerveja”, explica o professor. Depois do alto nível de radiação espacial, o abastecimento de comida aos astronautas que seguem para o espaço é o segundo maior problema e ambos devem ser resolvidos antes das viagens a Marte.

Além disso, segundo o CanalTech, levar comida da Terra para o espaço sideral faz com que haja um aumento de peso o que, consequentemente, exige uma maior quantidade de combustível.

A equipa tentou unir os dois processos ligados à actividade vital humana para testar se tal ideia é viável. Desta forma, os biólogos e engenheiros usaram um material sólido e um material líquido – semelhantes às fezes humanas – criando um sistema cilíndrico fechado com cerca de quatro metros de comprimento e quatro centímetros de diâmetro.

Nesses sistema cilíndrico, colocaram micróbios seleccionados que entraram em contacto com o material e, por meio da digestão anaeróbica, conseguiram quebrar os resíduos existentes.

“Esta é uma maneira eficiente de obter massas tratadas e recicladas. O que foi inédito no nosso trabalho foi retirar os nutrientes da corrente e, intencionalmente, colocá-los num reactor microbiano para produzir alimentos“, explica House.

Com esta experiência, a equipa descobriu que, durante a digestão anaeróbica, foi produzido metano que pode ser usado para cultivar um outro tipo de micróbio (Methylococcus capsulatus), que é usado vulgarmente como alimento para animais.

Assim, chegaram à conclusão de que é possível produzir um alimento nutritivo, visto que conseguiram produzir uma biomassa com 52% de proteína e 36% de gorduras. De acordo com House, esta instalação pode processar mais da metade dos bio-resíduos de cinco ou seis astronautas, no decorrer de um dia.

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Por ZAP
30 Janeiro, 2018

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