Alterações climáticas ameaçam os “maki sushi”

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

O aumento da temperatura do mar e as políticas de protecção do meio ambiente estão a afectar a produção de alga nori, fundamental para o sushi e muitos outros pratos japoneses.

Sushi

A alga nori é mundialmente conhecida por ser um dos principais ingredientes do sushi, pois é graças a ela que é possível compactar o arroz e o peixe formando uma das ofertas mais populares: os makis.

No entanto, esta alga pode agora estar em perigo. Segundo o Financial Times, o aumento da temperatura da água do mar faz com que a produção de nori no Japão esteja a diminuir pois este tipo de alga desenvolve-se com temperaturas a rondar os 23 graus e o Oceano Pacífico estará a aquecer mais do que o devido, dificultando o crescimento.

“As condições óptimas de seu cultivo são muito concretas e com muito pouca margem de variação que permita manter sua produção elevada e de qualidade”, adianta Alba Vergés, investigadora do grupo Biodiversidade e Recursos Marinhos da Universidade de Girona

O aquecimento da água marinha é o único impedimento ao seu cultivo. Embora pareça contraditório, a mudança da política ambiental japonesa, que minimiza a quantidade de desperdícios que chegam a esta zona costeira, também dificulta o seu crescimento. “As boas práticas limitam a chegada dos restos de fertilizantes às águas continentais, e por onde, o mar, assegura Manuel García Tasende, do Centro de Investigações marinhas CIMA, em Corón, (Pontevedra). Fertilizantes esses que servem de alimento à alga nori.

A contaminação da água marinha, fundamentalmente por nitrogénio, faz com que se acumulem resíduos orgânicos, e isto favorece a proliferação de certas algas, que geram danos irreparáveis no ecossistema marinho. Segundo Tasende, do centro de investigações marinhas (CIMA), isto é o que sucede na actualidade, em Espanha, no Mar Menor.

O que é a alga Nori?

O que designamos “alga nori” são na realidade distintas espécies de algas roxas marinhas do género Pyropia y Porphyra. Segundo Javier Cremades Ugarte, catedrático de Botánia e membro do Grupo de Investigação de Biologia Costeira (BioCost) no Centro de Investigações Científicas Avançadas (CICA) da Corunha, estas espécies foram as primeiras algas a serem cultivadas de maneira industrial no mundo, na costa do Japão.

“A nori é uma das algas alimentares mais apreciadas pelas suas excelentes características organolépticas e nutricionais” explica Cremades. “É de longe a espécie de macro-alga marinha mais rica em proteínas e, junto com o Kombu japonês e o wakame, uma das algas alimentares mais cultivadas do mundo” Segundo explica Manuel Garcia Tasende, a nori é a alga de maior valor comercial a nível mundial. “Move cerca de 1.500 milhões de dólares por ano, e se cultivam uma 710.000 toneladas anuais, segundo dados da FAO de 2016.

Diário de Notícias

DN
11 Novembro 2019 — 13:40

 

2604: A erupção do Kilauea foi uma “fábrica” de algas no Oceano Pacífico

CIÊNCIA

A incrível floração de algas ligada à erupção do vulcão Kilauea, no ano passado, foi deflagrada pela lava despejada no oceano Pacífico.

Quando ocorre uma erupção vulcânica, pensamos imediatamente num desastre. No entanto, dependendo das condições, uma erupção pode mesmo significar renovação de vida. O artigo científico, publicado no dia 5 de Setembro na Science, ilustra bem esta situação.

Uma equipa de cientistas das universidades do Havai e do Sul da Califórnia (USC) analisou atentamente as imagens capturadas por um satélite da NASA, em Julho do ano passado. Ao observarem as fotografias da erupção do vulcão Kilauea, os cientistas notaram que a água ao redor do vulcão estava verde.

O satélite detectou grandes quantidades de clorofila, o pigmente verde que converte a luz em energia, presente em algas e outras plantas. Os cientistas foram de barco até à região para recolher amostras, com a esperança de descobrir por que motivo tantas algas começaram a crescer na água após a erupção que derramou, aproximadamente, mil milhões de toneladas de lava quente.

O novo estudo mostra que a pluma verde no oceano ao redor do vulcão continha o cocktail perfeito para o crescimento de plantas e algas: uma mistura fértil de níveis mais altos de nitrato, ácido silícico, ferro e fosfato.

“Não havia razão para esperarmos que uma floração de algas deste tipo acontecesse”, disse o geoquímico Seth John, professor de ciências da Terra da USC e autor do estudo. “A lava não contém nitrato”, continuou, citado pelo Europa Press.

Quer na água, quer na terra, o azoto é um fertilizante natural para as plantas. Com tais condições, a eflorescência de algas expandiu-se por centenas de quilómetros no Oceano Pacífico.

“Normalmente, sempre que uma alga cresce e se divide, é devorada imediatamente por outro plâncton. A única maneira de haver essa floração é se ocorrer um desequilíbrio”, explicou Nicholas Hawco, co-autor do estudo.

Segundo os cientistas, o azoto tem origem, provavelmente, no fundo do oceano. Quando a lava quente entrou, forçou uma ressurgência de águas mais frias e profundas do Pacífico. Ao subir, a água transportou azoto e outras partículas para a superfície, ajudando assim as algas a proliferar.

“Ao longo da costa da Califórnia, existem afloramentos regulares”, afirmou John. “Todos os estratos de algas e criaturas marinhas que habitam nesses ecossistemas são basicamente movidos por correntes que trazem nutrientes fertilizantes das águas profundas para a superfície.”

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

1067: Lagoa cor-de-rosa em Espanha alimenta esperança de vida em Marte

Europlanet / F Gómez / R Thombre
A lagoa tem uma tonalidade cor-de-rosa devido às células vermelhas das algas Dunaliella salina

Uma equipa de biólogos descobriu um micro-organismo incomum numa lagoa cor-de-rosa na Espanha, capaz de sobreviver em Marte. Este microrganismo pode ser o primeiro colonizador do Planeta Vermelho.

Os resultados da pesquisa foram apresentados nesta quinta-feira no Congresso Europeu de Ciências Planetárias, realizado em Berlim, na Alemanha.

A bióloga Rebecca Thombre, do Colégio Moderno de Artes, Ciências e Comércio da cidade indiana de Puna, e o doutor em ciências biológicas Felipe Gomes, do Centro de Astrobiologia de Madrid, em Espanha, recolheram amostras da laguna de Pena Hueca e constataram que a tonalidade cor-de-rosa da lagoa se deve às células vermelhas das algas Dunaliella salina EP-1 – organismos até agora desconhecidos da Ciência.

Segundo Thombre, estas algas são seres extremófilos – organismos que sobrevivem em condições extremas – e são, até ao momento, as mais tolerantes já encontradas.

Os cientistas sublinham que, na maioria dos casos, os microrganismos não toleram “ambientes hipersalinos“, já que nestas condições a água necessária para que as suas células funcionem “tende a sair” através da membrana celular.

No entanto, a Dunaliella salina EP-1, e tal como o próprio nome indica, consegue sobreviver em condições salinas porque a lagoa Pena Hueca produz moléculas como o glicerol que criam um análogo de alta concentração de sal no interior das suas células, impedindo assim a perda de água.

As amostras vermelhas das algas num cristal de sal

Os biólogos também conseguiram identificar uma bactéria halofílica, a Halomonas gomseomensis PLR-1 numa pedra cor-de-rosa submersa na lagoa, rica em sulfatos.

O estudo deste microrganismo pode fornecer pistas vitais para compreender o papel dos sulfatos no crescimento microbiano e a litopanspermia – teoria segundo a qual os organismos podem ser transferidos através das pedras de um planeta para outro.

“A resistência dos extremófilos na Terra a condições semelhantes às de Marte demonstra o seu potencial para prosperar em solo marciano”, sustentou Gomez, ressaltando que a descoberta “tem implicações para a protecção planetária, assim como para o modo como as algas poderiam ser usadas para ‘terraformar’ Marte“, isto é, criar condições para que o Planeta Vermelho conseguisse acolher vida.

Por SN
24 Setembro, 2018

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1034: Misteriosos organismos marinhos podem estar a encher o céu de nuvens

CIÊNCIA

(CC0/PD) waqutiar / pixabay

Segundo um novo estudo, algumas algas marinhas microscópicas poderão estar a ter um papel importante e activo na formação de nuvens sobre os oceanos.

Numa investigação publicada na revista iScience a 15 de agosto, investigadores acreditam que uma espécie unicelular de alga – Emiliana Huxleyi – pode ser responsável pela criação dessas partículas que “semeiam” as nuvens.

As nuvens são criadas quando gotas de água microscópicas condensam na superfície de outras partículas microscópicas. Estas partículas podem ser solúveis como os cristais de sal ou insolúveis como partículas de poeiras.

Este fitoplâncton, omnipresente em todos os oceanos, é destruído a partir do interior através de um vírus comum e as suas remanescências formam partículas insolúveis nas quais as gotículas de água se condensam na atmosfera.

As remanescências deste fitoplâncton são uma espécie de “carapaça” dura que é constituída por cerca de 30 escamas de calcite que se designam por cocólitos (cuja dimensão é da ordem dos três micrómetros).

Quando as condições são as mais adequadas, esta alga floresce e multiplica-se e, mesmo sendo de tamanho microscópico, consegue colorir os mares com um tom turquesa brilhante.

Quando esta alga morre, a maioria dos cocólitos acaba como parte do sedimento do fundo do oceano, e estima-se que estes organismos sejam responsáveis pela deposição de cerca de 1,5 milhões de toneladas de calcite nos oceanos por ano.

Contudo, nem todos os cocólitos vão para ao fundo dos oceanos. Existem vestígios de cocólitos em pulverizadores marítimos, levados pela rebentação marítima ou pelas bolhas na água.

Os aerossóis de pulverização marítima desempenham um importante papel na regulação do clima terrestre, e a presença deste fitoplâncton aumenta o número de gotas de nuvens sobre o oceano.

Alison R. Taylor, USCWM / Wikimedia
Emiliana Huxleyi, organismo marinho unicelular que produz escaras de carbonato de cálcio (cocólitos)

Na análise, os investigadores do Instituto Weizmann de Ciência da Universidade de Rehovot, em Israel, infectaram metade de uma população de Emiliana Huxleyi com um vírus que frequentemente as infecta na natureza. A outra metade da população foi utilizada como controlo, sendo mantida livre deste vírus.

Inicialmente, cada milímetro da água continha 20 milhões de cocólitos. Passados apenas cinco dias, este número mais que triplicou nas algas infectadas em comparação com a população que serviu de controlo.

O passo seguinte na investigação foi utilizar bolhas para imitar a agitação natural dos oceanos, que cria o pulverizador marítimo. Nesta fase, havia dez vezes mais cocólitos no ar das algas infetadas do que nas algas que serviram para controlo.

Segundo os investigadores, a diminuta dimensão e peso dos cocólitos faz com que estes se mantenham no ar durante muito mais tempo, caindo “25 vezes mais devagar do que as partículas de sal marinho com a mesma dimensão”.

Isto significa que, em condições onde partículas mais pesadas podem cair, os fragmentos dos cocólitos não o fazem, concentrando-se no ar e influenciando a formação de nuvens.

Por ZAP
18 Setembro, 2018

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