2575: Encontrados edifícios e via romanos em escavações arqueológicas de Tavira

CIÊNCIA

Filipe Farinha/ Lusa
Escavação arqueológica na cidade de Balsa, em Tavira, desvendou edifícios e uma via romanos.

As escavações arqueológicas realizadas nos vestígios da antiga cidade romana de Balsa, em Tavira, confirmaram a existência de edificações e de uma via com orientação este-oeste.

A definição de onde acaba e começa a cidade romana do século I é o grande objectivo do projecto de investigação de três anos iniciado este verão.

João Pedro Bernardes, investigador da UAlg, fez um balanço positivo do trabalho desenvolvido no primeiro ano do projecto de investigação, que permitiu descobrir “os limites de duas edificações e a via que existia entre ambas, com direcção este-oeste”.

Durante um dia aberto na escavação, o arqueólogo mostrou-se satisfeito com os resultados alcançados, porque foram descobertas estruturas, que “confirmaram o que já se tinha identificado com as sondagens geofísicas” e os trabalhos de prospecção feitos em 2017.

“A cidade teve um período áureo entre o século I e século II, marcado por grandes construções e edifícios, e depois temos uma fase mais de decadência da cidade, que se regista a partir do século III e que vai até ao século VII, e que reaproveita os materiais da fase mais antiga”, afirmou o investigador da UAlg.

“É isso que estamos aqui a constatar e que é provado também por materiais que nos chegam aqui de todo o mediterrâneo”, acrescenta João Pedro Bernardes  entre esses materiais estão “cerâmicas finas“.

Os arqueólogos encontraram ainda um fragmento de uma peça “com a marca do oleiro” e que se sabe que foi “importada da actual França, da antiga Gália”, referiu o investigador.

Foi também possível, numa outra escavação mais acima no terreno, perceber os danos que a exploração agrícola na zona ao longo de anos e a utilização de máquinas provocou nos vestígios que estavam enterrados, “porque são visíveis as marcas das máquinas na pedra” que estava na base do terreno, explicou o arqueólogo.

Sobre o que fica para fazer nos próximos dois anos, a mesma fonte respondeu que falta o grande objectivo, que é o de “determinar a extensão da cidade“.

“E para isso precisaremos provavelmente de entrar em negociações com vários proprietários, porque pensamos que a cidade se prolonga para outras propriedades“, disse o investigador, referindo-se à zona a nascente da actual localização.

A autarquia de Tavira, através da vice-presidente, Ana Paula Martins, salientou ainda a importância de haver transparência em toda a informação disponível sobre Balsa, para que “se saiba exactamente o que lá está” e “libertar as zonas onde não há vestígios”, com a definição de uma nova Zona Especial de Protecção (ZEP).

Balsa situa-se na freguesia de Luz de Tavira, na zona da Torre D’Aires, numa área protegida localizada junto à ria Formosa, e está já abrangida por uma ZEP.

As escavações arqueológicas estão a ser conduzidas pela Universidade do Algarve (UAlg) e o Centro de Ciência Viva de Tavira, com o apoio da Direcção Regional de Cultura e a Câmara de Tavira, em terrenos privados da Quinta da Torre D’Aires, na freguesia de Luz de Tavira.

DR, ZAP //

Por DR
4 Setembro, 2019

 

2123: Alterações climáticas ameaçam Algarve até ao final do século

girolame / Flickr

Até ao final do século, o Algarve pode ter mais eventos meteorológicos extremos e uma maior mortalidade devido a ondas de calor, assim como problemas causados por cheias e pelo avanço do mar, aponta um estudo recentemente divulgado.

A subida do nível do mar, o aumento da temperatura e a diminuição dos recursos hídricos são os factores que se prevê que tornem a região do Algarve mais vulnerável até ao final do século, aponta o cenário traçado no Plano Intermunicipal de Adaptação às Alterações Climáticas (PIAAC).

Segundo disse à Lusa o coordenador científico do plano, Luís Dias, um modelo estatístico desenvolvido no plano estima que “a mortalidade no Algarve associada a eventos particularmente quentes pode subir de 2% para 7%“, sobretudo no sotavento (leste) algarvio, sendo Alcoutim “a situação mais preocupante”.

“Em cenário de alterações climáticas, Julho e Agosto passam a ser meses muito quentes”, o que pode modificar a tendência da ocupação turística no Algarve, refere aquele responsável, que nota a possibilidade de passarem a haver duas épocas turísticas, de tempo mais ameno, intervaladas por dois meses muito quentes.

No que respeita à subida do nível do mar, as zonas mais afectadas poderão ser Faro e Quarteira – mais vulneráveis por terem ocupação urbana -, mas também Lagos e Tavira, neste último caso devido ao aumento da probabilidade da ocorrência de cheias e inundações, acrescentou o especialista.

De acordo com Luís Dias, apesar de actualmente ainda ser possível travar o avanço do mar com a alimentação artificial de praias e a criação de dunas, essas soluções poderão não ser suficientes daqui a 40 ou 50 anos, tendo que ser equacionadas outras medidas, como a construção de paredões ou, mesmo, a deslocalização de parte da população.

Por outro lado, “devem ser tomadas medidas no espaço público para proteger as áreas urbanas de cheias e inundações”, sendo necessário também que as cidades tenham mais condições para que os habitantes enfrentem o calor: através de mais espaços verdes, presença de água, sombreamento e até uso de micro-aspersores para pulverizar água.

A diminuição de recursos hídricos é outra ameaça que paira sobre a região, que actualmente já enfrenta períodos de seca, com um agravamento do cenário na agricultura que pode ser mitigado pela implementação da dessalinização de água do mar.

“Mantendo-se a agricultura no estado em que está e o consumo no estado em que está, e partindo do princípio que não haverá alteração, no pior cenário, por volta de 2080 teremos que construir uma central de dessalinização”, refere.

O PIAAC envolveu responsáveis universitários, autarcas e técnicos de instituições públicas na elaboração de propostas de medidas de adaptação que, a longo prazo, contribuam para minimizar os impactos das alterações climáticas em vários sectores.

O coordenador não científico do plano, Filipe Duarte Santos, é membro do centro de investigação da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, tendo sido um dos revisores do relatório do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC).

Esta iniciativa envolveu um investimento superior a 470 mil euros, verba financiada em 85% pelo Fundo de Coesão, através do Programa Operacional Sustentabilidade e Eficiência no Uso dos Recursos, e em 15% pelos municípios algarvios.

ZAP // Lusa

Por Lusa
6 Junho, 2019



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1038: Descoberto porto romano com quase dois mil anos em Vila do Bispo

CIÊNCIA

(dr)
Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares

Descoberta resulta de uma campanha arqueológica iniciada há aproximadamente dois anos na praia da Boca do Rio, em Budens, classificado como um dos mais importantes da ocupação romana entre os séculos I e V, no sudoeste algarvio.

Uma equipa luso-alemã das Universidades do Algarve e de Marburgo descobriram, em Vila do Bispo, um porto romano com dois mil anos, com o melhor estado de conservação “identificado até hoje em Portugal”, anunciou o município.

A descoberta resulta de uma campanha arqueológica iniciada há aproximadamente dois anos na praia da Boca do Rio, em Budens, classificado como um dos mais importantes da ocupação romana entre os séculos I e V, no sudoeste algarvio.

Em comunicado, a autarquia adianta tratar-se de um antigo complexo industrial de transformação de preparados de peixe e do respectivo porto, que faziam parte de uma ‘villa’ marítima, com uma “grande casa voltada ao mar, de onde se têm recolhido mosaicos e outros objectos que documentam a vida quotidiana” na ocupação romana.

Durante o Período Romano o mar entrava terra dentro, formando uma extensa laguna, o actual Paul da Boca do Rio/Lontreira, em cuja margem direita se desenvolveu um importante complexo de transformação de preparados de peixe, sobretudo a partir de finais do século II d.C., servido pelo porto agora descoberto”, refere a autarquia.

Actualmente, o porto situa-se numa zona seca e é constituído por “um imponente cais em silharia de calcário com mais de 40 metros de extensão, de onde sobressaem pedras perfuradas para amarração de barcos, uma rampa e uma escadaria de acesso à água do antigo paleoestuário da Boca do Rio”.

Para além da recém identificada estrutura portuária, existem, sob as dunas, várias fábricas que serviam para a produção de molhos e pastas de peixe, produto conhecido pelos romanos como ‘garum’.

O sítio pesqueiro romano foi abandonado na primeira metade do século V, voltando a ser ocupado com uma armação de pesca do atum no século XVI e, de novo, após o ‘tsunami’ de 1755, no século XVIII.

As armações da época moderna “aproveitaram as estruturas romanas fundadas nas dunas para aí edificar os seus edifícios que ainda hoje se podem ver no local”, sublinha a autarquia.

O sítio da Boca do Rio é um dos locais que melhor preserva o registo do maremoto que se seguiu ao terramoto de 1755, que arrasou Lisboa, Cádis (em Espanha) e boa parte da costa algarvia.

Os trabalhos arqueológicos desenvolvidos na praia da Boca do Rio decorrem ao abrigo do projecto de investigação “Boca do Rio – um sítio pesqueiro entre dois mares”, coordenado pelos professores João Pedro Bernardes, do Centro de Estudos em Artes, Arqueologia e Património (CEAACP) da Universidade do Algarve, e Félix Teichner, da Universidade de Marburgo.

O estudo desenvolve-se com o apoio logístico e financeiro do município de Vila do Bispo, encontrando-se sediado no Centro de Acolhimento à Investigação – Núcleo de Investigação Arqueológica de Vila do Bispo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
18 Setembro, 2018

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