2329: Localidade a 900km do Polo Norte registou uma temperatura de 21º, a mais alta desde 1956

Johannes Zielcke / Flickr

O termómetro atingiu, no domingo, os 21 graus centígrados em Alert – a localidade habitada mais setentrional do planeta, a menos de 900 quilómetros do Polo Norte, que fica em Nunavut, no Canadá – e estabeleceu um “recorde de calor absoluto” para o verão boreal.

De acordo com a informação revelada na terça-feira por uma instituição de meteorologia canadiana, citada pelo Sapo 24, Alert, uma base militar permanente estabelecida no paralelo 82 fundamentalmente para a intercepção de comunicações russas, é sede de uma estação meteorológica desde 1950.

“É impressionante do ponto de vista estatístico. É um exemplo entre centenas de outros recordes estabelecidos pelo aquecimento global”, explicou à agência France-Press (AFP) Armel Castellan, meteorologista do Ministério do Meio Ambiente do Canadá.

A 14 de Julho, a base registou 21 graus, já a 15 de Julho, registou 20. “Este é um recorde absoluto, nunca tínhamos visto nada assim”, disse Armel Castellan.

As altas temperaturas que se verificaram no norte “são totalmente devastadoras” sobretudo porque “tivemos temperaturas muito mais quentes que o habitual durante uma semana e meia”.

O recorde anterior de 20 graus centígrados foi estabelecido no dia 08 de Julho de 1956, mas desde 2012 que se registaram vários dias com temperaturas entre 19 e 20 graus nesta estação.

Refira-se que a média diária em Alert, para um mês de Julho, é de 3,4 graus e a temperatura média máxima é de 6,1 graus.

Portanto, não será exagerado falar de “uma onda de calor árctica”, disse David Phillips, especialista do gabinete do Meio Ambiente e Mudança Climática do governo canadiano. E reforçou à CBC que se trata de algo “sem precedentes”.

“O norte, do Yukon às ilhas do Árctico, registou a sua segunda ou terceira primavera mais quente”, assinalou David Phillips. E os modelos de previsões do governo canadiano “revelam que isto vai continuar em Julho e entre Agosto e princípio de Setembro”, revelou.

A actual onda de calor deve-se a uma frente de alta pressão sobre a Gronelândia, que é “bastante excepcional” e alimenta os ventos do sul no Oceano Árctico.

De acordo com David Phillips, o Árctico está a aquecer três vezes mais rápido do que outras partes do planeta. E, por essa razão, destacou a urgência em levar a cabo uma drástica redução das emissões de carbono.

TP, ZAP //

Por TP
17 Julho, 2019

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