4344: Afinal, o famoso Disco de Nebra pode não ser uma antiga representação do céu

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Dbachmann / Wikimedia

O Disco de Nebra é um dos mais famosos artefactos arqueológicos da Alemanha. No entanto, afinal, pode não ser uma representação do céu – como se pensava.

Descoberto por dois saqueadores em 1999, o Disco de Nebra foi desenvolvido por humanos pré-históricos que embutiram em uma patina azul-esverdeada símbolos de ouro que representam a Lua, o Sol, as estrelas e talvez até a Via Láctea. O Museu Estadual de Pré-história em Halle, Saale, assumiu a propriedade do disco em 2002 e, desde então, tem havido um grande debate sobre a sua verdadeira idade.

O artefacto em si não pode ser datado e a forma como o disco foi encontrado é pouco clara: os saqueadores afirmam que encontraram o Disco de Nebra juntamente com espadas, machados e braceletes datados da Idade do Bronze, aproximadamente entre 2200 e 1600 a.C.

Se assim for, o disco seria a representação concreta mais antiga conhecida do céu nocturno.

Porém, dois investigadores não acreditam nesta datação, dizendo que não foi encontrado nenhum objecto da Idade do Bronze como o Disco de Nebra. A dupla sugere que o Disco do Nebra data da Idade do Ferro, tornando-o cerca de 1.000 anos mais jovem do que se pensava.

Segundo os arqueólogos, a história dos saqueadores sobre a forma como encontraram o disco não corresponde ao que pode ser reconstruido a partir do próprio artefacto.

Os cientistas também compararam os metais do disco com os de outros objectos encontrados no mesmo local. Muitas vezes, há evidências de que todos os objectos num mesmo tesouro foram feitos a partir de matéria-prima colhida no mesmo lugar. Porém, não encontraram semelhanças. Os artefactos foram obtidos de material espalhado pelos Alpes Orientais.

“Na nossa opinião, os resultados obtidos mostram que as descobertas não pertencem uns aos outros”, disse Rüdiger Krause, especialista em análises de metais, em comunicado.

Este trabalho é duramente rejeitado pelo Escritório Estadual de Arqueologia da Saxónia-Anhalt, região onde o disco foi encontrado.

“Os colegas não só ignoram a abundância de resultados de pesquisas publicadas nos últimos anos, os seus vários argumentos também são facilmente refutados. Em particular, a correlação do Disco de Nebra com as outras descobertas do tesouro, cuja Idade do Bronze não está em questão, é colocada em dúvida. As alegações são de que as ligações de solo no Disco de Nebra não correspondem às das outras descobertas e que as análises geoquímicas dos metais não sustentam a sua coerência. Ambas as declarações estão comprovadamente incorrectas“, lê-se no comunicado.

Embora a equipa diga que as representações do disco estão mais próximas de artefactos encontrados no século 5 a.C, como a espada de Allach, de Munique, não têm dúvidas de que o disco é autenticamente pré-histórico, único e de imenso valor científico.

Este estudo foi publicado na revista científica Archäologische Informationen.

ZAP //

Por ZAP
17 Setembro, 2020

 

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4285: Inovação das ferramentas Neandertais foi impulsionada pelas alterações climáticas

CIÊNCIA/ANTROPOLOGIA/ARQUEOLOGIA

Kojotisko / Flickr

Acredita-se que os Neandertais tenham andado pela Terra durante cerca de 360 mil anos, período durante o qual o planeta experimentou vários ciclos glaciais. Agora, um novo estudo revela que não morreram sem dar luta.

De acordo com o site IFLScience, o novo estudo apresenta uma análise detalhada das ferramentas Neandertais recuperadas de Sesselfelsgrotte, caverna na Alemanha considerada um dos mais importantes sítios Neandertais na Europa central.

Utilizando técnicas de digitalização 3D, os investigadores foram capazes de observar estes utensílios com detalhes sem precedentes, observando que tinham vários formatos e tamanhos.

Esta variação no design das ferramentas oferece novas luzes sobre a complexidade das estratégias de sobrevivência dos Neandertais já que, geralmente, se acredita que estes hominíneos dependiam sobretudo de facas de pedra de uma lâmina conhecidas como Keilmesser.

No entanto, muitas das ferramentas encontradas em Sesselfelsgrotte continham várias lâminas, com várias bordas a ser afiadas para maximizar a superfície de corte.

Ao interpretar esta descoberta, os autores do estudo, publicado, a 19 de Agosto, na revista científica PLOS One, sugerem que essas facas mais complexas tornaram-se comuns numa altura em que as temperaturas globais caíam de forma significativa há cerca de 60 mil anos.

À medida que o gelo se espalhava pela terra, os Neandertais descobriram que tinham menos acesso a recursos vitais e, portanto, foram forçados a adoptar um estilo de vida mais nómada. Isso exigiu o desenvolvimento de ferramentas mais duradouras que pudessem ser utilizadas durante viagens longas, sem terem de ser substituídas tão regularmente como as antigas facas.

Em comunicado, o autor do estudo, Thorsten Uthmeier, investigador do Instituto de Pré-história e História Antiga da Universidade de Erlangen-Nuremberga (FAU), disse que o desenvolvimento de facas de formato bifacial durante este período “não é apenas uma prova directa das habilidades de planeamento avançado dos nossos parentes extintos, mas também uma reacção estratégica às restrições impostas por condições naturais adversas.”

“Ao contrário do que algumas pessoas afirmam, o desaparecimento dos Neandertais não pode ter sido resultado de uma falta de inovação ou pensamento metódico”, concluiu.

ZAP //

Por ZAP
6 Setembro, 2020

 

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4204: Descoberta a estrela mais veloz da Via Láctea. Faz companhia ao buraco negro super-massivo no centro da galáxia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

ESO / Wikimedia

Um grupo de astrofísicos da Alemanha detectou várias estrelas desconhecidas muito próximas do buraco negro super-massivo no centro da nossa galáxia, Sagitário A*, e dizem que uma delas é a estrela mais rápida já vista.

A estrela, designada S4714, está numa órbita muito alongada em torno do buraco negro super-massivo da Via Láctea e, quando se aproxima, acelera até 24 mil quilómetros por segundo – 8% da velocidade da luz.

A nova descoberta faz parte de uma “população de estrelas difusas que podem ser encontradas a distâncias de Sagitário A* comparáveis ​​ao tamanho do nosso sistema solar”, de acordo com os investigadores.

As cinco estrelas que os autores relatam ter avistado recentemente no centro da galáxia têm períodos orbitais curtos, começando em 7,6 anos terrestres. Todos elas medem entre 2,0 e 2,8 massas solares e estão no limite de detecção devido às suas pequenas dimensões e à distância que nos separa do centro da Via Láctea (cerca de 25.900 anos-luz).

S4714 gira em torno do buraco negro em cerca de 12 anos: não é o período orbital mais curto de todo o grupo, mas destaca a sua órbita, que é extremamente excêntrica e representa uma elipse muito alongada. Numa escala de 0 a 1, essa excentricidade tem o valor 0,985, dificilmente compatível com uma órbita estável.

Vários anos de observações do Chile, onde está localizado o telescópio VLT do Observatório Europeu do Sul, mostraram que a certa altura a estrela passa a 1,9 mil milhões de quilómetros do buraco negro e é então que acelera ao máximo. A velocidade cai enquanto o S4714 se move até 250 mil milhões de quilómetros do buraco negro.

Durante anos, outra estrela, conhecida como S2 e uma das mais brilhantes do mesmo aglomerado de estrelas, foi considerada a mais próxima do buraco negro super-massivo. No momento da sua abordagem mais próxima, a sua órbita fica a cerca de 10 mil milhões de quilómetros do Sagitário A*.

Os cientistas apontam para esta estrela, um novo recorde de velocidade espacial, como um dos “candidatos perfeitos” para a observação de efeitos gravitacionais.

O primeiro autor do estudo, Florian Peissker, da Universidade de Colónia, falou, ao ScienceAlert, sobre as “interacções relativísticas” muito fortes entre o buraco negro e três das estrelas observadas neste estudo. Além disso, apontou S4714 como um candidato para uma nova e, até agora, hipotética categoria de estrelas “comprimida” por tais interacções.

Este estudo foi publicado este mês na revista científica The Astrophysical Journal.

ZAP //

Por ZAP
21 Agosto, 2020

 

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1213: Submarino nazi com toneladas de mercúrio ameaça o mar na Noruega

DESTAQUES

A 9 de Fevereiro de 1945, nos últimos meses da Segunda Guerra Mundial, o submarino alemão U-864 navegava pela costa oeste da Noruega carregado de matérias-primas para fabricar equipamento bélico – incluindo chumbo, aço e 65 toneladas de mercúrio.

A missão do U-864, chamada Operação César, era chegar até ao Japão, país aliado da Alemanha, com o objectivo de fortalecer o arsenal japonês na 2ª Guerra Mundial. A tripulação do submarino era de 73 pessoas, incluindo cientistas que trabalhavam para o regime nazi, e que iriam passar o seu conhecimento aos japoneses.

Mas a operação fracassou.

Um submarino britânico, o HMS Venturer, conseguiu interceptar o U-864 e torpedeou-o. Todos os ocupantes morreram.  O ataque entrou para a história como o único episódio da guerra em que um submarino submerso conseguiu destruir outro que também estava no fundo do mar.

Em 2003, passados 58 anos, a Marinha norueguesa encontrou os destroços do U-864, a duas milhas náuticas de distância da ilha Fedje. E a descoberta trouxe preocupações para as autoridades do país.

O submarino, cujos destroços estão a 150 metros de profundidade, está fendido em duas partes, na proa e na popa, e diversos fragmentos da embarcação repousam à volta. Agora, as autoridades norueguesas discutem qual é a melhor forma de lidar com o risco de contaminação trazido pela carga de mercúrio que ainda está no interior do U-864.

Kystverket / Norwegian Coastal Administration
Imagens captadas por sondas mostram que o U-864 está a 150 metros de profundidade

Nos anos após a descoberta dos destroços, estudos indicaram que a concentração de mercúrio nas proximidades do submarino estava acima de limites aceitáveis. Em 2005, a Autoridade de Segurança Alimentar norueguesa recomendou que crianças e mulheres grávidas não comessem alimentos que tivessem sido pescados naquela região.

Um estudo do Instituto Nacional de Investigação sobre Nutrição e Alimentos Marinhos concluiu que os peixes que tinham sido expostos a sedimentos da zona em que o submarino se encontra tinham níveis de mercúrio quatro vezes mais altos que os peixes de outras áreas da costa norueguesa.

Em 2014, a Administração Costeira da Noruega levantou outra preocupação: remover os destroços do submarino faria com que o material tóxico se espalhasse. Para evitar que o submarino se movesse durante eventuais tremores no leito marinho, foram lançados sobre os destroços 100.000 m3 de areia e rochas, para estabilizar a área.

As autoridades norueguesas decidiram agora que cobrir o submarino é a solução mais segura e ambientalmente correcta. Segundo comunicado recente do Ministério dos Transportes do país, será lançado sobre os destroços uma espécie de “cobertor” com uma área de 47.000 m2.

Se tudo correr bem, a cobertura estará concluída até 2020, “para proteger os destroços, os sedimentos contaminados e uma zona de transição de 17.000 m2“. O objectivo é conter o mortífero legado – que poderia desencadear um dos piores desastres ecológicos de sempre no Mar do Norte.

ZAP // BBC

Por CC
29 Outubro, 2018

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728: “Stonehenge alemão” revela evidências de sacrifício humano

Diwan / Wikimedia

Uma recente escavação feita no “Stonehenge alemão” revelou novas evidências de que aquele local foi utilizado para rituais de sacrifício humano.

Um antigo monumento circular de madeira na Alemanha, semelhante – tanto em idade, como em aparência – ao famoso Stonehenge, no Reino Unido, pode ter sido um local de sacrifícios humanos. Localizado na cidade de Pömmelte, no leste do país, este monumento fica a cerca de 136 quilómetros de Berlim.

Os arqueólogos alemães André Spatzier e François Bertemes fizeram escavações no sítio arqueológico de Ringheiligtum Pömmelte e, entre machados de pedra e ossos de animais, encontraram também corpos desmembrados de dez mulheres e crianças.

Quatro corpos mostraram sinais de traumatismos crânio-encefálicos e fracturas em costelas que ocorreram antes da morte, escreveram os arqueólogos na revista Antiquity.

O esqueleto de um adolescente foi encontrado com as mãos amarradas e todos os corpos foram descobertos em posições que sugeriam que tinham sido atirados para poços de sepulturas.

“Não está claro que esses indivíduos foram mortos durante um ritual ou se a morte resultou de conflitos inter-grupais, como a invasão”, esclarecem os investigadores, citados pelo Mental Floss. Certo é que estes corpos contrastavam com as sepulturas de 13 indivíduos, do sexo masculino, que foram enterrados de forma respeitosa.

São estas diferenças de tratamento de géneros visíveis no “Stonehenge alemão” que torna possível o cenário de ritual de sacrifício humano.

À semelhança do famoso Stonehenge, em Inglaterra, o Ringheiligtum Pömmelte é um monumento circular sagrado, formado por cercas circulares e sepulturas feitas de madeira. Este local foi descoberto em 1991, mas as escavações que permitiram retirar estas conclusões só tiveram início recentemente.

henrylenoir / Flickr

Os arqueólogos acreditam que os povos antigos construíram este monumento durante a transição do período Neolítico para a Idade do Bronze, por volta de 2300 a.C.. Os especialistas sugerem que este local tenha servido como um centro de poder da elite e utilizado em cerimónias religiosas da altura.

Por volta de 2050 a.C., no fim da principal ocupação humana da região, este monumento terá sido destruído durante um ritual. De acordo com a Fox News, os postes de madeira foram preenchidos com oferendas e queimados, para, posteriormente, as cinzas serem enterradas.

O local foi reconstruído e aberto ao público em 2016.

ZAP //

Por ZAP
4 Julho, 2018

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