2110: Turistas já fazem reservas para assistir ao degelo dos glaciares do Alasca

DESTAQUE

Smial / Wikimedia

O rápido degelo dos glaciares devido às alterações climáticas criou um novo mercado para os operadores turísticos do Alasca, nos Estados Unidos.

O jornal Anchorage Daily News noticiou que as operadoras de várias empresas de turismo estão a registar um aumento em reservas de viagens de grupos que querem assistir ao recuo do único estado árctico do país.

“As pessoas querem ver os glaciares enquanto há acesso“, disse Paul Roderick, director de operações da “Talkeetna Air Taxi”, que faz viagens aéreas no Alasca. “As pessoas sabem mais sobre glaciares do que antes. Perguntam quão depressa estão a recuar, quando antes mal sabiam o que era um glaciar”, acrescentou, em declarações à mesma publicação.

As operadoras turísticas dizem que os turistas são, maioritariamente, oriundos da Austrália e de mercados emergentes como China e Índia. “Há mais interesse”, disse Peter Schadee, da “Anchorage Helicopter Tours”, que faz voos de helicóptero naquela região. “Temos assistido ao interesse em glaciares de pessoas de todo o Mundo”, acrescentou.

“As pessoas querem muito ver os glaciares, mas estão a derreter muito depressa“, contou Matt Szunday, dono da Ascending Path, uma empresa que faz passeios turísticos a glaciares do Alasca.

O recuo destas gigantes e antigas massas de gelo criou um nicho de mercado, com turistas a fazer marcações para ver os glaciares “antes que seja tarde de mais”.

Uma nova revisão dos dados de pesquisas publicada no Jornal da Glaciologia prevê que os 25 mil glaciares do Alasca perderão entre 30% e 50% de sua massa até ao final deste século. A nível global, os glaciares devem perder entre 18 e 365 da massa, o que poderá resultar numa subida de 25 centímetros no nível da água do mar.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Junho, 2019



1860: As morsas estão a atirar-se de penhascos por causa das alterações climáticas

CIÊNCIA

Gary Bembridge / Wikimedia

A nova série da Netflix “Our Planet” mostra explicitamente como cada ecossistema está a mudar ou está ameaçado pelas alterações climáticas. As morsas russas, por exemplo, estão a atirar-se de penhascos.

David Attenborough, o narrador da série, culpa o incidente pelas mudanças no ecossistema do Árctico que as morsas habitam. Com o gelo do mar a recuar ano após ano, as morsas são forçadas a descansar em praias minúsculas e cheias de gente.

Estas praias estão tão superlotadas, que algumas morsas escalam as falésias para ter um pouco de paz. Mas quando os animais, desacostumados a escalar ou a alturas, decidem voltar à água, caem dos penhascos até às suas horríveis mortes.

Este incidente não é a primeira vez que as pessoas documentam as mortes em massa de morsas. Em 1996, as autoridades da vida selvagem do Alasca relataram um incidente quase sem precedentes no qual quase 60 morsas machos caíram de um penhasco de 60 metros para a sua morte.

Na época, quando o gelo ainda era mais extenso e o clima menos compreendido, os investigadores não culparam as mortes pelas mudanças climáticas. Em vez disso, ficaram perplexos, sem uma resposta para explicar o comportamento, relatou o The New York Times na altura.

Com os anos seguintes, apareceram novos relatos sobre estes tipos de eventos de morsa. Mas estudos mais recentes indicaram que as mudanças climáticas poderiam estar a causar “distúrbios” mortais como o documentário indica. As morsas costumam passar a maior parte do tempo no gelo marinho, com algum tempo intermitente passado em terra em grandes grupos chamados de “haul-outs”.

Um relatório de maio de 2017 do Serviço de Pesca e Vida Selvagem dos EUA (USFWS) constatou que o recuo do gelo marinho do Árctico levava as morsas a fazerem viagens colectivas para praias lotadas com mais frequência. Nessas saídas, as morsas são facilmente assustadas, com um aumento de eventos “perturbadores” mortais.

Os especialistas sugeriram ao Live Science que os eventos de quedas normalmente não envolvem morsas a escalar penhascos – como o documentário mostrou. Pelo contrário, os eventos acontecem quando as morsas sobem encostas rasas nos lados mais distantes das falésias. Lá em cima, as criaturas podem, às vezes, sair a correr se um avião, um urso polar, um barco ou outra coisa estranha os assustar.

A mudança climática parece ter tornado este tipos de eventos mais comuns. No entanto, no Alasca, as quedas em massa parecem ter diminuído nos últimos anos, graças aos esforços humanos para gerir os ambientes dos haul-outs. Reduções nos planos aéreos e outros distúrbios humanos parecem ter evitado algumas das mortes.

ZAP //

Por ZAP
18 Abril, 2019

 

1334: Utqiaġvik, a cidade no Alasca que só voltará a ver a luz do Sol a 23 de Janeiro

CIÊNCIA

(dr) University of Alaska Fairbanks

Dois meses na escuridão. Serão assim os próximos dias dos habitantes de Utqiaġvik, uma cidade no Alasca que só voltará a ver a luz do Sol no dia 23 de Janeiro.

Os habitantes de Utqiaġvik, uma pequena cidade no Alasca, o Estado mais a norte dos Estados Unidos, já estão muito habituados a longas noites sem ver a luz do dia. O passado domingo, os poucos mais de quatro mil habitantes viram o último pôr-do-sol do ano.

A próxima oportunidade de espreitar o Sol será no dia 23 de Janeiro do próximo ano, às 12h04 locais.

Utqiaġvik – conhecida antigamente como Barrow – não é a única cidade no Alasca privada de iluminação solar por longos períodos de tempo. Como o norte do Alasca está localizado no Círculo Polar Árctico, que circunda a gélida região polar do Árctico, outros pequenos povoados como Kaktovik, Point Hope e Anaktuvuk Pass também não veem a luz do Sol.

Este fenómeno da penumbra prolongada é conhecido como noite polar e é comum em regiões localizadas dentro dos círculos polares, que passam mais de 24 horas sem Sol. No caso de Utqiaġvik, serão muito mais de 24 horas – os habitantes vão passar 65 dias no escuro.

O fenómeno acontece todos os anos. Utqiaġvik é o primeiro lugar do Alasca a ser afectado pela sua localização extrema a norte.

Localizada 530 quilómetros acima da linha que delimita o Círculo Árctico, Utqiaġvik não ficará, no entanto, mergulhada numa escuridão total. Um outro fenómeno, chamado crepúsculo civil – que ocorre quando o Sol está a 6 graus abaixo da linha do horizonte criando uma pequena iluminação – permitirá que haja um pouco de luz.

O crepúsculo civil dura seis horas por noite. Em Dezembro, diminuirá para três horas por noite.

ZAP // BBC

Por ZAP
25 Novembro, 2018

 

996: Queda de rochas no Alasca criou onda de 193 metros de altura

Estudo do jornal Scientific Reports descobriu o fenómeno que não fez vítimas, mas que pode repetir-se mais vezes devido às alterações climáticas

© AP Photo/Fairbanks Daily News-Miner, Nora Gruner

Um estudo do jornal online Scientific Reports revelou que em 2015 colapsaram 163 toneladas de rochas [errata: foram 180 milhões de toneladas de rocha e não 163 toneladas] de uma montanha no fiorde de Taan, Alasca nos Estados Unidos, que originou uma onda no mar com 193 metros de altura, que acabou por ser a quarta maior registada desde o século passado.

Esta onda gigante ocorreu, no entanto, numa zona desabitada, mas este estudo admite a possibilidade deste fenómeno voltar-se a repetir noutras zonas do globo. “É possível que ocorram outro tipo de deslizamentos de terra, à medida que os glaciares de montanha continuem retrocedendo e o gelo derreta”, assumem os 32 autores do estudo dirigido pelo geólogo Bretwood Higman.

Através da reconstrução daquilo que aconteceu no Alasca, os cientistas procuram “chamar a atenção sobre o efeito indirecto das mudanças climáticas, que está a aumentar a sua frequência e magnitude perto dos glaciares de montanha”. É por isso que este estudo procurou prever os riscos e as implicações de fenómenos como este registado há três anos.

Outro dos autores deste estudo, Dan Shugar, revelou ao jornal The Washington Post que este fiorde não existia há 40 anos, pois “estava coberto de gelo”. Contudo, o gelo recuou mais de 300 metros entre 1961 e 1991, o que terá originado com que as ladeiras da montanha se tornassem instáveis, acabando por cair.

O impacto da rocha com a água criou então uma onda que atingiu uma velocidade de 96,5 quilómetros por hora, atingindo cerca de 200 metros de altura. E é nesse sentido que os autores do estudo da Scientific Reports consideram que por sorte ninguém foi atingido pela devastação que a onda originou e que provocou a destruição que afectou a costa e a vegetação que encontrou pela frente.

Shugar alertou para a possibilidade de um fenómeno destes poder atingir num destes dias algum barco com turistas junto dos fiordes. Aliás, em 2017, na Gronelândia, uma onda causada por um deslizamento de terra matou quatro pessoas e feriu onze. Conforme documenta um vídeo amador que apanhou parte do acontecimento.

DN
10 Setembro 2018 — 22:32

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984: Descoberta a causa misteriosa de um dos maiores tsunamis já registados

CIÊNCIA

takatoshiokura / Flickr

O tsunami em Taan Fiord, que aconteceu em Outubro de 2015, mostra como a mudança climática está a alterar as nossas paisagens. Mas o problema é ainda mais preocupante: estamos a aumentar o potencial de gerar cada vez mais eventos como este, avisam os cientistas.

Um raro e extremo tsunami atingiu um fiorde no Alasca há três anos, depois de 163 milhões de toneladas de rochas montanhosas caírem na água e provocarem uma onda devastadora que limpou a costa, alcançando altitudes superiores a 182 metros.

O evento catastrófico que aconteceu em Outubro de 2015, em Taan Fiord, no sudeste do Alasca, foi um dos maiores tsunamis já registados e as origens (relacionadas com o recuo de um glaciar) sugerem que é um tipo de evento que acontece devido ao aquecimento global. Aliás, o novo estudo, publicado na Nature Scientific Reports, alerta para o “perigo causado pelas mudanças climáticas“.

Como os blocos de gelo das montanhas vão continuar a encolher, irá haver cada mais deslizamentos de terra, adiantam os autores do estudo, liderado pelo geólogo Bretwood Higman da Ground Truth Trekking.

“Há 40 anos, Taan Fiord não existia. Estava cheio de gelo”, acrescentou Dan Shugar, geocientista da Universidade de Washington e outro dos 32 autores do estudo, oriundos de instituições dos Estados Unidos, Canadá e Alemanha.

Contudo, o glaciar Tyndall recuou cerca de 16 quilómetros entre 1961 e 1991, enquanto desbastava mais de 300 metros, antes de estabilizar na sua localização actual. Isto não causou apenas a abertura do fiorde como removeu uma grande massa de gelo que apoiava e suportava as paredes montanhosas.

Quando o deslizamento de pedras ocorreu em frente ao glaciar, a forma confinada do fiorde originou a onda gigantesca que viajou muito rápido: a cerca de 96 quilómetros por hora. “Se eu atirar uma bola gigante para a banheira, a água vai para todos os lados. Mas, assim que bate na lateral da banheira, não tem para onde fugir. Aí, a única forma de fugir é ir para cima”, explica Shugar.

Os cientistas detectaram a assinatura sísmica inicial do deslizamento de terra cerca de oito meses depois do tsunami. Para documentar este evento, a equipa estudou os destroços, de modo a detectar as linhas de costa.

Certo é que este não é o único evento do género e, segundo os cientistas, podemos esperar mais deste tipo de fenómenos extremos quando os grandes blocos de gelo recuarem e as montanhas ao seu redor cederem.

“À medida que as encostas das montanhas se ajustam às novas condições, elas podem libertar rochas isoladas, avalanches de rochas ou falhar completamente“, disse Martin Lüthi, geógrafo da Universidade de Zurique que recentemente documentou um pequeno tsunami num fiorde da Gronelândia.

Ainda assim, tsunamis e avalanches não são os únicos perigos causados pelo recuo dos glaciares. O derretimento destes blocos de gelo podem também originar grandes lagos a grandes altitudes, que podem drenar de repente e descer em declives.

Por ZAP
9 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

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