2679: Vem aí o Dia 0. A Austrália vai ficar sem água (e pode não ser a única)

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

UNSW

O Dia 0 está a chegar e a Austrália está prestes a ficar sem água. Os cientistas dizem que este é um aviso para todas as outras regiões em redor do mundo.

Este dia vai marcar o início do racionamento de água e o dia em que as torneiras residenciais serão fechadas, tendo um grande número de famílias e empresas de ir aos locais de recolha locais para buscar água.

O Dia 0 está pendente em, pelo menos, uma dúzia de cidades australianas que se estendem desde o estado norte de Queensland até ao estado de New South Wales, cuja capital Sidney é a cidade mais populosa do país.

Secas sucessivas e a água extra necessária para combater incêndios florestais intensos causaram uma escassez sem precedentes, com estas regiões a enfrentar a perspectiva de que as torneiras acabem numa questão de meses. A segurança da água permanece quase inexistente para muitas comunidades rurais, com dez cidades em risco de secar em seis meses se não chover e se a infra-estrutura da água não melhorar.

As consequências mais amplas fizeram com que muitas lojas estivessem à beira de fechar e o desespero levou ao roubo de água. As temperaturas estão 10º C acima da média e 130 incêndios florestais continuam a deflagrar grandes áreas australianas.

Há anos que os governos australianos paralisam a reforma da acção climática porque o crescimento económico do país está fortemente vinculado às exportações de mineração de carvão, de acordo com o Raw Story.

Mas a Austrália não é o primeiro país a enfrentar a perspectiva de um Dia 0. A cidade de São Paulo ficou em sexto lugar em 2015, assim como a sexta maior cidade da Índia, Chennai, em meados de 2018.

A África do Sul evitou por pouco o Dia 0 no ano passado, após prolongadas baixas chuvas e uma seca particularmente brutal que atingiu a cidade da Cidade do Cabo. O suprimento de água da cidade estava quase fechado, pois o seu reservatório de água doce pairava pouco acima de 13,5% da capacidade total. Se o Dia Zero tivesse sido accionado, teria sido a primeira grande cidade dos tempos modernos sem água.

O iminente Dia 0 da Austrália está a destacar a necessidade de estratégias de longo prazo para a gestão da água e para uma cooperação aprimorada em nível global. Cientistas do Instituto Grantham no Imperial College de Londres e da Universidade da Cidade do Cabo, co-autores de um artigo sobre o Dia 0 da Cidade do Cabo, dizem que a mudança climática tornará a escassez de água mais comum em cidades ao redor do mundo.

“Mudanças nas mudanças nos padrões de chuva são uma das principais causas de escassez de água e, com as mudanças climáticas, as secas e as ondas de calor serão mais prováveis”, explica Robbie Parks, co-autor do artigo. “A água é tratada como um recurso infinito, mas são necessárias apenas duas ou três estações secas para desencadear uma seca catastrófica – a Cidade do Cabo é um excelente exemplo disso -, por isso é preciso haver uma grande mudança na forma como a água é gerida.”

É uma avaliação preocupante, dado o calor extremo que este ano causou incêndios devastadores em Espanha, Grécia e EUA. As ondas de calor também elevaram o mercúrio a níveis recordes na Holanda e na França, com o Ministério da Saúde divulgando estatísticas este mês mostrando um aumento de 1.500 no número de mortes causadas por calor intenso em comparação com os anos anteriores.

Mais calor significará um aumento da demanda por água, com ameaças à segurança da água previstas como um dos efeitos mais preocupantes das mudanças climáticas.

O Instituto de Recursos Mundiais (WRI) divulgou um relatório em Julho, que dizia que um quarto da população do mundo enfrenta “stress hídrico extremo”. “Actualmente, estamos a enfrenta uma crise mundial da água”, disse Betsy Otto, directora do programa global de água do WRI.

As acções globais sobre as mudanças climáticas sofreram um revés significativo após a retirada dos EUA do acordo de Paris sobre as mudanças climáticas de 2017. Agora, a activista climática juvenil Greta Thunberg está a pressionar os governos, levando a sua mensagem das ruas para as cimeiras internacionais.

O que permanece sem resposta, no entanto, é se as mudanças políticas adoptadas agora serão suficientes para deter ou reverter os danos já causados. Caso contrário, mais cidades enfrentarão o seu próprio Dia 0 num futuro não muito distante.

ZAP //

Por ZAP
20 Setembro, 2019

 

2445: Água encontrada no interior do vulcão Kilauea pode causar erupções explosivas

Cientistas do Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS) confirmaram na semana a existência de água dentro da cratera do vulcão havaiano de Kilauea.

De acordo com a instituição, esta é a primeira vez desde que o vulcão é observado que é detectada água que, por sua vez, pode vir a desencadear erupções explosivas.

“A questão que se impõe é o que isto significa na evolução do vulcão”, afirmou Don Swanson, do USGS, citado pelo jornal britânico The Independent.

Segundo os cientistas, não há, para já, motivos para pensar que os perigos associados ao vulcão “aumentaram ou diminuíram” com a descoberta. Contudo, frisam, a presença de água pode representar uma mudança significativa na sua actividade a longo prazo.

Quando a lava reage com a água pode resultar em erupções explosivas. A lava pode também aquecer lentamente a água subterrânea e eventualmente criar um novo lago de lava. Pode ainda interagir com o lençol freático e criar pequenas explosões.

“Outra possibilidade é que o magma aumenta rapidamente. O que poderia produzir uma grande explosão”, disse Swanson, em declarações ao mesmo jornal.

O Kilauea tem um historial de alternância entre longos períodos de erupções explosivas e fases mais lentas, as chamadas erupções efusivas. O período explosivo durou mais de 30 anos e teve um final destruidor no fim ano passado, quando o vulcão entrou em erupção, destruindo mais de 700 casas e obrigando à evacuação de 2.000 pessoas.

Só em março deste ano é que o USGS, por sua sigla em inglês anunciou que o vulcão havia tinha parado a sua actividade. Os cientistas acreditam que o próximo período explosivo será precedido por um colapso maciço do piso da caldeira do Kilauea.

ZAP //

Por ZAP
14 Agosto, 2019

 

2415: Portugal está em risco elevado de escassez de água

Manuel Jorge Marques / Flickr
Enseada junto à Barragem da Caniçada, em Terras de Bouro

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água, de acordo com um estudo do projecto “Aqueduto” do World Resources Institute.

Portugal está em risco elevado de escassez de água e ocupa a 41ª posição de uma lista que coloca 17 países, maioritariamente no Médio Oriente e Norte de África, em risco extremamente elevado de escassez de água.

De acordo com um estudo do projecto Aqueduto do World Resources Institute – uma organização sem fins lucrativos sediada em Washington, nos EUA, e financiada por fundações, Governos, ONG e organismos internacionais -, esses 17 países, que representam um quarto da população mundial, usam pelo menos 80% das suas reservas de água a cada ano, com a agricultura, as indústrias e os municípios a representarem a maior fonte de pressão sobre as suas reservas de água.

Portugal está entre os 44 países que esgotam, pelo menos, 40% das suas reservas de água, colocando-se numa situação de risco elevado de escassez de água.

Os autores do estudo sublinham que uma margem tão reduzida entre oferta e procura como a que se verifica nos países mais pressionados deixa-os mais vulneráveis a variáveis como secas ou um maior uso das reservas de água, sendo cada vez maior o número de países que passam por um ‘Dia Zero’, ou seja, em que ficam sem acesso a água canalizada.

“A escassez de água coloca sérias ameaças à vida humana, à sua subsistência e à estabilidade económica. Isso está prestes a piorar, a menos que os países tomem medidas: o crescimento da população, o desenvolvimento socioeconómico e a urbanização estão a provocar uma maior procura por água, enquanto as alterações climáticas podem tornar mais variável a precipitação e a procura”, refere o relatório.

Sobre o Médio Oriente e o Norte de África, a região do mundo mais pressionada nesta matéria, o estudo aponta que a reutilização de águas residuais poderia gerar uma nova fonte de água potável, tendo em conta que 82% das águas residuais nestes países não são reutilizadas.

Na Índia aumentam as preocupações com as reservas ao nível do subsolo, para além das preocupações com as reservas à superfícies: os aquíferos estão a esgotar-se, em grande parte devido ao uso para regadio.

“As conclusões do estudo Aqueduto contextualizam esta crise: a Índia ocupa o 13º posto na lista de países mais pressionados pela escassez de água em termos globais e a sua população é três vezes superior à população combinada dos 17 países mais pressionados no mundo”, lê-se no relatório.

O estudo, que também analisa regiões dentro de países, indica, por exemplo, que a África do Sul, que em 2018 evitou por pouco o ‘Dia Zero’, ocupa uma posição na lista fora dos países mais afectados – 48º lugar, correspondente a um risco médio-elevado de escassez de água -, mas a zona da Cidade do Cabo é uma zona de enorme pressão e rivaliza em termos de regiões ameaçadas com países inteiros.

O estudo indica que viver pressionado pela falta de água não tem que ser uma fatalidade e que inverter essa situação depende em grande parte da gestão que se faz dos recursos.

Para além de exemplos de alguns países que já tomaram medidas para evitar a falta de água nas torneiras, como a Austrália que cortou para metade o consumo doméstico para evitar um ‘Dia Zero’, o estudo apresenta recomendações genéricas, aplicáveis à generalidade dos países, como apostar em técnicas de regadio eficientes, fazendo com que cada gota de água conte, investir em infra-estruturas mais amigas do ambiente e tratar e reutilizar águas residuais, para que deixem de ser encaradas como desperdício.

O estudo Aqueduto analisou a situação em 164 países, para os quais era possível ter dados utilizáveis pelo modelo de análise usado, refere o estudo.

ZAP // Lusa

Por Lusa
7 Agosto, 2019

 

2137: A rotação da Terra está a alterar o movimento das águas de um lago italiano

CIÊNCIA

Barni1 / Wikimedia

O lago Garda, atractivo destino turístico, único pelas suas características físicas e ambientais e caso de estudo para várias equipas científicas internacionais, ainda não revelou todos os seus segredos.

Um grupo de investigadores, composto por cientistas das Universidades de Trento e Utrecht, acaba de fazer uma descoberta nova e inesperada: a rotação planetária modifica significativamente o movimento da água no lago Garda e afecta a mistura em águas profundas, que é de grande importância para o ecossistema do lago.

A descoberta, divulgada em comunicado, é o resultado da colaboração entre o Departamento de Engenharia Civil, Ambiental e Mecânica da Universidade de Trento (UniTrento) – mais especificamente, a equipa de investigação liderada por Marco Toffolon – e uma equipa do Instituto para Pesquisa Marinha e Atmosférica Utrecht em Universidade de Utrecht, liderada por Henk Dijkstra.

Segundo o novo estudo publicado na revista Scientific Reports, os investigadores atingiram os resultados “graças a uma campanha de campo intensa, suportada pelos resultados de simulações numéricas da hidrodinâmica do Lago Garda, que manteve os nossos investigadores ocupados em Trento e Utrecht durante dois anos, de 2017 a 2018″.

“De acordo com nosso estudo, quando o vento sopra ao longo do eixo principal do lago Garda, a rotação da Terra causa uma circulação secundária que desloca a água lateralmente, de uma costa à outra. Isso cria uma diferença na temperatura da água entre o leste (Veneto) e costa oeste (Lombardia) e, altamente relevante para a ecologia do lago, contribui para o transporte de oxigénio, nutrientes e outras substâncias da superfície para as camadas profundas e vice-versa”.

Em detalhe, no caso dos ventos Foehn, superfícies de água fria o lado leste do lago (ressurgente) e a água mais quente movem-se ao longo do lado oeste (afundamento) Entre Fevereiro e Abril, em particular, quando a temperatura da água do lago é mais baixa, o movimento vertical pode até atingir o fundo do lago, que está a uma profundidade de 350 metros.

“Não esperávamos observar no Lago Garda um evento que é típico das áreas costeiras dos oceanos e grandes lagos”, concluíram os investigadores.

ZAP //

Por ZAP
8 Junho, 2019



[vasaioqrcode]

2106: Cometa fornece novas pistas para as origens dos oceanos da Terra

Ilustração de um cometa, de grãos de gelo e dos oceanos da Terra. O SOFIA descobriu pistas, no grãos de gelo do Cometa Wirtanen, que sugerem que a água nos cometas e nos oceanos da Terra podem partilhar uma origem comum.
Crédito: NASA/SOFIA/L. Cook/L. Proudfit

O mistério de porque é que a Terra tem tanta água, permitindo que o nosso “mármore azul” suporte uma variedade incrível de vida, ficou mais claro com novas investigações sobre cometas. Os cometas são como bolas de neve de rocha, poeira, gelo e outras substâncias químicas congeladas que se evaporam à medida que se aproximam do Sol, produzindo as caudas que vemos nas imagens. Um novo estudo revela que a água em muitos cometas pode partilhar uma origem comum com os oceanos da Terra, reforçando a ideia de que os cometas tiveram um papel fundamental em trazer água ao nosso planeta há milhares de milhões de anos.

O SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy), o maior observatório aéreo do mundo, observou o Cometa Wirtanen quando fez a sua maior aproximação à Terra em Dezembro de 2018. Os dados recolhidos pelo observatório indicam que este cometa contém água “semelhante à do oceano”. Comparando isto com informações sobre outros cometas, os cientistas sugerem, num novo estudo, que muitos mais cometas do que se pensava anteriormente podem ter distribuído água à Terra. Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics Letters.

“Nós identificámos um vasto reservatório de água semelhante à da Terra nos confins do Sistema Solar,” disse Darek Lis, cientista do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, autor principal do estudo. “A água foi crucial para o desenvolvimento da vida como a conhecemos. Não queremos apenas entender como a água da Terra foi entregue, mas também se esse processo pode funcionar noutros sistemas planetários.”

Bolas de neve sujas

Os planetas formam-se a partir de detritos situados num disco em órbita de uma estrela; pedaços pequenos de detritos podem aglomerar-se e crescer ao longo do tempo. Detritos remanescentes permanecem em regiões do nosso Sistema Solar como a Cintura de Kuiper, para lá de Neptuno, ou como a Nuvem de Oort, muito além de Plutão. Os cometas vêm destas áreas, mas só podemos vê-los quando as suas órbitas os aproximam do Sol. O calor do Sol faz com que parte da neve suja se vaporize, criando o halo difuso ou “cabeleira” de vapor de água, poeira e grãos de gelo vistos nas imagens dos cometas.

Os cientistas prevêem que a água nos oceanos da Terra veio de corpos que transportavam água no início do Sistema Solar, que colidiram com o nosso planeta, de modo idêntico aos asteróides e cometas ricos em gelo de hoje. Mas os cientistas não sabem de que local do disco de formação planetária tiveram origem.

Tipos de água

A água também é conhecida pela sua designação química H2O porque é composta por dois átomos de hidrogénio e um átomo de oxigénio. Mas, usando instrumentos especiais, os cientistas podem detectar dois tipos: água comum, H2O, e água pesada, HDO, que tem uma partícula neutra extra, chamada neutrão, dentro de um dos átomos de hidrogénio. Os cientistas comparam a proporção de água comum e pesada nos cometas. Se os cometas tiverem a mesma proporção destes tipos de água que os oceanos da Terra, isso indica que a água em ambos pode partilhar uma origem comum.

Mas a medição desta relação é difícil. Os telescópios terrestres e espaciais só podem estudar este nível de detalhe em cometas quando passam perto da Terra, e as missões que visitam cometas, como a Rosetta, são raras. Os cientistas só ainda puderam estudar este rácio em cerca de uma dúzia de cometas desde a década de 1980. Adicionalmente, é difícil estudar a água de um cometa a partir do solo porque a água na atmosfera da Terra bloqueia as suas assinaturas.

Novas observações

O SOFIA, observando a altas altitudes acima de grande parte da água atmosférica da Terra, conseguiu medir com precisão a proporção de água comum e água pesada no Cometa Wirtanen. Os dados mostram que o rácio de água do Cometa Wirtanen é o mesmo que o dos oceanos da Terra.

Quando a equipa comparou os novos dados do SOFIA com estudos prévios de cometas, encontraram uma semelhança surpreendente. A proporção de água regular para água pesada não estava ligada à origem dos cometas – fossem eles da Nuvem de Oort ou da Cintura de Kuiper. Em vez disso, estava relacionada com a quantidade de água libertada pelos grãos de gelo na cabeleira do cometa em comparação com a superfície nevada. Isto poderá implicar que todos os cometas podem ter uma proporção de água normal-para-pesada semelhante à dos oceanos da Terra, e que podem ter fornecido uma grande fracção da água do nosso planeta.

“Esta é a primeira vez que podemos relacionar o rácio de água normal-para-pesada de todos os cometas a um único factor,” observou Dominique Bockelée-Morvan, cientista do Observatório de Paris e do Centro Nacional Francês para Pesquisa Científica e segunda autora do artigo. “Talvez seja necessário repensar a forma como estudamos os cometas porque a água libertada pelos grãos de gelo parece ser um melhor indicador da proporção global de água do que a água libertada do gelo à superfície.”

São necessários mais estudos para ver se estas descobertas são verdadeiras para outros cometas. A próxima vez que um cometa tem visita prevista para perto da Terra – perto o suficiente para este tipo de estudo, isto é – será em Novembro de 2021.

Astronomia On-line
4 de Junho de 2019



[vasaioqrcode]

2096: O Curiosity encontrou um enorme depósito de argila em Marte

JPL-Caltech / MSSS / NASA
O Curiosity encontrou “blocos de construção da vida” em Marte – e tirou uma selfie no local

O Curiosity da NASA, que explora a superfície de Marte desde 2012, confirmou a descoberta do maior depósito de argila já encontrado no Planeta Vermelho. 

Tendo em conta que a argila se forma frequentemente na água, a descoberta pode ser especialmente importante para entender o processo desta substância essencial para a vida em Marte, aponta a agência espacial norte-americana em comunicado.

A NASA detalha ainda que a descoberta do depósito de rochas sedimentares confirma que no passado existiu água na cratera de Gale.

O instrumento mineralógico do rover, apelidado de CheMin, forneceu agora a primeira análise das amostras recolhidas na chamada “unidade de argila”. A sonda da NASA encontrou ainda pequenas quantidades de hematita, um mineral de óxido de ferro que é apenas abundante a norte, junto ao cume de Vera Rubin.

A agência espacial observa ainda que é provável que as rochas da área se tenham formado como camadas de lama em lagos antigos, algo que foi já encontrado no Monte Sharp.

Depois, a água interagiu com os sedimentos ao longo do tempo, formando uma grande quantidade de argila nas rochas.

Em Marte desde 2012, o rover Curiosity foi projecto para explorar a superfície de Marte, integrando a missão Mars Science Laboratory.

ZAP //

Por ZAP
2 Junho, 2019



[vasaioqrcode]

2077: Água portuguesa pode existir em Marte

A água que eventualmente possa existir no estado líquido no planeta Marte pode ser muito semelhante a uma água portuguesa.

Trata-se da água de Cabeço de Vide, uma nascente alcalina com características raras no mundo, que está a ser estudada pela NASA.

Uma grande reportagem Linha da Frente que pode ver esta quinta-feira, logo a seguir ao Telejornal.

msn notícias

[vasaioqrcode]

2074: NASA encontra um cometa com água semelhante à de um oceano

Pepe Manteca / Flickr

Em busca de respostas sobre quais foram as principais fontes de água do nosso planeta, uma equipa internacional de investigadores encontrou uma família de cometas que têm água semelhante à da Terra.

Do Observatório Estratosférico para a Astronomia Infravermelha da NASA (SOFIA), foram encontrados dados do Cometa 46P / Wirtanen, que passou pelo seu ponto mais próximo da Terra em Dezembro de 2018 e descobriu-se que este cometa contém água “semelhante à de um oceano”.

Essa descoberta reforça a ideia de que os corpos congelados desempenharam um papel fundamental na chegada do líquido ao nosso planeta.

“Identificamos um vasto reservatório de água semelhante à Terra nos confins do sistema solar”, disse Darek Lis, cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA em Pasadena, Califórnia, e principal autor do estudo em comunicado. “A água foi crucial para o desenvolvimento da vida como a conhecemos, não apenas queremos entender como foi entregue à Terra, mas também se esse processo pode funcionar noutros sistemas planetários”, acrescentou o especialista.

De acordo com uma teoria padrão, acredita-se que a Terra foi formada a partir da colisão de pequenos corpos celestes chamados planetesimais ou proto-planetas, mas esses corpos tinham pouca água. É por isso que os cientistas agora prevêem que 70% da água da Terra veio de cometas que vieram de pontos distantes do sistema solar.

Para chegar a essas conclusões, os astrónomos analisaram dois tipos de água, a forma mais típica que conhecemos, composta pela composição de H2O, e outra chamada “água pesada” que contém deutério para estabelecer a origem do líquido. Analisaram a atmosfera de vapor de água que se forma quando o gelo central sublima ao aproximar-se do Sol.

Os dados, de acordo com o estudo publicado na revista Astronomy & Astrophysics, mostraram que a proporção de água do cometa 46P / Wirtanen é a mesma que a dos oceanos da Terra.

Ainda são necessários mais estudos para ver se esses achados são válidos para outros cometas. No entanto, para continuar com as investigações, é necessário esperar por uma nova abordagem do cometa, prevista para Novembro de 2021.

ZAP //

Por ZAP
30 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

2051: Formação da Lua trouxe água para o planeta Terra

CIÊNCIA

Marshall Space Flight Center / NASA

A formação da Lua trouxe para a Terra condritos carbonosos, que são fonte provável da água no nosso planeta e de elementos altamente voláteis, como carbono, nitrogénio, hidrogénio e enxofre.

A Terra é o único planeta terrestre com grandes quantidades de água e com uma lua relativamente grande que equilibra o eixo do nosso planeta. A Terra foi crescendo através de colisões com embriões planetários, que trouxeram consigo materiais semelhantes aos tais condritos carbonosos.

Compreender quando e como é que estes materiais chegaram à Terra é fundamental para perceber os processos fundamentais pelos quais o planeta se tornou habitável. A possibilidade de terem trazido consigo água, é um dos principais factores.

Um novo estudo da Universidade de Münster, publicado esta segunda-feira na revista Nature Astronomy, mostra que a água chegou ao nosso planeta com a formação da Lua há 4,4 mil milhões de anos. A Lua foi então formada quando a Terra foi atingida por um planeta, do tamanho de Marte, chamado Theia.

Com esta investigação, os cientistas conseguiram provar que, ao contrário do que se pensava, Theia teve origem no sistema solar externo e transportou consigo enormes quantidades de água.

“Usamos isótopos de molibdénio para responder a esta questão. Estes isótopos permitem-nos distinguir claramente o material carbonado e não-carbonado e, como tal, representam uma ‘impressão genética’ do material do sistema solar externo e interno”, disse a autora principal do estudo, Gerrit Budde.

Segundo o Tech Explorist, os resultados das medições feitas pelos cientistas mostram que parte do molibdénio da Terra teve origem no sistema solar externo, comprovando a sua teoria original.

“A nossa abordagem é única porque, pela primeira vez, nos permite associar a origem da água na Terra com a formação da Lua. Para simplificar, sem a Lua provavelmente não haveria vida na Terra”, disse Thorsten Kleine, professor de Astronomia Planetária na Universidade de Münster.

ZAP //

Por ZAP
26 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

2048: Há um enorme buraco na atmosfera de Marte (e a água está a escapar)

NASA

Uma vez a cada dois anos, um gigantesco buraco abres-e na atmosfera marciana, deixando escapar para o Espaço uma parte das escassas reservas de água do Planeta Vermelho.

O estranho mecanismo meteorológico, nunca visto na Terra, foi descoberto por uma equipa internacional de cientistas planetários, liderada por Dmitry Shaposhnikov, do Instituto de Física e Tecnologia de Moscovo, na Rússia. Os investigadores acreditam que é o mesmo mecanismo, ainda em andamento, que causou a perda dos antigos e poderosos sistemas oceânicos e fluviais de Marte, há milhões de anos.

Durante anos, cientistas terrestres observaram com surpresa a presença de vapor de água na atmosfera marciana, bem como a sua estranha “migração” para os pólos do planeta. Mas até agora não tinha sido possível encontrar uma explicação para esses fenómenos. Entender como o ciclo da água em Marte funciona ajudaria a entender como terá passado de mares e rios para quase completamente secos hoje.

A presença de vapor de água na atmosfera superior de Marte é especialmente desconcertante, já que a sua camada intermediária, muito fria, deve interromper completamente o ciclo da água, de acordo com a ABC.

A atmosfera marciana estende-se a aproximadamente 160 quilómetros da superfície. No meio dessa altitude, é composto por gases em um meio extraordinariamente frio – suficientemente frio para congelar o vapor de água e impedir que escape. Ainda assim, o vapor de água consegue passar e atinge as mais altas camadas atmosféricas, onde a radiação ultravioleta do Sol corta as ligações moleculares entre o oxigénio e o hidrogénio, fazendo com que o último se perca irremediavelmente no espaço.

Nem toda a água consegue escapar do planeta. A parte que não o atinge e cuja viagem é interrompida pela camada atmosférica gelada intermediária, flutua a essa altitude em direcção aos pólos do planeta, onde arrefece e cai para a superfície.

A questão é: como é que uma parte da água atravessa a barreira congelada “intransponível”? A resposta, de acordo com as simulações realizadas pelos investigadores, cujo estudo foi publicado na revista Advancing Earth and Science Space tem a ver com uma série de processos atmosféricos que são exclusivos do Planeta Vermelho.

Na Terra, os Verões dos hemisférios norte e sul são muito semelhantes. Mas em Marte, com uma órbita muito mais excêntrica, os dois Verões são muito diferentes. Devido a essa excentricidade, a órbita está muito mais próxima do Sol durante os Verões no hemisfério sul, de modo que são muito mais quentes que os do hemisfério norte.

Quando isso acontece – a cada dois anos – nas simulações, uma “janela” abre-se na atmosfera média de Marte (entre 60 e 90 quilómetros de altitude), um “buraco” real que permite o vapor de água passe e escape para as camadas superiores. Noutras épocas do ano, a falta de luz solar suficiente faz com que o ciclo da água em Marte seja interrompido quase completamente.

Outra grande diferença entre Marte e a Terra é que a sua superfície é frequentemente varrida por gigantescas tempestades de poeira que, bloqueando a luz do sol, arrefecem o planeta. Mas a luz que não alcança a superfície por causa da poeira atinge a sua atmosfera, aquecendo-a e criando as condições certas para a água se movimentar.

Sob as condições extremas de uma tempestade global de poeira, as simulações dos cientistas mostraram que pequenas partículas de gelo se formam ao redor das partículas. Essas partículas de luz flutuam para a atmosfera superior mais facilmente do que a água. É precisamente durante as tempestades que mais água se move do solo para a atmosfera. Os cientistas descobriram que tempestades de areia podem demorar ainda mais água do que os Verões do hemisfério sul.

ZAP //

Por ZAP
25 Maio, 2019

2039: Formação da Lua trouxe água à Terra

O nascer-da-Terra, a partir de uma perspectiva lunar.
Crédito: NASA Goddard

A Terra é ímpar no nosso Sistema Solar: é o único planeta terrestre com uma grande quantidade de água e uma lua relativamente grande, que estabiliza o eixo da Terra. Ambos foram essenciais para a Terra desenvolver a vida. Os planetologistas da Universidade de Munique puderam agora mostrar, pela primeira vez, que a água chegou à Terra com a formação da Lua há cerca de 4,4 mil milhões de anos. A Lua foi formada quando a Terra foi atingida por um corpo com mais ou menos o tamanho de Marte, também chamado Theia. Até agora, os cientistas supunham que Theia era originário do Sistema Solar interior. No entanto, os investigadores de Munique podem agora mostrar que Theia veio do Sistema Solar exterior e que forneceu grandes quantidades de água à Terra. Os resultados foram publicados na revista Nature Astronomy.

Do Sistema Solar exterior para o Sistema Solar interior

A Terra foi formada no Sistema Solar interior “seco” e, portanto, é um tanto ou quanto surpreendente que exista água na Terra. Para entender porque este é o caso, temos que viajar para o passado, para quando o Sistema Solar foi formado há cerca de 4,5 mil milhões de anos. Graças a estudos anteriores, sabemos que o Sistema Solar se tornou estruturado de tal forma que os materiais “secos” foram separados dos materiais “húmidos”: os chamados meteoritos “carbonáceos”, que são relativamente ricos em água, vêm do Sistema Solar exterior, ao passo que os meteoritos “não-carbonáceos” vêm do Sistema Solar interior. Embora estudos anteriores tenham mostrado que os materiais carbonáceos provavelmente foram os responsáveis por fornecer a água à Terra, não se sabia quando e como esse material carbonáceo – e, portanto, a água – chegou à Terra. “Nós usámos isótopos de molibdénio para responder a esta pergunta. Os isótopos de molibdénio permitem-nos distinguir claramente materiais carbonáceos e não-carbonáceos e, como tal, representam uma ‘impressão genética’ do material do Sistema Solar exterior e interior,” explica o Dr. Gerrit Budde do Instituto de Planetologia em Munique e autor principal do estudo.

As medições feitas pelos investigadores de Munique mostram que a composição isotópica do molibdénio da Terra está entre as dos meteoritos carbonáceos e dos não-carbonáceos, demonstrando que parte do molibdénio da Terra teve origem no Sistema Solar exterior. Neste contexto, as propriedades químicas do molibdénio desempenham um papel fundamental pois, dado que é um elemento que gosta de ferro, a maior parte do molibdénio da Terra está localizado no núcleo. “O molibdénio que é hoje acessível no manto da Terra, portanto, teve origem nos últimos estágios de formação da Terra, enquanto o molibdénio das fases anteriores está inteiramente no núcleo,” explica o Dr. Christoph Burkhardt, segundo autor do estudo. Os resultados dos cientistas mostram, assim sendo, e pela primeira vez, que o material carbonáceo do Sistema Solar exterior chegou tarde à Terra.

Mas os cientistas deram ainda outro passo em frente. Eles mostram que a maioria do molibdénio no manto da Terra foi fornecido pelo protoplaneta Theia, cuja colisão com a Terra há 4,4 mil milhões de anos levou à formação da Lua. No entanto, uma vez que grande parte do molibdénio no manto da Terra teve origem no Sistema Solar exterior, isto significa que Theia, propriamente dito, também teve origem no Sistema Solar exterior. Segundo os cientistas, a colisão forneceu material carbonáceo suficiente para explicar a quantidade total de água na Terra. “A nossa abordagem é única porque, pela primeira vez, permite-nos associar a origem da água na Terra com a formação da Lua. Para simplificar, sem a Lua provavelmente não haveria vida Na Terra,” comenta Thorsten Kleine, professor de planetologia na Universidade de Munique.

Astronomia On-line
24 de Maio de 2019

[vasaioqrcode]

2022: A previsão piorou: os oceanos deverão subir dois metros em 80 anos

CIÊNCIA

Nova estimativa ultrapassa as piores previsões para o final do século XXI.

© Lucas Jackson Icebergue flutua num fiorde perto de Tasiilaq, Gronelândia, Junho de 2018.

A Terra é um sistema tão complexo que é difícil fazer previsões precisas sobre o aumento do nível das águas em consequência do aquecimento global até ao fim deste século. Num último estudo publicado, as estimativas ultrapassam as piores previsões.

A última previsão que servia de referência data de 2014, quando um grupo de peritos do Painel Intergovernamental para as Alterações Climáticas (IPCC) estimava uma aumento do nível do mar em quase 1 metro até ao fim do século XXI, em relação ao período 1986-2005.

Um novo estudo publicado na revista da Academia Americana das Ciências (PNAS) não contradiz este cenário, mas dá conta da probabilidade de que a elevação do nível dos oceanos seja ainda mais grave: 69 centímetros numa hipótese mais optimista, 111 centímetros se a trajectória actual se mantiver, em relação ao nível em 2000.

Num cenário optimista, o aquecimento global do planeta alcança mais 2ºC em relação à época pré-industrial (fim do século XIX). Este é o objectivo mínimo do Acordo de Paris, assinado em 2015. A Terra já aqueceu cerca de 1ºC desde essa época.

O cenário mais pessimista é o de um aquecimento de 5ºC – se continuarmos na mesma trajectória de contínua emissão de gases com efeito de estufa.

A amplitude possível da subida do nível das águas é enorme: mesmo que a humanidade consiga limitar o aumento da temperatura do globo a 2ºC, a subida das águas pode variar entre 36 e 126 centímetros (intervalo de probabilidade de 5 a 95%).

No caso de um aumento da temperatura global do planeta de 5ºC, a subida do nível das águas ultrapassa 238 centímetros.

“Estamos perante uma emergência climática”, alerta Guterres

De visita à Nova Zelândia e às ilhas Fiji no início deste mês de maio, o secretário-geral da ONU lembrou que a temperatura atingiu nos últimos quatro anos o maior nível de que há registo.

António Guterres lamentou que a vontade política para alterar o rumo dos acontecimentos está a falhar.

Gronelândia e Antárctica a derreter

O estudo agora publicado reúne as estimativas de 22 peritos em calotas de gelo polares da Gronelândia e da Antárctica Leste e Oeste.

O degelo é um dos principais responsáveis pela subida do nível dos oceanos, assim como os rios de gelo e a expansão térmica – quando a água do mar aquece, também se expande.

“Concluímos que é plausível que o aumento do nível do mar ultrapasse 2 metros até 2100 neste cenário de subida da temperatura”.

 

Planeta perderá quase 2 milhões de km2, centenas de milhões de deslocados

Neste cenário, o planeta perderá 1,79 quilómetros quadrados de terras, uma área equivalente à da Líbia.

Grandes partes da terra perdida serão importantes áreas de cultivo como o delta do Nilo e em vastas áreas do Bangladesh será muito difícil as pessoas continuarem a viver.

Daqui resultará um êxodo de 187 milhões de pessoas, segundo o estudo.

Os glaciares antes e depois das alterações climáticas

“Não estamos a ganhar a batalha” das alterações climáticas

msn notícias
SIC Notícias
21/05/2019



[vasaioqrcode]

2012: Vírus gigantes nas águas da Índia podem resolver mistério evolutivo

CIÊNCIA

(cv) National Geographic / Youtube

Uma equipa liderada por cientistas do Instituto Indiano de Tecnologia em Bombaim descobriu mais de 20 novos vírus nas águas da cidade, incluindo versões gigantes destes agentes biológicos que podem ajudar a desvendar questões importantes e actuais no campo da genética.

Na investigação, levada a cabo durante cinco anos, os cientistas analisaram a águas residuais e pré-filtradas nesta cidade indiana e encontraram variantes destes vírus baptizados como mega vírus Powai Lake, Mimivirus Bombay, Kurlavirus e mega vírus Bandra, sendo este último o maior dos vírus gigantes já encontrados na Índia.

Para a descoberta, os cientistas recorreram a novos métodos de análises de amostras biológicas e análises de dados, incluindo medições do mega vírus Bandra, que os cientistas determinaram ter uma espessura de 465 nanómetros. Esta espessura, apesar de ser inferior à das bactérias e centenas de vezes menor do que a espessura de um fio de cabelo humano, é dezenas de vezes maior do que a dos outros vírus comuns.

Apesar dos novos organismos encontrados, o interesse da equipa reside na perspectiva genética, uma vez que desde a descoberta do primeiro espécie (1992)  descobriu-se que os vírus gigantes têm traços do genoma das bactérias, eucariontes e outros vírus. Esta diversidade genética observada nos novos organismos poderia ajudar a determinar de que forma se transmite o ADN entre os organismos complexos e como evoluíram a partir de formas de vida mais simples.

Anirvan Chatterjee, um dos líderes do estudo, especificou que os genes que codificam as proteínas mais importantes para os vírus foram encontrados principalmente na parte central do seu genomas, enquanto que as suas extremidades alojam genes menos importantes. Esta particularidade foi também observada em vírus gigantes noutras parte do mundo, mas o caso da Índia tem algumas particularidades.

इंस वायर @indianscinews

Scientists discovered Bandramegavirus (BMV), a novel, and so far, the largest Giant Virus reported from India@dineshcsharma @TVVen @VigyanPrasar @IndiaDST @iitbombay @SciReportshttps://vigyanprasar.gov.in/isw/Giant-Viruses-found-water-samples-from-Mumbai.html 

Giant Viruses found in water samples from Mumbai-India Science Wire

Science News:You may have never heard of Bandra megavirus or Kurlavirus. — By Hansika Chhabra

vigyanprasar.gov.in

“Embora o genoma ou o material genético total no mega vírus Bandra e no mega vírus Powai Lake seja semelhante, a sua organização é diferente“, explicou Chatterjee, em declarações à India Science Wire.

O estudo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista especializada Scientific Reports – sustenta a teoria de que existem vírus gigantes em todas as partes do mundo. No entanto, escreveram os cientistas “não há evidências suficientes para sugerir que estes microrganismos estão directamente relacionados com infecções em humanos”, apontou.

ZAP //

Por ZAP
19 Maio, 2019


[vasaioqrcode]

1934: As tempestades de poeira podem ter roubado a água do Planeta Vermelho

NASA / JPL-Caltech / MSSS

Fortes tempestades elevam as moléculas de água no ar do Planeta Vermelho, onde podem ser facilmente perdidas no Espaço.

Os cientistas procuram entender de que forma as partículas de poeira, que geralmente preenchem a atmosfera, poderiam impactar os astronautas e os seus equipamentos há já algum tempo. Aliás, é por esse motivo que os humanos possuem oito naves espaciais a orbitar o Planeta Vermelho ou itinerantes na sua superfície.

Para os investigadores, as fortes tempestades de poeira, como a que “apagou” a sonda Opportunity da NASA, podem ter contribuído para eliminar parte da água de Marte. O fenómeno aconteceu no ano passado, quando uma forte tempestade de poeira bloqueou a luz solar na superfície do planeta, evitando que a sonda recarregasse as suas baterias durante semanas.

As tempestades de poeira não são uma novidade na superfície de Marte, especialmente na primavera e no verão do hemisfério Sul marciano, que ocorrem durante dias e podem cobrir regiões do planeta do tamanho dos Estados Unidos. Por sua vez, as tempestades que circundam o planeta são imprevisíveis e, muitas vezes, podem durar meses.

Há milhares de milhões de anos, Marte possuía uma atmosfera rica em água líquida, deixando até hoje evidências de que existiam rios, lagos e até mesmo oceanos no Planeta Vermelho, que cobriam aproximadamente 20% da superfície marciana.

Mas Marte perdeu a sua barreira protectora – ou, como quem diz, o seu campo magnético – permitindo que as partículas solares removessem a maior parte da sua atmosfera, resultando assim na perda de capacidade de suportar água líquida, explica a NASA.

Geronimo Villanueva, da NASA, trabalhou em conjunto com uma equipa de cientistas da ESA e da Roscosmos para confirmar o potencial poder das tempestades de poeira neste fenómeno. Os cientistas suspeitavam que estas tempestades elevam as moléculas de água a 80 quilómetros ou mais da sua altitude na superfície, onde o ar rarefeito e a radiação solar separam as moléculas de água em átomos de hidrogénio e oxigénio.

“Quando levamos água para partes muito mais altas da atmosfera, ela evapora facilmente”, explicou o investigador.

Num artigo científico publicado na Nature no dia 10 de Abril, Villanueva e os seus colegas relataram a descoberta de evidências de recuo do vapor de água através da sonda ExoMars Trace Gas Orbiter.

A sonda mediu as moléculas de água em diferentes altitudes antes e depois da tempestade de 2018, o que permitiu aos cientistas observar pela primeira vez que todos os tipos de moléculas de água alcançam a “região de escape” da atmosfera superior, uma importante visão de como a água pode estar a desaparecer de Marte.

Através desta importante descoberta, os cientistas pretendem inferir a quantidade de água que fluía no Planeta Marciano antigo e quanto tempo demorou a desaparecer.

ZAP // SputnikNews

[vasaioqrcode]

 

1920: Metade da água nos nossos oceanos pode ter vindo do Espaço (à boleia de asteróides)

CIÊNCIA

(dr) JAXA

Mais de 70% da superfície da Terra está coberta de água, quase toda ela nos oceanos. Mas de onde veio toda esta água?

Várias hipóteses procuram explicar como é que a água chegou ao nosso planeta nos primeiros dias da sua formação, incluindo a ideia de que a água molecular saiu de minerais hidratados na Terra e a possibilidade de que os asteróides e os cometas tenham libertado água para a Terra.

Novas investigações publicadas na revista Science Advances apoiam a hipótese do asteróide, sugerindo que estes visitantes rochosos poderiam ter fornecido até metade da água da Terra há milhões de anos.

Actualmente há duas missões a recolher material de asteróides, Hayabusa-2 e OSIRIS-REx. Mas antes deles, havia a Hayabusa (a original), que trouxe pequenas amostras de rochas espaciais para serem analisadas na Terra em 2010.

Investigadores da Universidade Estadual do Arizona descobriram que o asteróide Itokawa tem materiais ricos em água. A equipe encontrou o piroxénio mineral em duas das cinco amostras. Na Terra, este mineral contém moléculas de água na sua estrutura cristalina e os cientistas esperavam que esse também fosse o caso de Itokawa.

O asteróide Itokawa é um asteróide em forma de amendoim com diâmetro máximo de 535 metros e largura de 209 a 294 metros. Sofreu vários impactos, aquecimento, choques e fragmentações. Esses eventos aumentariam a temperatura do asteróide e levariam a uma perda de água.

Itokawa parece ser o produto final de um corpo parental de 19 quilómetros que atingiu temperaturas de até 800°C e foi destruído por impactos, com um final que o separou completamente. Alguns dos fragmentos fundiram-se com o que vemos hoje. “Embora as amostras tenham sido recolhidas na superfície, não sabemos onde estes grãos estavam no corpo original. Mas o melhor palpite é que tenham sido enterrados a mais de cem metros de profundidade”, explicou Jin.

O mistério da origem da água da Terra é fascinante, escreve a IFL Science. Enquanto alguma água foi libertada por processos vulcânicos, acredita-se que uma grande fracção tenha vindo do espaço. Cometas e asteróides do tipo C, que são ricos em gelo, foram considerados culpados, mas a composição isotópica da sua água não corresponde à da Terra. Já as amostras de Itokawa são indistinguíveis das amostras de água na Terra.

ZAP //

Por ZAP
4 Maio, 2019

[vasaioqrcode]

 

1904: A Lua lança para o Espaço 200 toneladas de água por ano (e a culpa é dos meteoritos)

Marshall Space Flight Center / NASA

A Lua dispõe de importantes reservas de água, mas isso já se sabe há vários anos. Há água congelada em forma de gelo puro no fundo das crateras que jamais receberão a luz do sol, mas também misturada, em menor quantidade, com a poeira e as rochas da superfície lunar.

Agora, um novo estudo publicado na revista Nature Goscience, acaba de revelar que o satélite aparentemente seco está a perder essa água – e a um ritmo considerável: cerca de 200 toneladas por ano. A culpa é dos meteoritos que caem quase continuamente no nosso satélite.

Segundo os cientistas planetários Mehdi Benna, Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, Maryland, e Dana Hurley, Laboratório de Física Aplicada da Universidade Johns Hopkins em Laurel, Maryland, o impacto de pequenos meteoritos impulsionam, frequentemente, poeira e água na atmosfera escura do nosso satélite.

Os investigadores conseguiram detectar com os instrumentos da sonda Lunar Atmosphere e a Dust Environment Explorer da NASA até 29 lançamentos de água entre Outubro de 2013 e Abril de 2014 – e justamente no momento em que a Lua passou por chuvas de meteoros. Segundo os cientistas, quanto mais forte a corrente de meteoro, mais partículas são libertadas no espaço da Lua.

“A Lua é atingida por minúsculas partículas de poeira todos os dias”, explica Dana Hurley, “e ocasionalmente voa através de correntes de meteoros, e o bombardeio torna-se mais intenso”. De facto, as maiores detecções de água na atmosfera lunar foram detectadas precisamente ao mesmo tempo em que a Lua passou por estas correntes. “Isso fez pensar-nos que estávamos a testemunhar a libertação da água lunar pelos meteoros.”

No artigo, conta a ABC, os investigadores explicam que a quantidade de água detectada pelos sensores da sonda era alta demais para vir dos próprios meteoros. Em vez disso, propõem que a maior parte da água foi provavelmente separada dos grãos do solo lunar perto dos locais de impacto.

De acordo com os cálculos de Hurley, durante um ano, os meteoritos podem libertar cerca de 300 toneladas de água do solo da Lua. Cerca de um terço da água cai em algum outro lugar no satélite. Mas o resto – cerca de 200 toneladas por ano – fica perdido eternamente no espaço.

As análises realizadas mostram que a água lunar está escondida sob uma camada de aproximadamente oito centímetros de solo completamente seco. O foco, no entanto, é apenas 0,05%, de modo que o subsolo “molhado” nunca poderia tornar-se um terreno fértil. Apesar de conter água, o solo é mais seco do que deserto mais seco na Terra.

Os investigadores acreditam que a água poderia vir do impacto de um cometa gelado há centenas de milhões de anos e que, agora, tudo está a ser perdido por causa dos meteoritos. No entanto, a presença na superfície poderia permitir que, a partir de 2024, toda a água possa ser extraída para consumo humano, bem como para combustível.

ZAP //

Por ZAP
29 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1848: Cientistas arrefeceram água até os -263ºC sem a congelar

CIÊNCIA

(PD/CC0) ronymichaud / pixabay

Um grupo de cientistas suíços descobriu uma maneira de reduzir a temperatura da água até os -263ºC sem que se congelasse. O estudo põe em questão a forma como se estuda estruturas moleculares quando expostas a temperaturas extremamente baixas.

O senso comum diz-nos que a água se congela quando exposta a temperaturas abaixo dos 0ºC. As moléculas à superfície começam a cristalizar e transformam-se em gelo, que se vai espalhando pelas moléculas próximas até que toda a água congele.

Um grupo de cientistas do Instituto Federal de Tecnologia (ETH) de Zurique e da universidade local conseguiu contrariar esse pressuposto e levou água até os -263ºC, mantendo-a no estado líquido. E como conseguiram fazer isto? Através de um novo tipo de matéria biológica, que eles chamam de mesofase lipídica. O estudo foi publicado, esta semana, na Nature Nanotechnology.

O New Atlas explica que, dentro desta matéria, há moléculas que se comportam da mesma maneira que as moléculas que encontramos em gordura natural ou lípidos, e se encarregam de reunir em membranas.

Estas membranas formam uma espécie de rede de canais microscópicos — tão pequenos que têm menos de um nanómetro de diâmetro. Pelo simples facto de não haver espaço, os cristais de gelo não se conseguem formar. Assim sendo, apesar de a temperatura ser inferior aos 0ºC a que normalmente a água congela, ela consegue manter o seu estado líquido.

(dr) Livia Salvati Manni / ETH Zurich
Os lípidos formam redes de canais que envolvem a água, vista em azul claro.

Os cientistas recorreram a hélio líquido, que ronda os -263ºC, para arrefecer a mesofase lipídica — levando a matéria biológica criada a apenas 10ºC acima do zero absoluto de Kelvin.

“No processo normal de congelamento, quando os cristais de gelo se formam, normalmente danificam e destroem membranas e grandes bio-moléculas cruciais, o que nos impede de determinar sua estrutura e função quando interagem com membranas lipídicas”, explica Raffaele Mezzenga, do Laboratory of Food & Soft Materials no ETH Zurich.

Esta experiência dos cientistas helvéticos abre assim novas portas para estudar as moléculas em temperaturas extremamente baixas. Além disso, quem também pode beneficiar com este estudo são os aeroportos. A formação de gelo nas pistas de aviação dificulta e pode até ser perigosa para a aterragem de aviões.

“O nosso trabalho não tinha como objectivo aplicações exóticas”, disse Mezzenga. “O foco principal foi dar aos investigadores uma nova ferramenta para facilitar o estudo de estruturas moleculares em baixas temperaturas, sem cristais de gelo a interferir e, finalmente, entender como dois componentes principais da vida, água e lípidos, interagem sob condições extremas de temperatura e confinamento geométrico”.

ZAP // New Atlas

Por ZAP
15 Abril, 2019

[vasaioqrcode]

 

1772: Asteróide Ryugu possui minerais com vestígios de água

Akademy / Flickr
Asteróide Ryugu numa imagem capturada pela nave espacial japonesa Hayabusa2

Foram encontrados minerais que contêm água com elementos de oxigénio e hidrogénio na superfície do asteróide Ryugu.

Na superfície do asteróide Ryugu, que está a ser explorado pela sonda japonesa Hayabusa-2, foram encontrados minerais que contêm água com elementos de oxigénio e hidrogénio, de acordo com os dados do relatório da Agência Japonesa de Exploração Aeroespacial (JAXA).

Os minerais foram descobertos durante a espectroscopia de infravermelho. A descoberta comprova, ainda que indirectamente, a teoria de que a água foi trazida para a Terra do Espaço. O artigo científico foi publicado na revista Science.

Segundo o relatório da agência japonesa, “acredita-se que asteróides da classe C [asteróides carbonáceos escuros semelhantes em espectro a meteoritos condritos, que são semelhantes na composição química com a nebulosa que originou o Sol], estão entre os corpos celestes mais prováveis que trouxeram água para a Terra“. Ryugu é um deles.

A baixa densidade do asteróide sugere que o objeto é uma pilha de entulho espacial poroso, e o material espalhado na sua superfície indica que o asteróide experimentou um período de rápida rotação no seu passado. Além disso, a sua superfície está repleta de pedregulhos de tamanhos variados e cores diversas.

Os resultados iniciais da missão estão a ajudar os cientistas a escolher o local ideal para recolher novas amostras, uma vez que a Hayabusa2 regressará à Terra em 2020.

A sonda já nos enviou imagens incríveis deste asteróide e conseguiu fazer um pouso rápido para recolher uma primeira amostra, quando libertou um projéctil na superfície do objeto espacial. Em breve, será lançado um explosivo para abrir uma cratera de onde serão recolhidos novas amostras, desta vez abaixo da superfície. O objectivo é estudar o que está ao alcance da sonda e o que esconde o interior do asteróide.

Estudar o Ryugu pode dar luzes sobre a forma como os minerais são libertados do Cinturão de Asteróides para a Terra, e também ajudar-nos a entender ainda melhor a história do Sistema Solar e a origem da vida na Terra.

A sonda japonesa Hayabusa-2 foi lançada em 2014 e pousou no asteróide no dia 22 de Fevereiro deste ano. O Ryugu possui 900 metros em diâmetro, e localiza-se a cerca de 340 milhões de quilómetros da Terra.

ZAP // SputnikNews

Por ZAP
28 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1706: A Terra está prestes a ficar sem água doce

Mbochart / wikimedia

Os Estados Unidos tem 204 bacias que abastecem o país de água doce. Destes, 96 não serão capazes de cumprir a oferta habitual a partir de 2071.

“Muitos estados dos EUA terão menos água ao longo do tempo”, explicou Thomas Brown à Reuters, investigador do Serviço Florestal dos EUA e um dos autores do trabalho. Na opinião dos cientistas, as bacias mais afectadas serão as do centro e sul das Grandes Planícies, o sudoeste e o centro da região das Montanhas Rochosas, Califórnia, algumas áreas do sul, como a Florida, e o Centro-Oeste.

De acordo com o estudo publicado em Fevereiro na revista Earth’s Future, as principais causas para a escassez generalizada da água são o aumento da população mundial e as alterações climáticas.

O agravamento da seca que ocorrerá em pouco mais de cinco décadas estará vinculado à crescente demanda de uma população crescente e às mudanças climáticas, o que levará a uma maior evaporação e menos chuvas em alguns estados. O aumento da temperatura anulará o efeito de maior precipitação que é esperado noutras regiões.

De acordo com os modelos que projectaram, 83, 92 e 96 bacias poderiam sofrer escassez nos seus níveis mensais nos períodos 2021-2045, 2046-2070 e 2071-2095, respectivamente.

Para reverter a situação, é necessário modificar os hábitos em relação ao uso da água – nomeadamente na agricultura, responsável por 75% do consumo anual nos EUA e na indústria. Portanto, Brown e a sua equipa disseram que se deve reformular a forma como o recurso é utilizado e aumentar a eficiência do uso.

O estudo sobre o futuro da água nos EUA junta-se a outros que já alertaram sobre a situação global. Especialistas da NASA explicaram que, entre 2003 e 2013, extraiu-se mais do que foi possível recuperar na maioria dos maiores aquíferos subterrâneos do mundo, que fornecem 35% do aquíferos usados no mundo. “A situação é crítica”, disseram.

Outro relatório detalha que os aquíferos “demoram muito mais tempo para responder às mudanças climáticas do que a água na superfície”.

“Metade das correntes subterrâneas do planeta respondem dentro de uma escala de tempo humano de cem anos”, disse Mark Cuthbert, professor da Universidade de Cardiff. O investigador definiu este “grande legado” como “uma bomba-relógio ambiental”, uma vez que qualquer impacto sobre a sua substituição, que depende das chuvas, se manifestará “muito tempo depois”.

O Banco Mundial também aborda a questão no relatório “Mudanças Climáticas, Água e Economia”, de 2016, que indicava que em 2050 a disponibilidade de água potável seria um terço da actual e que a escassez terá repercussões graves na economia.

Por sua vez, o Relatório Mundial sobre Desenvolvimento de Recursos Hídricos da Unesco também alerta que, até 2050, 5,7 mil milhões de pessoas – cerca de dois terços da população mundial – sofrerão com secas, superando os 3,6 mil milhões que sofrem actualmente.

O estudo disse que o crescimento populacional, mudanças no consumo e no desenvolvimento económico significam que a demanda mundial aumenta em 1% a cada ano.

ZAP //

Por ZAP
13 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1705: Sonda da NASA mostra que a água “viaja” pela superfície da Lua

Marshall Space Flight Center / NASA

Ao observar a parte visível da Lua, os planetólogos conseguiram, pela primeira vez, seguir como as moléculas de água “viajam” de uma região do satélite para outra.

Os novos dados foram obtidos pela sonda LRO da NASA e publicados, junto com as conclusões dos cientistas, na revista Geophysical Research Letters.

“Para nós foi extremamente difícil medir a quantidade de água na superfície da Lua porque a luz reflete-a de modo estranho. Além disso, no passado, os nossos colegas registaram grandes quantidades de líquido ‘migrando’ pela superfície lunar, o que não pode ser explicado por quaisquer processos físicos”, revela Michael Poston, geólogo da NASA.

Acredita-se que as condições na Lua impedem a acumulação e a preservação de grandes reservas de água. A ausência de atmosfera e a fraca gravidade tornam impossível a existência de moléculas de água na forma líquida ou gasosa, enquanto o gelo na superfície lunar se evapora gradualmente sob a acção do vento solar. No entanto, várias missões lunares conseguiram provar que o satélite da Terra possui água.

Poston e os seus colegas resolveram estas contradições ao observar como as moléculas de água presentes na camada próxima do solo “se desprendem” da superfície do satélite durante a parte mais quente do dia lunar. Algumas delas “movem-se” para as áreas mais escuras da Lua, enquanto outras desaparecem no espaço.

De acordo com Poston, os cientistas estavam interessados numa característica deste processo: em que proporção o número de moléculas de água na superfície da Lua se altera quando esta fica na “sombra” da Terra, ou seja, quando o fluxo de partículas emitidas pelo Sol é significativamente menor. Se a teoria da influência “solar” na água da Lua estiver correta, a proporção de água deve diminuir depois de cada eclipse “terrestre”.

Estas observações mostraram várias coisas que os cientistas anteriormente não previam. Primeiro, descobriu-se que a fonte desta humidade não eram cristais de gelo microscópicos nas camadas superficiais do solo ou depósitos profundos e antigos. Eram grãos de poeira que absorviam directamente as moléculas de água e as libertavam quando aqueciam.

Em segundo lugar, o seu número acabou por ser um pouco menor do que anteriormente julgavam os cientistas, o que torna possível explicar a presença de água no solo da Lua sem recorrer a explicações exóticas.

Além disso, o detector de água LAMP instalado a bordo da sonda LRO não registou quaisquer alterações na proporção das suas moléculas após a ocorrência de “eclipses”, o que lança dúvidas sobre o papel significativo do vento solar na formação de reservas de humidade lunar.

Desta maneira, a ausência de grandes diferenças sugere que a água não “escapa” da Lua em tanta quantidade como se acreditava, apontando para um possível mecanismo de acumulação no solo do nosso satélite. Os cientistas consideram que estas informações serão importantes na hora de escolher um lugar e construir futuras colónias permanentes na superfície lunar.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
13 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1674: Encontrados indícios de antigo e enorme sistema de água subterrânea em Marte

Goddard Space Center / NASA

Com a sonda Mars Express, a ESA anunciou a descoberta de uma evidência mostrando que Marte, há muito tempo, tinha um enorme sistema de água subterrânea.

Recentemente, a agência divulgou imagens que mostravam sinais de actividades hídricas na superfície do planeta.

A descoberta da vez foi publicada no Journal of Geophysical Research: Planets, tendo os investigadores da missão explicado que encontraram, em 24 crateras profundas no hemisfério norte de Marte, a primeira evidência geológica de um sistema interligado de água abaixo da superfície.

Tais reservatórios subterrâneos de água devem ter abrigado minerais essenciais para a existência de vida, com cada uma das crateras observadas descendo a cerca de quatro mil metros abaixo do “nível do mar” marciano, contendo evidências de que em Marte havia piscinas naturais e fluxos de água que mudaram ao longo do tempo, incluindo canais e vales, além de depósitos de sedimentos.

Em cinco das 24 crateras em questão, foi detectada uma série de argilas, carbonatos e silicatos, elementos que estão intimamente ligados ao surgimento da vida na Terra, o que sustenta ainda mais a teoria de que Marte, tal qual aconteceu no nosso planeta, já teve as componentes e condições necessárias à vida.

ESA
Bacia profunda encontrada em Marte

“No início, Marte era um mundo aquático, mas quando o clima do planeta mudou, essa água recuou abaixo da superfície para formar poços e águas subterrâneas”, disse Francesco Salese, principal autor do estudo.

Para os investigadores, a descoberta mostra que Marte, há cerca de 3,5 mil milhões de anos, abrigava um oceano. “Achamos que esse oceano poderia estar ligado a um sistema de lagos subterrâneos que se espalhavam por todo o planeta”, completa Gian Gabriele Ori, co-autor do documento.

Dmitri Titov, cientista da ESA que faz parte da missão Mars Express, explica que “descobertas como esta são extremamente importantes pois ajudam a identificar as regiões de Marte que são as mais promissoras para encontrar sinais de vidas que existiram no passado”. A ESA enviará, no ano que vem, o rover Franklin como parte da missão ExoMars para explorar a superfície marciana em busca de bioassinaturas, em parceria com os russos da Roscosmos.

ZAP // Canal Tech

Por CT
7 Março, 2019

[vasaioqrcode]

 

1632: As rochas da Lua podem produzir água graças ao vento solar

Marshall Space Flight Center / NASA

Quando o vento solar se dirige à superfície da Lua a 450 quilómetros por segundo, enriquece a sua superfície com ingredientes que podem produzir água.

Usando um programa de computador, cientistas da NASA simularam a química que ocorre quando o vento solar sopra sobre a superfície da Lua. À medida que o Sol enviava protões à Lua, descobriram que estas partículas interagem com os electrões na superfície lunar, formando átomos de hidrogénio.

Esses átomos migram pela superfície e ligam-se aos abundantes átomos de oxigénio ligados à sílica e a outras moléculas transportadoras de oxigénio que formam o solo lunar. Juntos, o hidrogénio e o oxigénio formam a molécula de hidroxila, um componente da água – ou H2O.

“Pensamos na água como um composto especial e mágico“, disse em comunicado William M. Farrell, físico de plasma do Goddard Space Flight Center da NASA, que ajudou a desenvolver a simulação. “Mas isto é surpreendente: todas as rochas têm potencial para produzir água, especialmente depois de ser irradiada pelo vento solar.”

Compreender quanta água, ou os seus componentes químicos, está disponível na Lua é fundamental para o objetivo da NASA de enviar humanos para se estabelecerem permanentemente lá, disse Orenthal James Tucker, físico que liderou o estudo.

“Estamos a tratar de aprender sobre a dinâmica do transporte de recursos valiosos como o hidrogénio ao redor da superfície lunar e em toda a sua exosfera para que possamos saber onde ir a recolher esses recursos”, referiu.

Várias naves espaciais utilizaram instrumentos infravermelhos para identificar a química da sua superfície, como a sonda Deep Impact da NASA, que teve inúmeros encontros com o sistema Terra-Lua a caminho do cometa 103P/Hartley 2; a sonda Cassini da NASA, que foi para a Lua a caminho de Saturno; e Chandrayaan-1 da Índia, que orbitou a Lua há uma década. Todas encontraram evidências de água ou os seus componentes.

Mas, como estes átomos e compostos são formados na Lua, permanece uma questão em aberto. É possível que os impactos dos meteoros desencadeiem as reacções químicas necessárias, mas muitos cientistas acreditam que o vento solar é o principal motor. A simulação de Tucker, que acompanha o ciclo de vida dos átomos de hidrogénio na Lua, apoia a ideia do vento solar.

“De estudos anteriores, sabemos quanto hidrogénio vem do vento solar, também sabemos quanto existe na atmosfera muito fina da Lua e temos medições de hidroxila na superfície”, disse Tucker. “O que fizemos agora é descobrir como estes três inventários de hidrogénio estão fisicamente interligados”.

Mostrar como os átomos de hidrogénio na Lua se comportam ajudou a resolver por que as espaço-naves encontraram flutuações na quantidade de hidrogénio em diferentes regiões da Lua. A equipe concluiu que o hidrogénio acumula energia em regiões mais quentes, como o equador da Lua, uma vez que os átomos de hidrogénio depositados expelem rapidamente os gases da superfície para a exosfera.

Por outro lado, parece que se acumula mais hidrogénio na superfície mais fria perto dos pólos porque há menos radiação solar e as emissões de gases são reduzidas.

Em geral, a simulação de Tucker mostra que, à medida de que o vento solar passa pela superfície da Lua, quebra as ligações entre os átomos de silício, ferro e oxigénio que compõem a maior parte do solo da Lua.

À medida que os átomos de hidrogénio fluem através da superfície da Lua, ficam temporariamente presos ao oxigénio. Eles flutuam entre as moléculas de oxigénio antes de se espalharem para a atmosfera da Lua e, finalmente, para o espaço. “Todo o processo é como uma fábrica de produtos químicos“, disse Farrell.

Uma ramificação chave do resultado é que todos os corpos expostos de sílica no espaço tem o potencial de criar hidroxila e, portanto, tornar-se uma fábrica química de água.

ZAP // Europa Press

Por ZAP
25 Fevereiro, 2019

[vasaioqrcode]