5377: Tempestades de poeira em Marte terão acelerado perda de água

CIÊNCIA/MARTE/ASTRONOMIA/ESA

NASA

As tempestades de poeira em Marte terão acelerado a perda de água no planeta, concluíram dois estudos divulgados, esta segunda-feira, pela Agência Espacial Europeia (ESA).

Segundo os estudos, citados em comunicado pela ESA, Marte terá perdido uma camada de água de dois metros de profundidades a cada mil milhões de anos, mas ainda hoje, apesar de inóspito, vaza pequenas quantidades remanescentes na sua atmosfera.

Actualmente, a água em Marte, que terá sido abundante, só existe sob a forma de gelo ou gás devido à baixa pressão atmosférica.

Dados da sonda europeia Mars Express revelam, de acordo com a ESA, que a fuga de água de Marte para o espaço foi acelerada por tempestades de poeira e pela proximidade do planeta com o Sol, mas sugerem também que uma parte da água “pode ter recuado para o subsolo”.

Os novos estudos, liderados pelos investigadores Anna Fedorova, do Instituto de Investigação Espacial da Academia Russa de Ciências, e Jean-Yves Chaufray, do Laboratório de Atmosferas e Observações Espaciais de França, que assentam nestes dados, complementam informação recentemente obtida a partir do satélite europeu TGO, que aponta para que a perda de água em Marte possa estar ligada a mudanças sazonais.

Anna Fedorova e a sua equipa estudaram, durante oito anos marcianos, o vapor de água na atmosfera do planeta, desde o solo até uma altitude de 100 quilómetros, “região que ainda não havia sido explorada”.

O vapor de água “permaneceu confinado” a menos de 60 quilómetros de altitude quando Marte estava longe do Sol, mas “estendeu-se” até 90 quilómetros de altitude quando o planeta estava mais próximo do Sol.

Perto do Sol, “as temperaturas mais quentes e a circulação mais intensa na atmosfera impediram que a água congelasse a uma determinada altitude”.

“Então, a atmosfera superior fica humedecida e saturada de água, o que explica porque as taxas de fuga de água aumentam durante esta temporada: a água é transportada para mais alto, ajudando a sua fuga para o Espaço”, assinalou a investigadora, citada no comunicado da ESA.

Nos anos em que Marte teve uma tempestade de poeira, a parte superior da atmosfera tornou-se ainda mais húmida, acumulando água em excesso em altitudes de mais de 80 quilómetros.

Para Anna Fedorova, tal significa que “as tempestades de poeira, que são conhecidas por aquecer e perturbar a atmosfera de Marte, também levam água a grandes altitudes”.

No seu estudo, o grupo liderado por Jean-Yves Chaufray acrescenta que parte da água de Marte pode não ter escapado para o Espaço através da atmosfera, mas “recuado” para o subsolo.

“Como nem tudo foi perdido para o Espaço, os nossos resultados sugerem que ou a água se moveu para o subsolo ou as taxas de fuga de água eram muito mais altas no passado”, sustentou o investigador.

ZAP //LusaLusa

Por Lusa
23 Março, 2021


5356: O que aconteceu à água de Marte? Ainda está lá presa

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta vista global de Marte é composta por aproximadamente 100 imagens do orbitador Viking.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/USGS

Há milhares de milhões de anos, o Planeta Vermelho era muito mais azul; de acordo com evidências ainda encontradas à superfície, a água abundante fluiu por Marte formando lagos e oceanos profundos. A questão que se põe é, então para onde foi toda esta água?

A resposta: para lado nenhum. Segundo uma nova investigação do Caltech e do JPL, uma porção significativa da água de Marte – entre 30 e 99 por cento – está presa dentro de minerais na crosta do planeta. A investigação desafia a teoria actual de que a água do Planeta Vermelho escapou para o espaço.

A equipa do Caltech/JPL descobriu que há cerca de quatro mil milhões de anos, Marte continha água suficiente para cobrir todo o planeta com um oceano com aproximadamente 100 a 1500 metros de profundidade; um volume aproximadamente equivalente a metade do Oceano Atlântico da terra. Mas, mil milhões de anos depois, o planeta estava tão seco quanto hoje. Anteriormente, os cientistas que procuravam explicar o que aconteceu com a água que corria em Marte sugeriram que escapou para o espaço, vítima da baixa gravidade de Marte. Embora parte da água realmente tenha deixado Marte desta maneira, parece agora que tal fuga não pode ser responsável pela maior parte da perda de água.

“A fuga atmosférica não explica totalmente os dados que temos sobre a quantidade de água que realmente existiu em Marte,” diz a candidata a doutoramento no Caltech, Eva Scheller, autora principal de um artigo científico sobre a pesquisa, publicado pela revista Science no dia 16 de Março e apresentado no mesmo dia na Conferência de Ciência Lunar e Planetária. Os co-autores de Scheller são Bethany Ehlmann, professora de ciências planetárias e directora associada do Instituto Keck para Estudos Espaciais; Yuk Yung, professor de ciências planetárias e investigador sénior do JPL; Danica Adams, estudante no Caltech; e Renyu Hu, investigador do JPL. O Caltech gere o JPL para a NASA.

A equipa estudou a quantidade de água em Marte ao longo do tempo em todas as suas formas (vapor, líquido e gelo) e a composição química da actual atmosfera e crosta do planeta por meio da análise de meteoritos, bem como usando dados fornecidos por rovers e orbitadores, olhando em particular para a proporção de deutério para hidrogénio.

A água é composta por hidrogénio e oxigénio: H2O. No entanto, nem todos os átomos de hidrogénio são criados iguais. Existem dois isótopos estáveis de hidrogénio. A vasta maioria dos átomos de hidrogénio tem apenas um protão dentro do núcleo atómico, enquanto uma pequena fracção (cerca de 0,02%) existe como deutério, ou o chamado hidrogénio “pesado”, que tem um protão e um neutrão no núcleo.

O hidrogénio mais leve (também conhecido como prótio) tem mais facilidade em escapar da gravidade do planeta para o espaço do que a sua contraparte mais pesada. Por causa disto, o escape de água de um planeta pela atmosfera superior deixaria uma assinatura reveladora na proporção de deutério para hidrogénio na atmosfera do planeta; haveria uma proporção descomunal de deutério deixado para trás.

No entanto, a perda de água apenas através da atmosfera não pode explicar o sinal de deutério para hidrogénio observado na atmosfera marciana nem as grandes quantidades de água no passado. Em vez disso, o estudo propõe que uma combinação de dois mecanismos – o aprisionamento de água em minerais na crosta do planeta e a perda de água para a atmosfera – pode explicar o sinal de deutério para hidrogénio observado na atmosfera marciana.

Quando a água interage com a rocha, a erosão química forma argilas e outros minerais hidratados que contêm água como parte da sua estrutura mineral. Este processo ocorre tanto na Terra quanto em Marte. Dado que a Terra é tectonicamente activa, a crosta velha é derretida continuamente no manto e forma uma nova crosta nos limites das placas, reciclando água e outras moléculas de volta para a atmosfera através do vulcanismo. Marte, no entanto, é principalmente tectonicamente inactivo e, portanto, a “secagem” da superfície, assim que ocorre, é permanente.

“A fuga atmosférica claramente teve um papel na perda de água, mas as descobertas da última década de missões marcianas apontaram para o facto de que havia um enorme reservatório de antigos minerais hidratados cuja formação certamente diminuiu a disponibilidade de água ao longo do tempo,” disse Ehlmann.

“Toda esta água foi sequestrada bastante cedo, e nunca mais reciclada,” diz Scheller. A investigação, que se baseou em dados de meteoritos, telescópios, observações de satélites e amostras analisadas por rovers em Marte, ilustra a importância de existirem várias maneiras de estudar o Planeta Vermelho, salienta.

Ehlmann, Hi e Yung colaboraram anteriormente em pesquisas que buscam entender a habitabilidade de Marte traçando a história do carbono, dado que o dióxido de carbono é o principal constituinte da atmosfera. Em seguida, a equipa planeia continuar a usar dados isotópicos e de composição mineral para determinar o destino dos minerais contendo azoto e enxofre. Além disso, Scheller planeia continuar a examinar os processos pelos quais a água da superfície de Marte foi perdida para a crosta usando experiências laboratoriais que simulam processos de erosão marciana, bem como através de observações da crosta antiga pelo rover Perseverance. Scheller e Ehlmann vão também ajudar nas operações da missão Mars 2020 do Perseverance para recolher amostras de rochas e envio à Terra, o que permitirá às cientistas e aos seus colegas testar estas hipóteses sobre as causas das mudanças climáticas em Marte.

Astronomia On-line
19 de Março de 2021


5349: Um verdadeiro mundo aquático. A Terra já foi uma rocha espacial cheia de água

CIÊNCIA/GEOLOGIA

(CC0/PD) PIRO4D / pixabay

A superfície total da água na Terra sempre foi considerada constante. No entanto, de acordo com uma nova análise das características do manto, o nosso planeta já foi ocupado por um vasto oceano, com muito poucas ou nenhuma massa de terra. 

Mas para onde foi a água? O cientista planetário Junjie Dong, da Universidade de Harvard, defende que os minerais nas profundezas do manto foram os responsáveis por, lentamente, terem “bebido” os oceanos da Terra antiga para deixar o nível de água que temos hoje.

“Calculamos a capacidade de armazenamento de água no manto sólido da Terra em função da temperatura do manto”, escreveram os investigadores no artigo. “Descobrimos que a capacidade de armazenamento de água num manto inicial quente pode ter sido menor do que a quantidade de água que o manto da Terra actualmente contém.”

Segundo o Science Alert, os cientistas acreditam que uma grande quantidade de água seja armazenada na forma de compostos do grupo hidroxila – compostos de átomos de oxigénio e hidrogénio. A água é armazenada em duas formas de alta pressão do mineral vulcânico olivina: wadsleyite hidratada e ringwoodita.

As amostras de wadsleyite no subsolo podem conter cerca de 3% de H2O; ringwoodite em torno de 1%.

Os resultados deste estudo revelaram que os dois minerais apresentam menores capacidades de armazenamento a altas temperaturas. Quando a Terra se formou, há 4,54 mil milhões de anos, era muito mais quente internamente do que é hoje, o que significa que o armazenamento de água no manto é maior agora do que antes.

Além disso, à medida que mais minerais de olivina se cristalizam do magma da Terra, a capacidade de armazenamento de água do manto também aumenta. Mesmo que a equipa tivesse sido conservadora nos seus cálculos, a diferença na capacidade de armazenamento de água seria significativa.

“A capacidade de armazenamento de água bruta do manto sólido da Terra foi significativamente afectada pelo arrefecimento secular devido às capacidades de armazenamento dependentes da temperatura dos seus minerais constituintes”, escreveram os cientistas, no artigo científico publicado dia 9 de Março na AGU Advances.

Se, actualmente, a água armazenada no manto é maior do que a sua capacidade de armazenamento no período Arqueano, entre 2,5 e 4 mil milhões de anos atrás, é possível que o mundo tenha estado inundado e os continentes imersos.

Por Liliana Malainho
18 Março, 2021


5343: Há 4 mil milhões de anos Marte tinha água equivalente a metade o oceano Atlântico

CIêNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Há quatro mil milhões de anos, Marte tinha água equivalente a metade do oceano Atlântico, de acordo com um estudo publicado hoje pela revista Science, que estima que boa parte dessa água ficou presa na crosta do planeta.

Uma imagem de Marte divulgada recentemente pela NASA
© EPA

Há cerca de quatro mil milhões de anos, Marte tinha água suficiente para cobrir todo o planeta, num oceano entre 100 e 1.500 metros de profundidade, um volume aproximadamente equivalente a metade do Oceano Atlântico no planeta terra, segundo a investigação do Instituto de Tecnologia da Califórnia (Caltech) e do Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA (JPL).

A mesma investigação sustenta que entre 30 e 99 por cento da água em falta em Marte está presa na crosta do planeta.

Mil milhões de anos mais tarde, o planeta já estava tão seco como hoje e as teorias actuais consideram que a água escapou para o espaço devido à baixa gravidade do planeta, uma ideia que não pode explicar, segundo o novo estudo, a maior parte dessa perda.

A equipa estudou a quantidade de água em Marte ao longo do tempo em todas as suas formas (gasoso, líquido e sólido) e a composição química da sua atmosfera e crosta actuais.

Em particular, concentraram-se na relação entre dois elementos: o deutério e o hidrogénio.

A água é composta por hidrogénio e oxigénio, mas nem todos os átomos de hidrogénio são iguais.

O mais leve tem uma maior facilidade em escapar à gravidade do planeta para o espaço do que o seu homólogo mais pesado.

Por esta razão, a fuga da água de um planeta através da atmosfera superior deixaria uma marca indicadora na proporção de deutério para hidrogénio na atmosfera do planeta.

No entanto, de acordo com a investigação, a perda de água apenas através da atmosfera não pode explicar os sinais de deutério e hidrogénio observados na atmosfera marciana.

Em vez disso, o estudo propõe que uma combinação de dois mecanismos, o aprisionamento de água em minerais na crosta do planeta e a perda de água na atmosfera, pode explicar o sinal observado na atmosfera marciana.

Quando a água interage com rochas, a intempérie química forma argilas e outros minerais que contêm água como parte da sua estrutura mineral.

A fuga atmosférica “desempenhou claramente um papel” na perda de água, mas as descobertas da última década das missões a Marte apontaram para o facto de que havia este enorme reservatório de minerais hidratados antigos cuja formação “certamente diminuiu a disponibilidade de água ao longo do tempo”, disse Bethany Ehlmann da Caltech.

Toda aquela água “ficou presa muito cedo, e depois nunca mais saiu”, acrescentou Eva Scheller, autora do estudo principal.

A investigação, baseada em dados de meteoritos, telescópios, observações de satélite e amostras analisadas por Mars rovers, ilustra a importância de ter múltiplas formas de sondar o planeta, disseram os autores.

Diário de Notícias
DN/Lusa
17 Março 2021 — 09:08


5080: Galápagos têm águas ricas em nutrientes (e agora sabemos porquê)

CIÊNCIA/ECOLOGIA/OCEANOGRAFIA

Hostelworld.com
Ilhas Galapagos (Equador)

As Ilhas Galápagos são abençoadas por uma água rica em nutrientes que oferece alimento a muitas espécies únicas. Agora, uma equipa de investigadores explica este fenómeno.

Cada parte do excepcional e distinto ecossistema de Galápagos pode ser rastreada até às suas ricas reservas de algas marinhas. Alguns animais alimentam-se directamente das plantas microscópicas, outros, por sua vez, alimentam-se desses animais e assim por diante. Muitas espécies únicas encontradas apenas no arquipélago do Pacífico alimenta-se destas algas.

A abundância de algas – tecnicamente plantas microscópicas conhecidas como fitoplâncton – é o resultado de uma poça de água excepcionalmente fria que costuma ser encontrada a oeste das ilhas. Esta água fria é o resultado de uma ressurgência de águas profundas do oceano ricas em nutrientes, que é mais fraca durante a estação quente das chuvas (Dezembro a Maio) e mais forte durante a estação seca de Garúa (maio a Novembro).

Cientistas especulam há décadas sobre o que impulsiona esta subida das águas e, na ausência de evidências conclusivas, alguns inferem que ela é impulsionada por uma corrente que flui para o leste colidindo com as ilhas.

Mas a chave para desvendar o mistério do que causa a ressurgência está na sua forte sazonalidade. Primeiro, cientistas descobriram que a frieza da água a oeste das ilhas está associada à força dos ventos locais para o norte. Isto está em marcante contraste com a ressurgência mais fraca que ocorre em todo o Oceano Pacífico equatorial mais amplo, que é sustentada pela força dos ventos predominantes de oeste.

Mas exactamente como é que esses ventos do norte impulsionam uma forte ressurgência localizada ao redor das Galápagos? Uma equipa de investigadores explorou esta questão para um estudo agora publicado na Scientific Reports, no qual usaram um modelo de computador realista e de alta resolução da circulação oceânica na região.

O oceano foi modelado no seu estado médio anual típico para factores como temperatura, salinidade e velocidade da água, e depois “forçado” com mudanças de seis horas no vento atmosférico, radiação, precipitação e evaporação com base em observações reais.

Para sua surpresa, este modelo muito simplificado foi capaz de reproduzir de perto o ciclo sazonal real da água fria de Galápagos. Uma análise detalhada identificou a intensa mistura turbulenta no oceano como a causa precisa da subida da água.

O que parece estar a acontecer, a oeste das ilhas, é que os ventos do norte estão a soprar nas chamadas frentes oceânicas superiores – essas são faixas de mudanças laterais abruptas na temperatura da água do mar, semelhantes, mas muito menores do que as frentes atmosféricas nos mapas meteorológicos. Quando o vento atinge as frentes, ele mistura a água quente da superfície com as águas mais frias abaixo, e provoca uma nova circulação abaixo da superfície, que atrai água ainda mais fria das profundezas do oceano.

A ressurgência da água fria é altamente produtiva, uma vez que mais nutrientes significam mais fitoplâncton, o que significa mais peixes, e assim por diante. O sucesso reprodutivo da foca-marinha de Galápagos, do pinguim de Galápagos, do corvo marinho e de muitas outras espécies endémicas depende muito dessa ressurgência.

Erupção de vulcão no arquipélago das Galápagos ameaça espécies únicas

A erupção do vulcão La Cumbre, na ilha Fernandina, a oeste do arquipélago das Galápagos (Equador), que iniciou na noite…

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Por ZAP
8 Fevereiro, 2021


5077: Magnetosfera da Terra está a transportar água para a Lua

CIÊNCIA/LUA/ÁGUA

A Lua tem água. Várias expedições ao nosso satélite já identificaram o lugar onde se encontra este importante elemento à vida. No entanto, os astrónomos ainda se questionam como é possível a água ter chegado ao solo lunar.

Um novo estudo poderá ter a acrescentado uma informação muito importante sobre a ponte de água entre a Terra e a Lua.

Terra, fonte de água da Lua

Antes de o homem ter pisado a superfície da Lua, pensava-se que ela era seca como um deserto. Desde a era Apollo, os cientistas descobriram que a água existe na Lua na forma de gelo em crateras situadas nas sombras eternas.

Além destas calotas, também é possível encontrar água nas rochas vulcânicas e há depósitos inesperados de solo de ferro enferrujado. Contudo, ainda não houve uma confirmação verdadeira da extensão ou origem da água da superfície lunar.

Então, como foi parar a água à Lua?

Segundo a teoria prevalecente, os iões de hidrogénio carregados positivamente impulsionados pelo vento solar chocam com a superfície lunar e reagem para formar água. No entanto, um novo estudo publicado recentemente propõe uma teoria diferente.

De acordo com o estudo, o vento solar pode não ser a única fonte de iões formadores de água. Os investigadores mostraram que as partículas da Terra podem semear a Lua com água.

O vento solar é uma fonte provável de água de superfície lunar. Os modelos computorizados previram que até metade dessa água deverá evaporar e desaparecer em regiões de maior latitude durante aproximadamente os dias de lua cheia, quando passar para a magnetosfera terrestre.

A última análise do hidroxilo de superfície lunar/água veio do Mapeador de Mineralogia Lunar Chandrayaan-1 que mostra que a água de superfície lunar não desaparece quando a magnetosfera da Terra protege a Lua.

Vento da Terra faz a ponte

Acreditava-se anteriormente que o campo magnético da Terra bloqueava o vento solar de chegar à Lua, pelo que a água não podia ser regenerada mais rapidamente do que se perdia. Mas descobriu-se que não é esse o caso.

Os investigadores compararam uma série temporal de mapas da superfície da água de antes, durante e depois do trânsito da magnetosfera lunar. Então, os cientistas chegaram à conclusão que a água lunar poderia ser reabastecida por fluxos de iões da magnetosfera, conhecidos como o “vento da Terra”.

As observações de satélite confirmaram a presença destes iões da Terra perto da Lua. Observações do satélite Kaguya durante a Lua cheia detectaram elevadas concentrações de isótopos de oxigénio que se libertaram da camada de ozono da Terra e se incrustaram no solo lunar juntamente com iões de hidrogénio.

Pplware
Autor: Vítor M.
06 Fev 2021


5013: Identificada a evidência mais antiga já encontrada de água no Sistema Solar

CIÊNCIA/GEOQUÍMICA

A. Bischoff / M. Patzek, Universität Münster

Uma equipa multidisciplinar de especialistas identificou num meteorito que caiu no norte da Alemanha em 2019 evidências da primeira presença de água líquida num objecto planetário do Sistema Solar.

Os especialistas do Instituto de Ciências da Terra referem que foi através de uma sonda de iões de alta precisão que chegaram à datação do corpo, escreve a agência Europa Press.

O meteorito, que caiu na Terra em Setembro de 2019 e foi baptizado de Flensburg devido ao local em que foi encontrado, é um condrito carbonáceo, uma forma rara de meteorito.

De acordo com os especialistas, a descoberta é bastante única: “No início do Sistema Solar, a rocha foi amplamente exposta a um fluído aquoso e, assim, acabou por formar silicatos e carbonatos com água”, explicam os cientistas.

Cientistas do Instituto de Planetologia da Universidade de Heidelberg, que também estiveram envolvidos na investigação, veem o meteorito como um possível bloco de construção que pode ter fornecido água ao planeta Terra desde o início.

“Estas medições [com a sonda de iões] são extremamente difíceis e desafiadoras, porque os grãos de carbonato na rocha são extremamente pequenos. Além disso, as medições isotópicas devem ser muito precisas, dentro de uma faixa muito estreita de apenas alguns micrómetros de diâmetro, mais finas do que um cabelo humano”, explicou Thomas Ludwig, cientista do Instituto de Ciências da Terra.

O método de datação é baseado nas taxas de decaimento de um isótopo natural: a decadência do radionuclídeo 53Mn, que ainda estava activo no início do Sistema Solar.

“Usando este método, as determinações de idades mais precisas feitas até agora indicaram que o asteróide e carbonatos do meteorito de Flensburg se formaram apenas três milhões de anos depois da formação dos primeiros corpos sólidos no Sistema Solar”, explica, por sua vez, o professor Mario Trieloff, que liderou a nova investigação.

Estes carbonatos são, portanto, mais de um milhão de anos mais velhos do que outros carbonatos comparáveis noutros tipos de condritos carbonáceos.

A investigação faz parte de um estudo conduzido por um consórcio coordenado pela Universidade de Münster, na Alemanha, com cientistas da Europa, Austrália e Estados Unidos. Participaram, no total, 41 cientistas de 21 instituições da Alemanha, França, Suíça, Hungria, Grã-Bretanha, Estados Unidos e Austrália.

Os resultados da investigação foram publicados na revista científica especializada Geochimica et Cosmochimica Acta.

ZAP //

Por ZAP
28 Janeiro, 2021


4830: MIT cria novo sistema solar que extrai água potável do ar

CIÊNCIA

Apear da quantidade de água que existe no nosso planeta, a verdade é que apenas é potável uma ínfima parte dela. Assim, sendo este um recurso escasso, devemos poupar o mais possível, tomando decisões conscientes face ao seu uso… ou arranjando formas de a “multiplicar”.

Por isso, o MIT criou um sistema que pode extrair água potável directamente do ar, mesmo nas regiões mais secas.

Dispositivo que aproveita o ar para gerar água do MIT

Há cerca de 3 anos, uma equipa desenvolveu, no MIT, um desenho de um sistema que poderia tornar-se uma fonte de água potável em regiões onde esta é escassa, sazonal ou até mesmo nula. Hoje, os investigadores aumentaram o desempenho do sistema outrora desenhado.

Através dele, pode ser possível extrair água potável do simples ar que respiramos. Isto, mesmo que o aparelho esteja instalado em zonas mais secas ou remotas, onde o acesso à água e à electricidade representa um problema.

Conforme explicou o MIT, o dispositivo anteriormente desenvolvido tirava partido da diferença de temperatura dentro do engenho, de modo a permitir que um material absorvente extraísse humidade do ar durante a noite e a libertasse no dia seguinte.

Quando esse material absorvente, que recolhe líquido da superfície, é aquecido pela luz solar, a diferença de temperatura actua como factor essencial. Ou seja, esta desigualdade entre a temperatura da parte superior aquecida e a parte inferior à sombra faz com que a água seja novamente libertada do material absorvente. Posteriormente, a água condensa e é recolhida.

Upgrade mais barato e eficiente

De acordo com o MIT, o dispositivo anteriormente projectado exigia a utilização de materiais caros e escassos, os MOF. Então, o sistema não era simples e prático. Agora, com uma nova abordagem que incorpora uma segunda fase de dessorção e condensação, a produção dos dispositivos é significativamente mais fácil. Além disso, os investigadores do MIT encontraram um material absorvente que é de fácil reabastecimento.

Ao invés de utilizar os MOF, a adaptação mais recente do sistema utiliza um material absorvente chamado zeólito. Este é um material facilmente encontrado, estável e possui as propriedades absorventes certas para tornar o sistema eficiente.

MIT: sistema funciona através de duas fases

Alina LaPotin, estudante do instituto, desenvolveu uma proposta em duas fases, utilizando de forma inteligente o calor gerado sempre que a água muda de estado. Aliás, na opinião da estudante, o sucesso deste método está exactamente aí.

Então, o calor do sol é recolhido por uma placa de absorção solar instalada no topo do dispositivo. Esta, aquecendo o zeólito, liberta a humidade que o material capturou durante a noite. Posteriormente, esse vapor condensa e a água é recolhida.

Sendo a placa para onde é recolhida a água uma folha de cobre, está directamente acima e em contacto com a segunda camada de zeólito, onde o calor da condensação é utilizado para libertar o vapor dessa camada subsequente. De acordo com a estudante, as gotículas de água recolhidas podem ser canalizadas em conjunto.

Contrariamente ao que acontecia no sistema inicial, o novo consegue funcionar com níveis de humidade muito baixos. Além disso, não precisa de qualquer outra fonte de energia que não a luz solar.

Assim sendo, agora que é um sistema efectivamente eficiente, poderão ser testados novos absorventes que permitam que a produção seja feita em grande escala.

Autor: Ana Sofia
17 Dez 2020


4822: Há um reservatório de gelo de água quase pura em Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

Kevin Gill / Flickr

Um grande reservatório de gelo a pouca profundidade em Marte desconhecido até agora é constituído por água quase pura e formou-se nos últimos milhões de anos.

“A nossa análise de radar mostra que pelo menos um desses recursos tem cerca de 500 metros de espessura e quase 100% de gelo, com detritos cobrindo no máximo 10 metros de espessura”, disse Daniel C. Berman, cientista principal do Planetário. Instituto de Ciências, em comunicado.

O mapeamento global de características de fluxo viscoso (VFF), um agrupamento geral de características de fluxo rico em gelo no hemisfério sul de Marte, mostra uma concentração densa em Nereidum Montes, ao longo da borda norte da Bacia de Argyre.

Localizado dentro de uma sub-região a noroeste de Nereidum Montes, há um grande número de VFFs bem preservados e depósitos de manto ricos em gelo – potencialmente as maiores concentrações de qualquer região não polar no hemisfério sul.

Os dados processados ​​do instrumento Shallow Radar (SHARAD) a bordo da espaço-nave Mars Reconnaissance Orbiter da NASA foram usados ​​para analisar reflexos basais nos VFFs na região. Num caso particular, essas observações e análises indicam que é composto de gelo de água quase pura.

NASA/JPL/GSFC

As idades do modelo obtidas a partir da contagem de crateras e das suas distribuições de frequência de tamanho (SFD) associadas tanto em depósitos de manto ricos em gelo como em pequenos VFFs lobulados sugerem que os depósitos se estabilizaram há várias dezenas de milhões de anos na Época Amazónica tardia.

Aquele pequeno lóbulo de VFF provavelmente formou-se devido à mobilização de depósitos do manto.

“Os nossos resultados mostram que VFFs têm estados de conservação mais completos e diversos em Nereidum Montes do que características semelhantes noutras regiões de Marte. Esta região contém depósitos de manto excepcionalmente bem conservados associados a VFFs. Esta observação chave sugere que VFFs lobulados são formado pelo fluxo glacial de depósitos do manto nas encostas”, disse Berman.

“Esta região seria um local de pouso interessante devido à grande quantidade de gelo, que poderia ser usado como fonte de água”, disse Berman. “Infelizmente, é um terreno muito montanhoso e provavelmente seria muito difícil pousar lá.”

Este estudo foi será publicado em Fevereiro na revista científica Icarus.

Por Maria Campos
17 Dezembro, 2020


4810: Estudo descobre que água em Marte não é tão global quanto se pensava

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A investigadora Rachel Slank trabalha com a câmara de Marte da Universidade do Arkansas.
Crédito: Whit Pruitt, Universidade do Arkansas

De acordo com um novo estudo por investigadores do Centro para Ciências Espaciais e Planetárias da Universidade do Arkansas, EUA, a água em Marte, na forma de salmouras, pode não estar tão espalhada pelo planeta como se pensava.

Os cientistas combinaram dados sobre as taxas de evaporação da salmoura, recolhidas por meio de experiências na câmara de simulação de Marte do centro, com um modelo de circulação do clima global do planeta para criar mapas de onde as salmouras são mais prováveis de existirem.

As salmouras são misturas de água e sais mais resistentes à ebulição, ao congelamento e à evaporação do que a água pura. A sua descoberta tem implicações para onde os cientistas vão procurar vida passada ou presente em Marte e onde os humanos que eventualmente viajarem para o planeta podem procurar água.

Os cientistas levaram em consideração todas as principais mudanças de fase dos líquidos – congelamento, ebulição e evaporação – em vez de apenas uma única fase, como costumava ser a abordagem no passado, disse Vincent Chevrier, professor associado e autor principal de um estudo publicado na revista The Planetary Science Journal.

“O trabalho examina todas as propriedades ao mesmo tempo, em vez de uma de cada vez,” disse Chevrier. “Então construímos mapas levando em consideração todos estes processos simultaneamente.”

Isto indica que estudos anteriores podem ter sobrestimado quanto tempo as salmouras permanecem à superfície, na fria, fina e árida atmosfera marciana, disse Chevrier. “A conclusão mais importante é que, se não juntarmos todos estes processos, sobrestimamos sempre a estabilidade das salmouras. Esta é a realidade da situação.”

As condições favoráveis para as salmouras estáveis à superfície do planeta são mais prováveis de estar presentes a latitudes médias a altas do norte e em grandes crateras de impacto no hemisfério sul, disse. No subsolo raso, as salmouras podem estar presentes perto do equador.

Na melhor das hipóteses, as salmouras podem estar presentes até 12 horas por dia. “Em nenhum lugar existe salmoura estável durante um dia inteiro em Marte,” disse.

Astronomia On-line
15 de Dezembro de 2020


4682: O infernal Vénus mantém quase toda a sua água antiga

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Planet-C

O planeta Vénus mantém quase toda a sua água antiga, tendo perdido apenas uma pequena parte do seu conteúdo no Espaço nos últimos 4 mil milhões de anos.

A conclusão é da tese de doutoramento de Moa Persson, do Instituto Sueco de Física Espacial (IRF) e da Universidade de Umea, que analisou dados do instrumento espacial ASPERA-4 do IRF, a bordo da missão espacial Vénus Express da Agência Espacial Europeia.

A especialista analisou a forma como o vento solar (uma corrente de partículas carregadas do Sol) afecta a atmosfera do infernal Vénus e faz com que as partículas atmosféricas escapem para o Espaço, conta a agência noticiosa espanhola Europa Press.

“A superfície de Vénus pode hoje ser comparada a um inferno. É extremamente seca e tem uma temperatura de 460 graus, mas, historicamente, a superfície era mais hospitaleira com uma grande quantidade de água que poderia atingir uma profundidade de várias centenas de metros espalhados igualmente pela superfície”, começou por explicar.

“Essa água desapareceu de Vénus”, continuou, citada em comunicado. “E a minha tese mostra que apenas alguns decímetros dessa água escaparam para o Espaço”.

A investigação foi baseada na medição de iões, partículas carregadas, nas proximidades de Vénus. Em média, dois protões escapam da atmosfera por cada ião de oxigénio, o que indica uma perda de água. Variações no vento solar e na radiação solar afectam a quantidade de iões que escapam e, consequentemente, a “fuga” de água.

“Na minha tese, calculei quanta água escapou de Vénus no passado. Observei como é que a fuga de iões é afectada pelas variações do vento solar nos dias de hoje e como é que o vento solar mudou ao longo do tempo”.

Os resultados de Persson podem ser comparados com estudos semelhantes realizados sobre Marte e Terra. A comparação entre os três “planetas-irmãos” fornece uma imagem mais completa sobre os efeitos do vento solar nas atmosferas planetárias.

Por exemplo, a Terra, munida com o seu forte campo magnético, tem uma maior perda de atmosfera no Espaço do que Vénus ou Marte.

Espero que mais comparações sejam feitas sobre as perdas atmosféricas de Vénus, Terra e Marte. E isto é especialmente interessante agora que sinais de vida podem ter sido encontrados em Vénus”, concluiu a especialista, referindo-se ao facto de ter sido detectado recentemente fosfina na atmosfera superior de Vénus.

Cientistas encontram potenciais sinais de vida nas nuvens de Vénus

Uma equipa de astrónomos detectou fosfina na atmosfera superior de Vénus, e os fenómenos conhecidos actualmente não conseguem explicar a…

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19 Novembro, 2020


4654: Marte está a perder água para o Espaço e a culpa é das tempestades

CIÊNCIA/MARTE/ASTRONOMIA

Marte é um lugar árido, com vestígios de uma outra realidade existente há milhões de anos. A cada década mais ou menos, por razões desconhecidas, uma monstruosa tempestade torna-se global e cobre o planeta. Estes eventos podem ser mortais quando os humanos lá chegarem. Em 2018, por exemplo, estas tempestades aniquilaram o rover Opportunity da NASA, a poeira cobriu totalmente os painéis solares. Agora, alguns indícios dão conta de outro problema que assola Marte.

Segundo os astrónomos, as tempestades também podem ser uma das culpadas da água marciana escapar para o espaço.

Marte tem tempestades mortíferas e devastadoras

Rios fossilizados e deltas gravados no solo de Marte sugerem que a água fluía por lá há milhar de milhões de anos. No entanto, a maior parte dessa água deve ter escapado de alguma forma para o espaço. O vapor de água, segundo os investigadores, não poderia ser o responsável. Isto porque o vapor não poderia viajar alto na atmosfera fina e gelada sem condensar em neve e cair de volta à superfície.

Os novos dados da sonda Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN) da NASA, publicados na Science, mostram como as tempestades de poeira podem, de facto, bombear água para o espaço.

Estes processos de escape são uma forma eficaz de secar Marte.

Referiu Anna Fedorova, cientista planetária do Instituto de Investigação Espacial da Academia Russa de Ciências.

Um conhecido processo de fuga acontece através da luz ultravioleta (UV) do Sol. Esta pode dividir pequenas quantidades de água perto da superfície de Marte, resultando no envio de hidrogénio e oxigénio.

Então, estes elementos, ambos mais leves do que o ar predominantemente de dióxido de carbono do planeta, poderiam encaminhar-se para o topo da atmosfera, onde depois seriam perdidos para o espaço. Contudo, os cientistas presumem que a perda de água por este mecanismo é um evento do tipo “gota a gota”.

Então, como escapa a água de Marte para o espaço?

Durante a tempestade de 2018, Shane Stone, estudante da Universidade do Arizona, analisava dados do MAVEN, que estuda a alta atmosfera do planeta desde 2014. O instrumento MAVEN recolhe amostras directamente da atmosfera ténue conforme a sonda mergulha em altitude orbital mais baixa que 150 quilómetros. Nesse momento, Stone e os seus colegas ficaram incrédulos ao verem o que se estava a passar.

Enquanto a poeira girava em altitudes mais baixas, um dilúvio de água alcançava a borda do espaço.

Indícios anteriores de que as tempestades de poeira podiam de alguma forma estar a elevar a água apareceram em 2014, quando duas equipas relataram observações de UV feitas em 2007, após a última tempestade de poeira global, pelo telescópio espacial Hubble e a sonda Mars Express.

As equipas descobriram que há um padrão sazonal para o fenómeno. Isto é, a atmosfera superior do planeta recolheu mais água quando Marte esteve mais perto do Sol ou quando ocorreram estas grandes tempestades de poeira. Então, o aquecimento atmosférico causado por estes eventos faz com que a água circule mais alto no ar marciano.

Planeta vermelho poderia ser húmido e com muita água

Assim, os investigadores calcularam que, ao longo dos últimos milhares de milhões de anos, a atmosfera de Marte pode ter permitido uma “fuga” de água que seria suficiente para cobrir a superfície do planeta com um oceano de pelo menos 25 metros de profundidade.

As explicações ainda não são definitivas, contudo, podem ajudar a explicar por que Marte é tão seco agora, do que era há milhões de anos.

Marte deve ter perdido o equivalente a um oceano global de dezenas a centenas de metros de profundidade em toda a sua história. Se não fosse por estes processos de fuga, teríamos um planeta mais quente e húmido bem ao nosso lado.

Pplware
Autor: Vítor M.
14 Nov 2020


4638: Meteorito sugere que Marte tinha água antes de haver vida na Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/MARTE

(dr) Luc Labenne
O meteorito NWA 7533

Um novo estudo sugere que a água estava presente no Planeta Vermelho há cerca de 4,4 mil milhões de anos, muito antes do que se pensava.

De acordo com o site Science Alert, os cientistas chegaram a esta conclusão com base numa análise do meteorito NWA 7533, encontrado no Deserto do Saara, em África, e que se acredita ter sido originado em Marte.

A oxidação de certos minerais no seu interior sugere a presença de água. Com certos fragmentos dentro deste meteorito – apelidado de “Beleza Negra” devido à sua cor – que datam de há 4,4 mil milhões de anos, este é o registo mais antigo do Planeta Vermelho.

“As rochas fragmentadas no meteorito são formadas a partir do magma e são comummente causadas por impactos e oxidação. Esta oxidação poderia ter ocorrido se houvesse água sobre ou dentro da crosta marciana, há 4,4 mil milhões de anos, durante um impacto que derreteu parte da crosta”, explica Takashi Mikouchi, cientista planetário da Universidade de Tóquio, no Japão, e um dos autores do estudo publicado, a 30 de Outubro, na revista científica Science Advances.

Estas descobertas podem atrasar a data estimada da formação de água em Marte em cerca de 700 milhões de anos, pois pensava-se que esta tinha ocorrido há 3,7 mil milhões de anos.

As descobertas desta equipa também sugerem que a composição química da atmosfera marciana nesta altura – incluindo altos níveis de hidrogénio – poderia ter tornado Marte quente o suficiente para que a água derretesse e existisse vida, mesmo sabendo que o Sol era mais jovem e mais fraco durante este período.

“A nossa análise sugere que tal impacto teria libertado muito hidrogénio, o que teria contribuído para o aquecimento planetário numa época em que Marte já tinha uma espessa atmosfera isolante de dióxido de carbono”, acrescenta Mikouchi.

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12 Novembro, 2020


4626: Análise de meteorito marciano revela evidências de água há 4,4 mil milhões de anos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem de Marte, a cores reais, usando exposições obtidas no dia 24 de Fevereiro de 2007 durante a passagem da sonda Rosetta pelo planeta. A Rosetta estava a 240.000 km.
Crédito: ESA/MPS para a Equipa OSIRIS, MPS/UPD/LAM/IAA/RSSD/INTA/UPM/DASP/IDA

Um meteorito que teve origem em Marte há milhares de milhões de anos revela detalhes de antigos eventos de impacto no Planeta Vermelho. Certos minerais da crosta marciana no meteorito são oxidados, sugerindo a presença de água durante o impacto que criou o meteorito. A descoberta ajuda a preencher algumas lacunas no conhecimento sobre o papel da água na formação do planeta.

Na ciência planetária, há muito que se discute a origem da água na Terra, em Marte e noutros corpos grandes como a Lua. Uma hipótese diz que veio de asteróides e cometas, pós-formação. Mas alguns investigadores planetários dizem que a água pode ser apenas uma das muitas substâncias que ocorrem naturalmente durante a formação dos planetas. Uma nova análise de um antigo meteorito marciano acrescenta suporte a esta segunda hipótese.

Há alguns anos atrás, um par de meteoritos escuros foi descoberto no Deserto do Saara. Foram apelidados de NWA 7034 e NWA 7533, onde NWA significa “North West Africa” e o número é a ordem em que os meteoritos são oficialmente aprovados pela Sociedade Meteorítica, uma organização internacional de ciência planetária. As análises mostraram que estes meteoritos são novos tipos de meteoritos marcianos e misturas de diferentes fragmentos rochosos.

Os fragmentos formaram-se em Marte há 4,4 mil milhões de anos, tornando-os os meteoritos marcianos mais antigos conhecidos. Rochas como estas são raras e podem custar até 10.000 dólares por grama. Mas, recentemente, 50 gramas do meteorito NWA 7533 foram obtidas para análise por uma equipa internacional da qual o professor Takashi Mikouchi da Universidade de Tóquio participava. O projecto foi liderado pelo então estudante Zhengbin Deng da Universidade de Paris e actualmente professor assistente da Universidade de Copenhaga. Esta investigação foi uma colaboração da Universidade de Paris, da Universidade Lorraine, da Universidade de Copenhaga, da Universidade da Bretanha Ocidental e da Universidade de Tóquio.

“Eu estudo minerais em meteoritos marcianos para entender como Marte se formou e como a sua crosta e manto evoluíram. Esta é a primeira vez que investiguei este meteorito em particular, apelidado ‘Black Beauty’ devido à sua cor escura,” disse Mikouchi. “As nossas amostras de NWA 7533 foram submetidas a quatro tipos diferentes de análises espectroscópicas, formas de detectar impressões digitais químicas. Os resultados levaram a nossa equipa a tirar algumas conclusões excitantes.”

É bem conhecido dos cientistas planetários que existe água em Marte há pelo menos 3,7 mil milhões de anos. Mas, a partir da sua composição mineral do meteorito, Mikouchi e a sua equipa deduziram que provavelmente a água já estava presente muito antes, há mais ou menos 4,4 mil milhões de anos.

“Os clastos ígneos, ou rocha fragmentada, no meteorito são formados por magma e são regularmente provocados por impactos e oxidação,” disse Mikouchi. “Esta oxidação pode ter ocorrido na presença de água acima ou na crosta marciana, há 4,4 mil milhões de anos, durante um impacto que derreteu parte da crosta. A nossa análise também sugere que um tal impacto teria libertado muito hidrogénio, o que teria contribuído para o aquecimento planetário numa época em que Marte já tinha uma isolante e espessa atmosfera de dióxido de carbono.”

Se a água realmente já estava presente em Marte antes do que se pensava, isso sugere que a água é possivelmente um subproduto natural de algum processo no início da formação planetária. Esta descoberta pode ajudar os investigadores a responder à questão de onde vem a água, o que por sua vez pode impactar as teorias sobre as origens da vida e a exploração da vida para lá da Terra.

Astronomia On-line
10 de Novembro de 2020


4557: SOFIA da NASA descobre água na superfície iluminada da Lua

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração realça a Cratera Clavius da Lua com uma inserção que mostra água presa no solo lunar, juntamente com uma imagem do SOFIA da NASA, que descobriu água lunar na superfície iluminada.
Crédito: NASA/Daniel Rutter

O SOFIA (Stratospheric Observatory for Infrared Astronomy) da NASA confirmou, pela primeira vez, a presença de água na superfície iluminada da Lua. Esta descoberta indica que a água pode estar distribuída pela superfície lunar, e não limitada a lugares frios e à sombra.

O SOFIA detectou moléculas de água (H2O) na Cratera Clavius, uma das maiores crateras visíveis a partir da Terra, localizada no hemisfério sul da Lua. As observações anteriores da superfície da Lua haviam detectado alguma forma de hidrogénio, mas não eram capazes de distinguir entre água e o seu parente químico próximo, hidroxilo (OH). Os dados deste local revelam água em concentrações de 100 a 412 partes por milhão – o equivalente a pouco mais de uma garrafa com 0,33 litros – presa num metro cúbico de solo espalhado à superfície lunar. Os resultados foram publicados na edição mais recente da revista Nature Astronomy.

“Tínhamos indícios de que H2O – a água que conhecemos – podia estar presente no lado ensolarado da Lua,” disse Paul Hertz, director da Divisão de Astrofísica do Directorado de Missões Científicas na sede da NASA em Washington. “Agora sabemos que está lá. Esta descoberta desafia a nossa compreensão da superfície lunar e levanta questões intrigantes sobre os recursos relevantes para a exploração do espaço profundo.”

Como comparação, o deserto do Saara tem 100 vezes a quantidade de água que o SOFIA detectou no solo lunar. Apesar das pequenas quantidades, a descoberta levanta novas questões sobre como a água é formada e como persiste na superfície lunar, inóspita e sem ar.

A água é um recurso precioso no espaço profundo e um ingrediente chave da vida como a conhecemos. Ainda está por determinar se a água que o SOFIA encontrou é facilmente acessível para uso como recurso. Sob o programa Artemis da NASA, a agência está ansiosa por aprender tudo o que puder sobre a presença de água na Lua antes de enviar a primeira mulher ou o próximo homem à superfície lunar em 2024 e de estabelecer aí uma presença humana sustentável até ao final da década.

Os resultados do SOFIA são baseados em anos de investigações anteriores que examinaram a presença de água na Lua. Quando os astronautas da Apollo regressaram da Lua em 1969, pensava-se que estava completamente seca. As missões orbitais e de impacto dos últimos 20 anos, como a missão LCROSS (Lunar Crater Observation and Sensing Satellite) da NASA, confirmou gelo em crateras permanentemente à sombra em torno dos pólos lunares. Entretanto, várias outras naves – incluindo a missão Cassini e a missão cometária Deep Impact, bem como a missão Chandrayaan-1 da agência espacial indiana – e o terrestre IRTF (Infrared Telescope Facility) da NASA, examinaram amplamente a superfície lunar e encontraram evidências de hidratação em regiões mais ensolaradas. No entanto, essas missões foram incapazes de distinguir definitivamente a forma presente – ou H2O ou OH.

“Antes das observações do SOFIA, sabíamos que havia algum tipo de hidratação,” disse Casey Honniball, autora principal que publicou os resultados da sua tese na Universidade do Hawaii em Manoa, Honolulu. “Mas não sabíamos quanta dessa hidratação, se é que havia, eram de moléculas de água – como a que bebemos todos os dias – ou algo diferente.”

O SOFIA fornece um novo meio de olhar para a Lua. Voando a altitudes de até 45.000 pés, este jacto Boeing 747SP modificado com um telescópio de 106 polegadas de diâmetro, sobe acima de 99% do vapor de água na atmosfera da Terra para obter uma visão mais clara do Universo infravermelho. Usando o instrumento FORCAST (Faint Object infraRed CAmera for the SOFIA Telescope), o SOFIA foi capaz de avistar o comprimento de onda específico exclusivo das moléculas de água, a 6,1 micrómetros, e descobriu uma concentração relativamente surpreendente na ensolarada Cratera Clavius.

“Sem uma atmosfera espessa, a água à superfície lunar iluminada deveria ser perdida para o espaço,” disse Honniball, que agora é pós-doutorada do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland. “No entanto, de alguma forma, estamos a vê-la. Algo está a gerar água, e algo deve estar a prendê-la lá.”

No fornecimento desta água podem estar em jogo várias forças. Os micro-meteoritos que chovem na superfície lunar, transportando pequenas quantidades de água, podem depositá-la à superfície lunar com o impacto. Outra possibilidade é que poderia haver um processo de duas etapas em que o vento solar do Sol fornece hidrogénio à superfície lunar e provoca uma reacção química com minerais contendo oxigénio no solo para criar hidroxilo. Entretanto, a radiação do bombardeamento de micro-meteoritos pode estar a transformar esse hidroxilo em água.

O modo como a água é então armazenada – tornando possível a sua acumulação – também levanta algumas questões intrigantes. A água pode ficar presa em pequenas estruturas semelhantes a contas no solo que se formam a partir do alto calor criado pelos impactos de micro-meteoritos. Outra possibilidade é que a água pode estar escondida entre os grãos do solo lunar e protegida da luz solar – tornando-a potencialmente um pouco mais acessível do que a água presa em estruturas semelhantes a contas.

Para uma missão construída para observar objectos ténues e distantes como buracos negros, enxames estelares e galáxias, o foco do SOFIA no vizinho mais próximo e mais brilhante da Terra foi algo fora do comum. Os operadores do telescópio normalmente usam uma câmara guia para rastrear estrelas, mantendo o telescópio apontado firmemente no seu alvo de observação. Mas a Lua está tão próxima e é tão brilhante que preenche todo o campo de visão da câmara guia. Sem estrelas visíveis, não se sabia se o telescópio podia rastrear a Lua de forma confiável. Para determinar isto, em Agosto de 2018 os operadores decidiram fazer uma observação teste.

“Foi, de facto, a primeira vez que o SOFIA olhou para a Lua, e não tínhamos a certeza se conseguíamos obter dados confiáveis, mas as questões sobre a água da Lua compeliram-nos a tentar,” disse Naseem Rangwala, cientista do projecto SOFIA no Centro de Pesquisa Ames da NASA em Silicon Valley, Califórnia. “É incrível que esta descoberta tenha saído do que foi essencialmente um teste, e agora que sabemos que podemos fazê-lo, estamos a planear mais voos para obter mais observações.”

Os voos subsequentes do SOFIA vão procurar água noutros locais iluminados e durante as diferentes fases lunares para aprender mais sobre como a água é produzida, armazenada e movida pela Lua. Os dados contribuirão para o trabalho de futuras missões lunares, como a VIPER (Volatiles Investigating Polar Exploration Rover) da NASA, para criar os primeiros mapas de recursos hídricos da Lua para a futura exploração espacial humana.

Na mesma edição da Nature Astronomy, os cientistas publicaram um artigo que usa modelos teóricos e dados da LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter) da NASA, salientando que a água pode ficar presa em pequenas sombras, onde as temperaturas ficam abaixo de zero, em mais partes da Lua do que o actualmente esperado.

“A água é um recurso valioso, tanto para fins científicos quanto para utilização pelos nossos exploradores,” disse Jacob Bleacher, cientista-chefe de exploração do Directorado de Exploração Humana e Operações da NASA. “Se pudermos usar os recursos da Lua, podemos transportar menos água e mais equipamentos para ajudar a possibilitar novas descobertas científicas.”

Astronomia On-line
27 de Outubro de 2020

 

4398: Astrónomos provam que há água “presa” na poeira interestelar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Pixabay / Canva

As partículas de poeira no Espaço estão cobertas de gelo. Esta descoberta facilita as tentativas futuras de identificar a estrutura e composição da poeira em diferentes ambientes astrofísicos.

O meio interestelar é composto por gás e uma grande quantidade de poeira. Aliás, os planetas e as estrelas originaram-se neste ambiente exactamente porque as partículas de poeira se aglomeraram e fundiram-se em corpos celestes.

No entanto, para que tal processo aconteça é necessário haver água. Em ambientes cósmicos particularmente frios, a água surge na forma de gelo, mas a conexão entre gelo e poeira nestas regiões não era clara. Até agora.

Um novo estudo, levado a cabo por cientistas da Universidade Jena e do Instituto Max Planck, na Alemanha, acaba de provar que as partículas de poeira e o gelo estão misturados. O artigo científico com os resultados da investigação foi publicado no dia 21 de Setembro na Nature Astronomy.

“Até agora, não sabíamos se o gelo estava fisicamente separado da poeira ou misturado com as porções de poeira individuais”, explicou o autor Alexey Potapov em comunicado. “Algumas moléculas de água estão tão fortemente ligadas ao silicato que permanecem na superfície ou dentro das partículas de poeira. Suspeitamos que essa ‘água aprisionada‘ também exista sobre ou dentro de partículas de poeira no Espaço.”

Segundo o EurekAlert, para chegar a esta conclusão, a equipa fez várias experiências em laboratório que serviram para concluir que os grãos parecem redes macias de poeira, com finas camadas de gelo.

Os resultados vão ser muito úteis para os cientistas estimarem melhor a quantidade de material e fazerem afirmações mais precisas sobre a estrutura, composição e temperatura dos grãos em diferentes regiões do meio interestelar.

A “água aprisionada” pode também ajudar a entender como se acumula a poeira, uma vez que pode promover a aderência de partículas mais pequenas para formar partículas maiores. Este efeito pode até funcionar na formação de planetas.

“Se tivermos sucesso em provar que a ‘água aprisionada’ existiu, ou poderia existir, nos blocos de construção da Terra, talvez até haja novas respostas para a questão de como surgiu a água na Terra”, rematou Potapov.

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28 Setembro, 2020

 

 

4376: A água é, em simultâneo, dois líquidos num só

CIÊNCIA/FÍSICA/QUÍMICA

(CC0/PD) mars_ / pixabay

O super-resfriamento da água líquida a temperaturas mais baixas do que as alcançadas anteriormente revelou novas evidências de que a água pode existir como dois líquidos diferentes ao mesmo tempo.

Uma equipa do Pacific Northwest National Laboratory (PNNL) fez as primeiras medições de água líquida a temperaturas muito mais frias do que o seu ponto de congelamento típico e chegou à conclusão que a água super-resfriada é, na verdade, dois líquidos em um, avança o Inverse.

“Mostramos que a água líquida a temperaturas extremamente baixas não é apenas relativamente estável: ela existe em dois motivos estruturais“, explicou Greg Kimmel, físico químico do PNNL. “As descobertas explicam uma controvérsia de longa data sobre se a água super-resfriada cristaliza ou não antes de se equilibrar. A resposta é: não.”

Nos últimos 25 anos, Greg Kimmel trabalhou com o físico Bruce Kay no estudo da água, porque, “no que diz respeito aos líquidos, é mais estranha do que a maioria”.

A conversão de água líquida em gelo não acontece por acaso, nem apenas por causa do frio. Quando não há cristal de semente ou núcleo para as moléculas de água começarem a formar estruturas cristalinas, a forma da matéria da água não muda. Para evitar a formação de um núcleo, a água deve estar livre de impurezas e movimento.

É assim que surge a água super-resfriada que, além de relativamente estável, existe em dois motivos estruturais, segundo os cientistas. O artigo científico foi publicado no dia 18 de Setembro na Science.

Através da espectroscopia infravermelha, os cientistas observaram atentamente de que forma as moléculas de água reagiriam quando um laser foi disparado contra um bloco de gelo – produzindo água líquida super-resfriada por alguns nano-segundos.

De acordo com o Inverse, os testes de laser foram executados várias vezes, provando que todas as mudanças estruturais eram reversíveis e reproduzíveis.

Esta experiência pode ajudar a explicar o granizo, as pequenas bolas que caem do céu durante as tempestades do Inverno. O granizo forma-se quando um floco de neve interage com água líquida super-resfriada na alta atmosfera.

O estudo também pode ajudar a compreender como é que a água líquida pode existir em planetas muito frios, como Júpiter, Saturno, Úrano e Neptuno. O vapor de água super-resfriado também cria as caudas na traseira dos cometas.

Os especialistas defendem que existem vários usos potenciais para a água super-resfriada: o rápido processo de congelamento poderia ser usado para detectar matéria escura, por exemplo. Também poderia ser usada no estudo do clima, já que a cobertura de nuvens desempenha um papel importante na temperatura e está “relacionada com a forma como as nuvens se formam e como a água super-resfriada se cristaliza”.

Apesar de considerar que observar o que acontece com a água muito fria em certas condições por um milissegundo é “esotérico”, Kimmel defende que a água é crucial para a Humanidade e que a devemos “entender ao máximo”.

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23 Setembro, 2020

 

 

4227: Marte teve tempestades tão intensas que fizeram os lagos transbordar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/GEOLOGIA

Goddard Space Center / NASA

Uma nova investigação acaba de sugerir que pode ter sido derramada uma enorme quantidade de água líquida há cerca de 3,5 a 4 mil milhões de anos no Planeta Vermelho, o suficiente para esculpir canais semelhantes a rios e romper várias bacias de lagos.

Um novo estudo, recentemente publicado na Geology, sugere que, entre 3,5 e 4 mil milhões de anos atrás, uma enorme quantidade de água caiu dos céus do Planeta Vermelho. O volume terá sido o suficiente para criar canais semelhantes a rios e romper várias bacias de lagos.

Esta descoberta é extremamente importante porque, entre 3,5 e 4 mil milhões de anos atrás, “Marte estava coberto de água“. “Havia muita chuva ou neve derretida que terá preenchido os canais e as lagoas”, adiantou a cientista planetária Gaia Stucky de Quay, da Universidade do Texas, nos Estados Unidos, citada pelo Science Alert.

Apesar de ser muito difícil modelar o clima de Marte Antigo, estudos sobre a geo-morfologia e química sugerem que o planeta já foi lar de uma abundante quantidade de água, criada tanto por chuvas intensas como por neve derretida.

Os cientistas não sabem quanto tempo duraram estes aguaceiros, nem se as condições meteorológicas eram impetuosas, mas as marcas na superfície de Marte sugerem que houve chuvas suficientemente fortes para deixar marcas duradouras.

Através de imagens de satélite e topografia, os cientistas examinaram 96 bacias de lagoas em Marte que se estima terem sido formadas há milhares de milhões de anos.

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sharpesta*****
@John93350535
Ancient Mars Had Planet-Wide Rainstorms So Intense They Breached Its Lakes
A continuous event that may have lasted years.
sciencealert.com

Algumas das bacias que romperam por causa do excesso de água são conhecidas como bacias abertas. Já as que permaneceram intactas adoptaram o nome de bacias fechadas.

O artigo científico adianta ainda que, durante uma tempestade apenas, que pode ter durado dias ou milhares de anos, a precipitação pode ter atingido quatro a 159 metros.

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26 Agosto, 2020

 

 

4032: Há uma nova visão sobre a origem da água na Terra

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

NASA, ESA e Hubble Heritage Team (STScI/AURA)

A matéria orgânica pode ser uma potencial fonte de água na Terra. Água pode ser produzida dentro da linha de neve, sem qualquer contribuição de cometas ou meteoritos enviados de fora.

Grandes quantidades de matéria orgânica foram encontradas na poeira interplanetária, sendo reconhecidas como remanescentes de grãos interestelares. Isto significa que, ao contrário do que se pensava, a matéria orgânica pode ser uma potencial fonte de água. Contudo, ainda é necessário fazer mais investigação experimental neste sentido.

Um novo estudo sugere que a matéria orgânica interestelar ao ferver poderia produzir um fornecimento abundante de água. De acordo com o Tech Explorist, isto significa que a matéria orgânica pode ser uma fonte de água terrestre. Os resultados deste novo estudo foram publicados em Maio na revista científica Scientific Reports.

“Isto sugere que a água pode ser produzida dentro da linha de neve, sem qualquer contribuição de cometas ou meteoritos enviados de fora da linha de neve”, salientam os autores do estudo.

Os cientistas recriaram matéria orgânica em nuvens moleculares usando reagentes químicos, numa mistura que continha H2O, CO e NH3. Foram aquecendo-a gradualmente de 24 a 400ºC.

A amostra foi uniforme até aos 100ºC, mas separou-se em duas fases aos 200ºC. Quanto atingiu aproximadamente 350ºC, verificou-se formação de gotas de água. O tamanho das gotas aumentou à medida que a temperatura aumentava. Além disso, quando a mistura atingiu os 400ºC, formou-se petróleo.

O principal componente do produto aquoso era água pura. Na análise ao petróleo produzido, encontraram-se características semelhantes às do petróleo bruto convencional encontrado na Terra.

“Os nossos resultados mostram que a matéria orgânica interestelar dentro da linha de neve é uma fonte potencial de água na Terra. Além disso, a formação de petróleo abiótico que observamos sugere fontes mais extensas de petróleo para a Terra antiga do que se pensava anteriormente. Análises futuras de matéria orgânica em amostras do asteróide Ryugu, que o explorador de asteróides do Japão Hayabusa2 trará de volta ainda este ano, devem avançar nossa compreensão da origem da água terrestre”, disse o autor do estudo, Skira Kouchi, em comunicado da Universidade de Hokkaido.

Revelados segredos da superfície e órbita do asteróide Ryugu

A sonda Hayabusa recolheu amostras da superfície do asteróide Ruygu que permitem desvendar segredos da sua superfície e da sua…

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22 Julho, 2020

 

 

3780: O núcleo da Terra pode esconder mais de cinco oceanos no seu interior

CIÊNCIA/GEOFÍSICA/GEOLOGIA

Mitch Battros / Earth Changes Media

Um novo estudo sugere que o núcleo da Terra pode abrigar uma grande quantidade de água no seu interior. Segundo os investigadores, a quantidade pode chegar ao equivalente a cinco oceanos.

Muitos estudos comprovam que, sob os nossos pés, mais fundo do que o fundo dos mares e oceanos, existem grandes reservas de água. Há também evidências de que o elemento líquido está “incorporado” nos minerais do manto, especialmente na zona de transição, entre 400 e 700 quilómetros de profundidade.

A partir deste ponto, a Terra torna-se relativamente “seca”. Porém, um novo estudo garante que haverá mais água dentro do novo planeta, escondida no núcleo, que pode abrigar o equivalente a cinco oceanos no seu interior.

A investigação, liderada por Yunguo Li, investigador associado da Faculdade de Matemática e Física da University College London, publicada em Maio na revista científica Nature Geoscience, pode revolucionar o que sabemos sobre a quantidade de água que a Terra abriga e as suas origens.

“Ainda existem grandes incertezas, mas é certo que há mais água abaixo da superfície. O nosso estudo indica que o núcleo é a maior reserva de água da Terra“, disse Li, em declarações ao jornal espanhol ABC, explicando que esse líquido estaria presente nos átomos do soluto, “diluído” no ferro derretido no núcleo.

A principal desvantagem dessa teoria é que, ao contrário do que acontece com o manto, ainda é impossível obter uma amostra do centro da Terra.

“No laboratório, os cientistas tentaram simular o ambiente de formação do núcleo, mas até agora a pressão é muito menor do que essa condição e as conclusões parecem contraditórias”, argumentou Li.

A recriação da origem da formação do núcleo nesse estágio primário pode ser a chave para a presença de água, não só lá, mas também no resto do planeta.

De acordo com os cientistas, a quantidade de água no núcleo depende de dois factores: o coeficiente de partição de água entre o material do núcleo e o material do manto – ou seja, onde a água “prefere” ir. Há minerais como o ringwoodita, que são bastante solúveis e povoam o manto. Já o ferro líquido localiza-se no núcleo. Por outro lado, também depende da quantidade de água presente durante o processo de separação entre o núcleo e o manto, uma fase que ocorreu no início da criação do nosso planeta.

A equipa calculou a distribuição da água entre ferro e silicato derretido a altas pressões e temperaturas, usando técnicas de dinâmica molecular e integração termodinâmica. “A água prefere a fusão do silicato sobre os minerais sólidos. Noutras palavras, a água também prefere ir para o núcleo em vez de ir para os minerais do manto, como o ringwoodita”, explicou Li.

A equipa determinou que a maior parte da água terá chegado ao núcleo durante a divisão do interior da Terra. “Além disso, as placas de sub-ducção transportam água, que também entra no núcleo”, disse Li. É assim que o estudo mostra que o núcleo deve ter “uma quantidade considerável de água“.

Li e a sua equipa afirmam que as suas investigações indicam que “quando o núcleo se começou a separar do manto na forma de ferro líquido, a maior parte da água presente durante esse processo foi atraída para as bolsas de ferro líquido e afundou-se para formar o núcleo”.

No entanto, a questão de quanta água existe no núcleo continua a ser uma pergunta sem resposta.

Núcleo da Terra pode ter uma “fuga” de ferro pesado (e chegar até à superfície)

Uma equipa de geólogos da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, concluiu, depois de analisar as camadas internas da Terra,…

“O nosso estudo não consegue dar uma resposta definitiva. Depende do modelo de acumulação da Terra: quanta água tinha chegado à Terra antes da separação entre o núcleo e o manto”, admitiu Li. “Mas, com base nos estudos mais recentes de isótopos e no modelo de acreção da Terra, pode haver mais de cinco oceanos no núcleo“.

Assim, a mesma quantidade de água que circunda os continentes pode estar escondida no interior mais fundo da Terra.

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4 Junho, 2020

 

 

3665: Segure-se que vamos viajar pelo Espaço à boleia das fantásticas imagens da Europa

CIÊNCIA/ESPAÇO

As luas geladas despertam um grande interesse nos exploradores do Universo. Aliás, já vimos como algumas destas luas têm mesmo já estudos e projectos para um dia serem exploradas fisicamente. Assim, um dos mais propensos astros a abrigar vida é o terceiro satélite Galileu de Júpiter, Europa. Há um ano a NASA confirmou a presença de moléculas de água sob a forma de vapor.

Escondido sob a sua espessa crosta de gelo, pensa-se que existe um enorme oceano interior, contendo mais água do que toda a Terra combinada. As imagens impressionantes não enganam!

Sabia que na lua Europa há água salgada?

Na verdade, sabemos disso porque quando a NASA enviou a sua nave espacial Galileu para Júpiter, nos anos 90, o magnetómetro a bordo da nave encontrou algo a conduzir electricidade na Europa. E o que é um bom condutor de electricidade? O sal.

No entanto, a Europa também é única, na medida em que a sua superfície está coberta pelo que é chamado de “terreno caótico”. Pensa-se que estes estranhos padrões são criados por uma variedade de processos, sendo o principal deles algo chamado de aquecimento por maré ou flexão por maré.

Imagem captada a 26 de Setembro de 1998. Esta foto mostra uma área chamada Transição do Caos que apresenta diferentes blocos e formas provavelmente criadas pelo empurrar e puxar das forças das marés exercidas por Júpiter. Fotografia: NASA/JPL-Caltech/SETI Institute

Transição do Caos onde as forças de Júpiter moldam a lua

Todos os planetas e as suas luas experimentam estes fenómenos (por cá na Terra também o temos, graças à nossa lua que influencia as marés). Contudo, Júpiter é tão grande que realmente empurra e puxa as suas luas, enquanto elas o orbitam, e isso cria fricção.

E essa fricção cria calor, levando a que a superfície se expanda e rache. Então, quando está noutras posições em relação ao planeta, a lua arrefece de novo e a superfície contrai-se novamente e congela no lugar.

Se pudéssemos voar perto de Júpiter, esta seria a nossa visão da Europa. Este ponto de vista mostra o desgaste desta lua. Estas veias mais escuras são conseguidas em materiais que não são gelo, principalmente sal. Fotografia: NASA/JPL/Universidade do Arizona

Ao longo de milhões de anos, este processo criou uma lua coberta com o que parecem ser peças de quebra-cabeças. Europa também tem plumas (erupções de água das profundezas do planeta), ou assim é entendido, e esta possível agitação de água e gelo viscoso também pode estar a alterar a aparência da superfície.

Esta é uma região chamada Crisscrossing Bands. Estas veias salgadas cruzam-se, criando faixas que provavelmente foram deixadas quando a superfície se abriu e fechou de novo. Fotografia: NASA/JPL-Caltech/SETI Institute

Conforme fomos percebendo, onde encontramos água na Terra também tendemos a encontrar vida, e os cientistas pensam que o mesmo pode ser verdade para Europa. Nesse sentido, a missão Clipper da NASA deverá ser lançada em 2024 com o único propósito de explorar a habitabilidade deste belo mundo gelado.

Quando a nave espacial New Horizons estava a caminho de Plutão, voou por Júpiter e captou esta incrível fotografia da Europa a subir sobre o enorme planeta. Fotografia: NASA

Europa, junto com três outras grandes luas de Júpiter, Io, Ganímedes e Calisto, foi descoberta por Galileo Galilei, em 8 de Janeiro de 1610. Desde então, este astro tem captado a tenção dos astrónomos.

Pplware
09 Mai 2020

 

3636: NASA vai procurar água na Lua com lasers espaciais

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA / JPL-Caltech
Lunar Flashlight

A NASA projectou um CubeSat de seis unidades, projectado para procurar gelo na superfície da Lua usando lasers especiais.

A sonda, apelidada de Lunar Flashlight, vai usar lasers infravermelhos para iluminar regiões polares sombrias, enquanto que um reflectómetro de bordo irá medir a reflexão e a composição da superfície lunar. Esta lanterna a laser tem como principal objectivo detectar o gelo superficial encontrado no fundo das crateras lunares.

Apesar de os cientistas suspeitarem de que há gelo no interior das crateras mais frias e escuras da Lua, todas as conclusões obtidas até agora foram ambíguas. Barbara Cohen, investigadora da missão no Goddard Space Flight Center, explicou que, se a intenção é enviar astronautas para “desenterrar” o gelo, “é melhor ter a certeza de que ele existe”.

O projecto levado a cabo pelo Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA é a primeira missão que vai procurar gelo na Lua com a ajuda de lasers. Além disso, será também a primeira nave planetária a usar um propulsor “verde”, um novo tipo de combustível mais seguro.

A Lunar Flashlight irá passar dois meses na Lua, onde irá mergulhar no Pólo Sul para iluminar com os seus lasers as regiões mais sombrias. As crateras mais escuras, encontradas nos Pólos Norte e Sul da Lua, podem ser “armadilhas frias” que acumulam moléculas de gelo, derivadas de cometas e asteróides que afectaram a superfície lunar.

Assim que os lasers colidirem com a rocha lunar, a luz irá reflectir na nave e indicar a ausência de gelo. No entanto, se a luz for absorvida significa que estes “bolsos” lunares contêm água.

ZAP //

Por ZAP
5 Maio, 2020

 

 

3542: Cientistas convertem água em combustível solar

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

University of Southampton

Uma equipa de investigadores britânicos usou uma metodologia única que permite transformar água em combustível solar, que pode ser uma solução para energia renovável.

Esta metodologia única utilizada por uma equipa de cientistas da Universidade de Southampton mostra ser uma potencial solução para energia renovável, eliminação de gases com efeito de estufa e produção química sustentável. O processo passa por transformar fibras ópticas em micro-reactores foto-catalíticos, convertendo assim água em combustível de hidrogénio através de energia solar.

Segundo o Tech Explorist, os investigadores britânicos revestiram as fibras com óxido de titânio, decorado com nano-partículas de paládio. Isto permitiu que o material funcionasse como catalisador para a separação indirecta contínua da água. Os resultados do estudo foram publicados, em Fevereiro, na revista científica ACS Photonics.

“Ser capaz de combinar processos químicos activados pela luz com as excelentes propriedades de propagação da luz das fibras ópticas tem um enorme potencial. Neste trabalho, o nosso foto-reactor exclusivo mostra melhorias significativas na actividade em comparação com os sistemas existentes. Este é um exemplo ideal de engenharia química para a tecnologia verde do século XXI”, explicou o autor principal do estudo, Matthew Potter, em comunicado de imprensa.

As fibras ópticas formam a camada física da notável rede global de telecomunicações de quatro mil milhões de quilómetros, que se expande a uma taxa superior a Mach 20, ou seja, mais de 4 km/s.

“Para este projecto, reaproveitamos essa extraordinária capacidade de fabricação usando as instalações aqui no ORC [Optoelectronics Research Centre], para fabricar micro-reatores altamente escaláveis feitos de vidro de sílica pura com propriedades ideais de transparência óptica para foto-catálise solar”, disse também o co-autor Pier Sazio.

ZAP //
Por ZAP
9 Abril, 2020

 

3522: Mercúrio poderá abrigar vida, dizem os cientistas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Mercúrio tem despertado uma renovada atenção. Depois dos cientistas se interessarem pela possibilidade de ter gelo e pelo estranho campo magnético, agora os investigadores debruçam-se sobre outro foco.

De acordo com um estudo publicado na semana passada, há uma hipótese minúscula de que Mercúrio, o vizinho mais próximo do Sol, tenha tudo o que precisa para hospedar a vida.

Mercúrio poderá ter água e ter vida

Mercúrio é quente, tem uma temperatura média de cerca de 400 °C, mas isso não impede este planeta de ser interessante. De tal forma que os cientistas estão a rever as imagens do astro obtidas pelas passagens da sonda Mariner 10 em 1974.

É possível que, enquanto houver água, as temperaturas sejam apropriadas para a sobrevivência e, possivelmente, para a origem da vida.

Referiu ao jornal norte-americano New York Times Jeffrey Kargel, co-autor do novo estudo.

No estudo, a equipa de investigadores sugere que a superfície caótica de Mercúrio não é o resultado de terramotos, como sustenta a teoria predominante. Em vez disso, eles argumentam que as fendas na superfície são causadas por voláteis – elementos que podem mudar rapidamente de um estado para o outro, como quando um líquido se transforma num gás – que borbulham sob Mercúrio.

Conforme referiram, os elementos voláteis, como a água, podem proporcionar um ambiente favorável à vida no subsolo – a superfície em si é quente demais, aquecendo cerca de 426 °C durante o dia.

Extensão de um vasto terreno caótico (contorno branco) no antípoda da bacia de Caloris.

Não é uma possibilidade absurda

A ideia de vida em Mercúrio ainda é um tiro no escuro, mas os investigadores estão esperançosos.

Pensei que, em algum momento, Alexis [Rodriguez] tivesse perdido [o sentido das suas ideias]. Mas, quanto mais investigava as evidências geológicas e mais pensava sobre as condições químicas e físicas do planeta, mais me apercebi que essa ideia – bem, pode ser de loucos, não completamente de loucos.

Concluiu Kargel ao mesmo jornal.

A vida noutros planetas parece agora ser mais viável, provavelmente a tecnologia estará a abrir novas perspectivas.

Mercúrio poderá ter gelo. Mas como é possível com temperaturas de 400°C?

Mercúrio é um planeta ainda com muitas perguntas por responder. Este é o menor e mais interno planeta do Sistema Solar e órbita o Sol a cada 87,969 dias terrestres. A temperatura média é … Continue a ler Mercúrio poderá ter gelo. Mas como é possível com temperaturas de 400°C?