5079: Só uma nova agricultura permitirá resistir à emergência climática

CIÊNCIA/ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS/AGRICULTURA

Esta é a convicção do agrónomo Mário Carvalho, que defende uma agricultura de conservação, no fundo um conjunto de práticas agrícolas mais próximas de um modelo natural e que promovem a sustentabilidade e a biodiversidade. Esta e outras histórias no podcast Ciência com Impacto.

O objectivo do investigador Mário Carvalho é desenvolver um tipo de agricultura que já deu provas de sucesso e eficácia em algumas explorações do Alentejo. Uma agricultura que produz mais, consumindo menos recursos, utilizando técnicas antigas como as sementeiras directas, a rotação de culturas e a devolução dos resíduos ao solo de origem.

Mas, tão essencial como esta nova agricultura, é a transmissão do conhecimento entre os cientistas e os agricultores. As soluções encontradas para cada caso, para cada campo, têm se ser locais e levar em consideração a especificidade de cada solo, de cada clima, da disponibilidade de água. E, por isso, é fulcral uma investigação multidisciplinar, de longo prazo e que tenha como objectivo a aplicabilidade do saber adquirido.

Este investigador do MED – Instituto Mediterrâneo para a Agricultura, Ambiente e Desenvolvimento, cujo trabalho foi reconhecido com a atribuição em 2016 do Land and Soil Management Award, é um entusiasta do montado e do Alentejo. Na sua visão, os sistemas agro-silvo-pastoris são dos mais completos e os que menores impactos têm na Natureza.

A disponibilidade de água no Alentejo é umas das temáticas que mais preocupa Mário Carvalho. O custo subsidiado da água que tem origem no perímetro de rega da barragem do Alqueva está a distorcer a agricultura alentejana – e o mercado – dando origem a projectos economicamente inviáveis e desastrosos para a biodiversidade.

Clique aqui para aceder ao podcast.

Um conteúdo DN / Ciência com Impacto, um projecto coordenado pelo jornalista Paulo Caetano.

Diário de Notícias

DN / Ciência com Impacto


2283: Plantar árvores é a melhor solução para combater alterações climáticas (mas temos de agir já)

CIÊNCIA

Romain Boukhobza / Wikimedia

Plantar árvores é a solução mais eficaz para combater as alterações climáticas, tendo o potencial de capturar dois terços das emissões de dióxido de carbono produzidas pela Humanidade.

O estudo do Laboratório Crowther, na Suíça, publicado esta sexta-feira na revista Science, é o primeiro a quantificar quantas árvores o planeta Terra pode suportar, onde poderiam existir e quanto carbono poderiam armazenar.

A investigação concluiu que há potencial para aumentar em um terço as florestas do mundo inteiro, sem afectar as actuais cidades ou as terras agrícolas. Seria o mesmo que reflorestar uma área equivalente a mais de 100 vezes o tamanho de Portugal.

Uma vez desenvolvidas, essas florestas poderiam armazenar 205 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono, cerca de dois terços dos 300 mil milhões de toneladas de carbono extra que existem na atmosfera devido à actividade humana desde a revolução industrial.

O estudo, liderado por Jean-Francois Bastin, também sugere que há um grande potencial para regenerar árvores em zonas agrícolas e urbanas, e destaca que essas árvores podem desempenhar um papel importante no combate às alterações climáticas.

Actualmente, segundo a definição de floresta das Nações Unidas, existem 5,5 mil milhões de hectares de floresta. O Laboratório Crowther diz que podiam ser reaproveitados entre 1,7 e 1,8 mil milhões de hectares em áreas com baixa actividade humana e que não são usados como terras urbanas ou agrícolas.

Mas alerta também para a urgência de se passar à acção, porque o clima já está a mudar e em cada ano a área que pode suportar novas florestas vai diminuindo. Mesmo com o aquecimento global limitado a 1,5º Celsius a área disponível para reflorestação pode ser reduzida em um quinto até 2050, assinala o estudo.

“Todos sabíamos que a reflorestação poderia ter um papel na luta contra as alterações climáticas, mas não tínhamos conhecimento científico do impacto que isso poderia causar. O nosso estudo mostra claramente que a florestação é a melhor solução disponível actualmente e fornece provas concretas para justificar o investimento”, diz Tom Crowther, professor do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH) e um dos autores do estudo.

“Se agirmos agora, isso poderia reduzir o dióxido de carbono na atmosfera em até 25%, para níveis vistos pela última vez quase há um século”, adiantou.

Se não agirmos já, e à medida que as temperaturas aumentam, cerca de 223 milhões de hectares – especialmente nos trópicos – não poderão ser considerados potenciais terrenos florestais até 2050, escreve o Science Alert.

Para tal, advertem os autores do estudo, é fundamental proteger as actuais florestas e continuar no caminho de eliminar os combustíveis fósseis, porque são necessárias décadas até que as novas florestas cresçam.

Uma análise da ONU divulgada em 2018 propunha que, além de outras medidas na luta contra as alterações climáticas, é necessário plantar mais mil milhões de hectares de floresta até 2050. O estudo vem mostrar que essas árvores podem ser plantadas e confirmam que o cenário é “indiscutivelmente alcançável”.

Mas, para isso, é necessário que a comunidade internacional faça esforços para conseguir atingir os objectivos. O espaço para fazer nascer florestas existe – agora só precisamos de trabalhar juntos para que isso aconteça.

ZAP // Lusa

Por ZAP
6 Julho, 2019

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983: Encontrados vestígios de queijo produzido há 7.200 anos no Mediterrâneo

CIÊNCIA

(dr) Sibenik City Museum

Cientistas encontraram resíduos em cerâmica com 7.200 anos, em dois sítios arqueológicos na Croácia, que indicam que a produção de queijos no Mediterrâneo começou antes do que se pensava.

Esta descoberta altera a linha do tempo da agricultura nesta região, com os produtos lácteos fermentados a serem feitos apenas cinco séculos depois de o leite ter sido armazenado pela primeira vez. Segundo o Science Alert, esta inovação pode ter sido mais do que um avanço gastronómico, mas sim um verdadeiro salva-vidas.

A equipa de investigadores dos EUA, Reino Unido e Croácia analisou estes fragmentos de cerâmica, encontrados em dois locais neolíticos na Croácia, para tentar perceber quais eram os alimentos que se encontravam no seu interior.

Os dados arqueológicos mostram que as pessoas cultivavam e faziam criação de gado no Mediterrâneo há cerca de oito mil anos. Os investigadores já sabiam que a cerâmica era usada para armazenar leite, um passo importante para ajudar a superar tempos difíceis em que a comida era escassa. Muitos adultos seriam intolerantes à lactose, mesmo assim, o leite ainda servia para alimentar crianças pequenas.

“Vemos o primeiro uso do leite, que era provavelmente recolhido para as crianças por ser uma boa fonte de hidratação e por ser relativamente livre de agente patogénicos”, explica a autora do estudo Sarah McClure, da Universidade Estadual da Pensilvânia. “Não seria surpreendente que os adultos dessem leite de outros mamíferos às crianças”, nota.

A análise dos isótopos de carbono na superfície interna de fragmentos de cerâmica mostrou, porém, que muitos foram usados para armazenar não só produtos lácteos, mas também lacticínios de uma variedade mais fermentada, tal como queijo e iogurte.

A análise de sementes e ossos nos arredores indicou que esses fragmentos de cerâmica tinham cerca de 7.200 anos, colocando-os entre os mais antigos exemplares encontrados de recipientes de produção de queijo no mundo.

“Esta é a mais antiga evidência documentada de resíduos para lacticínios fermentados na região do Mediterrâneo, e está entre os mais antigos documentados em qualquer lugar até hoje”, escrevem os investigadores no artigo publicado na revista científica PLOS ONE.

A produção deste alimento representou um passo significativo no avanço da cultura humana. Transformar o leite em queijo diminuiu a lactose de forma a que os adultos também o pudessem comer, fornecendo uma fonte nutritiva de alimento.

De acordo com a agência de notícias espanhola Europa Press, os investigadores sugerem que tanto o leite como o queijo, assim como os utensílios de cerâmica associados à sua produção, ajudaram a reduzir a mortalidade infantil e a estimular as alterações demográficas que impulsionaram as comunidades agrícolas a expandir-se para norte.

Embora a investigação tenha revelado a evidência mais antiga da produção deste alimento na região do Mediterrâneo, o queijo mais antigo do mundo já descoberto até agora foi encontrado numa sepultura egípcia com 3.200 anos.

ZAP //

Por ZAP
8 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 2 erros ortográficos ao texto original. e um deles, foi da palavra “laticínios”, quando três palavras antes se escreve “lácteos”. Interessante esta “ortografia”…)

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