2492: Os efeitos das alterações climáticas podem deixar as aranhas mais agressivas

CIÊNCIA

judygva / Flickr
A aranha Anelosimus studiosus

As alterações climáticas vão provocar muitos efeitos negativos no planeta e os cientistas acabaram de encontrar um novo: aranhas mal-humoradas.

O aquecimento global poderá não só aumentar a frequência e a intensidade de tempestades tropicais, bem como os chamados eventos climáticos “cisne negro”, assim baptizados por se tratarem de eventos imprevisíveis e de grande impacto.

E acontece que, quando falamos de aranhas, as mais agressivas serão aquelas que provavelmente vão sobreviver ao clima tempestuoso e que portanto transmitem os seus traços às novas gerações.

Segundo o Science Alert, um desses casos é o aracnídeo Anelosimus studiosus, que pode ser encontrado no continente americano, incluindo nas costas do Golfo e do Leste, destruídas por ciclones tropicais, entre maio e Novembro, vindos do Oceano Atlântico.

Geralmente, estas aranhas vivem em colónias em teias tridimensionais, mas nem todas partilham de forma pacífica o mesmo espaço. A espécie exibe dois fenótipos comportamentais: algumas são mais tolerantes e sossegadas, outras são mais agressivas. Podem viver lado a lado na mesma colónia, no entanto, quanto mais agressivas forem, mais agressiva é a colónia no geral. Problema: esta característica é hereditária.

Para determinar o efeito que as tempestades estão a ter nas aranhas, cientistas da Universidade McMaster, no Canadá, esperaram até conseguir prever um “landfall” — segundo o IPMA, quando o centro do furacão intersecta a linha de costa — e então amostraram colónias de aranhas naquele local. Depois, regressaram 48 horas após a passagem da tempestade, analisando novamente as colónias.

A equipa também registou o número de ovos em cada colónia e a taxa de sobrevivência das crias. No total, os investigadores escolheram três grandes ciclones ocorridos em 2018 e fizeram uma amostra de 240 colónias.

Inicialmente, a taxa de sobrevivência foi bastante alta (75,42%) mas a longo prazo, e no geral, o número de ovos diminuiu, assim como a taxa de sobrevivência das crias. Porém, isso não foi distribuído de forma uniforme entre colónias agressivas e tranquilas.

“Ao seguir os ciclones tropicais, observámos que colónias com respostas de forrageamento mais agressivas produziram mais ovos e tiveram mais crias a sobreviver até ao início do inverno, enquanto a tendência oposta emergiu em locais de controlo”, escreveram os investigadores no artigo publicado na revista Nature.

“Esta tendência é consistente em várias tempestades que variam no tamanho, na duração e na intensidade. Isto mostra que estes efeitos não são idiossincráticos, mas sim respostas evolutivas robustas que se sustentam em tempestades e em locais que ocupam uma extensão de cinco graus de latitude”.

A razão por que isto acontece ainda não é clara, mas uma diminuição dos recursos alimentares imediatamente depois da tempestade pode ser um factor. Além disso, as espécies de aranhas concorrentes também podem ser mais agressivas — exigindo que indivíduos mais agressivos protejam a colónia dos invasores.

Os investigadores também notam que as progenitoras podem estar demasiado ocupadas a tentar encontrar alimento e a proteger os seus recursos para poder investir tempo nos cuidados maternos, forçando as crias a desenvolver melhores habilidades de sobrevivência.

Por isso, sim, podemos estar a criar um “aranhapocalipse” sem darmos conta.

ZAP //

Por ZAP
22 Agosto, 2019

 

750: Bactérias mutantes regressam do espaço mais agressivas

NASA

Um grupo de cientistas russos descobriu um aumento na agressividade e resistência a antibióticos em microrganismos que regressam de uma longa viagem ao espaço.

Os investigadores alertam que, no futuro, estas bactérias mutantes podem representar uma ameaça à vida, tanto no nosso planeta como para além da nossa atmosfera.

Estas advertências têm por base uma série de resultados de várias investigações espaciais que serão apresentadas na reunião do Comité Internacional de Pesquisas Espaciais, que vai decorrer no mês de Julho, nos EUA.

Os cientistas observaram as estirpes bacterianas da espécie Bacillus subtilis.

Depois destes organismos passarem 31 meses no espaço, os investigadores encontraram um aumento da sua resistência a seis medicamentos anti-microbianos no total de oito estudados.

Portanto, é possível concluir que as estirpes mais resistentes e agressivas sobrevivem mesmo após o impacto de uma série de factores desfavoráveis inerentes ao espaço.

Desde de Janeiro de 2005, foram realizadas várias séries de experiências no segmento russo da Estação Espacial Internacional.

Uma das experiências foi intitulada de Biorisk, na qual, a cada seis meses, eram enviadas para a Terra amostras dos materiais dos micro-organismos alojados num aparelho especial localizado na camada exterior do EEI.

Para este teste, foram seleccionados 68 tipos de organismos, desde bactérias até vertebrados e plantas superiores – como esporos de bactérias e fungos, plantas, sementes, ovas de crustáceos, larvas de mosquito, caviar seco de carpas dentadas, peixes.

Os cientistas russos alertaram que estes microrganismos terrestres que sofreram mutações durante a permanência na superfície externa da EEI, podem representar perigo para a vida no nosso planeta. Ou seja, esta ameaça deve ser levada em conta entre as exigências da “quarentena planetária”.

A equipa de investigação pretende usar os resultados para desenvolver medidas para proteger o planeta destas ameaças. Os resultados desses estudos não só têm um interesse científico significativo, mas também assumem importância prática para a justificação da estratégia de quarentena planetária na realização de voos interplanetários futuros.

Já em Fevereiro de 2017, a Estação Espacial Internacional conduziu uma experiência, na qual dois tipos diferentes de algas eram expostos às condições extremas do espaço – e sobreviveram por 450 dias.

Por SN
10 Julho, 2018

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