1115: Mudanças climáticas podem afundar oito das mais famosas cidades do mundo

CIÊNCIA

(CC0/PD) Scott Webb / pexels

Um relatório científico publicado recentemente pela organização não governamental Christian Aid aponta quais são as grandes cidades costeiras que correm o risco de sofrer fortes inundações por causa do aquecimento global.

Os especialistas alertam no documento que, se o aquecimento global for superior a 1,5 graus, o aumento do nível do mar ultrapassará os 40 centímetros, fazendo com que algumas famosas cidades costeiras “fiquem extremamente vulneráveis perante tempestades e inundações”.

“Algumas das cidades mais famosas do mundo estão a afundar-se à medida que as mudanças climáticas fazem subir o nível do mar”, advertem os autores do documento. “Estas metrópoles podem parecer fortes e estáveis, mas é uma ilusão”, diz o relatório.

À medida que o nível do mar aumenta, estas cidades correm cada vez mais perigo e ficam cada vez mais debaixo de água”, acrescenta o relatório da Christian Aid. Entre as cidades mencionadas no relatório, encontram-se oito das mais famosas metrópoles do Mundo.

A primeira dessas cidades é Jacarta, na Indonésia. Os cientistas destacam que 40% da capital do país asiático já se encontra abaixo do nível do mar e que a cidade está a  afundar-se a um ritmo de 25 centímetros por ano. Em 2050, cerca de 95% do norte da cidade estará submerso.

Houston, nos Estados Unidos, é outra importante cidade que está em risco de afundar. Para o afundamento desta cidade do estado americano do Texas contribui o fato de ser o centro da indústria do petróleo e gás dos EUA.

A extracção de minerais fez com que uma área de 12 mil quilómetros quadrados do seu território tenha sofrido um rebaixamento de até 3 metros. Parte desta zona continua a afundar-se a um ritmo de 5 centímetros por ano.

A capital britânica, Londres, por sua vez, está a afundar-se em parte devido à fusão dos glaciares. A Barreira do Tamisa, inaugurada em 1984 para proteger a cidade de inundações, foi planeada para ser usada duas ou três vezes por ano. Porém, actualmente é usada seis ou sete vezes anualmente.

O relatório afirma também que a cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”. A metrópole está a afundar-se nos sedimentos em que foi construída, devido ao peso das infraestruturas, à extracção de água subterrânea e à subida do nível do mar.

(CC0/PD) zhang kaiyv / pexels
A cidade chinesa de Xangai “é demasiado pesada para o terreno sobre o qual está construída”.

Também a capital da Nigéria, Lagos, está em risco de afundar. Se o nível das águas do mar aumentar 20 centímetros, 740 mil residentes da cidade nigeriana perderão as suas casas, alertam os especialistas.

Também a cidade de Manila enfrenta a possibilidade de desaparecer submersa. Apesar de estar habituada a grandes intempéries e a um clima extremo, a capital filipina corre o risco de afundar 10 centímetros anualmente, e “pode ter os dias contados”.

O Bangladesh é um país onde as mudanças do nível do mar já provocam migração da população. As áreas residenciais de sua capital, Daca, estão apenas 6 a 8 centímetros acima do nível do mar e, no golfo de Bengala, no sudoeste da cidade, o processo parece estar a aumentar dez vezes mais depressa do que a média mundial.

Há três anos, o governo tailandês previu que Bangkok, a capital da Tailândia, estaria debaixo de água em 15 anos. Tal como no caso de Xangai, em Bangkok o processo é causado, entre outros, pelos arranha-céus da cidade, cujo peso pressiona o solo.

Mas o aumento do nível do mar não é o único problema que as áreas costeiras baixas enfrentam. Muitas cidades nessas áreas estão a afundar também por causa do abatimento do solo, que aumenta consideravelmente o risco de inundações.

Esse é o caso de São Francisco, nos EUA, que está a afundar ainda mais depressa do que o nível do mar aumenta devido ao aquecimento global: actualmente, 3 milímetros por ano e em aceleração.

A capital chinesa, Pequim, é mais conhecida pelo absurdo nível de poluição atmosférica e por ocasionais tempestades de areia. Mas a sua maior ameaça ambiental encontra-se na realidade no subsolo: a cidade está literalmente a afundar-se. O efeito é mais significativo em Chaoyang, o bairro financeiro da cidade, que está a afundar-se 11 cm por ano.

Talvez esteja na altura de a espécie humana dar mais um salto evolutivo para algo diferente – de preferência, desta vez com guelras.

ZAP // Sputnik News / Christian Aid

Por SN
8 Outubro, 2018

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990: O mistério dos navios de carga que afundam pode ter uma solução à vista

CIÊNCIA

(PPD/C0) Free-Photos / Pixabay

As cargas a granel são responsáveis pela perda de vários navios todos os anos, isto porque podem passar repentinamente de um estado sólido para um estado líquido. Esse processo de liquefacção pode ser verdadeiramente desastroso para qualquer navio que as transporta – e para a sua tripulação.

A física de liquefacção de materiais granulares é muito conhecida. A agitação vigorosa da Terra faz com que a pressão na água subterrânea aumento até um nível que faz com que o solo se liquefaça. No entanto, apesar da compreensão deste fenómeno, a verdade é que continua a ser o responsável por afundar vários navios de carga todos os anos.

As cargas sólidas a granel são tipicamente materiais bifásicos, pois contêm água entre as partículas sólidas. Quando as partículas se tocam, o atrito entre elas faz com que o material aja como um sólido, mesmo que exista líquido presente. Contudo, quando a pressão da água sobe, essas forças entre partículas reduzem e a resistência do material diminui drasticamente.

Assim, quando a fricção é reduzida a zero, o material age como um líquido, mesmo que as partículas sólidas ainda estejam presentes.

Em suma, uma carga sólida a granel, aparentemente estável no cais, pode liquefazer-se porque as pressões na água entre as partículas acumulam-se quando são carregadas no navio. Isto torna-se extremamente provável quando a carga é carregada com uma correia transportadora do cais para o porão, podendo envolver uma queda significativa.

Além disso, a vibração e o movimento do navio durante a viagem podem aumentar a pressão da água e levar à liquefacção da carga.

Quando uma carga se liquefaz, pode deslocar-se ou escorregar dentro do porão, fazendo com que a embarcação se torne pouco estável. Aliás, uma carga liquefeita pode mudar-se completamente para um dos lados do porão. Se, entretanto, recuperar a sua força e voltar ao estado sólido, a carga permanecerá na posição deslocada e fará com que o navio permaneça inclinado.

A certo momento, a embarcação torna-se muito pouco estável para ser capaz de recuperar do movimento instável causado pelas ondas. Para que isso não aconteça, a Organização Marítima Internacional possui códigos que determinam a quantidade de humidade permitida em graneis sólidos.

No entanto, é preciso ter em conta que o potencial de liquefacção depende não apenas da quantidade de humidade presente numa carga a granel, mas também de outras características do material, como a distribuição do tamanho das partículas, a relação entre o volume de partículas sólidas e a densidade relativa da carga, para além do método de carregamento e dos movimentos do navio durante a viagem.

Qual é, então, a solução? A Ars Technica refere que, para resolver estes problemas, a indústria naval precisa de entender o comportamento material das cargas sólidas a granel que estão a ser transportadas.

Ainda assim, a tecnologia poderia ser uma mais valia, nomeadamente sensores no porão de um navio capazes de monitorizar a pressão da água da carga. Ou, então, a superfície da carga poderia passar a ser controlada por lasers que identificariam as alterações na sua posição.

O desafio passa por desenvolver uma tecnologia barata, rápida de instalar e robusta o suficiente para sobreviver. A combinação de dados sobre a pressão da água e o movimento da carga, com informações adicionais sobre o clima e os movimentos do navio poderiam ajudar a produzir um aviso atempado sobre se a carga está preste a liquefazer-se ou não.

Assim, a tripulação teria tempo suficiente para evitar que a pressão da água na carga subisse demasiado, drenando a água dos porões ou mudando o curso da embarcação, por exemplo. Se estes desafios forem superados, as tripulações poderão respirar de alívio.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2018

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956: A Cidade do México afunda todos os anos 8 a 12 centímetros

pontla / Flickr
O fenómeno de depressão ocorre devido à extracção de água dos aquíferos

A planície da Cidade do México afunda, todos os anos, entre 8 a 12 centímetros devido à excessiva extracção de água dos aquíferos. Esta depressão tem efeitos catastróficos para as infraestruturas urbanas, alerta um investigador da Universidade Nacional Autónoma do México (UNAM).

Efraín Ovando Shelley, especialista do Instituto de Engenharia da UNAM, destacou que “o México está exposto a muitos riscos que não são de curta duração. Acrescentando, que um destes ricos é “depressão regional, que ocorre lentamente, mas de forma constante desde, pelo menos, meados do século XIX”.

Shelley afirmou que o processo causa “situações críticas em muitas partes da cidade, uma vez que contribui para o aparecimento de fendas no terreno e afecta infraestruturas urbanas nas casas, ruas e no património arquitectónico, artístico e cultural”.

O especialista explicou que os sismos, como fenómenos naturais que são, duram segundos ou, no máximo, um minuto e costumam ter consequências catastróficas. Já as depressões, sustenta, “são acontecimentos que se dão em câmara lenta, a sua velocidade é variável, dependendo da região. E pode mesmo ser mínima, mas constante”.

Neste sentido, afirmou que o Centro Histórico da Cidade do México “é uma das áreas mais afectadas, porque naquela área estiveram expostos vários edifícios há muito tempo, embora toda a bacia esteja danificada”.

Shelley relembrou também que boa parte da capital mexicana está construída sobre uma antiga área lacustre – composta por argilas fracas e deformáveis -, razão pela qual “ao subtrair água do subsolo, o solo deforma-se e afunda-se”.

Para o especialista, é impossível travar o fenómeno de depressão a curto prazo contudo, realça, que uma das soluções passa por deixar de explorar os aquíferos. Outra opção passaria por construir uma rede de drenagem.

ZAP // EFE

Por ZAP
2 Setembro, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

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