622: Asteróide descoberto no sábado (02/06/2018) desintegra-se horas depois na África Austral

 

Um asteróide com um diâmetro estimado de 2 metros foi detectado pelo Catalina Sky Survey na manhã de sábado, 2 de Junho, em rota de colisão com a Terra aparecendo em diferentes posições numa sequência de imagens. Quando foi detectado estava a uma distância semelhante à da Lua, mas movia-se a grande velocidade (entrou na atmosfera da Terra com uma velocidade de cerca de 60 000 Km/h), chegando à Terra em 8 horas.

Créditos: NASA/JPL-Caltech/CSS-Univ. of Arizona

Nesse intervalo de tempo os peritos seguiram o procedimento definido, que consiste em enviar os dados para o Minor Planet Center, em Cambridge, Massachusetts, e para o centro CNEOS no JPL, laboratório da NASA em Pasadena, Califórnia. São também enviados alertas enviados para a comunidade de observadores de asteróides para obter mais observações. Com base nos dados, esses centros calculam as trajectórias previstas. Neste caso, os cálculos indicaram grande probabilidade de um impacto na Terra. No entanto, uma vez que o asteróide era muito pequeno e, portanto, inofensivo, não foram emitidos alertas mais abrangentes pela NASA, como previsto no protocolo para asteróides maiores.

O asteróide entrou na atmosfera da Terra por volta das 16:44 UTC e veio a desintegrar-se vários quilómetros acima da superfície no Botswana, criando uma bola de fogo brilhante ( denominado por “fireball” ou “bólide”) que iluminou o céu nocturno (18:44 hora local). O evento foi testemunhado por vários observadores. Um registo de vídeo está disponível aqui:

OAL – Observatório Astronómico de Lisboa
5 Jun 2018

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427: África começou a dividir-se em dois continentes

O continente africano vai dividir-se em dois. A Somália, metade da Etiópia, o Quénia, a Tanzânia e parte de Moçambique irão separar-se para formar um novo continente. Vai acontecer daqui a uns milhões de anos – mas já começou.

As discussões na comunidade científica sobre a forma como o continente africano se está a dividir em dois continentes avivaram-se depois se no dia 19 de Março ter aparecido no Quénia uma gigantesca fissura, que rasgou a meio um vale e cortou uma estrada importante da região do Narok, no oeste do país.

A enorme fissura, com vários quilómetros de comprimento, tem cerca de 15 metros de profundidade e mais de 20 de largura, mas não é o primeiro fenómeno deste tipo a manifestar-se no continente africano. Há dezenas ou centenas de pontos fracos ao longo do chamado Grande Vale do Rift, que atravessa o continente desde o Corno de África, na Somália, até Moçambique.

Esta formação, também conhecida como Vale da Grande Fenda, é um complexo de falhas tectónicas criado há cerca de 35 milhões de anos com a separação das placas tectónicas africana e arábica, e estende-se cerca de 5000 km no sentido norte-sul, com largura que varia entre 30 e 100 km e uma profundidade de centenas a milhares de metros.

Segundo o jornal local Daily Nation, o Quénia, atravessado pelo Grande Vale do Rift, está literalmente a partir-se ao meio, e a profunda fissura que se deu a conhecer em Março em Narok “é apenas o início“.

A fissura apareceu na zona com menor actividade sísmica do país. Segundo explicou ao jornal italiano La Vanguardia a geóloga Sara Figueras Vila, do Instituto Cartográfico e Geológico da Catalunha, “o último sismo importante nesta região aconteceu em 1928, com uma magnitude de 6.9 na Escala de Richter”.

Desde então, praticamente não houve actividade sísmica na região, assegura a geóloga.

O aparecimento desta fissura sem que tenha ocorrido recentemente nenhum terramoto é um evento inesperado e preocupante. Mas segundo explica ao Daily Nation o geólogo queniano David Adede, o fenómeno poderá ter a ver com actividade tectónica e vulcânica passada na região.

No fundo do vale encontram-se o vulcão Suswa. Nas proximidades, Monte Longonot. Os dois vulcões poderão ser responsáveis por inúmeras falhas vulcânicas ocultas ao longo do território queniano do Grande Vale do Rift.

“Apesar de esta fissura ter permanecido inactiva no passado recente, do ponto de vista da actividade tectónica, poderá haver movimentos em profundidade que estão a criar pontos frágeis que se estendem até à superfície”, diz Adede.

“Estas zonas frágeis formam linhas de falha e fissuras que normalmente são preenchidas com cinzas vulcânicas. As fortes chuvas que recentemente assolaram a região poderão ter levado as cinzas, ajudando a descobrir a fissura”, explica o geólogo.

Mas o facto de a região assentar em duas placas tectónicas que estão a divergir lentamente em direcções opostas terá consequências inevitáveis.

Inevitavelmente, um novo continente

Dentro de 10 milhões de anos, quatro países do Corno de África – a Somália, metade da Etiópia, o Quénia e a Tanzânia, além de uma parte de Moçambique, irão inexoravelmente separar-se do resto do continente africano e formar um novo continente.

O processo, estimam os geólogos, estará concluído em cerca de 50 milhões de anos: a chamada “placa Somali” ter-se-á tornado por completo um continente novo, separada da sua irmã maior, a “placa Núbia”, por um oceano novo.

Segundo um estudo de 2009, realizado por cientistas da Universidade de Rochester, no Reino Unido, o processo parece ter tido início em 2005, com o aparecimento na Etiópia de uma fissura de mais de 60 quilómetros após a erupção do vulcão Dabbahu. A falha não mais deixou de crescer, e mais de uma dezena de novas falhas apareceram entretanto.

Desde então, a teoria de que África se vai dividir em dois continentes ganhou bastante popularidade na comunidade científica, mas nem todos estão de acordo.

Numa entrevista recente à NTV Kenya, o sismólogo queniano Silas Simiyu sustenta que a fissura de Narok não é uma falha vulcânica, mas apenas resultado das abundantes chuvas que se registaram na região. “As camadas de terra abateram devido às chuvas e encheram os canais subterrâneos de água”, diz o cientista queniano.

Mas Lucia Perez Diaz, do Grupo de Pesquisa da Dinâmica de Falhas da Universidade de Londres, não tem dúvidas. Em termos práticos, as duas placas do continente africano estão a separar-se, diz a geóloga ao The Conversation. E as fissuras recentes que apareceram no leste do Grande Vale do Rift são um exemplo de que isso já está a acontecer.

Após um dramático processo, durante uns 50 milhões de anos, teremos então inevitavelmente algo como a Grande Núbia e o Corno de África. Mal podemos esperar.

ZAP //
Por ZAP
2 Abril, 2018

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