3077: ADN de tardígrados pode ajudar humanos a sobreviver em Marte

CIÊNCIA

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Combinarmos o ADN de tardígrados com as nossas células pode ser a solução para que consigamos sobreviver em Marte. A teoria parte do geneticista Chris Mason, da Universidade Weill Cornell, em Nova Iorque.

Os tardígrados, popularmente conhecidos como ursos de água, são seres extremófilos, capazes de sobreviver em situações extremas, no vácuo do espaço e em temperaturas abaixo de zero, sendo mesmo considerado o animal mais resistente do mundo.

Chris Mason sugere que combinar a informação genética desta criatura com células humanas pode ser uma solução para preparar os nossos astronautas para as condições que Marte oferece. O norte-americano tem dedicado grande parte da sua carreira a estudar os efeitos genéticos dos voos espaciais e como é que os seres humanos podem superar essas limitações.

Para o efeito, Mason estudou dois irmãos gémeos astronautas: Mark e Scott Kelly. Em 2015, enquanto o primeiro passou um ano na Estação Espacial Internacional, o segundo esteve no planeta Terra. Durante esse tempo, a equipa de Mason estudou as alterações biológicas de cada um nos seus respectivos ambientes.

No mês passado, durante a conferência “Human Genectics”, o geneticista conversou sobre os resultados da sua investigação e falou sobre a ideia de fazer um estudo mais abrangente para preparar da melhor forma os nossos astronautas.

Como tal, Mason explicou que os futuro astronautas podem vir a tomar medicamentos prescritos para ajudar a mitigar os efeitos que a sua equipa descobriu com a mais recente investigação. Além disso, de acordo com o Live Science, o especialista falou ainda de usar a edição de genes para tornar os humanos mais capazes de chegar a planetas como Marte.

“Se tivermos mais 20 anos de pura descoberta, mapeamento e validação funcional do que pensamos saber, talvez daqui a 20 anos, espero que possamos estar numa fase em que consigamos dizer que podemos fazer um humano que poderia sobreviver melhor em Marte”, disse Mason.

Apesar de reconhecer a controvérsia associada à manipulação de genes humanos, o professor da universidade nova-iorquina reconhece que combinar células humanas com ADN de tardígrados pode ser uma solução para que os astronautas resistam, por exemplo, à radiação.

Na sua opinião, isto é algo ao nosso alcance. “Não é se evoluímos; é quando evoluirmos“, acrescentou. Quanto à questão ética, Mason disse que se a engenharia genética tornar as pessoas mais capazes de habitar Marte de uma forma mais segura, sem interferir com a capacidade de viver na Terra, as pessoas aceitarão mais facilmente.

ZAP //

Por ZAP
23 Novembro, 2019

 

1271: ADN da múmia mais antiga das Américas revela a origem dos índios

CIÊNCIA

(dr) Friends of America’s Past
O Homem da Gruta de Spirit estava envolto num manto com duas camadas de tecido

Cientistas dinamarqueses decifraram o ADN da mais velha múmia das Américas, encontrada há meio século no sul dos EUA.

Durante muito tempo, especialistas acreditaram que os antepassados dos índios modernos se tinham deslocado para as Américas vindos do sul da Sibéria e da cordilheira de Altai, numa única onda de migração que ocorreu há cerca de 14 ou 15 mil anos.

Porém, a descoberta em 2012 do homem de Kennewick, mais parecido com os povos indígenas da Austrália e Oceânia do que com os povos asiáticos, fizeram com que muitos cientistas pensassem que teria havido três ondas de migração de antepassados dos índios e que todas ocorreram em períodos diferentes e com origens diferentes.

Os seguidores desta teoria acreditam que os representantes de algumas destas ondas migratórias se teriam extinguido completamente no passado remoto e não sobreviveram até os nossos dias. Devido à forma bastante estranha do crânio, estes povos poderiam ter pertencido aos chamados “paleoamericanos“, que nada têm relacionado com os índios modernos e os seus antepassados.

No entanto, Eske Willerslev, da Universidade de Copenhaga, e a sua equipa provaram que esta teoria estava parcialmente errada após terem decifrado o ADN da múmia mais velha da América do Norte, que se formou de modo natural numa caverna no actual do estado norte-americano do Nevada.

Os resultados do estudo, publicado na Science Advances, revelaram a origem dos índios modernos e a história da sua distribuição pelo continente.

Disputas pelos restos mortais da múmia

Os restos mortais deste homem antigo, que têm aproximadamente 10,6 mil anos, foram encontrados em 1940 na caverna de Spirit pelos arqueólogos Sydney e Georgia Wheeler. A idade da múmia foi identificada nos anos 90.

Esta múmia atraiu muita atenção por ser a mais antiga múmia “natural” das Américas. Porém, ao saber da descoberta, os índios que habitavam no Nevada exigiram que lhes devolvessem os restos dos “seus antepassados” para serem sepultados.

Depois de 18 anos de disputas, os especialistas prometeram aos índios que a múmia seria sepultada se fosse provado o seu parentesco com os povos modernos e não tivesse relação com os paleoamericanos.

Os paleontólogos dinamarqueses recolheram amostras de tecidos e ossos da múmia e extraíram o seu ADN. Willerslev e a sua equipa compararam a amostra com o ADN de outros povos antigos dos Estados Unidos, Brasil e da América Central, descobrindo muitos detalhes interessantes sobre a vida e migração dos antigos habitantes do continente.

Os laços de parentesco da múmia de 10 mil anos

Os resultados mostraram que os povos antigos que habitavam o Novo Mundo há cerca de 10 mil anos tinham laços de parentesco entre si e eram parentes próximos dos índios modernos.

Por um lado, a descoberta desmente parte da teoria sobre as várias ondas de migração – a diferente origem dos povos.

Por outro lado, diferenças significativas no ADN indicam que, logo após terem migrado para as Américas, os antepassados dos índios dividiram-se em três grupos. Um destes grupos, incluindo os parentes da múmia de Spirit, ficou na América do Norte e os outros dois dirigiram-se para sul, colonizando o continente inteiro.

Um processo semelhante poderá ter ocorrido há cerca de oito mil anos, quando habitantes da América Central começaram a penetrar no sul e no norte, dando origem aos antepassados dos índios de hoje.

ZAP // Sputnik

Por ZAP
11 Novembro, 2018

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1107: Genes de Neandertais ajudaram Homo Sapiens a combater vírus

CIÊNCIA

Durante o tempo em que conviveram as duas espécies partilharam patógenos e defesas para combater alguns vírus.

Recriação de uma família Neandertal
© REUTERS/Nikola Solic

As relações sexuais que os Neandertais mantiveram com os Homo Sapiens permitiram a estes últimos gerar defesas para combater alguns vírus, mostra um estudo publicado esta quinta-feira na revista científica Cell .

Através do estudo do ADN dos Neandertais, cujos vestígios ainda estão presentes na população europeia e asiática, calculando-se que 1 a 4% do seu ADN seja ainda Neandertal.

Quando os Neandertais se cruzaram com o Homo Sapiens herdaram destes as defesas para alguns vírus que os primeiros já tinham. Um dos autores do estudo, Dmitri Petrov, explicou ao El Mundo que uma boa parte da troca nos genes dos Neandertais tiveram como objectivo a adaptação ao frio. Isto porque o cruzamento entre as duas espécies aconteceu quando o Homo Sapiens saiu de África para conquistar o mundo.

A interacção entre os Neandertais e os Homo Sapiens
© Cell

Quando chegaram à Europa, os Homo Sapiens encontraram uma espécie que tinha milhares de anos de evolução neste ambiente, o que leva os cientistas a acreditar que estes adquiriam essa resistência dos próprios Neandertais, em vez de esperarem pelas suas próprias mutações.

Diário de Notícias
Ana Bela Ferreira
04 Outubro 2018 — 23:37

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