2869: Os furacões podem provocar actividade sísmica tal como um terramoto

CIÊNCIA

NASA Goddard / MODIS Rapid Response Team

Uma equipa de cientistas descobriu um novo fenómeno geofísico no qual furacões ou fortes tempestades podem produzir vibrações no fundo do oceano tão fortes quanto um terramoto de magnitude 3.5.

“As tempestades, furacões ou ciclones extra-tropicais transferem energia para o oceano como fortes ondas oceânicas, e as ondas interagem com a terra sólida produzindo uma intensa actividade de fonte sísmica“, explicou Wenyuan Fan, professor de Ciências da Terra, Oceano e Atmosféricas na Universidade da Florida e principal autor de um novo artigo científico publicado na Geophysical Research Letters.

Os investigadores analisaram quase uma década de registos sísmicos e oceanográficos, de Setembro de 2006 a Fevereiro deste ano, e encontraram uma relação entre fortes tempestades e intensa actividade sísmica (vibrações na crosta terrestre).

Segundo o Europa Press, os cientistas encontraram evidências de mais de 10.000 terremotos entre 2006 e 2019 no alto mar da Nova Inglaterra, Florida e Golfo do México, nos Estados Unidos, bem como no alto mar da Nova Escócia, Terra Nova e Colúmbia Britânica, no Canadá.

“Podemos ter fontes sísmicas no oceano, assim como terramotos dentro da crosta“, resumiu Fan em comunicado. “A parte interessante desta investigação é que as fontes sísmicas causadas por furacões podem durar de horas a dias.”

Neste novo estudo, a equipa de cientistas da universidade norte-americana desenvolveu um novo método para detectar e localizar eventos sísmicos e determinar se tais eventos são terramotos. Com a ajuda desta técnica, descobriram que o furacão Bill, um intenso ciclone tropical que atingiu o leste do Canadá durante o final de Agosto de 2009, produziu vários terramotos na costa da Nova Inglaterra e Nova Escócia.

De igual forma, descobriram também que o furacão Ike, em 2008, causou uma actividade de tempestade no Golfo do México, e o furacão Irene, em 2011, fez exactamente o mesmo perto de Little Bahama Bank, na costa da Florida.

É preciso ter em conta que nem todos os furacões causam terramotos, mas quando ocorrem, os terramotos parecem concentrar-se em certos pontos críticos. No entanto, os cientistas não detectaram qualquer evidência de terramotos na costa do México ou na costa leste dos Estados Unidos, de Nova Jersey à Geórgia.

Mesmo o furacão Sandy, que ocorreu nos Estados Unidos, não causou terramotos, segundo os cientistas. Isto sugere que os terramotos são fortemente influenciados pelas características oceanográficas locais e pela topografia do fundo do mar.

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20 Outubro, 2019

 

2150: Vulcão extinto acordou. Cientistas dizem que pode explodir “a qualquer momento”

CIÊNCIA

kuhnmi / Wikimedia

Um vulcão no extremo leste da Rússia, que antes era considerado extinto, pode estar a despertar – e uma erupção pode ser catastrófica.

Acredita-se que o vulcão Bolshaya Udina – parte do complexo vulcânico de Udina, na Península de Kamchatka – tenha estado extinto até 2017, quando o aumento da actividade sísmica foi detectado, segundo os cientistas.

Agora, Ivan Koulakov, geofísico da do Instituto Trofimuk de Geologia e Geofísica do Petróleo, que liderou um estudo sobre o vulcão, acredita que deve ser reclassificado como activo. “A qualquer momento pode ocorrer uma erupção”, disse Koulakov à CNN.

Entre 1999 e Setembro de 2017, cerca de cem eventos sísmicos fracos foram detectados sob o vulcão, que fica a 2,9 quilómetros acima do nível do mar. Um “aumento anómalo” na sismicidade, no entanto, começou em Outubro de 2017. Entre Outubro de 2017 e Fevereiro de 2019, foram registados cerca de 2.400 eventos sísmicos. Em Fevereiro, um terramoto de magnitude 4,3 ocorreu em Udina – o evento sísmico mais forte que já ocorreu na região.

Investigadores da Rússia, Egipto e Arábia Saudita realizaram um estudo do vulcão no ano passado entre Maio e Julho, que foi publicado no Journal of Volcanology and Geothermal Research. Instalando quatro estações temporárias de monitorização sísmica em redor de Bolshaya Udina, os cientistas registaram e analisaram 559 eventos sísmicos.

Um “aglomerado elíptico” de actividade sísmica tinha-se formado em torno do vulcão com eventos sísmicos a ocorrer a mais de cinco quilómetros abaixo da superfície. “Essas propriedades sísmicas podem indicar a presença de intrusões de magma com alto conteúdo de fluidos, o que pode justificar a mudança do status actual deste vulcão de extinto para activo”, escreveram os investigadores.

Além disso, observaram que o aglomerado de eventos sísmicos ligava o vulcão à zona de Tolud, ao sul do vulcão, uma região que se acredita armazenar magma na crosta inferior da Terra. A zona de Tolud agora estava a alimentar Bolshaya Udina com magma graças a um novo caminho que se desenvolveu em 2018.

Bolshaya Udina partilha características estruturais com outro vulcão anteriormente extinto na região, o Bezymianny, que entrou em erupção dramaticamente em 1956, disse Koulakov. Há cerca de 50% de probabilidade de que o Bolshaya Udina entre em erupção.

“Ou pode libertar a energia suavemente durante alguns meses ou pode simplesmente desaparecer sem qualquer erupção”, disse. Se o vulcão entrar em erupção, pode representar uma ameaça significativa para as pequenas aldeias vizinhas, mas “não há muitas pessoas por perto”.

Uma erupção considerável também pode afectar o clima em “partes completamente diferentes do mundo”, disse. As cinzas libertadas pela erupção poderiam espalhar-se para além da Rússia, interrompendo as viagens aéreas.

Infelizmente, o vulcão é difícil de monitorizar, devido à distância das estações sísmicas permanentes. “Precisamos de implantar mais estações para entender se é perigoso ou não”, disse. “É altamente imprevisível.”

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10 Junho, 2019

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2146: Já se sabe como é que as marés podem desencadear terramotos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Free-Photos / Pixabay

Como e porquê que as marés desencadeavam terramotos sempre foi uma incógnita que os cientistas têm tentado resolver ao longos dos anos. Agora, o mecanismo foi descoberto num novo estudo.

Actividade sísmica e vulcânica pode ser desencadeada pela força das marés, com terramotos a acontecerem nas profundezas oceânicas. Estes terramotos acontecem durante a maré baixa, apesar de teorias convencionais sugerirem que deveriam acontecer em alturas de maré alta.

Um novo estudo publicado esta sexta-feira na revista Nature Communications mostra como o magma debaixo da dorsal oceânica é responsável por esta actividade sísmica, até agora inexplicável.

É a câmara de magma a respirar, expandindo e contraindo devido às marés, o que está a fazer com que as falhas se movam”, explicou Christopher Scholz, sismólogo do Lamont-Doherty Earth Observatory da Universidade da Columbia.

Os cientistas ficaram surpreendidos com os resultados, uma vez que esperavam que quando a maré estivesse alta, o bloco superior seria empurrado para baixo e causaria terramotos numa falha. “Em vez disso, a falha desliza durante a maré baixa, que é o oposto do que esperávamos”, explicou Christopher.

Como alvo de análise, os cientistas usaram o vulcão submarino Axial, do oceano pacífico. Posteriormente, analisaram os resultados e exploraram as diferentes maneiras que a maré baixa poderia estar a causar actividade sísmica.

Com isto, perceberam que quando a maré está baixa, há menos água em cima da câmara de magma, o que faz com que esta se expanda. O Tech Explorist explica que, à medida que aumenta, ele movimenta as rochas ao redor, forçando o bloco inferior a deslizar para cima da falha e, consequentemente, causando terramotos.

“As pessoas no negócio do hydrofracking querem saber. Há alguma pressão segura que se possa exercer sem que se desencadeiem terramotos? E as resposta a que chegamos é que não há. Pode acontecer a qualquer nível de pressão”, realçou o cientista.

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9 Junho, 2019



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2121: Bizarros clarões de luz vindos da Lua estão a intrigar os astrónomos

CIÊNCIA

giumaiolini / Flickr

Várias vezes por semana, podemos ver clarões que aparecem na superfície da Lua. Algumas vezes são rápidos, outras duram mais tempo. Em algumas ocasiões, há lugares que escurecem temporariamente.

Os cientistas não sabem exactamente o que está a causar a aparição destas misteriosas luzes no nosso satélite natural. Uma das hipóteses é que serão provocadas por impactos de meteoritos. Ou então pode tratar-se de partículas de vento solar carregadas electricamente que reagem com o pó lunar.

“Também se observaram actividades sísmicas na Lua. Quando a superfície se move, os gases que reflectem a luz solar poderiam escapar do interior da Lua. Isto explicaria os fenómenos luminosos, alguns dos quais duram horas”, disse Hakan Kayal, professor de tecnologia espacial na Universidade de Würzburgo, na Alemanha. Os chamados fenómenos lunares transitórios conhecem-se desde a década de 1950, mas não foram observados de maneira sistemática e a longo prazo.

Kayal e a sua equipa construíram, de acordo com a ABC, um telescópio lunar e puseram-no em funcionamento em Abril. Está localizado num observatório privado em Espanha a cerca de 100 quilómetros a norte de Sevilha numa zona rural.

O telescópio é controlado remotamente a partir do campus da JMU. Consiste em duas câmaras que monitorizam a lua noite após noite. Somente se ambas as câmaras registarem um fenómeno de luz ao mesmo tempo, o telescópio activará outras acções. Em seguida, armazena as fotos e sequências de vídeo do evento e envia um e-mail para a equipa de Kayal.

O sistema ainda não está completamente terminado: o software, que detecta automaticamente flashes e outros fenómenos de luz, está a ser aperfeiçoado. Kayal planeia usar métodos de inteligência artificial, entre outras coisas: redes neurais garantem que o sistema gradualmente aprenda a distinguir um flash da Lua de falhas técnicas ou de pássaros e aviões a passar na frente da câmara. Estima-se que será necessário outro ano de trabalho antes que possa ser feito.

Para Kayal, reduzir a taxa de falsos alarmes o máximo possível é apenas o primeiro marco deste projecto. O sistema será usado mais tarde numa missão de satélite. As câmaras poderiam trabalhar em órbita ao redor da Terra ou da Lua. O cientistas espera que isto leve a resultados muito melhores.

Quando o telescópio documenta um fenómeno luminoso, a equipa comparara os resultados com a Agência Espacial Europeia (ESA), que também observa a lua. “Se a mesma coisa for vista lá, o evento pode ser considerado confirmado.” Se necessário, uma investigação conjunta adicional poderá ser iniciada.

A nova “corrida para a lua” aumentou o interesse em fenómenos de luz no nosso satélite. A China iniciou um abrangente programa lunar e, no início de Janeiro, enviou uma sonda para o outro lado da Lua. A Índia está a planear uma missão semelhante.

Em reacção a essas iniciativas, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, falou em Maio do retorno do seu país à Lua. A China e empresas privadas como a SpaceX ou a Blue Origin também estão a considerar a Lua como um habitat para humanos a longo prazo. Além disso, existem matérias-primas lá, como metais raros, que são necessárias para a criação de smartphones e outros dispositivos.

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6 Junho, 2019



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937: Grande terramoto no Anel de Fogo do Pacífico pode destruir a Califórnia

CIÊNCIA

A enorme actividade sísmica sentida nos últimos dias no Anel de Fogo do Pacífico tem provocado o caos, causando ainda forte preocupação entre os cientistas que acreditam que este pode ser o prenúncio de um terramoto muito mais forte.

De acordo com USGS, Serviço Geológico dos Estados Unidos, em apenas 48 horas ocorreram 69 terremotos, 16 dos quais foram classificados como muito fortes, isto é, de magnitude de 4.5 ou superior. O território mais afectado foi o das ilhas Fiji.

Segundo o Daily Mail, os cientistas descrevem o “grande terremoto” – apelidado vulgarmente como the Big One – como um sismo de magnitude superior a 8 – desastre cuja magnitude provavelmente causaria uma destruição maciça na Califórnia.

O último terremoto a atingir o estado norte-americano, com uma magnitude de 7.9, ocorreu em 1906. Nesse ano, 80% da cidade de São Francisco – uma das mais populosas dos EUA – ficou destruída. O desastre fez mais de 3 mil vítimas mortais.

Passaram mais de 100 anos desde esse trágico Big One, mas segundo alguns cientistas,  é possível que um terramoto semelhante esteja à espreita.

Um estudo de 2008 do USGS sugere que há uma probabilidade de mais de 99% de um terramoto de magnitude igual ou superior a 6.7 atingir a área da Califórnia nos 30 anos seguintes. Em 2015, também o Jet Propulsion Laboratory da NASA previa a ocorrência de uma catástrofe em Los Angeles nos 3 anos seguintes – que entretanto, já passaram.

De acordo com os cientistas, ocorreu a 19 de Agosto mais um sismo no Anel de Fogo, desta vez de magnitude 8.2, com epicentro a uma profundidade de 550 quilómetros. Os moradores das ilhas Fiji e da Califórnia não foram atingidos porque o epicentro foi demasiado profundo para causar um tsunami.

“Estamos a acompanhar a situação e algumas pessoas sentiram o sismo, mas foi um terramoto muito profundo“, explicou à Reuters o director do Departamento de Recursos Minerais das ilhas Fiji, Apete Soro.

O Anel de Fogo do Pacífico é um arco de linhas de falhas na Bacia do Pacífico com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 continuam activos. A região, com grande actividade sísmica e vulcânica, regista cerca de sete mil terramotos por ano – na sua grande maioria moderados.

Gringer / wikimedia
Anel de Fogo do Pacífico

Este Anel de Fogo apanha em cheio toda a Califórnia – razão pela qual os 69 sismos que se fizeram sentir nos últimos dias levantam na população do estado norte-americano o temor de que o temível Big One de que os cientistas falam possa estar mais perto do que se deseja.

Por ZAP
30 Agosto, 2018

(Foram corrigidos 5 erros ortográficos ao texto original)

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