2283: Plantar árvores é a melhor solução para combater alterações climáticas (mas temos de agir já)

CIÊNCIA

Romain Boukhobza / Wikimedia

Plantar árvores é a solução mais eficaz para combater as alterações climáticas, tendo o potencial de capturar dois terços das emissões de dióxido de carbono produzidas pela Humanidade.

O estudo do Laboratório Crowther, na Suíça, publicado esta sexta-feira na revista Science, é o primeiro a quantificar quantas árvores o planeta Terra pode suportar, onde poderiam existir e quanto carbono poderiam armazenar.

A investigação concluiu que há potencial para aumentar em um terço as florestas do mundo inteiro, sem afectar as actuais cidades ou as terras agrícolas. Seria o mesmo que reflorestar uma área equivalente a mais de 100 vezes o tamanho de Portugal.

Uma vez desenvolvidas, essas florestas poderiam armazenar 205 mil milhões de toneladas de dióxido de carbono, cerca de dois terços dos 300 mil milhões de toneladas de carbono extra que existem na atmosfera devido à actividade humana desde a revolução industrial.

O estudo, liderado por Jean-Francois Bastin, também sugere que há um grande potencial para regenerar árvores em zonas agrícolas e urbanas, e destaca que essas árvores podem desempenhar um papel importante no combate às alterações climáticas.

Actualmente, segundo a definição de floresta das Nações Unidas, existem 5,5 mil milhões de hectares de floresta. O Laboratório Crowther diz que podiam ser reaproveitados entre 1,7 e 1,8 mil milhões de hectares em áreas com baixa actividade humana e que não são usados como terras urbanas ou agrícolas.

Mas alerta também para a urgência de se passar à acção, porque o clima já está a mudar e em cada ano a área que pode suportar novas florestas vai diminuindo. Mesmo com o aquecimento global limitado a 1,5º Celsius a área disponível para reflorestação pode ser reduzida em um quinto até 2050, assinala o estudo.

“Todos sabíamos que a reflorestação poderia ter um papel na luta contra as alterações climáticas, mas não tínhamos conhecimento científico do impacto que isso poderia causar. O nosso estudo mostra claramente que a florestação é a melhor solução disponível actualmente e fornece provas concretas para justificar o investimento”, diz Tom Crowther, professor do Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH) e um dos autores do estudo.

“Se agirmos agora, isso poderia reduzir o dióxido de carbono na atmosfera em até 25%, para níveis vistos pela última vez quase há um século”, adiantou.

Se não agirmos já, e à medida que as temperaturas aumentam, cerca de 223 milhões de hectares – especialmente nos trópicos – não poderão ser considerados potenciais terrenos florestais até 2050, escreve o Science Alert.

Para tal, advertem os autores do estudo, é fundamental proteger as actuais florestas e continuar no caminho de eliminar os combustíveis fósseis, porque são necessárias décadas até que as novas florestas cresçam.

Uma análise da ONU divulgada em 2018 propunha que, além de outras medidas na luta contra as alterações climáticas, é necessário plantar mais mil milhões de hectares de floresta até 2050. O estudo vem mostrar que essas árvores podem ser plantadas e confirmam que o cenário é “indiscutivelmente alcançável”.

Mas, para isso, é necessário que a comunidade internacional faça esforços para conseguir atingir os objectivos. O espaço para fazer nascer florestas existe – agora só precisamos de trabalhar juntos para que isso aconteça.

ZAP // Lusa

Por ZAP
6 Julho, 2019

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2164: A “zona morta” do Golfo do México continua a crescer (e vai atingir um tamanho recorde este verão)

CIÊNCIA

Nautilus E/V

Os cientistas prevêem que, este verão, a zona morta do Golfo do México será maior que o tamanho médio registado nos últimos 5 anos.

A previsão recorde para 2019 é de 7.829 milhas quadradas (mais de 20.000 quilómetros quadrados), de acordo com a Administração Oceânica e Atmosférica Nacional dos EUA.

A zona morta ou zona hipóxica é repetida todos os anos e é causada principalmente pela contaminação excessiva por actividades humanas que se origina na bacia do rio Mississipi. Um dos factores que mais contribuíram este ano é a alta quantidade de chuvas registada na primavera, arrastando uma quantidade maior de nutrientes para o mar.

Ao atingir o Golfo, substâncias como nitrogénio e fósforo estimulam o crescimento excessivo de algas que acabam por morrer, afundando e decompondo-se no fundo do mar. Isso resulta numa diminuição nos níveis de oxigénio na água, o que acaba por criar condições sob as quais é impossível que a maioria da vida marinha sobreviva. Outro efeito é a redução da capacidade de reprodução e a diminuição do tamanho médio das espécies.

Essas condições de baixo oxigénio começaram a ocorrer há meio século com a intensificação das práticas agrícolas na região. Além das consequências ambientais, o crescimento da zona morta tem impactos económicos que afectam a população que vive na região – como a diminuição do tamanho e da quantidade de camarão, cuja pesca é uma das principais actividades na área.

Um estudo encomendado pelo NOAA à Universidade de Duke, nos EUA, mostra que a expansão da zona morta provocou o aumento do preço do camarão devido à sua escassez, afectando não só a economia local, mas o mercado de peixe e frutos do mar.

SRCC @srcclsu

NOAA scientists have released their prediction for this summer’s Gulf of Mexico ‘dead zone’, and models suggest it could be around 7,800 mi., which is roughly the size of Massachusetts. This spring’s excessive rainfall is cited as a major factor.
⁰Source: https://tinyurl.com/yyr3r348 

Existe um plano de acção nacional nos EUA para reduzir o tamanho da zona morta para 5.000 quilómetros quadrados antes de 2035. Para atingir esse objectivo, a quantidade de nitrogénio que flui para o rio Mississipi deve ser reduzida em 59%.

A zona morta do Golfo do México é considerada a maior do mundo, mas não é a única. Há também uma na baía de Chesapeake, no leste americano, outro no mar Báltico e cerca de 500 áreas costeiras têm essas zonas hipóxicas em determinadas alturas do ano, segundo disse a ecologista marinha Nancy Rabalais à CNN.

Actualmente, estas zonas mortas já representam cerca de 7% dos oceanos. A maior das zonas mortas conhecidas, que está devorar o Golfo de Omã, tem 165 mil quilómetros quadrados – quase duas vezes maior do que Portugal.

ZAP //

Por ZAP
13 Junho, 2019

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