3190: Sismos podem levar ao aparecimento de nova ilha nos Açores, diz vulcanólogo

CIÊNCIA

(CC0/PD) pxhere

“Movimentos ascendentes no fundo do mar” terão como “evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirma Victor Hugo Forjaz, presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

Esta sexta-feira, o vulcanólogo Victor Hugo Forjaz disse que uma nova ilha poderá surgir nos Açores, entre as ilhas do Faial e São Jorge, na sequência de “movimentos ascendentes” que se têm vindo a registar no mar.

“Pelo tipo de sismo, pela cadência, pela periodicidade, pela energia Richter e repercussões nas ilhas vizinhas, que são Faial e São Jorge e, por vezes, Pico, suspeita-se que há movimentos ascendentes no fundo do mar, sendo a evolução natural o aparecimento de uma ilha”, afirmou o presidente do Observatório Vulcanológico e Geotérmico dos Açores.

O vulcanólogo refere que se têm vindo a registar “crises sucessivas”, ao longo dos anos, no arquipélago, com “intervalos de dois anos”, e o surgimento de uma nova ilha “não é nada de extraordinário porque as ilhas são activas e condensam movimentos tectónicos, seguidos de vulcânicos”.

Para o antigo docente da Universidade dos Açores, o fenómeno seria “melhor seguido” com um levantamento batimétrico e com recurso a um ROV, um veículo submarino operado de forma remota, visando apurar se há fissuras, deslocamentos e alterações topográficas.

Segundo Hugo Forjaz, a Marinha portuguesa “já deveria ter feito um levantamento no sentido de se perceber melhor os movimentos do fundo do mar naquela zona”, sublinhando que “não há perigo de maior” para a ilha do Faial, uma vez que a zona fica “bastante afastada, cerca de 25 a 30 quilómetros”.

O especialista recorda que nos Açores já emergiram ilhas que depois voltaram a desaparecer, exemplificando com o banco D. João de Castro, ao largo da ilha Terceira, que “esteve fora do mar durante um certo tempo”, tendo “falhas geológicas provocado o seu abatimento”, sendo previsível que volte a emergir.

O vulcanólogo defende a instalação nos Açores de OBS, sismógrafos submarinos que o Instituto Português do Mar e da Atmosfera possui, ressalvando que houve uma equipa estrangeira que já operou na região com este equipamento, tendo recolhido dados “muito interessantes” a que a Governo Regional e a Universidade dos Açores não têm acesso.

Para Victor Hugo Forjaz, a existência dos OBS seria o “tira-teimas entre os que acreditam que há movimentos verticais importantes e os que os negam”.

A Rede Sísmica do Arquipélago dos Açores tem vindo a registar desde Novembro centenas de sismos, um deles esta sexta-feira. Alguns destes abalos foram sentidos pela população, numa zona localizada aproximadamente entre os 25 e os 30 quilómetros a oeste da freguesia de Capelo, na ilha do Faial.

ZAP // Lusa

Por ZAP
13 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

3009: Centenas de sismos no Faial em oito dias. O que explica este fenómeno?

VIDA

Todos no mesmo local, sempre de baixa magnitude, entre os quais nove sentidos pela população. Não há um dia sem sismos nos Açores e esta é a terceira crise registada este ano.

Esta é a terceira crise sísmica sentida nesta zona dos Açores
© Reuters

Não é um, nem são dois. São já centenas os sismos registados desde as 16:00 do dia 3 de Novembro, numa zona localizada aproximadamente entre os 25 e os 30 quilómetros a oeste da freguesia de Capelo, na Ilha do Faial, Açores. Entre estes, apenas nove foram sentidos pela população, todos eles com baixa magnitude, mas com diferença de poucas horas. Afinal, o que se passa no arquipélago? O fenómeno “não é fora do normal”, explica o presidente do Centro de Informação e Vigilância Sismovulcânica dos Açores (CIVISA), Rui Marques.

O número de tremores pode ser assustador, mas “esta é uma zona que recorrentemente tem incrementos de actividade sísmica”, diz o investigador. O facto de o arquipélago se encontrar “numa zona geodinamicamente muito activa” torna frequente esta actividade sísmica. Rui Marques explica que os Açores encontram-se “entre três placas tectónicas que aqui se conjugam, que é a placa americana, a placa euro-asiática e a placa africana” e “mesmo na fronteira de placas euro-asiática e africana que está constantemente em movimentação”.

“Todos os dias há sismos nos Açores. Não se ouve falar muito, porque as pessoas acabam por não sentir grande parte destes sismos – e ainda bem, senão causava algum pânico”, conta. Só no ano corrente, esta é a terceira crise sísmica, depois de uma ocorrida em Abril e outra em Setembro. Todas elas com “mais ou menos as mesmas características e sempre no mesmo local”.

Foi entre as 3:00 e as 14:00 desta quinta-feira, 7 de Novembro, que mais sismos se registaram por hora nesta zona. Mas o sismo mais energético desta crise atingiu uma magnitude de 4,4 na escala de Ritcher, no dia 5 de Novembro, às 6:22 (hora local), e foi sentido em toda a ilha.

O presidente do CIVISA diz que “para um sismo ser sentido não é só a magnitude (relacionada com a libertação de energia) que importa calcular”. Para tal, há “uma outra escala que nos ajuda a perceber o impacto do sismo, que é a intensidade”. O que esta escala diz é que, “à distância em que estes sismos ocorreram, basta uma magnitude de 3,1 para ser sentido“. “Se fosse mais próximo, nem era necessário tanta magnitude”, remata.

Bombeiros no Faial, após o sismo de 9 de Julho de 1998
© Marcos Borga

Para o investigador, a memória sísmica é uma constante no arquipélago, onde recorrentemente se registam “episódios com capacidade destruidora”. O último, lembra, foi na madrugada de 9 de Julho de 1998. Às 05:19 (hora local), um sismo de magnitude 5,8 (na escala de Richter) assolou as ilhas do Faial, Pico e São Jorge, provocando nove vítimas mortais, aproximadamente 100 feridos e deixando um rasto de destruição em mais de 70% do parque habitacional – 20% das casas ficaram totalmente destruídas e 53,8% danificadas, segundos dados do CIVISA.

Não é possível prever quando é que o arquipélago poderá voltar a sofreu um novo capítulo sísmico de grande dimensão, nem quando a actual crise sísmica terá fim. Segundo Rui Marques, “estamos numa altura em que se registam menos sismos por hora”, mas tal “não significa que esta crise esteja perto de terminar”.

Diário de Notícias
Catarina Reis
08 Novembro 2019 — 15:45

 

2270: NASA vai usar vulcão dos Capelinhos para treinar exploração em Marte

Na próxima expedição aos Capelinhos, os cientistas olharão para a paisagem em terra e do ar, usando drones, em preparação para a próxima fase da exploração do planeta vermelho.

© Adelino Meireles / Global Imagens

A NASA vai usar o vulcão dos Capelinhos, nos Açores, para treinar a exploração da paisagem de Marte e perceber como evoluiu nos últimos milhões de anos, disse à Lusa o ex-director do departamento científico da agência espacial norte-americana.

A expedição, que ainda não tem data marcada mas que acontecerá “em breve”, levará cientistas da NASA, do Reino Unido e de Portugal a estudar o vulcão da ilha do Faial que nasceu do mar no final dos anos 50, em condições muito semelhantes às que se terão verificado em Marte “há mil milhões de anos”.

“Quando Marte tinha mares e lagos, vulcões entraram em erupção nas águas e produziram relevo como o que vemos nos Capelinhos, que erodiu na presença de água persistente. Depois, as águas secaram. O clima de Marte mudou e hoje só temos os esqueletos fantasmagóricos dessa paisagem, preservada nas rochas”, disse James Garvin, à margem da Global Exploration Summit, que começou esta quarta-feira em Lisboa.

James Garvin, que dirigiu o departamento científico da NASA entre 2004 e 2005, afirmou que os Açores são “um laboratório especial” só comparável a mais dois locais da Terra, um na Islândia, outro em Tonga, com vulcões de erupção recente em meio aquático, com “água e lava a interagirem de forma dinâmica”.

“Sítios como esses, quentes, húmidos e com actividade térmica, seriam bons para surgir vida microbial”, disse.

Na próxima expedição aos Capelinhos, os cientistas olharão para a paisagem em terra e do ar, usando drones, em preparação para a próxima fase da exploração.

“Voltaremos lá para ver se podemos usar [o vulcão] como caso de estudo para o nosso ‘helicóptero marciano’, que enviaremos com a missão Mars Rover em 2020”, que incluirá um veículo da NASA e outro da Agência Espacial Europeia.

Garvin explicou que “algumas coisas nos Capelinhos acontecem muito depressa numa escala menor, algumas numa escala maior” e que a expedição terá resultados úteis para as compreender na Terra.

“Vemos as maiores a acontecer do espaço e observamos nós próprios as mais pequenas. Depois, juntamos matematicamente as duas e podemos criar modelos para como o vulcão dos Capelinhos evoluirá à medida que o ambiente muda e o nível do mar sobe”, acrescentou.

Comparando os dados recolhidos há 25 com os actuais, será possível ter “um registo dos últimos sessenta anos de erosão no oceano Atlântico” em torno da ilha.

Diário de Notícias
DN/Lusa
03 Julho 2019 — 16:35

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1250: Açores vai ter Porto Espacial (e os russos estão na corrida)

CIÊNCIA

(dr) ESA / CNES / ARIANESPACE
Centre Spatial Guyanais, Porto Espacial da Ariane na Guiana Francesa

Catorze consórcios internacionais, quatro deles liderados pelas empresas aeroespaciais Ariane, AVIO e Virgin e pela agência espacial russa Roscosmos, manifestaram interesse na construção de uma base para lançamento de micro-satélites nos Açores, a partir de 2021.

O anúncio foi feito pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior seis dias depois de ter terminado o prazo para empresas e entidades submeterem propostas no âmbito de um concurso público internacional aberto em Setembro.

Segundo o ministro da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior, Manuel Heitor, tratou-se de um concurso de ideias que visou aferir o interesse do mercado aeroespacial pela construção e operacionalização de um porto espacial na ilha de Santa Maria, antes de Portugal avançar com um “concurso realista” para a concretização do projecto.

Manuel Heitor assinalou à Lusa que a instalação e o funcionamento do porto espacial, destinado ao lançamento de pequenos satélites para observação da Terra, implicará, acima de tudo, um investimento privado, sendo que o investimento público, estimado em seis milhões de euros, será para a melhoria de infra-estrutura locais.

As propostas submetidas pelos 14 consórcios que, de acordo com um comunicado do ministério, incluem “soluções inovadoras de acesso ao espaço com micro-lançadores”, vão agora ser avaliadas por uma comissão internacional de peritos, presidida pelo ex-director da agência espacial europeia ESA Jean Jacques Dordain.

Cabe à comissão de peritos, depois de analisar as propostas iniciais, recomendar os candidatos que devem ‘entrar na corrida’ para a construção e operacionalização do porto espacial, e cujos projectos serão avaliados entre Fevereiro e Maio de 2019.

Na ‘corrida espacial’ terão de estar envolvidos consórcios com participação de empresas ou centros de investigação portugueses.

Primeiros lançamentos esperados em 2021

Espera-se que, de acordo com o calendário fixado, os primeiros lançamentos de pequenos satélites se iniciem na primavera ou no verão de 2021, depois de o contrato para a instalação e funcionamento do porto espacial ser assinado, em Junho de 2019, com os concorrentes ‘vencedores’.

Da lista de 14 consórcios internacionais que apresentaram ideias fazem parte empresas aeroespaciais portuguesas como a Edisoft, a Tekever e a Omnidea, precisou o ministro.

Quatro dos consórcios são liderados pelas companhias aeroespaciais Ariane (França), AVIO (Itália), Virgin Orbit (EUA) e Elecnor DEIMOS (Espanha) e pela agência espacial russa Roscosmos. Mas há também empresas alemãs envolvidas.

A comissão internacional de peritos integra o ex-director de lançadores da ESA Gaele Winters, a antiga vice-administradora da agência espacial norte-americana NASA Dava Newman, o presidente da Agência para o Investimento e Comércio Externo de Portugal, Luís Castro Henriques, o ex-reitor da Universidade do Minho António Cunha e o professor emérito da universidade norte-americana do Texas Byron Tapley.

Um dos estudos que levaram o Governo a promover a abertura do concurso público internacional de ideias para a construção de um porto espacial nos Açores, para lançamento de micro-satélites, foi desenvolvido pela Universidade do Texas, com a qual Portugal tem parcerias.

O estudo, datado de Janeiro, sugere a construção de uma base de lançamento de pequenos satélites preferencialmente na zona de Malbusca, na ilha de Santa Maria, devido “à amplitude e à orientação do seu corredor de lançamento e aos seus atributos de segurança de alcance superior”.

Segundo o estudo, a operacionalização do porto espacial deve ser acompanhada pela fixação nos Açores de empresas dedicadas ao fabrico de satélites.

A Universidade do Texas recomenda que uma eventual decisão sobre a base espacial deve ser suportada por um plano de negócios, uma análise de mercado e uma avaliação dos riscos ambientais e de segurança, aconselhando ainda a que Portugal identifique pelo menos um possível lançador de pequenos satélites que possa operar na base espacial de forma a garantir a sua viabilidade.

ZAP // LusA

Por Lusa
6 Novembro, 2018

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