2314: Há um acelerador de partículas na cave do Museu do Louvre

CIÊNCIA

(CC0/PD) Free-Photos / Pixabay

O museu francês do Louvre, que é o mais visitado do mundo, tem um acelerador de partículas na sua cave, quer serve para ajudar a documentar, conservar e restaurar milhares de peças de arte de todo o país.

De acordo com a Boing Boing, existem três pisos do Louvre sob a alçada do Centro de Pesquisa e Restauração dos Museus de França (C2RMF). Este organismo independente do museu fornece serviços de investigação de restauro a mais de 1.200 obras de artes distribuídas por todas as galerias do país.

Para levar a cabo o seu trabalho, a C2RMF opera um acelerador de partículas de 27 metros, o AGLAE, capaz de acelerar partículas até 20% da velocidade da luz. O instrumento é utilizado para trabalhos de restauro e para resolver alguns mistérios.

Por exemplo, exemplifica a mesma fonte, o AGLAE pode determinar se uma peça esculpida com vidro veneziano antigo é realmente oriundo da cidade italiana. O acelerador permite ainda analisar as peças sem lhes causar danos, tal como explica a BBC.

De acordo com a emissora britânica, este é o único acelerador de partículas do mundo ao serviço da arte. Em Novembro de 2017 foi alvo de trabalhos de melhoramento que custaram cerca de 2,1 milhões de euros.

Recentemente, uma jornalista norte-americana, Annie Minoff, relatou uma visita ao local, recordando que este tipo de equipamentos pode ser realmente útil para a arte. Através da sua conta de Twitter, Minoff publicou várias fotografias sobre o local, questionando os internautas se sabiam da existência do local.

Little pen-looking things = x-ray detectors
Big silver thing = gamma ray detector

Art gets ZAPPED with the beam and emits x and gamma rays. Those rays tell us what elements are in the art. 8/

Com 10,2 milhões de visitantes em 2018, o museu francês é o mais visitado do mundo. A maioria dos visitantes são estrangeiros, destacando-se os turistas norte-americanos, chineses, italianos, britânicos e brasileiros.

ZAP //

Por ZAP
15 Julho, 2019

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1530: O novo (e ambicioso) acelerador de partículas do CERN terá o dedo de Musk

Animatron-io / Deviant Art

O multimilionário Elon Musk, director executivo da Tesla e da Space X, vai suportar um quinto do custo do novo e ambicioso acelerador de partículas projectado pelo Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN). 

No início do ano, o CERN revelou os seus planos para a construção de um novo acelerador de partículas, que irá suceder ao Grande Colisionador de Hadrões (LHC), celebrizado pela descoberta do Bosão de Higgs em meados de 2013.

De acordo com o projecto divulgado pelo laboratório europeu, o novo acelerador, baptizado de Future Circular Collider (FCC), será quatro vezes maior e dez vezes mais potente do que o pioneiro LHC. O plano do CERN passa por criar uma “poderosa ‘fábrica de Higgs’”, garantindo o futuro do estudo da Física de partículas pós-LHC, que parará em 2040.

As escavações do FCC custarão cerca 5,7 mil milhões de euros, e, segundo noticia a RT, Elon Musk participará, através da Boring Company, com uma quinta parte do custo estimado. Através do Twitter, o multimilionário revelou que a directora do CERN o questionou sobre a possibilidade da sua empresa de escavação de túneis participar nas obras. “Pouparia provavelmente mil milhões de euros”, atirou Musk na mesma rede social.

Em declarações ao The Independent, um porta-voz do CERN adiantou que Musk se reuniu com a directora do CERN, Fabiola Gianotti, dando conta que ambos tiveram uma “breve discussão informal”, na qual discutiram a possibilidade de a The Boring Company assumir a escavação do mega-túnel.

“Tendo em vista projectos para futuros aceleradores maiores, o CERN está de facto aberto a novas tecnologias de custo efectivo que poderiam levar à sua implementação, incluindo os túneis que serão necessários”, adiantou o porta-voz.

“Dito isso, por favor, note que não vamos começar a escavar um túnel tão cedo”, frisou.

A The Boring Company, que Musk já descreveu como uma “espécie de empresa de hobby”, trabalha com projectos de mobilidade subterrânea assente em túneis de baixo custo. No passado Dezembro, apresentou uma fracção de um túnel que está a ser construido para que os carros consigam caminhos alternativos a altas velocidades.

SA, ZAP //

Por SA
29 Janeiro, 2019

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1485: Há vida pós-LHC. CERN planeia acelerador de partículas dez vezes mais potente

FCC Study / CERN
Modelo do interior do futuro FCC

O futuro da Física de Partículas começa a ganhar forma. O CERN (Laboratório Europeu de Física de Partículas) detalhou esta terça-feira os seus planos para o novo acelerador de partículas que irá suceder o Grande Colisionador de Hadrões (LHC), celebrizado pela descoberta do Bosão de Higgs.

De acordo com a instituição, que já em 2014 tinha avançado com um estudo de viabilidade do projecto, o novo acelerador de partículas, baptizado de Future Circular Collider (FCC), será quatro vezes maior e dez vezes mais potente do que o pioneiro LHC.

O documento elaborado pelo CERN apresenta diferentes opções para um grande e circular acelerador, projectado para ter 100 quilómetros de diâmetro – um número impressionante tendo em conta os 27 modestos quilómetros que formam o LHC.

“O relatório do projecto conceptual do FCC é feito notável. [O FCC] tem um imenso potencial para melhorar o nosso conhecimento sobre a Física fundamental e avançar em muitas tecnologias com grande impacto na sociedade” disse a directora-geral do CERN, Fabiola Gianotti, citada numa nota de imprensa

CERN
Layout proposto para o futuro acelerador de partículas

“O grande objectivo é construir um anel acelerador supercondutor de protões de 100 quilómetros [o LHC tem 27 quilómetros] com uma energia até 100 TeV [tera-electrão-volts, unidade de medida de energia], o que implica uma ordem de grandeza acima do LHC”, nota Frédérick Bordry, diretor de Aceleradores e Tecnologia do CERN

O CERN pretende que o sucessor do LHC continue a explorar o Bosão de Higgs, descoberto em 2014 e celebrizado como “Partícula de Deus” entre a comunidade científica. Para a organização europeia, a nova estrutura circular oferecerá “oportunidades únicas” para estudar esta partícula, podendo mesmo vir a ser uma “poderosa ‘fábrica de Higgs‘”, onde será possível detectar novos e raros processos, bem como medir partículas já conhecida com taxas de precisão nunca antes alcançadas.

O FCC custará cerca de 9 mil milhões de euros, incluindo já 5 mil milhões de euros em trabalhos de engenharia civil para perfurar um túnel destas dimensões. Segundo o CERN, este poderoso colisionador de partículas estaria ao serviço da comunidade científica durante 10 a 15 anos, podendo iniciar a sua actividade em 2040, época em que a actividade do LHC chegará ao fim.

Além deste custo, seriam ainda necessários 15 mil milhões de euros adicionais para um supercondutor de protões, que seria depois utilizado neste mesmo túnel e que que poderia começar a operar em finais de 2050.

Um “laboratório do mundo” substituirá o LHC

A nova estrutura circular “mostra à comunidades os princípios e a viabilidade do Colisionador Circular do Futuro pós-LHC”, explicou Michael Benedikt, físico do CERN e líder do novo projecto, em declarações ao Gizmodo. O FCC “mostra que existe um cenário físico coerente e confiável para a implementação de um projecto de maior escala que poderia continuar a alimentar a Física de alta energia”, sustentou o cientista.

O futuro acelerador do CERN, que contou na sua projecção com a colaboração de 1300 especialistas oriundos de 150 universidades, pode ter também um papel importante no estudo da matéria escura, que sabemos existir e em grande abundância no nosso Universo, mas apenas pela sua interacção gravitacional.

FCC Study / CERN
Um dos primeiros protótipos produzidos para o LCC

Não é ainda certo que esta enorme estrutura venha a ser construída, mas os cientistas estão confiantes: “Se o dinheiro puder ser encontrado de forma credível para iniciar o projecto, então estou convencido de que o CERN conseguirá construí-lo com sucesso“, considerou Brian Foster, professor de Física experimental na Universidade de Oxford, em declarações ao jornal britânico The Guardian.

“Idealmente, um projecto do tipo do FCC seria um catalisador para fundar um verdadeiro laboratório mundial, que é o próximo passo obviamente. Afinal, O CERN é claramente – e de forma não oficial o laboratório da Física de partículas do mundo. Mas isto não significa que os países asiáticos ou os Estados Unidos deixaria de ter os seus próprios programas regionais: a maioria dos físicos dos Estados Unidos já está envolvida no LHC”, rematou

A par da intenção do CERN em proliferar o trabalho do Grande Colisonador de Hadrões, só a China anunciou estar a construir um acelerador de partículas maior do que este, localizado na fronteira franco-suiça.

De qualquer das formas, há vida pós-LHC e o recém-planeado LCC tem potencial para nos fazer “esquecer” rapidamente do “pai” da mítica “Partícula de Deus“.

SA, ZAP //

Por SA
17 Janeiro, 2019

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1374: Grande Colisionador de Hadrões em paragem técnica até 2021

CIÊNCIA

Ars Electronica Festival / Flickr
O actual acelerador de partículas com 27km de circunferência

O maior acelerador de partículas do mundo, localizado na fronteira franco-suíça, entrou esta terça-feira numa nova paragem técnica que se prolongará até à primavera de 2021, altura em voltará a colidir protões após trabalhos de beneficiação, foi anunciado.

O Grande Colisionador de Hadrões foi desligado às 06:00 em Genebra (05:00 em Lisboa), com os operadores da sala de controlo do Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN) a darem “por concluído” o segundo período (2015-2018) de funcionamento da máquina, informou em comunicado o Laboratório de Instrumentação e Física Experimental de Partículas (LIP), que representa cientificamente Portugal no CERN.

Durante a paragem técnica do Grande Colisionador de Hadrões (Large Hadron Collider, LHC), os cientistas portugueses “estarão ocupados com a análise da enorme quantidade de dados recolhidos e nos melhoramentos nos detectores de que são responsáveis”, adianta o LIP. Equipas de investigadores portugueses participam em duas experiências envolvendo dois detectores de partículas do acelerador (ATLAS e CMS).

Concluído o upgrade do acelerador, que inclui a instalação de componentes mais potentes, a máquina ficará apta a colidir mais partículas subatómicas, a uma energia ligeiramente superior à actual, esperando os físicos aprofundar o conhecimento das propriedades do bosão de Higgs, partícula elementar celebrizada como a “Partícula de Deus” e descoberta em 2012 em experiências feitas com o acelerador.

Ao mesmo tempo que decorre a nova paragem técnica, continuam as obras de construção civil iniciadas em Junho e que visam melhorar o desempenho do acelerador a partir de 2026, altura em que a máquina começará a produzir ainda mais colisões e mais dados, em modo de alta de luminosidade.

No acelerador, um túnel circular de 27 quilómetros, são geradas colisões de protões (que são hadrões) e iões pesados a altas energias para se compreender melhor a composição do Universo.

A máquina, que fez 10 anos em Setembro, tem uma ‘esperança de vida’ até 2040. Em 2025, decisões terão de ser tomadas quanto à construção de um novo acelerador de partículas, para o qual foram desenhadas duas soluções.

Uma sugere um acelerador circular de 100 quilómetros (mais 73 quilómetros do que o perímetro do LHC) que poderá fazer colisões de protões a uma energia oito vezes mais elevada do que a do LHC e entre electrões e positrões (anti-partículas dos electrões).

O segundo cenário aponta para a construção de um acelerador rectilíneo com o comprimento inicial de 11 quilómetros (podendo chegar no final aos 50 quilómetros) para colidir electrões e positrões.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Dezembro, 2018

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1142: Os aceleradores de partículas não vão destruir o planeta (mas os humanos sim)

kotedre / DeviantArt
Detalhe do LHC, Large Hadron Collider, acelerador de partículas do CERN

Antes de nos preocuparmos com o que os aceleradores de partículas podem fazer com o nosso planeta – se transformá-lo num buraco negro ou numa grande esfera densa – devemo-nos preocupar com o que nós próprios estamos a fazer à Terra, avisa Martin Rees.

Nos últimos dias, os media têm relatado que o último livro do cosmólogo britânico Martin Rees, On the Future: Prospects for Humanity, faz uma afirmação que deixou muitos a pensar: se tudo der errado, os aceleradores de partículas podem ser capazes de transformar a Terra numa grande esfera densa ou num buraco negro.

Mas, na verdade, segundo Rees, o seu livro diz transmite exactamente a ideia contrária: a probabilidade de isso acontecer é muito baixa. A ideia de o Large Hadron Collider formar mini-buracos negros não tem de nos preocupar, afirma.

“Acho que as pessoas se preocupavam muito com essa questão antes de fazerem experiências. Agora as experiências são realizadas pela natureza – ao extremo“, disse Rees.

Raios cósmicos, ou partículas com energias muito mais altas do que aquelas criadas em aceleradores de partículas colidem frequentemente na galáxia, e ainda não fizeram nada de desastroso. “Não é estúpido pensar nesta possibilidade, mas não devem ser preocupações sérias.”

No entanto, “se estivermos a fazer algo contra a natureza, sim, é preciso ter cuidado. Aliás, é nestes casos que a tecnologia pode ser uma verdadeira ameaça para o futuro”.

A edição genética é um exemplo, dado que pode gerar novos produtos orgânicos que não existem na natureza. Estas alterações genéticas que, essencialmente, alteram o código genético para alterar a probabilidade de herdar certos traços, podem levar a efeitos ambientais imprevisíveis.

A tecnologia, no entender do cosmologista, está também a fazer com que seja mais fácil as acções terem consequência de longo alcance. Rees dá como exemplo um ataque cibernético.

A tecnologia faz também coisas incríveis, especialmente no campo da medicina e nas viagens espaciais. “Apesar de as coisas poderem correr muito bem, há sempre muitos perigos ao longo do caminho por causa do uso indevido das tecnologias”, avisa.

Outra grande ameaça para o nosso futuro é a nossa influência humana no clima, no meio ambiente e na biodiversidade. “É importante ter conversas internacionais sobre como combater as pressões que a humanidade colocou no mundo. E, além disso, é muito mais fácil combater as mudanças climáticas do que migrar para um planeta novo”, afirmou.

“É uma ilusão perigosa pensar que podemos escapar dos problemas do mundo indo para Marte”, disse Rees.

Por ZAP
14 Outubro, 2018

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934: Ao fim de seis anos, físicos observam desintegração do bosão de Higgs

Cientistas que trabalham com o maior acelerador de partículas do mundo observaram fenómeno previsto pela teoria mas nunca antes registado

Físicos do CERN fazem nova descoberta associada ao Bosão de Higgs
© REUTERS/Denis Balibouse

O Laboratório Europeu de Física de Partículas (CERN), situado em Genebra, Suíça, anunciou esta terça-feira uma nova descoberta associada ao famoso bosão de Higgs. Ao fim de seis anos, os físicos que trabalham com o maior acelerador de partículas do mundo, o LHC, anunciam tê-lo visto a desintegrar-se. A situação foi anunciada pelo CERN em várias publicações científicas.

De acordo com o relato da revista Science, os físicos acreditam que o bosão de Higgs se desintegra em 57% das vezes, mas sublinham que a sua observação não é fácil. Formado por uma única partícula subatómica, que pesa 130 protões, o Higgs tem uma durabilidade ínfima, de dez trilionésimos de um nano segundo, antes de se desintegrar em partículas menos massivas.

Mas, ao fim de seis anos de pesquisa, os físicos do CERN conseguiram identificar uma desintegração em partículas fundamentais, conhecidas como quarks bottom, ou quarkb, o segundo mais pesado dos seis tipos de quark.

Os quarks são partículas subatómicas que compõem elementos pesados de matéria, como o protão.

Os físicos referem que a observação agora alcançada é importante para a exploração do bosão, considerado fundamental para explicar por que razão algumas partículas têm massa.

Simultaneamente, os resultados mostram que foi alcançado um profundo entendimento entre os dados recolhidos e o controlo dos ruídos de fundo – os dados “lixo” que são captados em todas as medições, criando alguma incerteza nas observações.

Esta observação é considerada já como um passo fundamental na campanha dos cientistas para ver se o bosão se realmente se decompõe nas várias combinações de partículas nas taxas previstas pelo chamado Modelo Padrão – a teoria científica mais completa que temos sobre o funcionamento da natureza a nível quântico. Mas se as taxas de desintegração não corresponderem às previsões teóricas, isso será um sinal claro de que novas partículas ainda precisam ser descobertas. Estas, espera-se, podem estar ao alcance do LHC (Large Hadron Collider).

Diário de Notícias
DN
28 Agosto 2018 — 20:25

(Foi corrigido 1 erro ortográfico ao testo original)

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