2948: Fracking proibido no Reino Unido por poder causar “abalos sísmicos imprevisíveis”

AMBIENTE

Chris Boyer, Kestrel Aerial Services, NPCA / Flickr

Após se terem registado tremores de terra num local de extracção, um estudo confirma que o fracturamento hidráulico para exploração de gás natural pode provocar abalos sísmicos imprevisíveis. O sector britânico de energia tem defendido a adopção da técnica.

O Reino Unido anunciou este sábado a suspensão com de efeito imediato de todas as actividades de fracturamento hidráulico, ou fracking, após um estudo científico ter lançado dúvidas acerca da segurança deste método de extracção.

Segundo a AP, a decisão seguiu-se à publicação de um relatório da Autoridade de Óleo e Gás (OGA) confirmando que a controvertida técnica de extracção de gás natural implica risco elevado de provocar tremores de terra de magnitude imprevisível.

O sector britânico de combustíveis fósseis tem vindo a pressionar as autoridades reguladores britânicas no sentido de autorizarem a aplicação desta técnica na exploração de gás de xisto.

O anúncio foi saudado pelos ambientalistas, que há muito se opõem ao fracking, método que envolve a fractura de rochas subterrâneas com água e substâncias químicas a alta pressão. Além dos sismos, os seus desastrosos efeitos colaterais podem incluir a contaminação de reservas hídricas e do solo.

Em nota, o Departamento de Comércio e Energia do Reino Unido, adiantou que “trabalhos exploratórios para determinar se o xisto poderia ser uma nova fonte de energia no Reino Unido foram suspensos – a menos e até que se forneçam novas provas de que podem ser realizados em segurança aqui”.

No fim de Agosto foi registado um tremor de 2,9 graus num local de exploração gerido pela empresa de energia britânica Cuadrilla, próximo de Blackpool, no noroeste de Inglaterra. Após investigar o incidente, a OGA decidiu avançar para a proibição da técnica.

“Tendo revisto o relatório da OGA sobre actividade sísmica recente, está claro que não podemos excluir futuros impactos inaceitáveis sobre a comunidade local“, declarou a secretária de Estado britânica para Assuntos Económicos, Energia e Estratégia Industrial, Andrea Leadsom.

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A notícia chega numa altura em que o primeiro-ministro Boris Johnson se prepara para as eleições de 12 de Dezembro, marcadas pelo Brexit, mas em que as questões climáticas também estão presentes. Até agora Johnson tinha apoiado os argumentos da indústria do sector, segundo os quais o fracking seria uma forma de reduzir as importações de gás.

ZAP // Deutsche Welle

Por CC
2 Novembro, 2019