3267: NASA pode ter registado o primeiro abalo sísmico em Marte

CIÊNCIA

Sinais obtidos pela sonda InSight são semelhantes aos que foram registados na superfície lunar pelas missões Apollo

Imagem tirada a 19 de Março pela sonda InSight mostra a cobertura que protege o sismógrafo © NASA/JPL-Caltech

A NASA pode ter registado pela primeira vez o “tremor de Marte” – ou seja, um terramoto no planeta vermelho. Numa nota emitida esta terça-feira a agência espacial norte-americana aponta como “provável” que o registo detectado por um sismógrafo se deva a movimentos internos e não à acção de elementos exteriores, à superfície, como o vento. Os cientistas estão agora a examinar os dados para apurar uma explicação definitiva. E divulgaram entretanto um áudio com o som do sismo marciano.

O sinal foi registado a 6 de Abril, o 128º dia marciano, por um sismógrafo transportado pela sonda InSight da NASA, que instalou aquele instrumento na superfície do planeta através de um braço robótico, a 19 de Dezembro de 2018. De acordo com a nota da agência, a comparação dos sinais obtidos agora em Marte com os resultados das missões Apollo na superfície lunar apontam para a possibilidade de se tratar efectivamente de um abalo sísmico. “O tamanho e a duração correspondem ao padrão dos abalos sísmicos na Lua detectados durante as missões Apollo”, afirma Lori Glaze, director da divisão de Ciência Planetária da NASA.

“Temos vindo a recolher os ruídos e este novo passo lança oficialmente um novo campo: a sismologia de Marte”, diz, por sua vez, Bruce Banerdt, investigador principal da missão.

Para já, os dados detectados ainda são insuficientes para fornecer mais indicações sobre o interior de Marte, o grande objectivo da InSight, que procura informação que ajude a perceber a formação e evolução dos planetas rochosos do Sistema Solar.

A própria NASA explica que a superfície marciana é extremamente calma, em contraste com a da Terra, que regista vibrações constantes, resultado do barulho provocado pelos oceanos e pelos elementos climáticos. Um registo como aquele que foi obtido em Marte passaria despercebido num sismógrafo “terrestre”. Mas não no planeta vermelho. “Esperámos meses por um sinal como este”, diz Philippe Lognonné, geofísico do Institut de Physique du Globe de Paris (IPGP) e investigador principal da missão, que tem uma componente francesa – o sismógrafo que está em Marte foi desenvolvido pelo Centro Nacional de Estudos Espaciais francês. “É muito estimulante ter finalmente provas de que Marte é sismicamente activo”, acrescentou o cientista.

Ao contrário da Terra, Marte (tal como a Lua) não tem placas tectónicas. Mas um contínuo processo de arrefecimento e contracção acaba por ter o mesmo efeito nas camadas interiores do planeta, levando a uma libertação de energia que provoca então os abalos sísmicos.

Diário de Notícias
DN
24 Abril 2019 — 12:28

 

spacenews

 

2948: Fracking proibido no Reino Unido por poder causar “abalos sísmicos imprevisíveis”

AMBIENTE

Chris Boyer, Kestrel Aerial Services, NPCA / Flickr

Após se terem registado tremores de terra num local de extracção, um estudo confirma que o fracturamento hidráulico para exploração de gás natural pode provocar abalos sísmicos imprevisíveis. O sector britânico de energia tem defendido a adopção da técnica.

O Reino Unido anunciou este sábado a suspensão com de efeito imediato de todas as actividades de fracturamento hidráulico, ou fracking, após um estudo científico ter lançado dúvidas acerca da segurança deste método de extracção.

Segundo a AP, a decisão seguiu-se à publicação de um relatório da Autoridade de Óleo e Gás (OGA) confirmando que a controvertida técnica de extracção de gás natural implica risco elevado de provocar tremores de terra de magnitude imprevisível.

O sector britânico de combustíveis fósseis tem vindo a pressionar as autoridades reguladores britânicas no sentido de autorizarem a aplicação desta técnica na exploração de gás de xisto.

O anúncio foi saudado pelos ambientalistas, que há muito se opõem ao fracking, método que envolve a fractura de rochas subterrâneas com água e substâncias químicas a alta pressão. Além dos sismos, os seus desastrosos efeitos colaterais podem incluir a contaminação de reservas hídricas e do solo.

Em nota, o Departamento de Comércio e Energia do Reino Unido, adiantou que “trabalhos exploratórios para determinar se o xisto poderia ser uma nova fonte de energia no Reino Unido foram suspensos – a menos e até que se forneçam novas provas de que podem ser realizados em segurança aqui”.

No fim de Agosto foi registado um tremor de 2,9 graus num local de exploração gerido pela empresa de energia britânica Cuadrilla, próximo de Blackpool, no noroeste de Inglaterra. Após investigar o incidente, a OGA decidiu avançar para a proibição da técnica.

“Tendo revisto o relatório da OGA sobre actividade sísmica recente, está claro que não podemos excluir futuros impactos inaceitáveis sobre a comunidade local“, declarou a secretária de Estado britânica para Assuntos Económicos, Energia e Estratégia Industrial, Andrea Leadsom.

Fracking poderá ter causado terramoto na Coreia do Sul em 2017

O terramoto que o ano passado abalou a cidade industrial de Pohang, na Coreia do Sul, poderá ter sido causado…

A notícia chega numa altura em que o primeiro-ministro Boris Johnson se prepara para as eleições de 12 de Dezembro, marcadas pelo Brexit, mas em que as questões climáticas também estão presentes. Até agora Johnson tinha apoiado os argumentos da indústria do sector, segundo os quais o fracking seria uma forma de reduzir as importações de gás.

ZAP // Deutsche Welle

Por CC
2 Novembro, 2019