3808: Satélite do tamanho de uma mala é o mais pequeno caçador de planetas (e detectou um “exoplaneta diamante”)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(cv) Hubble / ESA
Conceito artístico do planeta 55 Cancri e

Um satélite com aproximadamente o tamanho de uma mala fez algo anteriormente considerado reservado a telescópios espaciais gigantes, detectando um exoplaneta escaldante a cerca de 40 anos-luz de distância.

Detectar este exoplaneta fez do satélite ASTERIA, que mede apenas 10 por 20 por 30 centímetros e pesa 10 quilogramas, o mais pequeno satélite caçador de planetas da História.

Depois de ser colocado em órbita por astronautas na Estação Espacial Internacional (EEI) no final de 2017, o ASTERIA passou 18 meses na baixa órbita terrestre e só em Abril de 2020 queimou na atmosfera da Terra. Os cientistas perderam contacto com ele em Dezembro de 2019.

No entanto, antes do seu desaparecimento, o satélite conseguiu detectar 55 Cancri E, um planeta com o dobro do tamanho da Terra e que se pensa que tenha um interior feito de diamante.

“Perseguimos um alvo difícil com um pequeno telescópio que nem era optimizado para fazer detecções científicas – e conseguimos”, disse Mary Knapp, cientista do projecto ASTERIA no Haystack Observatory do MIT e principal autora do estudo, em comunicado. “Acho que este artigo valida o conceito que motivou a missão ASTERIA: que pequenas naves espaciais podem contribuir com algo para a astrofísica e a astronomia”.

O satélite colocou a sua lente no alvo e procurou na estrela hospedeira mergulhos no brilho que pudessem indicar um planeta que passava. Uma nave estável é crucial para essas observações, pois uma oscilação do próprio instrumento pode registar falsamente uma queda nos dados. Nesse caso, o controlo do ASTERIA foi suficientemente bom para permitir uma detecção marginal do planeta.

“Detectar este exoplaneta é empolgante, porque mostra como as novas tecnologias se unem numa aplicação real”, disse Vanessa Bailey, investigadora principal da equipa científica de exoplanetas da ASTERIA no Laboratório de Propulsão a Jacto (JPL) da NASA. “O facto de o ASTERIA ter durado mais de 20 meses além da sua missão principal, dando-nos um tempo extra valioso para fazer ciência, destaca a grande engenharia que foi realizada no JPL e no MIT.”

O exoplaneta 55 Cancri E tem provavelmente uma atmosfera (e fluxos de lava à superfície)

Com o dobro do tamanho da Terra, pensa-se que a super-terra 55 Cancri E tenha fluxos de lava à superfície….

Estes pequenos satélites poderiam desempenhar um papel importante de apoio para ajudar a monitorizar estrelas durante períodos mais longos e observar trânsitos subsequentes do planeta.

“Esta missão tem sido sobre aprendizagem”, disse Akshata Krishnamurthy, co-investigador e co-líder de análise de dados científicos do ASTERIA. “Descobrimos tantas coisas que futuros pequenos satélites poderão fazer melhor porque demonstramos primeiro a tecnologia e os recursos. Acho que abrimos portas”.

As conclusões do estudo vão ser publicadas em Junho na revista científica The Astronomical Journal.

ZAP //

Por ZAP
8 Junho, 2020

 

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134: LAVA OU NÃO, O EXOPLANETA 55 CANCRI E TEM PROVAVELMENTE UMA ATMOSFERA

 

Impressão de artista da super-terra 55 Cancri e e da sua estrela hospedeira. O exoplaneta tem provavelmente uma atmosfera mais espessa que a da Terra mas com ingredientes parecidos.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Com o dobro do tamanho da Terra, pensa-se que a super-terra 55 Cancri e tenha fluxos de lava à superfície. O planeta está tão perto da sua estrela, que o mesmo lado está sempre orientado para a estrela, de modo que tem um lado permanentemente diurno e um lado permanentemente nocturno. Com base num estudo de 2016 usando dados do Telescópio Espacial Spitzer da NASA, os cientistas especularam que a lava flui livremente em lagos no lado iluminado e torna-se dura na face em escuridão perpétua. A lava na face diurna reflectiria a radiação da estrela, contribuindo para a temperatura geral observada do planeta.

Agora, uma análise mais profunda dos mesmos dados do Spitzer descobriu que este planeta provavelmente tem uma atmosfera cujos ingredientes podem ser semelhantes aos da atmosfera da Terra, mas mais espessa. De acordo com os cientistas, os lagos de lava directamente expostos ao espaço sem uma atmosfera criariam pontos quentes de altas temperaturas, portanto não são a melhor explicação para as observações do Spitzer.

“Se houver lava neste planeta, precisará de cobrir toda a superfície,” explica Renyu Hu, astrónomos do JPL da NASA em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, co-autor do estudo publicado na revista The Astronomical Journal. “Mas a lava ficaria escondida da nossa vista pela atmosfera espessa.”

Usando um modelo melhorado de como a energia podia fluir em todo o planeta e irradiar de volta para o espaço, os investigadores acham que o lado nocturno do planeta não é tão frio como se pensava anteriormente. O lado “frio” é ainda bastante quente segundo padrões terrestres, com uma média que ronda os 1300-1400 graus Celsius, e o lado quente tem em média 2300º C. A diferença entre os lados quente e frio precisaria ser mais extrema caso não houvesse atmosfera.

“Os cientistas têm debatido se este planeta tem uma atmosfera como a da Terra e Vénus, ou apenas um núcleo rochoso sem atmosfera, como Mercúrio. O caso para uma atmosfera agora é mais forte do que nunca,” comenta Hu.

Os investigadores dizem que a atmosfera deste misterioso planeta pode conter azoto, água e até oxigénio – moléculas também encontradas na nossa atmosfera – mas com temperaturas muito mais elevadas. A densidade do planeta é também semelhante à da Terra, sugerindo que é igualmente rochoso. No entanto, o calor intenso da estrela-mãe será demasiado para suportar vida e não consegue manter a água no estado líquido.

Hu desenvolveu um método para estudar as atmosferas e superfícies dos exoplanetas, e anteriormente apenas o tinha aplicado aos planetas borbulhantes e gigantes chamados Júpiteres quentes. Isabel Angelo, autora principal do estudo, da Universidade da Califórnia, Berkeley, trabalhou no estudo como parte do seu estágio no JPL e adaptou o modelo de Hu a 55 Cancri e.

Num seminário, ouviu falar de 55 Cancri e como um planeta potencialmente rico em carbono, com temperaturas e pressões tão altas que o seu interior podia conter um diamante gigante.

“É um exoplaneta cuja natureza é bastante contestada, o que achava excitante,” comenta Angelo.

O Spitzer observou 55 Cancri e entre 15 e Junho e 15 de Julho de 2013, usando uma câmara especialmente construída para observar radiação infravermelha, que é invisível aos olhos humanos. A radiação infravermelha é um indicador de energia térmica. Ao comparar as mudanças no brilho observado pelo Spitzer com os modelos de fluxo energético, os cientistas perceberam que uma atmosfera com materiais voláteis podia melhor explicar as temperaturas.

Existem muitas perguntas em aberto sobre 55 Cancri e, especialmente: porque é que a atmosfera não foi removida do planeta, tendo em conta o perigoso ambiente de radiação da estrela?

“A compreensão deste planeta ajudar-nos-á a resolver questões maiores sobre a evolução dos planetas rochosos,” conclui Hu.

Astronomia online
21 de Novembro de 2017

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