820: Marte está (ainda) hoje apenas a 57,6 milhões de quilómetros da Terra

Amanhã, Marte começa a afastar-se do planeta Terra e só daqui a dois anos se aproximará de novo tanto como aconteceu hoje. Mas há 15 anos que nunca tinha estado tão perto e tão visível no céu.

Uma imagem da NASA de Marte no dia 26 © NASA

Ainda vai a tempo de ver Marte como desde 2003 não se observava desde a Terra: está o mais próximo possível do nosso planeta e será mais do que aquele pontinho alaranjado no espaço. Aviso, amanhã começará a afastar-se e só daqui a dois anos se aproximará de novo e o máximo que a sua órbita permite.

Com a sua cor alaranjada, o facto de estar muito perto dos seres humanos não evita que a distância entre os dois planetas seja da ordem dos 57,6 milhões de quilómetros, nada que impeça a observação por qualquer um dos muitos que acha que esse planeta pode ser num futuro próximo um destino para a Humanidade. Basta olhar para o céu e Marte destaca-se, tal como Júpiter.

Se quer ver Marte, espere pelo pôr-do-Sol e a bola laranja surge em toda a força e de uma forma impossível de se confundir com Vénus ou Júpiter. Uma situação que se deve ao facto do movimento de translação do planeta em redor do Sol, uma órbita que leva 26 meses em vez dos 365 dias e 6 horas da Terra.

A melhor visão de Marte teria sido esta manhã às 8.48, mas como estava fora do horizonte a segunda melhor opção será mesmo a partir das 20.55, a hora em que surgirá como uma bola alaranjada – há que diga que é uma bola avermelhada – e só desaparecerá amanhã, pelas 6.01.

Marte tem rivalizado nos últimos dias com a Lua, que teve um eclipse raro há cinco dias, tendo estado no dia 27 alinhado numa linha recta com o Sol e a Terra. Um alinhamento que o Observatório Astronómico de Lisboa explica que ocorre a cada 778 dias (dois anos, um mês e 18 dias) porque a Terra viaja mais rápido em redor do Sol, de que está mais perto, enquanto Marte está mais distante e leva 687 dias para fazer o mesmo percurso. Uma órbita que no caso da Terra e de Vénus é um círculo quase perfeito, mas que em Marte e Mercúrio se transforma em órbitas elípticas.

Uma curiosidade: menor que a Terra, Marte não é tão luminoso, mas como se aproxima muito do nosso planeta, reflecte o seu brilho e ganha essa aparência.

O que ainda há para ver este ano?

11 de Agosto: eclipse parcial do Sol. O melhor local para se observar é na Rússia e na China, mas também é visível em zonas altas da América do Norte, da Europa, da Gronelândia, da Islândia e da Ásia.

12 e 13 de Agosto: chuva de meteoros Perseidas. É uma das mais grandiosas chuvas de meteoros anuais. Visível no hemisfério norte.

12 de Dezembro: encontro de cometas. Há mais de cinco anos que nenhum cometa é capaz de igualar o brilho que o cometa 46P/ Wirtanen exibirá no hemisfério norte nesta data, provavelmente possível ver-se a olho nu. O cometa vai passar perto da Terra, apenas a 11,6 milhões de quilómetros antes de voltar para a sua viagem para fora do sistema solar.

Diário de Notícias
João Céu e Silva
31 Julho 2018 — 12:35

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