3220: 2I/Borisov aproxima-se da Terra a mais de 170.000 km/hora

CIÊNCIA

NASA/ESA/J. DePasquale/STScI

2I/Borisov, o primeiro cometa interestelar já confirmado no Sistema Solar, continua a sua viagem e aproxima-se da Terra a 177.000 quilómetros por hora, segundo novos dados do Telescópio Espacial Hubble. 2I/Borisov

No próximo dia 28 de Dezembro, o cometa, que foi descoberto no fim de Agosto pelo astrónomo amador russo Guennadi Borísov, passará na sua distância mínima ao nosso planeta, a cerca de 289,8 milhões de quilómetros, avança a SciNews.

Depois, continuará o seu caminho rumo ao outro lado do nosso sistema planetário.

A velocidade do 2I/Borisov aumentou após passar o perélio – o ponto da sua trajectória mais próximo do Sol, atingindo os 177.000 quilómetros por hora. Este é o cometa mais rápido já observado. Por norma, estes corpos viajam a metade desta velocidade.

De acordo com os cientistas, a sua velocidade, bem como a sua trajectória incomum, indicam sem dúvidas que se trata de um corpo que veio de fora do Sistema Solar.

Além disso, o 2I/Borisov tem ainda uma peculiaridade que o diferencia de outros objectos semelhantes: a sua trajectória aproxima-se mais de uma linha recta do que de uma eclipse, o que o distingue claramente dos corpos do nosso Sistema Solar.

Os cientistas não sabem ainda de que sistema estelar é oriundo o 2I/Borisov, apesar de terem conseguido definir com bastante precisão a sua trajectória.

Pouco depois da sua descoberta, uma equipa de astrónomos da Polónia apontou o sistema binário Kruger 60, na constelação de Cepheus, como local de formação deste corpo. Contudo, uma verificação posterior levada a cabo pelos mesmos autores refutou a teoria.

Alguns cientistas acreditam que o 2I/Borisov vai “morrer” ainda antes de chegar à Terra, defendendo que o cometa se vai desintegrar ao aproximar-se do Sol.

O cometa interestelar pode ser “assassinado” antes de chegar à Terra

Um visitante interestelar, que está a atravessar o nosso Sistema Solar, pode estar próximo de “morrer”, uma vez que provavelmente…

ZAP //

Por ZAP
18 Dezembro, 2019

 

spacenews

 

2937: Há água no cometa interestelar que entrou no Sistema Solar

CIÊNCIA

NASA/ESA/J. DePasquale/STScI

Dois meses depois da observação do primeiro cometa interestelar no Sistema Solar, os astrónomos continuam a descobrir mais mistérios do 2l/Borisov.

As últimas observações revelaram a primeira detecção de água neste objecto. No artigo disponível no ArXiv, investigadores norte-americanos recolheram imagens de alta qualidade do cometa e conseguiram detectar emissões de oxigénio – um sinal clássico da presença de água – nas ejecções de gás do objecto.

Para já, o único elemento confirmado que foi detectado no Borisov é cianeto. O rácio entre a quantidade de cianeto e a libertação da água é entre três e nove partes por mil. Esse intervalo varia da média de um cometa típico e de um ligeiramente mais activo.

O cometa está a ser constantemente monitorizado em muitos observatórios, para que estes valores sejam refinados nas próximas semanas.

Mesmo que Borisov seja um cometa mais activo em comparação com a média do Sistema Solar, ainda está alinhado com as evidências que sugerem que, apesar de não ser originário do Sistema Solar, não é tão diferente de outros corpos gelados que estudamos até agora. Isto tem consequências importantes, de acordo com o IFLScience, uma vez que sugere que o mecanismo de formação de cometas deverá ser bastante semelhante nos diferentes sistemas estelares.

Recentemente, o astrónomo amador Guennadi Borísov, residente na Crimeia, detectou o cometa em 30 de Agosto usando um telescópio de 0,65 metros de diâmetro fabricado por ele próprio. Este cometa é o segundo objeto interestelar descoberto na história.

Estudos recentes revelaram que o Borisov vem de um sistema binário de estrelas anãs vermelhas localizado a 13,15 anos-luz de distância do Sol. O sistema, onde ainda não foram encontrados exoplanetas, é conhecido como Kruger 60 e localiza-se na constelação de Cepheus.

Espera-se que o 2I/Borisov se aproxime do nosso planeta em 10 de Dezembro, a uma distância de cerca de 1,8 unidades astronómicas. O cometa permanecerá dentro do Sistema Solar durante cerca de seis meses. De acordo com uma simulação da trajectória esperada do cometa, o objecto celeste passaria entre as órbitas de Júpiter e Marte.

O primeiro objecto interestelar detectado, o Oumuamua ou “Mensageiro das Estrelas”, está rodeado de mistérios desde o dia em que foi descoberto por astrónomos da Universidade do Hawai, em Outubro de 2017.

Depois de constatar mudanças na velocidade do seu movimento, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian sugeriu que o asteróide poderia ser uma “sonda” enviada à Terra intencionalmente por uma “civilização alienígena”.

No último ano, o mundo da astronomia debruçou-se no estudo do corpo celeste e as mais várias teorias já foram apresentadas em artigos científicos: desde o seu passado violento, passando pela possibilidade de ser um sistema binário, e até o provável local de onde veio o Oumuamua.

Investigadores também sugeriram que milhares de objetos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar.

O Oumuamua parece ter vindo da direcção da estrela brilhante Vega, mas, de acordo com o Laboratório de Propulsão a Jacto da NASA, os cientistas não acreditam que esse é o local de onde o objecto veio originalmente, sugerindo que provavelmente veio de um recém-formado sistema estelar.

ZAP //

Por ZAP
31 Outubro, 2019