3144: Sonda espacial revela dados da atmosfera do Sol. Nunca se tinha chegado lá

CIÊNCIA

NASA divulgou os primeiros resultados da viagem da sonda Parker, a primeira a entrar na atmosfera solar por onde irá passar mais vezes nos próximos seis anos.

Sonda Parker estará no espaço mais seis anos
© NASA

Nunca uma sonda espacial tinha chegado tão perto da atmosfera solar como fez a Parker, uma sonda da NASA que procura recolher dados sobre o Sol. Lançada em Agosto de 2018, a sonda tem uma viagem prevista de sete anos e os investigadores que tratam os dados recolhidos revelaram esta quarta-feira os primeiros resultados obtidos pela Parker.

A primeira amostra de dados oferece pistas sobre mistérios de longa data, incluindo o motivo que leva a atmosfera do sol, conhecida como coroa, a ser centenas de vezes mais quente do que a sua superfície, bem como as origens exactas do vento solar.

“O obtivemos até agora é espectacular”, disse o professor Stuart Bale, físico da Universidade da Califórnia, em Berkeley, que liderou a análise. “Podemos ver a estrutura magnética da coroa, que nos diz que o vento solar emerge de pequenos orifícios. Vemos também actividade impulsiva, jactos que acreditamos estarem relacionados com a origem do vento solar.”

Nos próximos seis anos, a sonda do tamanho de um carro seguirá uma órbita cada vez mais próxima do Sol e chegará a estar tão perto que tecnicamente “tocará” o sol. A Parker consegue resistir, através de um escudo térmico, a temperaturas até 1400 graus e, na sua missão de sete anos, conta atravessar a atmosfera solar 24 vezes, a uma distância de 6,2 milhões de quilómetros da superfície do Sol.

Até agora, os cientistas observavam que o vento do sol parecia ter dois elementos principais: um “rápido” que percorre cerca de 700 km por segundo (e provém de buracos gigantes na região polar do sol) e um vento “lento”, que percorre menos de 500 km por segundo, cuja origem era desconhecida. A sonda Parker analisou o vento “lento” em volta de pequenos orifícios coronais espalhados pelo equador solar – estruturas solares que não tinham sido observadas anteriormente.

As observações também apontam para uma explicação sobre a razão de a coroa ser incrivelmente quente. “A coroa atinge um milhão de graus, mas a superfície do sol é de apenas milhares”, disse o professor Tim Horbury , co-investigador do Parker Solar Probe Fields no Imperial College de Londres. “É como se a temperatura da superfície da Terra fosse a mesma, mas a atmosfera atingisse muitos milhares de graus”, disse, citado pelo The Guardian. As recolhas da sonda Parker revelaram que as partículas do vento solar parecem ser libertadas em jactos explosivos, em vez de serem irradiadas em fluxo constante. “É bang, bang, bang”, resumiu Tim Horbury.

A sonda deve o nome a Eugene Parker que em 1958 foi o primeiro a descobrir a existência do vento solar. Na altura, os colegas cientistas desprezaram a sua teoria de que o vento solar podia forçar o plasma e outras partículas do Sol, lançando-as para a atmosfera e afectando a Terra. Mas as missões espaciais vieram dar-lhe razão. E passados 60 anos, a NASA enviou até ao Sol a sonda com o seu nome.

Diário de Notícias

DN
04 Dezembro 2019 — 22:29

spacenews

 

3143: Os glaciares da Nova Zelândia estão a mudar de cor

CIÊNCIA

(dr) Liz Carlson / Young Adventuress

À medida que o Hemisfério Sul entra no verão, acontece uma temporada catastrófica de incêndios florestais na costa leste da Austrália. Há casas destruídas, coalas a morrer e um fumo espesso que cobre o estado de Nova Gales do Sul.

Há mesmo quem ache que os efeitos dos extensos incêndios australianos possam estar a atravessar o oceano, alcançando os glaciares da Nova Zelândia, alterando-lhes a sua coloração.

A escritora e fotógrafa de viagens Liz Carlson tirou fotografias durante um passeio de helicóptero no Parque Nacional Mount Aspiring, na Ilha Sul da Nova Zelândia, mostrando as mudanças que estão a ocorrer naquela região.

“É bastante notável ver o impacto dos incêndios de tão longe”, escreveu Liz Carlson no seu blog Young Adventuress. “Os nossos glaciares não precisam de mais batalhas, pois já estão realmente em perigo. Isto coloca o impacto das mudanças climáticas numa realidade ainda mais severa que não podemos ignorar“.

Actualmente, não se sabe exactamente o que está a causar a coloração vermelha. Em declarações ao site de notícias local Stuff, o principal cientista e meteorologista da NIWA, Chris Brandolino, especula que poderia ser fuligem ou um material de carbono da madeira queimada.

Por outro lado, também pode ser pó vermelho vindo da Austrália, um fenómeno que, segundo o ScienceAlert, já foi observado no passado. A camada superficial do solo australiano é rica em óxidos de ferro, o que lhe confere um tom característico de vermelho.

Entre os incêndios florestais, a Austrália também já sofreu algumas tempestades de pó no mês passado, em Mildura, Victoria. A tempestade deixou o céu com um tom dramático, enquanto a temperatura subia para 40ºC.

Seja qual for a razão, Brandolino explicou que é necessário ter a combinação perfeita de factores para atravessar o Mar da Tasmânia. “É preciso ter fumo ou pó no ar, para começar, e a direcção certa do vento”, disse.

As fotografias de Carlson mostram quão conectados estão os ecossistemas do planeta. A poluição pode atingir as áreas mais remotas e os eventos climáticos naturais podem chegar a extremos, à medida que o clima da Terra muda rapidamente em escala global.

ZAP //

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5 Dezembro, 2019

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3142: NASA vai criar um “hotel” para robôs no espaço

CIÊNCIA

NASA’s Marshall Space Flight Center / Flickr

A National Aeronautics and Space Administration (NASA) vai enviar um “hotel de robôs” para a Estação Espacial Internacional, o que poderá acontecer já na próxima missão de reabastecimento, com o lançamento do foguetão Falcon 9 da SpaceX, esta quarta-feira à tarde.

Segundo informou o Tech Crunch, o “hotel-robô” é formalmente conhecido como “Robotic Tool Stowage” (ou RiTS). Trata-se de um espaço de estacionamento para robôs que não estão em uso, protegendo-os de potenciais perigos apresentados no espaço, incluindo a exposição à radiação ou serem atingidos por meteoros ou detritos.

Os primeiros convidados serão dois robôs Robotic External Leak Locators (RELL), responsáveis por encontrar falahas na parte externa da Estação Espacial Internacional.

No passado, estes robôs eram armazenados dentro da estação quando não estavam em uso, mas, como referiu o Tech Crunch, esse “espaço é muito valioso”, ficando assim disponível para guardar outros equipamentos e para ser utilizado pelos astronautas.

Além disso, os robôs precisam ser calibrados antes de serem enviados para realizar o seu trabalho, um processo que leva 12 horas. Como o novo ambiente de armazenamento já será externo, será mais fácil e rápido recuperá-los e configurá-los, indicou o Tech Crunch.

ZAP //

Por ZAP
4 Dezembro, 2019

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3141: Misterioso sinal de rádio pode ser um novo tipo de sistema estelar

CIÊNCIA

Centre de Données astronomiques de Strasbourg / SIMBAD / DECaPS
Estrela TYC 8332-2529-1

Uma equipa de astrónomos detectaram uma emissão de rádio cuja origem é totalmente desconhecida. Os investigadores suspeitam de que o sinal tenha sido emitido por um novo tipo de sistema estelar.

Uma equipa internacional de astrónomos detectou uma emissão de rádio de um objecto localizado a, aproximadamente, 1.800 anos-luz da Terra, nas proximidades da Constelação de Ara. Para esta observação, os cientistas contaram com a ajuda do radiotelescópio MeerKAT, no deserto de Karoo, na África do Sul.

A explosão incomum é proveniente de um sistema estelar binário, ou seja, duas estrelas que orbitam entre elas, dificultando a explicação da emissão de rádio.

Os astrónomos utilizaram dados de mais de 18 anos de observações da estrela fornecidas por outros telescópios, o que contribuiu para determinar uma estrela gigante de massa aproximadamente duas vezes e meia maior do que a do Sol – TYC 8332-2529-1. Além disso, o brilho da estrela muda num período de 21 dias, o que origina as grandes manchas, semelhantes às manchas solares.

A análise também revelou que a estrela possui um campo magnético, que orbita outra estrela a cada 21 dias. Tudo indica que esta segunda estrela pode ser mais fraca do que a grande estrela – com cerca de 1,5 vezes a massa do Sol.

A explosão de rádio também poderia ter sido causada pela actividade magnética da grande estrela, tal como acontece nas explosões solares, que são mais brilhantes e energéticas.

Ainda assim, não é descartada a hipótese de um sistema estelar formado a partir de uma estrela gigante e de uma estrela semelhante ao Sol, onde a actividade magnética cede lugar às explosões, explica a Sputnik News.

“Devido ao facto de as propriedades não se encaixarem facilmente no nosso conhecimento actual das estrelas binárias, este sistema pode representar uma classe completamente nova”, afirmou Ben Stappers, um dos autores do estudo, publicado na Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, sugerindo um novo tipo de sistemas binários.

Durante os próximos quatro anos, a equipa manter-se-á atenta à fonte das emissões e à estrela gigante, de modo a solucionar este mistério.

ZAP //

Por ZAP
5 Dezembro, 2019

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3140: Detectados pela primeira vez indícios de planeta gigante em torno de uma anã branca

CIÊNCIA

Observatório Europeu do Sul

Astrónomos encontraram pela primeira vez vestígios de um planeta gigante em torno de uma estrela anã branca, uma descoberta que poderá dar pistas sobre o futuro do Sistema Solar, anunciou o Observatório Europeu do Sul (OES).

O planeta, do tipo Neptuno e que estará a evaporar-se, revela uma órbita próxima da estrela “WDJ0914+1914”, o remanescente de uma estrela como o Sol. A maioria das estrelas, incluindo o Sol, irá acabar possivelmente como anãs brancas.

“Este sistema único dá-nos pistas de como poderá ser o nosso próprio Sistema Solar num futuro distante”, realça em comunicado o OES, que opera o telescópio VLT, com que foram feitas as observações, a partir do Chile.

Estrelas como o Sol queimam hidrogénio no seu núcleo durante a maior parte do seu ciclo de vida. Quando já não têm mais gás para queimar, crescem e transformam-se em gigantes vermelhas, “engolindo” os planetas que lhe estão mais próximos (no caso do Sistema Solar será Mercúrio, Vénus e Terra, dentro de cerca de cinco mil milhões de anos).

As gigantes vermelhas degeneram no final em anãs brancas (o que resta de uma estrela), que podem acolher planetas.

Contudo, segundo o OES, organização astronómica internacional da qual Portugal faz parte, é a primeira vez que os cientistas detectam indícios de um planeta gigante sobrevivente a orbitar uma estrela deste tipo. O planeta é gelado e é pelo menos duas vezes maior do que a anã branca “WDJ0914+1914”, localizada a cerca de 1.500 anos-luz da Terra, na constelação do Caranguejo.

A estrela, extremamente quente (cinco vezes mais quente do que o Sol), tem um disco de gás em redor, formado por hidrogénio, oxigénio e enxofre em quantidades semelhantes às detectadas “nas camadas atmosféricas profundas de planetas gigantes gelados, como Neptuno e Úrano”.

De acordo com o OES, a “localização invulgar do planeta sugere que, a determinada altura, após a estrela se ter transformado em anã branca, o planeta se deslocou para mais perto desta”. Os astrónomos sugerem que “esta nova órbita poderá ter sido o resultado de interacções gravitacionais com outros planetas no sistema, o que significa que mais do que um planeta pode ter sobrevivido à violenta transição da sua estrela hospedeira”.

Os resultados da investigação foram publicados hoje na revista científica Nature.

ZAP // Lusa

Por Lusa
5 Dezembro, 2019

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3139: Físico constrói calculadora para mostrar o que aconteceria se a Terra colidisse com um buraco negro

CIÊNCIA

(PD/CC0) Comfreak / pixabay

Se o planeta Terra atingisse um buraco negro seria catastrófico em termos de danos? Um nova ferramenta online calcula o nível de destruição.

A Calculadora de Colisão de Buracos Negros determina o nível de expansão de um buraco negro e a quantidade de energia libertada se este absorvesse o nosso planeta – ou outro objecto qualquer, uma vez que esta ferramenta é totalmente personalizável.

Álvaro Díez, um estudante de física de partículas da Polónia, criou esta ferramenta, que está hospedada no projecto Omni Calculator. Com base nos seus cálculos, se um buraco negro engolisse a Terra libertaria 32.204.195.564.497.649.676.480.000.000.000.000 megajoules de energia, cerca de 54 quatriliões o consumo anual de energia de todo o planeta.

Ainda assim, o nosso planeta não afectaria a aparência do cenário ao redor de um buraco negro super-massivo. Sagittarius A*, o buraco negro que mora no coração da Via Láctea, tem cerca 4 milhões de vezes a massa do Sol. Se a Terra fosse engolida por este buraco negro, o horizonte de eventos – o ponto próximo ao buraco negro de onde nada, nem mesmo a luz, consegue escapar – aumentaria em meros 0,00000000007281%.

No entanto, se tivéssemos um encontro inesperado com um buraco negro menor, com “apenas” 20 massas solares, a diferença que causaríamos no horizonte de eventos seria maior – 0,000014562%.

Esta calculadora permite escolher não apenas os efeitos da colisão da Terra com um buraco negro, como também estimar colisões com outros objectos massivos, incluindo estrelas.

A probabilidade de sermos devorados por um buraco negro não deve ser totalmente descartada. Ainda assim, podemos ficar tranquilos em relação a este evento catastrófico durante os próximos milhares de milhões de anos.

A melhor possibilidade de este evento cataclísmico acontecer será quando houver uma colisão entre a Via Láctea e a galáxia de Andrómeda, prevista para daqui a 4 mil milhões de anos.

ZAP // CanalTech

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4 Dezembro, 2019

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3138: Novo sistema obtém energia solar quando o sol não está a brilhar

CIÊNCIA

Um grupo de investigadores da Universidade de Houston apresentou um dispositivo que armazena energia do sol para uso durante a noite. A energia solar é uma alternativa para o futuro, mas os investigadores enfrentam o desafio de superar as suas limitações. Nesse sentido, foram desenvolvidos vários projectos para armazenar energia solar para uso quando o sol não está a brilhar.

O segredo para uma captação 24 horas por dia estará no combinar de várias tecnologias já conhecidas no mercado.

Usar Energia Solar sem que o sol esteja a raiar

Esta não é a primeira vez que se fala num dispositivo que armazena energia solar para uso quando o sol não está a brilhar. Superar as limitações da energia fotovoltaica como a energia limpa do futuro é um dos maiores desafios. Contudo, os investigadores não mostram estar dispostos a poupar tempo nem dinheiro para o fazer.

Por detrás deste dispositivo está um grupo de investigadores da Universidade de Houston. Na base está um dispositivo híbrido que capta a energia solar de forma eficiente. Ao mesmo tempo, este produto armazena essa energia para uso posterior.

O objectivo deste projecto é desenvolver uma nova opção de usar a energia solar ao longo do dia. Isto é, que as horas limitadas de luz, os dias sem sol sejam um impedimento.

Luz do sol 24 horas, sete dias por semana

O trabalho desenvolvido pelos engenheiros da Universidade de Houston combina armazenamento de energia molecular e armazenamento de calor latente para produzir um dispositivo integrado de recolha e armazenamento para possível operação 24 horas por dia, 7 dias por semana.

Assim, os autores do estudo afirmam que uma eficiência de 73% é alcançada em operações de pequena escala e de até 90% quando aplicada em operações de grande escala. Também afirmam que 80% da energia é recuperada à noite.

Parte do sucesso deste novo dispositivo reside na utilização de um material de armazenamento molecular, um composto orgânico que, de acordo com os investigadores, demonstra alta energia específica e excepcional libertação de calor, mantendo-se estável durante longos períodos de armazenamento.

O segredo estará na energia molecular

Os responsáveis do projecto, em declarações ao World Energy Trade, explicaram que esta alta eficiência se deve, em parte, à capacidade do dispositivo de captar todo o espectro da luz solar, com a possibilidade do seu uso imediato e a conversão do excesso em armazenamento de energia molecular.

T. Randall Lee, professor de química, explica que o dispositivo oferece maior eficiência de várias maneiras:

  • a energia solar é armazenada em forma molecular em vez de calor, que se dissipa ao longo do tempo;
  • o sistema integrado também reduz perdas térmicas, uma vez que não é necessário transportar a energia armazenada através de condutas.

Também é importante notar que o dispositivo desenvolvido pela Universidade de Houston permite que a energia armazenada produza energia térmica a uma temperatura mais elevada durante a noite do que durante o dia, o que aumenta a quantidade de energia disponível mesmo quando o sol não brilha.

Criado combustível líquido que pode armazenar a energia do Sol durante 18 anos

O grande problema das energias renováveis é o armazenamento. Qual o interesse em haver muita energia solar ou eólica quando não temos como guardar de forma eficiente e barata? Este é o calcanhar de … Continue a ler Criado combustível líquido que pode armazenar a energia do Sol durante 18 anos

04 Dez 2019

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3137: Bola de fogo vista na Austrália terá sido um mini-lua rara (e a Terra destruiu-a)

CIÊNCIA

forplayday / Canva

Bolas de fogo explodem na atmosfera da Terra a toda a hora. Porém, uma bola de fogo que explodiu sobre o deserto da Austrália em 2016 pode ter sido confundido erradamente com um meteoro qualquer.

Graças às câmaras da Desert Fireball Network, os astrónomos conseguiram verificar que a bola de fogo não era uma rocha espacial comum. Em vez disso, os dados de velocidade revelaram que a rocha provavelmente estava em órbita ao redor da Terra antes de atingir de se incendiar: um fenómeno conhecido como um orbitador capturado temporariamente ou, coloquialmente, uma mini-lua.

Com seis câmaras espalhadas por centenas de quilómetros no deserto australiano, a bola de fogo que apareceu no céu em 22 de Agosto de 2016 foi observada em grande detalhe. Os investigadores, liderados pelo cientista planetário Patrick Shober da Universidade Curtin, na Austrália, determinaram a velocidade do objecto (11 quilómetros por segundo) e a trajectória (quase vertical).

A velocidade lenta indica, de acordo com o estudo publicado em Outubro na revista científica The Astronomical Journal, que o objecto estava a orbitar a Terra e o ângulo exclui detritos de satélite. Com base nos cálculos da equipa, há uma probabilidade de 95% de o objecto ser um orbitador capturado temporariamente.

De acordo com o ScienceAlert, há muitas rochas espaciais que passam pela Terra e algumas penetram mesmo na atmosfera. A maioria acaba num bólide, um meteoro que explode antes de atingir o solo. Porém, por vezes, um desses asteróides é capturado na órbita da Terra durante algum tempo. De acordo com uma simulação de supercomputador publicada em 2012 com 10 milhões de asteróides virtuais, apenas 18 mil foram capturados na órbita da Terra.

Não se sabe exactamente quantos asteróides existem perto da Terra. As estimativas colocam o número na casa dos milhões, mas até 30 de Novembro deste ano, foram descobertos apenas 21.495. Isto ocorre porque são pequenos e difíceis de ver.

Já foram detectadas luas temporárias em torno de outros planetas, como Júpiter, mas, na Terra, as detecções de mini-luas são extremamente raras. Antes do bólide de 2016, foram vistas apenas duas mini-luas da Terra: um asteróide chamado 2006 RH120, que orbitou a Terra durante cerca de um ano, entre 2006 e 2007; e um bólide em Janeiro de 2014, com velocidade baixa que indica origem orbital.

Apesar de serem raras, as mini-luas são de grande interesse para os astrónomos porque são as rochas espaciais mais próximas da Terra. Agora, a equipa de investigadores diz que ainda há muito trabalho a ser feito.

É possível, por exemplo, estudar as rochas que explodiram para tentar descobrir como e porque é que alguns asteróides são capturados na órbita da Terra. Com mais telescópios a entrar em operação, será possível descobrir mais mini-luas, o que ajudará a construir uma imagem mais completa destes corpos celestes.

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4 Dezembro, 2019

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3136: Tsunami mortal causado pelo vulcão Anak Krakatoa era mais alto do que a Estátua da Liberdade

CIÊNCIA

Ben Beiske / Flickr

O vulcão Anak Krakatoa, na Indonésia, formou-se devido a um dos desastres vulcânicos mais mortais da História moderna. No ano passado, esteve perto de desencadear algo semelhante.

Em 2018, quando o Anak Krakatoa entrou em erupção violentamente, o seu interior desabou repentinamente, provocando um tsunami que matou mais de 400 pessoas nas ilhas de Sumatra e Java.

Quando as ondas chegaram a civilização, cerca de uma hora depois do desabamento, o “muro” de água tinha mais de dez metros de altura. No entanto, de acordo com investigadores da Universidade de Brunel, em Londres, e da Universidade de Tóquio afirmam que essa foi apenas uma pequena fracção da sua antiga glória.

Com base nos dados do nível do mar de cinco localidades em torno de Anak Krakatoa, os investigadores criaram uma simulação em computador do tsunami e dos seus movimentos em 12 cenários diferentes. Os resultados indicam que a onda inicial tinha o formato de uma corcunda pura ou de uma elevação.

De acordo com as estimativas, no seu auge, o tsunami tinha entre 100 e 150 metros de altura – ou seja, segundo o ScienceAlert, era maior do que a Estátua da Liberdade, em Nova Iorque. Essa poderosa massa de água produziria energia semelhante a um terremoto de 6,0 ou 6,1 na escala Richter.

Tono Balaguer / Canva
Estátua da Liberdade, em Nova Iorque

Mas, à medida que essas enormes ondas correram o oceano, como ondulações num lago, gradualmente diminuíram devido à gravidade e atrito até que, a cerca de 80 metros de altura, finalmente atingiram a terra.

“Felizmente, ninguém morava naquela ilha”, disse Mohammad Heidarzadeh, engenheiro civil da Universidade de Brunel, em comunicado divulgado pelo Phys. “No entanto, se houvesse uma comunidade costeira perto do vulcão – dentro de cinco quilómetros – a altura do tsunami estaria entre 50 e 70 metros quando atingisse a costa”.

Se isso tivesse acontecido, os resultados teriam sido catastróficos. Em 1883, a erupção de Krakatoa, que ocorreu no mesmo local, provocou um tsunami maciço que matou cerca de 36 mil pessoas. No auge, o tsunami tinha 42 metros de altura e as ilhas atingidas eram muito menos povoadas do que hoje.

Assim, de acordo com o estudo que será publicado em Janeiro na revista científica Ocean Engineering, se o tsunami de Anak Krakatoa viajasse noutra direcção, poderia ter sido um dos piores desastres naturais do nosso tempo. A devastação deste vulcão é um lembrete do que pode acontecer no pior dos casos.

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4 Dezembro, 2019

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3135: Dinossauro conseguia mudar de dentes tão depressa como os tubarões

CIÊNCIA

ABelov2014 / Wikimedia
Representação artística do Majungasaurus

O majungassauro, um dinossauro carnívoro que viveu em Madagáscar há 70 milhões de anos, tinha a capacidade de substituir os seus dentes a cada 56 dias.

Os tubarões são famosos por conseguirem substituir os seus dentes ao longo da vida com bastante facilidade, mas, de acordo com um novo estudo, não estão sozinhos. Segundo o IFLScience, o majungassauro, um dinossauro carnívoro que viveu em Madagáscar há 70 milhões de anos, também conseguia esta proeza.

Uma equipa de cientistas da Universidade Adelphi e da Universidade de Ohio, ambas nos Estados Unidos, examinou as minúsculas linhas de crescimento dos dentes — o equivalente aos anéis de árvores — de um fóssil deste dinossauro. Também analisou as mandíbulas fossilizadas para ter um vislumbre de dentes que não irromperam e que pudessem estar escondidas no osso.

Além disso, os investigadores examinaram as taxas de substituição dentária de dois outros  terópodes — o alossauro e o ceratossauro —, tendo descoberto que estes dinossauros substituíam os seus dentes a cada cem dias ou mais.

Então, porque é que o Majungasaurus precisava de novos dentes com tanta frequência? A equipa acredita que provavelmente se devia a uma alta taxa de desgaste pelo facto de roer os ossos das suas presas.

“Estavam a desgastar os dentes rapidamente, possivelmente porque roíam ossos. Há evidências independentes disto na forma de arranhões e espaçamentos que correspondem ao espaçamento e tamanho dos seus dentes numa variedade de ossos — ossos de animais que teriam sido suas presas”, explica em comunicado Michael D. D’Emic, investigador da Universidade Adelphi e autor principal do estudo agora publicado na PLOS ONE.

Mastigar ossos requer dentes muito fortes, algo que o majungassauro não possuía. Por isso, o dinossauro desenvolveu a capacidade de substituir os dentes a cada 56 dias. Desta forma, o animal conseguia fazê-lo 13 vezes mais depressa do que outros dinossauros carnívoros, afirma D’Emic.

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3 Dezembro, 2019

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3134: Tempestades globais em Marte lançam torres de poeira para o céu

CIÊNCIA

Animações lado a lado de como a tempestade global de poeira de 2018 envolveu o Planeta Vermelho, cortesia da câmara MARCI (Mars Color Imager) a bordo da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA. Esta tempestade global de poeira fez com que o rover Opportunity perdesse contacto com a Terra.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/MSSS

As tempestades de poeira são comuns em Marte. Mas, mais ou menos a cada década, acontece algo imprevisível: ocorrem uma série de tempestades descontroladas, cobrindo todo o planeta numa névoa empoeirada.

No ano passado, uma frota de naves espaciais da NASA teve uma visão detalhada do ciclo de vida da tempestade global de poeira de 2018 que encerrou a missão do rover Opportunity. E enquanto os cientistas ainda estão a analisar os dados, dois artigos científicos publicados recentemente lançam uma nova luz sobre um fenómeno observado dentro da tempestade: torres de poeira, ou nuvens de poeira concentrada que aquecem à luz do Sol e se elevam no ar. Os cientistas pensam que o vapor de água preso a poeira pode estar a elevar-se com ela para o espaço, onde a radiação solar quebra as suas moléculas. Isto pode ajudar a explicar como a água de Marte desapareceu ao longo de milhares de milhões de anos.

As torres de poeira são nuvens massivas, rodopiantes e mais densas que sobem muito mais alto do que a poeira de fundo normal na fina atmosfera marciana. Embora também ocorram em condições normais, as torres parecem formar-se em maior número durante tempestades globais.

Uma torre começa à superfície do planeta como uma área de poeira relativamente elevada com algumas dezenas de quilómetros de largura. Quando uma torre atinge uma altura de 80 quilómetros, como observado na tempestade global de poeira de 2018, pode ter várias centenas de quilómetros de largura. À medida que a torre decai, pode formar uma camada de poeira 56 quilómetros acima da superfície com milhares de quilómetros de comprimento.

As descobertas mais recentes sobre as torres de poeira surgem da sonda MRO (Mars Reconnaissance Orbiter) da NASA, liderada pelo JPL em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia. Embora as tempestades de poeira globais cubram a superfície do planeta, a MRO pode usar o seu instrumento MCS (Mars Climate Sounder) com detecção de calor para espiar através da neblina. O instrumento foi construído especificamente para medir os níveis de poeira. Os seus dados, juntamente com imagens de uma câmara a bordo do orbitador chamada MARCI (Mars Context Imager), permitiram aos cientistas detectar inúmeras torres “inchadas” de poeira.

Como é que Marte perdeu a sua água?

As torres de poeira aparecem durante todo o ano marciano, mas a MRO observou algo diferente durante a tempestade de poeira global de 2018. “Normalmente, a poeira cai num dia ou mais,” disse o autor principal do artigo, Nicholas Heavens da Universidade Hampton, no estado norte-americano da Virgínia. “Mas durante uma tempestade global, as torres de poeira são renovadas continuamente durante semanas.” Em alguns casos foram vistas várias torres durante três semanas e meia.

O ritmo da actividade da poeira surpreendeu Heavens e outros cientistas. Mas especialmente intrigante é a possibilidade de as torres de poeira agirem como “elevadores espaciais” para outros materiais, transportando-os pela atmosfera. Quando a poeira transportada pelo ar aquece, cria correntes de ar que transportam gases, incluindo a pequena quantidade de vapor de água às vezes vista como nuvens finas em Marte.

Um artigo anterior liderado por Heavens mostrou que, durante uma tempestade global de poeira em 2007, as moléculas de água foram lançadas para a atmosfera superior onde a radiação solar pode decompo-las em partículas que escapam para o espaço. Isto pode ser uma pista de como o Planeta Vermelho perdeu os seus lagos e rios ao longo de milhares de milhões de anos, tornando-se no deserto gelado que é hoje.

Os cientistas não sabem dizer com certeza o que provoca as tempestades globais de poeira; estudaram menos de uma dúzia até agora.

“As tempestades globais de poeira são realmente invulgares,” disse o cientista do instrumento MCS, David Kass, no JPL. “Não temos realmente nada parecido com isto na Terra, onde o clima do planeta inteiro muda durante vários meses.”

Com tempo e mais dados, a equipa da MRO espera entender melhor as torres de poeira criadas nas tempestades globais e que papel podem desempenhar na remoção de água da atmosfera do Planeta Vermelho.

Astronomia On-line
3 de Dezembro de 2019

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Buraco negro “alimenta” bebés estelares a um milhão de anos-luz

CIÊNCIA

Esta imagem contém um buraco negro que está a despoletar formação estelar à maior distância alguma vez vista. À medida que o gás gira em torno do buraco negro, emite grandes quantidades de raios-X que o Chandra detecta. O buraco negro é também a fonte de emissão de ondas de rádio de um jacto de partículas altamente energéticas – anteriormente detectadas pelos cientistas com o VLA – que alcança um milhão de anos-luz. Os astrónomos descobriram que este buraco negro e o jacto são responsáveis por aumentar o ritmo de formação estelar em galáxias recém-descobertas.
Crédito: raios-X – NASA/CXC/INAF/R. Gilli et al.; rádio – NRAO/VLA; ótico – NASA/STScI

Os buracos negros são famosos por rasgar objectos astronómicos, incluindo estrelas. Mas agora, os astrónomos descobriram um buraco negro que pode ter provocado os nascimentos de estrelas a uma distância incompreensível e através de várias galáxias.

Se confirmada, esta descoberta, feita com o Observatório de raios-X Chandra da NASA e outros telescópios, representaria o maior alcance já visto para um buraco negro que age como “gatilho” estelar. O buraco negro parece ter melhorado a formação estelar a mais de um milhão de anos-luz de distância.

“Esta é a primeira vez que vimos um único buraco negro aumentar o nascimento estelar em mais de uma galáxia,” disse Roberto Gilli do INAF (Instituto Nacional de Astrofísica) em Bolonha, Itália, autor principal do estudo que descreve a descoberta. “É incrível pensar que o buraco negro de uma galáxia pode ter alguma influência no que acontece noutras galáxias a triliões de quilómetros de distância.”

Um buraco negro é um objecto extremamente denso do qual nenhuma luz pode escapar. A imensa gravidade do buraco negro atrai gás e poeira, mas partículas de uma pequena quantidade desse material também podem ser catapultadas para longe quase à velocidade da luz. Essas partículas em movimento rápido formam dois feixes estreitos ou “jactos” perto dos pólos do buraco negro.

O buraco negro super-massivo que os cientistas observaram no novo estudo está localizado no centro de uma galáxia a cerca de 9,9 mil milhões de anos-luz da Terra. Esta galáxia possui pelo menos sete galáxias vizinhas, de acordo com observações do VLT (Very Large Telescope) do ESO e do LBT (Large Binocular Telescope).

Usando o VLA (Karl Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation), os cientistas já haviam detectado emissões de ondas de rádio de um jacto de partículas altamente energéticas com cerca de um milhão de anos-luz. O jacto pode ser rastreado até ao buraco negro super-massivo, que o Chandra detectou como uma poderosa fonte de raios-X produzidos pelo gás quente que gira em torno do buraco negro. Gilli e colegas também detectaram uma nuvem difusa de emissão de raios-X em torno de uma extremidade do jacto de rádio. Esta emissão de raios-X é provavelmente de uma gigantesca bolha de gás quente aquecida pela interacção das partículas energéticas no jacto de rádio com a matéria circundante.

À medida que a bolha quente se expandia e varria as quatro galáxias vizinhas, pode ter criado uma onda de choque que comprimiu o gás frio nas galáxias, provocando formação estelar. Todas as quatro galáxias estão aproximadamente à mesma distância, cerca de 400.000 anos-luz, do centro da bolha. Os autores estimam que o ritmo de formação estelar é cerca de duas a cinco vezes mais elevado que nas galáxias típicas com massas semelhantes e a distâncias semelhantes da Terra.

“A história do rei Midas fala do seu toque mágico que pode transformar metal em ouro,” disse o co-autor Marco Mignoli, também do INAF em Bolonha, Itália. “Aqui temos um caso de um buraco negro que ajudou a transformar gás em estrelas e o seu alcance é intergaláctico.”

Os astrónomos já viram muitos casos onde um buraco negro afecta os seus arredores através de “feedback negativo” – por outras palavras, restringindo a formação de novas estrelas. Isto pode ocorrer quando os jactos do buraco negro injectam tanta energia no gás quente de uma galáxia, ou enxame de galáxias, que o gás não consegue arrefecer o suficiente para formar um grande número de estrelas.

Nesta recém-descoberta colecção de estrelas, os astrónomos encontraram um exemplo menos comum de “feedback positivo”, em que os efeitos do buraco negro reforçam a formação estelar. Além disso, quando os astrónomos encontraram feedback positivo anteriormente, este ou envolveu aumentos de 30% ou menos no que toca à formação estelar, ou ocorreu a escalas de apenas aproximadamente 20.000 a 50.000 anos-luz numa galáxia companheira próxima. Se o feedback é positivo ou negativo, depende de um delicado equilíbrio entre o ritmo de aquecimento e de arrefecimento de uma nuvem. Isto porque as nuvens que são inicialmente mais frias, quando atingidas por uma onda de choque, são mais propensas a receber feedback positivo, formando assim mais estrelas.

“Os buracos negros têm a reputação bem merecida de serem poderosos e mortíferos, mas nem sempre,” disse o co-autor Alessandro Peca, ex-INAF em Bolonha e agora estudante de doutoramento da Universidade de Miami. “Este é um excelente exemplo de que às vezes desafiam esse estereótipo e podem ao invés estimular a formação estelar.”

Os investigadores usaram um total de seis dias de tempo de observação do Chandra, distribuído ao longo de cinco meses.

“É apenas por causa desta observação muito profunda que vimos a bolha de gás quente produzida pelo buraco negro,” disse o co-autor Colin Norman da Universidade Johns Hopkins em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland. “Ao observar objectos parecidos com este, podemos vir a descobrir que o feedback positivo é muito comum na formação de grupos ou enxames de galáxias.”

O artigo que descreve estes resultados foi publicado na edição mais recente da revista Astronomy and Astrophysics e está disponível online.

Astronomia on-line
3 de Dezembro de 2019

spacenews

 

3132: Telescópio Webb vai desvendar os segredos de galáxias anãs próximas

CIÊNCIA

A galáxia anã do Escultor é uma companheira da Via Láctea. Os astrónomos vão usar o Telescópio Espacial James Webb para estudar os movimentos das suas estrelas e da anã de Dragão, outra companheira da nossa Galáxia. Ao estudarem o movimento das estrelas, os investigadores serão capazes de determinar a distribuição da matéria escura nestas galáxias.
Crédito: ESA/Hubble, Digitized Sky Survey 2

Em dois estudos separados recorrendo ao futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA, uma equipa de astrónomos irá observar companheiras anãs da Via Láctea e da vizinha Galáxia de Andrómeda. O estudo destas pequenas companheiras ajudará os cientistas a aprender mais sobre a formação das galáxias e sobre as propriedades da matéria escura, uma substância misteriosa que, segundo se pensa, é responsável por aproximadamente 85% da matéria no Universo.

No primeiro estudo, a equipa obterá conhecimento da matéria escura medindo os movimentos das estrelas em duas companheiras anãs da Via Láctea. No segundo estudo, vão examinar os movimentos de quatro galáxias anãs em redor da nossa grande vizinha galáctica mais próxima, a Galáxia de Andrómeda. Isto ajudará a determinar se algumas das galáxias satélites de Andrómeda orbitam dentro de um plano, como os planetas em torno do Sol. Se o fizerem, isso terá importantes implicações para a compreensão da formação das galáxias. O investigador principal dos dois programas é Roeland van der Marel do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano da Maryland.

Observando movimentos estelares em companheiras anãs da Via Láctea

As galáxias mais próximas da nossa Via Láctea são as suas galáxias anãs companheiras, muito mais pequenas que a Via Láctea. Van der Marel e a sua equipa planeiam estudar os movimentos das estrelas em duas destas galáxias anãs, Dragão e Escultor. As órbitas das estrelas são governadas pela gravidade resultante da matéria escura em cada galáxia. Ao estudar como as estrelas se movem, os investigadores serão capazes de determinar como a matéria escura é distribuída nessas galáxias.

“O modo como as estruturas no Universo se formam depende das propriedades da matéria escura, que compreende a maior parte da massa do Universo,” explicou van der Marel. “Nós sabemos que a matéria escura existe, mas não sabemos o que realmente compõe essa matéria escura. Nós apenas sabemos que existe algo no Universo que tem gravidade e que puxa objectos, mas não sabemos realmente o que é.”

A equipa estudará a distribuição da matéria escura nos centros das galáxias anãs para determinar as propriedades de temperatura deste misterioso fenómeno. Se a matéria escura for “fria”, a sua densidade será muito alta perto dos centros das galáxias. Se a matéria escura for “amena”, será mais homogénea por toda a área perto dos centros galácticos.

Ao mesmo tempo que o instrumento NIRCam (Near Infrared Camera) do Webb estiver a estudar os centros das galáxias anãs de Dragão e Escultor, outro instrumento, o NIRISS (Near Infrared Imager and Slitless Spectrograph) estará a investigar os arredores das galáxias anãs. “Estas observações simultâneas fornecerão algumas dicas sobre como as estrelas se movem de maneira diferente perto do centro e na periferia das galáxias anãs,” disse o co-investigador Tony Sohn do STScI. “Também permitirão duas medições independentes da mesma galáxia, para verificar se existem efeitos sistemáticos ou instrumentais.”

Dado que o Webb possui aproximadamente seis vezes a área de recolha de luz do Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA, a equipa pode medir os movimentos de estrelas muito mais fracas do que o Hubble consegue observar. Quantas mais estrelas individuais incluídas num estudo, mais precisamente a equipa pode modelar a matéria escura que influencia os seus movimentos.

Estudando o movimento das galáxias anãs companheiras de Andrómeda

A grande galáxia mais próxima da nossa Via Láctea, Andrómeda, tem várias companheiras anãs, assim como a nossa Galáxia. Van der Marel e a sua equipa planeiam estudar como quatro destas galáxias anãs se movem em torno de Andrómeda, para determinar se estão agrupadas num plano no espaço ou se se movem em torno de Andrómeda em todas as direcções.

Ao contrário do primeiro programa de observações, a equipa não está a tentar medir como as estrelas dentro das galáxias anãs se movem. Neste estudo, vão tentar determinar como as galáxias anãs como um todo se movem em redor da Galáxia de Andrómeda. Isto fornecerá mais informações sobre o processo pelo qual as grandes galáxias se formam por acreção e pelo acumular de galáxias mais pequenas e como exactamente isso funciona.

Na maioria dos modelos, não é de esperar que as galáxias anãs que rodeiam as galáxias maiores estejam num plano. Normalmente, os cientistas esperam que as galáxias anãs orbitem em redor das galáxias maiores de maneira aleatória. Lentamente, estas companheiras anãs perdem energia e podem ser acretadas para a galáxia maior, que crescem ainda mais.

No entanto, tanto para a Via Láctea como para Andrómeda, vários estudos sugeriram que pelo menos uma fracção das galáxias anãs encontram-se num plano e podem até estar a girar nesse plano. Uma das maneiras de determinar se isto é verdade é medir os seus movimentos tridimensionais. Se os movimentos estiverem realmente num plano, isto sugere que as galáxias anãs permanecerão no plano. Mas se as companheiras anãs parecem estar num plano, mas os seus movimentos estiverem em todas as direcções, isso indicaria um alinhamento ao acaso e não uma estrutura duradoura.

Caso as galáxias anãs se alinharem num plano, isso pode significar uma de várias coisas. Poderá ser que uma boa fracção das companheiras anãs tenha entrado em órbita de Andrómeda como um único grupo. Se for esse o caso, as anãs reteriam a “memória” de que todas caíram juntas e exibem actualmente propriedades dinâmicas semelhantes.

Outra possibilidade é que as galáxias anãs de Andrómeda se formaram como o que é chamado de “galáxias anãs de marés”. Estas colecções gravitacionalmente ligadas de gás e estrelas formam-se durante fusões ou interacções entre grandes galáxias espirais. São tão massivas quanto as galáxias anãs, mas não são dominadas por matéria escura, como os cientistas pensam que a maior parte das galáxias anãs são. É possível que uma fusão de duas galáxias grandes com muito gás possa formar algumas galáxias anãs que terminem numa única estrutura plana, mas isso seria invulgar, porque os cientistas não acham que as galáxias anãs de marés sejam o tipo predominante de galáxia anã no Universo. Sabe-se que as galáxias anãs tipicamente se formam dentro de nuvens de matéria escura chamadas halos.

Qualquer um dos casos pode significar que a formação é mais complicada do que os investigadores às vezes pensam. Qualquer um deles forneceria restrições adicionais aos cientistas que desenvolvem modelos teóricos da formação das galáxias.

A precisão extrema do Webb

Em ambos os programas, a equipa levará o Webb aos seus limites em termos de exactidão e precisão. “É uma situação muito complicada, porque basicamente o que queremos medir são movimentos muito pequenos,” explicou o co-investigador Andrea Bellini do STScI. “A precisão que queremos alcançar é como medir algo que se move alguns centímetros por ano na superfície da Lua, visto a partir da Terra.”

Ambos os estudos são programas de Observação de Tempo Garantido alocados à equipa do cientista Matt Mountain do Telescópio Webb. O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório espacial do mundo quando for lançado em 2021. O Webb vai resolver mistérios no nosso Sistema Solar, olhar além para mundos distantes em torno de outras estrelas e investigar as estruturas misteriosas e origens do nosso Universo. É um programa internacional liderado pela NASA com os seus parceiros ESA e Agência Espacial Canadiana.

Astronomia On-line
3 de Dezembro de 2019

spacenews

 

3131: Da Sagrada Família ao Coliseu de Roma. ESA mostra como se veriam asteróides a aproximar-se de monumentos emblemáticos

CIÊNCIA

A Agência Espacial Europeia (ESA) publicou no Twitter imagens de um sistema binário de asteróides a aproximar-se de alguns monumentos emblemáticos, ilustrando um cenário hipotético em que estas rochas chegariam até à Terra.

O Coliseu de Roma, em Itália, o Parlamento britânico e o Big Ben na capital londrina, a Torre Eiffel, em Paris, ou a Sagrada Família, em Barcelona, são alguns dos cenários escolhidos pela agência espacial para retratar esta situação.

Em causa estaria o sistema binário Didymos que, tal como o nome indica, consiste em duas rochas espaciais: Didymos, com cerca de 780 metros de diâmetro, e a sua lua lunar Didymoon, com cerca de 160 metros.

Embora Didymoon seja o menor corpo do sistema, o seu tamanho seria suficiente para destruir uma cidade, observa a ESA na imagem publicada no Twitter em que se pode ver este corpo sobre o Parlamento britânico e o Big Ben, no Reino Unido.

A lua de Didymos “será o menor corpo natural que foi alvo de uma missão espacial, mas ainda assim é bastante grande em termos humanos“, lê-se noutra publicação na rede social, que é acompanhada pela imagem do Coliseu de Roma, em Itália.

ESA Technology @ESA_Tech

… and while #HeraMission‘s ‘Didymoon’ asteroid moonlet is the smaller of the two #DidymosAsteroid pair, at 160 m across, this size would still make it ‘city-killer’ if it ever hit Earth. Didymoon is seen here above #London‘s #HousesOfParliament http://www.esa.int/Hera

No fim de Novembro, recorda a Russia Today, a agência espacial europeia aprovou a missão Hera, cujo objectivo passa por testar as capacidades do desvio de asteróides potencialmente perigosos para a Terra.

Esta missão faz parte de um projecto maior que será levado a cabo em colaboração com a agência espacial norte-americana. Trata-se da iniciativa AIDA (Avaliação de Desvio e Impacto de Asteróides) que, para além da Hera, incluirá também a missão DART, da NASA.

A missão pretende fazer colidir a sonda DART contra Didymoon em 2022, esperando modificar a sua órbita em torno de Didymos. Com este procedimento, os cientistas pretendem estudar o impacto e perceber quão viável é para a Humanidade desviar um corpo rochoso da sua trajectória, caso estivesse em rota de colisão com a Terra.

Posteriormente, Hera analisará a composição de Didymoon.

Apesar de ser muito pouco provável que um asteróide venha a colidir com a Terra nos próximos anos – a probabilidade é de 1 em 300.000, segundo a NASA -, as agências espaciais têm reunido esforços para melhorar os programas destinados para o acompanhamento e desvio destes corpos em rota de colisão com a Terra.

ZAP //

Por ZAP
2 Dezembro, 2019

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3130: O manto e a crosta travam uma batalha ardente

CIÊNCIA

sheaday / Flickr

O núcleo quente e pegajoso da Terra e a sua cama externa fria e dura são responsáveis ​​pelo movimento das placas tectónicas. Agora, novas pesquisas revelam um equilíbrio intrigante de poder: o manto a escorrer cria super-continentes, enquanto que a crosta os separa.

Uma equipa de cientistas criou um novo modelo de computador da Terra, com a crosta e o manto a serem considerados um sistema contínuo.

Com o tempo, cerca de 60% do movimento tectónico na superfície do nosso planeta virtual foi impulsionado por forças bastante rasas – nas primeiras 100 milhas da superfície. A convecção profunda e agitada do manto foi responsável pelo resto.

O manto tornou-se particularmente importante quando os continentes foram unidos para formar super-continentes, enquanto que as forças rasas dominaram quando os super-continentes se separaram no modelo.

Esta “Terra virtual” é o primeiro modelo de computador que “vê” a crosta e o manto como um sistema dinâmico e inter-conectado, escreveram os investigadores num artigo publicado no final de Outubro na Science Advances.

Até agora, os cientistas faziam modelos de convecção movida a calor no manto que correspondiam às observações do manto real, mas não imitavam a crosta. Os modelos das placas tectónicas na crosta podiam prever observações reais do movimento das placas, mas não combinavam com as observações do manto. Ou seja, algo estava a falhar na maneira como os modelos combinavam ambos os sistemas.

“Os modelos de convecção eram bons para o manto, mas não as placas, e as placas tectónicas eram boas para as placas, mas não o manto”, resumiu Nicolas Coltice, professor da escola Ecole Normale Supérieure, parte da Universidade PSL, em Paris. “E toda a história por trás da evolução do sistema é o feedback entre os dois.”

Crosta e manto: uma relação sem fim

A crosta e o manto fazem parte do mesmo sistema e estão inevitavelmente ligados.Esta premissa levanta uma questão: se forças na superfície – como a sub-ducção de um pedaço de crosta sob outro – ou forças profundas no manto estão a impulsionar o movimento das placas que compõem a crosta.

Nicolas Coltice, e a sua equipa responderam à questão e descobriram que a pergunta está mal colocada, dado que as duas camadas estão tão entrelaçadas e ambas contribuem.

Coltice disse ao Live Science que a equipa tem vindo a trabalhar em modelos de computador que podem representar as interacções crosta-manto de maneira realista.

No início dos anos 2000, alguns cientistas desenvolveram modelos de movimento accionado pelo calor (convecção) no manto, que naturalmente deram origem a algo que parecia superfície tectónica de placas. Mas esses modelos eram muito trabalhosos e não recebiam muito trabalho de acompanhamento.

A equipa trabalha já há oito anos na sua nova versão dos modelos, e só a execução da simulação demorou 9 meses. Assim, o primeiro passo dos investigadores foi criar uma “Terra virtual”, o mais realista possível.

No entanto, o modelo não é o reflexo perfeito da Terra. O programa, por exemplo, não acompanha as deformações das rochas mais antigas, ou seja, no modelo, as rochas que se deformaram antes não são propensas a deformarem-se mais facilmente no futuro.

Ainda assim, o modelo é real, tanto quanto possível. Além de mostrar que as forças do manto dominam os continentes quando estes se juntam, os cientistas descobriram que as colunas quentes de magma, chamadas plumas do manto, não são a principal razão pela qual os continentes se separam.

As zonas de sub-ducção são os motores do colapso continental – as plumas do manto entram em cena mais tarde. As plumas ascendentes pré-existentes podem atingir rochas superficiais que foram enfraquecidas pelas forças criadas nas zonas de sub-ducção. Nesses pontos mais fracos juntam-se, tornando mais provável que o super-continente se desloque.

O próximo passo, adiantou Coltice, é unir o modelo e o mundo real com observações. No futuro, o modelo pode ser usado para explorar tudo, desde os principais eventos do vulcanismo, os limites das placas se formam e até de que forma o manto se move em relação à rotação da Terra.

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3 Dezembro, 2019

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3129: Cimeira do Clima. Países vão tentar parar o tempo e evitar o pior

CLIMA

Madrid recebe, a partir de segunda-feira, a cimeira das Nações Unidas sobre as alterações climáticas. Políticos e ambientalistas correm contra o tempo para evitar cheias, ondas de calor, seca, extinção de espécies.

Milhares de jovens continuam a exigir justiça climática nas ruas e dizem não parar enquanto os políticos não agirem.
© António Pedro Santos/Lusa

“Nós não vamos desistir até ganhar”, promete Alice Gato, 17 anos. Faz parte do movimento mundial Greve Climática – que incentiva os estudantes a saírem à rua no último dia útil da semana para denunciar a inércia dos políticos perante as alterações climáticas – e foi uma das organizadoras da manifestação que aconteceu em Lisboa, nesta sexta-feira. A milhares de jovens juntaram-se pais e avós para pedirem o encerramento das centrais de carvão, um travão em projectos que aumentem as emissões de gases poluentes nacionais – como a construção do novo aeroporto do Montijo – e novas metas, mais eficientes, contra as alterações climáticas na 25.ª Cimeira das Nações Unidas pelo Clima, que começa na próxima segunda-feira, em Madrid, Espanha.

A conferência vai reunir representantes de mais de 190 nações, que terão como missão discutir a revisão das emissões de gases, enunciadas no Acordo de Paris (2015) e de actualização obrigatória na cimeira do próximo ano, em Glasgow, no Reino Unido. Se não houver um plano de acção urgente e concertado, se as metas das emissões globais de gases não se tornarem mais ambiciosas, a temperatura do planeta pode aumentar 3,2 graus Celsius até ao final do século, em vez dos 1,5º C pretendidos, o nível dos oceanos vai subir, há espécies que serão extintas e aumentarão os eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, cheias ou secas.

“Estamos como que numa linha vertical a atingir níveis como nunca aconteceu nos últimos 800 mil anos”, alerta Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero. O tempo de agir é agora. E a 25.ª COP [Conference of the Parties, como é conhecida a Cimeira do Clima] não será bem-sucedida se não forem feitos anúncios revolucionários sobre o mercado de carbono e investimento em políticas ambientais (o Acordo de Paris já previa um Fundo Verde do Clima de cem mil milhões de dólares até 2020, que ainda está por cumprir). Deverá também voltar à mesa das negociações o tema do “sistema de seguros”, um apoio para países que sofrem com catástrofes climáticas.

O momento para a cimeira, que deveria ser no Chile, mas entretanto foi cancelada por causa da onda de protestos nacionais, não é o melhor, segundo Francisco Ferreira. É possível antever algumas dificuldades, como “a forma como vai ser feita a transição entre esta cimeira e a de 2020”, com o governo britânico em fase de transição.

“Estamos a entrar na última década antes de 2030, o limiar da neutralidade carbónica. Esta COP tem de delinear tudo o que vai acontecer a seguir para atingirmos a neutralidade carbónica em 2030”, diz Alice Gato. A estudante também vai para Madrid, não para participar na COP 25, mas numa contra-cimeira, que deverá reunir milhares de jovens (e não só) de todo o mundo numa tentativa de pressionar os decisores a empenharem-se ainda mais na luta contra as alterações climáticas.

O Parlamento Europeu declarou, nesta quinta-feira, o estado de “emergência climática e ambiental” e defendeu que o executivo comunitário deve comprometer-se a reduzir as emissões de gases com efeito estufa em 55% até 2030, para atingir a neutralidade climática até 2050. Mas não chega, dizem os ambientalistas e os milhares de manifestantes que saíram nesta sexta-feira à rua em Portugal e no mundo, outra vez. É preciso mais.

Temperatura média pode subir 3,2º C

A temperatura média do planeta pode subir 3,2 graus centígrados neste século, se as metas das emissões globais de gases não se tornarem mais ambiciosas. É preciso reduzir mais de cinco vezes a quantidade de gases lançados na atmosfera, sob pena de as ondas de calor e de as tempestades atingirem a Terra de forma irreversível. A conclusão está expressa no Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2019, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado na terça-feira, dia 26.

O objectivo é não ultrapassar 1,5º C em relação à época pré-industrial, e, para isto, há que mudar o paradigma nos sectores de energia, construção e transportes. De acordo com o documento, a utilização de fontes renováveis pode, até 2050, reduzir as emissões de dióxido de carbono em 78% na energia, 83% na construção e 72% nos transportes. “Temos de compensar os anos em que procrastinámos”, defende Inger Andersen, a directora executiva do PNUMA.

Subida do nível do mar

Com uma longa costa, Portugal tem várias zonas em risco por causa da subida do nível da água a partir de 2050. O estuário do Tejo, do Sado, a ria Formosa, as cidades de Aveiro e da Figueira da Foz são as zonas assinaladas como mais problemáticas.

Mais de 10% da superfície do planeta está coberta por gelo, segundo a ONU, e durante este século os oceanos deverão sofrer alterações “sem precedentes”, com consequências irreversíveis para os habitats marinhos. Entre 2006 e 2015, o mar avançou 3,6 milímetros por ano devido ao aumento das temperaturas, da acidez das águas, com menos oxigénio. Estima-se que o aumento do volume dos oceanos, causado pelo aquecimento global, possa atingir 300 milhões de pessoas no mundo, sendo a Ásia o continente mais afectado. Só na China estarão em risco 93 milhões de pessoas.

Seca severa ou cheias

Parte do território nacional (36%) mantinha-se no final de Outubro em seca extrema, principalmente a sul do país. Com o aumento da temperatura, fenómenos como a seca ou as cheias serão cada vez mais frequentes.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, afirmou que é preciso mudar o consumo de água, não só na vida de cada um, mas também na actividade económica e, por isso, suspendeu os novos furos de água no Algarve e no Alentejo. No entanto, se a mudança não for mais radical e concertada com os outros países não será suficiente.

Um milhão de espécies ameaçadas

Dos oito milhões de espécies de animais e plantas que existem no mundo, cerca de um milhão está em vias de extinção nas próximas décadas. De acordo com o relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos, considerado o estudo mais abrangente já publicado sobre as espécies, 40% dos anfíbios e mais de um terço dos mamíferos estão ameaçados.

Quase todos os stocks de pescas do mundo estão em declínio, por causa da sua sobre-exploração, e as florestas perderam 2,9 milhões de hectares desde 1990, o equivalente ao tamanho da Alemanha. Desapareceram ainda, nos últimos 250 anos, 571 tipos de plantas – um número que deverá continuar a aumentar nos próximos tempos.

Diário de Notícias
02 DEZ 2019

spacenews

 

3128: Variações na rigidez das rochas explicam tsunamis devastadores

CIÊNCIA

Chris Wren, Kenn Brown / mondoart.net

A variação na rigidez das rochas, um parâmetro nunca inferido em detalhe até agora, é o principal factor para explicar algumas características observadas em grandes tsunamis.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Ciências Marinhas do CSIC, em Espanha, publicou recentemente um artigo científico na Nature que explica que a variação na rigidez das rochas deve ser um factor explorado e incorporado na estimativa de risco associado a terramotos e tsunamis.

De acordo com os cientistas, citados pelo Europa Press, as variações de rigidez permitem a resolução de paradoxos inexplicáveis, como a discrepância entre o movimento sísmico moderado registado na superfície e a grande amplitude de tsunamis que deram origem a vários terremotos históricos.

Em comunicado, Valentí Sallarès, autor principal do trabalho, revelou que esta investigação mostra que as diferenças entre o comportamento de terramotos profundos e rasos “não se devem a variações locais no mecanismo físico que os produz, mas a mudanças sistemática na rigidez das rochas que fracturam e se deformam durante a ruptura sísmica”.

Os terramotos rasos propagam-se mais lentamente, duram mais tempo, têm maior escorregamento na falha e causam uma maior deformação no fundo do oceano em comparação com os terramotos profundos de igual magnitude. No entanto, geram vibrações sísmicas menos pronunciadas na superfície.

É por este grande motivo que os cientistas admitem que, muitas vezes, que o risco destes terramotos é subestimado, especialmente a sua capacidade de gerar tsunamis.

(dr) CSIC
Movimento sísmico

Os autores do artigo científico analisaram imagens sísmicas do subsolo e combinaram-nas com modelos tomográficos, de modo a inferir as propriedades das rochas em diferentes profundidades e em diferentes zonas de sub-ducção em todo o mundo.

Os resultados mostram que a rigidez das rochas que repousam sobre a falha entre placas aumenta sistematicamente com a profundidade, seguindo uma tendência universal e bem definida.

Esta tendência explica as diferenças entre terramotos superficiais e profundos, permitindo, por sua vez, prever com precisão a velocidade de propagação e a duração da ruptura sísmica, a quantidade de derrapagem na falha, as alterações na amplitude das vibrações sísmicas geradas ou as diferenças de magnitude.

Este é o primeiro modelo que permite prever certas características do terramoto com base na profundidade do seu hipocentro, que, segundo Sallarès, é “a chave para poder estimar com precisão seu potencial tsunamigénico”.

ZAP //

Por ZAP
1 Dezembro, 2019

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3127: Mora na Via Láctea um buraco negro que “não devia existir”

CIÊNCIA

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

Uma equipa internacional de cientistas acaba de encontrar um buraco negro na Via Láctea, cuja enorme massa desafia as teorias da evolução estelar vigentes – trata-se de um corpo celeste de grandes dimensões que “não devia existir”.

A comunidade científica estima que a massa dos buracos negros da nossa galáxia seja 30 vezes menor do que a massa do Sol. Contudo, estes valores acabam de ser desafiados.

Cientistas dizem agora ter detectado um buraco negro bem maior – excede a massa solar em 70 vezes, fica a 15.000 anos-luz da Terra e foi baptizado do LB-1, tal como detalha a nova investigação publicada esta semana na revista científica Nature.

O artigo recorda que buracos negros de massa semelhante já tinha sido detectados antes, apesar de a “formação de buracos negros tão massivos em ambientes de alta metalicidade” – em particular na Via Láctea fosse considerada “extremamente difícil” de acordo com as teorias actuais da evolução estelar.

“De acordo com os modelos actuais de evolução estelar, os buracos negros com esta massa nem deveriam existir na nossa galáxia”, disse Liu Jifeng, professor do Observatório Astronómico Nacional da China, que liderou a investigação, citado pela agência AFP.

“Agora, os teóricos terão de assumir o desafio e explicar a sua formação”, atirou.

Os cientistas acreditam que os buracos negros mais comuns – 20 vezes mais massivos do que o Sol – são fruto da implosão de uma super-nova. Já os buracos negros super-massivos, formam-se através de imensas de nuvens de gás, embora a sua origem seja incerta.

ZAP //

Por ZAP
2 Dezembro, 2019

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3126: Placas tectónicas podem ter sido criadas por impactos massivos de asteróides

CIÊNCIA

(CC0/PD) 9866112 / Pixabay

As placas tectónicas surgiram quando a Terra era bombardeada por impactos colossais. Cientistas investigaram se estes fenómenos tinham alguma relação, e tudo indica que sim.

A Terra evoluiu de uma massa derretida para um corpo planetário rochoso e esta continua a ser uma das maiores questões da Ciência. De acordo com uma nova investigação, publicada recentemente na Geology, cientistas da Universidade Macquarie, do Southwest Research Institute e da Harvard University, sugerem que essa transição pode ter sido desencadeada por intenso bombardeamento extraterrestre.

Simulações de computador e comparações com estudos anteriores revelaram que, há cerca de 4,6 mil milhões de anos, os impactos de destruição da Terra continuaram a moldar o planeta durante centenas de milhões de anos, aponta o Sci-News.

Apesar de esses eventos terem diminuído com o tempo,o cráton Kaapvaal, na África do Sul, e o cráton de Pilbara, na Austrália, sugerem que a Terra experimentou um período de intenso bombardeamento, há cerca de 3,2 mil milhões de anos, ao mesmo tempo em que aparecem as primeiras indicações de movimento das placas tectónicas.

Os cientistas sugerem que colossais colisões de corpos extraterrestres engatilharam a transição terrestre do seu estado quente e primitivo para o mundo que conhecemos hoje: com a litosfera (crosta e manto superior) fragmentada em placas.

“Costumamos pensar na Terra como um sistema isolado, onde só importam os processos internos”, disse o co-autor do artigo científico Craig O’Neill, em comunicado. “No entanto, estamos a sentir, cada vez mais, que o efeito da dinâmica do Sistema Solar influencia o comportamento da Terra.

O’Neill e a sua equipa estudaram certas camadas sedimentares localizadas em solos australianos e sul-africanos e descobriram que, há 3,2 mil milhões de anos de anos, a Terra foi “castigada” com muitos impactos.

Depois de terem criado várias simulações,foram capazes de perceber a tectónica global: ao contrário das primeiras centenas de milhões de anos de vida da Terra (formada há 4,6 mil milhões de anos), em que as colisões de corpos com 300 quilómetros de diâmetro eram frequentes, no Arqueano diminuíram um pouco.

Nesta altura, os corpos que impactavam com a Terra não passavam dos 100 quilómetros de diâmetro (30 km maior do que o asteróide que matou os dinossauros). Contudo, importava saber se estes eventos, ainda que menores, eram o suficiente para fragmentar a litosfera.

Para isso, os investigadores usaram técnicas para estimar a quantidade de impactos no Mesoarqueano e criaram simulações para modelar os efeitos dessas colisões na temperatura do manto. E os resultados apontam o sim como resposta.

Estes corpos celestes quilométricos que impactavam com p nosso planeta podem ter criado as placas tectónicas. Como nem a litosfera nem o manto eram homogéneos, os impactos acentuaram ainda mais essas diferenças de flutuabilidade no manto – e assim terão surgido as placas tectónicas.

ZAP //

Por ZAP
2 Dezembro, 2019

spacenews

 

3125: A velocidade do vento está a aumentar na Terra! Será uma má notícia?

CIÊNCIA

O mundo está a ficar mais ventoso, de acordo com um novo estudo publicado na revista Nature Climate Change. Os responsáveis pelo estudo analisaram décadas de dados climáticos. Como conclusão, determinaram que a velocidade global do vento aumentou dramaticamente nos últimos 10 anos.

Apesar de não ser uma boa notícia, tem a parte boa para os parques eólicos que têm beneficiado de tal aumento de velocidade.

Um aumento da velocidade do vento significa turbinas eólicas mais rápidas e mais produtivas. Princeton, Timothy Searchinger, um dos autores do estudo, revelou que a tendência é que a velocidade do vento continue a aumentar. Apesar de parecer algo mau, tem múltiplos efeitos positivos… especialmente nas energias “verdes”.

O estudo também desmentiu o “mito” de que a velocidade do vento global estava a diminuir a partir de 1980 devido aos próprios seres humanos. O aumento de construções e também, em alguns locais, a vegetação, foram motivo de preocupação para o sistema climático global. “Este estudo mostrou que não é esse o caso”, revelou Princeton.

Mas quais os efeitos da força do vento nos parques eólicos?

Contas feitas, com o aumento da velocidade do vento, as turbinas eólicas geraram em média cerca de 17% mais electricidade em 2017 comparativamente a 2010. Como principal causa deste aumento de velocidades estão as oscilações do oceano que, segundo o investigador se devem a:

… diferentes padrões de pressão, temperatura e ventos, em diferentes partes dos oceanos

Os investigadores tiveram acesso e analisaram os mais diferentes tipos de dados, como, por exemplo,  altura e elevação.

Os humanos podem capitalizar tal condição climatérica. Para tal, as turbinas podem ser projectadas de outra forma para aproveitarem e produzirem o máximo de energia.

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3124: Mais de metade dos piores cenários de há dez anos são já realidade

CIÊNCIA

(h) NASA Earth Observatory

Mais de metade dos piores cenários climáticos identificados há uma década pelos cientistas estão comprovadamente a acontecer, alertou esta quinta-feira uma equipa de investigadores num artigo publicado na revista Nature, em que defendem a declaração de uma “emergência planetária”.

A destruição da floresta amazónica e a perda das grandes massas de gelo na Antárctida e Gronelândia estão entre nove pontos críticos em relação aos quais estão a acontecer mudanças sem precedentes mais cedo do que se esperava, e que, combinados, podem levar a um “efeito dominó” com efeitos catastróficos.

“Há uma década, identificámos uma série de potenciais pontos críticos e vemos agora que mais de metade foram activados“, afirmou o director do Instituto de Sistemas Globais da Universidade britânica de Exeter, Tim Lenton.

A ameaça de “mudanças rápidas e irreversíveis significa que não se pode esperar para ver”, afirmou o co-autor Johan Rockström, do Instituto para a Investigação do Impacto Climático de Potsdam [Alemanha], salientando que “cientificamente, há provas fortes para declarar um estado de emergência planetária, para desencadear uma acção mundial que acelere a transição para um mundo que possa continuar a evoluir num planeta estável”.

O colapso dos gelos na Gronelândia e na Antárctida poderá levar à subida irreversível de dez metros do nível dos oceanos, alertam os cientistas, chamando a atenção para os efeitos combinados desse e de outros fenómenos como a destruição da floresta tropical ou o derretimento dos gelos permanentes, difíceis de prever.

Contudo, não afastam a hipótese de propiciarem “um ponto crítico global”, que pode ser “uma ameaça à existência da civilização”. A redução de emissões de gases com efeito de estufa poderá fazer abrandar a perda do gelo, dando mais tempo para mover as populações em zonas de mais baixa altitude, defendem.

Embora as temperaturas globais tenham sofrido flutuações ao longo de milhões de anos, os autores do artigo afirmam que os humanos estão a “forçar o sistema” com as concentrações de dióxido de carbono na atmosfera a aumentarem a um ritmo maior do que o que precedeu a última idade do gelo.

“Não há análises de custo económico/benefício que nos possam ajudar. Precisamos de mudar a nossa abordagem ao problema do clima”, afirmou Tim Lenton.

Deixar para trás a economia assente nos combustíveis fósseis antes de 2050 é uma hipótese improvável, mas já hoje, com a temperatura 1,1 graus acima dos níveis pré-industriais, é provável que o aumento atinja 1,5 graus já em 2040, o que consideram que, só por si, já é uma emergência.

Além da Amazónia, da Antárctida e da Gronelândia, as alterações nas massas de gelo do Árctico, os recifes de coral, os gelos permanentes, as correntes marinhas no Atlântico e as florestas do Norte são os pontos críticos sensíveis identificados pelos cientistas.

Os resultados da investigação foram publicados na revista Nature.

ZAP // Lusa

Por Lusa
30 Novembro, 2019

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3123: NASA simula o movimento das nuvens marcianas

CIÊNCIA

Um grupo de cientistas do Centro de Investigação Ames (ARC) da NASA, localizado no estado norte-americano da Califórnia, simulou o movimento das nuvens em Marte recorrendo a supercomputadores.

As imagens foram publicadas na passada segunda-feira no YouTube, informou a agência espacial norte-americana em comunicado. Na simulação criada pelos cientistas do ARC é possível ver como é que as nuvens de água gelada se formam para dispersarem depois consoante as estações que o Planeta Vermelho atravessa.

Na época do ano retratada na imagem acima, quando é verão no hemisfério norte de Marte, as nuvens formam-se lentamente durante a noite perto do Equador, tornando-se mais espessar logo antes do sol nascer.

A NASA observa ainda que neste cenário as nuvens dispersam rapidamente à medida que o dia aquece e voltam a formar-se ao anoitecer. É ainda possível ver na mesma imagem vários picos de Tharsis Montes, uma cadeia de vulcões que sobressaem através das nuvens, refere a agência espacial na mesma nota.

Apesar de as nuvens marcianas serem mais finas do que as terrestres, explica a NASA, estas representam um papel importante no clima de Marte, especialmente na intensidade dos seus sistemas eólicos, isto é, estas nuvens ajudam a controlar o movimento da água em torno do planeta.

As instalações de super-computação avançadas da NASA utilizadas nesta investigação fornecem aos cientistas que investigam Marte ferramentas necessárias para estudar em detalhe a atmosfera marciana, bem como as suas escalas de tempo.

A investigação pode ainda ser útil para planear futuras missões a Marte, ajudando-nos ainda a melhor compreender o nosso Sistema Solar e a evolução dos planetas.

ZAP //

Por ZAP
30 Novembro, 2019

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