2234: Asteróide três vezes maior que campo de futebol passa perto da Terra esta semana

Estrela passará perto do planeta a 40,800 km/h.

Foto: Getty Images

Há um viajante cósmico a aproximar-se da Terra: trata-se um asteróide gigante, três vezes maior do que um campo de futebol regular e com cerca de 330 metros de largura. O asteróide irá passar na quinta-feira, dia 27 de Junho, perto da Terra, a cerca de 6,7 milhões de quilómetros. A distância parece grande, mas no espaço não é nada.

Para colocar em perspectiva, este objecto espacial, descoberto em 2008 e baptizado com o nome de s 2008 KV2, estará a localizado a 17 vezes a distância da Lua à Terra, que fica a 384,400 quilómetros.

As investigações dos cientistas que o descobriram concluíram que o 2008 KV2 irá continuar a viajar pelo espaço até 2199, algo que já faz desde 1990. Além disso, é um visitante frequente da Terra, tendo em conta que orbita o Sol. Irá passar novamente pela Terra em 2021 e duas vezes em 2022, de acordo com a NASA, que está a monitorizar o asteróide por ser uma “ameaça potencialmente perigosa”.

A verdade é que mal daremos pela passagem deste turista espacial: o asteróide irá passar a 40,800 km/h pela Terra.

cm 25/06/2019
10:55

2233: A sua Internet está lenta? Não é o único: há um problema global

TECNOLOGIA

Para muitos utilizadores, a Internet parece um pouco menos rápida e funcional hoje. A razão? Problemas com serviços de cloud como a AWS (da Amazon) e Cloudflare. 

Ninguém sabe ao certo o que está a causar o problema, mas tanto o serviço de cloud Cloudflare quanto a Amazon Web Services (AWS) estão com problemas nos seus serviços nesta segunda-feira, o que leva a interferências, interrupções e lentidão em alguns dos maiores sites e serviços da Internet a nível mundial.

Para quem não conhece, estes dois serviços de cloud albergam grande parte dos sites e serviços que são usados online e problemas neles implica problemas para as plataformas que os usam, de uma forma ou de outra.

A Cloudfare indica que o problema pode estar relacionado com uma interferência externa à empresa, enquanto a Amazon sugere que se trata de um problema de “redes externas”, admitindo que, assim, será mais difícil à empresa resolver o problema.

O que foi afectado? Para já é certo que serviços de e-mail como o Gmail estiveram com problemas, bem como a plataforma de streaming Crunchyroll esteve mesmo online. Mas há um sem número de sites afectados e houve mesmo relatos de falha no acesso a serviços de segurança da Amazon e da Nest, pelo menos em grande parte da América do Norte (e nos sites que estão lá alojados).

O problema demonstra como um grande número de sites estão dependentes e usam os serviços de computação da cloud da Google, AWS ou Cloudflare. O que significa que quando há uma problemas nesses serviços, toda a Internet fica limitada.

Dn_insider


João Tomé

2232: Astronautas aterram no Cazaquistão após missão na Estação Orbital Internacional

Alexander Nemenov / Pool / EPA
A astronauta norte-americana Anne McClain de regresso à Terra

Três astronautas regressaram à Terra, esta terça-feira, depois de uma missão de seis meses a bordo da Estação Espacial Internacional (ISS).

A astronauta norte-americana Anne McClain, o russo Oleg Kononenko e o canadiano David Saint-Jacques pousaram no Cazaquistão às 08h47 locais (03h47 em Lisboa).

A partida dos astronautas para a estação orbital, em Dezembro do ano passado, foi motivo de preocupação, pois acontecia depois do incidente, em meados de Outubro, que envolveu o russo Alexey Ovchinin e o norte-americano Nick Hague: cerca de dois minutos após a descolagem, a nave espacial Soyuz explodiu e foram forçados a uma aterragem de emergência.

Os dois homens sobreviveram ilesos, mas o incidente, o primeiro desta magnitude na história da Rússia pós-soviética, foi outro golpe para a indústria espacial do país.

Antes da partida para o espaço, McClain, Kononenko e Saint-Jacques estavam optimistas e o tom não mudou durante o tempo a bordo da estação orbital, um dos últimos exemplos de cooperação activa entre Moscovo e países ocidentais.

“Uma bela noite sobre África na minha última noite na ISS”, observou no Twitter Anne McClain, de 40 anos, que fez duas saídas espaciais durante esta primeira missão.

Anne McClain @AstroAnnimal

A beautiful night pass over Africa on my last night on @Space_Station

Enquanto a ISS dava a volta à Terra em cerca de 90 minutos, o seu colega David Saint-Jacques, de 49 anos, foi capaz de maravilhar-se uma última vez com a visão do Canadá antes de voltar para casa: “British Columbia e Nunavik … vou ter saudades dessas grandes paisagens canadianas!”, escreveu também na mesma rede social o astronauta da Agência Espacial Canadiana (CSA).

David Saint-Jacques, que também realizou a sua primeira missão, ultrapassou o tempo recorde no espaço detido por outro canadiano: 204 dias, contra 187 cumpridos pelo compatriota Robert Thirsk.

ZAP // Lusa

Por Lusa
25 Junho, 2019

2231: Há 9 mil anos, Çatalhöyük já lidava com problemas urbanos do quotidiano

CIÊNCIA

Scott D. Haddow / Flickr

Há 9 mil anos atrás, Çatalhöyük era uma das maiores comunidades agrícolas do mundo e, segundo um estudo recente, já lidava com violência, problemas ambientais, doenças infecciosas, entre outros.

Uma equipa de arqueólogos a estudar as ruínas de Çatalhöyük, na Turquia, descobriram que os problemas que as sociedades de hoje lutam para controlar, já assolavam os habitantes da comunidade na altura. Excesso de população, doenças infecciosas, violência e problemas ambientais são alguns dos desafios com que a comunidade se debatia.

Um estudo publicado esta segunda-feira na revista Proceedings of the National Academy of Sciences of the United States of America ilustra a realidade vivida na região há milhares de anos através da análise de restos humanos lá desenterrados.

“Çatalhöyük foi uma das primeiras comunidades proto-urbanas do mundo e os moradores experienciaram o que acontece quando se junta muitas pessoas numa pequena área por um tempo prolongado”, disse o responsável pelo estudo, Clark Spencer Larsen. Segundo o cientista, a comunidade passou de um estilo de vida nómada para um estilo mais sedentário.

Segundo o Phys, o sítio das escavações tem mais de 13 hectares e nele estão depositados vestígios de 1150 anos de ocupação continua. Os trabalhos de Larsen em Çatalhöyük começaram em 2004 e terminaram em 2017 — com o estudo a examinar 15 anos de análise aos vestígios humanos.

“Eles estavam a cultivar e a manter animais assim que criaram a comunidade, mas estavam a intensificar os seus esforços à medida que a população se expandia”, disse Larsen.

A proteína das suas dietas provinha principalmente de carne de carneiro e cabra. A sua dieta era também muito rica em grãos, o que levou os habitantes de Çatalhöyük a desenvolver cáries dentárias.

Recriação de Çatalhöyük, por Dan Lewandowski.

“Acreditamos que a degradação ambiental e as mudanças climáticas forçaram os membros da comunidade a se distanciarem do assentamento para cultivar e encontrar suprimentos como lenha”, disse Larsen. “Isso contribuiu para a morte final de Çatalhöyük“. Isto foi comprovado pelas mutações dos ossos das pernas dos habitantes com o passar dos anos, mostrando que estes eram obrigados a caminhar mais no período tardio da comunidade.

O excesso de população e a falta de higiene levou também a que os habitantes sofressem de várias infecções — um terço dos restos mortais encontrados mostravam evidências de infecções nos ossos.

“Eles viviam em condições muito lotadas, com poços de lixo e currais de animais próximos a algumas casas. Portanto, há toda uma série de problemas de saneamento que podem contribuir para a disseminação de doenças infecciosas”, explicou o cientista.

O problema de sobrelotação levou também a um aumento significativo da violência, realça o Phys, com muitos dos restos mortais a serem encontrados com fracturas saradas, provavelmente causadas por golpes na cabeça com objectos duros e redondos.

“Encontramos um aumento nas lesões cranianas, quando a população era maior e mais densa”, disse Larsen. “Pode-se argumentar que o excesso de população levou a um maior stress e a conflitos dentro da comunidade”, acrescentou.

ZAP //

Por ZAP
25 Junho, 2019

2230: Telescópio Webb vai estudar Saturno e a sua lua Titã

Esta imagem mostra uma gigante tempestade saturniana observada em comprimentos de onda do infravermelho médio pelo VLT (Very Large Telescope) do ESO em 2011. Os gases quentes que alimentam a tempestade fazem-na brilhar em comparação com o resto do planeta.
Crédito: L. Fletcher (Universidade de Leicester) e ESO

Se perguntar a um estranho na rua qual o seu planeta favorito, provavelmente a resposta será Saturno. Os impressionantes anéis de Saturno são uma vista memorável em qualquer telescópio amador. Mas ainda há muito a aprender sobre Saturno, especialmente sobre o clima e a química do planeta, bem como sobre a origem do seu opulento sistema de anéis. Após o seu lançamento em 2021, o Telescópio Espacial James Webb da NASA observará Saturno, os seus anéis e a sua família de luas como parte de um abrangente programa do Sistema Solar.

Este estudo será levado a cabo através de um programa de Observações de Tempo Garantido liderado por Heidi Hammel, astrónoma planetária e vice-presidente executiva da AURA (Association of Universities for Research in Astronomy) em Washington, D.C., EUA. Hammel foi, em 2002, seleccionada pela NASA como cientista interdisciplinar do Webb.

“O objectivo deste programa é demonstrar as capacidades do Webb para observações do Sistema Solar, incluindo observações de objectos brilhantes, o rastreamento de objectos em movimento e a localização de alvos fracos ao lado de objectos brilhantes,” explicou Hammel. “Os dados serão disponibilizados para a comunidade do Sistema Solar o mais rápido possível para mostrar que o Webb pode fazer o que prometemos.”

O Webb vai prosseguir onde a sonda Cassini da NASA parou. A Cassini orbitou Saturno durante 13 anos, de 2004 até a missão terminar em 2017, quando mergulhou na atmosfera de Saturno. Desde então, programas como o OPAL (Outer Planet Atmospheres Legacy) do Telescópio Espacial Hubble e medições no solo têm sido a única maneira de monitorizar Saturno.

As estações de Saturno

Saturno está inclinado no seu eixo, tal como a Terra e, como resultado, também tem estações à medida que orbita o Sol. No entanto, como o ano de Saturno equivale a 30 anos terrestres, cada estação dura cerca de sete anos e meio. A Cassini chegou durante o verão no hemisfério sul (inverno no hemisfério norte). Mas agora é verão no hemisfério norte. Os astrónomos estão ansiosos por procurar mudanças sazonais na atmosfera de Saturno.

“Estas observações vão dar-nos um ensaio completo do sistema de Saturno para ver o que mudou, para ver como as estações evoluíram desde os últimos vislumbres da Cassini e para aproveitar capacidades do Webb que a Cassini nunca teve,” disse Leigh Fletcher, da Universidade de Leicester, Inglaterra, investigador principal do programa.

No final de 2010, uma tempestade monstruosa irrompeu no hemisfério norte de Saturno. Começou como uma mancha pequena, mas cresceu rapidamente, até que no final de Janeiro de 2011 cercava o planeta. Os astrónomos ficaram surpresos porque tais tempestades normalmente só se formam depois do solstício de verão, que ocorreu em 2017. Eles vão observar mais tempestades à medida que o hemisfério norte de Saturno passa de verão para outono ao longo da missão do Webb.

As tempestades não são os únicos fenómenos atmosféricos que Saturno e a Terra partilham. Saturno também tem auroras. Estas auroras desencadeiam mudanças químicas na atmosfera de Saturno, quebrando algumas moléculas e permitindo a formação de algumas novas. O Webb vai procurar assinaturas desta química invulgar em comprimentos de onda infravermelhos, particularmente na região polar norte.

Titã, a maior lua de Saturno

A maior lua de Saturno, Titã, também cairá sob o olhar poderoso do Webb. Titã não tem igual porque é a única lua do nosso Sistema Solar com uma atmosfera substancial. Na verdade, é maior que o planeta Mercúrio. A pressão atmosférica em Titã é cerca de 50% maior que a da Terra. Tal como na Terra, essa atmosfera é principalmente azoto, mas Titã também possui hidrocarbonetos vaporosos como o metano. Titã é também muito mais fria que a Terra, com uma temperatura de superfície que ronda os -180º C.

No interior da atmosfera de Titã, as reacções químicas estão constantemente a produzir a sua composição. As moléculas são quebradas nos seus constituintes como carbono, hidrogénio, oxigénio e azoto. Esses átomos formam novas moléculas, que se infiltram no ar e se acomodam em qualquer pólo onde seja inverno.

“A atmosfera de Titã é como um grande laboratório de química,” disse Conor Nixon, do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, em Greenbelt, no estado norte-americano de Maryland, investigador principal do programa. Nixon e colegas vão usar os instrumentos NIRSpec (Near-Infrared Spectrograph) e MIRI (Mid Infrared Imager) do Webb para estudar estas moléculas em muito mais detalhe do que os instrumentos da Cassini permitiam.

Titã é também o único objecto do nosso Sistema Solar, além da Terra, com mares e lagos líquidos à sua superfície. Enquanto a Terra tem um ciclo de água no qual a água evapora, cai como chuva e flui pelos rios até ao oceano, Titã tem um ciclo similar com o metano. Em Titã, a chuva de metano escava leitos de rios através de água gelada como rocha antes de correr para os mares. A Cassini e a sua pequena sonda Huygens, da ESA, que aterrou em Titã em 2004, fizeram descobertas notáveis sobre esta lua saturniana. O Webb vai estudar os ciclos climáticos sazonais de Titã para compará-los com os modelos dos astrónomos.

“Titã tem nuvens e clima que podemos ver mudando em tempo real. A sua química é muito diferente da da Terra, mas ainda é química orgânica baseado no carbono,” disse Stefanie Milam de Goddard, co-investigadora do programa.

O tempo de vida da missão do Webb, após o lançamento, foi projectado para ser pelo menos de cinco anos e meio, mas poderá durar dez ou mais. Como resultado, pode observar o verão no hemisfério norte passando pelo equinócio de outono e para a primavera a sul. Quase que “completaria o círculo” começado quando a Cassini chegou a Saturno durante o verão no hemisfério sul.

“Nós genuinamente teremos coberto todo um ano de Saturno. Seria uma experiência bastante reveladora,” disse Fletcher.

O Telescópio Espacial James Webb será o principal observatório científico espacial quando for lançado em 2021. Vai resolver mistérios do nosso Sistema Solar, olhar para mundos distantes ao redor de outras estrelas e investigar as misteriosas estruturas e origens do nosso Universo e o nosso lugar nele. O Webb é um projecto internacional liderado pela NASA e pelos seus parceiros, a ESA e a Agência Espacial Canadiana.

Astronomia On-line
25 de Junho de 2019

2229: Úrano tem 13 anéis (e são diferentes de tudo o resto no Sistema Solar)

NASA

Saturno pode ser o mais vistoso, mas não é o único planeta no Sistema Solar circulado por anéis. Os 13 anéis de Úrano revelaram detalhes antes desconhecidos quando apareceram numa fotografia térmica que os astrónomos tiraram do planeta gelado.

Pela primeira vez, investigadores determinaram a temperatura dos anéis e confirmaram que o anel principal – chamado anel épsilon – é como nenhum outro no Sistema Solar. Normalmente, Saturno é o único retratado com anéis, porque os que circulam Úrano, Júpiter e Neptuno só são vistos com telescópios poderosos.

Júpiter tem quatro anéis, Neptuno tem cinco e Saturno tem milhares. Quando se trata de Úrano, não sabemos muito sobre os seus anéis, uma vez que reflectem muito pouca luz nos comprimentos de onda do infravermelho óptico e próximo, normalmente usados para observações do Sistema Solar. São tão obscuros que só foram descobertos em 1977.

Por isso, foi um pouco inesperado quando os anéis apareceram em imagens térmicas que os astrónomos tiraram para explorar a estrutura de temperatura da atmosfera do planeta. “Ficamos surpreendidos ao ver claramente os anéis quando reduzimos os dados pela primeira vez”, disse o astrónomo Leigh Fletcher, da Universidade de Leicester em comunicado.

Por ser uma imagem térmica, pela primeira vez a equipa descobriu a temperatura dos anéis: 77 Kelvin, o ponto de ebulição do nitrogénio líquido na pressão atmosférica padrão, e o equivalente a -195ºC. Os resultados foram aceites na revista The Astrophysical Journal e estão disponíveis no arXiv.

Também confirmou que os anéis são estranhos, quando comparados com aqueles em redor de outros planetas. Nos anéis de Saturno, as partículas correm em toda a gama, desde pó até pedregulhos grossos. Júpiter e Neptuno têm anéis muito empoeirados, compostos principalmente de partículas finas. Já Úrano tem folhas de poeira entre os seus anéis, mas os anéis em si contêm apenas pedaços do tamanho de uma bola de golfe.

“Não vemos as coisas menores”, disse o astrónomo Edward Molter, da UC Berkeley. “Algo tem varrido as coisas menores para fora ou está tudo junto. Apenas não sabemos. Este é um passo para entender a composição deles e se todos os anéis vieram do mesmo material de origem ou são diferentes para cada anel”.

Possíveis fontes incluem ejecta de impacto das luas, como visto nos anéis de Júpiter; asteróides capturados pela gravidade do planeta, então de alguma forma pulverizados; detritos remanescentes da formação do planeta; ou detritos do impacto teorizado que literalmente derrubou o planeta de lado. A explicação mais provável é objectos que orbitam sólidos, destruídos por impactos ou forças de maré.

De acordo com dados anteriores, incluindo imagens em infravermelho próximo tiradas usando o Observatório Keck em 2004, a própria composição dos anéis ao redor de Úrano é diferente dos outros.

“O albedo é muito mais baixo: são muito escuros, como o carvão”, disse Molter. “Também são extremamente estreitos em comparação com os anéis de Saturno. O mais largo, o anel épsilon, varia de 20 a 100 quilómetros de largura, enquanto Saturno tem centenas ou dezenas de milhares de quilómetros de largura.”

Os anéis ainda são um grande mistério, mas pode ter mais pistas em breve, quando o Telescópio Espacial James Webb chegar ao céu em 2021.

ZAP //

Por ZAP
25 Junho, 2019

2228: Resumo diário de notícias

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2227: O T-Rex tem dois novos primos tailandeses

PALEONTOLOGIA

Universidade de Bonn

Duas novas espécies de dinossauros, que eram predadores eficientes e parentes distantes do Tiranossauro-Rex, foram identificadas em restos fósseis encontrados há 30 anos na Tailândia, revelou a Universidade de Bonn, na Alemanha.

Há três décadas, o Museu de Sirindhorn, no sul da Tailândia, recebeu ossos fossilizados de dinossauros que nunca foram analisados em detalhe. “Há cinco anos encontrei estas descobertas durante a minha pesquisa, explicou Adun Samathi, paleontólogo tailandês que está a fazer o seu doutoramento no Instituto Steinmann de Geologia, Mineração e Paleontologia da Universidade de Bonn.

Depois de “tropeçar” no achado, o investigador levou alguns moldes dos fósseis para serem analisados juntamente com o seu orientador, o professor Martin Sander, recorrendo a tecnologias mais avançadas.

Os resultados da investigação mostram uma nova visão sobre a história dos megaraptors, um grupo de dinossauros de grandes dimensões, que inclui, por exemplo, o T-Rex e que agora tem duas novas espécies conhecidas.

À semelhança do “primo” T-Rex, as novas espécies também corriam sobre as suas patas traseiras. Em sentido oposto, estes familiares tinham braços fortes dotados com grandes garras. Além disso, tinham também cabeças mais delicadas e um focinho largo.

“Conseguimos atribuir os ossos [fossilizados] a um novo megaraptor, que chamamos de Phuwiangvenator yaemniyomi“, revelou Samathi, citado em comunicado.

O nome escolhido, recorda, por um lado, refere-se a Phuwiang, uma área no noroeste da Tailândia, e, por outro lado, tem também a referência ao cientista responsável pela descoberta do primeiro fóssil de dinossauro tailandês.

O investigador revelou ainda mais alguns detalhes sobre o Phuwiangvenator yaemniyomi: era, provavelmente, um corredor rápido com cerca de seis metros de comprimento, ou seja, menor do que o T-Rex (12 metros.)

Quanto à segunda nova espécie descoberta, o estudante afirma que há menos informação. Os ossos identificados também pertencem a um megaraptor, que era um pouco mais pequeno, medindo cerca de 4,5 metros.

O material analisado não foi suficiente para precisar a sua ascendência com exactidão, mas os cientistas acreditam que este seja um outro primo do T-Rex, tendo-lhe atribuído o nome de Vayuraptor nongbualamphuenisis.

“Talvez a situação [das duas novas espécies] possa ser comparada à [situação] dos grandes felinos africanos”, explica Samathi. “Se Phuwiangvenator fosse um leão, Vayuraptor seria um chita”, rematou o estudante.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista científica especializada Acta Palaeontologica Polonica.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019

2226: Biologia sintética pode levar a uma catástrofe global no futuro

CIÊNCIA

(CC0/PD) PublicDomainPictures / Pixabay

Apesar dos aspectos positivos da evolução da biologia sintética, há certas preocupações que este avanço científico acarreta. Nas mãos erradas, a modificação genética de um vírus pode ser um problema de grandes dimensões.

A cepa da gripe, H5N1, tem uma maior taxa de mortalidade do que, por exemplo, o vírus Ébola. No entanto, apenas foi responsável pela morte de cinco pessoas nos últimos três anos, uma vez que é pouco contagioso entre humanos.

Todavia, em 2011, duas equipas de cientistas decidiram tentar “reanimar” este vírus, alterando o genoma da H5N1. O resultado foi um vírus altamente mortal e muito mais contagiante do que a sua versão original.

Nesse mesmo ano, Martin Enserink, um dos responsáveis pela experiência, escreveu um artigo para a revista Science e disse que a libertação do vírus modificado “desencadearia uma pandemia de gripe, possivelmente com muitos milhões de mortes”.

Felizmente o vírus não saiu do laboratório e a humanidade está a salvo por enquanto. O Ars Technica realça que com a galopante evolução da biologia sintética desde então, projectos de alteração de genomas como este se tornaram mais triviais.

Numa TED Talk de Abril deste ano, Rob Reid explica o poder que os avanços na biologia sintética podem trazer e sugere uma visão preocupante do futuro.

Imagine-se que em 2026, um virologista brilhante cria um vírus altamente letal e transmissível entre os humanos. Para entender melhor as pandemias, projectou também o vírus de forma a que incubasse dentro dos corpos durante meses antes de causar qualquer surto.

Num ambiente controlado, este panorama pode parecer perfeitamente seguro, se tivermos em conta que o virologista é perfeitamente bem intencionado. O problema, segundo Rob, serão mesmo os factores externos. Caso, por exemplo, a universidade do cientista fosse alvo de um ataque informático, a informação do DNA do vírus poderia ser hackeada e exposta online.

Com a evolução da biologia sintética, ferramentas cada vez mais poderosas e de fácil acesso estariam disponíveis. Assim, pessoas com um menor intelecto poderiam modificar o vírus e torná-lo numa autêntica arma. De acordo com Reid, este poderá ser um problema que se pode manifestar já em meados deste século.

Mas quem estaria disposto a cometer um assassinato desta escala? Para responder a esta pergunta é importante considerar a quantidade de pessoas que morrem por actos de violência que procuram matar o maior número de pessoas possível. Assim, Reid explica que estes assassinatos não são limitados pela consciência ou ambição, mas sim pela limitação das armas a que têm acesso.

ZAP //

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24 Junho, 2019

Esta peça tem um vídeo que não foi aqui inserido por falta do respectivo link de origem.

2225: Aquecimento global vai tornar certas regiões do planeta habitáveis (e essa não é uma boa notícia)

radickraphicov / Pixabay

Algumas áreas desertas da Sibéria e partes da Rússia asiática estão a tornar-se habitáveis por causa das alterações climáticas, mostrou um novo estudo agora divulgado. Isso pode motivar uma migração em grande escala, já que outras regiões mais povoadas vão ficar demasiado quentes.

De acordo com a Science Alert, citada pelo Observador no domingo, até 2100, é possível que as temperaturas subam tanto que as zonas actualmente demasiado frias para a sobrevivência humana passem a ser mais amenas e suportáveis.

No artigo do Instituto Sukachev da Floresta, da Rússia, publicado na Environmental Research Letters, foram utilizados modelos que permitiram prever quais vão ser as condições de habitabilidade na Sibéria nas próximas décadas.

Descobriram que, já a partir de 2080, as temperaturas podem ter aumentado entre 3,4ºC e 9,1ºC durante o inverno e entre 1,9ºC e 5,7ºC durante o verão. E perceberam que a área coberta por pergelissolo – a terra permanentemente congelada das regiões próximas ao Árctico – diminuiria de 65% para os 40%.

Significa isto que, apesar de algumas regiões permaneceram inabitáveis com o aquecimento global, estes valores podem traduzir-se numa área habitável para longas estadias 15% maior do que na actualidade.

Mas isso não são boas notícias: é que, enquanto a Sibéria se torna mais acolhedora para os humanos, outras regiões do planeta vão tornar-se demasiado quentes ou ficar inundadas por causa do aumento do nível médio da água do mar. Além disso, isso obrigaria os humanos a invadir regiões dominadas por ursos polares e a enfrentar uma atmosfera poluída por produtos químicos tóxicos.

Este estudo chega numa altura em que se descobriu que a Gronelândia registou temperaturas 4,4ºC superiores ao normal ao longo desta semana. Os dados do Centro Nacional de Dados de Neve e Gelo indicam que nunca se registou uma extensão do gelo sobre o Oceano Árctico tão baixa em meados de Junho como em 2019.

TP, ZAP //

Por TP
24 Junho, 2019

2224: NASA encontra nuvens de metano em Marte (e aguarda notícias de vida)

NASA / JPL-Caltech
Auto-retrato de ângulo baixo do rover Curiosity, da NASA

A sonda espacial Curiosity, da NASA, detectou elevado níveis de emissão de metano na superfície de Marte. A presença do gás, normalmente produzido por seres vivos, pode ser evidência de vida bacteriana no planeta vermelho.

A descoberta, que aconteceu durante uma medição realizada na passada quarta-feira pela sonda Curiosity: o rover detectou nuvens com elevados níveis de metano em Marte. Os dados chegaram à Terra na sexta-feira, deixando em euforia os cientistas da NASA.

A agência espacial norte-americana ainda não anunciou a descoberta, que foi divulgada este sábado pelo jornal norte-americano The New York Times.

“Perante este resultado surpreendente, reorganizámos o fim-de-semana para conduzir experiências de confirmação”, diz o cientista responsável pela missão, Ashwin Vasavada, num email dirigido à sua equipa, a que o jornal norte-americano teve acesso.

A presença no Planeta Vermelho de níveis significativos deste gás, que normalmente é produzido biologicamente, poderá ser um indício da existência de vida microbiana em Marte.

Em 2012, o Curiosity esteve à procura de metano no planeta vermelho, sem sucesso. No ano seguinte, a sonda detectou um pico repentino, de 7 partes por mil milhões, que se manteve observável durante dois meses.

A Curiosity detectou agora 21 partes por mil milhões de volume de metano — a maior quantidade alguma vez medida durante as missões de exploração que a NASA conduz desde 1972 em Marte. O rover não é, no entanto, capaz de determinar a origem do metano descoberto.

A descoberta deste nível de metano à superfície do planeta reforça a esperança de que possa ter havido algum tipo de vida em Marte – nomeadamente vida microbiana – e que os seus descendentes possam ter sobrevivido no subsolo até hoje.

Mas apesar de a maior parte do metano produzido na Terra ser de origem biológica, há também metano produzido por reacções geotérmicas, não biológicas.

É portanto possível que o metano encontrado seja de origem geológica e tenha estado retido no subsolo de Marte durante milhões de anos — escapando agora através de alguma eventual fenda.

Thomas Zurbuchen, administrador da NASA e director da missão, confirmou entretanto a notícia no seu perfil no Twitter, mas salienta que é necessário aguardar mais resultados. “Sendo esta uma descoberta excitante, não significa necessariamente que haja vida em Marte, porque o metano pode ser criado por interacções entra água e rochas”.

Thomas Zurbuchen @Dr_ThomasZ

.@MarsCuriosity rover found the largest amount of methane ever measured during the mission. Although this is an exciting discovery, it doesn’t necessarily mean life exists because methane can be created through interactions between rocks & water. Details: https://www.nasa.gov/feature/jpl/curiosity-detects-unusually-high-methane-levels 

Durante o fim-de-semana, a Curiosity recebeu novas instruções e realizou medições de follow-up, para confirmar os dados obtidos a semana passada. Os resultados devem chegar esta segunda-feira à Terra, onde a equipa de Ashwin Vasavada aguarda (com incontida  ansiedade) por um sinal de vida.

ZAP //

Por ZAP
24 Junho, 2019