4962: “Bola de fogo” cruzou o céu sobre o Mediterrâneo a 105 mil quilómetros por hora

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(CC0/PD) pxhere

Uma “bola de fogo” atravessou o mar Mediterrâneo e o norte de Marrocos na noite de quarta-feira, a 105.000 quilómetros por hora.

A bola de fogo foi observada por um projecto científico espanhol a uma velocidade de 105.000 quilómetros por hora e testemunhada por várias pessoas na Andaluzia, avança a EFE. O fenómeno foi provocado pela entrada de uma rocha de um cometa na atmosfera terrestre.

O acontecimento foi detectado pelos sensores do projecto Smart, do Instituto de Astrofísica da Andaluzia (IAA-CSIC) dos observatórios de Calar Alto (Almeria), Sevilha e La Hita (Toledo) e Sierra Nevada pelas 22:10 de quarta-feira.

Segundo o principal investigador do projecto Smart, José María Madiedo, do IAA-CSIC, a “bola de fogo” foi registada às 22.10 horas (21.10 em Portugal continental) de quarta-feira.

O fenómeno deveu-se à entrada de uma rocha de um cometa na atmosfera terrestre, a cerca de 105.000 quilómetros por hora.

O choque com a atmosfera, a esta velocidade, fez com que a rocha se tornasse incandescente, gerando assim uma “bola de fogo” que teve início a uma altura de 105 quilómetros do Mediterrâneo e a cerca de 23 quilómetros da costa marroquina.

O fenómeno avançou para sudoeste até finalmente desaparecer, a 69 quilómetros de altura, depois de ter percorrido 72 quilómetros na atmosfera.

Os detectores do projecto SMART operam no âmbito da Rede Meteorológica e de Observação da Terra do Sudoeste da Europa (SWEMN), que visa monitorizar continuamente o céu, com o intuito de registar e estudar o impacto na atmosfera terrestre de rochas de diferentes objectos do Sistema Solar.

ZAP // Lusa

Por ZAP
16 Janeiro, 2021


4961: Resolvido “mistério azul” de Ceres, o planeta anão

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NASA
Ceres é um planeta anão localizado no cinturão de asteroides entre Marte e Júpiter

Stefan Schröder, cientista planetário da agência espacial alemã DLR, liderou a equipa que resolveu o mistério da cor azul que envolve algumas áreas do planeta anão Ceres.

Novas experiências realizadas em laboratório permitiram concluir que os eventos de impacto em Ceres fizeram com que material misturado com gelo subisse à superfície do planeta anão.

Por sua vez, o gelo, embutido na estrutura cristalina dos minerais de argila, sublimou e restou um pó, finamente poroso, que reflete a luz solar com uma cor azul devido à sua estrutura esponjosa.

“Como Ceres não tem atmosfera, o gelo de água não é estável na superfície do planeta anão e sublima rapidamente. Isto significa que passa directamente da fase sólida para a fase gasosa”, explicou Stefan Schröder, do Instituto DLR de Investigação Planetária, em comunicado.

NASA / DLR
Material azul na superfície de Ceres

A equipa conseguiu simular, em laboratório, o que acontece quando o gelo de água, como aquele inicialmente introduzido na estrutura cristalina de minerais, escapa para o Espaço.

“O que resta em Ceres é uma camada de poeira finamente porosa, quase esponjosa, que é responsável pelas superfícies azuladas e brilhantes de algumas crateras de impacto recentes”, disse Schröder.

Os cientistas chegaram a estas conclusões em pouco menos de uma semana. De acordo com o EurekAlert, observaram material que continha gelo de água (que correspondia ao material presente nas manchas azuis de Ceres) em laboratório sob condições de vácuo e a temperaturas semelhantes às do cinturão de asteróides externo.

As descobertas foram recentemente publicadas na Nature Communications.

Por Liliana Malainho
16 Janeiro, 2021


4960: Astrónomos descobrem que alguns planetas encolhem quando são bombardeados com a luz das suas estrelas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Robin Dienel, cortesia do Instituto Carnegie para Ciência

Uma equipa de astrónomos descobriu que uma classe intrigante de planetas do tamanho de Neptuno encolhe ao longo de milhares de milhões de anos.

Após séculos de estudo dos planetas no nosso Sistema Solar, os astrónomos questionam-se sobre a forma como os planetas se formam e evoluem para se tornarem aqueles que os observamos hoje.

Uma das descobertas mais surpreendentes da última década foi a descoberta de um novo ramo da “árvore genealógica” planetária, separando planetas ligeiramente maiores do que a Terra (super-terras) daqueles um pouco mais pequenos que Neptuno (sub-Neptuno).

No entanto, ainda não se sabe como estes planetas de tamanhos diferentes se formaram, uma vez que as observações são apenas uma única imagem de uma vida de milhares de milhões de anos para cada sistema planetário individual. Como os astrónomos não conseguem observar os planetas evoluindo em tempo real, analisam as populações de planetas para inferir como se formam e evoluem.

Usando observações das missões da NASA Kepler e da ESA Gaia, Travis Berger, do Instituto de Astronomia da Universidade do Havai, e a sua equipa descobriram outra peça do quebra-cabeça de formação e evolução de planetas: conforme os planetas são bombardeados com luz intensa das suas estrelas hospedeiras, perdem a sua atmosfera gradualmente ao longo de milhares de milhões de anos.

A equipa usou os dados de Gaia nos tamanhos das estrelas para rever as estimativas dos tamanhos dos planetas e combinou-as com dados de cores estelares para determinar as idades das estrelas hospedeiras do planeta. Depois, compararam os efeitos da idade estelar em mais de 2.600 planetas detectados pelo Kepler.

Alguns planetas, especialmente aqueles que recebem mais de 150 vezes a luz que a Terra recebe do Sol, perdem a sua atmosfera ao longo de mil milhões de anos, uma vez que são inundados com calor e luz da estrela hospedeira.

“A perda de atmosferas planetárias em escalas de tempo de milhares de milhões de anos mostra que estes planetas perdem massa mesmo na velhice”, explicou Berger, em comunicado. “Uma das nossas principais descobertas é que os tamanhos dos planetas diminuem em escalas de tempo mais longas do que se pensava.”

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“Embora os astrónomos tenham predito há muito tempo que os planetas deveriam diminuir de tamanho à medida que envelhecem, não sabíamos se isto poderia ocorrer em escalas de tempo de milhares de milhões de anos. Sabemos agora”, diz Berger. “O facto de vermos os tamanhos dos planetas mudarem em escalas de tempo de milhares de milhões de anos sugere que há um caminho evolutivo, onde planetas do tamanho de sub-Neptuno altamente iluminados passam a tornar-se planetas do tamanho das super-Terras.

Este estudo foi publicado em Agosto na revista científica The Astronomical Journal.

Por Maria Campos
16 Janeiro, 2021


4959: Arqueólogos acreditam ter encontrado a arte rupestre mais antiga do mundo

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Cópia obtida através de edição de captura de écran por não ter sido disponibilizado o URL original

Arqueólogos da Universidade de Griffith, na Austrália, acreditam ter descoberto a arte rupestre mais antiga do mundo já encontrada. Em causa está a figura de um javali, pintada numa caverna da Indonésia há pelo menos 45.500 anos.

Em comunicado, a equipa de especialistas detalha que a figura foi descoberta durante uma investigação levada a cabo no principal centro de pesquisa arqueológico da Indonésia, o Pusat Penelitian Arkeologi Nasional (ARKENAS) e que em causa está a figuração de um porco verrugoso de Sulawesi, um javali que é endémico desta ilha indonésia.

“A pintura de porco verrugoso de Sulawesi que encontramos na caverna de calcário de Leang Tedongnge é agora a mais antiga obra de arte figurativa conhecida no mundo, tanto quanto sabemos“, explicou Adam Brumm, que co-liderou a investigação.

“A caverna localiza-se num vale que é cercado por penhascos de calcário íngremes e só é acessível através de uma passagem estreita da caverna durante a estação seca, uma vez que o fundo do vale fica completamente inundado com a chuva. A isolada comunidade de Bugis que vive neste vale diz que [a figura] nunca foi visitada por ocidentais”.

De acordo com os cientistas, a pintura data de há pelo menos 45.500 anos e é parte de um painel de arte rupestre localizado acima de uma saliência alta ao longo da parede posterior da caverna de Leang Tedongnge.

“[A figura] mostra um porco com uma crista curta de pêlos erectos e um par de verrugas faciais semelhantes a uns chifres à frente dos olhos”, continuou, dando conta que esta é uma característica que se observa nos espécimes machos adultos de porcos Sulawesi.

Os cientistas detalham ainda que a figura foi pintada com ocre vermelho, que é uma espécie de argila, e retrata um animal que parece estar “a observar uma luta ou uma interacção social” entre dois outros porcos da mesma espécie.

Apesar de acreditar ter encontrado a arte rupestre mais antiga já encontrada, a equipa não espera que o registo se mantenha durante muito tempo, uma vez que existem evidências arqueológicas que mostram que o Homem viveu na Austrália há, pelo menos, 65.000 anos, e a sua rota mais provável para o continente eram estas mesmas ilhas.

“A descoberta destaca a notável antiguidade da arte rupestre da Indonésia e o seu grande significado para a compreensão da história da arte e o seu papel na história inicial da Humanidade”, rematou Brumm.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na revista cientifica Science Advances, juntamente com um vídeo no qual a equipa explica o trabalho realizado.

Por Sara Silva Alves
16 Janeiro, 2021


4958: Qual é o destino do nosso planeta Terra?

CIÊNCIA/TERRA/UNIVERSO

Tudo tem um fim, até o Universo, e há quem diga que será um fim triste e solitário. A nossa casa, o planeta Terra, e a nossa estrela, o Sol, nasceram juntos e os seus destinos estão ligados. Conforme a nossa estrela se torna uma gigante vermelha e se expande, a Terra torna-se numa rocha seca, queimada e inabitável. Isso acontecerá também quando a nossa galáxia, a Via Láctea, colidir com a galáxia de Andrómeda, na porta ao lado.

Se é o Sol que mantém a vida na Terra, será esse mesmo Sol que irá, daqui a 5 mil milhões de anos, aniquilar todo e qualquer ser vivo no planeta.

Como será o fim do planeta Terra?

É do conhecimento comum que o planeta Terra existe graças ao nosso Sol. O nosso planeta formou-se na órbita da estrela, a partir de uma enorme nuvem de gás e poeira no espaço, há 4,5 mil milhões de anos. Da mesma forma, será o Sol a arruinar todos os seres vivos da Terra, daqui a cerca de mil milhões de anos.

Conforme o Sol evolui, expandir-se-á para se tornar numa estrela gigante vermelha e transformará o nosso planeta em cinzas. Além do mais, a morte da Terra acontecerá num cenário de mudanças em escala galáctica. A nossa galáxia, a Via Láctea, e a galáxia de Andrómeda estarão no meio de uma colisão colossal que alterará para sempre o nosso lar galáctico no espaço.

Sol: fonte de vida hoje e gigante vermelho no futuro

O nosso sol é uma estrela do tipo G e, actualmente, está na metade do seu ciclo de vida. Esta categoria de estrelas é muito estável durante a maior parte da sua vida. Vai fundindo discretamente hidrogénio em hélio no seu interior durante milhar de milhões de anos. Um dia, o hidrogénio no interior do Sol esgotar-se-á.

Nesse momento, a pressão interna da gravidade ganhará sobre a pressão externa da fusão interna do Sol, até este aquecer o suficiente para começar a fundir hélio. Nesse momento, o Sol irá inchar para fora, para se tornar uma estrela gigante vermelha.

À medida que o Sol aquece e se expande, as suas camadas externas envolverão os planetas mais internos, Mercúrio e Vénus. A borda externa do Sol crescerá para atingir aproximadamente a órbita da Terra. Como resultado, a água e a atmosfera do nosso planeta irão ferver. Para trás não ficará nada a não ser rocha carbonizada e sem vida.

Marte vai demorar um pouco para aquecer, mas, eventualmente, o planeta vermelho também estará fora da zona habitável para humanos. Nesse ponto, as luas dos planetas externos – como Júpiter e Saturno – serão os únicos lugares restantes no nosso sistema solar para colónias humanas.

Calma, esses locais serão apenas temporários e quem por cá andar terá de procurar outros locais para chamar de lar.

À medida que o nosso Sol se expande para a fase de gigante vermelha, a zona habitável ao redor dele será empurrada para fora do sistema solar. Imagem via NASA / Wendy Kenigsburg.

O tempo corre contra a humanidade

A fase de gigante vermelho do Sol pode continuar durante mil milhões de anos ou mais, mas, eventualmente, o hélio também acabará. Então, o Sol vai soprar um envelope de gás. Os astrónomos que observam através de telescópios noutros sistemas estelares verão o nosso Sol como o que chamamos de nebulosa planetária, uma grande camada de gás em torno de uma estrela moribunda.

No final das contas, esta casca dissipar-se-á no espaço e o que sobrou do nosso Sol tornar-se-á uma estrela anã branca.

Os astrónomos podem olhar para o espaço para vislumbrar o futuro do planeta Terra. Por exemplo, a 400 anos-luz de distância, uma estrela conhecida pelos astrónomos como SDSS J1228 + 1040 é uma anã branca com a sua mortalha funerária de nebulosa de gás e, dentro dela, os astrónomos encontraram a assinatura de um planetesimal ainda a orbitar o seu sol natal muito depois da sua morte.

O que se vai passar com a nossa galáxia?

Portanto, nisto tudo, o que dizer da própria Via Láctea, a grande ilha de estrelas que contém a nossa Terra e o nosso Sol?

No momento em que o nosso Sol cresce na fase de gigante vermelho – muito antes de se estabelecer como uma anã branca – a própria Via Láctea estará a passar por um longo processo de colisão inevitável com a galáxia espiral gigante vizinha, a galáxia de Andrómeda.

Os últimos humanos na Terra – se algum humano sobrar daqui a dois mil milhões de anos – verão a galáxia de Andrómeda a crescer e a ficar mais brilhante no céu nocturno. Actualmente, é quase invisível a olho nu num local com céu escuro. Contudo, daqui a alguns milhar de milhões de anos, a galáxia de Andrómeda será um turbilhão de estrelas de tirar o fôlego e inconfundível, facilmente visível no céu nocturno de todos os habitantes da Terra.

Assim, à medida que a Andrómeda e a Via Láctea se aproximam uma da outra, a grande massa da galáxia de Andrómeda começa a afectar as estrelas na nossa Via Láctea. A nossa galáxia é ampla e plana, como uma panqueca. Apesar de muito distante, nós, na Terra, actualmente vemos as suas estrelas numa noite escura de Agosto como uma grande faixa nebulosa no céu.

No entanto, à medida que a gravidade da Andrómeda distorcer os seus caminhos, as estrelas da Via Láctea serão espalhadas pelo nosso céu.

Pode parecer incrível, mas as estrelas dentro das galáxias estão tão distantes umas das outras que mesmo quando as duas espirais gigantes colidirem, haverá poucos fogos de artifício de colisões entre estrelas. No entanto, as nuvens de gás nas duas galáxias provavelmente irão colidir. O resultado serão formações de vastos conglomerados de novas estrelas.

O fim de tudo… é o começo!

Por fim, as galáxias da Via Láctea e de Andrómeda irão estabilizar para formar uma nova galáxia em forma de bolha massiva. Neste ponto, a Terra, o nosso Sol e o resto do nosso sistema solar podem estar nalgum local totalmente novo com relação ao centro galáctico.

Actualmente, a Terra fica a cerca de 25.000 anos-luz do centro da Via Láctea. Após a fusão de Andrómeda com a Via Láctea, os astrónomos acreditam que o nosso lar no espaço terá sido extraído para uma nova órbita galáctica a cerca de 100.000 anos-luz do centro da nova e grande galáxia combinada Andrómeda-Via Láctea.

Poderia dizer-se que estamos a ser enviados para uma casa de repouso no interior.

Referiu o teórico TJ Cox do Harvard-Smithsonian Center for Astrophysics.

E qual será o destino da humanidade?

Isso é impossível de dizer. Se ela sobreviver, o futuro da humanidade dependerá da nossa capacidade de viajar para longe do nosso Sol moribundo e montar acampamento num outro lugar.

Apesar de tudo, felizmente, ainda temos alguns milhar de milhões de anos para descobrir como realizar esta tarefa monumental. Contudo, estamos já no princípio do fim.

Pplware
Autor: Vítor M.
15 Jan 2021


4957: CIA revela online milhares de documentos confidenciais sobre OVNIs

CIÊNCIA/INTERNET/OVNI

U.S. Department of Defense

A Agência Central de Inteligência (CIA) revelou online milhares de documentos relacionados com avistamentos de Objectos Voadores Não-Identificados (OVNIs). 

A CIA (Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos) revelou, esta semana, milhares de documentos secretos online, sendo que muitos deles dizem respeito aos registos guardados sobre Objectos Voadores Não-Identificados (OVNIs).

Os documentos foram partilhados no site The Black Vault, um arquivo digital de antigos documentos governamentais confidenciais.

O The Guardian escreve que John Greenewald Jr, fundador do site, comprou à agência norte-americana um CD-Rom com 2700 páginas sobre OVNIs, que, segundo a CIA, são todos os documentos que mantinha em sua posse sobre Objectos Voadores Não-Identificados.

Ainda assim, o fundador do The Black Vault ressalva que não há maneira de verificar se a garantia dada pela CIA é real.

John Greenwald Jr também acusa a agência de disponibilizar a informação num formato desactualizado, tornando “difícil” usar estes registos. “A CIA faz com que seja incrivelmente difícil usar os seus registos de uma forma razoável. Este formato retrógrado faz com que seja muito difícil para as pessoas verem os documentos e usá-los para qualquer propósito de investigação”, disse ao diário britânico.

A divulgação dos documentos acontece depois de o Congresso ter ordenado ao director nacional de Inteligência e à secretaria da Defesa que lançassem um relatório sobre OVNIs num prazo de seis meses.

O documento deve incluir “uma análise detalhada sobre fenómenos aéreos não identificados e relatórios de inteligência recolhidos por si ou em sua posse”.

Pentágono tem seis meses para revelar toda a informação que tem sobre OVNIs

O Pentágono e outras agências de inteligência norte-americanas têm um prazo de seis meses para entregar um documento com toda…

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ZAP //

Por ZAP
15 Janeiro, 2021


4956: Descoberta de quasar estabelece novo recorde de distância

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do quasar J0313-1806, visto apenas 670 milhões de anos após o Big Bang.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. da Silva

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu o quasar que é até à data o mais distante – um monstro cósmico a mais de 13 mil milhões de anos-luz da Terra alimentado por um buraco negro super-massivo mais de 1,6 mil milhões de vezes mais massivo do que o Sol e mais de 1000 vezes mais brilhante do que toda a nossa Via Láctea.

O quasar, chamado J0313–1806, é visto quando o Universo tinha apenas 670 milhões de anos e está a fornecer aos astrónomos informações valiosas sobre como as galáxias massivas – e os buracos negros super-massivos nos seus núcleos – se formaram no início do Universo. Os cientistas apresentaram os seus achados na reunião da Sociedade Astronómica Americana, realizada virtualmente, e num artigo científico aceite para publicação na revista The Astrophysical Journal Letters.

A nova descoberta bate o recorde anterior de distância para um quasar, estabelecido há três anos. As observações com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array) no Chile confirmaram a medição da distância com alta precisão.

Os quasares ocorrem quando a poderosa gravidade de um buraco negro super-massivo no núcleo de uma galáxia atrai o material circundante que forma um disco orbital de material super-aquecido em torno do buraco negro. O processo liberta uma quantidade enorme de energia, tornando o quasar extremamente brilhante, muitas vezes ofuscando o resto da galáxia.

O buraco negro no centro de J0313-1806 é duas vezes mais massivo do que o recordista anterior e esse facto fornece aos astrónomos uma pista valiosa sobre estes buracos negros e o seu efeito sobre as galáxias hospedeiras.

“Esta é a primeira evidência de como um buraco negro super-massivo está a afectar a galáxia em seu redor,” disse Feige Wang, do Observatório Steward da Universidade do Arizona e líder da equipa de investigação. “A partir de observações de galáxias menos distantes, sabemos que isto tem que acontecer, mas nunca vimos isto acontecer tão cedo no Universo.”

Os astrónomos disseram que a enorme massa do buraco negro de J0313-1806, num momento tão precoce na história do Universo, descarta dois modelos teóricos de como estes objectos se formaram. No primeiro destes dois modelos, as estrelas massivas individuais explodem como super-novas e colapsam em buracos negros que então coalescem em buracos negros maiores. No segundo, densos enxames de estrelas colapsam num enorme buraco negro. No entanto, em ambos os casos, o processo leva demasiado tempo para produzir um buraco negro tão massivo quanto o de J0313-1806 na altura a que o vemos.

“Isto indica que, não importa o que façamos, a ‘semente’ deste buraco negro deve ter sido formada por um mecanismo diferente,” disse Xiaohui Fan, também da Universidade do Arizona. “Neste caso, é um mecanismo que envolve grandes quantidades de gás hidrogénio frio e primordial que colapsa directamente para um buraco negro ‘semente’.”

As observações de J0313-1806 pelo ALMA forneceram detalhes tentadores sobre a galáxia hospedeira do quasar, que está a formar novas estrelas a um ritmo 200 vezes maior do que o da Via Láctea. “Esta é uma taxa de formação estelar relativamente alta em galáxias de idade semelhante, e indica que a galáxia hospedeira do quasar está a crescer muito depressa,” disse Jinyi Yang, segunda autora do artigo, também da Universidade do Arizona.

O brilho do quasar indica que o buraco negro está a engolir o equivalente a 25 sóis todos os anos. A energia libertada por essa alimentação rápida, disseram os astrónomos, provavelmente está a gerar um poderoso fluxo de gás ionizado que é visto a mover-se a cerca de 20% da velocidade da luz.

Pensa-se que tais fluxos sejam o que, em última análise, para a formação de estrelas na galáxia.

“Achamos que esses buracos negros super-massivos foram a razão pela qual muitas das grandes galáxias pararam de formar estrelas em algum ponto,” disse Fan. “Observamos esta ‘extinção’ em épocas posteriores mas, até agora, não sabíamos quão cedo este processo tinha começado na história do Universo. Este quasar é a primeira evidência de que a extinção pode ter acontecido em tempos muito antigos.”

Fan realçou que este processo também deixará o buraco negro sem nada para comer e interromperá o seu crescimento.

Além do ALMA, os astrónomos usaram o telescópio Magellan Baade de 6,5 metros, o telescópio Gemini Norte e o Observatório W. M. Keck, ambos no Hawaii, e o telescópio Gemini Sul no Chile.

Os astrónomos planeiam continuar a estudar J0313-1806 e outros quasares com telescópios terrestres e espaciais.

Astronomia On-line
15 de Janeiro de 2021


4955: Pesquisa por ondas gravitacionais encontra novas pistas tantalizantes

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração mostra o projeto NANOGrav a observar objetos cósmicos chamados pulsares num esforço de detetar ondas gravitacionais.
Crédito: NANOGrav/T. Klein

Uma equipa internacional de cientistas pode estar perto de detectar leves ondulações no espaço-tempo que preenchem o Universo.

Pares de buracos negros milhares de milhões de vezes mais massivos do que o Sol podem estar a orbitar-se uns aos outros, gerando ondulações no próprio espaço. O NANOGrav (North American Nanohertz Observatory for Gravitational Waves) passou mais de uma década a usar radiotelescópios terrestres para procurar evidências destas ondulações no espaço-tempo criadas por buracos negros monstruosos. Esta semana, o projecto anunciou a detecção de um sinal que pode ser atribuído a ondas gravitacionais, embora os membros ainda não estejam prontos para reivindicar sucesso.

As ondas gravitacionais foram teorizadas pela primeira vez por Albert Einstein em 1916, mas só foram detectadas directamente quase um século depois. Einstein mostrou que, em vez de ser um plano de fundo rígido para o Universo, o espaço é um tecido flexível que é deformado e curvado por objectos massivos e inextricavelmente ligado ao tempo. Em 2015, uma colaboração entre o norte-americano LIGO (Laser Interferometer Gravitational-wave Observatory) e o interferómetro Virgo na Europa anunciou a primeira deteção directa de ondas gravitacionais: eram emanadas por dois buracos negros – cada com aproximadamente 30 vezes a massa do Sol – que se orbitavam um ao outro e que depois se fundiram.

Num novo artigo publicado na edição de Janeiro de 2021 da revista The Astrophysical Journal Supplements, o projecto NANOGrav relata a detecção de flutuações inexplicáveis, consistentes com os efeitos das ondas gravitacionais, no “timing” de 45 pulsares espalhados pelo céu e medidos ao longo de um período de 12 anos e meio.

Os pulsares são “pepitas” densas de material que sobram da explosão de uma estrela como super-nova. Vistos da Terra, os pulsares parecem piscar. Na realidade, a luz vem de dois feixes constantes que emanam de lados opostos do pulsar enquanto este gira, como um farol. Se as ondas gravitacionais passarem entre um pulsar e a Terra, o alongamento e a compressão subtis do espaço-tempo parecem introduzir um pequeno desvio no tempo regular do pulsar. Mas este efeito é subtil, e mais de uma dúzia de outros factores também influenciam o “timing” do pulsar. Uma parte importante do trabalho feito pelo NANOGrav é a subtracção desses factores dos dados para cada pulsar antes de procurar sinais de ondas gravitacionais.

O LIGO e o Virgo detectam ondas gravitacionais de pares individuais de buracos negros (ou outros objectos densos chamados estrelas de neutrões). Em contraste, o NANOGrav está à procura de um “fundo” persistente de ondas gravitacionais, ou a combinação ruidosa de ondas criadas ao longo de milhares de milhões de anos por incontáveis pares de buracos negros super-massivos espalhados pelo Universo. Estes objectos produzem ondas gravitacionais com comprimentos de onda muito maiores do que aqueles detectados pelo LIGO e Virgo – tão longas que podem ser necessários anos para uma única onda gravitacional passar por um detector estacionário. Portanto, embora o LIGO e o Virgo possam detectar milhares de ondas por segundo, a missão do NANOGrav requer anos de dados.

Por mais tantalizante que o último achado seja, a equipa do NANOGrav não está pronta para afirmar que encontrou evidências de um fundo de ondas gravitacionais. Porquê a hesitação? Para confirmar a detecção directa de uma assinatura de ondas gravitacionais, os investigadores do NANOGrav terão que encontrar um padrão distinto nos sinais entre pulsares individuais. De acordo com a teoria da relatividade geral de Einstein, o efeito do fundo de ondas gravitacionais deve influenciar o “timing” dos pulsares de maneira ligeiramente diferente com base nas suas posições em relação uns aos outros.

Actualmente, o sinal é demasiado fraco para que tal padrão seja distinguível. O aumento do sinal exigirá que o NANOGrav expanda o seu conjunto de dados para incluir mais pulsares estudados por períodos de tempo ainda mais longos, o que aumentará a sensibilidade da rede de radiotelescópios. O NANOGrav também está a juntar os seus dados aos dados de outras experiências de “timing” de pulsares num esforço conjunto do IPTA (International Pulsar Timing Array), uma colaboração de investigadores que usa os maiores radiotelescópios do mundo.

“Tentar detectar ondas gravitacionais com uma rede de ‘timing’ de pulsares requer paciência,” disse Scott Ransom do NRAO (National Radio Astronomy Observatory) e actual presidente do NANOGrav. “De momento estamos a analisar mais de uma dúzia de anos de dados, mas uma detecção definitiva provavelmente levará mais alguns. É óptimo que estes novos resultados sejam exactamente o que esperaríamos ver à medida que nos aproximamos de uma detecção.”

A equipa do NANOGrav discutiu as suas descobertas numa conferência de imprensa dia 11 de Janeiro na 237.ª reunião da Sociedade Astronómica Americana, realizada virtualmente entre os dias 10 e 15 de Janeiro. Michele Vallisneri e Joseph Lazio, ambos astrofísicos do JPL da NASA no sul da Califórnia, e Zaven Arzoumanian do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, no estado norte-americano de Maryland, são co-autores do estudo. Joseph Simon, investigador na Universidade do Colorado, em Boulder, e autor principal do artigo, realizou grande parte da análise do artigo como investigador pós-doutorado no JPL. O NANOGrav é uma colaboração entre astrofísicos dos EUA e do Canadá. Os dados do novo estudo foram recolhidos usando o GBT (Green Bank Telescope), no estado da Virgínia Ocidental, e a antena de Arecibo em Porto Rico antes do seu recente colapso.

Astronomia On-line
15 de Janeiro de 2021


4954: Estranhos pigmentos vermelhos desvendam mistério sobre o colapso da civilização da Ilha de Páscoa

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

(CC0/PD) Wolk9 / Pixabay

Um novo estudo lança luz sobre a continuidade cultural dos Rapa Nui após o início do desflorestação através de uma investigação dos pigmentos vermelhos usados ​​pela civilização durante séculos.

Seguindo a trilha do lendário Terra Australis, o marinheiro holandês Jacob Roggeveen chegou em 5 de Abril de 1722, numa pequena ilha no meio do Pacífico. Exploradores europeus chamaram-na Ilha de Páscoa em homenagem ao dia da sua chegada, a Páscoa.

Ao desembarcar, encontraram as colossais e enigmáticas esculturas Moai e um pequeno número de indígenas. Naquela altura, a ilha não tinha árvores e a civilização Rapa Nui estava a caminhar para o seu desaparecimento.

Quando e como o colapso aconteceu é um grande mistério. A teoria mais difundida é que ocorreu no século XVII, após uma catástrofe ecológica, cultural e demográfica. Porém, a cronologia destes eventos permanece envolta em ambiguidade até hoje.

Agora, de acordo com o jornal espanhol ABC, um novo estudo, liderado pelo Museu Moesgard, na Dinamarca, lança luz sobre a continuidade cultural dos Rapa Nui após o início do desflorestação através de uma investigação meticulosa dos pigmentos vermelhos usados ​​pela civilização durante séculos.

“Ainda não foi determinado para que eram usados. No entanto, é claro que a cor vermelha era considerada sagrada na Ilha de Páscoa. Representava força espiritual, força física e fertilidade”, disse Marco Madella, especialista em arqueologia ambiental da Universidade Pompeu Fabra.

Embora a presença desse pigmento tenha sido bem documentada por cientistas, a sua origem e possível processo de produção não eram claros.

Ervas secas para combustível

Equipas de Museu Moesgard e da Universidade de Kiel já tinham documentado a existência de centenas de poços a conter vestígios destes pigmentos em vários pontos da ilha. Foram datados entre os séculos XIII e XV, após o início da desflorestação da ilha e antes da chegada dos europeus, e foi documentado que a sua finalidade era a sua elaboração e foi sugerido que existia uma produção em larga escala de pigmentos na ilha.

Agora, um novo trabalho arqueológico encontrou mais poços em diferentes pontos de Rapa Nui, por isso “a sua presença era muito mais comum na ilha“, segundo Madella. O material analisado data as construções no período entre os séculos XV e XVII.

Assim, a produção e o armazenamento de pigmentos continuaram num volume considerável após a desflorestação. Assim, as descobertas apoiam a continuidade cultural dos Rapa Nui em vez do colapso.

Embora a sua finalidade exacta seja desconhecida, “é possível que fossem usados ​​para pintar o corpo, porque a sua consistência fina torna-os fáceis de aplicar sobre a pele. Outro uso poderia ter sido a decoração de imagens de pedra ou para pintar parte dos moai”, arriscou a cientista, ressaltando que isso daria suporte ao facto de que precisavam de elaborá-la em abundância.

Esta investigação também conseguiu identificar, pela primeira vez, a forma como os pigmentos eram produzidos nas construções encontradas. A equipa analisou fitólitos, partículas microscópicas de sílicas opalinas que se formam nas células vegetais, e o estudo mostrou que o pigmento vermelho é baseado na hematita de óxido de ferro, que os Rapa Nui produziam nestas construções a aquecer a rocha, que era depois triturada.

A Ilha de Páscoa está ameaçada. A culpa é dos turistas que tiram macacos do nariz às estátuas

Embora o turismo possa trazer dinheiro para as economias locais, muitas vezes tem impactos negativos significativos nas comunidades nativas –…

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“A evidência do uso do fogo para processar as pedras vem do material vegetal carbonizado, que se encontra em camadas de cor escura em todo o pigmento avermelhado que preenche os poços”, disse o especialista.

Os habitantes da Ilha de Páscoa já tinham derrubado grande parte das suas florestas, por isso a madeira mal estava presente como combustível. Em vez disso, o Rapa Nui usava grandes quantidades de ervas secas.

Os poços onde era feito também funcionavam como armazenamento e alguns deles possuíam uma espécie de rolha para proteger o conteúdo.

Assim, o estudo também não encontrou evidências de um colapso antes da colonização na Ilha de Páscoa. Pelo contrário, o facto de se juntar às fileiras de comunidades resilientes que continuaram com as suas tradições ancestrais, apesar do impacto da chegada dos europeus, ganha força.

Este estudo foi publicado em Dezembro na revista científica The Holocene.

Po


r Maria Campos
15 Janeiro, 2021

4953: Descoberto um mundo com três sóis (que foi “quase esquecido”)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

R. Hurt / Caltech

O KOI-5Ab foi o segundo candidato a planeta a ser encontrado pela missão Kepler da NASA. Porém, acabou por ser deixado de lado enquanto o telescópio espacial acumulava mais e mais descobertas de planetas.

Pouco depois de a missão Kepler da NASA começar a operar em 2009, o telescópio espacial avistou o que se pensava ser um planeta com cerca da metade do tamanho de Saturno num sistema de múltiplas estrelas.

No entanto, o planeta acabou por ser deixado de lado. “O KOI-5Ab foi abandonado porque era complicado e tínhamos milhares de candidatos”, disse David Ciardi, cientista-chefe do Exoplanet Science Institute da NASA, em comunicado. “Havia escolhas mais fáceis do que KOI-5Ab, e estávamos a aprender algo novo com o Kepler todos os dias, de modo que KOI-5 foi quase esquecido.”

Agora, após uma longa caça que durou muitos anos e muitos telescópios, Ciardi disse que “ressuscitou o KOI-5Ab dos mortos”. Usando dados do Observatório W. M. Keck no Havai, Observatório Palomar da Caltech, Ciardi e outros astrónomos determinaram que KOI-5b parecia estar a circular uma estrela num sistema de três estrelas.

No entanto, ainda não conseguiam descobrir se o sinal do planeta era uma falha errónea de uma das outras duas estrelas ou qual das estrelas o planeta orbitava.

Em 2018, surgiu o TESS. Como o Kepler, o TESS procura o piscar da luz das estrelas que ocorre quando um planeta cruza na frente ou transita por uma estrela. TESS observou uma parte do campo de visão de Kepler, incluindo o sistema KOI-5, e identificou KOI-5Ab como um planeta candidato. TESS descobriu que o planeta orbitava a sua estrela aproximadamente a cada cinco dias.

O planeta, que é provavelmente um gigante gasoso como Júpiter e Saturno devido ao seu tamanho, é incomum porque orbita uma estrela num sistema com duas outras estrelas companheiras, circulando num plano que está desalinhado com pelo menos uma das estrelas.

KOI-5Ab orbita a estrela A, que tem uma companheira relativamente próxima, a estrela B. A estrela A e a estrela B orbitam-se uma à outra a cada 30 anos. Uma terceira estrela ligada gravitacionalmente, a estrela C, orbita as estrelas A e B a cada 400 anos.

Os dados revelam que o plano orbital do planeta não está alinhado com o plano orbital da Estrela B, a segunda estrela interna, como seria de esperar se as estrelas e o planeta se tivessem todos formado a partir do mesmo disco de material rodopiante.

Os astrónomos não sabem o que causou o desalinhamento de KOI-5Ab, mas acreditam que a segunda estrela chutou gravitacionalmente o planeta durante o seu desenvolvimento, distorcendo a sua órbita e fazendo com que migrasse para dentro.

“Não conhecemos muitos planetas que existam em sistemas de estrelas triplas e este é muito especial porque a sua órbita é enviesada”, disse Ciardi. “Ainda temos muitas dúvidas sobre como e quando os planetas se podem formar em sistemas de estrelas múltiplas e como as suas propriedades se comparam a planetas em sistemas de estrela única. Ao estudar este sistema em maiores detalhes, talvez possamos obter uma visão de como o universo faz planetas”.

Estas descobertas foram apresentadas numa reunião virtual da American Astronomical Society.

Por Maria Campos
15 Janeiro, 2021


4952: Blue Origin lança com sucesso estrondoso a New Shepard

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A New Shepard é um sistema de lançamento reutilizável sub-orbital tripulado com descolagem vertical que está a ser desenvolvido pela Blue Origin. Hoje, a empresa do multimilionário Jeff Bezos, patrão da Amazon, acaba de dar um passo importante para enviar astronautas ao espaço.

A empresa de exploração espacial liderada por Bezos acaba de lançar com sucesso o seu foguete New Shepard na base de testes no Texas.

Blue Origin lança com sucesso o foguetão New Shepard

A empresa de Jeff Bezos é uma concorrente directa da SpaceX de Elon Musk. Apesar da Blue Origin estar atrasada face ao que a SpaceX tem alcançado, no futuro irão bater-se lado a lado pelos projectos espaciais, quer na exploração da Lua, quer na ida a Marte.

Apesar de este ser o 13.º lançamento bem-sucedido do foguete, foi o voo inaugural do NS-4 da empresa, uma cápsula da tripulação actualizada com seis assentos, painéis de exibição e controlos de temperatura. Dentro da cápsula viajou já um manequim de tamanho humano que recolheu os mais variados dados do lançamento.

Manequim Skywalker

O foguete, com o manequim “Mannequin Skywalker”, que ocupou um dos seis lugares disponíveis, descolou a um apogeu de 107 km, bem acima da linha Karman, o limite convencionado que fica a uma altitude de 100 km acima do nível do mar.

Vários minutos após a descolagem, o impulsionador do foguete aterrou com sucesso e precisão incrível. Estabilizou no ar, controlou a velocidade de descida e pousou controlado sobre quatro pernas estendidas, uma reminiscência do impulsionador Falcon 9 da SpaceX. A cápsula, projectada para um dia transportar turistas ao espaço, fez um retorno mais suave, auxiliada por três grandes para-quedas.

O foguete New Shepard está em construção há muito tempo. Segundo as informações da empresa, o foguete entrou no seu sétimo ano de testes de voo sem tripulação. Aliás, os voos tripulados não deverão ocorrer antes de 2022. Tendo em conta o que já referimos, o seu maior concorrente, a SpaceX, teve muito mais sorte, entregando os seus primeiros astronautas ao espaço em Agosto de 2020.

Próxima paragem: Lua

Embora seja iterativo em certos aspectos, o lançamento de hoje estabelece as bases para o esforço muito mais ambicioso da Blue Origin: pousar astronautas na Lua.

Conforme foi possível acompanhar, a New Shepard usou o motor de foguete BE-3 movido a hidrogénio líquido e oxigénio. Duas versões optimizadas para vácuo destes motores levarão o veículo de lançamento orbital da Blue Origin, New Glenn, que deve fazer a sua estreia ainda este ano, como relata NASA Spaceflight.

O motor BE-7 da empresa, que actualmente está a ser testado, usa o mesmo combustível do BE-3 e foi projectado para ser usado no módulo lunar Blue Moon da Blue Origin. A empresa entregou um protótipo em escala real à NASA em agosto.

Pplware
Autor: Vítor M.
14 Jan 2021


4951: Rolls-Royce quer desenvolver motor espacial nuclear para chegar a Marte em menos tempo

CIÊNCIA/TECNOLOGIA/MARTE

A Rolls-Royce é a empresa que mais máquinas coloca a voar. Assim, no que toca a motores para a avião, a empresa britânica seguramente tem uma palavra a dizer. Nesse sentido, voar até Marte pode demorar menos tempo se for desenvolvido um motor espacial nuclear.

Segundo o que foi dado a saber, a Rolls-Royce e a Agência Espacial do Reino Unido irão trabalhar juntas para desenvolver um motor movido a energia nuclear. O objectivo é reduzir o tempo de viagem até ao planeta vermelho.

Rolls-Royce quer desenvolver um motor nuclear para ir a Marte

Tal como a NASA e a SpaceX que têm feito um trabalho conjunto no que toca ao desenvolvimento de tecnologias para viajar no Espaço, também está no horizonte da Rolls-Royce e da Agência Espacial do Reino Unido trabalhar juntas para desenvolver um motor movido a energia nuclear. Actualmente, com um motor comum a viagem dura quase oito meses. Com um movido a energia nuclear, levaria apenas três ou quatro meses.

Assim, com esta tecnologia, já pensada há mais de 50 anos, as viagens seriam mais curtas, os astronautas estariam expostos a menos radiação durante o voo. O objectivo é que a viagem seja o mais segura possível, assim como mais barata.

A energia nuclear espacial e a propulsão são conceitos revolucionários. Eles podem desbloquear futuras missões no espaço profundo.

Referiu Graham Turnock é Director Executivo da Agência Espacial do Reino Unido.

Rolls-Royce: Motor nuclear parece ser a solução

Não é a primeira vez que se fala neste tipo de tecnologia para viajar mais rápido pelo Espaço. Já em Novembro passado, a empresa USNC-Tech afirmava que projectara um novo motor termonuclear capaz de levar os astronautas ao Planeta Vermelho em apenas três meses.

O projecto apresentado referia o uso de micro-cápsulas de cerâmica de combustível de alto teor de urânio enriquecido (HALEU ou high assay low enriched uranium).

Claro que tudo isto não apareceu agora. Entre 1961 e 1972, a NASA trabalhou para criar um motor movido a energia nuclear. No entanto, os cortes no orçamento obrigaram o programa a ser suspenso.

Viagem tripulada a Marte será mais rápida se passar por Vénus, dizem os cientistas

Marte está no foco das agências espaciais e depois de voltar à Lua, a NASA vai preparar o assalto ao planeta vermelho lá para 2033. Contudo, segundo cientistas norte-americanos, feitos os cálculos das órbitas … Continue a ler Viagem tripulada a Marte será mais rápida se passar por Vénus, dizem os cientistas

14 Jan 2021


4950: Cientistas explicam porque é que os crocodilos mudaram tão pouco desde o tempo dos dinossauros

CIÊNCIA/BIOLOGIA

miniformat65 / Pixabay

Uma equipa de cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, concluiu que os crocodilos mudaram muito pouco desde o tempo dos dinossauros devido a um padrão evolutivo lento, que ainda assim lhes atribuiu versatilidade suficiente para se adaptarem às mudanças ambientais dos últimos milhões de anos.

Os crocodilos que hoje vivem na Terra são muito semelhantes aos do Período Jurássico, há 200 milhões de anos, enquanto outros animais, como lagartos e pássaros, atingiram a diversidade de muitos milhares de espécies, num período de tempo semelhante ou até inferior.

Em comunicado, a equipa explica que estas diferenças podem ser justificadas por um padrão evolutivo stop-start nos crocodilos, que é conhecido como “equilíbrio pontuado”.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Communications Biology, a taxa de evolução destes animais é, por norma, lenta, mas, ocasionalmente, os crocodilos evoluem rapidamente porque o seu ambiente mudou.

Especificamente, o estudo sugere que o ritmo da evolução acelera quando o clima está mais quente, fazendo com que o corpo do animal aumente.

“A nossa análise recorreu a um algoritmo de machine learning para estimar as taxas de evolução. A taxa evolutiva reflete a quantidade de mudanças que ocorreram durante um determinado período de tempo, que fomos capazes de calcular comparando as medições de fósseis e tendo em conta as suas idades”, começou por explicar Max Stockdale, cientista da Escola de Ciências Geográficas da Universidade de Bristol e autor principal do estudo.

“Medimos o tamanho do corpo – o que é importante porque está relacionado com a velocidade de crescimento dos animais – a quantidade de comida de que precisa, o tamanho das suas populações e a probabilidade de extinção”, continuou.

Os resultados demonstraram que a diversidade limitada de crocodilos e a sua aparente falta de evolução é fruto de uma lenta taxa de evolução. De acordo com os cientistas, os crocodilos atingiram um plano corporal eficiente e versátil o suficiente ao ponto de não precisarem de o alterar de forma mais ritmada para sobreviver.

Esta mesma versatilidade pode explicar porque é que os crocodilos sobreviveram ao impacto do asteróide que matou os dinossauros e 70% de todas as espécies da Terra no final do Cretáceo, há cerca de 65 milhões de anos.

Os cientistas observam ainda que os crocodilos se desenvolvem melhor em condições quentes, uma vez que não conseguem controlar a temperatura do corpo e precisam do calor do ambiente para se regularem – são os chamados animais de “sangue frio”.

No tempo dos dinossauros, o clima era muito mais quente do que é agora, podendo esta diferença explicar porque é que existiam muitas mais espécies de crocodilos nesse período. Ser capaz de extrair energia do Sol significa que estes répteis não precisam de tanto alimento como um animal de sangue quente, como uma ave ou mamífero.

“É fascinante observar: há uma relação tão intrincada entre a Terra e os seres vivos com os quais a partilhamos. Os crocodilos ‘caíram’ num estado de vida versátil o suficiente para se adaptarem às enormes mudanças ambientais que ocorreram desde o tempo em que os dinossauros existiam”, rematou Stockdale.

No futuro, a equipa de cientistas da Universidade de Bristol pretende descobrir porque é que alguns crocodilos pré-históricos morreram e outros não.

Afinal, as lágrimas de crocodilo são bastante “humanas”

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Sara Silva Alves, ZAP //

Por Sara Silva Alves
14 Janeiro, 2021


4949: NASA pode ter detectado um sinal de rádio vindo de Ganimedes, a maior lua de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Tsunehiko Kato / 4D2U Project / NAOJ

A sonda espacial Juno fez uma descoberta emocionante na órbita de Júpiter, de acordo com um embaixador da NASA. A pequena nave espacial terá detectado um sinal de rádio FM vindo da maior lua de Júpiter, Ganimedes.

De acordo com a Futurism, o sinal terá sido provavelmente causado por electrões a oscilar a uma taxa mais pequena do que a sua rotação, amplificando consideravelmente as ondas de rádio. O processo, conhecido como instabilidade do maser do ciclotrão (CMI), também está por trás das auroras em Júpiter, que Juno observou em 2017.

Juno só conseguiu, no entanto, detectar a emissão de rádio durante cinco segundos, enquanto orbitava Júpiter a 50 quilómetros por segundo.

Segundo Patrick Wiggins, um dos embaixadores da NASA no estado norte-americano do Utah, é quase certo de que seja um sinal natural. “Não é um extraterrestre”, disse Wiggins, em declarações à estação de notícias local KTVX. “É mais uma função natural.”

Assim, a descoberta não foi um choque, especialmente considerando que o sinal de rádio foi detectado perto das regiões polares de Júpiter, onde as linhas do campo magnético se ligam a Ganimedes.

Esta “emissão de rádio decamétrica” proveniente de Júpiter já é conhecida desde 1960. Na Terra, esses sinais coincidem aproximadamente com os sinais de Wi-Fi que usamos para navegar na web, de acordo com o ABC4.

A notícia, contudo, permanece envolta em mistério. Nenhum outro meio de comunicação parece ter confirmado os comentários de Wiggins e não parece haver nenhum artigo científico ou comunicado de imprensa que corresponda às suas afirmações.

Ganimedes é a maior lua das quatro luas de Júpiter, seguida por Io, Europa e Calisto. Com mais de 5 mil quilómetros de diâmetro, é maior que Mercúrio.

De certa forma, a lua é bastante semelhante à Terra, uma vez que tem, por exemplo, um campo magnético próprio muito activo. No entanto, o mais interessante sobre Ganimedes está dentro dela: pode ter um imenso mar de água salgada subterrânea – maior que todos os oceanos da Terra juntos.

Na superfície, este satélite é feito de silicatos e gelo, em quantidades aproximadamente iguais.

Por Maria Campos
14 Janeiro, 2021


4948: Descoberta super-Terra que só precisa de meio dia para orbitar a sua estrela

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Uma equipa de “caçadores de planetas” da Universidade da Califórnia (UC), nos Estados Unidos, descobriu uma super-Terra quente e rochosa (TOI-561b) que só precisa de meio dia terrestre para orbitar a sua estrela.

Esta super-Terra, com uma massa superior à da Terra mas inferior à dos gigantes gasosos do Sistema Solar, como Júpiter ou Saturno, está perto de uma das galáxias mais antigas da Via Láctea e é 50% maior do que a Terra, detalham os cientistas.

“Para cada dia em que estamos na Terra, este planeta orbita a sua estrela duas vezes”, disse Stephen Kane, astrofísico planetário da UC, citado em comunicado.

A curta órbita de TOI-561b pode ser justificada em parte pela proximidade do planeta à sua estrela, que faz com que esta super-Terra tenha uma temperatura média à superfície de 1.700 graus Celsius, valores incompatíveis com a vida tal qual como a conhecemos.

Kane explica também que apesar de a super-Terra ter uma massa três vezes superior à da Terra, a sua densidade é semelhante à do nosso planeta. “Isto é surpreendente, porque esperaríamos que a densidade fosse maior”, explicou, acrescentando: “Isto é consistente com a noção do que a planeta é extremamente antigo”.

Quando mais antigo é uma planeta, sustenta na mesma nota, menos denso será, uma vez que não existiam tantos elementos pesados na altura em que se formou. Estes elementos são produzidos por reacções de fusão nas estrelas à medida que estas “envelhecem”.

Eventualmente, as estrelas acabam por explodir, dispersando estes elementos que, posteriormente, são o ponto de partida para a formação de novas estrelas e planetas.

“TOI-561b é um dos planetas rochosos mais antigos já descobertos (…) A sua existência mostra que o Universo está a formar planetas rochosos quase desde o seu início, há 14 mil milhões de anos”, disse Lauren Weiss, autora principal do estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica especializada Astronomical Journal.

“Baptizada” depois do TESS (Transiting Exoplanet Study Satellite) da agência espacial norte-americana (NASA), esta super-Terra, oficialmente o TESS Object of Interest (TOI) 561, pertence a uma rara população de estrelas conhecida como disco espesso galáctico.

As estrelas abrangidas nesta região são quimicamente distintas, com menos elementos pesados, como ferro ou magnésio, habitualmente associados à construção de planetas.

TESS. Investigadores do Porto caçaram um planeta improvável

O satélite TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA acaba de caçar um planeta aparentemente improvável em torno de duas…

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Sara Silva Alves, ZAP //

Por Sara Silva Alves
14 Janeiro, 2021


4947: “Rosa galáctica.” Captado anel nuclear à volta de uma galáxia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

VLT / ESO / TIMER Survey
A galáxia NGC 1097

Com a preciosa ajuda do Multi Unit Spectroscopic Explorer (MUSE) do Very Large Telescope (VLT) no Observatório Europeu do Sul (ESO), uma equipa de astrónomos conseguiu capturar imagens de um anel estelar, com 5 mil anos-luz de largura, no centro da galáxia espiral NGC 1097.

O anel nuclear, que rodeia a galáxia espiral NGC 1097, encontra-se a 45 milhões de anos-luz de distância da Terra, na constelação da Fornalha. Com “apenas” 5 mil anos-luz de largura, o anel é muito pequeno, se comparado com o tamanho total da galáxia hospedeira.

Segundo o Sci-News, NGC 1097, que se estende ao longo de dezenas de milhares de anos-luz além do seu centro, foi descoberta a 9 de Outubro de 1790 pelo astrónomo William Herschel. A galáxia hospeda um buraco negro, aproximadamente, 140 milhões de vezes mais massivo do que o Sol.

De acordo com os cientistas, o influxo de material em direcção à barra central da galáxia está a fazer com que o anel se ilumine com novas estrelas. As “tiras” mais escuras, que podem ser observadas na imagem, representam a poeira, gás e restos da galáxia que estão a ser canalizados para o buraco negro, situado no centro.

Este processo é responsável por aquecer a matéria circundante. O fenómeno forma um disco de acreção em torno do buraco negro e leva à ejecção de enormes quantidades de energia.

Consequentemente, a poeira próxima aquece e a formação estelar acelera na região em torno do buraco negro super-massivo, dando origem ao anel nuclear de formação estelar explosiva que vemos na imagem em tons de rosa.

Por Liliana Malainho
13 Janeiro, 2021


4946: Cientistas descobrem novo tipo de ligação química. É muito mais forte do que deveria ser

CIÊNCIA/QUÍMICA

GLady / pixabay

Uma equipa de cientistas descobriu um tipo totalmente novo de ligação química. A descoberta mostra que a divisão entre ligações covalentes poderosas, que unem as moléculas, e ligações de hidrogénio fracas, que se formam entre as moléculas e podem ser quebradas por algo tão simples como misturar sal num copo de água, não é tão clara como sugerem os livros de química.

As ligações iónicas ligam metais e não metais para formar sais. As ligações covalentes fortes unem moléculas, como dióxido de carbono e água, enquanto que as ligações de hidrogénio muito mais fracas se formam por causa de um tipo de atracção electrostática entre o hidrogénio e um átomo ou molécula com carga mais negativa, fazendo com que as moléculas de água se atraiam e formem gotículas ou gelo cristalino.

As ligações iónicas, covalentes e de hidrogénio, são relativamente estáveis: tendem a durar longos períodos de tempo e os efeitos são facilmente observáveis.

Contudo, durante uma reacção química, e à medida que as ligações se formam ou se rompem, tudo complica e surgem “estados intermediários” que podem existir durante minúsculas fracções de segundo. Estes são mais difíceis de observar.

O Live Science explica que, nesta nova investigação, os cientistas conseguiram manter os estados intermediários durante um período de tempo que lhes permitiu fazer um exame detalhado.

A equipa descobriu uma ligação de hidrogénio com a força de uma ligação covalente, que liga os átomos a algo semelhante a uma molécula. O artigo científico foi publicado no dia 7 de Janeiro na Science.

O mecanismo desta nova ligação era electrostático, o que significa que envolvia o tipo de diferenças na carga positiva e negativa que definem as ligações de hidrogénio.

Segundo o portal, as novas ligações tinham uma força de 45,8 quilocalorias por mol, maior do que algumas ligações covalentes.

As moléculas de nitrogénio, por exemplo, são feitas de dois átomos de nitrogénio unidos com uma força de cerca de 40 kcal/mol. Uma ligação de hidrogénio normalmente tem uma energia de cerca de 1 a 3 kcal/mol, segundo o livro Biochemistry, dos Institutos Nacionais de Saúde do Reino Unido.

“A existência de um estado híbrido de ligação covalente-hidrogénio não só desafia a nossa compreensão actual do que é exactamente uma ligação química, como oferece a oportunidade de entender melhor as reacções químicas“, escreveram os cientistas Mischa Bonn e Johannes Hunger, do Instituto Max Planck, na Science.

Por Liliana Malainho
13 Janeiro, 2021


4945: Novo estudo afirma que não existe matéria negra no espaço

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

Conforme nos ensinaram, o universo é composto por vários elementos. De entre eles, a suposta matéria negra, que interage com a matéria comum através da gravidade e não possui qualquer radiação.

Porém, um novo estudo sugere que essa matéria negra denominada pelos astrofísicos, na realidade, não existe.

Será a matéria negra uma miragem?

A teoria que domina as opiniões dos cientistas é que cerca de três quartos de todo o material do universo é constituído por matéria negra. Esta que nada mais é do que uma substância, ainda desconhecida, que interage com a matéria comum através da gravidade.

Porém, de acordo com um novo estudo realizado por uma equipa internacional de cientistas, essa matéria negra afinal não existe. Isto, porque, entendem eles, a humanidade é que possui um conhecimento científico demasiadamente limitado sobre o comportamento gravitacional das galáxias.

Assim sendo, a suposta matéria negra não causa esse comportamento, como se pensava até agora. Conforme explicam os cientistas, a humanidade simplesmente não entende (ainda) verdadeiramente as leis naturais pelas quais se rege a matéria.

Reforçando esta inédita ideia, apesar de saberem da sua existência, os cientistas ainda não encontraram provas efectivas da sua existência.

Contrariar grandes astrofísicos anos e anos depois

No recente estudo, a equipa de cientistas ressalva que a teoria da dinâmica newtoniana modificada (MOND), estabelecida inicialmente na década de 1980, poderia explicar a existência de um estranho comportamento gravitacional das estrelas. Isto que havia sido associado e explicado como sendo a matéria negra.

Então, esta teoria substitui a dinâmica newtoniana e a Relatividade Geral tal como foram defendidas por Albert Einstein. Contrariamente, argumenta que a força gravitacional de uma estrela deve ser calculada de formas diferentes.

O que estamos realmente a dizer é que há provas absolutas de uma discrepância. O que se vê não é o que se percebe, se tudo o que se sabe é Newton e Einstein.

Disse Stacy McGaugh, chefe do departamento de astronomia da Case Western Reserve University, Cleveland, e co-autora do estudo.

Então, existem várias teorias que pretendem explicar essa matéria, mas nenhuma, na opinião dos cientistas, é amplamente correta.

Autor: Ana Sofia
12 Jan 2021


4944: Nos próximos anos, Israel deverá ser atingido por um terramoto que “irá causar centenas de vítimas”

CIÊNCIA/GEOLOGIA

jimmyweee / Wikimedia
Mar Morto, Israel

Um estudo realizado no Mar Morto revelou que um terremoto de magnitude 6,5 poderá atingir a região nos próximos anos. A pesquisa mostrou que um terremoto desta magnitude ocorre em Israel num ciclo médio entre 130 e 150 anos, mas houve casos em que o período de suspensão durou apenas algumas décadas.

O último terremoto de magnitude 6,5 foi sentido no vale do Mar Morto em 1927, altura em que centenas de pessoas ficaram feridas nas cidades de Amã, Jerusalém, Belém e Jaffa. Agora, de acordo com as descobertas do novo estudo, os investigadores alertam que é muito provável que outro terremoto ocorra nos próximos anos ou décadas.

A pesquisa foi realizada sob a conduta do Programa Internacional de Perfuração Científica Continental (ICDP, em inglês), que realiza perfurações profundas em leitos de todo o mundo, com o objectivo de estudar o clima antigo da Terra e outras mudanças ambientais.

Neste sentido, em 2010, uma plataforma foi colocada no centro do Mar Morto e começou a perfurar a uma profundidade de centenas de metros, permitindo uma análise de cerca de 220 mil anos de geologia.

No seguimento dos trabalhos, a equipa descobriu que devido ao facto do Mar Morto ser o lugar mais baixo da terra, a cada inverno, as águas das enchentes que lá desaguam, carregam consigo sedimentos que se acumulam em diferentes camadas.

Uma camada escura de cerca de um milímetro representa o sedimento da enchente de inverno e uma camada mais clara, também com um milímetro de espessura, representa o aumento da evaporação da água durante os meses de verão. Assim que ocorre um terremoto os sedimentos giram juntos com as camadas que anteriormente se haviam acomodado numa sequência perfeita.

Através do uso de equações e modelos computacionais, os investigadores foram capazes de compreender a física do processo e reconstruir a partir do registo geológico a história dos terremotos ao longo do tempo.

Uma análise do registo mostra que a frequência dos terremotos no vale do Mar Morto não é fixa ao longo do tempo. Houve períodos de milhares de anos com mais actividade sísmica e outros com menos. Além disso, os especialistas descobriram que houve uma subestimação significativa da frequência de terremotos em Israel.

Até agora, os investigadores acreditavam que a fenda do Mar Morto tremia a uma magnitude de 7,5, ou mais, a cada 10 mil anos em média, mas agora sugerem que esses terremotos destrutivos são muito mais frequentes, e invadem o local com um intervalo médio que varia entre 1.300 e 1.400 anos.

Os geólogos estimam que o último terremoto com essa magnitude que atingiu a região foi em 1.033, ou seja, há quase mil anos. Segundo os cálculos dos geólogos, isso significa que nos próximos séculos, o local pode esperar outro terremoto de magnitude 7,5 ou superior.

Por outro lado, a equipa de investigação descobriu que terremotos com magnitude de 6,5 ocorrem na região a cada 130 a 150 anos, mas que a frequência entre estes varia.

Segundo o Phys, embora tenha havido casos em que o período entre um terremoto e outro tenha durado centenas de anos, também houve situações em que os poderosos fenómenos ocorreram com apenas algumas décadas de espaçamento.

“Não quero causar alarme, mas vivemos num período tectonicamente activo. O registo geológico não mente e em breve virá um grande terremoto em Israel. Claro, não temos como prever exactamente quando a terra vai tremer sob os nossos pés, mas, infelizmente, posso dizer que o terremoto irá causar centenas de vítimas e que deverá acontecer nos próximos anos”, refere Shmuel Marco, autor do estudo.

O professor alerta ainda que “pode ser em dez anos ou em várias décadas, mas também pode ser na próxima semana, e precisamos de estar preparados para isso”.

A pesquisa foi realizada por uma equipa internacional de investigadores e os resultados do estudo foram publicados na revista Science Advances em Novembro.

Por Ana Moura
12 Janeiro, 2021


4943: Listrada ou com manchas? Encontrados ventos e correntes na anã castanha mais próxima

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Usando medições altamente precisas do brilho obtidas pelo telescópio espacial TESS da NASA, astrónomos descobriram que a atmosfera da anã castanha próxima, Luhman 16B, é dominada por ventos globais velozes parecidos com as correntes da Terra. Esta circulação global determina como as nuvens são distribuídas na atmosfera da anã castanha, dando-lhe um aspecto listrado.
Crédito: Daniel Apai

Uma equipa de investigação liderada pela Universidade do Arizona encontrou bandas e listras na anã castanha mais próxima da Terra, sugerindo processos que agitam a atmosfera da anã castanha por dentro.

As anãs castanhas são objectos celestes misteriosos que não são exactamente estrelas nem planetas. São aproximadamente do tamanho de Júpiter, mas normalmente dezenas de vezes mais massivas. Ainda assim, são menos massivas do que as estrelas mais pequenas, de modo que os seus núcleos não têm pressão suficiente para fundir átomos como as estrelas. Ficam quentes quando se formam e gradualmente arrefecem, têm brilho fraco e diminuem lentamente [de brilho] ao longo das suas vidas, o que as torna difíceis de encontrar. Nenhum telescópio pode ver claramente a atmosfera destes objectos.

“Nós perguntámo-nos se as anãs castanhas se parecem com Júpiter, com as suas bandas regulares formadas por grandes jactos paralelos e longitudinais, ou se são dominadas por um padrão em constante mudança de tempestades gigantescas conhecidas como vórtices como aqueles encontrados nos pólos de Júpiter,” disse Daniel Apai, investigador na Universidade do Arizona, professor associado no Departamento de Astronomia, no Observatório Stewart e no Laboratório Lunar e Planetário.

Apai é o autor principal de um novo estudo publicado a semana passada na revista The Astrophysical Journal que busca responder a esta pergunta usando uma nova técnica.

Ele e a sua equipa descobriram que as anãs castanhas se parecem muito com Júpiter. Os padrões na atmosfera revelam ventos velozes que correm paralelos ao equador das anãs castanhas. Estes ventos estão a misturar as atmosferas, redistribuindo o calor que emerge do interior quente das anãs castanhas. Além disso, tal como Júpiter, os vórtices dominam as regiões polares.

Alguns modelos atmosféricos previram este padrão atmosférico, disse Apai, incluindo modelos do falecido Adam Showman, professor do Laboratório Lunar e Planetário da Universidade do Arizona e líder em modelos atmosféricos das anãs castanhas.

“Os padrões de vento e a circulação atmosférica em grande escala muitas vezes têm efeitos profundos nas atmosferas planetárias, desde o clima da Terra até ao aspecto de Júpiter, e agora sabemos que estes jactos atmosféricos de grande escala também moldam as atmosferas das anãs castanhas,” disse Apai, cujos co-autores do artigo incluem Luigi Bedin e Domenico Nardiello do Observatório Astronómico de Padua, este último que também está afiliado ao Laboratório de Astrofísica de Marselha, na França.

“Saber como os ventos sopram e redistribuem o calor numa das anãs castanhas mais bem estudadas e mais próximas ajuda-nos a entender os climas, os extremos de temperatura e a evolução das anãs castanhas em geral,” disse Apai.

O grupo de Apai na Universidade do Arizona é líder mundial no mapeamento das atmosferas das anãs castanhas e planetas para lá do nosso Sistema Solar usando telescópios espaciais e um novo método.

A equipa usou o TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite), um telescópio espacial da NASA, para estudar as duas anãs castanhas mais próximas da Terra. A apenas 6,5 anos-luz de distância, as anãs castanhas são chamadas Luhman 16 A e B. Embora ambas tenham aproximadamente o mesmo tamanho de Júpiter, ambas são mais densas e, portanto, contêm mais massa. Luhman 16 A tem cerca de 34 vezes a massa de Júpiter, e Luhman 16 B – que foi o objecto principal do estudo de Apai – tem cerca de 28 vezes a massa de Júpiter e é cerca de 800º C mais quente.

“O telescópio espacial TESS, embora construído para caçar exoplanetas, também forneceu este conjunto de dados incrivelmente rico e excitante sobre a anã castanha mais próxima,” explicou Apai. “Com algoritmos avançados desenvolvidos por membros da nossa equipa, fomos capazes de obter medições muito precisas das mudanças de brilho conforme as duas anãs castanhas giravam. As anãs castanhas ficam mais brilhantes quando as regiões atmosféricas mais brilhantes giram para o nosso ponto de vista e mais escuras quando giram para fora de vista.”

Dado que o telescópio espacial fornece medições extremamente precisas e não é interrompido pela luz do dia, a equipa recolheu mais rotações do que nunca, fornecendo a visão mais detalhada da circulação atmosférica de uma anã castanha.

“Nenhum telescópio é grande o suficiente para fornecer imagens detalhadas de planetas ou de anãs castanhas,” disse Apai. “Mas, medindo como o brilho destes objectos giratórios muda com o tempo, é possível criar mapas grosseiros das suas atmosferas – uma técnica que, no futuro, também poderá ser usada para mapear planetas semelhantes à Terra noutros sistemas planetários que de outro modo seriam difíceis de observar.”

Os resultados dos investigadores mostram que há muita semelhança entre a circulação atmosférica dos planetas do Sistema Solar e as anãs castanhas. Como resultado, as anãs castanhas podem servir como análogos mais massivos de planetas gigantes existentes para lá do nosso Sistema Solar em estudos futuros.

“O nosso estudo fornece um modelo, para estudos futuros de objectos semelhantes, sobre como explorar – e até mapear – as atmosferas das anãs castanhas e exoplanetas gigantes sem a necessidade de telescópios suficientemente poderosos para os resolver visualmente,” disse Apai.

A equipa de Apai espera explorar ainda mais as nuvens, sistemas de tempestade e zonas de circulação presentes nas anãs castanhas e exoplanetas para aprofundar a nossa compreensão das atmosferas para lá do Sistema Solar.

Astronomia On-line
12 de Janeiro de 2021


4942: J1818.0-1607: Chandra estuda magnetar extraordinário

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Ampliação de J1818.0-1607.
Crédito: raios-X – NASA/CXC/Univ. da Virgínia Ocidental/H. Blumer; infravermelho (Spitzer e Wise) – NASA/JPL-CalTech/Spitzer

Em 2020, os astrónomos acrescentaram um novo membro a uma família exclusiva de objectos exóticos com a descoberta de um magnetar. Novas observações do Observatório de raios-X Chandra da NASA ajudam a apoiar a ideia de que é também um pulsar, o que significa que emite pulsos regulares de luz.

Os magnetares são um tipo de estrela de neutrões, um objecto incrivelmente denso composto principalmente de neutrões compactados, que se forma a partir do colapso do núcleo de uma estrela massiva durante uma super-nova.

O que diferencia os magnetares de outras estrelas de neutrões é que também têm os campos magnéticos mais poderosos conhecidos do Universo. Para fins de contexto, a força do campo magnético do nosso planeta tem um valor de aproximadamente 1 G (gauss), enquanto um imã num frigorífico mede cerca de 100 G. Os magnetares, por outro lado, têm campos magnéticos de cerca de mil biliões G. Se um magnetar estivesse localizado a um-sexto do caminho até à Lua (cerca de 64.000 quilómetros), apagaria os dados de todos os cartões de crédito na Terra.

No dia 12 de Março de 2020, os astrónomos detectaram um novo magnetar com o Telescópio Neil Gehrels Swift da NASA. Este é apenas o 31.º magnetar conhecido, entre cerca de 3000 estrelas de neutrões já catalogadas.

Após observações de acompanhamento, os investigadores determinaram que este objeto, denominado J1818.0-1607, era especial por outros motivos. Em primeiro lugar, pode ser o magnetar mais jovem conhecido, com uma idade estimada em cerca de 500 anos. Isto baseia-se no ritmo a que a rotação diminui e na suposição de que nasceu a girar muito mais depressa. Em segundo lugar, também gira a uma velocidade muito mais elevada do que qualquer outro magnetar descoberto anteriormente, completando uma rotação a cada 1,4 segundos.

As observações de J1818.0-1607 pelo Chandra obtidas menos de um mês após a descoberta com o Swift deram aos astrónomos a primeira visão de alta resolução deste objecto em raios-X. Os dados do Chandra revelaram uma fonte pontual onde o magnetar estava localizado, que é cercada por emissão difusa de raios-X, provavelmente provocada por raios-X reflectidos na poeira localizada na sua vizinhança (parte desta emissão difusa de raios-X também pode ser de ventos que sopram da estrela de neutrões).

Harsha Blumer da Universidade da Virgínia Ocidental e Samar Safi-Harb da Universidade de Manitoba no Canadá publicaram recentemente os resultados das observações de J1818.0-1607 com o Chandra na revista científica The Astrophysical Journal Letters.

A imagem composta contém um amplo campo de visão no infravermelho de duas missões da NASA, o Telescópio Espacial Spitzer e o WISE (Wide-Field Infrared Survey Explorer), obtido antes da descoberta do magnetar. Os raios-X do Chandra mostram o magnetar a roxo. O magnetar está localizado perto do plano da Via Láctea a uma distância de aproximadamente 21.000 anos-luz da Terra.

Outros astrónomos também observaram J1818.0-1607 com radiotelescópios, como o VLA (Karl Jansky Very Large Array) da NSF, e determinaram que emite ondas de rádio. Isto implica que também tem propriedades semelhantes às de um típico “pulsar movido a rotação”, um tipo de estrela de neutrões que emite feixes de radiação que são detectados como pulsos repetidos de emissão à medida que gira e desacelera. Apenas cinco magnetares, incluindo este, foram registados a agir também como pulsares, constituindo menos de 0,2% da população conhecida de estrelas de neutrões.

As observações do Chandra também podem fornecer suporte a esta ideia geral. Safi-Harb e Blumer estudaram a eficácia a que J1818.0-1607 converte energia, a partir do seu ritmo decrescente de rotação, em raios-X. Eles concluíram que esta eficiência é mais baixa do que a encontrada normalmente para magnetares, e provavelmente dentro da gama encontrada para outros pulsares movidos a rotação.

Seria expectável que a explosão que produziu um magnetar desta idade tivesse deixado para trás um campo de destroços detectável. Para pesquisar este remanescente de super-nova, Safi-Harb e Blumer analisaram os raios-X do Chandra, os dados infravermelhos do Spitzer e os dados de rádio do VLA. Com base nos dados do Spitzer e do VLA, encontraram possíveis evidências de um remanescente, mas a uma distância relativamente grande do magnetar. A fim de cobrir essa distância, o magnetar precisaria de ter viajado a velocidades muito superiores às das estrelas de neutrões mais rápidas conhecidas, mesmo supondo que seja muito mais antigo do que o esperado, o que permitiria mais tempo de viagem.

Astronomia On-line
12 de Janeiro de 2021


4941: Investigadores obtêm o modelo mais completo de uma super-nova do Tipo Ia

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de uma super-nova.
Crédito: Pixabay

As super-novas do Tipo Ia, como indicadores de distância cosmológica, levaram à descoberta da expansão acelerada do Universo. No entanto, a natureza das suas progenitoras e dos mecanismos de explosão permanecem mistérios não resolvidos.

Uma equipa internacional liderada pelo Dr. Lingzhi Wang do CAS-SACA (Chinese Academy of Sciences South America Center for Astronomy)/CCJCA (China-Chile Joint Center for Astronomy) investigou uma super-nova próxima do Tipo Ia, SN 2017cbv, e obteve o modelo mais completo da curva de luz e do espectro de uma única super-nova.

O seu estudo foi publicado dia 18 de Novembro na revista The Astrophysical Journal.

“O conjunto de dados é único. É uma das super-novas com a cobertura temporal mais completa das bandas no visível e no infravermelho próximo, o que torna o alvo um padrão ideal para investigações comparativas desta classe de objectos,” disse o Dr. Lingzhi Wang.

O professor Nicholas B. Suntzeff, co-autor do estudo e pioneiro no campo da investigação de super-novas, comentou: “Estas curvas de luz deste estudo serão mostradas continuamente em palestras por todo o mundo, como o melhor exemplo do comportamento fotométrico das super-novas do Tipo Ia.”

“As estimativas confiáveis da extinção e do ‘avermelhamento’ provocados pela poeira nas galáxias hospedeiras das super-novas do Tipo Ia é a questão mais importante na aplicação cosmológica das super-novas do Tipo Ia, que lançou as bases para estudos da energia escura do Universo,” disse o professor Lifan Wang, co-autor deste estudo.

“Com este conjunto exclusivo de dados, somos capazes de definir restrições na massa do níquel sintetizado durante a explosão, de construir o modelo da explosão que melhor se ajusta aos dados, bem como de derivar um limite superior de 0,1 massas solares para a massa do hidrogénio,” disse o Dr. Lingzhi Wang.

Astronomia On-line
12 de Janeiro de 2021