4155: Ceres: Planeta anão é um mundo com água

CIÊNCIA(ASTRONOMIA

Ceres é um planeta anão localizado na cintura de asteróides entre Marte e Júpiter. Até agora, desde a sua descoberta, em 1801, por Giuseppe Piazzi, acreditava-se que fosse mais uma rocha seca, das muitas presentes na imensidão que é o Espaço.

Contudo, novas observações deram conta da existência de um reservatório de água salgada, até então desconhecido.

Cratera em Ceres aloja água salgada

Além de estar situado na cintura de asteróides entre e Marte e Júpiter, Ceres é também o maior objecto aí presente. Assim, é possível que a Nave Espacial Dawn, da NASA, capture imagens de alta resolução da sua superfície.

Agora, uma equipa de cientistas dos Estados Unidos e da Europa analisou imagens recolhidas da órbita de Ceres, capturadas a cerca de 35 quilómetros de distância. O foco foi a cratera Occator, com 20 milhões de anos. Ali, sob a sua superfície, encontraram um “extenso reservatório” de água salgada.

Além da equipa que reunia elementos dos EUA e da Europa, outras realizaram pesquisas sobre o Ceres. Esses estudos foram publicados na Nature Astronomy, Nature Geoscience e Nature Communications. Assim, foi possível erguer a cortina sobre alguns factos, outrora desconhecidos, face ao planeta-anão.

Através de um sistema de imagens infravermelhas, uma das equipas descobriu a presença do compound hydrohalite. Isto é, um material comummente encontrado no gelo marinho, mas que nunca tinha sido detectado fora da Terra.

De acordo com Maria Cristina De Sanctis, do Instituto Nacional de Astrofísica, de Roma, o compound hydrohalite é uma confirmação da existência de água do mar em Ceres. Além disso, acrescentou que este planeta anão é uma “espécie de mundo oceânico”, assim como algumas das luas de Saturno e de Júpiter.

Água e vida fora da Terra

Ainda que só tenham sido detectados agora, a mesma equipa disse ainda que os depósitos de sal pareciam ter-se vindo a acumular pelos últimos dois milhões de anos. Por isso, é possível que a água salgada possa estar ainda a ascender do interior do planeta. Além do tempo que demorou a acumular-se, o seu jeito instável remete para um aparecimento recente.

O material encontrado no Ceres é extremamente importante em termos de astrobiologia.

Sabemos que estes minerais são essenciais para a emergência de vida.

Disse Maria Cristina De Sanctis.

Esta é uma descoberta incrível, para aquilo que têm sido as incessantes procuras por água, e até por possibilidades de vida, noutros planetas.

Pplware
Autor: Ana Sofia
11 Ago 2020

 

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4154: A última plataforma de gelo intacta do Canadá colapsou. Criou um icebergue maior do que o Porto

CIÊNCIA/AMBIENTE

Copernicus EU / StefLhermitte / Twitter

A plataforma de gelo Milne, no Canadá, fragmentou-se no final do mês de Julho, formando vários icebergues, dois dos quais de grandes dimensões.

Cientistas ouvidos pela agência noticiosa AP referem que esta era uma plataforma especial, uma vez que era a única ainda intacta em território canadiano.

De acordo com os especialistas, o colapso da plataforma Milne, localizada na extremidade noroeste da ilha Ellesmere, deveu-se ao verão quente, bem como ao aumento das temperaturas que se tem registado nas últimas décadas na região.

Imagens de satélite mostram que quase metade (43%) da plataforma colapsou a 30 ou 31 de Julho, detalhou o analista de gelo Adrienne White, do Canadian Ice Service.

Segundo White, a fragmentação da plataforma de gelo criou dois icebergues gigantes e outros tantos menores que já se começaram a afastar da “placa-mãe”.

O maior dos icebergues tem 55 quilómetros quadrados de área – é maior do que a cidade do Porto, que tem 41 quilómetros quadrados – e 11,5 quilómetros de comprimento.

Têm uma espessura entre 70 a 80 metros.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

ECCC Canadian Ice Service
@ECCC_CIS
Satellite animation, from July 30 to August 4, shows the collapse of the last fully intact #iceshelf in #Canada. The Milne Ice Shelf, located on #EllesmereIsland in #Nunavut, has now reduced in area by ~43%. #MilneIceIsland #seaice #Arctic #earthrightnow #glacier

Este é um enorme bloco de gelo (…) Se um destes se mover em direcção a uma plataforma de gelo, não há nada que se possa realmente fazer além de mover a plataforma de petróleo em causa”, continuou White Adrienne.

Luke Copland, professor especialista em glaciares da Universidade de Ottawa, no Canadá, não tem dúvidas que o acontecimento está ligado às alterações climáticas.

O especialista refere que as temperaturas da região entre maio e o início de Agosto tem sido 5 graus Celsius mais elevadas do que a média de 1980 a 2010. “Sem dúvida, é a mudança climática”, disse Copland, observando que a plataforma de gelo está a derreter com o ar mais quente acima e a água mais quente abaixo.

“O Milne foi muito especial”, acrescentou. “É um local incrivelmente bonito“.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2020

 

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4153: Sonda da NASA identifica brilho pulsante no céu nocturno de Marte

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A sonda Mars Atmosphere and Volatile Evolution (MAVEN), da NASA, identificou grandes áreas de Marte emitindo um brilho que pulsa regularmente em períodos determinados, emitindo luzes ultravioleta. Essa descoberta poderá ajudar cientistas a desenvolverem modelos computacionais sobre a dinâmica da atmosfera do Planeta Vermelho. O artigo com os dados obtidos na pesquisa foi publicado na revista Journal of Geophysical

A equipa ficou surpreendida quando identificou que a atmosfera marciana pulsava três vezes por noite, e que isso ocorria apenas durante a primavera e outono. Esses novos dados revelaram ondas nos pólos de inverno do planeta, que confirmam o que a Mars Express, da Agência Espacial Europeia (ESA) já havia colectado: este brilho realmente é mais intenso nas regiões polares. “Brilha tanto na luz ultravioleta como a aurora boreal da Terra”, comenta Zac Milby, membro do Laboratory for Atmospheric and Space Physics, da Universidade do Colorado. Infelizmente, o comprimento de onda desse brilho impede astronautas de observá-los futuramente no céu marciano.

Abaixo, poderá ver a animação produzida com as observações da MAVEN. A animação foi colorida artificialmente em verde para representar a intensidade da luz ultravioleta, e as partes mais brancas são as mais brilhantes:

“As imagens do MAVEN oferecem nossas primeiras considerações globais sobre o movimento atmosférico na zona do meio da atmosfera de Marte. Essa é uma região crítica, onde as correntes de ar levam gases para as camadas mais altas e mais baixas”, diz Nick Schneider, o líder do instrumento Imaging Ultraviolet Spectrograph (IUVS), da MAVEN e principal autor do estudo. Esses ventos aceleram as reacções químicas por lá e geram ácido nítrico, um gás tóxico e incolor que alimenta o brilho.

Sonal Jain, membro do LASP, explica que as principais descobertas da dinâmica atmosférica de Marte mostram a importância destes padrões de circulação, que transportam gases pelo planeta e da superfície ao limite do espaço. Para os próximos passos, a equipe pretende analisar este brilho noutras posições para compreender de forma mais precisa os ventos verticais e as mudanças de estação em Marte. Para isso, serão utilizados dados obtidos pelo IUVS.

Fonte: NASA

Canaltech
Por Danielle Cassita | 10 de Agosto de 2020 às 13h10

 

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4152: Como será o fim do universo? Esta astrofísica traz algumas respostas!

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA

Como será o tão imaginado fim do mundo? Uma das principais respostas dos cientistas sugere que o Sol acabará ficando sem combustível e, assim, tornar-se-á uma gigante-vermelha, que vai expandir-se e engolir os planetas que estiverem por perto – incluindo o nosso. Mas, calma, isso deverá acontecer só daqui a 5 biliões de anos. Agora, pensando em como será o fim do universo propriamente dito, a astrofísica Katie Mack identificou alguns cenários e publicou-os no seu livro The End of Everything (“O Fim de Tudo”, em tradução livre).

Com talento para comunicar ao público a complexidade da física, Katie inicia o seu livro com esse breve prefácio do fim. Há quem veja o assunto com certo receio, mas Mack sente-se em paz: “há algo sobre o conhecimento da impermanência da existência é que um pouco libertador”, diz ela numa entrevista à Radio 1 Newsbeat. Para ela, os humanos são “uma espécie que transita entre a compreensão da nossa grande insignificância e uma habilidade de ir além das nossas vidas mundanas, em direcção ao vazio, para solucionar os mistérios mais fundamentais do cosmos”.

Assim, a autora tenta compartilhar um pouco deste “terror” no livro, para que as pessoas tenham uma conexão mais pessoal com o que está acontecendo no universo. “Essa ideia de que todo o universo tem esses processos acontecendo o tempo inteiro e poderiam acontecer comigo ficou bem pessoal: eu estou no universo, e não consigo proteger-me de nada disso”, comenta.

É claro que nada disso acontecerá num período próximo a nós; o fim do universo deverá ocorrer num futuro que está a uma distância de biliões e biliões de anos. Entretanto, desde a ocorrência do Big Bang, o universo continua se expandindo. Então, o que acontecerá no futuro irá depender dessa expansão continuar – ou não.

Alguns possíveis cenários

No Grande Rompimento, as estrelas, planetas e até o tempo se rompem (Imagem: NICOLLE R. FULLER/SCIENCE SOURCE)

Mack trás diversas possibilidades na sua obra, e uma delas é algo que pode ser traduzido como “o grande colapso”, que seria um desfecho possível. As galáxias fora do Sistema Solar estão se afastando de nós num processo de expansão. Assim, se o universo tiver matéria suficiente, a atracção gravitacional de tudo vai gerar um colapso: estrelas e galáxias vão se chocar com mais frequência e destruirão a vida nos planetas por perto. Existe também a possibilidade do que dá para traduzir como “o grande rompimento”. Nesse caso, a expansão do universo  acelerar-se-ia tanto que as estrelas e os planetas se romperiam, as moléculas seriam destruídas e o tecido do espaço se rasgaria.

A energia escura sugere um fim diferente, que Mack chama de “morte do calor” ou “grande congelamento”. Desde o início do universo, a energia escura vem “empurrando” o universo. Assim, o universo chegará a um ponto em que tudo ficará tão separado que a matéria de estrelas mortas estará dispersa e não poderá formar novas estrelas, ou seja, o combustível para o crescimento e reprodução fica tão difuso que se torna inútil. “O universo se expande cada vez mais e esfria, e tudo se decai e some”, explica Mack. Para ela, esse não é um cenário tão interessante.

Esse título fica para o “decaimento a vácuo”: nesse caso, uma pequena bolha de vácuo verdadeiro se formaria devido à instabilidade ligada ao bóson de Higgs. Assim, essa bolha se iria se expandir na velocidade da luz e queimaria tudo, até simplesmente anular o universo. “Você muda alguma coisa nas equações e descobre que é possível que uma bolha se materialize em algum lugar do universo e se expanda na velocidade da luz, destruindo tudo”, comenta.

Essa hipótese ainda não pode ser testada e não é a mais provável, mas o simples acto de considerá-la trás diversas implicações sobre o cosmos. “Tecnicamente, pode acontecer a qualquer momento”. Katie aponta que esses pensamentos trazem-nos um senso de perspectiva: a vida moderna tenta convencer-nos de que estamos completamente seguros, protegidos e no controle de tudo à nossa volta, mas isso não é verdade. “Cosmicamente falando, nós simplesmente estamos no universo, e temos que aceitar o que ele nos dá”.

Fonte: Nature, BBC, Vice

Canaltech
Por Danielle Cassita
10 de Agosto de 2020 às 16h10

 

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4151: Planeta surpreendentemente denso desafia teorias de formação planetária

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de K2-25b. Novas observações detalhadas com as instalações NOIRLab da NSF revelam um jovem exoplaneta em órbita de uma jovem estrela no enxame das Híades, que é invulgarmente denso para o seu tamanho e idade. Ligeiramente mais pequeno que Neptuno, K2-25b orbita uma estrela anã M – o tipo estelar mais comum na Galáxia – em 3,5 dias.
Crédito: NOIRLab/NSF/AURA/J. Pollard

Novas observações detalhadas com as instalações NOIRLab da NSF revelam um jovem exoplaneta em órbita de uma jovem estrela no enxame das Híades, que é invulgarmente denso para o seu tamanho e idade. Com 25 massas terrestres, e ligeiramente mais pequeno que Neptuno, a existência deste exoplaneta desafia as previsões das principais teorias de formação planetária.

Novas observações do exoplaneta, conhecido como K2-25b, feitas com o Telescópio WIYN de 0,9 metros no Observatório de Kitt Peak, um programa do NOIRLab da NSF, com o Telescópio Hobby-Eberly do Observatório McDonald e com outras instalações, levantam novas questões sobre as teorias actuais de formação planetária. O exoplaneta é excepcionalmente denso para o seu tamanho e idade – levantando a questão de como consegue existir. Os detalhes dos achados serão publicados na revista The Astronomical Journal.

Ligeiramente mais pequeno que Neptuno, K2-25b orbita uma estrela anã M – o tipo estelar mais comum na Galáxia – em 3,5 dias. O sistema planetário é membro do enxame de estrelas das Híades, um enxame próximo de estrelas jovens na direcção da constelação de Touro. O sistema tem aproximadamente 600 milhões de anos e está localizado a cerca de 150 anos-luz da Terra.

Os planetas com tamanhos entre a Terra e Neptuno são companheiros comuns de estrelas da Via Láctea, apesar do facto de que tais planetas não são encontrados no nosso Sistema Solar. Compreender como estes “sub-Neptunos” se formam e evoluem é uma questão quente no estudo exoplanetário.

Os astrónomos preveem que os planetas gigantes se formam primeiro montando um núcleo modesto de rocha-gelo com 5 a 10 vezes a massa da Terra e, em seguida, envolvem-se num enorme invólucro gasoso com centenas de vezes a massa da Terra. O resultado é um gigante gasoso como Júpiter. K2-25b quebra todas as regras desta imagem convencional: com uma massa equivalente a 25 Terras e modesto em tamanho, K2-25b é quase todo ele núcleo e muito pouco invólucro gasoso. Estas propriedades estranhas representam dois quebra-cabeças para os astrónomos. Primeiro, como é que K2-25b “montou” um núcleo tão grande, muitas vezes o limite de 5-10 massas terrestres previsto pela teoria? (a previsão teórica diz que assim que os planetas formem um núcleo com 5-10 vezes a massa da Terra, começam ao invés a acretar gás: muito pouco material rochoso é acrescentado depois disso) E em segundo lugar, com a alta massa do seu núcleo – e consequente forte atracção gravitacional – como é que evitou acumular um invólucro gasoso significativo?

A equipa que estuda K2-25b achou o resultado surpreendente. “K2-25b é invulgar,” disse Gudmundur Stefansson, pós-doutorado da Universidade de Princeton, que liderou a equipa de investigação. De acordo com Stefansson, o exoplaneta é mais pequeno em tamanho do que Neptuno, mas 1,5 vezes mais massivo. “O planeta é denso para o seu tamanho e idade, em contraste com outros planetas jovens sub-Neptuno que orbitam perto da sua estrela hospedeira,” acrescentou Stefansson. “Normalmente, estes mundos apresentam baixas densidades – e alguns até têm atmosferas estendidas em evaporação. K2-25b, com estas medições em mão, parece ter um núcleo denso, rochoso ou rico em água, com um invólucro fino.”

Para explorar a natureza e origem de K2-25b, os astrónomos determinaram a sua massa e densidade. Embora o tamanho do exoplaneta tenha sido medido inicialmente com o satélite Kepler da NASA, a medição do tamanho foi refinada usando medições de alta precisão do Telescópio WIYN de 0,9 metros no Observatório Kitt Peak e com o telescópio de 3,5 metros do Observatório de Apache Point no estado norte-americano do Novo México. As observações feitas com estes dois telescópios aproveitaram uma técnica simples, mas eficaz, desenvolvida como parte da tese de doutoramento de Stefansson. A técnica usa um componente óptico inteligente chamado “Engineered Diffuser”, que pode ser facilmente comprado por aproximadamente 500 dólares. O componente espalha a luz da estrela para cobrir mais pixéis na câmara, permitindo que o brilho da estrela durante o trânsito do planeta seja medido com mais precisão e resultando numa medição mais sensível do tamanho do planeta em órbita, entre outros parâmetros.

“O difusor inovador permitiu-nos melhor definir a forma do trânsito e, assim, restringir ainda mais o tamanho, a densidade e a composição do planeta,” disse Jayadev Rajagopal, astrónomo do NOIRLab que também esteve envolvido no estudo.

Para o seu baixo custo, o difusor fornece um retorno científico descomunal. “Telescópios de menor abertura, quando equipados com equipamentos de última geração, mas baratos, podem ser plataformas para programas científicos de alto impacto,” explica Rajagopal. “Será necessária fotometria muito precisa para explorar estrelas hospedeiras e planetas em conjunto com missões espaciais e maiores aberturas no solo, e esta é uma ilustração do papel que um telescópio de tamanho modesto, 0,9 metros, pode desempenhar neste esforço.”

Graças às observações com os difusores disponíveis no Telescópio WIYN de 0,9 m e no Telescópio de 3,5 m do Observatório de Apache Point, os astrónomos agora são capazes de prever com maior precisão quando K2-25b transita pela sua estrela hospedeira. Enquanto antes os trânsitos só podiam ser previstos com uma precisão de 30 a 40 minutos, agora são conhecidos com uma precisão de 20 segundos. A melhoria é crítica para o planeamento de observações de acompanhamento com instalações como o Observatório Gemini e o Telescópio Espacial James Webb.

Muitos dos autores deste estudo também estão envolvidos noutro projecto de caça exoplanetária no Observatório Kitt Peak: o espectrómetro NEID no Telescópio WIYN de 3,5 metros. O NEID permite que os astrónomos meçam o movimento de estrelas próximas com extrema precisão – quase três vezes mais do que a geração anterior de instrumentos de última geração – permitindo a detecção, a determinação da massa e a caracterização de exoplanetas tão pequenos quanto a Terra.

Astronomia On-line
11 de Agosto de 2020

 

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4150: Hubble faz a primeira observação de um eclipse lunar total por um telescópio espacial

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Tirando proveito de um eclipse lunar total em Janeiro de 2019, os astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para medir o ozono na atmosfera da Terra. Este método exemplifica como vão observar planetas parecidos com a Terra que transitam em frente de outras estrelas à procura de vida. O alinhamento perfeito do nosso planeta com o Sol e a Lua durante um eclipse lunar total imita a geometria de um planeta terrestre em trânsito da sua estrela. Num novo estudo, o Hubble não observou a Terra directamente. Ao invés, os astrónomos usaram a Lua como espelho que reflete a luz solar transmitida através da atmosfera da Terra que foi então capturada pelo Hubble. Esta é a primeira vez que a radiação ultravioleta que passa através da atmosfera da Terra foi observada do espaço e a primeira vez que um eclipse lunar total foi capturado a partir de um telescópio espacial. Crédito: ESA/Hubble, M. Kornmesser

Tirando vantagem de um eclipse lunar total, astrónomos usaram o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para detectar ozono na atmosfera da Terra. Este método serve como um substituto de como vão observar planetas semelhantes à Terra em torno de outras estrelas à procura de vida. Esta é a primeira vez que um eclipse lunar total foi capturado a partir de um telescópio espacial e a primeira vez que tal eclipse foi estudado em comprimentos de onda ultravioleta.

Para se prepararem para a investigação exoplanetária com telescópios maiores que estão actualmente em desenvolvimento, os astrónomos decidiram realizar experiências muito mais perto de casa, no único planeta terrestre habitado conhecido: a Terra. O alinhamento perfeito do nosso planeta com o Sol e a Lua durante um eclipse lunar total imita a geometria de um planeta rochoso em trânsito com a sua estrela. Num novo estudo, o Hubble não olhou para a Terra directamente. Em vez disso, os astrónomos usaram a Lua como um espelho que reflete a luz do Sol que foi filtrada pela atmosfera da Terra. A utilização de um telescópio espacial para observações de eclipses é mais “limpa” do que estudos terrestres porque os dados não estão contaminados como quando se olha através da atmosfera da Terra.

Estas observações foram particularmente desafiadoras porque pouco antes do eclipse a Lua é ainda muito brilhante, e a sua superfície não é um reflector perfeito, pois está “manchada” com áreas claras e escuras. Além disso, a Lua está tão perto da Terra que o Hubble teve que tentar manter um olho fixo numa região seleccionada, para rastrear com precisão o movimento da Lua em relação ao observatório espacial. É por estas razões que o Hubble muito raramente é apontado para a Lua.

As medições detectaram a forte impressão digital espectral do ozono, um pré-requisito chave para a presença – e possível evolução – da vida como a conhecemos numa exo-Terra. Embora algumas assinaturas do ozono tenham sido detectadas em anteriores observações terrestres durante eclipses lunares, o estudo do Hubble representa a detecção mais forte até à data da molécula porque o telescópio espacial pode observar no ultravioleta, comprimento de onda este que é absorvido pela nossa atmosfera e não atinge o solo. Na Terra, a fotossíntese ao longo de milhares de milhões de anos é responsável pelos altos níveis de oxigénio e pela espessa camada de ozono do nosso planeta. Há apenas 600 milhões de anos, a atmosfera da Terra acumulou ozono suficiente para proteger a vida da radiação ultravioleta letal do Sol. Isto auxiliou as primeiras formas de vida terrestre quando migraram para fora dos nossos oceanos.

“Encontrar ozono no espectro de uma exo-Terra seria significativo porque é um subproduto fotoquímico do oxigénio molecular, que é um subproduto da vida,” explicou Allison Youngblood do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial no estado norte-americano do Colorado, EUA, investigadora principal das observações do Hubble.

O Hubble registou a assinatura espectral ultravioleta do ozono impressa na luz do Sol filtrada pela atmosfera da Terra durante um eclipse lunar que ocorreu a 20-21 de Janeiro de 2019. Vários outros telescópios também fizeram observações espectroscópicas noutros comprimentos de onda durante o eclipse, em busca de mais ingredientes da vida na Terra, como oxigénio, metano, água e monóxido de carbono.

“Para caracterizar completamente os exoplanetas, vamos idealmente utilizar uma variedade de técnicas e comprimentos de onda,” explicou o membro da equipa Antonio Garcia Munoz da Universidade Técnica de Berlim, na Alemanha. “Esta investigação destaca claramente os benefícios da espectroscopia ultravioleta na caracterização de exoplanetas. Também demonstra a importância de testar ideias e metodologias inovadoras com o único planeta habitado que conhecemos até à data!”

As atmosferas de alguns exoplanetas podem ser estudadas quando o mundo alienígena atravessa a face da sua estrela-mãe, durante o chamado trânsito. Durante um trânsito, a luz estelar é filtrada pela atmosfera do exoplaneta retro-iluminado. Se visto de perto, a silhueta do planeta pareceria ter um “halo” fino e brilhante em seu redor, provocado pela atmosfera iluminada, assim como a Terra é vista do espaço.

As substâncias químicas na atmosfera deixam a sua assinatura reveladora ao filtrarem certas cores da luz das estrelas. A espectroscopia das atmosferas dos planetas em trânsito foi iniciada por astrónomos do Hubble. Isto foi especialmente inovador porque os exoplanetas ainda não haviam sido descobertos quando o Hubble foi lançado em 1990. Portanto, o observatório espacial não foi inicialmente projectado para tais experiências. Até agora, os astrónomos usaram o Hubble para observar a atmosfera de planetas gigantes gasosos que transitam as suas estrelas. Mas os planetas terrestres são objectos muito mais pequenos e a sua atmosfera também é mais fina. Portanto, a análise destas assinaturas é muito mais difícil.

É por isso que os cientistas vão precisar de telescópios espaciais muito maiores do que o Hubble para recolher a débil luz estelar que passa pela atmosfera destes pequenos planetas durante um trânsito. Estes telescópios vão precisar de observar planetas por um período mais longo, talvez muitas dúzias de horas, para construir um sinal forte. Para o estudo de Youngblood, o Hubble passou cinco horas a recolher dados ao longo das várias fases do eclipse lunar.

Encontrar ozono nos céus de um exoplaneta terrestre não garante a existência de vida à superfície. “Precisaríamos de outras assinaturas espectrais além do ozono para concluir que havia vida no planeta, e estas assinaturas não podem ser vistas no ultravioleta,” diz Youngblood.

Os astrónomos têm que procurar uma combinação de bio-assinaturas, como ozono e metano, ao explorar as possibilidades de vida. É necessária uma campanha em vários comprimentos de onda porque muitas bio-assinaturas – ozono, por exemplo – são detectadas mais facilmente em comprimentos de onda específicos. Os astrónomos em busca do ozono também devem ter em conta que este elemento se acumula com o tempo, conforme o planeta evolui. Há cerca de 2 mil milhões de anos, na Terra, o ozono era uma fracção do que é agora.

O futuro Telescópio Espacial James Webb da NASA/ESA/CSA, um observatório infravermelho com lançamento previsto para 2021, será capaz de penetrar profundamente na atmosfera de um planeta para detectar metano e oxigénio.

“Esperamos que o JWST leve a técnica de espectroscopia de transmissão das atmosferas exoplanetárias a limites sem precedentes,” acrescentou Garcia Munoz. “Em particular, terá a capacidade de detectar metano e oxigénio nas atmosferas de exoplanetas íntimos, orbitando perto de estrelas pequenas. Isto abrirá o campo da caracterização atmosférica a exoplanetas cada vez menores.”

Astronomia On-line
11 de Agosto de 2020

 

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Caça aos “ovos” estelares com o ALMA: rastreando a evolução de embrião a estrela bebé

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Representação de uma nuvem de gás com núcleos quentes observada com o ALMA.
Crédito: N. Lira – ALMA (NRAO/NAOJ/ESO)

Recorrendo ao ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), os astrónomos fizeram um censo de “ovos” estelares na constelação de Touro e revelaram o seu estado de evolução. Este censo ajuda os investigadores a entender como e quando um embrião estelar se transforma numa estrela bebé no interior de um casulo gasoso. Além disso, a equipa encontrou um fluxo bipolar, um par de correntes de gás, que podem ser evidências reveladoras de uma estrela verdadeiramente recém-nascida.

As estrelas formam-se devido à contracção gravitacional de nuvens de gás. As partes mais densas das nuvens, chamadas núcleos de nuvens moleculares, são os próprios locais de formação estelar e estão localizadas principalmente ao longo da Via Láctea. A Nuvem Molecular de Touro é uma das regiões de formação estelar activa e já foram apontados para lá muitos telescópios. Observações anteriores mostram que alguns núcleos são na verdade “ovos” estelares antes do nascimento das estrelas, mas outros já têm no seu interior estrelas infantis.

Uma equipa de investigadores liderada por Kazuki Tokuda, astrónomo da Universidade da Prefeitura de Osaka e do Observatório Astronómico Nacional do Japão, utilizou o poder do ALMA para investigar a estrutura interna dos ovos estelares. Observaram 32 núcleos sem estrelas e nove núcleos com proto-estrelas bebés. Detectaram ondas de rádio de todos os nove núcleos com estrelas, mas apenas 12 dos 32 núcleos mostraram um tal sinal. A equipa concluiu que esses 12 ovos desenvolveram estruturas internas, o que mostra que são mais evoluídos do que os 20 núcleos restantes.

“De um modo geral, os interferómetros de rádio que usam muitas antenas, como o ALMA, não são bons para observar objectos sem características como os ovos estelares,” diz Tokuda. “Mas nas nossas observações, usámos apenas propositadamente as antenas de 7 metros do ALMA. Esta rede compacta permite-nos ver objectos com uma estrutura suave, e obtivemos informações sobre a estrutura interna dos ovos estelares, exactamente como pretendíamos.”

O aumento do espaçamento entre as antenas melhora a resolução de um interferómetro de rádio, mas torna difícil a detecção de objectos estendidos. Por outro lado, uma rede compacta tem uma resolução mais baixa, mas permite ver objectos estendidos. É por isso que a equipa usou a rede compacta de antenas de 7 metros do ALMA, conhecida como Rede Morita, não a rede estendida de antenas de 12 metros.

Eles descobriram que há uma diferença entre os dois grupos na densidade do gás no centro dos núcleos densos. Assim que a densidade do centro de um núcleo denso excede um determinado limite, cerca de um milhão de moléculas de hidrogénio por centímetro cúbico, a auto-gravidade leva o ovo a transformar-se numa estrela.

Um censo também é útil para encontrar um objecto raro. A equipa percebeu que existe um fluxo bipolar fraco, mas claro, num ovo estelar. O tamanho do fluxo é bastante pequeno e nenhuma fonte infravermelha foi identificada no núcleo denso. Estas características combinam bem com as previsões teóricas de um “primeiro núcleo hidrostático”, um objeto de vida curta formado pouco antes do nascimento de uma estrela bebé. “Já foram identificados noutras regiões vários candidatos a primeiro núcleo hidrostático,” explica Kakeru Fujishiro, membro da equipa de investigação. “Esta é a primeira identificação na região de Touro. É um bom alvo para uma observação mais extensa no futuro.”

Kengo Tachihara, professor associado da Universidade de Nagoya, menciona o papel dos investigadores japoneses neste estudo. “Os astrónomos japoneses estudaram as estrelas bebés e os ovos estelares em Touro usando o radiotelescópio Nagoya de 4 metros e o radiotelescópio Nobeyama de 45 metros desde a década de 1990. E a rede de 7 metros do ALMA também foi desenvolvida pelo Japão. O resultado actual faz parte da culminação destes esforços.”

“Conseguimos ilustrar a história do crescimento dos óvulos estelares até ao nascimento e agora estabelecemos o método para a investigação,” sumariza Tokuda. “Esta é uma etapa importante a fim de obter uma compreensão abrangente da formação estelar.”

Astronomia On-line
11 de Agosto de 2020

 

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4148: Metais estranhos. Novo estado da matéria partilha semelhanças com buracos negros

CIÊNCIA/FÍSICA

ESO/WFI, MPIfR/ESO/APEX/A. Weiss et al., NASA/CXC/CfA/R. Kraft et al.

Os “metais estranhos” exibem algumas propriedades condutivas incomuns que, surpreendentemente, têm semelhanças com buracos negros.

Os “metais estranhos” são materiais cuja resistência eléctrica exibe um comportamento de temperatura muito incomum. De acordo com um novo estudo, publicado recentemente na Proceedings of the National Academy of Sciences, estes metais podem ser um novo e bizarro estado da matéria, com propriedades semelhantes às dos buracos negros.

De acordo com o New Atlas, na mecânica quântica, a resistência eléctrica é um subproduto de electrões que colidem com outras partículas. Nos metais, à medida que os electrões fluem, chocam com outros electrões ou impurezas no material. Quanto mais tempo houver entre cada colisão, menor será a resistência eléctrica.

Em metais comuns, a resistência eléctrica aumenta de acordo com a temperatura. Os super-condutores permitem que a corrente eléctrica flua quase sem resistência – mas apenas abaixo de uma certa temperatura. Muitos materiais precisam de descer ao zero quase absoluto, enquanto alguns mantêm as propriedades super-condutoras até sob temperaturas mais altas.

No entanto, os electrões mais “estranhos” dissipam energia muito rapidamente. Em muitos super-condutores de alta temperatura, alterar a temperatura ou o número de electrões de fluxo livre no material pode alterá-lo de um estado supercondutor para um estado de metal estranho, ou vice-versa.

Neste tipo de materiais, a resistência eléctrica é proporcional à temperatura e às constantes de Planck e Boltzmann – as mesmas características que definem algumas das propriedades dos buracos negros.

“Encontrar essa mesma escala em todos estes sistemas diferentes é fascinante”, comentou Olivier Parcollet, cientista do Centro de Física Quântica Computacional do Instituto Flatiron e co-autor do artigo científico.

Este estudo determina, então, que os metais estranhos são um novo estado da matéria, que fica entre duas fases conhecidas: os espelhos giratórios isolantes de Mott e os líquidos Fermi.

“Descobrimos que existe uma região inteira no Espaço que exibe um comportamento planckiano que não pertence a nenhuma das duas fases”, explicou o professor de Física da Cornell, Eun-Ah Kim. “Este estado líquido de rotação quântica é metálico, mas relutantemente metálico“, acrescentou.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2020

 

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4147: Os micróbios do fundo do mar sobrevivem com menos energia do que pensávamos

CIÊNCIA/MICROBIOLOGIA

dahon / Flickr

Os micróbios do fundo do mar conseguem sobreviver com menos energia do que se pensava. Esta descoberta pode alterar a definição de vida como a conhecemos.

Uma equipa de cientistas britânicos fez uma descoberta que levanta muitas questões sobre os limites da vida, pelo menos como a conhecemos. De acordo com o New Scientist, as criaturas que vivem nas profundezas do fundo do mar sobrevivem com fluxos de energia inferiores aos que os imaginávamos para sustentar a vida.

James Bradley, cientista da Queen Mary University of London e principal autor do estudo, publicado recentemente na Science Advances, usou dados de amostras de sedimentos recolhidos do fundo do mar para determinar a taxa de energia consumida pelos microrganismos que vivem neste ecossistema.

Através de um modelo que considerou vários aspectos do habitat – quantidade de oxigénio disponível, taxa de degradação do carbono orgânico e quantidade de organismos vivos – Bradley e a sua equipa calcularam a taxa de energia usada por cada célula microbiana.

Os investigadores descobriram que o valor era 100 vezes inferior do que o que esperavam ser o limite da vida. Algumas células sobreviveram com menos de um zeptowatt de potência, ou 10 ^ -21 watts.

Os cientistas já haviam estimado o limite mais baixo de energia para a existência de vida, cultivando microrganismos em laboratório e privando-os de nutrientes para determinar o limite de sobrevivência.

No entanto, apesar de as experiências fornecerem pistas importantes, não representam a gama de ambientes naturais existentes no mundo real – incluindo o ambiente único do fundo do mar. Estes micróbios – principalmente bactérias e arqueas – podem sobreviver enterrados durante milhões de anos.

“Não acho que tenhamos uma boa compreensão dos mecanismos pelos quais estes microrganismos se regem para sobreviver num estado com níveis incrivelmente baixos de energia. Possivelmente, tem algo a ver com a capacidade de reduzirem a taxa metabólica e de entrarem num estado zombie“, rematou o cientista.

ZAP //

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11 Agosto, 2020

 

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4146: Campanha científica acrescenta mais de 37 mil quilómetros quadrados ao mapa do mar português

CIÊNCIA/OCEANOGRAFIA

SEAMAP 2030

A campanha científica que o navio hidro-oceanográfico D. Carlos I da Marinha Portuguesa realizou durante nove semanas nos Açores, para levantamentos hidrográficos, permitiu “acrescentar cerca de 37.500 quilómetros quadrados sondados ao mapeamento do mar português”.

Numa nota desta segunda-feira, a Marinha adianta que o navio hidro-oceanográfico atracou esta manhã na Base Naval de Lisboa perfazendo “62 dias de missão e 970 horas de navegação, tendo percorrido 6800 milhas náuticas (mais de 12.593 quilómetros)”, no âmbito do programa SEAMAP 2030 e da cooperação com o Governo Regional dos Açores.

O programa SEAMAP 2030, de mapeamento do mar português, visa a “caracterização da natureza dos fundos marinhos, na perspectiva de serviço hidrográfico nacional, numa abordagem multidisciplinar”, contribuindo para “aumentar o conhecimento nas áreas estratégicas de interesse nacional e para promover as actividades de desenvolvimento tecnológico, exploração sustentável dos recursos e investigação científica associadas às ciências do mar”.

O projecto irá “permitir a aquisição e processamento de dados para desenvolver produtos finais como cartografia náutica, mapas de informação diversa dos fundos marinhos e conhecimento do mar português”.

Esta campanha científica de nove semanas no arquipélago açoriano permitiu “acrescentar cerca de 37.500 quilómetros quadrados sondados ao mapeamento do mar português, no âmbito do programa SEAMAP 2030 e da cooperação com o Governo Regional dos Açores”, salienta a nota.

A Marinha explica ainda que a campanha científica consistiu “no levantamento hidrográfico, com os sistemas sondadores multi-feixe de bordo, de dez montes submarinos com especial interesse para o estudo dos ecossistemas do mar profundo, num raio de 100 milhas náuticas (mais 185 quilómetros) do grupo central do arquipélago dos Açores”.

O navio realizou, ainda, a manutenção de duas boias multi-paramétricas do Sistema Integrado de Monitorização Ambiental da Zona Económica Exclusiva de Portugal, dando apoio a uma equipa técnica do Instituto Hidrográfico.

No âmbito do projecto CETUS (que monitoriza informações sobre cetáceos) e da colaboração da Marinha Portuguesa com o Centro Interdisciplinar de Investigação Marinha e Ambiental da Universidade do Porto (Ciimar), embarcaram quatro observadores de cetáceos, tendo sido avistados vários exemplares das espécies Balaenoptera borealis (baleia-espadarte), Physeter macrocephalus (cachalote) e Grampus griseus (golfinho-de-risso)”.

O navio D. Carlos I é comandado pelo capitão-tenente Teotónio Pires Barroqueiro e tem uma guarnição de 34 militares.

Para esta campanha científica embarcaram ainda um médico e dois mergulhadores da Marinha Portuguesa, e uma equipa da Brigada Hidrográfica do Instituto Hidrográfico, constituída por cinco militares especializados em hidrografia, que realizou levantamentos hidrográficos costeiros e portuários nas ilhas da Graciosa e do Faial.

ZAP // Lusa

Por Lusa
10 Agosto, 2020

 

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4145: “Formiga do inferno.” Descoberto fóssil preservado em âmbar com 99 milhões de anos

CIÊNCIA/PALEOBIOLOGIA

NJIT / CAS / University of Rennes

Uma equipa internacional de cientistas encontrou um fóssil preservado em âmbar que ilustra o exacto momento em que uma formiga pré-histórica devora a sua presa.

De acordo com o artigo científico, publicado recentemente na Current Biology, a Ceratomyrmex ellenbergeri, uma formiga conhecida como “infernal”, usava uma espécie de chifre para prender as suas presas.

O fóssil, com mais de 99 milhões de anos, foi encontrado em Myanmar e ilustra o exacto momento em que a “formiga do inferno” prende a sua presa numa espécie de pinça formada pela sua mandíbula e pelo “chifre” – o clípeo presente até hoje noutras espécies de formigas.

No entanto, o “chifre” da Ceratomyrmex ellenbergeri tem um formato ligeiramente diferente. Nesta descoberta estiveram envolvidos cientistas do New Jersey Institute of Technology (NJIT), da Chinese Academy of Sciences (CAS) e da University of Rennes.

Citado pelo Europa Press, Phillip Barden, professor no Departamento de Ciências Biológicas do NJIT e principal autor do estudo, disse que haver um registo deste momento num fóssil é algo “extremamente raro”. Presenciar um “comportamento fossilizado é inestimável.”

Além disso, esta predação fossilizada confirma a hipótese, já avançada por alguns investigadores, sobre o funcionamento das peças bucais das “formigas do inferno”. “A única forma de capturar presas é as peças bucais moverem-se para cima e para baixo numa direcção diferente da de todas as formigas vivas”, explicou Barden.

Aliás, segundo os investigadores, estas adaptações podem explicar a diversidade de mandíbulas e clípeos observados nas 16 espécies de formigas do grupo “infernal”.

ZAP //

Por ZAP
11 Agosto, 2020

 

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4144: NASA descobre que o sistema solar está envolto numa bolha magnética com forma de ‘croissant’

CIÊNCIA

Os cientistas da NASA desenvolveram uma nova previsão do formato da bolha em torno do nosso sistema solar. Segundo eles, todos os planetas do nosso sistema solar estão envoltos numa bolha magnética. Esta foi esculpida no espaço pelo material do Sol em constante fluxo, o vento solar.

O aspecto tosco dessa bolha faz lembrar um croissant murcho.

O sistema solar está envolto numa forma de croissant

Segundo investigações recentes realizadas pela NASA, o sistema solar está envolvido pela heliosfera, ou “bolha” com uma forma de “croissant”. Fora desta bolha está o meio interestelar – o gás ionizado e o campo magnético que preenche o espaço entre os sistemas estelares na nossa galáxia.

Uma pergunta que os cientistas têm tentado responder há anos é sobre a forma desta bolha, que viaja pelo espaço enquanto o nosso Sol orbita o centro da nossa galáxia. Tradicionalmente, os cientistas pensaram na heliosfera como uma forma de cometa, com uma borda de ataque arredondada, chamada de nariz, e uma longa cauda atrás.

Contudo, como pode ser lido na investigação publicada na Nature Astronomy, a apresentação dá conta de uma forma alternativa ao que se pensava ser uma cauda longa: o croissant murcho.

Só as Voyager da NASA conseguiram passar para fora desta bolha

A forma da heliosfera é difícil de medir a partir do interior. A extremidade mais próxima da heliosfera está a mais de dezasseis mil milhões de quilómetros da Terra. Apenas as duas naves espaciais Voyager mediram directamente esta região, deixando-nos apenas com dois pontos de dados verdadeiros sobre a forma da heliosfera.

Na Terra, só se consegue saber alguma realidade através da captação e observação de partículas que voam em direcção ao planeta provenientes de eventos galácticos como super-novas. A heliosfera absorve cerca de três quartos destas partículas tremendamente energéticas, chamadas de raios cósmicos galácticos.

A missão Interstellar Boundary Explorer da NASA, ou IBEX, estuda a heliosfera, fazendo uso destas partículas como uma espécie de radar, traçando a fronteira do nosso sistema solar com o espaço interestelar.

Conforme é reportado, a NASA também utilizou informações que recolheu das missões a outros planetas. Assim, há dados importantes que foram obtidos na missão Cassini a Júpiter e na missão New Horizons a Júpiter e Plutão. Segundo Merav Opher, autor principal da nova investigação, os cientistas usaram modelos de computador para transformar os dados numa previsão das características da heliosfera.

A forma do nosso escudo

A forma da heliosfera é mais que uma questão de curiosidade académica. Então, tudo o que envolve a heliosfera tem a ver com a sua acção de escudo para com o nosso sistema solar em relação ao resto da galáxia.

A heliosfera, uma vasta região do espaço que circunda e é criada pelo Sol, é continuamente “insuflada” pelo plasma, conhecido como vento solar. Os níveis de radiação dentro e fora da heliosfera são diferentes, com os raios cósmicos galácticos menos profusos dentro da heliosfera. Como resultado, os planetas como a nossa Terra, estão parcialmente protegidos do seu impacto.

Como tal, esta tal bolha, de aspecto tosco, na forma de um ‘croissant’, actua como um escudo do Sistema Solar contra o resto da Via Láctea.

NASA procura este escudo “noutros mundos”

A forma da heliosfera também faz parte do quebra-cabeça para a procura de vida noutros mundos. A radiação prejudicial dos raios cósmicos galácticos pode tornar um mundo inabitável, um destino evitado no nosso sistema solar por causa do nosso forte escudo celestial. Assim, à medida que aprendemos mais sobre como a nossa heliosfera protege o nosso sistema solar – e como esta protecção pode ter mudado ao longo da história do sistema solar – podemos procurar outros sistemas estelares que podem ter protecção semelhante.

Portanto, os nossos sósias heliosféricos têm formas de cometas de cauda longa, croissants murchos ou será algo totalmente diferente?

Pplware
Autor: Vítor M.

 

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4143: Exoplaneta surpreendentemente denso desafia teorias de formação de planetas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

NOIRLab / NSF / AURA / J. Pollard
Exoplaneta K2-25b

Novas observações do K2-25b, um exoplaneta surpreendentemente denso para o seu tamanho e idade, estão a desafiar as teorias de formação planetária.

Com 25 massas terrestres e pouco mais pequeno do que Neptuno, o exoplaneta K2-25b é muito denso para a sua idade e tamanho. Mas o seu potencial não fica por aqui: este jovem planeta, que orbita uma estrela no aglomerado de estrelas Hyades, está a desafiar as teorias de formação planetária.

Segundo o Phys, o K2-25b é um exoplaneta praticamente rochoso, com apenas uma pequena camada de gás à volta do núcleo, características que intrigam os cientistas.

Além de não entenderem como é que um núcleo tão grande se formou, também não percebem como é que uma massa nuclear tão grande (que gera uma forte atracção gravitacional) não acumulou uma camada de gás significativa à sua volta.

Isto levanta dúvidas sobre as actuais teorias acerca da formação de planetas, uma vez que defendem que um planeta gigante se forma a partir de um modesto núcleo de gelo e rocha, de cinco a dez vezes a massa da Terra e, pouco a pouco, envolve-se num enorme invólucro gasoso, com centenas de vezes a massa da Terra. O resultado deste cocktail seria um gigante gasoso, como Júpiter.

Mas o K2-25b quebra estas regras: com uma massa 25 vezes maior do que a da Terra, o exoplaneta é relativamente pequeno, quase inteiramente um “núcleo” e não tem quase nada de gasoso ao seu redor. O artigo científico foi recentemente publicado no Astronomical Journal.

Gudmundur Stefansson, investigador da Universidade de Princeton, nos Estados Unidos, não hesita em afirmar que o K2-25b é “incomum“. Este planeta denso tem uma órbita ao redor da sua estrela hospedeira, uma anã castanha, de apenas 3,5 dias.

Como uma só observação não é suficiente para mudar teorias, os astrónomos vão continuar a observar sistemas semelhantes em busca de novas informações que possam, eventualmente, levar a novas hipóteses.

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10 Agosto, 2020

 

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4142: Gémeas, mas não tanto. Cientistas detectam diferenças nos discos de galáxias activas e não activas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

V. Belokurov based on the images by Marcus and Gail Davies and Robert Gendler

Uma equipa de cientistas do Instituto de Astrofísica das Ilhas Canárias (IAC) comparou a dinâmica dos discos galácticos entre pares de galáxias espirais activas e não activas.

Actualmente, há evidências científicas de que os buracos negros super-massivos que residem no centro da maioria das galáxias têm uma grande influência na sua evolução. Em algumas galáxias, o buraco negro consome o material ao seu redor a uma taxa muito alta, emitindo uma grande quantidade de energia.

Nestes casos, segundo o SciTechDaily, diz-se que a galáxia tem um núcleo activo (ou AGN). O material que alimenta o AGN deve estar inicialmente em regiões distantes do núcleo, na região conhecida como disco da galáxia, girando em torno do centro.

Para Ignacio del Moral Castro, estudar os mecanismos que controlam a relação entre o núcleo activo e o resto da galáxia é fundamental e, para isso, é importante entender de que forma esses objectos evoluem e se formam. Por esse motivo, o seu objectivo era estudar e comparar galáxias quase gémeas, cuja diferença é a actividade nuclear.

O estudo, publicado recentemente na Astronomy & Astrophysics Letters, consistiu em comparar a dinâmica dos discos galácticos entre os diferentes pares de galáxias gémeas. Para isso, os cientistas utilizaram dados da cartografia CALIFA (Calar Alto Legacy Integral Field Area Survey).

Num primeiro momento, a equipa identificou galáxias espirais activas dentro do CALIFA e, para cada uma delas, os cientistas procuraram uma inactiva que tivesse propriedades globais equivalentes – a mesma massa, luminosidade, orientação, uma aparência semelhante e outros factores.

A equipa propôs dois cenários para explicar as diferenças dinâmicas entre galáxias activas e não activas. Um primeiro cenário sugere que este resultado é fruto da transferência do momento angular entre o gás que caiu em direcção ao centro e a matéria que permanece no disco.

O segundo cenário envolve a consideração de uma fonte externa de gás, através da captura de pequenas galáxias satélites próximas. Ambos os cenários são compatíveis com o que foi observado e não se excluem entre si.

“O resultado surpreendeu-nos. Não esperávamos encontrar este tipo de diferenças em grande escala, visto que a duração da fase activa é muito curta em comparação com a vida das galáxias e com o tempo envolvido nas mudanças morfológicas e dinâmicas”, disse Begoña García Lorenzo, investigadora do IAC e co-autora do estudo.

“Achávamos que todas as galáxias passam por fases activas ao longo das suas vidas. No entanto, este resultado pode indicar que, afinal, não é bem assim. Caso se verifica, isto significaria uma mudança importante nos modelos actuais“, acrescenta Cristina Ramos Almeida, também cientista do IAC.

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10 Agosto, 2020

 

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4141: Todos os continentes da Terra já se moviam há pelo menos 2.000 milhões de anos

CIÊNCIA/GEOLOGIA

United States Geological Survey / Wikimedia

Uma equipa de cientistas do Instituto de Geologia e Geofísica (IGG) da Academia Chinesa de Ciências, liderada por Wan Bo, concluiu que a tectónica de placas globalizou-se há, pelo menos, 2.000 milhões de anos.

Na prática, a investigação, cujos resultados foram publicados esta semana na revista científica Science Advances, sugere que todos os continentes da Terra já se moviam de forma global há, pelo menos, 2.000 milhões de anos.

A Terra tem cerca de 4,56 mil milhões de anos e, apesar de alguns geólogos terem argumentado que as placas tectónicas estão no activo há 4 mil milhões de anos, este é o primeiro estudo que fornece evidências globais sobre o assunto, frisa a Europa Press.

Actualmente, a colisão continental mais conhecida na Terra acontece nas montanhas dos Himalaias, à medida que a placa Índia colide com a Eurásia (grande massa continental formada pelos continentes europeus e asiático).

Através da sismologia, os cientistas visualizaram este impacto e descobriram que as ondas do terramoto mostram que a Eurásia se encontra a subir sobre a placa Índica.

Agora, os cientistas do IGG desenvolveram um estudo sismológico para investigar a estrutura da antiga crosta numa das mais antigas e estáveis regiões, Ordos, uma cidade chinesa perto da Mongólia Interior, que é agora plana, sem montanhas.

“Embora a estrutura de imersão que encontramos seja idêntica à que observamos actualmente nos Himalaias, o que vemos tinha 2 mil milhões de anos”, explicou Wan.

Além das evidências antigas de sub-ducção na China, os cientistas mostraram ainda que outros estudos sismológicos levados a cabo noutros continentes também mostraram estruturas de imersão semelhantes com 2.000 milhões de anos.

Sintetizando: os cientistas acreditam que a tectónica de placas possa ter começado a existir na Terra desde os seus primórdios, mas esta só começou a ter uma dinâmica de global há 2.000 milhões de anos.

É como a invenção da Internet“, exemplifica o co-autor do estudo Ross Mitchel, do mesmo instituto chinês. “Embora tenha existido de uma forma ou de outra durante décadas, foi só na década de 1990 que começou a era da informação” – e o mesmo terá acontecido com a tectónica de placas.

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10 Agosto, 2020

 

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4140: Maurícias numa corrida contra o tempo para evitar desastre ambiental

CIÊNCIA/DESASTRE AMBIENTAL

Pierre Dalais / EPA

Milhares de estudantes, activistas ambientais e residentes das Maurícias continuam a trabalhar para tentar minimizar os danos causados pelo derrame de petróleo de um navio encalhado nos recifes de coral ao largo da ilha.

Estima-se que uma tonelada de petróleo da carga de um navio japonês de quatro toneladas já tenha escapado para o mar, segundo as autoridades.

Os trabalhadores estavam a tentar impedir mais fugas de petróleo, mas com os ventos fortes e o mar agitado, registaram-se, este domingo, novas fissuras no casco do navio.

O primeiro-ministro, Pravind Jugnauth, declarou o estado de emergência e apelou à ajuda internacional, adiantando que o derrame “representa um perigo” para o país de 1,3 milhões de pessoas, que depende fortemente do turismo e foi já fortemente prejudicado pelas restrições de viagem causadas pela pandemia de covid-19.

“Esta é a primeira vez que enfrentamos uma catástrofe deste tipo e não estamos suficientemente equipados para lidar com este problema”, disse também Sudheer Maudhoo, o ministro da Pesca do país ao New York Times, citado pelo site Live Science.

Imagens de satélite mostram uma mancha escura a alastrar nas águas turquesa perto de zonas húmidas classificadas de “muito sensíveis” do ponto de vista ambiental.

Defensores da vida selvagem e voluntários transportaram, entretanto, dezenas de tartarugas bebé e plantas raras de uma ilha perto do derrame para a ilha Maurícia, a maior do país.

“Isto já não é uma ameaça para o nosso ambiente, é um desastre ecológico completo que afectou uma das partes mais importantes das ilhas Maurícias, a Lagoa de Mahebourg”, disse Sunil Dowarkasing, um consultor ambiental e antigo membro do Parlamento.

“O povo das Maurícias, milhares e milhares, têm estado a tentar evitar tantos danos quanto possível”, disse Dowarkasing.

De acordo com este responsável, foram criadas longas jangadas flutuantes para tentar abrandar a propagação do petróleo. Estão também a ser usadas faixas de tecido cheia com folhas e palha de cana de açúcar e mantidas a flutuar com garrafas de plástico. Estudantes universitários e membros de clubes locais estão entre os voluntários.

Estamos a trabalhar a todo o vapor. É um grande desafio, porque o petróleo não está apenas a flutuar na lagoa, está já a espalhar-se para a margem”, disse Dowarkasing, adiantando que os ventos constantes e as ondas espalharam o combustível pelo lado oriental da ilha. “Nunca vimos nada assim nas Maurícias” acrescentou.

A lagoa é uma área protegida, criada há vários anos para preservar uma zona da ilha Maurícia como há 200 anos.

“Os recifes de coral tinham começado a regenerar-se e a lagoa estava a recuperar os seus jardins de coral”, disse Dowarkasing. “Agora tudo isto pode ser novamente morto pelo derrame de petróleo”, acrescentou.

Residentes e ambientalistas questionam por que razão as autoridades não agiram mais rapidamente após o navio, o MV Wakashio, encalhar num recife de coral a 25 de Julho.

Essa é a grande questão“, disse Jean Hugues Gardenne, da Fundação Mauritian Wildlife Foundation. “Porque é que aquele navio estava há tanto tempo naquele recife de coral e nada foi feito”, insistiu.

No Japão, responsáveis da empresa proprietária do navio, a Nagashiki Shipping, e do operador do navio, Mitsui O.S.K. Lines, pediram desculpa pela fuga de petróleo.

Na sua primeira conferência de imprensa desde que o navio encalhou há duas semanas, os responsáveis disseram ter enviado peritos às Maurícias para se juntarem ao esforço de limpeza.

Os dirigentes adiantaram que o Wakashio deixou a China a 14 de Julho e estava a caminho do Brasil. O navio estava a cerca de uma milha da costa sudeste da Maurícia quando encalhou, embora fosse suposto estar a 10 a 20 milhas (16 a 32 quilómetros) de distância da ilha, estando em investigação a razão pela qual o navio se desviou da rota. Depois de o navio ter encalhado, a tripulação foi evacuada com segurança.

ZAP // Lusa

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10 Agosto, 2020

 

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4139: A Lua pintou-se de vermelho na Argentina (e a causa não é propriamente boa)

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/AMBIENTE

alif_abdulrahman / Flickr

Uma estranha lua com tons avermelhados pintou o céu da Argentina. O fenómeno misterioso encheu as redes sociais de fotografias e teorias.

Em diferentes regiões da Argentina, várias pessoas puderam apreciar, nas últimas noites, a Lua com uma intensa cor avermelhada. As redes sociais encheram-se de fotografias do nosso satélite e foram vários os que se chegaram à frente para explicar este misterioso fenómeno.

Alguns escreveram que o fenómeno se tratava de um eclipse. No entanto, avança o Russia Today, alguns especialistas explicaram que o aspecto da Lua não é propriamente um bom sinal, uma vez que é sinónimo da presença de partículas suspensas na atmosfera, fruto da seca e incêndios florestais.

Adrián Arquiola, astrónomo e director do Observatório Astronómico Municipal de Funes, disse que “a razão fundamental” para esta coloração foi, antes de tudo, o fumo proveniente das ilhas do rio Paraná e o “pó de suspensão que é produto da seca” em toda a região.

“Foi um fenómeno que chamou muita a atenção. As pessoas pensaram que era um eclipse, mas não”, sublinhou o especialista.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

Patricio Manin
@Patriciomanin
Sin filtros ni retoques, así se vió la luna en Arrecifes por el humo de los incendios en Rosario. Una tremenda locura!

Imagem

“Não era um eclipse, eram partículas de fumo na atmosfera, que espalham mais luz azul, enquanto a luz vermelha continua recta“, disse Carlos Silva, da Associação de Professores de Física da Argentina, que partilhou uma fotografia da Lua no Twitter.

O fenómeno é conhecido como dispersão de Rayleigh: trata-se da dispersão da luz, ou qualquer outra radiação electromagnética, por partículas muito mais pequenas do que o comprimento de onda dos fotões dispersados. Aliás, a dispersão de Rayleigh da luz solar na atmosfera é a principal razão pela qual o céu é azul.

Foto do perfil, abre a página do perfil no Twitter em uma nova aba

Carlos Silva
@carlosmtron
Así estaba la Luna hoy en Rosario. No era un eclipse, eran las partículas de humo en la atmósfera, que dispersan más la luz azul, mientras que la roja sigue derecho. #BastaDeQuemas #LeyDeHumedalesYa #Luna #Moon

Imagem

O professor de Física disse ainda que, “para além da estranha sensação de beleza, hoje o ar é tóxico, irrespirável, carregado de dióxido de carbono“. “Os animais que vivem em áreas húmidas estão a morrer. Este ecocídio urgente deve ser interrompido.”

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9 Agosto, 2020

 

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4138: Reservas naturais chinesas salvaram os pandas da extinção (mas “esqueceram-se” dos leopardos)

CIÊNCIA/ZOOLOGIA

tambako / Flickr

Uma nova investigação revela que os esforços da China para salvar os pandas gigantes foram bem sucedidos, mas os mesmos falharam na protecção de outros animais que partilham o mesmo habitat, como é o caso dos leopardos.

Os pandas gigantes, recorda o portal New Scientist, afastaram-se da extinção em meados de 2016, depois de as reservas naturais terem traçado planos para salvar esta espécie em 1960 – mas há várias outras espécies que precisam de ajuda.

A mesma investigação, cujos resultados foram publicados recentemente na revista Nature Ecology & Evolution, mostra que, durante o mesmo período e nas mesmas reservas naturais em que vivem as pandas, houve uma diminuição de 81% nos leopardos (Panthera pardus) e de 38% entre os leopardos da neve (Panthera uncia).

Dois outros carnívoros, os lobos (Canis lupus) e dholes (Cuon alpinus), um cão-selvagem-asiático, diminuíram as suas populações 77 e 95%, respectivamente, deixando-os muito próximos da extinção nesta mesma região.

A equipa de cientistas, constituída por especialistas chineses e norte-americanos e liderada por Sheng Li da Universidade de Pequim, chegou a estes valores depois de calcular os declínios na população das quatro espécies comparando registos de investigações levadas a cabo entre 1950 e 1970 com registos de armadilhas fotográficas de 2008 a 2018.

Especialistas e moradores locais citados pelo mesmo portal sugerem que a maioria das perdas entre estes animais ocorreu durante os anos 90, impulsionado pela desflorestação e pela caça furtiva dos animais e das respectivas presas.

“Não fiquei tão surpreso com os declínios, mas os números são dramáticos“, diz o líder da investigação, observando que os valores dos declínios são consistentes com os dos grandes mamíferos terrestres do mundo.

Os investigadores dizem ainda que estes resultados são um alerta contra a tendência de tentar preservar a biodiversidade concentrando apenas esforços numa só espécie. “Estas descobertas alertam contra a forte dependência de uma política de conservação de espécies únicas para a conservação da biodiversidade na região”, pode ler-se.

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9 Agosto, 2020

 

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4137: Aeronave autónoma é uma alternativa acessível aos satélites (e já fez o seu primeiro voo)

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

A empresa Swift Engineering, em parceria com o Ames Research Center, da NASA, desenvolveu uma alternativa acessível aos satélites: uma aeronave autónoma de alta altitude e longa resistência.

Já nasceu a alternativa acessível aos satélites: chama-se high altitude long endurance (HALE) unmanned aerial system (UAS) e foi desenvolvido pela Swift Engineering, em parceria com o Ames Research Center, da NASA.

A aeronave autónoma é movida a energia solar, pesa pouco mais de 80 kg e pode transportar, com segurança, até 7 kg de carga.

O Swift HALE UAS foi desenhado para voar a 70.000 pés (21.336 metros) e oferece 24 horas de operações persistentes e estáveis ​​na atmosfera superior para vigilância comercial e militar, monitorização, comunicações e aplicações de segurança.

“Desenvolvemos um sistema económico de energia a propulsão que pode suportar temperaturas severas, radiação e condições estratosféricas, fornecendo e armazenando energia suficiente para permitir voos de longa duração“, explicou Andrew Streett, vice-presidente de tecnologia da Swift Engineering, citado pelo In The Know.

Em Julho, a empresa concluiu o primeiro voo de teste – no Spaceport America, no Novo México -, que permitiu aos engenheiros verificar que a aeronave cumpre todos os requisitos de segurança e design.

A tecnologia já recebeu duas patentes de tecnologia e certificações de aero-navegabilidade da NASA e um Certificado de Autorização da FAA (Administração de Aviação Federal), que dão autorização ao veículo para voar no espaço aéreo comercial.

“As aplicações desta tecnologia conduzirão a uma nova era de aceleração de dados. A Swift é capaz de oferecer o que nenhuma outra empresa do sector pode para o mercado dos Estados Unidos”, disse Rick Heise, presidente e CEO da Swift Engineering.

A Swift Engineering é uma empresa de inovação com uma história de 35 anos de design, engenharia e herança de construção em sistemas inteligentes e veículos avançados, incluindo sistemas autónomos, helicópteros, submarinos, naves espaciais, veículos terrestres, robótica e compostos avançados para defesa militar, saúde, agricultura e aplicações industriais.

Sediada em San Clemente, na Califórnia, a Swift é reconhecida mundialmente pela sua capacidade de trazer inovações disruptivas ao mercado.

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9 Agosto, 2020

 

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4136: SpaceX, ULA are the big winners for US national security launches

The two companies will split the contracts 60/40

A SpaceX Falcon Heavy rocket carrying satellites for the U.S. Air Force launches on June 25, 2019. Photo by Paul Hennessy/NurPhoto via Getty Images

The US Department of Defense has selected its two primary rocket companies for getting satellites into orbit in the years ahead: long-time military launch provider United Launch Alliance (ULA) and SpaceX. ULA will receive 60 percent of the department’s satellite launch contracts, while SpaceX will receive 40 percent.

The two companies beat out rivals Northrop Grumman and Blue Origin to launch DoD missions between fiscal years 2022 and 2027. This is a big prize, as each individual launch can cost over $100 million. The DoD hasn’t committed to an exact number of launches over that five-year period, but they have awarded $316 million to SpaceX and $337 million to ULA “to meet fiscal year 2022 launch dates”, according to a DoD statement.

“This was an extremely tough decision and I appreciate the hard work industry completed to adapt their commercial launch systems to affordably and reliably meet our more stressing national security requirements,” Col. Robert Bongiovi, director of the Space and Missile Systems Center Launch Enterprise, said in a statement.

There’s a milestone here, too: the end of this program’s use of the Atlas V rocket. That rocket, made by ULA, relies on the Russian RD-180 engine. But the Russian engines have been a political minefield ever since Russia invaded Ukraine in 2014; that year, NASA even suspended contact with Russia. Since then, the DoD has been trying to phase out its reliance on Russian technology. In 2018, it awarded ULA, Northrop Grumman, and Blue Origin a combined $2 billion in contracts to develop next-generation rockets.

SpaceX wasn’t happy about that award — in 2019 they sued the government over the contract. The company argued the award gave their competitors a leg up in getting awarded the launches.

In the end, the DoD passed over vehicles designed by Blue Origin and Northrop Grumman. Instead, they picked SpaceX Falcon 9 and Falcon Heavy rockets, which have proven themselves in flight. They also chose ULA’s future Vulcan Centaur rocket, which is currently set to make its first flight in 2021.

The Verge

 

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4135: As larvas de peixe-sol são adoráveis (mas crescem e tornam-se gigantescos “nadadores”)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Australian Museum
Peixe-sol

Uma equipa de cientistas australianos e neozelandeses descobriram as fases iniciais da larva gigante de peixe-sol. Pela primeira vez, o sequenciamento de ADN identificou as larvas do peixe-sol (Mola alexandrini).

O peixe-sol, conhecido cientificamente como Mola alexandrini, é um dos maiores peixes do oceano. Apesar do tamanho, este peixe é inofensivo, mas o cenário muda de figura quando encontra no seu caminho uma embarcação, como barcos de pesca.

A especialista Marianne Nyegaard decidiu analisar em detalhe a larva gigante de peixe-sol por ser uma incógnita para a comunidade científica, conta o Live Science. Como este animal pode atingir os três metros de comprimento e pesar em torno de 2.000 quilogramas, a equipa nunca imaginou que a larva pudesse ser tão pequena (e adorável).

Desde que foi identificada pela primeira vez, esta espécie causou muitas dúvidas no seio científico, uma vez que o género Mola possui mais quatro espécies, que se assemelham muito com o peixe-sol. Por esse motivo, a descoberta do estágio inicial pode servir como base para entender como funciona o ciclo de vida deste peixe.

(dr) Amy Coghlan
Larva de peixe-sol

A cientista decidiu ampliar os seus objectos de estudo ao dar preferência à análise de espécimes presentes nos grandes museus. O exemplar estudado, do Museu Australiano, media cerca de 5 milímetros, o que gerou um enorme desafio para ser analisado.

Além disso, o facto de as fêmeas adultas desta espécie serem recordistas na fecundação – chegando a produzir 300 milhões de óvulos -, deixou os cientistas, ao longo dos anos, intrigados.

Pela primeira vez, o sequenciamento de ADN identificou as larvas do peixe-sol (Mola alexandrini). “A sequência de ADN do espécime existente no Museu Australiano foi comparada com dados de referência gerados pelos nossos colaboradores internacionais”, explicou a cientista.

Kerryn Parkinson e Andrew King, investigadores do museu, ficaram encarregues da extracção de um dos globos oculares e da extracção e análise do ADN da larva gigante de peixe-sol, respectivamente.

Nyegaard considera que as pesquisas futuras sobre as larvas do peixe-sol devem ajudar a Ciência a desvendar novos factos a respeito do estágio inicial da vida destes peixes.

ZAP //

Por ZAP
9 Agosto, 2020

 

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4134: Esqueletos revelam que fosso entre ricos e pobres começou a abrir-se há 6.600 anos

CIÊNCIA/ARQUEOLOGIA

Chelsea Budd / Universidade de Umeå

A análise a ossos encontrados numa sepultura na Polónia mostram que o fosse entre ricos e pobres na Europa começou a abrir-se muito antes daquilo que se pensava.

O desaparecimento da classe média é um problema da sociedade do quotidiano. Isto acontece devido ao crescente alargamento do fosso entre ricos e pobres. Ao contrário do que se possa pensar, este não é um fenómeno de todo recente. Um novo estudo arqueológico revela que o fosso de riqueza começou a abrir-se há 6.600 anos.

Investigadores da Universidade de Umeå, na Suécia, analisaram sepulturas milenares da comunidade Osłonki, na Polónia. O objectivo era tentar determinar se a desigualdade de riqueza existia nestas antigas sociedades.

Os arqueólogos descobriram que um quarto da população era enterrada com adornos, embora isto signifique que as pessoas tenham sido necessariamente ricas durante a sua vida, escreve a New Scientist.

“Os itens poderiam simplesmente ter sido uma actuação dos membros sobreviventes da família”, explicou a líder da investigação, Chelsea Budd. “Poderia ser usado para mitigar os processos em torno da morte ou até para promover o seu próprio status social”.

Para perceber se os falecidos eram mesmo ricos ou se não passava de ‘fogo de vista’, os investigadores analisaram os isótopos de carbono e azoto dos esqueletos encontrados nas sepulturas. Através desta técnica, os cientistas poderiam perceber a qualidade da alimentação que levavam.

Aqueles que eram enterrados com cobre, tinham um equilíbrio distinto de proporções de carbono nos ossos. Os investigadores identificaram esse mesmo equilíbrio em ossos de gado encontrados na área. Isto sugere que as pessoas enterradas com cobre comiam carne desses animais.

Além disso, escreve a New Scientist, sugere ainda que as pessoas que eram enterradas nestas condições tinham acesso a terras e gado que outros não tinham.

Budd e os seus colegas especulam que isto esteja relacionado com diferentes níveis de posse de terras. “Nunca antes encontramos estas desigualdades neste período”, diz a autora principal do estudo publicado recentemente na revista científica Antiquity.

“Sepulturas ricas não significam necessariamente pessoas ricas em nenhum período”, diz Mark Pearce, da Universidade de Nottingham. “Mas este método fornece uma excelente maneira de demonstrar a existência de diferenças sociais”.

ZAP //

Por ZAP
9 Agosto, 2020

 

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