2852: Os primeiros bebés podem nascer no Espaço daqui a 12 anos

CIÊNCIA

marcosdemadariaga / Flickr

A empresa SpaceBorn United pretende realizar missões espaciais entre 24 e 36 horas para que algumas mulheres dêem à luz em órbita dentro de 12 anos.

A notícia é avançada pelo fundador e CEO da empresa, Egbert Edelbroek, durante o primeiro Congresso de Ciência e Investimento Espacial de Asgardia, realizada esta semana em Darmstadt, em Hesse, Alemanha, de acordo com o britânico Daily Mail.

Edelbroek revelou que o objectivo da sua empresa, uma empresa emergente que investiga as condições da reprodução humana no espaço focado na tecnologia de reprodução assistida, é o parto em si, não a gravidez.

“Isso só é possível, por enquanto, na órbita baixa da Terra (LEO), graças a um processo de selecção muito completo”, explicou Edelbroek. LEO é uma órbita localizada a cerca de dois mil quilómetros acima da superfície da Terra.

O cientista disse que, para participar no projecto, os investigadores considerarão apenas mulheres com “alta resistência à radiação natural” que tenham tido dois partos anteriores sem problemas.

Edelbroek também explicou que, em cada missão, participarão 30 grávidas e poderão sair a qualquer momento. “É difícil planear um processo natural como este, se houver algum problema com o clima ou um atraso no lançamento”, acrescentou Edelbroek. No entanto, o CEO disse que “é possível” fazê-lo com “um nível de risco mais baixo” do que um nascimento actual de “estilo ocidental”.

Por fim, questionado sobre a estimativa de 12 anos, o CEO garantiu que a viabilidade dessa iniciativa dependerá do financiamento e da evolução do sector de turismo espacial. “Se esse sector acelerar da forma que está acontecer agora, haverá um mercado para pessoas muito ricas que não estão preparadas para os três meses de treinamento militar”. A esse respeito, ele disse que viajariam em “naves espaciais muito confortáveis”.

ZAP //

Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2851: Hubble captou as primeiras imagens do cometa interestelar

O próximo ano servirá para aprender mais sobre o 2I/Borisov.

O Telescópio Espacial Hubble captou no dia 12 de Outubro as primeiras imagens do cometa interestelar 2I/Borisov, as quais revelam que este corpo celeste tem um aspecto semelhante aos que ‘habitam’ o nosso Sistema Solar.

“Os ovos cometas são sempre imprevisíveis. A forma como por vezes brilham de repente ou mesmo começar a fragmentar à medida que são expostos ao intenso calor do Sol pela primeira vez. O Hubble está posicionado para vigiar tudo o que acontecer a seguir com a sua resolução e sensibilidade superiores”, pode ler-se no comunicado de um dos observadores, Max Mutchler.

O 2I/Borisov ficará visível para observação durante o próximo ano e é possível que venham a surgir mais detalhes sobre este corpo celeste.

msn notícias
Notícias ao Minuto
17/10/2019

 

2850: Rios ocultos de água quente estão a derreter o gelo da Antárctida

CIÊNCIA

GRID Arendal / Flickr

O gelo antárctico está a ser desestabilizado por rios ocultos e invertidos de água quente que correm por baixo das plataformas, derretendo-as.

Os cientistas conhecem estes canais basais nas plataformas de gelo há vários anos, mas as circunstâncias por trás da sua formação não eram bem compreendidas. Agora, os investigadores descobriram mais sobre o fenómeno e dizem que é algo que precisamos de levar em consideração ao modelar a elevação do nível do mar.

“A circulação de água quente está a atacar a parte inferior destas plataformas de gelo nos pontos mais vulneráveis”, disse a glaciologista Karen Alley, do College of Wooster, em Ohio, em comunicado.

As plataformas de gelo são uma extensão externa flutuante do gelo terrestre que compõe as camadas continentais de gelo, escreve o ScienceAlert. No caso da Antárctica, cerca de três quartos do continente é cercado por plataformas de gelo flutuantes, que agem como uma barreira natural para ajudar a impedir que as geleiras nas camadas de gelo fluam para o oceano.

Este efeito natural de barreira só funciona, no entanto, se as próprias plataformas de gelo contiverem massa gelada suficiente para sustentar o fluxo marítimo de gelo. Porém, as barreiras antárcticas estão a enfraquecer.

Em 2016, uma equipa liderada por Alley analisou imagens de satélite das plataformas de gelo da Antárctica Ocidental e identificou os rios invertidos de água morna que erodiam as plataformas por baixo, tornando-as mais vulneráveis ​​à desintegração. “As nossas observações mostram que os canais basais estão associados ao desenvolvimento de novas zonas de fissuras, sugerindo que estes canais podem causar fractura no gelo”, explicaram os investigadores no artigo de 2016, publicado na revista especializada Nature Geoscience.

“Concluímos que os canais basais podem formar-se e crescer rapidamente como resultado da intrusão de água quente no oceano, e que podem enfraquecer estruturalmente as plataformas de gelo, potencialmente levando à rápida perda da plataforma de gelo em algumas áreas”.

Num novo estudo, Alley e a sua equipa examinaram novamente os canais basais para investigar o que produz estes rios misteriosos. Por acaso, o processo começa na massa aterrada da própria camada de gelo da Antárctica, e não na plataforma de gelo flutuante. À medida que o gelo flui para o mar a partir da camada de gelo em terra, regiões fracas no gelo de fluxo rápido chamado “margens de cisalhamento” podem formar-se nas bordas da massa.

No novo estudo, publicado na semana passada na revista especializada Science Advances, os cientistas descobriram que os canais basais eram mais propensos a formar-se ao longo das margens dos trechos de gelo enfraquecidos e de fluxo rápido – uma consequência dos fluxos quentes de água flutuante que subiam acima da água mais fria e induziam o derretimento nas secções mais vulneráveis nas plataformas de gelo.

À medida que a fusão ocorre, um canal basal é esculpido na parte inferior da frágil margem de cisalhamento, revelando o ponto mais fraco e produzindo quebras nas plataformas de gelo.

“Estamos a ver um novo processo, em que a água quente entra na plataforma por baixo”, disse o glaciologista Ted Scambos, da Universidade do Colorado Boulder. “A calha torna a plataforma fraca e, em poucas décadas, desaparece, libertando o manto de gelo para sair mais rápido no oceano”.

Embora os investigadores não saibam até que ponto estes rios podem estar a apressar os processos de colapso do lençol de gelo e aumento do nível do mar em geral, os cientistas consideram que é importante estudar os efeitos dos canais basais e incorporar o fenómeno na modelagem das mudanças na camada de gelo.

“Isto pode importar um pouco ou pode importar muito”, disse Alley à National Geographic. “Mas sabemos que isto torna mais provável a perda de plataformas de gelo. Estes canais tornam os pontos fracos mais fracos”.

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Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2849: Astronauta capta o colossal “Olho do Sahara” a partir da EEI

CIÊNCIA

ESA

A Agência Espacial Europeia publicou neste domingo uma fotografia da colossal estrutura de Richat, uma formação geológica enigmática no centro da Mauritânia, conhecida como o “Olho do Sahara”.

A estrutura, que tem cerca de 40 quilómetros de diâmetro e fica no meio do deserto do Sahara, é também conhecida como o “Olho de África”.

“Uma memória indelével da primeira missão”, afirmou o astronauta italiano Luca Parmitano, que captou a fotografia a 400 quilómetros de altitude durante a sua estadia na Estação Espacial Internacional (EEI), citado pela agência europeia.

Descoberto em meados de 1965 pelos cientistas da NASA James McDivit e Edward White, o “Olho do Sahara” foi, até há bem pouco tempo, objecto de controvérsia – os cientistas não se entendiam sobre aquela que seria a sua origem.

A hipótese inicialmente apresentada sustentava que a formação, que terá surgido há 500 ou 600 milhões de anos, era fruto de um meteorito que caiu na Terra. Contudo, estudos posteriores revelaram que a estrutura em causa é totalmente geológica e que esta foi criada pelo efeito da erosão ao longo de milhões de anos.

Há ainda quem defenda que a Estrutura de Richart é o Reino perdido de Atlântida, defendendo assimetrias com as descritas por Platão nos seus livros.

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Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2848: Enorme impacto cósmico pode ter assolado a Terra há 12.800 anos

CIÊNCIA

Uma equipa de cientistas descobriu excesso de platina em material sedimentar extraído de depósitos de turfa localizados em Wonderkrater, Limpopo, na África do Sul, revelou uma nova investigação.

De acordo com um novo estudo, cujos resultados foram no início do mês de Outubro publicados na revista científica especializada Palaeontologia Africana, a presença deste elemento prova que a Terra sofreu um “impacto cósmico” há 12.800 anos.

Esta descoberta está em linha com a teoria que sustenta que o cometa Clovis impactou a Terra há quase 13 milénios, tendo este acontecimento dado início a uma fase de arrefecimento no final do Pleistoceno, entre 12.800 a 11.500 anos atrás.

Este impacto cósmico – que pode também ter sido causado por um asteróide ou outro qualquer objecto celeste – terá, segundo os cientistas, causado a extinção de muitas espécies de animais. O novo artigo refere mesmo “consequências a nível global”, destruição em massa e mudanças climáticas.

A platina analisada está, por norma, presente nos meteoritos e corresponderia ao período de tempo acima apontado. Por isso, a equipa de cientistas liderada por Francis Thackeray afirma que o impacto de “um objecto desintegrado suficientemente grande” poderia espalhar este elemento químico por todo o mundo.

Restos semelhantes foram já encontrados na América, Europa e Médio Oriente, mas esta é a primeira vez que há evidências deste evento na África.

“A nossa descoberta, pelo menos em parte, apoia a altamente controversa Hipótese de Impacto de Dryas Mais Jovens (YDIH)”, explicou o professor Francis Thackeray, da Universidade de Witwatersrand, na África do Sul, citado em comunicado.

“Precisamos explorar seriamente a visão de que um impacto de um asteróide em algum lugar da Terra pode ter causado mudanças climáticas à escala global e contribuído em certa medida para o processo de extinção de animais de grande porte no final do Pleistoceno, após a última era glacial”, defendeu.

Por sua vez, o geólogo norte-americano Allen West destaca a importância desta investigação, uma vez que esta aponta para “teve efeitos globais”. Outros cientistas há que discordam desta hipóteses, argumentando que há uma “discrepância” de dadas entre os diferentes locais já analisados.

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17 Outubro, 2019

 

Exotic ‘Fuzzy’ Dark Matter May Have Created Giant Filaments Across the Early Universe

SCIENCE

(Image: © MARK GARLICK/SCIENCE PHOTO LIBRARY)

Dark matter, the mysterious substance making up a quarter of the mass and energy of the universe, might be made from extremely tiny and light particles, new research suggests. This “fuzzy” form of dark matter—called that because these miniscule particles’ wavelengths would be smeared out over a colossally huge area—would have altered the course of cosmic history and created long and wispy filaments instead of clumpy galaxies in the early universe, according to simulations.

The findings have observational consequences — upcoming telescopes will be able to peer back to this early time period and potentially distinguish between different types of dark matter, allowing physicists to better understand its properties.

Dark matter is an unknown massive substance  found throughout the cosmos. It gives off no light — hence the name dark matter — but its gravitational effects help bind together galactic clusters and cause stars at the edges of galaxies to spin faster than they otherwise would. Many scientists believe that most dark matter is cold, meaning it moves relatively slowly. But there are entirely different ideas, such as the possibility that it’s tiny and fuzzy, meaning it would move quickly because it’s so light.

“Our simulations show that the first galaxies and stars that form look very different in a universe with fuzzy dark matter than a universe that has cold dark matter,” Lachlan Lancaster, an astrophysics graduate student at Princeton University and co-author of a new paper in the journal Physical Review Letters, told Live Science.

Lancaster explained that the most common speculations about dark matter suggest it is composed of weakly interactive massive particles (WIMPs), which would have a few tens or hundreds of times the mass of a proton. Simulations that use this type of dark matter are extremely good at re-creating the large-scale structure of the universe, including vast voids of empty space surrounded by  long, spidery filaments  of gas and dust, a formation known as the cosmic web. But on smaller scales, such models contain a number of discrepancies from what astronomers observe with their telescopes. In this standard view, dark matter should pile up in the centers of galaxies, but nobody has seen it doing so.

Fuzzy dark matter, in contrast, would be mind-bogglingly light, perhaps a billionth of a billionth of a billionth the mass of an electron, according to a statement from MIT. Quantum mechanics states that particles can also be thought of as waves, with wavelengths inversely proportional to their mass, Lancaster said. So the wavelength of such a light particle would be thousands of light-years long.

Fuzzy dark matter would therefore have a harder time clumping together than cold, WIMP dark matter. In simulations, Lancaster and his co-authors showed that a cold dark-matter universe would have galaxies that formed relatively quickly out of spherical halos.

But fuzzy dark matter would instead coalesce into long, wispy strings of material — “more giant filaments than clumpy galaxies,” Lancaster said — and galaxies would then be born larger and later. Dark matter would also have a harder time piling up in the centers of galaxies, potentially explaining why astronomers don’t observe this clumpiness when they look at galaxies.

Instruments like the Large Synoptic Survey Telescope (LSST) in Chile and 30-meter-class telescopes being built around the world will soon be able to peer back to some of the universe’s earliest days. They are expected to start taking data in the next decade, which means “we’ll either start seeing the effects of fuzzy dark matter, or start ruling them out,” Lancaster said.

Though other researchers have speculated about fuzzy dark matter, the new simulations do a more careful job of working out its cosmological effects, said Jeremiah Ostriker, an astrophysicist at Columbia University who was not involved in the work.

“This helps outline the details of what the formation of structure would be in this variant theory,” OStriker added. “And it’s one of the most interesting variant theories around.”

Lancaster said his team’s future simulations might focus on capturing more details of the fuzzy dark matter’s effects, potentially giving astronomers a better idea of what they might expect to see through their telescopes.

Originally published on Live Science.
By Adam Mann – Live Science Contributor
16/10/2019

 

2846: NASA revela novos fatos espaciais que os astronautas vão levar para a Lua (e são pura ficção científica)

CIÊNCIA

A NASA apresentou na terça-feira, na sua sede, em Washington, Estados Unidos, os novos fatos espaciais que os astronautas da missão Artemis vão usar em 2024, quando voltarem à Lua.

Fatos feitos em modelos 3D, à medida de cada astronauta, capacetes que se podem arranjar na hora e melhor mobilidade e flexibilidade para andar na superfície lunar. O objectivo da NASA é proporcionar aos seus astronautas um traje sofisticado. Os astronautas vão poder levantar não só os braços como outros objectos sobre a cabeça.

Além disso, os novos fatos têm uma série de novas particularidades: uma funcionalidade de suporte à vida em atmosferas ricas em dióxido de carbono e também um sistema de aquecimento para temperaturas baixas.

Haverá ainda uma escotilha de entrada traseira nos trajes para permitir que o astronauta consiga enfiar o fato facilmente. O visor de protecção do capacete protegê-lo-á de qualquer desgaste que possa ocorrer e as botas terão solas flexíveis. A questão dos microfones actuais, que às vezes provocam suor e acabam por se tornar desconfortáveis, também está resolvida, já que a NASA está a pensar substituí-los por um novo sistema incorporado, activado por voz e colocado na parte superior do corpo.

@nasahqphoto

Check out images from today’s event showcasing prototypes of @NASA‘s 2 newest spacesuits designed for Moon to Mars exploration: 1 for launch and re-entry, and 1 for exploring the lunar South Pole! #Artemis More 📸https://flic.kr/s/aHsmHHQ8Uy 

Mas ainda há coisas que não foram mudadas. O ScienceAlert relembra que ainda não se sabe como será possível remover fluídos corporais com o fato vestido, por isso os astronautas vão continuar a usar fraldas.

A data prevista para dar uso a todo este material será 2024, provavelmente na segunda metade do ano, e o destino é o pólo sul da Lua.

Artémis era a irmã gémea de Apolo e significava a deusa da Lua em grego. A NASA escolheu este nome para lembrar que, neste caminho de regresso à Lua, haverá um homem e uma mulher entre os eleitos.

@NASA

Introducing our next-generation spacesuit for #Artemis missions! Here, spacesuit engineer Kristine Davis demonstrates the improved mobility in the new suit, important for working on the Moon’s surface. Watch live: https://go.nasa.gov/2VI0g9g 

Para já, fala-se apenas na Artemis 1, até agora conhecida como missão de exploração 1, que será a primeira de uma série de missões empenhadas em permitir a exploração humana na Lua e em Marte.

Essa primeira missão vai permitir testar o sistema de voo integrado da agência e, numa primeira fase, já se sabe, será não tripulada. Pretende-se avaliar aquele que se espera ser o foguetão mais poderoso do mundo, que promete voar até ainda mais longe do que até agora – 450 mil quilómetros da terra, milhares de quilómetros para lá da Lua, durante três semanas.

A NASA está agora a estudar de que forma poderá estabelecer uma presença humana sustentável no satélite da terra.

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Por ZAP
17 Outubro, 2019

 

2845: Neandertais ocuparam ilhas do Mediterrâneo dezenas de milhares de anos antes do que se pensava

CIÊNCIA

Cientistas descobriram provas de que a ilha de Naxos, na Grécia, já era habitada por neandertais há 200.000 anos, dezenas de milhares de anos antes do que se pensava até agora.

AFP / PIERRE ANDRIEU

Um estudo publicado hoje na revista Science Advances, apresenta conclusões de vários anos de escavações e põem em causa o que se pensava sobre as movimentações humanas na região, que era considerada inacessível para os homens de Neandertal (Homo neanderthalensis), espécie que coexistiu com os humanos modernos (Homo sapiens).

As novas descobertas levaram a que os investigadores reconsiderassem as rotas que a antiga espécie humana seguiu na disseminação da espécie de África para a Europa e demonstram a capacidade de adaptação dos neandertais a desafios ambientais.

“Até recentemente, essa parte do mundo era vista como irrelevante para os estudos com seres humanos, mas estes resultados obrigam-nos a repensar a história das ilhas do Mediterrâneo”, disse Tristan Carter, professor associado de Antropologia da Universidade McMaster, no Canadá, e principal autor do estudo, que contou com a participação de Dimitris Athanasoulis, chefe de Arqueologia do Cycladic Ephorate of Antiquities, do Ministério da Cultura da Grécia.

Embora se soubesse que os caçadores da Idade da Pedra viviam na Europa continental há mais de um milhão de anos, acreditava-se que as ilhas do Mediterrâneo só tinham sido colonizadas há 9.000 anos, por agricultores.

Os estudiosos acreditavam que o mar Egeu, que separava a Anatólia ocidental [Ásia menor] da Grécia continental, era intransponível para os neandertais, sendo a ponte terrestre da Trácia, no sudoeste da Europa, a única passagem.

As novas investigações sugerem agora que o mar Egeu era acessível muito antes do que se pensava. Em certos momentos da Idade do Gelo o mar era mais baixo, expondo uma rota terrestre entre os continentes, permitindo que as populações pré-históricas passassem a pé até Stelida, perto da ilha de Naxos, uma rota de migração alternativa que liga África à Europa.

Os investigadores consideram que a área teria sido atraente devido à abundância de matérias-primas para a construção de ferramentas e de água doce.

No entanto, “ao entrar nesta região, as novas populações teriam enfrentado um ambiente novo e desafiador, com diferentes animais, plantas e doenças, exigindo novas estratégias adaptativas”, disse Tristan Carter.

A equipa encontrou vestígios de actividade humana de 200.000 anos em Stelida, onde desenterrou várias ferramentas e armas de caça.

Os dados científicos recolhidos no local contribuem para o debate acerca da importância das rotas costeiras e marinhas para a disseminação das espécies humanas. Embora os dados sugiram que o mar Egeu tenha sido atravessado a pé, os autores também não descuram a hipótese de que os neandertais possam ter construído embarcações.

A investigação agora publicada faz parte do Projecto Arqueológico Stelida Naxos, colaboração que envolve vários investigadores que trabalham no local desde 2013.

sapo24
16 out 2019 19:16
MadreMedia / Lusa

 

2844: Pode ter sido encontrada (e ignorada) vida em Marte em 1976, defende antigo cientista da NASA

CIÊNCIA

Kevin Gill / Flickr

O antigo cientista da agência espacial norte-americana Gilbert V. Levin afirma que foram encontradas evidências de vida em Marte na década de 70. No entender do especialista, deviam ter sido levado a cabo mais investigações para compreender a verdadeira origem das evidências encontradas.

“Estou convencido de que encontramos evidências de vida em Marte na década de 1970”, afirmou Gilbert V. Levin, que foi o investigador principal de um procedimento experimental que era parte da missão Viking da NASA em Marte.

O procedimento em causa, o Labeled Release (LR), foi levado a cabo em 1970 e relatou resultados positivos de respiração microbiana em Marte, embora a maioria dos cientistas os tenha descartado como um produto de reacções químicas inorgânicas.

Em Julho de 1976, o LR devolveu os seus resultados iniciais de Marte. Surpreendente, os resultados foram positivos. Duas sondas – Viking 1 e 2 – pousaram a uma distância de 6 mil quilómetros uma da outra no Planeta Vermelha e ambas enviaram quatro respostas com base em cinco variáveis, tendo os dados indicado a detecção de respiração microbiana.

As curvas de dados provenientes de Marte eram semelhantes àquelas produzidas por testes da LR em solos na Terra, sustenta o antigo cientista da NASA num novo artigo publicado esta semana na revista Scientific American.

“Parecia que tínhamos respondido à última pergunta”, diz Gilbert V. Levin.

Contudo, quando o Procedimento de Análise Molecular da missão Viking não consegui detectar matéria orgânica, que é essencial para a vida, a NASA concluiu que o LR tinha encontrado uma substância que imitava vida e não a vida em si.

Inexplicavelmente, lamenta Levi, nos 43 anos seguinte a Viking, nenhuma das missões posteriores da NASA em Marte carregava um instrumento de detecção de vida para rastrear estes resultados da década de 70. “Em vez disso, a NASA lançou uma série de missões para determinar se havia um habitat adequado para a vida e, se assim for, para trazer amostras para a Terra para exame biológico”.

Matéria orgânica marciana não foi bem estudada

O ex-cientista da NASA aponta ainda que, apesar de a agência definir a procura por vida alienígena como uma das suas “maiores prioridades”, uma vez que qualquer vida microbiana em Marte poderia potencialmente ameaçar os astronautas enviados ao planeta, bem como a população da Terra no regresso, a matéria orgânica do solo do Planeta Vermelha não foi devidamente estudada.

“Em resumo, temos: resultados positivos de um teste microbiológico amplamente utilizado; respostas de apoio de controlos fortes e variados; duplicação dos resultados de RL em cada um dos dois locais da Viking; replicação do experimento nos dois locais; e o fracasso, ao longo de 43 anos, de qualquer experimento ou teoria em fornecer uma explicação não biológica definitiva dos resultados da Viking LR “, disse Levin, argumentando que as evidências existentes ainda apontam para sinais de vida no Planeta Vermelho, levando assim a novas investigação.

“A NASA já anunciou que o seu módulo de aterragem da missão Mars 2020 não terá um teste de detecção de vida (…) De acordo com o protocolo científico bem estabelecido, acredito que deve ser feito um esforço para colocar procedimentos de detecção de vida no possível missão em Marte”, insistiu.

No entender de Levi, o estudo da matéria orgânica e a implementação destes sistemas de detecção podem, eventualmente, produzir “orientações importantes na procura do Santo Graal” da NASA, rematou o cientista.

ZAP //

Por ZAP
16 Outubro, 2019

 

2843: A Via Láctea roubou minúsculas galáxias à sua vizinha

CIÊNCIA

Chao Liu/National Astronomical Observatories, Chinese Academy of Sciences

Utilizando dados obtidos pelo Telescópio Gaia, os cientistas chegaram à conclusão que a Via Láctea “sequestrou” galáxias da Grande Nuvem de Magalhães, uma outra galáxia que a orbita.

No nosso Universo, a regra é orbitar: a Terra orbita o Sol, a Lua orbita a Terra e mais de 50 galáxias orbitam a Via Láctea, sendo a maior delas todas a famosa Grande Nuvem de Magalhães.

Agora, uma investigação acaba de indicar que, pelo menos, seis das galáxias que actualmente orbitam a Via Láctea costumavam orbitar a Grande Nuvem de Magalhães – até a nossa galáxia as ter roubado.

Uma equipa de astrónomos da Universidade da Califórnia, em Riverside, detalhou a nova descoberta num estudo publicado na Monthly Notices da Royal Astronomical Society e usou dados recolhidos pelo telescópio espacial Gaia.

Ao compararem os dados do Gaia sobre o movimento de galáxias próximas com poderosas simulações de formação galáctica, os cientistas identificaram quatro galáxias anãs ultra-leves e duas galáxias anãs clássicas que, segundo eles, orbitraram a Grande Nuvem de Magalhães, até terem sido roubadas pelo campo gravitacional da Via Láctea.

Segundo o Science Alert, estas novas informações fornecem-nos uma melhor compreensão da história da nossa galáxia e da formação galáctica no geral.

“Se tantas galáxias anãs vieram recentemente com a [Grande Nuvem de Magalhães], isso significa que as propriedades da população de satélites da Via Láctea, há apenas mil milhões de anos, eram radicalmente diferentes“, explicou a cientista Laura Sales em comunicado.

ZAP //

Por ZAP
16 Outubro, 2019

 

2842: Glaciares suíços perderam 10% do volume nos últimos cinco anos

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

Os cerca de 4.000 glaciares alpinos, que fornecem água a milhões de pessoas, além de serem atracções turísticas, podem perder 90% do seu volume até ao fim do século se não se reduzirem as emissões de gases com efeito de estufa.

© REUTERS

Os glaciares suíços perderam 10% do volume nos últimos cinco anos, a maior redução em cem anos, alertou esta terça-feira a Academia Suíça das Ciências.

A Academia baseia-se nas medições feitas pelos peritos do painel inter-governamental para as alterações climáticas, que estudou a criosfera – gelos permanentes – em vinte glaciares.

Várias vagas de calor registadas durante o verão deste ano fizeram descer o gelo para “níveis recorde”, apesar de o inverno anterior ter sido marcado por um mês de Janeiro muito frio e chuvoso, sobretudo na vertente norte dos Alpes.

Em Abril e Maio, havia mais 20% a 40% de neve nos glaciares em relação aos valores médios, mas bastaram duas semanas no fim de Junho e fim de Julho para derreter o equivalente a todo o consumo anual de água potável na Suíça.

Segundo um estudo recente da Escola Politécnica Federal de Zurique, os cerca de 4.000 glaciares alpinos, que fornecem água a milhões de pessoas, além de serem atracções turísticas, podem perder 90% do seu volume até ao fim do século se não se reduzirem as emissões de gases de efeito de estufa responsáveis pelo aquecimento global.

Desde 1900 já desapareceram mais 500 glaciares na Suíça.

Diário de Notícias
Lusa
15 Outubro 2019 — 14:10

 

Via Láctea invade “contas bancárias” intergalácticas

CIÊNCIA

Esta ilustração mostra a reciclagem de gás da Via Láctea acima e por baixo do disco estelar. O Hubble observa as nuvens invisíveis de gás que sobem e descem com o seu instrumento COS (Cosmic Origins Spectrograph). A assinatura espectroscópica da luz de quasares de fundo que brilham através das nuvens fornece informações sobre o seu movimento. A luz do quasar tem um desvio para o vermelho em nuvens que se afastam do plano galáctico, enquanto a luz dos quasares que passa por gás que entra parece desviar-se para o azul. Esta diferenciação permite que o Hubble realize uma auditoria precisa do fluxo de entrada e do fluxo de saída do gás no halo da Via Láctea – revelando um excesso inesperado e até agora inexplicado de gás de entrada.
Crédito: NASA, ESA e D. Player (STScI)

A nossa Via Láctea é uma galáxia frugal. As super-novas e os violentos ventos estelares sopram gás para fora do disco galáctico, mas esse gás cai de volta para a Galáxia para formar novas gerações de estrelas. Num ambicioso esforço para determinar todo este processo de reciclagem, os astrónomos ficaram surpresos ao encontrar um excesso de gás recebido.

“Esperávamos encontrar um equilíbrio nas ‘contas’ da Via Láctea, um valor idêntico de entrada e de saída de gás, mas 10 anos de dados ultravioleta do Hubble mostraram que há mais coisas a entrar do que a sair,” disse o astrónomo Andrew Fox, do STScI (Space Telescope Science Institute) em Baltimore, no estado norte-americano de Maryland, autor principal do estudo a ser publicado na revista The Astrophysical Journal.

Fox disse que, por enquanto, a fonte do excesso de gás de entrada permanece um mistério.

Uma explicação possível é que o gás novo poderá estar a vir do meio intergaláctico. Mas Fox suspeita que a Via Láctea também esteja a “invadir” as “contas bancárias” do gás das suas pequenas galáxias satélites, usando a sua consideravelmente maior força gravitacional para desviar os seus recursos. Além disso, esta investigação, embora em toda a Galáxia, analisou apenas gás frio e o gás mais quente também poderá ter algum papel.

O novo estudo relata as melhores medições, até agora, da velocidade de entrada e saída de gás da Via Láctea. Antes deste estudo, os astrónomos sabiam que as reservas galácticas de gás são reabastecidas pelo fluxo de entrada e esgotadas pelo fluxo de saída, mas não sabiam as quantidades relativas do gás que entra em comparação com o gás que sai. O balanço entre estes dois processos é importante porque regula a formação de novas gerações de estrelas e planetas.

Os astrónomos realizaram esta investigação recolhendo observações de arquivo do COS (Cosmic Origins Spectrograph) do Hubble, que foi instalado no telescópio pelos astronautas em 2009 durante a sua última missão de manutenção. Os investigadores vasculharam os arquivos do Hubble, analisando 200 observações ultravioletas do halo difuso que rodeia o disco da nossa Galáxia. Os dados ultravioleta ao longo de uma década forneceram uma visão sem precedentes do fluxo de gás na Galáxia e permitiram o primeiro inventário a nível galáctico. As nuvens de gás do halo galáctico só são detectáveis no ultravioleta e o Hubble é especializado em recolher dados detalhados sobre o Universo ultravioleta.

“As observações originais do COS do Hubble foram obtidas para estudar o Universo muito além da nossa Galáxia, mas debruçámo-nos sobre eles e analisámos o gás da Via Láctea em primeiro plano. Temos que dar crédito ao arquivo do Hubble, pois podemos usar as mesmas observações tanto para o Universo próximo como para o Universo mais distante. A resolução do Hubble permite-nos estudar simultaneamente objectos celestes locais e remotos,” observou Rongmon Bordoloi, da Universidade Estatal da Carolina do Norte em Raleigh, co-autor do artigo científico.

Como as nuvens de gás são invisíveis, a equipa de Fox usou luz dos quasares de fundo para detectar estas nuvens e os seus movimentos. Os quasares, os núcleos de galáxias activas alimentadas por buracos negros famintos, brilham como faróis brilhantes a milhares de milhões de anos-luz. Quando a luz do quasar chega à Via Láctea, passa através das nuvens invisíveis.

O gás nas nuvens absorve certas frequências da luz, deixando impressões digitais reveladoras no espectro do quasar. Fox destacou a impressão digital do silício e usou-a para rastrear o gás em redor da Via Láctea. As nuvens de gás de saída e de entrada foram distinguidas graças ao efeito Doppler da luz que passava por elas – as nuvens que se aproximam são mais azuis e as nuvens que se afastam são mais vermelhas.

Actualmente, a Via Láctea é a única galáxia para a qual temos dados suficientes para fornecer uma contabilidade tão completa das entradas e saídas de gás.

“O estudo da nossa própria Galáxia, em detalhe, fornece a base para a compreensão de galáxias por todo o Universo, e percebemos que a nossa Galáxia é mais complicada do que imaginávamos,” disse Philipp Richter, da Universidade de Potsdam, na Alemanha, também co-autor do estudo.

Os estudos futuros vão explorar a fonte do excedente de gás de entrada, bem como se outras galáxias grandes se comportam do mesmo modo. Fox observou que agora existem observações suficientes pelo COS para realizar uma auditoria da galáxia de Andrómeda (M31), a galáxia grande mais próxima da Via Láctea.

Astronomia On-line
15 de Outubro de 2019

 

Para planetas recém-nascidos, os sistemas solares são naturalmente “à prova de bebés”

CIÊNCIA

Um jovem planeta num sistema à prova de bebé: os novos resultados mostram como um limite dentro do disco em torno de jovem estrela parecida com o Sol actua como uma barreira que impede que os planetas mergulhem na estrela.
Crédito: Departamento Gráfico do Instituto Max Planck para Astronomia

Simulações numéricas de um grupo de astrónomos liderado por Mario Flock do Instituto Max Planck para Astronomia, mostraram que os sistemas planetários jovens são naturalmente “à prova de bebés”: os mecanismos físicos combinam-se para impedir os jovens planetas nas regiões interiores de darem um mergulho fatal para a estrela. Processos similares também permitem que os planetas nasçam perto das estrelas – a partir de detritos presos numa região próxima da estrela. A investigação, publicada na revista Astronomy & Astrophysics, explica descobertas pelo Telescópio Espacial Kepler que mostram um grande número de super-Terras em órbita íntima das suas estrelas, nos limites da região à prova de bebé.

Quando uma criança nasce, os pais certificam-se que a sua casa é à prova de bebé, estabelecendo barreiras de segurança que mantêm a criança longe de áreas particularmente perigosas. Novas investigações sobre a formação planetária mostram que algo muito semelhante ocorre nos jovens sistemas planetários.

Os planetas formam-se em torno de uma jovem estrela, cercada por um disco de gás e poeira. Dentro deste disco proto-planetário, os grãos de poeira unem-se, ficando cada vez maiores. Após alguns milhões de anos, atingem alguns quilómetros em diâmetro. Neste ponto, a gravidade é forte o suficiente para unir estes objectos e assim formar planetas, objectos redondos, sólidos ou com um núcleo sólido, com diâmetros de alguns milhares de quilómetros ou mais.

Uma curiosa multidão no limite interior

Assim como crianças, os objectos sólidos num sistema planetário tão jovem tendem a mover-se em todas as direcções – não apenas em órbita da estrela, mas flutuando para fora e para dentro. Isto pode ser potencialmente fatal para planetas que já se encontrem relativamente próximos da estrela central.

Perto da estrela, encontraremos apenas planetas rochosos, com superfícies sólidas, semelhantes à nossa Terra. Os núcleos planetários só podem capturar e manter quantidades significativas de gás para se transformarem em gigantes gasosos muito mais longe da estrela quente. Mas o tipo mais simples de cálculo para o movimento de um planeta perto da estrela, no gás de um disco proto-planetário, mostra que um planeta deste tipo deverá flutuar continuamente para dentro, mergulhando na estrela numa escala de tempo inferior a um milhão de anos, muito menos do que a vida útil do disco.

Se fosse este o cenário completo, seria surpreendente que o satélite Kepler da NASA, que examinou estrelas parecidas com o Sol (dos tipos espectrais F, G e K), encontrasse algo completamente diferente: inúmeras estrelas têm as chamadas super-Terras em órbita íntima, planetas rochosos mais massivos do que a nossa própria Terra. Particularmente comuns são planetas com períodos de aproximadamente 12 dias, até períodos tão baixos quanto 10 dias. Para o nosso Sol, isso corresponderia a raios orbitais de mais ou menos 0,1 UA, apenas cerca de um-quarto do raio orbital de Mercúrio, o planeta mais próximo do nosso Sol.

Foi este o quebra-cabeças que Mario Flock, líder de grupo do Instituto Max Planck para Astronomia, decidiu resolver juntamente com colegas do JPL, da Universidade de Chicago e da Queen Mary University em Londres. Os investigadores envolvidos são especialistas em simular o ambiente complexo em que os planetas nascem, modelando os fluxos e as interacções de gás, poeira, campos magnéticos e planetas nos seus vários estágios percursores. Diante do aparente paradoxo das super-Terras íntimas vistas pelo Kepler, propuseram-se a simular em detalhe a formação planetária perto de estrelas parecidas com o Sol.

Um Sistema Solar à prova de bebés

Os seus resultados foram inequívocos e sugerem duas possíveis razões por trás da ocorrência comum de planetas em íntima órbita. A primeira é que, pelo menos para planetas rochosos com até 10 vezes a massa da Terra (“super-Terras” ou “mini-Neptunos”), estes sistemas estelares jovens são à prova de bebés.

A barreira de segurança que mantém os planetas jovens fora da zona de perigo funciona da seguinte maneira. Quanto mais perto estivermos da estrela, mais intensa a sua radiação estelar. Dentro do limite chamado frente de sublimação, a temperatura do disco sobe acima dos 1200 K e as partículas de poeira (silicatos) transformam-se em gás. O gás extremamente quente dentro dessa região torna-se muito turbulento. Esta turbulência transporta o gás em direcção à estrela a alta velocidade, adelgaçando no processo a região interna do disco.

À medida que uma jovem super-Terra viaja através do gás, é normalmente acompanhada por gás que também gira com o planeta num percurso orbital semelhante a uma ferradura. À medida que o planeta se move para dentro e atinge a frente de sublimação dos silicatos, as partículas de gás que se deslocam do gás mais fino para o gás mais denso fora dos limites dão um pequeno chuto ao planeta. Nesta situação, o gás exercerá uma influência (em termos físicos: um momento) ao planeta viajante e, crucialmente, devido ao salto na densidade, radialmente para fora. Desta forma, a fronteira serve como uma barreira de segurança, impedindo que os jovens planetas mergulhem na estrela. E a localização do limite para uma estrela tipo-Sol, conforme previsto pela simulação, corresponde ao limite inferior para períodos orbitais descobertos pelo Kepler. Como Mario Flock diz: “porque é que existem tantas super-Terras em órbita próxima, como o Kepler nos mostrou? Porque os jovens sistemas planetários têm uma barreira à prova de bebés integrada!”

Construção planetária na fronteira

Existe uma possibilidade alternativa: ao rastrear o movimento de objectos mais pequenos, com alguns milímetros ou centímetros de tamanho, os cientistas descobriram que estes seixos tendem a acumular-se bem atrás da frente de sublimação dos silicatos. Para que a pressão se equilibre directamente na fronteira, o gás fino na região de transição precisa de girar mais depressa do que o normal (já que deve haver um equilíbrio entre pressão e força centrífuga). Esta rotação do gás é mais rápida do que a velocidade orbital “Kepleriana” de uma partícula isolada em órbita da estrela por conta própria. Um seixo que entra nesta região de transição é forçado para este movimento superior à velocidade Kepleriana e é imediatamente ejectado novamente à medida que as forças centrífugas correspondentes o empurram para fora, como uma pequena criança num carrossel. Isto também contribui para a frequência de super-Terras em órbita próxima. As super-Terras formadas não são as únicas com uma barreira de segurança à prova de bebés. O facto de que objectos muito mais pequenos também têm fornece condições ideais para a formação de super-Terras naquele local!

Os resultados não foram uma surpresa completa para os investigadores. De facto, encontraram uma “armadilha” semelhante em modelos de estrelas muito mais massivas (“estrelas Herbig”), embora a uma distância muito maior. Os novos resultados estendem-se para estrelas parecidas com o Sol e acrescentam o mecanismo à prova de bebés para planetas recém-nascidos. Além disso, o novo artigo científico é o primeiro que fornece uma comparação com os dados estatísticos do telescópio espacial Kepler, tendo em cuidada consideração que o Kepler só poderia ver certos tipos de sistema (principalmente aqueles com o plano orbital visto quase de lado).

E o nosso próprio Sistema Solar?

Curiosamente, por estes critérios, o nosso próprio Sistema Solar também poderia ter abrigado um planeta semelhante à Terra mais perto do Sol do que o actual planeta mais interior, Mercúrio. Será o facto de não existir um planeta desse tipo um acaso estatístico, ou será que esse planeta realmente existiu, mas foi expulso do Sistema Solar? Esta é uma pergunta interessante para investigações adicionais. Mario Flock salienta: “O Sistema Solar não só era à prova de bebés, como é possível que o bebé assim protegido tenha ‘voado do ninho’!”

Astronomia On-line
15 de Outubro de 2019

 

2839: Revelada explosão violenta no coração de um sistema que alberga um buraco negro

CIÊNCIA

lustração do buraco negro MAXI J1820+070.
Crédito: John Paice

Uma equipa internacional de astrónomos, liderada pela Universidade de Southampton, usou câmaras de última geração para criar um filme com alta taxa de quadros de um sistema com um buraco negro em crescimento e a um nível de detalhe nunca antes visto. No processo, descobriram novas pistas para a compreensão dos arredores imediatos destes objectos enigmáticos. Os cientistas publicaram o seu trabalho num novo artigo da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Os buracos negros podem alimentar-se de uma estrela próxima e criar vastos discos de acreção de material. Aqui, o efeito da forte gravidade do buraco negro e o próprio campo magnético do material pode emitir níveis de radiação em rápida mudança do sistema como um todo.

Esta radiação foi detectada no visível pelo instrumento HiPERCAM acoplado ao GTC (Gran Telescopio Canarias) em La Palma, Ilhas Canárias, e em raios-X pelo observatório NICER da NASA a bordo da Estação Espacial Internacional.

O buraco negro estudado tem o nome MAXI J1820+070 e foi descoberto no início de 2018. Fica a apenas 10.000 anos-luz de distância, na nossa própria Via Láctea. Tem uma massa equivalente a mais ou menos 7 sóis, que colapsou numa região do espaço inferior à cidade de Londres.

O estudo destes sistemas geralmente é muito difícil, pois as suas distâncias tornam-nos demasiado ténues e pequenos para serem observados – nem mesmo com o EHT (Event Horizon Telescope), que recentemente obteve a primeira fotografia do buraco negro no centro da galáxia M87. Os instrumentos HiPERCAM e NICER, no entanto, permitem que os investigadores registem “filmes” da luz do sistema a mais de 300 fps (“frames per second”, quadros por segundo), capturando “crepitações” violentas e “surtos” de luz visível e raios-X.

John Paice, estudante na Universidade de Southampton e do Centro Interuniversitário de Astronomia e Astrofísica, na Índia, foi o autor principal do estudo que apresentou estes resultados e também o artista que criou o filme. Ele explicou o trabalho da seguinte forma: “O filme foi feito usando dados reais, mas diminui para 1/10 da velocidade real para permitir que os surtos mais rápidos fossem discernidos pelo olho humano. Podemos ver que o material em redor do buraco negro é tão brilhante que ofusca a estrela que está a consumir, e as oscilações mais rápidas duram apenas alguns milissegundos – é o ‘output’ de mais de cem sóis emitido num piscar de olhos.”

Os cientistas também descobriram que quedas nos níveis de raios-X são acompanhadas por um aumento da luz visível (e vice-versa). E que os flashes mais rápidos no visível emergiram uma fracção de segundo após os raios-X. Tais padrões revelam indirectamente a presença de plasma distinto, material extremamente quente onde os electrões são despojados dos átomos, em estruturas profundas no abraço da gravidade do buraco negro, de outra forma pequenas demais para serem resolvidas.

Não é a primeira vez que isto é encontrado; uma diferença de fracção de segundo entre a luz raios-X e visível já foi observada noutros dois sistemas que hospedam buracos negros, mas nunca com este nível de detalhe. Os membros dessa equipa internacional estiveram na vanguarda deste campo ao longo da última década. O Dr. Poshak Gandhi, igualmente de Southampton, também encontrou as mesmas assinaturas temporárias nos dois sistemas anteriores.

Ele comentou acerca da importância destas descobertas: “O facto de vermos isto agora em três sistemas reforça a ideia de que é uma característica unificadora de tais buracos negros em crescimento. A ser verdade, deve estar a dizer-nos algo fundamental sobre como o fluxo de plasma em torno dos buracos negro opera.

“As nossas melhores ideias invocam uma ligação profunda entre os fluxos de plasma, para dentro e para fora. Mas estas são condições físicas extremas que não podemos replicar nos laboratórios da Terra e não entendemos como a natureza gere isto. Estes dados serão cruciais para acertar na teoria correta.”

Astronomia On-line
15 de Outubro de 2019

 

2838: A fusão de estrelas é a origem dos ímanes mais fortes do Universo

CIÊNCIA

Ohlmann / Schneider / Röpke
Simulação da origem de um magnetar

Simulações em computador mostraram que a fusão de duas estrelas cria fortes campos magnéticos. Se essas estrelas explodirem em super-novas, podem tornar-se magnetares.

Investigadores da Universidade de Heidelberg, da Sociedade Max Planck, do Instituto de Estudos Teóricos de Heidelberg e da Universidade de Oxford participaram numa nova pesquisa que mostra de que forma algumas estrelas de neutrões se tornam nos ímanes mais fortes do Universo. Os resultados foram publicados no dia 9 de Outubro na Nature.

Todo o Universo é encadeado por campos magnéticos. O Sol, por exemplo, possui uma “concha” na qual a convecção gera continuamente campos magnéticos.

“Embora as estrelas massivas não possuam essas ‘conchas’, observamos um campo magnético forte e em grande escala na superfície de aproximadamente 10%“, explica Fabian Schneider, cientista do Centro de Astronomia da Universidade de Heidelberg e primeiro autor do artigo científico, em comunicado.

Estes campos descobertos em 1947, mas a sua origem ainda é um mistério.

Há mais de uma década, a comunidade científica sugeriu que fortes campos magnéticos ocorrem quando duas estrelas colidem. No entanto, “até agora, era muito difícil testar essa hipótese, dado que não possuíamos as ferramentas computacionais necessárias”, esclarece Sebastian Ohlmann, da Sociedade Max Planck.

Desta vez, os cientistas usaram o código AREPO, um código de simulação altamente dinâmico do Instituto de Estudos Teóricos de Heidelberg (HITS), que explica as propriedades de Tau Scorpii, uma estrela magnética localizada a 500 anos-luz de distância do planeta Terra.

Em 2016, Fabian Schneider e Philipp Podsiadlowski, da Universidade de Oxford, perceberam que esta estrela é uma retardatária azul, o produto de estrelas fundidas.

“Assumimos que a Tau Scorpii conseguiu o seu forte campo magnético durante o processo de fusão”, explica Podsiadlowski. Através das simulações de computador da estrela, a equipa mostrou que uma forte turbulência durante a fusão de duas estrelas pode criar o campo magnético.

Segundo o Europa Press, fusões estelares são relativamente frequentes. Os cientistas assumem que cerca de 10% de todas as estrelas massivas da Via Láctea são o produto de tal processo.

O número bate certo com a taxa de ocorrência de estrelas magnéticas massivas. Os astrónomos acreditam que essas mesmas estrelas podem formar magnetares quando explodem em super-novas. Um magnetar é um tipo de estrela de neutrões que gira a alta velocidade sobre si mesma e que possui um intenso campo magnético.

O mesmo pode acontecer com Tau Scorpii, quando explodir no final da sua vida. Simulações de computador sugerem que o campo magnético gerado seria suficiente para explicar os campos magnéticos excepcionalmente fortes nos magnetares.

“Acredita-se que os magnetares possuam os campos magnéticos mais fortes do universo, até 100 milhões de vezes mais fortes do que o campo magnético mais forte já produzido por seres humanos”, rematou Friedrich Röpke, do HITS.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

2837: Cientistas descobriram como extrair oxigénio da poeira da Lua

CIÊNCIA

Edwin Aldrin / NASA
Pegada do astronauta Edwin Aldrin na Lua

Cientistas conseguiram extrair oxigénio do regolito lunar. A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra.

A Lua é um lugar bastante inóspito para humanos. Ambiente seco, poeira e não há atmosfera para respirarmos. Mas isso não significa que não haja oxigénio. Na verdade, o regolito lunar — camada superior na superfície com uma grande quantidade de sedimentos finos — está carregado dele. E agora os cientistas descobriram como retirá-lo.

De acordo com o Science Alert, para além de nos dar oxigénio, este processo fornece ainda as ligas metálicas às quais estava ligado, sendo que ambos seriam realmente úteis em futuras bases ou colónias lunares. Só há um problema.

“Este oxigénio é um recurso extremamente valioso, mas está quimicamente ligado ao material como óxidos na forma de minerais ou de vidro e, por isso, não está disponível para uso imediato”, disse a química Beth Lomax, da Universidade de Glasgow, na Escócia, cujo estudo foi publicado em Setembro na revista científica Planetary and Space Science.

Essas amostras são demasiado valiosas para serem testadas directamente, mas tê-las significa que podemos recriar com precisão a sua consistência usando materiais terrestres. Esta poeira lunar falsa é chamada “simulador de regolito lunar”.

Anteriormente, os cientistas já tentaram extrair oxigénio do regolito lunar através de várias formas: redução química de óxidos de ferro usando hidrogénio para produzir água e, de seguida, electrólise para separar o hidrogénio do oxigénio na água; ou um processo semelhante com metano em vez de hidrogénio. No entanto, essas técnicas não foram eficazes, tornaram-se excessivamente complicadas ou até demasiado quentes, chegando a temperaturas tão extremas que fizeram com que o regolito derretesse.

Lomax e o resto da equipa saltaram a etapa da redução química e passaram directamente para a electrólise do regolito. “Este processo foi realizado através de um método chamado electrólise de sal derretido. Este é o primeiro exemplo de processamento directo de pó a pó do simulador de regolito lunar sólido que pode extrair praticamente todo o oxigénio”, explicou a cientista.

Primeiro, o regolito é colocado num cesto forrado de malha. O cloreto de cálcio (o electrólito) é adicionado e a mistura é aquecida a cerca de 950 ºC, uma temperatura que não derrete o material. Depois, é aplicada corrente eléctrica, extraindo o oxigénio e migrando o sal para um ânodo, onde pode ser facilmente removido.

A equipa demorou cerca de 50 horas para extrair 96% do oxigénio na amostra do regolito, mas 75% do oxigénio foi conseguido nas primeiras 15 horas. Aproximadamente um terço do oxigénio total da amostra foi detectado sem gás, e o restante foi perdido.

Além disso, o metal deixado para trás pode ser utilizado, sendo esta a primeira vez que uma técnica de extracção de oxigénio com regolito lunar produz este resultado. Havia três grupos principais, às vezes com pequenas quantidades de outros metais misturados: ferro-alumínio, ferro-silício e cálcio-silício-alumínio.

Esta descoberta mostra que a técnica ainda pode ser valiosa, mesmo que seja possível extrair oxigénio das suspeitas reservas de gelo na Lua.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

2836: Quanto mais fundo vivem os polvos, mais “verrugas” têm (mas não se sabe porquê)

CIÊNCIA

(dr) John Weinstein / Field Museum
Um dos polvos “verruguentos” que vivem nas profundezas do oceano

Alguns polvos encontrados em algumas das partes mais profundas do Oceano Pacífico têm uma pele mais irregular (como se tivessem “verrugas”) que os cientistas não conseguem explicar.

Uma equipa de investigadores tentou perceber porque é que alguns polvos que vivem no Oceano Pacífico — Graneledone pacifica — têm tantas “verrugas”, enquanto outros têm uma pele macia e sedosa.

Para isso, explica o IFLScience, os cientistas examinaram 50 espécimes, recolhidos no nordeste do Oceano Pacífico, ao longo da costa oeste da América do Norte, desde Washington até ao centro da Califórnia.

Para cada polvo, a equipa contou o número de “verrugas” numa linha entre as costas e a cabeça, bem como o número de ventosas encontradas nos seus braços. De seguida, foram realizadas análises de ADN que mostraram que os polvos “verruguentos” não eram de múltiplas espécies, como se pensava, mas sim da mesma espécie. Além disso, os polvos que viviam nas profundezas do oceano eram menores, com pele mais irregular e tinham menos ventosas do que os outros.

“Para já, nem sequer sabemos do que é que estas ‘verrugas’ são feitas, mas achamos que podem ser cartilaginosas. Ainda estamos a tentar perceber se são um benefício para estes polvos. Eles vivem muito fundo no oceano para que a luz os atinja, logo, não nos parece que seja para camuflagem”, declara ao mesmo site Janet Voight, autora do estudo agora publicado na revista científica Bulletin of Marine Science.

Os investigadores estão a trabalhar nesta teoria: à medida que as profundidades aumentam, as possibilidades de presas diminuem, tornando por isso a caça por alimento mais difícil e consumidora de energia.

Ou seja, pode ser que, ao longo de gerações, os polvos que comiam menos devido à disponibilidade de presas evoluíssem para um tamanho menor, produzissem também ovos menores que, por sua vez, eclodiam em crias menores.

“Se estes animais estão quase a viver no que para eles é um habitat extremo, a sua presença pode dar-nos uma pista para a saúde do oceano profundo. Este é o maior habitat do planeta, cobrindo cerca de 68% da sua superfície, mas é de longe o menos conhecido. O mar profundo suporta uma variedade surpreendentemente diversificada de animais. Precisamos de aprender mais sobre os animais que vivem no maior habitat do planeta”, conclui Voight, investigadora do Field Museum, nos EUA.

ZAP //

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

2835: O novo Oumuamua é surpreendentemente familiar

CIÊNCIA

Gemini Observatory

A revista científica especializada Nature Astronomy acaba de publicar novas informações sobre o cometa 2I/Borisov, o segundo objecto interestelar até agora detectado – é o “novo” Oumuamua.

O novo artigo, publicado na Nature esta quinta-feira, confirma que o corpo celeste vem de fora do Sistema Solar e não é muito diferente dos cometas dos cometas do Sistema Solar. Tal como observa o portal Gizmodo, o 2I/Borisov é surpreendentemente familiar.

O primeiro objecto interestelar, o asteróide Oumuamua (“mensageiro”), com a forma de um charuto, foi detectado em 2017 com um telescópio no Havai, nos Estados Unidos. O novo cometa foi identificado pelos especialistas depois do alerta, a 30 de Agosto, de um astrónomo amador, Gennadiy Borisov, natural da Crimeia, para um objecto estranho no céu.

Após análises aos dados recolhidos, mediante observações com telescópios em Espanha e no Havai, astrónomos profissionais concluíram que o objecto provém de outro sistema solar, desconhecido, dada a sua órbita.

O cometa é formado essencialmente por poeira ligeiramente avermelhada, na cauda, tendo o seu núcleo sólido cerca de um quilómetro de raio. Precisa o jornal Público que o 2I/Borisov é avermelhado, de cauda curta e com uma longa cabeleira, fazendo lembrar a cor e a morfologia dos cometas nativos do Sistema Solar.

“O 2I/Borisov é um cometa com uma órbita altamente hiperbólica, o que significa que veio do espaço interestelar”, revelou um dos líderes da investigação, Piotr Guzik, da Universidade Jaguelónica, na Polónia, em declarações ao mesmo diário.

“Morfologicamente, parece um cometa típico do nosso Sistema Solar e a sua cor também é compatível com a que observamos nos cometas do nosso sistema”, acrescentou.

Quanto às comparações com o primeiro corpo interestelar, os cientistas frisam que o 2I/Borisov é maior e mais brilhante do que o Oumuamua.

O cometa “2I/Borisov” poderá ser observado melhor em Dezembro quando estiver ainda mais próximo do Sol. “Nesse encontro, o cometa poderá ser observado sobretudo por telescópios profissionais, mas mesmo assim parecerá muito ténue. Poderá ser detectado por astro-fotógrafos amadores, mas não será visível mesmo em telescópios amadores grandes”, disse ainda Piotr Guzik, citado pelo jornal Público.

ZAP // Lusa

Por ZAP
15 Outubro, 2019

 

2834: NASA mostra imagem detalhada do centro da galáxia e promete mais descobertas

CIÊNCIA

NASA

NASA partilha foto da Via Láctea para mostrar como novo telescópio poderá trazer novidades misteriosas do centro da galáxia.

O centro da Via Láctea – onde fica o planeta Terra – é uma zona onde existem milhões de estrelas, num ambiente de fortes radiações ultravioleta e de raio X e que giram em torno de um buraco negro com a massa de quatro milhões de estrelas como o nosso Sol. Apesar do manto de poeira e gás dificultar a visualização de toda essa actividade, em 2006, o telescópio Spitzer da NASA conseguiu ultrapassar o nevoeiro com os seus sensores infravermelhos e chegou a produzir uma imagem sem precedentes. A NASA publicou agora a foto (que pode ver em cima), para destacar o quanto mais poderemos ver com a sua nova iniciativa.

O projecto de telescópio James Webb Space Telescope (JWST) está previsto ficar activo em 2021 e irá usar câmaras infravermelhas ainda mais avançadas para criar imagens da galáxia, inclusive, capturar estrelas menos luminosas e detalhes minuciosos que podem revelar surpresas.

“Qualquer imagem do Webb poderá ser considerada a imagem de maior qualidade já obtida do centro galáctico”, disse Roeland van der Marel, astrónomo que trabalhou nas ferramentas de imagem do JWST, em comunicado à imprensa. Essas imagens vão ajudar a responder a algumas das questões mais fundamentais dos cientistas sobre como a galáxia se formou e como evolui ao longo do tempo.

Outra das imagens divulgadas pela NASA do centro da galáxia Via Láctea

Fotografar o buraco negro em novos detalhes

O telescópio está totalmente montado e agora enfrenta um longo processo de teste nas instalações da Northrop Grumman, na Califórnia. O projecto estudará todas as fases da história do universo para aprender como as primeiras estrelas e galáxias se formaram, como nascem os planetas e onde pode haver vida no universo. Um espelho dobrável gigante ajudará o telescópio a observar galáxias distantes em detalhe e capturar sinais extremamente fracos dentro de nossa própria galáxia.

Graças à nova tecnologia de infravermelho, o JWST poderia fornecer uma visão sem precedentes do buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea, chamado Sagitário A.

A forte força gravitacional dos buracos negros indica que nem a luz pode escapar, por isso é impossível imaginá-los. Mas para Torsten Böker, astrónomo do JWST, “Detectar o disco giratório em torno de Sagitário A com Webb será uma tarefa fácil”.

DN insider
Domingo, 13 Outubro 2019

 

2833: Humanos pré-históricos armazenavam medula óssea para comer mais tarde

CIÊNCIA

estt / Canva

Os humanos pré-históricos que viviam numa caverna em Israel entre 420 mil e 200 mil anos atrás armazenavam medula óssea para comer mais tarde, o que mostra que os primeiros hominídeos entendiam que os alimentos poderiam não estar disponíveis no futuro.

A Caverna Qesem, a cerca de 12 quilómetros de Tel Aviv, foi identificada como um local de ocupação humana precoce há quase 20 anos quando a construção de estradas a atravessou. Desde então, foi desenterrada uma enorme quantidade de evidência arqueológica, incluindo dezenas de milhares de ossos de animais foram processados pelos nossos ancestrais humanos.

De acordo com o estudo publicado esta semana na revista especializada Science Advances, investigadores liderados por Ruth Blasco, do Centro Nacional de Pesquisa em Evolução Humana de Espanha, analisaram os ossos e realizaram experiências para mostrar a forma como estes ocupantes aprenderam a armazenar efectivamente a medula óssea durante semanas e meses após a morte do animal.

Por outro lado, desconhece-se quais eram as espécies de hominídeos que processaram os ossos dessa forma. Blasco, de acordo com o Newsweek, disse que, quem quer que fossem, demonstravam muitos comportamentos modernos, incluindo o uso regular de fogo, reciclagem e torrefacção de alimentos. O consumo de medula óssea é outra tarefa a ser adicionada a esta lista.

A medula óssea, o tecido encontrado dentro de alguns ossos, é altamente nutritivo, sendo mais rico em calorias do que em proteínas ou hidratos de carbono. Como resultado, teria sido uma fonte de alimento valiosa e significativa para os primeiros seres humanos.

Blasco começou a trabalhar no local de Qesem em 2011. Ao analisar os materiais da fauna lá encontrados, percebeu que havia marcas incomuns nos ossos de veado recuperados. Depois de analisar os restos mortais de quase 82 mil ossos de animais no local, a equipa mostrou que a medula óssea estava a ser preservada para ser consumida mais tarde.

A pele seca e velha é mais difícil de remover do osso do que quando está fresca. Como resultado, removê-la deixa para trás marcas específicas. “As marcas incomuns foram identificadas em experiências subsequentes e explicadas pela remoção da pele seca”, disse Blasco. “Especificamente, as marcas foram geradas pela dificuldade ou esforço necessário para remover a pele seca e os tendões firmemente presos ao osso após uma exposição sub-aérea prolongada dos ossos”.

Em experiências, os cientistas mostraram que as marcas poderiam ser replicadas ao remover a pele após duas ou mais semanas. Os investigadores também descobriram que a remoção da pele aumentou após quatro semanas. As suas experiências também mostram que o valor nutricional da medula óssea começa a deteriorar-se cerca de seis semanas após a morte do animal.

A equipa ficou surpreendida com as descobertas. “A acumulação deliberada de ossos por atraso no consumo de medula implica uma preocupação antecipada com necessidades futuras. Esse facto marca um limiar para novos modos de adaptação paleolítica, porque a capacidade de previsão ultrapassa o ‘aqui e agora’ como um meio de subsistência numa cronologia de mais de 300 mil anos”, observou.

Alguns estudos anteriores sugerem que o processo de extracção moldou a nossa própria evolução. Blasco acredita que este é apenas o começo da nossa compreensão sobre a forma como os humanos pré-históricos armazenavam alimentos para consumo posterior.

ZAP //

Por ZAP
14 Outubro, 2019

 

2832: Que idade terá o gelo encontrado na Lua?

CIÊNCIA

No ano passado, a NASA fez uma descoberta que mudou significativamente a forma de pensar no futuro da Lua. O facto de haver água no nosso satélite natural pode ser importante para viagens espaciais futuras, além de outros objectivos no Espaço. A descoberta de depósitos de gelo lunar, abriu novas linhas de investigação. Assim, entre várias questões levantadas, a idade desse gelo pode revelar muita coisa que desconhecemos.

Segundo as investigações, a maioria dos depósitos de gelo na lua têm, provavelmente, milhares de milhões de anos. Contudo, alguns podem ser muito mais recentes.

Há gelo da Lua, será que o podemos usar?

A descoberta de depósitos de gelo em crateras espalhadas pelo Polo Sul da lua ajudou a renovar o interesse em explorar a superfície lunar. Contudo, ninguém sabe exactamente quando ou como chegou lá esse gelo.

Segundo Ariel Deutsch, estudante do Departamento de Ciências da Terra, Meio Ambiente e Planetárias da Universidade de Brown, é importante limitar a idade dos depósitos. Essa informação pode ser crucial quer para a ciência básica, quer para as futuras explorações lunares. Isto porque este gelo poderá um dia ser usado como combustível, além de outras utilizações vitais.

As idades desses depósitos podem potencialmente dizer-nos algo sobre a origem do gelo, o que nos ajuda a entender as fontes e a distribuição de água no sistema solar interno. Para fins de exploração, precisamos entender as distribuições laterais e verticais desses depósitos para descobrir a melhor forma de chegar até eles. Estas distribuições evoluem com o tempo, por isso é importante ter uma ideia da idade.

Revelou Deutsch.

Que idade tem o gelo da Lua?

Segundo os dados recolhidos pelo LRO (Lunar Reconnaissance Orbiter ou Orbitador de Reconhecimento Lunar) da NASA, que está a orbitar a lua desde 2009, os investigadores olharam para as idades das grandes crateras nas quais os cientistas encontraram evidências de depósitos de gelo no Polo Sul. Tendo em conta as crateras existentes hoje, os investigadores contaram quantas crateras menores se acumularam dentro das maiores.

Desta forma, os cientistas conseguem ter uma ideia aproximada do ritmo dos impactos ao longo do tempo. Assim, a contagem das crateras pode ajudar a estabelecer as idades dos terrenos.

Segundo os investigadores, a maioria dos depósitos de gelo relatados estão dentro de grandes crateras formadas há cerca de 3,1 mil milhões de anos ou mais. Como o gelo não pode ser mais velho do que a cratera, isso coloca um limite superior na idade do gelo.

No entanto, pese o facto de a cratera ser velha, isso não significa que o gelo dentro dela também seja tão velho assim. Contudo, neste caso há razões para acreditar que o gelo é realmente velho. Os depósitos têm uma distribuição desigual entre os pisos das crateras, o que sugere que os impactos do micro-meteorito e outros detritos danificaram o gelo ao longo do tempo.

Se estes depósitos de gelo relatados forem de facto antigos, isso poderia ter implicações significativas em termos de exploração e utilização potencial de recursos, dizem os cientistas.

Crateras em crateras

Embora a maioria do gelo estivesse nas crateras antigas, os investigadores também encontraram evidências de gelo em crateras menores. Assim, a julgar pelas suas características afiadas e bem definidas, parece ser gelo bastante fresco. Isso sugere que alguns dos depósitos no Polo Sul chegaram lá “recentemente”.

Foi uma surpresa. Não havia realmente nenhuma observação de gelo em armadilhas frias mais jovens antes.

Explicou Deutsch.

Se há realmente depósitos de diferentes idades, isso sugere que também podem ter fontes diferentes. O gelo mais antigo poderia ter sido proveniente de cometas e asteróides portadores de água que chocaram com a superfície, ou através de actividade vulcânica que retirava água das profundezas da Lua.

No entanto, não há muitos impactos com grande porte de água nos últimos tempos. Além disso, acredita-se que o vulcanismo tenha acontecido na Lua há mais de mil milhões de anos. Assim, depósitos de gelo mais recentes exigiriam fontes diferentes – talvez resultantes de bombardeios de micro-meteoritos do tamanho de ervilhas ou de impactos do vento solar.

Enviar naves à Lua para recolher gelo

Os especialistas referem que para perceber com certeza do que está em causa, é importante enviar naves para recolher amostras. Nesse sentido, a análise do material ajudaria a descobrir e a responder a todas as dúvidas e incertezas. Aliás, esse tipo de missões está no horizonte.

O programa Artemis da NASA visa colocar humanos na lua até 2024. Antes disso, haverá inúmeras missões precursoras com naves espaciais robóticas. Estes estudos são fundamentais para moldar essas futuras missões.

Quando pensamos em enviar humanos de volta à Lua para exploração a longo prazo, precisamos saber com que recursos podemos contar, e actualmente não sabemos. Estudos como este ajudam-nos a fazer previsões sobre onde precisamos ir para responder a essas perguntas.

Concluiu Jim Head, co-autor do estudo.

O estudo está publicado na revista Icarus. Gregory Neumann do Goddard Space Flight Center da NASA também contribuiu para o trabalho.

NASA descobre gelo à superfície da Lua

Cientistas descobriram gelo nos pólos norte e sul da Lua. Esta é uma grande descoberta que pode mudar completamente a forma como encaramos as viagens espaciais dado que, existe na Lua uma fonte de … Continue a ler NASA descobre gelo à superfície da Lua

Imagem: NASA
Fonte: NASA

 

2831: Produção de carne no espaço já não é ficção

CIÊNCIA

Cosmonauta russo conseguiu realizar o feito na Estação Espacial Internacional com a ajuda de uma impressora 3D e culturas de células.

A produção de carne fora da Terra deixou de ser ficção desde que um cosmonauta russo conseguiu realizar recentemente o feito na Estação Espacial Internacional com a ajuda de uma impressora 3D e culturas de células.

A experiência, cujos resultados foram divulgados na quarta-feira, foi feita em Setembro por Oleg Skripotchka e permitiu obter pequenas quantidades de tecido bovino e de coelho.

Segundo Didier Toubia, patrão da empresa israelita Aleph Farms, que forneceu as células animais para a experiência, a tecnologia usada poderá “tornar possível” as viagens espaciais de longa duração, nomeadamente ao planeta Marte.

“Mas o nosso objectivo é mesmo vender a carne na Terra”, frisou, citado pela agência noticiosa francesa AFP, acrescentando que a ideia é de proporcionar “uma melhor alternativa às explorações industriais”.

Para Didier Toubia, a experiência feita pela primeira vez no espaço, e que teve a colaboração de russos, americanos e israelitas, permitiu demonstrar que é possível produzir carne fora do ambiente natural e no momento em que se sente necessidade.

Há seis anos, o cientista holandês Mark Post apresentou ao mundo o primeiro hambúrguer produzido em laboratório a partir de células estaminais de vacas.

Várias empresas lançaram-se na produção da carne “artificial ou cultivada”, mas os seus custos continuam muito elevados e nenhum produto deste tipo está à venda.

As estimativas do sector apontam para que a comercialização de carne ‘in vitro‘, a preços razoáveis, se faça numa franja de supermercados dentro de cinco a 20 anos.

Diário de Notícias
DN/Lusa
10 Outubro 2019 — 22:56