3765: Northolt Branch Observatories

=== May NEO Confirmations ===

In May we helped to confirm seven new near-Earth Asteroids.

Three were found by the Catalina Sky Survey, three by ATLAS, and one was discovered by Pan-STARRS 1.

Of the seven, six were Apollo-type asteroids, with the other being an Amor. None were classified as a potentially hazardous asteroid (PHA).

===

• Nearest miss: 2020 KV5 made a close approach to the Earth on May 22nd at a distance of 852,000km (0.0057au)

• Smallest: 2020 JY1 24-55 metres

• Largest: 2020 KQ5 276-618 metres

• Faintest object: 2020 JY1 at mag +19.5

• Interesting Objects: 2020 KQ5 is moving in an eccentric, comet-like orbit that crosses the orbits of five planets (Mercury, Venus, Earth, Mars and Jupiter).

It is an Apollo-type asteroid with a diameter of 10-22 metres, was just 372,000 km away when we last observed it on May 29th, shortly after its closest approach at 369,000 km.

*Orbital diagram courtesy of: Catalina Sky Survey. D. Rankin*

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

=== Que NEO Confirmações ===

Em Maio ajudámos a confirmar sete novos asteróides perto da Terra.

Três foram encontrados pela Catalina Sky Survey, três pelo ATLAS, e um foi descoberto por Pan-STARRS 1.

Dos sete, seis eram asteróides do tipo Apolo, com o outro sendo um Amor. Nenhum foi classificado como um asteróide potencialmente perigoso (PHA).

===

• Miss mais próxima: 2020 KV5 fez uma aproximação próxima da Terra no dia 22 de maio a uma distância de 852,000 km (0.0057 au)

• Pequeno: 2020 JY1 24-55 metros

• Maior: 2020 KQ5 276-618 metros

• Objecto mais fraco: 2020 JY1 na Mag + 19.5

• Objectos interessantes: 2020 KQ5 está se movendo em uma órbita excêntrica, semelhante a cometa que atravessa as órbitas de cinco planetas (Mercúrio, Vénus, Terra, Marte e Júpiter).

É um asteróide tipo Apollo com um diâmetro de 10-22 metros, estava apenas a 372,000 km de distância quando o observámos pela última vez no dia 29 de maio, pouco depois de sua aproximação mais próxima a 369,000 km.

* Diagrama orbital cortesia de: Catalina Sky Survey. D. Rankin *

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

 

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3764: Nem o mar profundo se safa das alterações climáticas

CIÊNCIA/CLIMA

(dr) Schmidt Ocean Institute

Um novo estudo mostra que as alterações climáticas já estão a bater à porta do mar profundo, e os seus habitantes poderão em breve estar em perigo.

De acordo com o site IFLScience, a equipa de cientistas analisou como é que as alterações climáticas estão projectadas para afectar a biodiversidade do mar profundo. Enquanto descobriram que a água da superfície está a aquecer significativamente mais depressa, o fundo do oceano já foi afectado por este aquecimento e os seus habitantes sofrerão mudanças drásticas em breve.

“Utilizámos uma métrica conhecida como velocidade climática, que define a provável velocidade e direcção em que uma espécie muda conforme o oceano aquece”, explica em comunicado Isaac Brito-Morales, biólogo marinho e estudante de doutoramento da Universidade de Queensland, na Austrália.

“Calculámos a velocidade climática em todo o oceano nos últimos 50 anos e, depois, no resto deste século, usando dados de 11 modelos climáticos”, acrescenta o investigador, cujo estudo foi publicado, esta segunda-feira, na revista científica Nature Climate Change.

Os resultados da pesquisa sugerem que as velocidades médias globais do clima nas camadas mais escuras e profundas do oceano, acima de mil metros, foram aceleradas quase quatro vezes mais rápido do que na superfície na segunda metade do século XX.

E as coisas só devem piorar nas próximas décadas. Na zona mesopelágica — que se estende dos 200 aos mil metros de profundidade abaixo da superfície do oceano —, projecta-se que as velocidades climáticas sejam aceleradas quatro a 11 vezes mais, do que actualmente na superfície, até ao final deste século.

Se estes dados estiverem correctos, aponta o mesmo site, isto terá um enorme efeito indirecto em todos os oceanos, já que a zona mesopelágica é o lar de uma grande variedade de pequenos peixes que suportam animais maiores como, por exemplo, o atum e a lula.

As mudanças nas velocidades climáticas são mais severas no mar profundo, uma vez que, geralmente, a temperatura é bastante uniforme e constante em comparação com as águas superficiais, que suportam o peso da maioria das mudanças atmosféricas que ocorrem acima da superfície. No entanto, mesmo pequenas mudanças nas profundezas podem perturbar o ecossistema mais amplo.

ZAP //

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31 Maio, 2020

 

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3763: Missão da Space X acoplou com sucesso. Astronautas da NASA já chegaram à EEI

CIÊNCIA/NASA/SAPCE-X

(h) EPA/SpaceX

A cápsula Dragon que transporta os astronautas da agência espacial norte-americana (NASA) já acoplou à Estação Espacial Internacional, após terem partido no primeiro voo privado rumo ao espaço, neste sábado.

Foi às 15:17 (hora de Lisboa) que a cápsula Dragon, da empresa SpaceX do multimilionário Elon Musk, começou a acoplagem à Estação Espacial Internacional (EEI), enquanto sobrevoava uma área de fronteira entre a Mongólia e China.

A acoplagem ficou completa às 15:30. Depois da acoplagem, os astronautas norte-americanos Doug Hurley e Bob Behnken vão ainda demorar cerca de duas horas e 15 minutos a abandonar a cápsula e entrar na EEI.

““Tem sido uma verdadeira honra poder ser uma pequena parte deste empreendimento de nove anos desde a última vez que uma nave dos Estados Unidos acoplou com a EEI”, disse Doug Hurley pouco depois de acoplar na EEI, citado pelo portal Business Insider.

Temos que dar os parabéns aos homens e mulheres da Space X [que trabalharam] em Hawthorne, McGregor e no Kennedy Space Center. Os seus esforços incríveis ao longo dos últimos anos não pode ser subestimados”, continuou.

NASA @NASA

Docking confirmed! @AstroBehnken and @Astro_Doug officially docked to the @Space_Station at 10:16am ET:

O lançamento estava inicialmente previsto para esta quarta-feira, mas as condições meteorológicas acabaram por adiar o evento para este sábado.

Este foi voo histórico, marcando momento importantes quer para a NASA quer para a empresa privada Space X do multimilionário Elon Musk. A Space X fez o seu primeiro voo tripulado, ao passo que a NASA marcou o fim do contrato dos Estados Unidos com a Rússia para fazer o transporte dos seus astronautas até à estação orbital.

A NASA contratou a SpaceX e a Boeing, em 2014, ao abrigo de contratos que totalizam sete mil milhões de dólares. Ambas as empresas lançaram as suas cápsulas de tripulação no ano passado com manequins de teste. O SpaceX’s Dragon cumpriu todos os seus objectivos, enquanto a cápsula Starliner, da Boeing, acabou na órbita errada e quase foi destruída devido a múltiplos erros de software.

Como resultado, o primeiro voo do Starliner com astronautas não é esperado até ao próximo ano. Desde que retirou o vaivém espacial em 2011, a agência espacial norte-americana tem confiado nas naves espaciais russas, lançadas do Cazaquistão, para levar os astronautas americanos de e para a estação espacial.

Fez-se história. Foguetão da SpaceX lançado com sucesso rumo à EEI

O primeiro foguetão concebido e construído por uma empresa privada, a SpaceX, de Elon Musk, levando a bordo dois astronautas…

ZAP // Lusa

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31 Maio, 2020

 

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3762: Northolt Branch Observatories

LBQS 1429-008 é um quasar na direcção da constelação de Virgo.

O fenómeno que vemos como quasares é geralmente causado por um buraco negro super-maciço activo no centro de uma galáxia gigante. LBQS 1429-008 é incomum, na medida em que consiste em três objectos separados interagindo uns com os outros: Um principal visível a + 17.7 mag, um segundo componente de 19 mag (não resolvido na imagem abaixo), e um Terceiro da 24 ª magnitude que requer que os maiores telescópios da Terra sejam vistos.

Os dois componentes mais brilhantes eram conhecidos desde 1989, o que fez do LBQS 1429-008 um quasar duplo (em si uma ocorrara). Quando o terceiro componente foi descoberto em 2007, o LBQS 1429-008 tornou-se o primeiro quasar triplo conhecido. As três galáxias hospedeiras estão em processo de fusão, e elas evoluirão para um único quasar dentro dos próximos bilhões de anos.

A uma distância de mais de 10 bilhões de anos-luz da Terra, estamos vendo LBQS 1429-008 numa época em que o universo era apenas uma pequena fracção da sua idade actual, uma era em que os quasares eram muito mais comuns do que eles hoje. Os quasares são tão raros hoje em dia que não existe um único quasar dentro de 500 milhões de anos-luz da Terra.

Ver também:
https://skyandtelescope.org/astronomy-news/the-first-triple-quasar/
https://en.wikipedia.org/wiki/Quasar#Multiple_quasars

Northolt Branch Observatories
Qhyccd

 

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3761: “A Rússia não permitirá a privatização da Lua”, avisa Roscosmos

ESPAÇO/LUA/EUA/RÚSSIA

Doug Zwick / Flickr

A Rússia não permitirá a privatização da Lua, independentemente de quem avance a iniciativa, avisou o chefe da agência espacial russa (Roscosmos), Dmitri Rogozin, em entrevista ao jornal Komsomólskaya Pravda.

“Não permitiremos que ninguém privatize a Lua (…) É ilegal e vai em sentido contrário ao direito internacional”, sustentou o responsável da Roscosmos, cujas declarações são reproduzidas pela cadeia russa Russia Today.

Rogozin revelou também que a Rússia não pretende entrar numa corrida lunar com os Estados Unidos. “A Lua interessa-nos principalmente em termos da sua origem e conservação como satélite natural da Terra (…) Mas a Lua não é o nosso objectivo final. Não vamos entrar numa corrida lunar semelhante a uma competição eleitoral”, garantiu.

Na mesma entrevista, o responsável da Roscosmos revelou o calendário russo para a exploração lunar: o país pretende lançar a missão Luna-25 em 2021 e, três anos depois, em 2024, planeia enviar a sonda Luna-26 em órbita lunar.

Posteriormente, pretende lançar a a aeronave pesada Luna-27, que levará a cabo trabalhos científicos na superfície da Lua, visando perfurar o regolito lunar.

A declaração de Rogozin surge depois de o Presidente norte-americano, Donald Trump, ter assinado uma ordem executiva que estabelece a política do Estados Unidos sobre a exploração de recursos para lá da Terra, frisando que o país apoia esta actividade.

No documento assinado em meados de abril, o Trump frisa que o actual regime regulatório permite a utilização destes recursos, que podem ser encontrados na Lua ou em asteróides, apelando ainda à cooperação de outros estados ou entidades para explorá-los.

“Os norte-americanos devem ter o direito de participar da exploração comercial, extracção e uso de recursos no espaço sideral, de acordo com a lei aplicável. O espaço sideral é um domínio legal e fisicamente exclusivo da actividade humana, e os Estados Unidos não veem como um bem comum global”, pode ler-se no despacho.

O líder norte-americano recorda ainda que os Estados Unidos não fizeram parte do subsequente Acordo da Lua, datado de 1979, que estipula que o uso não científico de recursos espaciais será regido por uma estrutura reguladora internacional.

Trump assina despacho de apoio à exploração de recursos espaciais. Rússia não gostou

Donald Trump assinou esta semana uma ordem executiva que estabelece a política do Estados Unidos sobre a exploração de recursos…

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30 Maio, 2020

3760: Fez-se história. Foguetão da SpaceX lançado com sucesso rumo à EEI

ESPAÇO/SPACE-X/NASA

Erik S. Lesser / EPA

O primeiro foguetão concebido e construído por uma empresa privada, a SpaceX, de Elon Musk, levando a bordo dois astronautas foi lançado este sábado na presença do Presidente do Estados Unidos, Donald Trump.

O lançamento decorreu às 15h22 locais (20h22 em Lisboa).

A descolagem decorreu na perfeição, segundo escreve o semanário Expresso, e o voo prossegue agora rumo à Estação Espacial Internacional (EEI) com os astronautas Doug Hurley e Bob Behnken a bordo do foguetão.

Este é um voo histórico, marcando momento importantes quer para a NASA quer para a empresa privada Space X do multimilionário Elon Musk. A Space X fez o seu primeiro voo tripulado, ao passo que a NASA marcou o fim do contrato dos Estados Unidos com a Rússia para fazer o transporte dos seus astronautas até à estação orbital.

É absolutamente uma honra fazer parte deste enorme esforço para levar os Estados Unidos de volta ao mercado de lançamentos”, confessou Doug Hurley, minutos antes de descolar, citado pelo portal Business Insider.

O administrador da NASA, Jim Bridenstine, mostrou-se emocionado durante as declarações que prestou depois de o foguete ter entrado em órbita.

“Estou a dar um suspiro de alívio, mas também direi que não comemorarei até que o Bob e o Doug estejam em casa em segurança (…) Já ouvi estes barulhos antes, mas é todo um sentimento diferente quando é a nossa equipa no topo deste foguete”.

Os astronautas norte-americanos deverão demorar 19 horas a chegar à EEI.

O lançamento estava inicialmente previsto para esta quarta-feira, mas as condições meteorológicas acabaram por adiar o evento para este sábado.

Eddy @eddymessiah2

GOOSEBUMPS, congrats America 🇺🇲 #SpaceX #LaunchAmerica

A agência espacial, norte-americana tentou desencorajar os espectadores a assistirem ao lançamento, por causa da pandemia de covid-19, e limitou severamente o número de funcionários, visitantes e jornalistas dentro do Kennedy Space Center.

No entanto, na nova paragem turística reaberta do centro, os 4.000 bilhetes para o lançamento foram todos comprados em poucas horas.

A NASA contratou a SpaceX e a Boeing, em 2014, ao abrigo de contratos que totalizam sete mil milhões de dólares. Ambas as empresas lançaram as suas cápsulas de tripulação no ano passado com manequins de teste. O SpaceX’s Dragon cumpriu todos os seus objectivos, enquanto a cápsula Starliner, da Boeing, acabou na órbita errada e quase foi destruída devido a múltiplos erros de software.

Como resultado, o primeiro voo do Starliner com astronautas não é esperado até ao próximo ano. Desde que retirou o vaivém espacial em 2011, a agência espacial norte-americana tem confiado nas naves espaciais russas, lançadas do Cazaquistão, para levar os astronautas americanos de e para a estação espacial.

Astronautas da NASA já se preparam para voo histórico a bordo do foguetão da Space X

Dois astronautas da NASA já estão a equipar-se para o lançamento histórico de um foguetão concebido e construído pela empresa…

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30 Maio, 2020

 

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3759: É um polvo, chama-se Dumbo e mora a sete mil metros de profundidade (um novo recorde)

CIÊNCIA/BIOLOGIA

(dr) Marine Biology

Um polvo foi fotografado no leito do Oceano Índico, a sete mil metros de profundidade. É um novo recorde.

A descoberta de um polvo a 7 mil metros de profundidade, 6.957 metros mais especificamente, foi relatada pela equipa de investigadores na Marine Biology. No artigo científico, os cientistas explicam o nome que foi escolhido para baptizar o polvo “apanhado” nas profundezas do Oceano Índico.

O animal chama-se “Dumbo” por causa das barbatanas em forma de orelhas que fazem lembrar a famosa personagem do elefante da Disney. A estranha criatura marinha (Grimpoteuthis) foi observada duas vezes no no Java Trench, no leito do Índico, a 5.760 e 6.957 metros de profundidade.

Os cientistas mergulharam nos lugares mais profundos do mar durante um ano meio e fizeram esta descoberta em abril. À CNN, Alan Jamieson, ecologista marinho, disse que a equipa ficou muito surpreendida com a aparição de Dumbo: depois de 100 mergulhos, os investigadores da expedição The Five Deeps já tinham uma ideia dos animais que vivem nas águas mais profundas, mas não estavam à espera de ver o polvo.

“Como habitualmente, filmamos quase o mesmo material, mas, de repente, no meio de um mergulho a cerca de 6 mil metros, um polvo Dumbo simplesmente voa à frente da câmara”, contou. Depois da primeira aparição, os cientistas voltaram a mergulhar, mas, desta vez, um pouco mais fundo – a 7 mil metros.

Jon Copley @expeditionlog

6957 metres: the new depth record for direct observation of a cephalopod – in this case, a dumbo octopus – in the ocean…

…confirming suspicions from earlier trawls that they live in upper trenches.

New paper by Alan Jamieson & Michael Vecchione: https://link.springer.com/article/10.1007/s00227-020-03701-1 

First in situ observation of Cephalopoda at hadal depths (Octopoda: Op

The Cephalopoda are not typically considered characteristic of the benthic fauna at hadal depths (depths exceeding 6000 m), yet occasional open-net trawl samples have implied that they might be…

link.springer.com

Alan Jamieson foi o pioneiro na exploração das profundezas dos oceanos, usando um equipamento especial chamado lander. O equipamento é lançado ao mar por navios de investigação, ficam no leito do oceano e gravam o que por lá se passa.

O cientista considera que esta descoberta pode mudar a percepção das pessoas que acham que o fundo do mar é povoado por criaturas estranhas e assustadoras.

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29 Maio, 2020

 

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3758: Asteróide que dizimou os dinossauros atingiu a Terra no “mais mortífero ângulo possível”

CIÊNCIA/ASTERÓIDES

Chase Stone

O asteróide que dizimou os asteróides e 75% de todas espécies à face da Terra há 65 milhões de anos atingiu a Terra no “mais mortífero ângulo possível”, concluiu uma investigação do Imperial College de Londres.

Recorrendo a novas simulações deste evento catastrófico, os cientistas do instituto do Reino Unido revelaram que o asteróide que ditou o fim dos dinossauros atingiu a Terra num ângulo de aproximadamente 60 graus, amplitude que maximizou a quantidades de gases e partículas que causaram mudanças climáticas na atmosfera superior.

As mudanças climáticas culminaram depois numa espécie de inverno nuclear, que extinguiu os dinossauros e 75% de toda a vida na Terra, nota o jornal The Independent.

“Para os dinossauros, o pior dos cenários foi exactamente aquele que aconteceu”, começou por explicar o professor Gareth Collins, do departamento de Ciências da Terra e Engenharia Imperial College de Londres, que liderou o estudo, citado em comunicado.

“O ataque do asteróide libertou uma quantidade incrível de gases que causaram mudanças climáticas na atmosfera, desencadeando uma série de eventos que levaram à extinção dos dinossauros. Esta situação foi provavelmente agravada pelo facto de o asteróide atingir a uma Terra num dos mais mortíferos ângulos possíveis”.

Para chegar a esta conclusão, os cientistas utilizaram uma combinação de simulações numéricas de impacto e dados geofísicos do local do impacto (Península de Yucatán, no México) para reproduzir o evento em três dimensões pela primeira vez.

“As simulações fornecem evidências convincentes de que o asteróide atingiu [a Terra] num ângulo acentuado, talvez 60 graus acima do horizonte, e que se aproximou do seu alvo a partir do nordeste”, esclareceu assim o professor Collins.

Em declarações à emissora britânica BBC, o mesmo especialista sintetizou: “É evidente que a natureza do local onde este evento aconteceu, juntamente com o ângulo de impacto, causou uma tempestade perfeita“.

Os resultados da investigação foram esta semana publicados na Nature Communicatios.

Foi um asteróide (e nada mais do que um asteróide) que dizimou os dinossauros

Uma equipa internacional de cientistas acaba de reafirmar que foi um asteróide – e nada mais do que este corpo…

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30 Maio, 2020

 

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3757: O campo magnético da Terra está a enfraquecer misteriosamente

CIÊNCIA/ASTROFÍSICA/GEOLOGIA

NASA Goddard / Flickr
Conceito de artista do Campo Magnético da Terra

Novos dados de satélite da Agência Espacial Europeia (ESA) mostram que o campo magnético da Terra está a enfraquecer entre África e a América do Sul.

O enfraquecimento do campo magnético da Terra está relacionado com a Anomalia do Atlântico Sul, uma área que tem crescido consideravelmente nos últimos anos, não se conhecendo ainda ao certo causa deste crescimento.

A Anomalia do Atlântico Sul, precisa o portal Science Alert, é uma vasta extensão de intensidade magnética reduzida no campo magnético do nosso planeta, que se estende desde a América do Sul ao sudoeste de África.

De acordo a ESA, a área da anomalia caiu em força mais de 8% entre 1970 e 2020.

“O novo mínimo oriental da Anomalia do Atlântico Sul apareceu na última década e, nos últimos anos, tem-se desenvolvido vigorosamente“, disse Jürgen Matzka, do Centro de Investigação em Geociências da Alemanha, citado pelo diário The Independent.

“Temos muita sorte em ter os satélites do Swarm em órbita para investigar o desenvolvimento da Anomalia do Atlântico Sul (…) O desafio agora passa por entender os processos do núcleo da Terra que estão a impulsionar estas mudanças”, continuou.

Um campo magnético enfraquecido pode significar, segundo os especialistas da ESA, que o campo magnético da Terra está prestes a reverter, situação em que o Pólo Norte e o Pólo Sul trocam de posição. A última “inversão geo-magnética” ocorreu há 780.000 mil anos, havendo alguns cientistas que defendem que a próxima está atrasada.

Por norma, este fenómeno ocorre a cada 250.000 anos.

Para já, sublinha a ESA, não há motivos para alarme. Segundo a agência espacial europeia, os efeitos mais significativos desde enfraquecimento vão fazer-se sentir em satélites ou naves espaciais, que podem registar falhas técnicas devido a uma maior quantidade de partículas carregadas na órbita baixa da Terra.

Os cientistas vão continuar atentos a eventuais mudanças no campo magnético da Terra, uma vez que é este “escudo” que protege o nosso planeta do fluxo de partículas electricamente carregadas oriundas do Espaço.

Sem o campo magnético, a vida na Terra seria aniquilada por causa da radiação.

O campo magnético da Terra quase morreu há 565 milhões de anos

Há 565 milhões de anos, a força do campo magnético da Terra caiu para o seu ponto mais baixo e…

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30 Maio, 2020

 

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3756: O Sol pode ser fruto de um acidente galáctico entre a Via Láctea e uma galáxia anã

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

D. Minniti / VVV Survey / ESO

Uma pequena galáxia, chamada Sagitário, moldou a Via Láctea há milhares de milhões de anos: cada vez que passou perto da nossa galáxia, causou fortes explosões de formação estelar que podem até ter originado o nascimento do Sol.

A formação do Sol e do Sistema Solar ainda gera muitas dúvidas na comunidade científica, mas um novo estudo, que tem por base dados recolhidos pela central de mapas de galáxias da Agência Espacial Europeia (ESA), sugere que a nossa estrela nasceu depois de uma colisão entre a Via Láctea e a Sagitário, uma galáxia anã, há 4,7 mil milhões de anos.

As duas galáxias colidiram três vezes: a primeira há cerca de cinco ou seis mil milhões de anos; a segunda há dois mil milhões de anos; e a última há cerca de mil milhões de anos. Depois de analisarem distâncias, luminosidade e cores de estrelas, numa região de 6.500 anos-luz ao redor do Sol, os cientistas compararam com modelos de evolução estelar já existentes.

O astrónomo Tomás Ruiz-Lara, principal autor do estudo, defende a ideia de que este “acidente galáctico” deu origem ao nascimento do nosso Sol.

“No início, estamos perante uma galáxia, a Via Láctea, relativamente silenciosa. Após um período inicial de violenta formação de estrelas, parcialmente desencadeada por uma fusão anterior, a Via Láctea alcançou um estado equilibrado no qual as estrelas se formavam de maneira constante. De repente, Sagitário atrapalha o equilíbrio e faz com que todo gás e poeira anteriormente parados dentro da galáxia maior se espalhem como ondas na água”, explicou o investigador.

Em algumas áreas da Via Láctea, estas ondulações terão provocado uma maior concentração de gás e poeira. Segundo explica o New Scientist, esta densidade de material terá desencadeado a formação de novas estrelas. Aliás, segundo a equipa, a idade do Sol é consistente com uma estrela formada aquando da primeira passagem de Sagitário.

Os dados sugerem que a galáxia anã pode ter passado pelo disco da Via Láctea nos últimos 100 milhões de anos: o novo estudo constatou uma recente explosão de formação estelar, que sugere uma possível nova onda de nascimento de estrelas.

As descobertas dos astrónomos, descritas num artigo científico recentemente publicado na Nature Astronomy, foram possíveis graças ao telescópio Gaia, lançado em 2013.

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30 Maio, 2020

 

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3755: Northolt Branch Observatories

AT2016blu is a Luminous Blue Variable (LBV) in the galaxy NGC 4559, about 29 million light-years from Earth.

First discovered in 2012, this very massive star shows recurring outbursts every couple of months. The most recent outbursts happened in February 2020, and then again in early May. Yesterday, we observed it at +17.2 mag.

Luminous blue variables are extremely rare (there are no more than a few hundred in the entire Milky Way galaxy). They are among the most massive and brightest stars. Famous for their unpredictable outbursts, these stars are sometimes mistaken for supernovae. It is possible that some LBV lead to supernova explosions, hence why AT2016blu is monitored closely.

The famous star Eta Carinae is an example of a LBV in the Milky Way galaxy.

We have seen this star before, during the outbursts in April 2017 and February 2019. You can find those observations here:
https://bit.ly/AT2016blu_April2017
https://bit.ly/AT2016blu_Februar2019

See also:
https://en.wikipedia.org/wiki/NGC_4559
https://en.wikipedia.org/wiki/Luminous_blue_variable

Northolt Branch Observatories
Qhyccd

AT2016blu é uma variável azul luminosa (LBV) na galáxia NGC 4559, a cerca de 29 milhões de anos-luz da Terra.

Foi descoberto pela primeira vez em 2012, esta estrela muito massiva mostra explosões recorrentes a cada dois meses. As explosões mais recentes aconteceram em Fevereiro de 2020, e depois novamente no início de maio. Ontem, observamos isso em + 17.2 Mag.

As variáveis azuis luminosas são extremamente raras (não existem mais do que algumas centenas em toda a galáxia da Via Láctea). Eles estão entre as estrelas mais massivas e mais brilhantes. Famosas por suas explosões imprevisíveis, estas estrelas são às vezes confundidas com super-novas. É possível que alguns LBV levem a explosões de super-novas, daí a razão pela qual o AT2016blu é monitorizado de perto.

A famosa estrela Eta Carinae é um exemplo de um LBV na galáxia da Via Láctea.

Já vimos esta estrela antes, durante as explosões em Abril de 2017 e Fevereiro de 2019. Você pode encontrar essas observações aqui:
https://bit.ly/AT2016blu_April2017
https://bit.ly/AT2016blu_Februar2019

Ver também:
https://en.wikipedia.org/wiki/NGC_4559
https://en.wikipedia.org/wiki/Luminous_blue_variable

Northolt Branch Observatories
Qhyccd

 

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3754: SpaceX prepara-se para teste decisivo na exploração espacial privada

CIÊNCIA/TECNOLOGIA

Os astronautas Bob Behnken e Doug Hurley (à frente) durante a simulação de voo da SpaceX. Foto: SpaceX

Se tudo correr bem após o teste de hoje, quarta-feira, a SpaceX, uma das várias empresas da galáxia de Elon Musk, poderá tornar-se na primeira companhia espacial do sector privado a conseguir completar uma fase decisiva: colocar humanos em órbita num veículo próprio.

Mais de 50 anos depois de o Homem ir à Lua, as idas até à Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) podem não representar o mesmo desafio ou ter a mesma magia, mas para a SpaceX é uma verdadeira prova de fogo. No ano em que atinge a maioridade, a empresa de exploração aeroespacial criada por Elon Musk poderá tornar-se na primeira empresa privada a conseguir ultrapassar com sucesso a saída da Terra e acoplagem à ISS, num veículo totalmente novo.

A fasquia está alta e vários factores, como a meteorologia e a tecnologia, entram em cena para ditar o sucesso da missão que, em conjunto com a NASA, a SpaceX lançará esta quarta-feira a partir do Cabo Canaveral, na Florida. Quando o relógio marcar as 16h33 na Florida (21h33 em Portugal Continental), os astronautas da NASA Bob Behnken e Doug Hurley sairão da atmosfera terrestre para executar a missão Demo-2 e, se não existirem problemas a bordo, chegarão à ISS 19 horas depois. A dupla é composta por astronautas veteranos, que há mais de dois anos estão a trabalhar com a NASA e a SpaceX nesta missão, integrada no programa Commercial Crew da agência norte-americana.

A indústria estará de olhos postos neste teste na organização de Musk, que tem como grande objectivo perceber se todo o trabalho e dinheiro investido num veículo criado por uma empresa aeroespacial privada consegue aguentar a pressão. Caso seja bem-sucedida, será um marco para a indústria aeroespacial comercial e um abrir de portas para o turismo espacial, que não tem escondido a vontade de explorar o Espaço.

Por outro lado, representará também outro nível de independência para a NASA, após o fim do Space Shuttle, em 2011. Há quase nove anos que todas as viagens de astronautas da NASA e parceiros até à ISS são feitas a partir de uma cápsula russa, a Soyuz, com capacidade para três pessoas. Desde 2011 que não são feitos lançamentos a partir dos Estados Unidos e a agência espacial norte-americana paga uma pesada factura, já que esta é a única opção disponível – cerca de 80 milhões de dólares por cada astronauta.

SpaceX está a trabalhar há seis anos na cápsula que levará os dois astronautas, que recebeu o nome de Crew Dragon. Não será a primeira vez que esta cápsula faz este tipo de missões, mas é uma estreia com humanos a bordo – e logo dois. Em Março de 2019, a SpaceX conseguiu levar Ripley, uma boneca astronauta recheada de sensores até à ISS para testar o sistema de acoplagem da cápsula. Ripley, batizada em jeito de homenagem à personagem Ellen Ripley do filme de 1979 Alien, regressou sã e salva à Terra, mas a missão com humanos é mais desafiante, numa missão em que tudo é novo – a cápsula, os painéis, fatos, etc. Ripley serviu para a SpaceX perceber e tentar replicar o comportamento do corpo humano a bordo da cápsula, mas a resposta dos dois astronautas, por mais experientes que sejam, é ainda imprevisível.

Ripley, ao canto, durante o teste da SpaceX em 2019.

Mais tarde, após o teste com a boneca, a SpaceX experimentou, também com sucesso, o sistema de emergência da cápsula. Mas nem tudo é um mar de rosas neste percurso: também

houve falhas e até explosões ao longo destes anos e adiamentos consecutivos de testes. No final, tudo foi apontado pela SpaceX como “presentes” e aprendizagens para chegar àquilo que defendem ser um veículo mais seguro, fortemente escrutinado pela NASA.

Ultrapassar as rivais

Quando a NASA lançou o programa Commercial Crew, há alguns anos, atribuiu 3,14 mil milhões de dólares à SpaceX e 4,8 mil milhões à Boeing para que as duas empresas desenvolvessem o seu próprio veículo alternativo. Contrariando a habitual filosofia – a NASA usará os veículos mas não será proprietária dos mesmos -, a agência estabeleceu que até 2024 as duas empresas precisam de conseguir completar com sucesso seis viagens com quatro astronautas cada.

Embora ambas tenham ultrapassado contratempos, a SpaceX conseguiu chegar primeiro a esta fase decisiva, mostrando que, pelo menos por agora, está um passo à frente nesta disputa. A actual crise que a Boeing atravessa, iniciada com a queda dos aviões 737 Max, continua a gerar dúvidas sobre quando é que a empresa poderá fazer um teste com humanos. Neste momento, a empresa está ainda a corrigir aspectos técnicos na cápsula Starliner, que foi testada em Dezembro de 2019.

No contexto do programa criado pela NASA para levar humanos até à ISS e aliviar a dependência de outros países, a SpaceX tem apenas uma rival mas, se se olhar para o sector das empresas privadas de exploração espacial há margem para outros concorrentes de peso, como por exemplo a Blue Origin, de Jeff Bezos, o dono da Amazon.

Um lançamento no meio de uma pandemia

A pandemia de covid-19 veio tirar à SpaceX alguma da pompa e circunstância esperada num momento como este. Se outrora seria expectável alguma aglomeração nas redondezas para assistir ao lançamento, agora, com os EUA como um dos países mais afectados pela covid-19, as deslocações são desaconselhadas. Toda a missão terá de cumprir questões de distanciamento social, inclusive para quem fica em Terra a prestar auxílio.

Sendo também dono da empresa de veículos eléctricos Tesla, seria de esperar que Elon Musk quisesse cimentar a presença de outra das suas criações neste momento. Assim, a viagem dos astronautas até ao foguetão Falcon 9, que lançará a cápsula para o Espaço, será feita num Tesla Model X decorado com a identidade visual da NASA.

Curiosamente, o lançamento será feito a partir do Launch Complex 39A, um local representativo para a exploração espacial norte-americana. Foi de lá que, no final dos anos 60, foi feito o lançamento do Saturn V, que em 1969 levaria a humanidade até à Lua e de onde partiram as primeiras e últimas missões do Space Shuttle.

A dupla de astronautas entrará depois na cápsula e, já com Behnken e Hurley a bordo, será feito o abastecimento de combustível – algo que é controverso para a comunidade, preocupada com o risco de explosão.

Se tudo correr como previsto, doze minutos depois do lançamento a cápsula entrará em órbita e, já no dia seguinte, a dupla chegará até à Estação Espacial Internacional, onde estão Chris Cassidy e os astronautas russos Anatoly Ivanishin e Ivan Vagner. De acordo com os meios especializados, a NASA ainda não terá tomado a decisão sobre quanto tempo é que Behnken e Hurley ficarão a bordo da ISS; mas é expectável que a estadia dure alguns meses. Ainda assim, a permanência na ISS será limitada, já que a cápsula Crew Dragon tem um tempo de vida limitado no Espaço. Quando for tempo de regressar à Terra, a cápsula fará a separação da ISS e arrancará a viagem de regresso. Mais tarde, é previsto fazer uma aterragem no Atlântico, na costa da Florida.

Será possível acompanhar o lançamento deste momento que promete ditar o destino da SpaceX através dos canais oficiais da NASA.

dn_insider
Quarta-feira, 27 Maio 2020
Por Cátia Rocha

 

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3753: Portugal participa no projecto do maior telescópio solar europeu

CIÊNCIA/ASTRONOMIA/ASTROFÍSICA

(CC0/PD) Pixabay / Pexels

Portugal vai participar no projecto do novo Telescópio Solar Europeu (TSE), que deverá estar operacional em 2027 nas ilhas Canárias, Espanha, de onde vai observar a actividade do Sol e medir o seu impacto na Terra.

O envolvimento de Portugal no projecto do TSE será feito através da Agência Espacial Portuguesa (Portugal Space), que passará a integrar a direcção do consórcio que irá estudar a viabilidade científica e económica do “maior telescópio solar alguma vez construído na Europa”, com um custo de obra estimado em 180 milhões de euros.

A direcção do consórcio irá reunir-se pela primeira vez “nas próximas semanas”, refere a Agência Espacial Portuguesa em comunicado, sem precisar datas. O valor da participação portuguesa no projecto não foi avançado.

Portugal “irá participar na fase preparatória do projecto, que visa testar a validade do conceito científico e a exequibilidade”, adianta. Durante esta fase, que deverá terminar no fim deste ano, o consórcio e as organizações financiadoras do novo telescópio vão “elaborar um plano detalhado” sobre a “instalação da infra-estrutura”, incluindo uma “análise de custos e risco”.

Além da Agência Espacial Portuguesa, participam na fase preparatória do projecto mais 29 instituições de 17 países, que irão trabalhar sob coordenação do Instituto de Astrofísica das Canárias. O TSE​ integra o Fórum Estratégico Europeu sobre as Infra-estruturas de Investigação, onde Portugal é representado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

O novo telescópio, que terá um espelho de quatro metros de diâmetro, será construído e operado pela Associação Europeia de Telescópios Solares, que agrega várias instituições científicas, incluindo a Universidade de Coimbra. Espera-se que a construção do TSE se inicie em 2021 e o telescópio esteja a funcionar em 2027.

Segundo a Portugal Space, o novo telescópio “será crucial para compreender a actividade magnética solar e o impacto dos ventos e tempestades solares na Terra”.

Os ventos solares são emissões contínuas de partículas altamente energéticas provenientes da coroa (camada mais externa da atmosfera do Sol). As tempestades solares são perturbações temporárias na magnetosfera, região que envolve um planeta como a Terra, em que o seu campo magnético controla os processos físicos que nela acontecem.

A Agência Espacial Portuguesa salienta que o estudo da actividade do Sol é importante para “prever, adaptar e minimizar” os impactos de fenómenos como as tempestades solares, que “podem atingir sistemas eléctricos sensíveis, levando a que as comunicações por satélite sejam interrompidas e que os sistemas globais de navegação por satélite e redes de energia à escala nacional ou internacional falhem”.

Com o Telescópio Solar Europeu, a Europa “pretende preencher um vazio” que não é superado “por nenhuma das outras ferramentas terrestres ou espaciais”, uma vez que o TSE será capaz de examinar a actividade magnética do Sol, desde a fotosfera (região superficial que emite a maior parte da luz e do calor da estrela) até à cromosfera (camada da atmosfera acima da fotosfera).

O telescópio “pode também revelar os atributos térmicos, dinâmicos e magnéticos” do plasma (gás ionizado) do Sol em “alta resolução”, destaca o comunicado, adiantando que as observações feitas pelo TSE serão complementares às realizadas pela sonda europeia Solar Orbiter, lançada para o espaço em Fevereiro e que tem tecnologia de empresas portuguesas.

Equipada com dez instrumentos, a Solar Orbiter permite observar a superfície turbulenta do Sol, a coroa e as alterações no vento solar. A sonda europeia trabalha em paralelo com a sonda norte-americana Parker Solar Probe, em órbita desde 2018, e que tem quatro instrumentos para estudar o campo magnético do Sol, o plasma, as partículas energéticas e o vento solar.

O Telescópio Solar Europeu integra o Fórum Estratégico Europeu sobre as Infra-estruturas de Investigação, onde Portugal é representado pela Fundação para a Ciência e a Tecnologia.

ZAP // Lusa

Por Lusa
28 Maio, 2020

 

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3752: Astrónomos descobrem nova classe de explosões cósmicas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista que ilustra as diferenças nos fenómenos que resultam de uma típica explosão de super-nova de colapso do núcleo, uma explosão que cria GRBs e uma explosão que cria FBOTs.
Crédito: Bill Saxton, NRAO/AUI/NSF

Os astrónomos descobriram dois objectos que, somados a um objecto estranho descoberto em 2018, constituem uma nova classe de explosões cósmicas. O novo tipo de explosão partilha algumas características com as explosões de super-nova de estrelas massivas e com as explosões que geram GRBs (explosões de raios-gama, “gamma-ray bursts”), mas ainda com algumas diferenças distintas.

A saga começou em Junho de 2018 quando os astrónomos viram uma explosão cósmica com características e comportamento surpreendentes. O objecto, apelidado AT2018cow (“A Vaca”), atraiu a atenção de cientistas de todo o mundo e foi estudado extensivamente. Embora partilhe algumas características com as explosões de super-nova, diferia em aspectos importantes, particularmente o seu brilho inicial invulgar e na rapidez com que aumentou e diminui de brilho em apenas alguns dias.

Entretanto, duas explosões adicionais – uma em 2016 e outra em 2018 – também mostraram características invulgares e foram observadas e analisadas. As duas novas explosões têm o nome CSS161010 (abreviação de CRTS CSS161010 J045834-081803), numa galáxia situada a aproximadamente 500 milhões de anos-luz da Terra, e ZTF18abvkwla (“O Coala”), numa galáxia a cerca de 3,4 mil milhões de anos-luz de distância. Ambas foram descobertas por levantamentos automatizados do céu (CRTS – Catalina Real-time Transient Survey, ASAS-SN – All-Sky Automated Survey for Supernovae e ZTF – Zwicky Transient Facility) usando telescópios ópticos para varrer grandes áreas do céu nocturno.

Duas equipas de astrónomos acompanharam estas descobertas observando os objectos com o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation). As duas equipas também usaram o GMRT (Giant Metrewave Radio Telescope) na Índia e a equipa que estudava CSS161010 usou o Observatório de raios-X Chandra da NASA. Ambos os objectos surpreenderam os observadores.

Anna Ho, do Caltech, autora principal do estudo sobre ZTF18abvkwla, notou imediatamente que a emissão de rádio do objecto era tão brilhante quanto a de uma explosão de raios-gama. “Quando reduzi os dados, pensei que tinha cometido um erro,” disse.

Deanne Coppejans, da Northwestern University, liderou o estudo sobre CSS161010, que descobriu que o objecto havia lançado uma quantidade “inesperada” de material para o espaço interestelar a mais de metade da velocidade da luz. A sua co-autora Raffaella Margutti, da mesma universidade, disse: “Demorámos quase dois anos para descobrir o que estávamos a ver, porque era tão invulgar.”

Em ambos os casos, as observações de acompanhamento indicaram que os objectos partilhavam características em comum com AT2018cow. Os cientistas concluíram que estes eventos, chamados FBOTs (Fast Blue Optical Transients), representam, juntamente com AT2018cow, um tipo de explosão estelar significativamente diferente das outras. Os cientistas relataram as suas descobertas em artigos publicados na revista The Astrophysical Journal Letters e na revista The Astrophysical Journal.

As FBOTs provavelmente começam, dizem os astrónomos, da mesma forma que certas super-novas e GRBs – quando uma estrela muito mais massiva do que o Sol explode no final da sua vida “normal” alimentada a fusão atómica. As diferenças aparecem após a explosão inicial.

Na super-nova “comum” deste tipo, chamada super-nova de colapso do núcleo, a explosão envia uma onda de choque para o espaço interestelar. Se, além disso, um disco giratório de material se formar brevemente em torno da estrela de neutrões ou buraco negro formados após a explosão e impulsionar jactos estreitos de material quase à velocidade da luz em direcções opostas, estes jactos podem produzir feixes estreitos de raios-gama, despoletando uma GRB.

O disco giratório, chamado disco de acreção, e os jactos que produz, são chamados de “motor” pelos astrónomos.

Os astrónomos concluíram que as FBOTs também têm esse mecanismo de motor. No seu caso, ao contrário das explosões de raios-gama, está envolto por material espesso. Esse material provavelmente foi derramado pela estrela pouco antes de explodir e pode ter sido retirado de lá por uma companheira binária.

Quando o material espesso próximo da estrela é atingido pela onda de choque da explosão, faz com que o surto de luz, visível logo após a explosão que inicialmente produziu estes objectos, pareça tão invulgar. Esta explosão brilhante também é o motivo pelo qual os astrónomos chamam a estas explosões FBOTs (Fast Blue Optical Transients). Esta é uma das características que as distinguiu das super-novas mais comuns.

À medida que a onda de choque da explosão colide com o material em torno da estrela, enquanto viaja para longe, produz emissão de rádio. Esta emissão muito brilhante foi a pista importante que provou que a explosão foi desencadeada por um motor.

O invólucro de material denso “significa que a estrela progenitora é diferente daquelas que levam a explosões de raios-gama,” disse Ho. Os astrónomos realçam que, na “Vaca” e em CSS161010, o material denso incluía hidrogénio, algo nunca visto nas explosões de raios-gama.

Usando o Observatório W. M. Keck, os astrónomos descobriram que CSS 161010 e ZTF18abvkwla, tal como “A Vaca”, estão situadas em pequenas galáxias anãs. Coppejans disse que as propriedades das galáxias anãs “podem permitir alguns caminhos evolutivos muito raros das estrelas”, que levam a estas explosões distintas.

Embora um elemento comum das FBOTs seja o facto de todas as três terem um “motor central”, os astrónomos alertam que o motor também pode ser o resultado de estrelas serem destruídas por buracos negros, embora considerem as explosões do tipo super-nova o candidato mais provável.

“Mais observações das FBOTs e dos seus ambientes podem responder a esta pergunta,” disse Margutti.

Para tal, os cientistas dizem que vão precisar de usar telescópios que cobrem uma ampla gama de comprimentos de onda, como fizeram com os três primeiros objectos. “Embora as FBOTs se tenham mostrado mais raras e mais difíceis de encontrar do que alguns de nós esperávamos, na banda do rádio são também muito mais luminosas do que imaginávamos, permitindo-nos obter dados compreensivos mesmo de eventos muito distantes,” disse Daniel Perley, da Universidade John Moores em Liverpool.

Astronomia On-line
29 de Maio de 2020

 

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3751: Colisão galáctica pode ter desencadeado a formação do Sistema Solar

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

A galáxia anã de Sagitário orbita a Via Láctea há milhares de milhões de anos. À medida que o seu percurso em torno da 10.000 vezes mais massiva Via Láctea gradualmente ficava mais pequeno, começou a colidir com o disco da nossa Galáxia. As três colisões conhecidas entre Sagitário e a Via Láctea podem, segundo um novo estudo, ter desencadeado episódios de intensa formação estelar, um dos quais pode ter dado origem ao Sistema Solar.
Crédito: ESA

A formação do Sol, o Sistema Solar e o subsequente surgimento de vida na Terra podem ser uma consequência de uma colisão entre a nossa Galáxia, a Via Láctea, e uma galáxia menor chamada Sagitário, descoberta na década de 1990, que orbita o nosso lar galáctico.

Os astrónomos sabem que Sagitário colide, repetidamente, com o disco da Via Láctea, enquanto a sua órbita ao redor do núcleo da galáxia se aperta como resultado de forças gravitacionais. Estudos anteriores sugeriram que Sagitário, a chamada galáxia anã, teve um efeito profundo sobre como as estrelas se movem na Via Láctea. Alguns até afirmam que a estrutura espiral da marca registada da Via Láctea, que é 10.000 vezes mais massiva, pode ser o resultado de pelo menos três acidentes conhecidos com Sagitário nos últimos seis mil milhões de anos.

Um novo estudo, baseado em dados recolhidos pelo telescópio de mapeamento Galáctico da ESA, Gaia, revelou, pela primeira vez, que a influência de Sagitário na Via Láctea pode ser ainda mais substancial. As ondulações causadas pelas colisões parecem ter desencadeado grandes episódios de formação estelar, um dos quais coincidiu, aproximadamente, com o tempo da formação do Sol, há 4,7 mil milhões de anos atrás.

“Sabe-se, a partir de modelos existentes, que Sagitário caiu na Via Láctea três vezes – primeiro há cerca de cinco ou seis mil milhões de anos atrás, depois há cerca de dois mil milhões de anos atrás e, finalmente, há mil milhões de anos atrás,” diz Tomás Ruiz-Lara, investigador em Astrofísica no Instituto de Astrofísica das Canárias (IAC) em Tenerife, Espanha, e autor principal do novo estudo publicado na revista Nature Astronomy.

“Quando analisámos os dados do Gaia sobre a Via Láctea, encontrámos três períodos de maior formação estelar que atingiram o pico há 5,7 mil milhões de anos atrás, 1,9 mil milhões de anos atrás e mil milhões de anos atrás, correspondendo ao período em que se pensa que Sagitário tenha atravessado o disco da Via Láctea.”

Os investigadores analisaram as luminosidades, distâncias e cores das estrelas numa esfera de cerca de 6500 anos-luz ao redor do Sol e compararam os dados com os modelos de evolução estelar existentes. Segundo Tomás, a noção de que a galáxia anã pode ter tido esse efeito faz muito sentido.

“No começo temos uma galáxia, a Via Láctea, que é relativamente silenciosa,” diz Tomás. “Após uma época violenta inicial de formação de estrelas, parcialmente desencadeada por uma fusão anterior, como descrito num estudo anterior, a Via Láctea alcançou um estado equilibrado em que as estrelas se formavam constantemente. De repente, temos Sagitário a cair e a atrapalhar o equilíbrio, fazendo com que todo o gás e poeira, anteriormente calmos dentro da galáxia maior, se espalhem como ondas na água.”

Nalgumas áreas da Via Láctea, essas ondulações levariam a maiores concentrações de poeira e gás, enquanto esvaziavam outras. A alta densidade de material nessas áreas desencadearia a formação de novas estrelas.

“Parece que Sagitário não só moldou a estrutura e influenciou a dinâmica de como as estrelas se estão a mover na Via Láctea, mas também levou à construção da Via Láctea,” diz Carme Gallart, co-autora do papel, também do IAC. “Parece que uma parte importante da massa estelar da Via Láctea foi formada devido às interacções com Sagitário e não existiria de outra forma.”

De facto, parece possível que nem mesmo o Sol e os seus planetas existissem se a anã Sagitário não tivesse sido presa pela força gravitacional da Via Láctea e, eventualmente, colidido com o seu disco.

“O Sol formou-se no momento em que as estrelas estavam a formar-se na Via Láctea por causa da primeira passagem de Sagitário,” diz Carme. “Não sabemos se a nuvem específica de gás e poeira que se transformou no Sol entrou em colapso por causa dos efeitos de Sagitário ou não. Mas é um cenário possível porque a idade do Sol é consistente com uma estrela formada como resultado do efeito Sagitário.”

Cada colisão com Sagitário removeu parte do seu gás e poeira, deixando a galáxia menor após cada passagem. Os dados existentes sugerem que Sagitário pode ter passado pelo disco da Via Láctea novamente há relativamente pouco tempo, nos últimos cem milhões de anos, e, actualmente, encontra-se muito próxima. De fato, o novo estudo constatou uma recente explosão de formação estelar, sugerindo uma possível nova e contínua onda de nascimento estelar.

De acordo com o cientista do projecto Gaia da ESA, Timo Prusti, estas informações detalhadas sobre a história da formação estelar da Via Láctea não seriam possíveis antes do Gaia, o telescópio de mapeamento de estrelas lançado no final de 2013, cujos dois lançamentos de dados em 2016 e 2018 revolucionaram o estudo da Via Láctea.

“Algumas determinações da história da formação de estrelas na Via Láctea já existiam antes, com base em dados da missão Hipparcos da ESA, no início dos anos 90,” diz Timo. “Mas essas observações foram focadas na vizinhança imediata do Sol. Não era realmente representativo e, portanto, não foi possível descobrir essas explosões em formação de estrelas que vemos agora.

“Esta é realmente a primeira vez que vemos uma história detalhada da formação estelar da Via Láctea. É uma prova do poder científico de Gaia que temos visto se manifestar repetidamente em inúmeros estudos inovadores num período de apenas alguns anos.”

Astronomia On-line
29 de Maio de 2020

 

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3750: O detective a bordo do rover Perseverance

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Como visto nesta impressão de artista, o instrumento SHERLOC está localizado no fim do braço robótico do rover marciano Perseverance da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Marte está muito longe da famosa 221 Baker Street, mas um dos detectives mais conhecidos da ficção estará representado no Planeta Vermelho quando o rover Perseverance da NASA pousar no dia 18 de Fevereiro de 2021. SHERLOC, um instrumento na ponta do braço robótico do rover, vai procurar pistas do tamanho de grãos de areia nas rochas marcianas enquanto trabalha em conjunto com a WATSON, uma câmara que vai capturar fotos de texturas de rochas. Juntos, vão estudar as superfícies rochosas, mapeando a presença de certos minerais e moléculas orgânicas, que são os blocos de construção da vida baseada em carbono cá na Terra.

O SHERLOC foi construído no JPL da NASA, no sul do estado norte-americano da Califórnia, que lidera a missão do Perseverance; a WATSON foi construída no MSSS (Malin Space Science Systems) em San Diego. Para as rochas mais promissoras, a equipa do Perseverance comandará o rover para recolher amostras com meia polegada de largura, armazená-las, selá-las em tubos de metal e depositá-las na superfície de Marte para que uma missão futura possa entregá-las à Terra a fim de um estudo mais detalhado.

O SHERLOC vai trabalhar com outros seis instrumentos a bordo do Perseverance para nos dar uma compreensão mais clara de Marte. Está até a ajudar o esforço de criar fatos espaciais resistentes ao ambiente marciano para quando os humanos pisarem o Planeta Vermelho. Aqui ficam mais informações.

O poder do efeito Raman

O nome completo do instrumento SHERLOC é: Scanning Habitable Environments with Raman & Luminescence for Organics & Chemicals. “Raman” refere-se à espectroscopia Raman, uma técnica cujo nome homenageia o físico indiano C.V. Raman, que descobriu o efeito de dispersão da luz na década de 1920.

“Enquanto viajava de barco, tentava descobrir porque é que o mar era azul,” disse Luther Beegle do JPL, investigador principal do SHERLOC. “Ele percebeu que se apontássemos um feixe de luz a uma superfície, podíamos mudar o comprimento de onda da luz dispersa, dependendo dos materiais nessa superfície.”

Este efeito é chamado de dispersão ou efeito Raman. Os cientistas podem identificar diferentes moléculas com base na distinta “impressão digital” espectral visível na luz emitida. Um laser ultravioleta que faz parte do SHERLOC permitirá à equipa classificar materiais orgânicos e minerais presentes numa rocha e entender o ambiente no qual a rocha se formou. A água salgada, por exemplo, pode resultar na formação de minerais diferentes daqueles em água doce. A equipa também vai procurar pistas de astrobiologia na forma de moléculas orgânicas que, entre outras coisas, servem como potenciais bio-assinaturas, demonstrando a presença de antiga vida passada em Marte.

“A vida agrupa-se,” disse Beegle. “Se virmos substâncias orgânicas agrupadas numa parte de uma rocha, pode ser um sinal de que os micróbios aí prosperaram no passado.”

Os processos não biológicos também podem formar compostos orgânicos, de modo que a detecção destes compostos não é um sinal claro de que a vida se formou em Marte. Mas os produtos orgânicos são cruciais para entender se o ambiente antigo pode ter suportado vida.

Uma lupa marciana

Quando Beegle e a sua equipa avistarem uma rocha interessante, digitalizam uma área com o tamanho de uma moeda com o laser do SHERLOC para descobrir a composição mineral e a presença de compostos orgânicos. Em seguida, a WATSON (Wide Angle Topographic Sensor for Operations and eNgineering) capturará ampliações da amostra. Também pode fotografar imagens do rover Perseverance, assim como o rover Curiosity da NASA usa a mesma câmara – chamada MAHLI (Mars Hand Lens Imager) nesse veículo – para ciência e para tirar selfies.

Mas, quando combinada com o SHERLOCK, a WATSON pode fazer ainda mais: a equipa pode mapear com precisão as descobertas do SHERLOC sobre as imagens da WATSON a fim de ajudar a revelar como as diferentes camadas minerais se formam e se sobrepõem. Também podem combinar os mapas minerais com dados de outros instrumentos – entre eles, o PIXL (Planetary Instrument for X-ray Lithochemistry) no braço robótico do Perseverance – para ver se uma rocha pode conter sinais de vida microbiana fossilizada.

Meteoritos e fatos espaciais

Qualquer instrumento científico exposto ao ambiente marciano por tempo suficiente está sujeito a mudanças, seja pelas variações extremas de temperatura, seja pela radiação do Sol e dos raios cósmicos. Os cientistas ocasionalmente têm que calibrar estes instrumentos, que fazem medindo as suas leituras em relação a alvos de calibração – essencialmente, objectos com propriedades conhecidas seleccionados previamente para fins de verificação cruzada (por exemplo, o rover Curiosity utiliza uma moeda como alvo de calibração). Como os cientistas e engenheiros sabem com antecedência quais devem ser as leituras quando um instrumento está a funcionar correctamente, podem fazer os ajustes necessários.

Com mais ou menos o tamanho de um smartphone, o alvo de calibração do SHERLOC inclui 10 objectos, incluindo uma amostra de um meteorito marciano que viajou até à Terra e foi encontrado em 1999 no deserto de Omã. O estudo de como este fragmento de meteorito muda ao longo da missão ajudará os cientistas a entender as interacções químicas entre a superfície do planeta e a sua atmosfera. A SuperCam, outro instrumento a bordo do Perseverance, também tem um pedaço de meteorito marciano como alvo de calibração.

Enquanto os cientistas enviam fragmentos de Marte novamente até à superfície do Planeta Vermelho para continuar os seus estudos, contam com o Perseverance para recolher dezenas de amostras de rocha e solo para futuro envio à Terra. As amostras que o veículo espacial recolher serão exaustivamente estudadas, com dados da paisagem onde se formaram, e vão incluir tipos de rochas diferentes dos meteoritos.

Ao lado do meteorito marciano estão cinco amostras de tecido de fatos espaciais e de material de capacete desenvolvido pelo Centro Espacial Johnson da NASA. O SHERLOC fará leituras destes materiais à medida que são afectados pela paisagem e pelo clima marciano ao longo do tempo, dando aos designers dos fatos uma melhor ideia de como se degradam. Quando os primeiros astronautas pisarem Marte, poderão muito bem ter que agradecer ao SHERLOC pelos fatos que os mantêm seguros.

O rover Perseverance pesa 1025 kg. A sua missão é procurar sinais de vida microbiana passada. Independentemente do dia de lançamento, cuja janela vai de 17 Julho a 11 de Agosto, aterrará na Cratera Jezero no dia 18 de Fevereiro de 2021.

Astronomia On-line
29 de Maio de 2020

 

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3749: ALMA avista coração cintilante da Via Láctea

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista do disco de gás em torno do buraco negro super-massivo. Manchas quentes que orbitam o objecto monstruoso podem produzir emissões milimétricas quase periódicas detectadas com o ALMA.
Crédito: Universidade Keio

Usando o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), astrónomos encontraram oscilações quase periódicas em ondas milimétricas do centro da Via Láctea, Sagitário (Sgr) A*. A equipa interpretou este piscar como devido à rotação de pontos de rádio, em torno do buraco negro super-massivo, com um raio orbital menor que o de Mercúrio. Esta é uma pista interessante para investigar o espaço-tempo com extrema gravidade.

“Sabe-se que Sgr A* às vezes brilha em comprimentos de onda milimétricos,” diz Yuhei Iwata, autor principal de um artigo científico publicado na revista The Astrophysical Journal Letters e estudante da Universidade Keio, Japão. “Desta vez, usando o ALMA obtivemos dados de alta qualidade da variação da intensidade de ondas de rádio de Sgr A* durante 10 dias, 70 minutos por dia. Em seguida, encontrámos duas tendências: variações quase periódicas com uma escala de tempo típica de 30 minutos e variações mais lentas de uma hora.”

Os astrónomos presumem que um buraco negro super-massivo com uma massa de 4 milhões de sóis esteja localizado no centro de Sgr A*. Foram observados surtos de brilho de Sgr A* não apenas em comprimentos de onda milimétrico, mas também no infravermelho e em raios-X. No entanto, as variações detectadas com o ALMA são muito mais pequenas do que as detectadas anteriormente, e é possível que estes níveis de pequenas variações ocorram sempre em Sgr A*.

O buraco negro, propriamente dito, não produz nenhum tipo de emissão. A fonte da emissão é o disco gasoso escaldante em torno do buraco negro. O gás que rodeia o buraco negro não entra directamente no poço gravitacional, mas gira em seu redor para formar um disco de acreção.

A equipa concentrou-se em pequenas variações na escala e descobriu que o período de variação de 30 minutos é comparável ao período orbital da orla mais interna do disco de acreção com um raio de 0,2 unidades astronómicas (1 unidade astronómica corresponde à distância entre a Terra e o Sol: 150 milhões de quilómetros). Para comparação, Mercúrio, o planeta mais interior do Sistema Solar, orbita o Sol a uma distância de 0,4 UA. Tendo em conta a massa colossal no centro do buraco negro, o seu efeito gravitacional sob o disco de acreção é também extremo.

“Esta emissão pode estar relacionada com alguns fenómenos exóticos que ocorrem nas proximidades do buraco negro super-massivo” diz Tomoharu Oka, professor da Universidade Keio.

O seu cenário é o seguinte: os pontos quentes são formados esporadicamente no disco e circulam em torno do buraco negro, emitindo fortes ondas milimétricas. Segundo a teoria especial da relatividade de Einstein, a emissão é largamente ampliada quando a fonte está a mover-se em direcção ao observador com uma velocidade comparável à da luz. A velocidade de rotação da orla interna do disco de acreção é bastante grande, de modo que surge este efeito extraordinário. Os astrónomos pensam que esta é a origem da variação de curto prazo da emissão milimétrica de Sgr A*.

A equipa supõe que a variação possa afectar o esforço de criar uma imagem do buraco negro super-massivo com o EHT (Event Horizon Telescope). “Em geral, quanto mais rápido o movimento, mais difícil é tirar uma foto do objecto,” diz Oka “Ao invés, a variação da emissão propriamente dita fornece informações convincentes do movimento do gás. Podemos testemunhar o momento exacto de absorção de gás pelo buraco negro com uma campanha de monitorização a longo prazo com o ALMA”. Os investigadores pretendem extrair informações independentes para entender o ambiente misterioso em redor do buraco negro super-massivo.

Astronomia On-line
26 de Maio de 2020

 

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3748: ALMA descobre disco giratório e massivo no Universo jovem

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista de Wolfe Disk, uma galáxia massiva de disco giratório no Universo jovem e empoeirado. A galáxia foi inicialmente descoberta quando o ALMA examinou a luz de um quasar mais distante (topo esquerdo).
Crédito: NRAO/AUI/NSF, S. Dagnello

No nosso Universo de 13,8 mil milhões de anos, a maioria das galáxias como a Via Láctea forma-se gradualmente, atingindo a sua grande massa relativamente tarde. Mas uma nova descoberta feita com o ALMA (Atacama Large Millimeter/submillimeter Array), de uma galáxia massiva e de disco giratório, vista quando o Universo tinha apenas 10% da sua idade actual, desafia os modelos tradicionais de formação galáctica. Esta investigação foi publicada dia 20 de maio na revista Nature.

A galáxia DLA0817g, apelidada de “Wolfe Disk” em homenagem ao falecido astrónomo Arthur M. Wolfe, é a galáxia de disco giratório mais distante já observada. O poder incomparável do ALMA tornou possível ver esta galáxia a girar a 272 km/s, semelhante à nossa Via Láctea.

“Embora estudos anteriores tenham sugerido a existência destas galáxias precoces de disco, ricas em gás e giratórias, graças ao ALMA agora temos evidências inequívocas de que existiam apenas 1,5 mil milhões de anos após o Big Bang,” disse o autor principal Marcel Neeleman do Instituto Max Planck para Astronomia em Heidelberg, Alemanha.

Como é que “Wolfe Disk” se formou?

A descoberta de Wolfe Disk oferece um desafio para muitas simulações de formação de galáxias, que preveem que galáxias massivas, neste ponto da evolução do cosmos, cresceram através de muitas fusões de galáxias mais pequenas e aglomerados quentes de gás.

“A maioria das galáxias que encontramos no início do Universo parecem destroços de acidentes porque foram submetidas a uma fusão consistente e muitas ‘violenta’,” explicou Neeleman. “Estas fusões escaldantes dificultam a formação de discos giratórios frios e bem ordenados, como observamos no nosso Universo actual.”

Na maioria dos cenários de formação galáctica, as galáxias só começam a mostrar um disco bem formado cerca de 6 mil milhões de após o Big Bang. O facto dos astrónomos encontrarem uma galáxia deste tipo, quando o Universo tinha apenas 10% da sua idade actual, indica que outros processos de crescimento devem ter dominado.

“Pensamos que Wolfe Disk tenha crescido principalmente através de acreção constante de gás frio,” disse J. Xavier Prochaska, da Universidade da Califórnia em Santa Cruz, co-autor do artigo. “Ainda assim, uma das questões que resta é como montar uma massa tão grande de gás, mantendo um disco giratório relativamente estável.”

Formação estelar

A equipa também usou o VLA (Karl G. Jansky Very Large Array) da NSF (National Science Foundation) e o Telescópio Espacial Hubble da NASA/ESA para aprender mais sobre a formação estelar em Wolfe Disk. Nos comprimentos de onda do rádio, o ALMA analisou os movimentos e a massa de gás atómico e poeira enquanto o VLA media a quantidade de massa molecular – o combustível da formação estelar. No ultravioleta, o Hubble observou estrelas massivas. “O ritmo de formação estelar em Wolfe Disk é pelo menos dez vezes maior do que na nossa própria Galáxia,” explicou Prochaska. “Deve ser uma das galáxias de disco mais produtivas do Universo jovem.”

Uma galáxia “normal”

Wolfe Disk foi descoberta pelo ALMA em 2017. Neeleman e a sua equipa encontraram a galáxia quando examinaram a luz de um quasar mais distante. A luz do quasar foi absorvida ao passar por um enorme reservatório de hidrogénio gasoso em redor da galáxia – e foi assim que se revelou. Em vez de procurar luz directa de galáxias extremamente brilhantes, mas mais raras, os astrónomos usaram este método de “absorção” para encontrar galáxias mais fracas e mais “normais” no início do Universo.

“O facto de termos encontrado Wolfe Disk usando este método, diz-nos que pertence à população normal de galáxias presentes nos primeiros tempos,” disse Neeleman. “Quando as nossas mais recentes observações com o ALMA mostraram surpreendentemente que está a girar, percebemos que as galáxias de disco giratório precoces não são tão raras quanto pensávamos e que devem existir muitas mais por aí.”

“Esta observação resume como a nossa compreensão do Universo é aprimorada com a sensibilidade avançada que o ALMA traz à radioastronomia,” disse Joe Pesce, director do programa de astronomia da NSF, que financia o telescópio. “O ALMA permite-nos fazer descobertas novas e inesperadas em quase todas as observações.”

Astronomia On-line
26 de Maio de 2020

 

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3747: A dança das luas de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Imagem da atmosfera de Júpiter, obtida pela sonda Juno da NASA.
Crédito: NASA/JPL-Caltech/SwRI/MSSS; processamento por Tanya Oleksuik

Há quatrocentos anos atrás, o astrónomo Galileu Galilei anunciou a sua descoberta de quatro luas em órbita do planeta Júpiter, cada uma vista como um ponto esbranquiçado distinto no seu telescópio. No entanto, somente nas últimas quatro décadas os astrónomos puderam estudar as luas jovianas em detalhe a fim de revelar que as quatro – Io, Europa, Ganimedes e Calisto – são mundos fascinantes.

Embora todas sejam de tamanho semelhante – cerca de 1/4 do raio da Terra -, as quatro luas são diversas: Io é violentamente vulcânica, Europa está incrustada em gelo, Ganimedes tem um campo magnético e Calisto está cheia de crateras antigas. Além disso, a gelada Europa é considerada uma forte candidata a hospedar vida no Sistema Solar.

Uma questão em aberto ainda intriga os cientistas planetários: como é que os satélites jovianos se formaram?

Agora, o professor de ciências planetárias do Caltech, Konstantin Batygin e o seu colaborador Alessandro Morbidelli do Observatoire de la Côte d’Azur, França, propuseram uma resposta para esta questão de longa data. Usando cálculos analíticos e simulações em computador em larga escala, propõem uma nova teoria das origens dos satélites jovianos. A investigação foi publicada na edição de 18 de maio da revista The Astrophysical Journal.

Durante os primeiros milhões de anos de vida do nosso Sol, foi cercado por um disco protoplanetário composto de gás e poeira. Júpiter coalesceu a partir deste disco e tornou-se rodeado pelo seu próprio disco de material de construção de satélites. Este chamado disco circum-Joviano foi alimentado por material do disco protoplanetário que choveu para Júpiter nos pólos do planeta e retornou à esfera de influência gravitacional de Júpiter ao longo do plano equatorial do planeta. Mas é aqui que as coisas ficam complicadas para a formação dos satélites: como é que este disco em constante mudança acumulou material suficiente para formar luas?

O novo modelo de Batygin e Morbidelli aborda esta questão incorporando a física das interacções entre poeira e gás no disco circum-Joviano. Em particular, os investigadores demonstram que, para grãos de poeira gelada de uma gama específica de tamanhos, a força que os arrasta em direcção a Júpiter e a força (arrastamento) que os transporta no fluxo externo do gás cancelam-se perfeitamente, permitindo que o disco actue como uma armadilha de poeira gigante. Batygin diz que a inspiração para a ideia surgiu quando saiu para correr.

“Eu estava a subir uma colina, e vi que havia uma garrafa no chão que não estava a rolar ladeira abaixo porque o vento vindo de trás de mim a empurrava para cima e a mantinha em equilíbrio com a gravidade,” diz. “Uma analogia simples veio à mente: se uma garrafa de cerveja rolando num plano inclinado é semelhante à deterioração orbital de grãos sólidos devido ao arrasto hidrodinâmico, então partículas de um certo tamanho devem encontrar um equilíbrio equivalente na órbita de Júpiter!”

O modelo dos investigadores propõe que, devido a este equilíbrio entre o arrasto interno e o arrasto externo, o disco em torno de Júpiter tornou-se rico em grãos de poeira gelada, cada um com cerca de um milímetro de tamanho. Eventualmente, este anel de poeira tornou-se tão massivo que se desintegrou sob o seu próprio peso em milhares de “satélitesimais” – objectos gelados parecidos com asteróides com cerca de 100 km de diâmetro. Ao longo de milhares de anos, os satélitesimais coalesceram em luas, uma de cada vez.

De acordo com o modelo, quando a primeira lua (Io) se formou e a sua massa atingiu um certo limite, a sua influência gravitacional começou a criar ondas no disco gasoso de material que rodeava Júpiter. Ao interagir com estas ondas, a lua migrou em direcção a Júpiter até que alcançou a orla interior do disco circum-Joviano, perto da sua órbita actual. O processo começou novamente com a próxima lua.

Este processo sequencial de formação e migração interna levou Io, Europa e Ganimedes a fixarem-se numa ressonância orbital – uma configuração onde por cada quatro órbitas de Io em torno de Júpiter, Europa completa duas e Ganimedes uma. Esta denominada ressonância de Laplace é uma das características mais impressionantes e bem conhecidas das órbitas das luas.

Finalmente, o modelo sugere que a radiação do Sol acabou eventualmente por expelir o gás restante no disco em torno de Júpiter, deixando para trás os satélitesimais residuais que formaram a quarta e última lua principal, Calisto. No entanto, sem gás para conduzir a longa migração, Calisto não se juntou às outras luas em ressonância, e ficou presa a completar uma órbita em torno de Júpiter a cada duas semanas.

“O processo que descrevemos para a formação dos satélites de Júpiter pode ser geral,” diz Morbidelli. “Agora temos observações do disco em torno de um exoplaneta gigante, PDS 70c, e parece extraordinariamente rico em poeira, como imaginámos para o disco de Júpiter antes da formação dos seus satélites.”

Ainda há muito a descobrir sobre a luas jovianas. A missão Europa Clipper da NASA, com lançamento previsto para 2024, vai visitar Europa com o objectivo de descobrir se possui ou não condições favoráveis à vida. A ESA também planeia enviar uma missão, de nome JUICE (JUpiter ICy moons Explorer), com foco em Ganimedes, a maior das luas jovianas.

Astronomia On-line
26 de Maio de 2020

 

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3746: ESO Astronomy

Posing in our newest Picture of the Week under the splendours of the southern sky is Babak A. Tafreshi , one of ESO’s Photo Ambassadors. Babak is standing on part of the massive Miñiques volcanic complex, located in the Antofagasta region of Chile’s Atacama Desert. This region is also home to ESO’s Paranal Observatory, where the Very Large Telescope (VLT) gazes up at the sky, observing exotic phenomena such as gamma-ray bursts, extrasolar planets, and supermassive black holes.

Image credit: ESO Astronomy / Petr Horálek Photography http://orlo.uk/yJquz

Fazendo pose na nossa mais nova foto da Semana sob os esplendores do céu sul é o Babak A. Tafreshi, um dos embaixadores da foto da ESO. Babak está de pé em parte do complexo vulcânico de Miñiques, localizado na região de Antofagasta, no deserto de Atacama do Chile. Esta região também é o lar do Observatório Paranal da ESO, onde o Telescópio Muito Grande (VLT) olha para o céu, observando fenómenos exóticos como explosões de raios gama, planetas extras-solares e buracos negros super-massivos.

Crédito da imagem: ESO Astronomy / Petr Horálek Photography http://orlo.uk/yJquz

 

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3745: Astrónomos detectam objecto activo e insólito na órbita de Júpiter

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Não é um asteroide, nem um cometa, mas é um tipo de objecto inédito, activo e que está a rondar o planeta Júpiter

O 2019 LD2 agora detectado pelos investigadores é o único Trojan de Júpiter que ainda está activo. Os Trojans são um grupo de asteróides localizados no mesmo caminho orbital que o planeta e que estão todos inertes, daí que esta descoberta torne o corpo merecedor de atenção. Este corpo está activo e ostenta uma cauda como se fosse um cometa.

Entre os asteróides e os cometas, está uma classe de objectos conhecida por asteróides activos, de que o auto-destrutivo Gault é exemplo.

Os investigadores do ATLAS (de Asteroid Terrestrial-impact Last Alert Systems), especializados em descobrir objectos que possam ameaçar a Terra, identificaram o 2019 LD2 no ano passado. À primeira vista, os astrónomos julgaram tratar-se de um cometa; um segundo conjunto de observações, de Julho de 2019, revelou uma composição de gases e poeiras; no fim de 2019, as observações evidenciaram que o corpo continuava activo, o que tornou a descoberta verdadeiramente rara.

Os asteróides activos são uma raridade e descobrir um corpo destes na órbita de Júpiter não tem precedentes. Por outro lado, a comunidade está entusiasmada com a possibilidade de confirmação de que este corpo terá gelo sob a superfície. “Acreditamos durante décadas que os asteróides Trojan teriam grandes quantidades de gelo sob a superfície, mas nunca tivemos provas de tal. O ATLAS mostra que as previsões de uma génese de gelo estão corretas”, disse Alan Fitzsimmons, professor da Univerisdade de Queens Belfast.

Não foi descartada a hipótese de que este objecto só recentemente se tenha juntado à comunidade de Trojans, tendo deslizado a partir de outro local. As equipas de cientistas prometem continuar a observar o 2019 LD2.

Exame Informática
25.05.2020 às 13h14

 

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3744: Cientistas encontram pista para resolver o mistério (de longa data) da antimatéria

CIÊNCIA/FÍSICA

(dr) University of the West of Scotland
Tório-228

Porque é que há mais matéria do que antimatéria no Universo? Uma equipa de físicos descobriu um elemento que pode ser a chave para desvendar este antigo mistério.

Uma equipa de investigadores da Universidade do Oeste da Escócia (UWS) e da Universidade de Strathclyde descobriu que um dos isótopos do elemento tório tem o núcleo em forma de pêra, muito mais do que até agora se pensava. Núcleos semelhantes ao tório-228 podem ajudar a encontrar uma resposta para o mistério que envolve a matéria e a antimatéria.

O Modelo Padrão prevê que cada partícula fundamental possa ter uma antipartícula semelhante. As anti-partículas são quase idênticas às suas contrapartes materiais, excepto pelo simples facto de conterem cargas opostas.

Desta forma, e de acordo com o Modelo Padrão, a matéria e a antimatéria devem ter sido formadas em quantidades iguais na altura do Big Bang. No entanto, o nosso Universo possui muito mais matéria do que antimatéria.

Em teoria, segundo o artigo científico publicado recentemente na Nature Physics, um momento do dipolo eléctrico (EDM) pode permitir que a matéria e a antimatéria se decomponham em taxas diferentes.

Segundo o Europa Press, os núcleos em forma de pêra foram propostos como sistemas físicos ideais nos quais se procura a existência de um momento do dipolo eléctrico numa partícula fundamental, como um electrão. A forma da pêra significa que o núcleo gera um EDM ao ter os protões e neutrões distribuídos de maneira desigual.

Os investigadores descobriram que os núcleos dos átomos de tório-228 têm a forma de pêra mais pronunciada alguma vez descoberta, tendo, por isso, sido identificados como candidatos ideais para procurar a existência de um momento do dipolo eléctrico.

Quanto mais pequena for a vida útil do estado quântico, mais acentuada é a forma de pêra do núcleo, que dá, por sua vez, maiores esperanças aos cientistas de encontrar um EDM.

As experiência da equipa começaram com uma amostra de tório-232, que tem uma meia-vida de 14 mil milhões de anos, o que significa que se decompõe muito lentamente. A cadeia de decaimento desse núcleo cria estados mecânicos quânticos excitados do núcleo do tório-228, que decaem em nanossegundos.

ZAP //

Por ZAP
25 Maio, 2020

 

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