3948: NASA cria dispositivo que o avisa para não tocar no rosto (e pode ser reproduzido em casa)

CIÊNCIA/COVID-19/CORONAVÍRUS

A pensar na pandemia, a NASA desenvolveu o PULSE, um colar vibratório que nos alerta se formos tocar no rosto com as nossas mãos.

A pandemia de covid-19 alastrou pelo mundo e, enquanto não chega um tratamento eficaz, cabe aos cidadãos protegerem-se com o uso de materiais de protecção, medidas de higiene e comportamentos de distanciamento social.

Para dar uma ajuda, a NASA desenvolveu o PULSE, um dispositivo 3D com um sensor de proximidade que é activado sempre que o utilizador aproxima as mãos do rosto, emitindo uma vibração para lembrar que não deve tocar na cara. O dispositivo tem como objectivo evitar uma potencial infecção.

À medida que aproxima as mãos do rosto, a vibração emitida pelo dispositivo vai aumentando a sua intensidade, de modo a evitar que o utilizador leve as mãos aos olhos, nariz ou boca, caso tenha tocado numa superfície infectada.

A equipa do Laboratório de Propulsão a Jacto explica que o dispositivo é gratuito e pode ser reproduzido por qualquer pessoa, independentemente do seu nível de conhecimento na área. Para tal, a agência espacial disponibilizou uma lista de instruções e peças necessárias para produzir o colar.

“Idealmente, esperamos que o público desenvolva este conceito e faça com que seja facilmente distribuído”, explicou o Instituto de Tecnologia da Califórnia, que acolhe o laboratório.

O projecto é uma tentativa de acompanhar os esforços das autoridades sanitárias, mas não dispensa a “lavagem das mãos, o distanciamento social e o uso de máscara”. Para enfrentar o novo normal, todas as ajudas para travar e impedir novas cadeias de transmissão são bem-vindas.

ZAP //

Por ZAP
3 Julho, 2020

 

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3947: Janela temporal para lançamento da sonda marciana Perseverance está a fechar-se

CIÊNCIA/MARTE

A NASA pretende lançar a sonda, sucessora da Curiosity, a 30 de Julho. No entanto, o novo adiamento coloca a agência espacial em risco de falhar esta janela temporal

O lançamento da Perseverance, a nova sonda que irá ‘render’ a Curiosity em Marte, tem vindo a sofrer adiamento sucessivos. Agora, a nova data apontada pela NASA é 30 de Julho, mas o terceiro adiamento faz com que a agência esteja a aproximar-se perigosamente do encerramento da janela temporal considerada ideal para o lançamento de qualquer sonda em direcção ao planeta vermelho.

Apesar de Terra e Marte serem o terceiro e quarto planeta, respectivamente, em relação ao Sol, nem sempre estão próximos, devido às órbitas serem feitas a velocidades diferentes. Muitas das vezes, os dois planetas estão mesmo em lados opostos, pelo que, tecnicamente e se considerarmos as distâncias médias, Mercúrio é o planeta mais próximo da Terra. A janela temporal ideal para aproximação a Marte ‘abre’ a 17 de Julho e ‘fecha’ a 11 de Agosto.

A sonda Perseverance herda muitas das características da Curiosity, mas a NASA procedeu a algumas melhorias: as rodas resistem melhor a furos e danos que a sonda actual tem vindo a registar, há um pequeno helicóptero a bordo que permite explorar o terreno com mais detalhe e a nova sonda tem uma nova geração de câmaras e instrumentos científicos mais precisos.

O plano original previa o lançamento da Perseverance a 17 de Julho, mas problemas de logística e agora no sensor de oxigénio líquido no foguetão Atlas V levaram a NASA a apontar para 20 de Julho, depois 22 e agora dia 30 do mês corrente.

A ULA, United Launch Alliance, vai ter de corrigir o problema antes de começar novamente a preparação da logística de montagem da sonda a bordo e espera-se que o clima da Florida esteja nas melhores condições para se fazer um lançamento a 30 de Julho. Caso se passe janela temporal de 11 de Agosto, Terra e Marte só estarão nas condições ideais para um novo lançamento em 2022, pelo que falhar nas próximas semanas representa um custo de milhões de dólares, além do impacto científico e dos atrasos que poderá provocar numa possível expedição tripulada a Marte.

Exame Informática
03.07.2020 às 09h39

 

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3946: Simulação da NASA revela como seria o pôr-do-sol noutros planetas


Dado que não foi disponibilizado o URL do vídeo, teve de recorrer-se a uma captura de écran.

Durante um pôr-do-sol, será que o céu é mais avermelhado em Marte e apresenta tonalidades diferentes em Júpiter? Um grupo de cientistas da NASA criou várias simulações para ver como seria este evento em diferentes planetas do nosso Sistema Solar.

O pôr-do-sol é o resultado da interacção da luz projectada pela nossa estrela, incluindo todas as cores do arco-íris, com os gases e a poeira da atmosfera. Por esse motivo, quanto menor for a atmosfera do planeta em questão, menos impressionante será o evento.

O grupo de cientistas, liderado pelo argentino Gerónimo Villanueva, astrónomo do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, criou simulações do pôr-do-sol em Vénus, Marte, Úrano, Titã (uma das luas de Saturno) e no exoplaneta TRAPPIST-1e.

O projecto integra os preparativos para uma possível missão de pesquisa em Úrano. O planeta gasoso possui muitos mistérios e qualquer leitura da sua atmosfera precisaria de avaliar os níveis de luz que chegam aos sensores da nave espacial. Com os dados da simulação, a sonda poderia avaliar a composição da atmosfera do planeta à medida que absorve a luz, analisando que comprimentos de onda se dispersam e por que motivo.

Segundo o New Atlas, os novos modelos fazem parte do gerador de espectro planetário, construído por Villanueva e pelos seus colegas, e são utilizados para interpretar a luz que chega aos telescópios e descodificá-la para tentar compreender a atmosfera de outros mundos.

Em Vénus, o amarelo brilhante torna-se laranja, castanho e, por fim, preto, à medida que o Sol desaparece. Devido à rotação muito lenta do planeta sobre o seu eixo, seria preciso esperar cerca de 116 vezes o tempo que esperamos na Terra para ver um pôr-do-sol neste planeta.

Já em Marte, o pôr-do-sol é digno de uma tela de cinema: a mistura das cores amarelo e castanho pinta o céu quando o Sol desaparece por trás do horizonte.

A sonda Curiosity já revelou imagens que mostram como são as tardes no Planeta Vermelho: os dias podem terminar com um tom azulado, uma vez que que a poeira dispersa os comprimentos de onda vermelhos, revelando os comprimentos de onda azuis.

Um pôr-do-sol em Úrano começa com um azul forte que desbota para um turquesa, que surge da interacção da luz solar com a atmosfera do planeta.

Quando a luz solar atinge a atmosfera, hidrogénio, hélio e metano absorvem a porção vermelha da luz, que tem o maior comprimento de onda. As luzes azul e verde, com comprimentos de onda mais curtos, dispersam à medida que os fotões refletem as moléculas de gás e outras partículas na atmosfera.

Em Titã, a maior lua de Saturno e uma das maiores do Sistema Solar, o pôr-do-sol é menos entusiasmante devido à névoa muito espessa que cobre a lua.

Já no exoplaneta TRAPPIST-1e – que orbita em torno da estrela anã TRAPPIST-1, na constelação Aquário, a 40 anos-luz da Terra – o pôr-do-sol começa com tons amarelados, que evoluem para tons mais fortes e brilhantes, terminando com um final laranja e acastanhado.

ZAP //

Por ZAP
3 Julho, 2020

 

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3945: TESS da NASA fornece novas ideias sobre um mundo ultra-quente

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Esta ilustração mostra como o planeta KELT-9b vê a sua estrela hospedeira. Ao longo de uma única órbita, o planeta sofre por duas vezes períodos de aquecimento e arrefecimento provocados pelo padrão invulgar de temperaturas superficiais. Entre os pólos quentes da estrela e o equador mais frio, as temperaturas variam mais ou menos 800º. Isto produz um “verão” quando o planeta passa pelos pólos e um “inverno” quando o planeta passa pelo equador mais frio. Assim, a cada 36 horas, KELT-9b tem dois Verões e dois Invernos.
Crédito: Centro de Voo Espacial Goddard da NASA/Chris Smith (USRA)

Medições do TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA permitiram aos astrónomos melhorar bastante a sua compreensão do ambiente bizarro de KELT-9b, um dos planetas mais quentes conhecidos.

“O factor de estranheza de KELT-9b é alto,” disse John Ahlers, astrónomo da USRA (Universities Space Research Association) em Columbia, no estado norte-americano de Maryland, e do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA em Greenbelt, no mesmo estado dos EUA. “É um planeta gigante numa órbita muito íntima, quase polar, em torno de uma estrela que gira rapidamente, e estas características complicam a nossa capacidade de entender a estrela e os seus efeitos no planeta.”

As novas descobertas aparecem num artigo liderado por Ahlers publicado dia 5 de Junho na revista The Astronomical Journal.

Localizado a cerca de 670 anos-luz de distância na direcção da constelação de Sagitário, KELT-9b foi descoberto em 2017 porque o planeta passou em frente da sua estrela durante uma parte da sua órbita, um evento chamado trânsito. Os trânsitos diminuem regularmente a luz da estrela por uma quantidade minúscula, mas detectável. Os trânsitos de KELT-9b foram observados pela primeira vez pelo levantamento de trânsitos KELT, um projecto que recolheu observações com dois telescópios robóticos localizados no estado norte-americano do Arizona e na África do Sul.

Entre 18 de Julho e 11 de Setembro de 2019, como parte da campanha de um ano da missão para observar o céu do norte, o TESS observou 27 trânsitos de KELT-9b, obtendo medições a cada dois minutos. Estas observações permitiram que a equipa modelasse a estrela invulgar e o seu impacto no planeta.

KELT-9b é um mundo gigante de gás cerca de 1,8 vezes maior que Júpiter, com 2,9 vezes a sua massa. As forças das marés bloquearam a sua rotação, de modo que o mesmo lado está sempre virado para a sua estrela. O planeta gira em torno da sua estrela em apenas 36 horas numa órbita que o transporta quase directamente acima de ambos os pólos da estrela.

KELT-9b recebe 44.000 vezes mais energia da sua estrela do que a Terra do Sol. Isto eleva a temperatura diurna do planeta a cerca de 4300º C, mais quente do que as superfícies de algumas estrelas. Este aquecimento intenso também faz com que a atmosfera do planeta escape para o espaço.

A sua estrela hospedeira também é estranha. Tem aproximadamente o dobro do tamanho do Sol e é, em média, 56% mais quente. Mas gira 38 vezes mais depressa do que o Sol, completando uma rotação em apenas 16 horas. A sua rápida rotação distorce a forma da estrela, achatando-a nos pólos e ampliando a sua secção central. Isto faz com que os pólos da estrela aqueçam e brilhem enquanto a sua região equatorial esfria e escurece – um fenómeno chamado escurecimento gravitacional. O resultado é uma diferença de temperatura à superfície da estrela de quase 800º C.

A cada órbita, KELT-9b sofre por duas vezes toda a gama de temperaturas estelares, produzindo o que equivale a uma sequência sazonal muito peculiar. O planeta passa a “verão” quando orbita sobre cada pólo e a “inverno” quando passa sobre a parte central e mais fria da estrela. Assim, KELT-9b tem dois Verões e dois Invernos por ano, cada estação durando aproximadamente nove horas.

“É realmente intrigante pensar como o gradiente de temperatura da estrela afeta o planeta,” disse Knicole Colón, co-autora do artigo científico, também de Goddard. “Os vários níveis energéticos que recebe da sua estrela provavelmente produzem uma atmosfera extremamente dinâmica.”

A órbita polar de KELT-9b, em torno da sua estrela achatada, produz trânsitos distintamente desequilibrados. O planeta começa o seu trânsito perto dos pólos brilhantes da estrela e depois bloqueia cada vez menos luz à medida que passa sobre o equador mais escuro da estrela. Esta assimetria fornece pistas sobre as mudanças de temperatura e brilho na superfície da estrela e permitiram que a equipa reconstruisse a sua forma não redonda, a sua orientação no espaço, a sua gama de temperaturas de superfície e outros factores que afetam o planeta.

“Dos sistemas planetários que estudámos através do escurecimento gravitacional, os efeitos em KELT-9b são de longe os mais espectaculares,” disse Jason Barnes, professor de física na Universidade de Idaho e co-autor do artigo. “Este trabalho ajuda a unificar o escurecimento gravitacional com outras técnicas que medem o alinhamento planetário e, em última análise, esperamos que revelem segredos sobre a formação e sobre a história evolutiva dos planetas em torno de estrelas de massa elevada.”

Astronomia On-line
3 de Julho de 2020

 

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3944: Primeiro núcleo exoplanetário exposto permite vislumbrar outros mundos

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Impressão de artista que mostra um planeta do tamanho de Neptuno no chamado “Deserto de Neptuno”. É extremamente raro encontrar um objecto deste tamanho e densidade tão perto da sua estrela.
Crédito: Universidade de Warwick/Mark Garlick

Astrónomos da Universidade de Warwick descobriram o núcleo sobrevivente de um gigante gasoso em órbita de uma estrela distante, oferecendo uma visão sem precedentes do interior de um planeta. O núcleo, que é do mesmo tamanho que Neptuno no nosso Sistema Solar, pensa-se que seja um gigante gasoso ou despojado da sua atmosfera de gás ou que não conseguiu formar uma atmosfera na sua juventude.

A equipa do Departamento de Física da Universidade de Warwick relata a descoberta num artigo publicado anteontem na revista Nature, e pensa-se ser a primeira vez que foi observado o núcleo exposto de um planeta. E fornece a oportunidade única de espiar o interior de um planeta e aprender mais sobre a sua composição.

Localizado em torno de uma estrela muito parecida com a nossa, a aproximadamente 730 anos-luz de distância, o núcleo exoplanetário, chamado TOI-849b, orbita tão perto da sua estrela hospedeira que o seu ano equivale a 18 horas terrestres. E a temperatura à superfície ronda os 1800K.

TOI-849b foi descoberto num levantamento de estrelas pelo TESS (Transiting Exoplanet Survey Satellite) da NASA, usando o método de trânsito: observando estrelas em busca da reveladora queda de brilho que indica que um planeta passou à sua frente. Estava localizado no “deserto de Neptuno” – um termo usado pelos astrónomos para uma região próxima das estrelas onde raramente vemos planetas com a massa de Neptuno ou maior.

O sinal de trânsito foi confirmado e refinado usando observações com dez telescópios do NGTS (Next-Generation Transit Survey), liderado pela Universidade de Warwick, baseado no Observatório Paranal do ESO no Chile. Os telescópios NGTS foram construídos especificamente para detectar as diminuições muito ténues de brilho estelar devido a trânsitos exoplanetários: neste caso uma diminuição de brilho de apenas um-décimo de um por cento.

O objecto foi então analisado com o instrumento HARPS, num programa liderado pela Universidade de Warwick, no Observatório La Silla do ESO no Chile. O HARPS utiliza o efeito Doppler para medir a massa dos exoplanetas, medindo a sua “oscilação” – pequenos movimentos na nossa direcção e para longe de nós que se registam como pequenas mudanças no espectro de luz da estrela.

A equipa determinou que a massa do objecto é 2-3 vezes maior que Neptuno, mas também é incrivelmente denso, com todo o material que compõe essa massa compactado num objecto do mesmo tamanho.

O Dr. David Armstrong, autor principal do estudo e do Departamento de Física da Universidade de Warwick, disse: “Embora este seja um planeta extraordinariamente massivo, está muito longe de ser o mais massivo que conhecemos. Mas é o mais massivo que conhecemos para o seu tamanho e extremamente denso para algo do tamanho de Neptuno, o que nos diz que este planeta tem uma história muito invulgar. O facto de estar num local estranho para a sua massa também ajuda – não vemos planetas com esta massa e com estes períodos orbitais curtos.

“TOI-849b é o planeta terrestre mais massivo – que tem uma densidade parecida à da Terra – já descoberto. Esperaríamos que um planeta tão grande tivesse acumulado grandes quantidades de hidrogénio e hélio quando se formou, crescendo para algo semelhante a Júpiter. O facto de não vermos estes gases permite-nos saber que este é um núcleo planetário exposto. “É a primeira vez que descobrimos um núcleo exposto intacto de um gigante gasoso em torno de uma estrela.”

Existem duas teorias para o motivo pelo qual estamos a ver o núcleo do planeta, em vez de um típico gigante gasoso. A primeira diz que já foi semelhante a Júpiter, mas que perdeu todo o seu gás através de uma variedade de métodos. Isto pode incluir perturbações de marés, onde o planeta é despojado devido a orbitar demasiado perto da sua estrela, ou até mesmo devido a uma colisão com outro planeta. A foto-evaporação da atmosfera a larga escala também pode desempenhar um papel, mas não pode ser responsável por todo o gás perdido.

Como alternativa, poderá ser um gigante gasoso “falhado”. Os cientistas pensam que uma vez formado o núcleo do gigante gasoso, que aconteceu algo errado e nunca conseguiu formar uma atmosfera. Isto pode ter ocorrido devido a uma divisão no disco de poeira a partir do qual o planeta se formou, ou caso se tenha formado mais tarde, que o disco ficou sem material. O Dr. Armstrong acrescenta: “De uma forma ou de outra, ou TOI-849b costumava ser um gigante de gás ou é um gigante gasoso ‘falhado’.

“É a primeira vez que vemos algo do género, o que nos diz que planetas com este existem e que mais podem ser encontrados. Temos a oportunidade de olhar para o núcleo de um planeta de uma maneira que não podemos fazer no nosso próprio Sistema Solar. Por exemplo, ainda existem questões em aberto sobre a natureza do núcleo de Júpiter, de modo que exoplanetas tão estranhos e invulgares como este dão-nos uma janela para a formação planetária que não temos outra maneira de explorar.

“Embora ainda não tenhamos informações sobre a sua composição química, podemos fazer observações de acompanhamento com outros telescópios. Dado que TOI 849 b está tão perto da estrela, qualquer atmosfera restante em torno do planeta precisa de ser constantemente reabastecida do núcleo. Portanto, se pudermos medir essa atmosfera, podemos ter uma ideia da composição do próprio núcleo.”

Astronomia On-line
3 de Julho de 2020

 

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