3779: Revelada a última refeição de um dinossauro com 110 milhões de anos

CIÊNCIA

O fóssil de um nodossauro foi encontrado há sete anos no Canadá e estava tão bem conservado que permitiu estudar a dieta deste herbívoro

Ilustração de um nodossauro com 11 milhões de anos

Um dinossauro, com impressionante blindagem de placas nas costas que formavam uma couraça protectora, acabou por ficar ‘mumificado’ há cerca de 110 milhões de anos, depois de desfrutar de uma última refeição antes de morrer. E agora sabemos o que este herbívoro, conhecido como nodossauro, comeu na sua última refeição, depois de serem publicados os resultados de um trabalho científico sobre a dieta do dinossauro.

Estômagos de dinossauros e provas das suas dietas raramente são preservados. Ocasionalmente, sementes e galhos são encontrados nas entranhas dos restos de dinossauros, mas nunca há provas conclusivas sobre as plantas reais. Neste caso, terá morrido junto a um mar, onde caiu, e ficou coberto de lama que envolveu e preservou o dinossauro tão bem que até o conteúdo estomacal permanece para mostrar que era exigente na comida. Gostava sobretudo de fetos e também comia alguns galhos.

Os pormenores da sua dieta baseada em plantas foram publicados terça-feira na revista Royal Society Open Science . “Os fragmentos de folhas e outros fósseis de plantas foram preservados até à célula”, disse David Greenwood, co-autor do estudo, biólogo da Universidade de Brandon e professor adjunto da Universidade de Saskatchewan, no Canadá.

O nodossauro, conhecido como Borealopelta markmitchelli, foi encontrado em 2011 durante operações de mineração ao norte de Fort McMurray, em Alberta, Canadá.

Após a morte, os restos do dinossauro acabaram no que era um mar antigo, ficando de costas no fundo lamacento e permanecendo intacto até há nove anos.

Está em exibição no Museu Real de Paleontologia Tyrrell em Alberta desde 2017. O fóssil foi revelado depois do técnico do museu Mark Mitchell dedicar seis anos a retirar meticulosamente a pele e os ossos preservados do dinossauro da rocha marinha em que estava.

Fóssil estava bem conservado e permitiu o estudo

Este dinossauro – um tipo de anquilossauro – pesava mais de uma tonelada. Mas vivia de plantas e preferia as samambaias [fetos], com base no conteúdo do estômago. O pedaço que foi encontrado no seu estômago é do tamanho de uma bola de futebol.

“A descoberta do conteúdo real do estômago preservado de um dinossauro é extraordinariamente rara, e este que foi recuperado do nodossauro é de longe o estômago de dinossauro mais bem preservado encontrado até hoje”, disse Jim Basinger, co-autor do estudo e Geólogo da Universidade de Saskatchewan, em comunicado.

Esta descoberta permite saber o que um grande dinossauro herbívoro comia – neste caso, muitas folhas de samambaia mastigadas, algumas hastes e galhos. Os pormenores das plantas estavam tão bem preservados no estômago que podiam ser comparados com amostras colhidas em plantas modernas.

Também foi encontrado carvão, o que significa que deve ter andado numa zona em que terá ocorrido um incêndio. “As nossas descobertas também são notáveis ​​pelo que nos podem dizer sobre a interacção do animal com o seu ambiente, pormenores que geralmente não obtemos apenas do esqueleto de dinossauro”, afirmou Caleb Marshall Brown, co-autor do trabalho.

Diário de Notícias
DN
03 Junho 2020 — 16:35

 

spacenews

 

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