3617: Cientistas resolvem o mistério da estranha rotação da atmosfera de Vénus

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(CC0) GooKingSword / Pixabay

Uma nova investigação levada a cabo por cientistas japoneses dá resposta ao mistério da estranha rotação da atmosfera de Vénus que gira muito mais rápido – cerca de 60 vezes – do que a superfície do planeta.

A superfície do segundo planeta do Sistema Solar, cujo tamanho e gravidade são semelhantes às da Terra, é difícil de explorar uma vez que os seus céus são completamente coberto por nuvens espessas de ácido sulfúrico.

A dificultar também esta situação está o clima tórrido do planeta, cujas temperaturas ronda os 460 graus Celsius, tal como recorda da Russia Today.

A superfície de Vénus demora 243 dias terrestres para completar um rotação em torno do seu eixo, ao passo que a sua atmosfera gira quase 60 vezes mais rápido do que a superfície, completando uma volta em torno do planeta a cada quatro dias.

Este fenómeno, que há há algum tempo intriga os cientistas, é conhecido como a super rotação atmosférica, sendo também observado na maior lua de Saturno, a exótica Titã.

Visando resolver este problema, a equipa de cientistas japoneses analisou imagens ultravioleta e dados infravermelho térmicos da sonda Akatsuki, que desde Dezembro de 2015 orbita Vénus. Com estes dados, os especialistas foram capazes de rastrear o movimento das nuvens do planeta, conseguindo também mapear os ventos deste mundo e perceber como é que o calor circula na atmosfera.

Estudos anteriores sugeriram que, para gerar este tipo de rotação, a atmosfera de Vénus deve ter momento angular (momentum angular ou quantidade de movimento angular) suficiente, isto é, a quantidade de momento que um determinado corpo tem graças à sua rotação, para superar o atrito com a superfície do planeta.

Agora, no novo estudo, cujos resultados foram recentemente publicados na revista científica Science, os cientistas detalha que a atmosfera de Vénus recebe o seu momento angular através das marés térmicas, que são variações na pressão atmosférica impulsionada pelo aquecimento solar próximo ao equador do planeta.

“Sugere-se que as marés térmicas podem estar a contribuir para a aceleração por detrás da super-rotação [de Vénus], mas acho que a principal suposição [para resolver o problema] era diferente. Por isso, foi uma surpresa“, disse o autor principal do estudo, Takeshi Horinouchi, cientista planetário da Universidade Hokkaido em Sapporo, no Japão, em declarações ao portal Space.com.

Vénus pode esconder um oceano subterrâneo de magma

Vénus pode esconder um mar de magma sob a superfície que poderia ajudar os cientistas a entender o passado profundo…

ZAP //

Por ZAP
29 Abril, 2020

 

spacenews

 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.