3601: Um planeta de metal derretido pode ser a chave para encontrar a próxima Terra

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

(dr) Sam Cabot
Planeta MASCARA-2 b

Um planeta de metal derretido, semelhante a Júpiter, não parece ser o paraíso. No entanto, os cientistas estão muito entusiasmados com o planeta MASCARA-2 b, uma vez que as suas características são aquilo a que chamam de laboratório perfeito.

Um espectrómetro construído na Universidade de Yale e instalado no Observatório Lovell está a oferecer aos astrónomos uma visão detalhada da atmosfera de MASCARA-2 b, um planeta distante tão quente que o ar contém metais vaporizados na sua composição.

De acordo com o Business Insider, se os astrónomos conseguiram encontrar uma forma de estudar um Júpiter quente tão distante do planeta Terra, podem estar muito perto de encontrar (e estudar) um planeta no Universo capaz de albergar vida.

O planeta em causa fica a cerca de 4.300 triliões de quilómetros da Terra e é um gigante de gás muito semelhante a Júpiter. No entanto, a sua órbita é 100 vezes mais próxima da sua estrela do que a órbita de Júpiter em relação ao Sol.

A atmosfera de MASCARA-2 b atinge temperaturas acima dos 1.726 graus Celsius, o que o coloca no final de uma classe de planetas conhecida como Júpiteres quentes. Este tipo de corpo celeste chama a atenção dos cientistas porque a sua existência era desconhecida há 25 anos e podem oferecer informações interessantes sobre a formação dos sistemas planetários.

“Os Júpiteres quentes fornecem os melhores laboratórios para desenvolver técnicas de análise que um dia serão usadas para procurar assinaturas biológicas em mundos potencialmente habitáveis”, explicou a astrónoma Debra Fischer, co-autora do artigo científico publicado na Astronomy and Astrophysics.

À medida que o MASCARA-2 b cruza a linha de visão directa entre a sua estrela hospedeira e a Terra, elementos na atmosfera do planeta absorvem a luz das estrelas em comprimentos de onda específicos, deixando uma impressão digital química. O espectrómetro EXPRES recolhe essas impressões digitais que são pistas valiosas para os astrónomos.

Através deste instrumento, a equipa encontrou ferro gasoso, magnésio e cromo na atmosfera do planeta. O principal autor do estudo, Jens Hoeijmakers, disse ainda que o EXPRES encontrou evidências de uma assinatura química diferente nos lados “manhã” e “noite” do MASCARA-2 b.

“Estas detecções químicas podem não apenas dar-nos pistas sobre a composição elementar da atmosfera, como também sobre a eficiência dos padrões de circulação atmosférica”, disse Hoeijmakers, citado pelo EuropaPress.

ZAP //

Por ZAP
27 Abril, 2020

 

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