3481: Lembra-se do SETI@Home? Projecto entra em pausa e não encontrou vida extraterrestre

CIÊNCIA/INTERNET

Há projectos que se mantêm na Internet ao longo de décadas e que todos abraçam de forma desinteressada e com o intuito de ajudar. O SETI@Home foi um desses casos, que durante 21 anos esteve activo e a pesquisar activamente por vida extraterrestre.

Este projecto chega agora ao fim, de forma abrupta e sem uma grande justificação. O longo destes anos de avaliação de dados, poucos foram os resultados práticos conhecidos, mesmo com toda a ajuda dos utilizadores. O SETI@Home entra em pausa e infelizmente não encontrou vida extraterrestre.

Projecto para encontrar vida extraterrestre

Os leitores mais antigos do Pplware lembram-se de certeza do projecto SETI@Home. Este destinava-se principalmente a fazer a computação de dados de forma distribuída, usando os computadores e o poder computacional oferecido pelos muitos utilizadores.

Estes dados eram recolhidos de forma central, sendo sons rádio obtidos do espaço. Depois, e em pequenos blocos de informação, eram posteriormente enviados para os computadores remotos para serem analisados, processados e avaliados.

UC Berkeley SETI

@BerkeleySETI

Thanks to the many volunteers who have helped crunch data for SETI@home in the last two decades. On March 31, the project will stop sending out new work to users, but this is not the end of public engagement in SETI research.

 

O fim do SETI@Home

Pois o SETI@Home prepara-se para ser colocado em pausa, sem data ou certeza de retorno. Será já no dia 31 de Março que esta informação deixará de ser enviada para os voluntários, terminando assim todo o processo de avaliação dos dados.

Segundo os mentores do projecto, as razões para o fim deste projecto são duas. A primeira está no facto deste ter atingido um ponto de retornos cada vez menores, uma vez que avaliou todos os dados necessários por agora. A segunda é mais simples e centra-se na necessidade de avaliar os dados que foram retornados pelos utilizadores.

Uma pausa para avaliação

Ao ser colocado em pausa, o projecto não desaparecerá. Tanto o site como os seus fóruns vão ser mantidos activos e em funcionamento. Vai ainda ser procurado outro projecto onde esta rede de computação possa ser usada.

Este foi um dos maiores projectos já lançados na Internet. Tem cerca de 1,8 milhões de utilizadores e 148 mil máquinas que correm o seu software. É um dos maiores projectos assentes na infra-estrutura BOINC (Berkeley Open Infrastructure for Network Computing), tendo feito a mudança em 2014, o que não agradou sobretudo aos utilizadores.

pplware
04 Mar 2020

Fui um dos pioneiros deste projecto e do Projecto Einstein.

 

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3480: Terra com 1,5 mil milhões de anos só tinha água, não existia nenhum continente

CIÊNCIA

Com a evolução das tecnologias, alguns dados que foram concluídos no passado podem ser actualizados e totalmente reescritos. Segundo um estudo agora apresentado, sugere que a Terra, há 3,24 mil milhões de anos, era um planeta coberto por água, era um vasto oceano e não tinha nenhum continente.

Análises mais recentes confirmam que os químicos nas rochas insinuam um mundo sem continentes.

Como seria a Terra com 1,5 mil milhões de anos?

Um estudo levado a cabo por investigadores de ciências geológicas da Universidade do Colorado, refere que há fortes suspeitas de uma ausência de continentes quando a Terra tinha 1,5 mil milhões de anos. Segundo os dados apresentados, os continentes apareceram mais tarde, quando a actividade tectónica das placas empurrou enormes massas de terra rochosas para cima e fez romper as superfícies do mar.

As provas que encontraram, são pistas que referem uma Terra primitiva onde todo o planeta era aquático. Uma dessas peças estudadas foi um pedaço preservado de um antigo fundo marinho, agora localizado na região interior do noroeste da Austrália.

Há cerca de 4,5 mil milhões de anos, colisões de alta velocidade entre poeira e rochas espaciais formaram o começo do nosso planeta. O nosso planeta era uma esfera de magma borbulhante e derretida que tinha milhares de quilómetros de profundidade. A Terra arrefeceu enquanto girava; eventualmente, após 1000 a 1 milhão de anos, o magma arrefecido formou os primeiros cristais minerais na crosta terrestre.

Este basalto revestia o fundo do mar há cerca de 3,2 mil milhões de anos. (Crédito da imagem: Benjamin Johnson)

E como chegou a água ao nosso planeta?

A primeira água da Terra pode ter sido carregada para cá por cometas ricos em gelo vindos de fora do nosso sistema solar. Outra explicação plausível refere que esta água pode ter chegado em pó a partir da nuvem de partículas que deu origem ao sol e os seus planetas em órbita, por volta da época da formação da Terra.

Quando a Terra era um oceano de magma quente, o vapor de água e os gases escapavam para a atmosfera.

Em seguida, choveu para fora da atmosfera quando as condições ficaram frias o suficiente.

Reforçou o autor principal do estudo, Benjamin Johnson, professor assistente do Departamento de Ciências Geológicas e Atmosféricas da Universidade Estadual de Iowa.

Não podemos realmente dizer qual foi a fonte da água a partir do nosso trabalho, mas sugerimos que qualquer que seja a fonte, ela estava presente quando o oceano de magma ainda estava por perto.

Explicou Johnson ao Live Science.

Estudo centrou-se num local geológico chamado Panorama

No novo estudo, Johnson e o co-autor Boswell Wing, professor associado de ciências geológicas da Universidade do Colorado Boulder, voltaram-se para a paisagem única do Panorama no território interior australiano. Segundo o investigador, o seu cenário rochoso preserva um sistema hidrotérmico de 3,24 mil milhões de anos, e regista toda a crosta oceânica desde a superfície até o motor térmico que impulsionava a circulação.

Então, os isótopos de oxigénio, as diferenças encontradas, podem ajudar os cientistas a descodificar as mudanças na temperatura do antigo oceano e no clima global.

Isótopo natural estável de oxigénio pode explicar muita coisa

No entanto, os cientistas descobriram algo inesperado através da sua análise de mais de 100 amostras de sedimentos. Nesse sentido, foi descoberto que há 3,2 mil milhões de anos, os oceanos continham mais oxigénio-18 do que oxigénio-16 (este último é mais comum no oceano moderno).

Assim, os seus modelos de computador mostraram que, em escala global, as massas terrestres continentais removiam o oxigénio-18 dos oceanos. Na ausência de continentes, os oceanos transportariam mais oxigénio-18. Como resultado, o estudo descobriu, avaliando as indicações dos dois isótopos de oxigénio, que, na altura, não havia continentes.

Este valor é diferente do oceano moderno de uma forma que pode ser explicada mais facilmente pela falta de crosta continental emergente

Referiu Johnson.

A perspectiva de um antigo mundo aquático Terra também oferece uma nova perspectiva sobre outra questão intrigante: onde é que as primeiras formas de vida do planeta apareceram e como é que elas evoluíram? Foram questões também deixadas no estudo.

Há dois grandes campos para a origem da vida: fontes hidrotermais e lagoas em terra. Se o nosso trabalho é preciso, significa que o número de ambientes em terra para a vida emergir e evoluir foi realmente pequeno ou ausente até algum tempo depois de 3,2 mil milhões de anos.

Concluiu Johnson.

As descobertas foram publicadas online a 2 de Março na revista Nature Geoscience.

pplware
04 Mar 2020

 

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3479: Telescópio do ESO observa superfície de Betelgeuse a diminuir de brilho

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Com o auxílio do Very Large Telescope do ESO (VLT), os astrónomos capturaram a diminuição de brilho de Betelgeuse, uma estrela super-gigante vermelha localizada na constelação de Orion. As novas imagens da superfície da estrela mostram não apenas a super-gigante vermelha a desvanecer em brilho mas também a variação da sua forma aparente.

Betelgeuse tem sido um farol no céu nocturno para os observadores estelares, no entanto durante o último ano temos assistido a uma diminuição do seu brilho. Nesta altura Betelgeuse apresenta cerca de 36% do seu brilho normal, uma variação considerável, visível até a olho nu. Tanto os entusiastas da astronomia como os cientistas pretendiam descobrir o porquê desta diminuição de brilho sem precedentes.

Uma equipa liderada por Miguel Montargès, astrónomo na KU Leuven, Bélgica, tem estado desde Dezembro a observar a estrela com o Very Large Telescope do ESO, com o objectivo de compreender por que é que esta se está a tornar mais ténue. Entre as primeiras observações da campanha encontra-se uma imagem da superfície de Betelgeuse, obtida no final do ano passado com o instrumento SPHERE.

A equipa tinha também observado a estrela com o SPHERE em Janeiro de 2019, antes da diminuição do seu brilho, dando-nos assim uma imagem do antes e do depois de Betelgeuse. Obtidas no óptico, as imagens destacam as mudanças que ocorreram na estrela, tanto em brilho como em forma aparente.

Muitos entusiastas da astronomia perguntam-se se esta diminuição de brilho da Betelgeuse significará que a estrela está prestes a explodir. Tal como todas as super-gigantes, um dia Betelgeuse transformar-se-á numa super-nova, no entanto os astrónomos não pensam que seja isso que está a acontecer actualmente, tendo formulado outras hipóteses para explicar o que está exactamente a causar as variações em forma e brilho observadas nas imagens SPHERE. “Os dois cenários em que estamos a trabalhar são um arrefecimento da superfície devido a actividade estelar excepcional ou ejecção de poeiras na nossa direcção,” explica Montargès [1]. “Claro que o nosso conhecimento de super-gigantes vermelhas é ainda incompleto e este é um trabalho em curso, por isso podemos ainda ter alguma surpresa.”

Montargès e a sua equipa usaram o VLT instalado no Cerro Paranal, no Chile, para estudar a estrela, a qual se encontra a mais de 700 anos-luz de distância da Terra, e tentar encontrar pistas que apontem para o porquê da diminuição do seu brilho. “O Observatório do Paranal do ESO é uma das poucas infra-estruturas capazes de obter imagens da superfície de Betelgeuse,” diz Montargès. Os instrumentos montados no VLT permitem efectuar observações  desde o visível ao infravermelho médio, o que significa que os astrónomos podem observar tanto a superfície da estrela como o material que a circunda. “Esta é a única maneira de compreendermos o que está a acontecer a esta estrela.”

Outra imagem nova, obtida com o instrumento VISIR montado no VLT, mostra a radiação infravermelha emitida pela poeira que circundava a Betelgeuse em Dezembro de 2019. Estas observações foram realizadas por uma equipa liderada por Pierre Kervella do Observatório de Paris, França, que explicou que o comprimento de onda capturada nesta imagem é semelhante ao detectado por câmaras que detectam calor. As nuvens de poeira, que se assemelham a chamas na imagem VISIR, formam-se quando a estrela lança a sua matéria para o espaço.

“A frase ‘somos todos feitos de poeira estelar’ é algo que ouvimos muito na astronomia popular, mas donde é que vem exactamente esta poeira?” pergunta Emily Cannon, estudante de doutoramento na KU Leuven, que trabalha com imagens SPHERE de super-gigantes vermelhas. “Ao longo das suas vidas, as super-gigantes vermelhas como a Betelgeuse criam e ejectam enormes quantidades de material ainda antes de explodirem sob a forma de super-novas. A tecnologia moderna permite-nos estudar estes objectos, situados a centenas de anos-luz de distância de nós, com um detalhe sem precedentes, dando-nos a oportunidade de desvendar o mistério que dá origem a esta perda de massa.”

Notas

[1] A superfície irregular de Betelgeuse é composta por células convectivas gigantes que se movem, diminuem e aumentam. A estrela apresenta também pulsações, tal como o bater de um coração, variando em brilho periodicamente. Referimo-nos a estas variações de convecção e pulsação em Betelgeuse como actividade estelar.

Informações adicionais

A equipa é composta por Miguel Montargès (Instituto de Astronomia, KU Leuven, Bélgica), Emily Cannon (Instituto de Astronomia, KU Leuven, Bélgica), Pierre Kervella (LESIA, Observatoire de Paris – PSL, França), Eric Lagadec (Laboratoire Lagrange, Observatoire de la Côte d’Azur, França), Faustine Cantalloube (Max-Planck-Institut für Astronomie, Heidelberg, Alemanha), Joel Sánchez Bermúdez (Instituto de Astronomía, Universidad Nacional Autónoma de México, Cidade do México, México e Max-Planck-Institut für Astronomie, Heidelberg, Alemanha), Andrea Dupree (Center for Astrophysics | Harvard & Smithsonian, EUA), Elsa Huby (LESIA, Observatoire de Paris – PSL, França), Ryan Norris (Georgia State University, EUA), Benjamin Tessore (IPAG, França), Andrea Chiavassa (Laboratoire Lagrange, Observatoire de la Côte d’Azur, França), Claudia Paladini (ESO, Chile), Agnès Lèbre (Université de Montpellier, França), Leen Decin (Instituto de Astronomia, KU Leuven, Bélgica), Markus Wittkowski (ESO, Alemanha), Gioia Rau (NASA/GSFC, EUA), Arturo López Ariste (IRAP, França), Stephen Ridgway (NSF’s National Optical-Infrared Astronomy Research Laboratory, EUA), Guy Perrin (LESIA, Observatoire de Paris – PSL, França), Alex de Koter (Instituto Astronómico Anton Pannekoek, Universidade de Amesterdão, Holanda & Instituto de Astronomia, KU Leuven, Bélgica), Xavier Haubois (ESO, Chile).

A imagem VISIR foi obtida no âmbito das observações de demonstração científica NEAR (Near Earths in the AlphaCen Region), o qual é um melhoramento do VISIR e foi implementado como uma experiência com tempo limitado.

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO tem 16 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, para além do país de acolhimento, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico. O ESO destaca-se por levar a cabo um programa de trabalhos ambicioso, focado na concepção, construção e operação de observatórios astronómicos terrestres de ponta, que possibilitam aos astrónomos importantes descobertas científicas. O ESO também tem um papel importante na promoção e organização de cooperação na investigação astronómica. O ESO mantém em funcionamento três observatórios de ponta no Chile: La Silla, Paranal e Chajnantor. No Paranal, o ESO opera  o Very Large Telescope e o Interferómetro do Very Large Telescope, o observatório astronómico óptico mais avançado do mundo, para além de dois telescópios de rastreio: o VISTA, que trabalha no infravermelho, e o VLT Survey Telescope, concebido exclusivamente para mapear os céus no visível. O ESO é também um parceiro principal em duas infra-estruturas situadas no Chajnantor, o APEX e o ALMA, o maior projecto astronómico que existe actualmente. E no Cerro Armazones, próximo do Paranal, o ESO está a construir o Extremely Large Telescope (ELT) de 39 metros, que será “o maior olho do mundo virado para o céu”.

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Margarida Serote
Representante da Rede de Divulgação Científica do ESO em Portugal
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Telm.: 964951692
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FWO [PEGASUS]² Marie Skłodowska-Curie Fellow / Institute of Astronomy, KU Leuven
Leuven, Belgium
Tel.: +32 16 32 74 67
Email: miguel.montarges@kuleuven.be

Emily Cannon
Institute of Astronomy, KU Leuven
Leuven, Belgium
Tel.: +32 16 32 88 92
Email: emily.cannon@kuleuven.be

Pierre Kervella
LESIA, Observatoire de Paris – PSL
Paris, France
Tel.: +33 0145077966
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Este texto é a tradução da Nota de Imprensa do ESO eso2003, cortesia do ESON, uma rede de pessoas nos Países Membros do ESO, que servem como pontos de contacto local com os meios de comunicação social, em ligação com os desenvolvimentos do ESO. A representante do nodo português é Margarida Serote.

 

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3478: Northolt Branch Observatories

The NEOCP object, C11ZDU1, that we observed recently has now been designated 2020 EA. It is an Amor-type asteroid with a diameter of 35-80 metres.

2020 EA was first observed at Catalina Sky Survey on March 2nd. It makes a close approach on the 6th of March, at a distance of 0.0461au (6.9 million km) from Earth.

We observed it when it was visible at mag +19.3
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20E10.html

O objecto NEOCP, C11ZDU1, que observamos recentemente foi agora designado 2020 EA. Possui um asteróide do tipo Amor com um diâmetro de 35-80 metros.

2020 EA foi observada pela primeira vez no Catalina Sky Survey em 2 de Março. Faz uma aproximação estreita no dia 6 de Março, a uma distância de 0.0461 au (6.9 milhões de km) da Terra.

Vimo-lo quando era visível na Mag + 19.3
https://www.minorplanetcenter.net/mpec/K20/K20E10.html

Northolt Branch Observatories
Asteroid Day
NEOShield-2
Qhyccd

 

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