3426: Lua de neve: Esteja de olho no céu este fim de semana

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Já ouviu falar em Lua de neve? Já olhou para o céu? Notou algo de diferente? No final do dia desta sexta-feia até segunda-feira de manhã vai conseguir ver uma lua cheia bem maior que o habitual.

O fenómeno foi baptizado de “Lua de neve” e será a primeira super lua deste novo ano de 2020.

Lua de Neve, o que é?

De acordo com a NASA, é uma lua cheia maior, mais branca e mais brilhante. Apesar de o nome sugerir que o fenómeno está relacionado com uma condição atmosférica adversa, a designação apenas coincide com o período dos nevões no nordeste dos Estados Unidos e foi atribuída pelas tribos nativas americanas.

Este fenómeno astronómico, denominado de perigeu lunar, acontece quando a Lua se encontra próxima da Terra. Nesse momento, a Lua vai parecer 14% maior que o normal, e até 30% mais brilhante dependendo das condições atmosféricas apresentadas no local de observação.

No dia 8 de Fevereiro, a Lua vai estar a cerca de 362.479 quilómetros da Terra.

De acordo com o Observatório Astronómico de Lisboa, em declarações ao jornal Observador, em Portugal, o melhor período para ver este fenómeno será no final da madrugada de sábado para domingo. A melhor hora será às 7:30 horas de domingo. A próxima “Super Lua” acontecerá no próximo dia 9 de Março.

Leia também…

Astronomia em 2020 trará seis eclipses, três super luas e muitos outros eventos

No ano passado, dado o avanço tecnológico, foram muitas as novidades espaciais descobertas. Além disso, foram vistos eventos astronómicos que marcaram o ano. 2020 chega carregado de citações astronómicas: seis eclipses, três super Luas, … Continue a ler Astronomia em 2020 trará seis eclipses, três super luas e muitos outros eventos

07 Fev 2020

spacenews

 

A minha Lua de neve, tirada ontem:

© F. Gomes Fev.2020

© F. Gomes – Fev.2020

 

3425: Solar Orbiter, a missão espacial que vai captar imagens dos pólos do Sol

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

Sonda da Agência Espacial Europeia, em cooperação com a NASA, irá tentar capturar as imagens mais próximas do Sol até agora registadas. Irá aproximar-se até 42 milhões de km do Sol, a uma velocidade máxima de 245 mil km/h.

A Solar Orbiter deve capturar as primeiras imagens dos polos solares
© EPA/ESA/ATG MediaLab/NASA

A missão Solar Orbiter iniciará domingo uma viagem espacial para explorar os ventos solares, um fenómeno carregado de partículas potencialmente nocivas para as telecomunicações, e capturar imagens inéditas do Sol. A sonda da Agência Espacial Europeia (ESA) será lançada de Cabo Canaveral, na Florida, em cooperação com a NASA. A bordo: dez equipamentos científicos, que somam 209 quilos de carga útil.

Após passar pelas órbitas de Vénus e Mercúrio, o satélite, cuja velocidade máxima será de 245.000 km/h, poderá aproximar-se a até 42 milhões de km do Sol, ou seja, menos de um terço da distância entre a estrela da Terra.

Com essa trajectória, a Solar Orbiter “terá a capacidade de voltar-se directamente para o Sol”, explicou à AFP Matthieu Berthomier, investigador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS) francês.

Os novos dados completarão os compilados pela sonda Parker da NASA, lançada em 2018, que se aproximou ainda mais da superfície do astro (entre 7 e 8 milhões de km), mas sem a tecnologia de observação directa.

Com seis instrumentos de tomografia, a sonda europeia revelará as imagens mais próximas do sol já capturadas. Mostrará, ainda, pela primeira vez os pólos do sol, do qual só se conhecem actualmente as regiões equatoriais.

O objectivo principal da missão é “compreender como o Sol cria e controla a heliosfera”, a bolha magnética que rodeia todo o sistema solar, resumiu Anne Pacros, encarregada da missão da ESA.

Meteorologia espacial

Esta bolha está impregnada de um fluxo ininterrupto de partículas chamado ventos solares. “Os ventos solares podem ser lentos ou rápidos e ignoramos do que depende esta variabilidade. É o mesmo vento que varia ou são diferentes? Esse é um dos mistérios que esperamos resolver“, explica Miho Janvier, do Instituto de Astrofísica Espacial.

Às vezes os ventos solares são perturbados por erupções que ejectam partículas carregadas que se propagam no espaço.
Estas tempestades, difíceis de prever, têm um impacto directo na Terra: quando atingem a magnetosfera, provocam no mínimo as belas e inofensivas auroras polares. Mas o impacto também pode ser mais perigoso.

“Os ventos solares alteram o nosso ambiente electromagnético. É o que chamamos de meteorologia do espaço, que pode afectar nossa vida quotidiana”, afirma Berthomier.

A maior tempestade solar conhecida é o “evento de Carrington”, de 1859: destruiu a rede de telégrafos nos Estados Unidos, gerou descargas eléctricas, queimou papel nas estações e a aurora boreal tornou-se visível em latitudes inéditas, até na América Central.

Em 1989, em Quebeque, a modificação do campo magnético da Terra criou uma corrente eléctrica em larga escala que, por efeito dominó, fez saltarem os circuitos eléctricos, provocando um enorme apagão.

As erupções podem ainda perturbar os radares no espaço aéreo – como em 2015 na Escandinávia -, as frequências de rádio e destruir satélites.

Cortar a electricidade no espaço

Embora se tratem de acontecimentos invulgares, “a nossa sociedade depende cada vez mais do que acontece no espaço, por isso também é mais dependente da atividade solar, visto que quanto mais nos distanciamos da Terra, a magnetosfera protege-nos menos”, segundo Etienne Pariat, cientista do CNRS no Observatório de Paris.

“Imagine que metade dos satélites em órbita eram destruídos, seria uma catástrofe para a humanidade!”, diz Berthomier. Daí a necessidade crescente de contar com uma previsão meteorológica espacial.

Ao observar as regiões solares onde surgem estes ventos, a Solar Orbiter “permitirá elaborar modelos para melhorar as previsões”, diz Pacros. “Se sabemos que uma tempestade solar vai incidir sobre nós num ou dois dias, teremos tempo de proteger-nos, interrompendo os sistemas eléctricos dos satélites”, antecipa Berthomier.

A missão dirigida pela ESA, com um custo total de 1,5 mil milhões de euros, está prevista para descolar a bordo de um foguete Atlas V 411 do Kennedy Space Center, no domingo, às 23h locais.

A viagem vai durar dois anos e a missão científica, entre 5 e 9 anos.

Diário de Notícias

DN/AFP

spacenews