3417: Esta é a imagem de uma guerra de estrelas

CIÊNCIA/ASTRONOMIA

O rádio-observatório ALMA, situado no deserto chileno do Atacama, captou o resultado de uma “batalha estelar”. Um dos aspectos positivos duma batalha estelar é que ajuda os astrónomos a compreenderem melhor a evolução final de estrelas como o Sol.

© ALMA (ESO/NAOJ/NRAO), Olofsson et al. Acknowledgement: Robert Cumming

Com o auxílio do rádio-observatório Atacama Large Millimeter/submillimeter Array (ALMA), do qual o ESO (European Southern Observatory) é parceiro, os astrónomos descobriram uma nuvem de gás peculiar que resultou da confrontação entre duas estrelas. “Uma das estrelas cresceu tanto que engolfou a outra, a qual, por sua vez, espiralou em direcção à sua companheira levando-a a libertar as suas camadas mais exteriores”, lê-se na nota enviada às redacções.

O comunicado refere que, tal como os humanos, as estrelas também se modificam com a idade, acabando por morrer. No caso do Sol e doutras estrelas como a nossa, esta modificação passa por uma fase durante a qual, tendo já queimado todo o hidrogénio existente no seu centro, a estrela aumenta imenso de tamanho transformando-se numa estrela brilhante chamada gigante vermelha. “Eventualmente, a estrela moribunda perde as suas camadas mais exteriores, restando no final um núcleo quente e denso ao qual chamamos anã branca”, explica a nota.

“O sistema estelar HD101584 é especial no sentido em que o seu “processo de morte’ terminou prematuramente de forma dramática quando uma companheira de pequena massa bastante próxima se viu engolfada pela gigante vermelha,” explica Hans Olofsson da Universidade de Tecnologia Chalmers, na Suécia, que liderou um estudo recente sobre este objeto intrigante, publicado na revista da especialidade Astronomy & Astrophysics.

Graças às novas observações obtidas pelo ALMA e complementadas com dados do APEX (Atacama Pathfinder EXperiment), operado pelo ESO, Olofsson e a sua equipa sabem agora que o que aconteceu ao sistema estelar duplo HD101584 se assemelhou a uma batalha estelar.

Quando a estrela principal se transformou numa gigante vermelha, cresceu tanto que acabou por engolir a sua parceira de pequena massa. Como resultado, a estrela mais pequena espiralou em direcção ao núcleo da gigante e, apesar de não ter colidido com ele, a manobra fez com que a estrela maior explodisse, deixando as suas camadas de gás espalhadas e o seu núcleo exposto.

A equipa diz que a estrutura complexa do gás observada na nebulosa HD101584 se deve a uma estrela mais pequena a espiralar em direcção à gigante vermelha, assim como aos jactos que se formaram no processo. Tal como um golpe mortal desferido às camadas de gás já vencidas, estes jactos foram lançados através do material previamente ejectado, dando origem aos anéis de gás e às bolhas brilhantes azuladas e avermelhadas que vemos na nebulosa.

“Imagem extraordinária” só foi possível devido a resolução do ALMA

Um dos aspectos positivos duma batalha estelar é que ajuda os astrónomos a compreenderem melhor a evolução final de estrelas como o Sol. “Actualmente, conseguimos descrever os processos de morte comuns a muitas estrelas do tipo do Sol, mas não conseguimos explicar o seu porquê ou exactamente como é que acontecem. A HD101584 dá-nos pistas importantes para resolver este mistério, já que se encontra actualmente numa fase curta e transitória entre estádios evolucionários que conhecemos melhor. Com imagens detalhadas do meio que envolve a HD101584, podemos fazer a ligação entre a gigante vermelha que existia anteriormente e o resto estelar em que se transformará brevemente,” explica a co-autora do artigo científico Sofia Ramstedt da Universidade de Uppsala, na Suécia.

A co-autora Elizabeth Humphreys do ESO no Chile destaca que o ALMA e o APEX, localizados no deserto chileno do Atacama, foram cruciais para que a equipa pudesse investigar “tanto a física como a química que se encontram em acção” na nuvem de gás. Humphreys acrescenta: “Esta imagem extraordinária do meio circunstelar da HD101584 não teria sido possível sem a excelente sensibilidade e resolução angular do ALMA.”

Apesar dos telescópios actuais permitirem aos astrónomos estudar o gás que rodeia o binário, as duas estrelas no centro da complexa nebulosa encontram-se muito próximas uma da outra e demasiado afastadas de nós para poderem ser separadas.

O Extremely Large Telescope do ESO, actualmente em construção no deserto chileno do Atacama, “dar-nos-á informação sobre o “coração” do objecto, permitindo aos astrónomos observar mais de perto o par em luta”, conclui Olofsson.

O ESO é a mais importante organização europeia intergovernamental para a investigação em astronomia e é de longe o observatório astronómico mais produtivo do mundo. O ESO tem 16 Estados Membros: Alemanha, Áustria, Bélgica, Dinamarca, Espanha, Finlândia, França, Holanda, Irlanda, Itália, Polónia, Portugal, Reino Unido, República Checa, Suécia e Suíça, para além do país de acolhimento, o Chile, e a Austrália, um parceiro estratégico.

Diário de Notícias

DN

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3416: Este é o aspecto da Terra se os oceanos fossem drenados (vídeo)

CIÊNCIA

Com a tecnologia actual, com o poder de processamento computacional, é possível elaborar cenários hipotéticos da Terra em condições nunca testemunhadas. Há, inclusive, programas de exploração oceânica dedicados a descobrir pedaços da história por baixo dos mares. É um exercício importante para perceber o planeta actual e, sobretudo, perceber um eventual futuro da Terra.

James O’Donoghue, cientista planetário da Agência de Exploração Aeroespacial do Japão (JAXA), lançou uma nova versão de uma famosa animação feita pela NASA em 2008, com a Terra despida de oceanos.

Este cientista da JAXA tem um canal do YouTube com imagens e explicações fabulosas. Entre elas está um vídeo que mostra muito claramente como seria o nosso planeta se todos os mares e oceanos fossem drenados.

É curioso perceber a forma como certos efeitos poderiam afectar globalmente a Terra. Mas as imagens, impressionantes, podem explicar certos aspectos do nosso canto aqui neste lado do universo.

Drenar os oceanos

Três quintos da superfície da Terra estão sob o oceano. Assim, é sabido que o fundo do oceano é tão rico em detalhes quanto a superfície da Terra com a qual estamos familiarizados. Conforme podemos ver e apreciar, esta animação simula uma queda no nível do mar que revela gradualmente muitos destes detalhes. À medida que o nível do mar cai, as prateleiras continentais aparecem imediatamente.

Imagem em relevo sombreado da topografia da Terra e da batimetria. Imagem: NASA

Os níveis são visíveis principalmente a uma profundidade de 140 metros, excepto nas regiões do Árctico e Antárctico, onde as prateleiras são mais profundas. As cristas do meio do oceano começam a aparecer a uma profundidade de 2000 a 3000 metros.

Quando se atinge os 6000 metros, a maior parte do oceano é drenado, excepto pelas trincheiras profundas, a mais profunda das quais é a Fossa das Marianas, a uma profundidade de 10 911 metros.

Cientistas identificaram misterioso som da fossa das Marianas

Depois de meses de especulação, os cientistas descobriram finalmente a fonte provável do som estranho gravado nas profundezas do Oceano. De acordo com um novo estudo, os 3,5 segundos gravados por um veículo autónomo, … Continue a ler Cientistas identificaram misterioso som da fossa das Marianas

04 Fev 2020

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