3129: Cimeira do Clima. Países vão tentar parar o tempo e evitar o pior

CLIMA

Madrid recebe, a partir de segunda-feira, a cimeira das Nações Unidas sobre as alterações climáticas. Políticos e ambientalistas correm contra o tempo para evitar cheias, ondas de calor, seca, extinção de espécies.

Milhares de jovens continuam a exigir justiça climática nas ruas e dizem não parar enquanto os políticos não agirem.
© António Pedro Santos/Lusa

“Nós não vamos desistir até ganhar”, promete Alice Gato, 17 anos. Faz parte do movimento mundial Greve Climática – que incentiva os estudantes a saírem à rua no último dia útil da semana para denunciar a inércia dos políticos perante as alterações climáticas – e foi uma das organizadoras da manifestação que aconteceu em Lisboa, nesta sexta-feira. A milhares de jovens juntaram-se pais e avós para pedirem o encerramento das centrais de carvão, um travão em projectos que aumentem as emissões de gases poluentes nacionais – como a construção do novo aeroporto do Montijo – e novas metas, mais eficientes, contra as alterações climáticas na 25.ª Cimeira das Nações Unidas pelo Clima, que começa na próxima segunda-feira, em Madrid, Espanha.

A conferência vai reunir representantes de mais de 190 nações, que terão como missão discutir a revisão das emissões de gases, enunciadas no Acordo de Paris (2015) e de actualização obrigatória na cimeira do próximo ano, em Glasgow, no Reino Unido. Se não houver um plano de acção urgente e concertado, se as metas das emissões globais de gases não se tornarem mais ambiciosas, a temperatura do planeta pode aumentar 3,2 graus Celsius até ao final do século, em vez dos 1,5º C pretendidos, o nível dos oceanos vai subir, há espécies que serão extintas e aumentarão os eventos meteorológicos extremos, como ondas de calor, cheias ou secas.

“Estamos como que numa linha vertical a atingir níveis como nunca aconteceu nos últimos 800 mil anos”, alerta Francisco Ferreira, presidente da associação ambientalista Zero. O tempo de agir é agora. E a 25.ª COP [Conference of the Parties, como é conhecida a Cimeira do Clima] não será bem-sucedida se não forem feitos anúncios revolucionários sobre o mercado de carbono e investimento em políticas ambientais (o Acordo de Paris já previa um Fundo Verde do Clima de cem mil milhões de dólares até 2020, que ainda está por cumprir). Deverá também voltar à mesa das negociações o tema do “sistema de seguros”, um apoio para países que sofrem com catástrofes climáticas.

O momento para a cimeira, que deveria ser no Chile, mas entretanto foi cancelada por causa da onda de protestos nacionais, não é o melhor, segundo Francisco Ferreira. É possível antever algumas dificuldades, como “a forma como vai ser feita a transição entre esta cimeira e a de 2020”, com o governo britânico em fase de transição.

“Estamos a entrar na última década antes de 2030, o limiar da neutralidade carbónica. Esta COP tem de delinear tudo o que vai acontecer a seguir para atingirmos a neutralidade carbónica em 2030”, diz Alice Gato. A estudante também vai para Madrid, não para participar na COP 25, mas numa contra-cimeira, que deverá reunir milhares de jovens (e não só) de todo o mundo numa tentativa de pressionar os decisores a empenharem-se ainda mais na luta contra as alterações climáticas.

O Parlamento Europeu declarou, nesta quinta-feira, o estado de “emergência climática e ambiental” e defendeu que o executivo comunitário deve comprometer-se a reduzir as emissões de gases com efeito estufa em 55% até 2030, para atingir a neutralidade climática até 2050. Mas não chega, dizem os ambientalistas e os milhares de manifestantes que saíram nesta sexta-feira à rua em Portugal e no mundo, outra vez. É preciso mais.

Temperatura média pode subir 3,2º C

A temperatura média do planeta pode subir 3,2 graus centígrados neste século, se as metas das emissões globais de gases não se tornarem mais ambiciosas. É preciso reduzir mais de cinco vezes a quantidade de gases lançados na atmosfera, sob pena de as ondas de calor e de as tempestades atingirem a Terra de forma irreversível. A conclusão está expressa no Relatório sobre a Lacuna de Emissões de 2019, do Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente (PNUMA), divulgado na terça-feira, dia 26.

O objectivo é não ultrapassar 1,5º C em relação à época pré-industrial, e, para isto, há que mudar o paradigma nos sectores de energia, construção e transportes. De acordo com o documento, a utilização de fontes renováveis pode, até 2050, reduzir as emissões de dióxido de carbono em 78% na energia, 83% na construção e 72% nos transportes. “Temos de compensar os anos em que procrastinámos”, defende Inger Andersen, a directora executiva do PNUMA.

Subida do nível do mar

Com uma longa costa, Portugal tem várias zonas em risco por causa da subida do nível da água a partir de 2050. O estuário do Tejo, do Sado, a ria Formosa, as cidades de Aveiro e da Figueira da Foz são as zonas assinaladas como mais problemáticas.

Mais de 10% da superfície do planeta está coberta por gelo, segundo a ONU, e durante este século os oceanos deverão sofrer alterações “sem precedentes”, com consequências irreversíveis para os habitats marinhos. Entre 2006 e 2015, o mar avançou 3,6 milímetros por ano devido ao aumento das temperaturas, da acidez das águas, com menos oxigénio. Estima-se que o aumento do volume dos oceanos, causado pelo aquecimento global, possa atingir 300 milhões de pessoas no mundo, sendo a Ásia o continente mais afectado. Só na China estarão em risco 93 milhões de pessoas.

Seca severa ou cheias

Parte do território nacional (36%) mantinha-se no final de Outubro em seca extrema, principalmente a sul do país. Com o aumento da temperatura, fenómenos como a seca ou as cheias serão cada vez mais frequentes.

O ministro do Ambiente e da Transição Energética, João Pedro Matos Fernandes, afirmou que é preciso mudar o consumo de água, não só na vida de cada um, mas também na actividade económica e, por isso, suspendeu os novos furos de água no Algarve e no Alentejo. No entanto, se a mudança não for mais radical e concertada com os outros países não será suficiente.

Um milhão de espécies ameaçadas

Dos oito milhões de espécies de animais e plantas que existem no mundo, cerca de um milhão está em vias de extinção nas próximas décadas. De acordo com o relatório da Plataforma Intergovernamental sobre Biodiversidade e Serviços Ecossistémicos, considerado o estudo mais abrangente já publicado sobre as espécies, 40% dos anfíbios e mais de um terço dos mamíferos estão ameaçados.

Quase todos os stocks de pescas do mundo estão em declínio, por causa da sua sobre-exploração, e as florestas perderam 2,9 milhões de hectares desde 1990, o equivalente ao tamanho da Alemanha. Desapareceram ainda, nos últimos 250 anos, 571 tipos de plantas – um número que deverá continuar a aumentar nos próximos tempos.

Diário de Notícias
02 DEZ 2019

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3128: Variações na rigidez das rochas explicam tsunamis devastadores

CIÊNCIA

Chris Wren, Kenn Brown / mondoart.net

A variação na rigidez das rochas, um parâmetro nunca inferido em detalhe até agora, é o principal factor para explicar algumas características observadas em grandes tsunamis.

Uma equipa de cientistas do Instituto de Ciências Marinhas do CSIC, em Espanha, publicou recentemente um artigo científico na Nature que explica que a variação na rigidez das rochas deve ser um factor explorado e incorporado na estimativa de risco associado a terramotos e tsunamis.

De acordo com os cientistas, citados pelo Europa Press, as variações de rigidez permitem a resolução de paradoxos inexplicáveis, como a discrepância entre o movimento sísmico moderado registado na superfície e a grande amplitude de tsunamis que deram origem a vários terremotos históricos.

Em comunicado, Valentí Sallarès, autor principal do trabalho, revelou que esta investigação mostra que as diferenças entre o comportamento de terramotos profundos e rasos “não se devem a variações locais no mecanismo físico que os produz, mas a mudanças sistemática na rigidez das rochas que fracturam e se deformam durante a ruptura sísmica”.

Os terramotos rasos propagam-se mais lentamente, duram mais tempo, têm maior escorregamento na falha e causam uma maior deformação no fundo do oceano em comparação com os terramotos profundos de igual magnitude. No entanto, geram vibrações sísmicas menos pronunciadas na superfície.

É por este grande motivo que os cientistas admitem que, muitas vezes, que o risco destes terramotos é subestimado, especialmente a sua capacidade de gerar tsunamis.

(dr) CSIC
Movimento sísmico

Os autores do artigo científico analisaram imagens sísmicas do subsolo e combinaram-nas com modelos tomográficos, de modo a inferir as propriedades das rochas em diferentes profundidades e em diferentes zonas de sub-ducção em todo o mundo.

Os resultados mostram que a rigidez das rochas que repousam sobre a falha entre placas aumenta sistematicamente com a profundidade, seguindo uma tendência universal e bem definida.

Esta tendência explica as diferenças entre terramotos superficiais e profundos, permitindo, por sua vez, prever com precisão a velocidade de propagação e a duração da ruptura sísmica, a quantidade de derrapagem na falha, as alterações na amplitude das vibrações sísmicas geradas ou as diferenças de magnitude.

Este é o primeiro modelo que permite prever certas características do terramoto com base na profundidade do seu hipocentro, que, segundo Sallarès, é “a chave para poder estimar com precisão seu potencial tsunamigénico”.

ZAP //

Por ZAP
1 Dezembro, 2019

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3127: Mora na Via Láctea um buraco negro que “não devia existir”

CIÊNCIA

ESA/Hubble, ESO, M. Kornmesse

Uma equipa internacional de cientistas acaba de encontrar um buraco negro na Via Láctea, cuja enorme massa desafia as teorias da evolução estelar vigentes – trata-se de um corpo celeste de grandes dimensões que “não devia existir”.

A comunidade científica estima que a massa dos buracos negros da nossa galáxia seja 30 vezes menor do que a massa do Sol. Contudo, estes valores acabam de ser desafiados.

Cientistas dizem agora ter detectado um buraco negro bem maior – excede a massa solar em 70 vezes, fica a 15.000 anos-luz da Terra e foi baptizado do LB-1, tal como detalha a nova investigação publicada esta semana na revista científica Nature.

O artigo recorda que buracos negros de massa semelhante já tinha sido detectados antes, apesar de a “formação de buracos negros tão massivos em ambientes de alta metalicidade” – em particular na Via Láctea fosse considerada “extremamente difícil” de acordo com as teorias actuais da evolução estelar.

“De acordo com os modelos actuais de evolução estelar, os buracos negros com esta massa nem deveriam existir na nossa galáxia”, disse Liu Jifeng, professor do Observatório Astronómico Nacional da China, que liderou a investigação, citado pela agência AFP.

“Agora, os teóricos terão de assumir o desafio e explicar a sua formação”, atirou.

Os cientistas acreditam que os buracos negros mais comuns – 20 vezes mais massivos do que o Sol – são fruto da implosão de uma super-nova. Já os buracos negros super-massivos, formam-se através de imensas de nuvens de gás, embora a sua origem seja incerta.

ZAP //

Por ZAP
2 Dezembro, 2019

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3126: Placas tectónicas podem ter sido criadas por impactos massivos de asteróides

CIÊNCIA

(CC0/PD) 9866112 / Pixabay

As placas tectónicas surgiram quando a Terra era bombardeada por impactos colossais. Cientistas investigaram se estes fenómenos tinham alguma relação, e tudo indica que sim.

A Terra evoluiu de uma massa derretida para um corpo planetário rochoso e esta continua a ser uma das maiores questões da Ciência. De acordo com uma nova investigação, publicada recentemente na Geology, cientistas da Universidade Macquarie, do Southwest Research Institute e da Harvard University, sugerem que essa transição pode ter sido desencadeada por intenso bombardeamento extraterrestre.

Simulações de computador e comparações com estudos anteriores revelaram que, há cerca de 4,6 mil milhões de anos, os impactos de destruição da Terra continuaram a moldar o planeta durante centenas de milhões de anos, aponta o Sci-News.

Apesar de esses eventos terem diminuído com o tempo,o cráton Kaapvaal, na África do Sul, e o cráton de Pilbara, na Austrália, sugerem que a Terra experimentou um período de intenso bombardeamento, há cerca de 3,2 mil milhões de anos, ao mesmo tempo em que aparecem as primeiras indicações de movimento das placas tectónicas.

Os cientistas sugerem que colossais colisões de corpos extraterrestres engatilharam a transição terrestre do seu estado quente e primitivo para o mundo que conhecemos hoje: com a litosfera (crosta e manto superior) fragmentada em placas.

“Costumamos pensar na Terra como um sistema isolado, onde só importam os processos internos”, disse o co-autor do artigo científico Craig O’Neill, em comunicado. “No entanto, estamos a sentir, cada vez mais, que o efeito da dinâmica do Sistema Solar influencia o comportamento da Terra.

O’Neill e a sua equipa estudaram certas camadas sedimentares localizadas em solos australianos e sul-africanos e descobriram que, há 3,2 mil milhões de anos de anos, a Terra foi “castigada” com muitos impactos.

Depois de terem criado várias simulações,foram capazes de perceber a tectónica global: ao contrário das primeiras centenas de milhões de anos de vida da Terra (formada há 4,6 mil milhões de anos), em que as colisões de corpos com 300 quilómetros de diâmetro eram frequentes, no Arqueano diminuíram um pouco.

Nesta altura, os corpos que impactavam com a Terra não passavam dos 100 quilómetros de diâmetro (30 km maior do que o asteróide que matou os dinossauros). Contudo, importava saber se estes eventos, ainda que menores, eram o suficiente para fragmentar a litosfera.

Para isso, os investigadores usaram técnicas para estimar a quantidade de impactos no Mesoarqueano e criaram simulações para modelar os efeitos dessas colisões na temperatura do manto. E os resultados apontam o sim como resposta.

Estes corpos celestes quilométricos que impactavam com p nosso planeta podem ter criado as placas tectónicas. Como nem a litosfera nem o manto eram homogéneos, os impactos acentuaram ainda mais essas diferenças de flutuabilidade no manto – e assim terão surgido as placas tectónicas.

ZAP //

Por ZAP
2 Dezembro, 2019

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