2973: Esta criatura parece um olho, mas é um dos maiores organismos unicelulares da Terra

CIÊNCIA

Alexander Vasenin / Wikimedia

Um dos maiores organismos unicelulares da Terra estão escondidos nos oceanos do mundo, entre escombros de coral. Pela sua forma, parecem olhos, mas são algas.

Chamadas de “olhos de marinheiro”, estas bolas macias – valonia ventricose – são um tipo de alga e um dos maiores organismos unicelulares da Terra. Ou seja, uma bola é apenas uma célula, apesar de esse não ser o tamanho que normalmente associaríamos a organismos unicelulares.

De acordo com o ScienceAlert, os “olhos de marinheiro” têm alguns truques na manga para conseguirem crescer tanto. Aliás, nem todos são assim tão grandes. Estes organismos podem variar de tamanho, podendo ser tão pequenos como um rolamento ou tão grandes como um globo ocular.

Nas aulas de biologia, podemos aprender que as células simplesmente não podem crescer tanto. No entanto, embora os “olhos de marinheiros” sejam apenas uma célula, contêm vários domínios citoplasmáticos, cada um com o seu próprio núcleo e cloroplastos.

Essa estrutura peculiar significa que, se tentarmos estourá-la, não explodiria como um balão cheio de organelas. De facto, esmagar o “olhos de marinheiro” pode causar o surgimento de mais desta espécie, já que os organismos precisam apenas de possuir um núcleo para se transformar num “olho” totalmente novo.

Valonia ventricosa tem sido estudada particularmente porque as células são tão anormalmente grandes que fornecem um assunto conveniente para estudar a transferência de água e moléculas solúveis em água através de membranas biológicas.

Concluiu-se que as propriedades de permeabilidade tanto na osmose como na difusão eram idênticas e que as moléculas de ureia e metaanal não exigiam nenhum tipo de poros postulados cheios de água na membrana para se mover através dela.

ZAP //

Por ZAP
6 Novembro, 2019

 

2972: E se o Universo for um grande balão “fechado”? Tudo o que sabíamos pode estar errado

CIÊNCIA

(CC0/PD) myersalex216 / Pixabay

Há uma nova investigação que está a por em causa tudo o que sabíamos sobre a forma do Universo. De acordo com a pesquisa publicada nesta semana, o Universo pode não ser plano, como se pensava, mas antes ser como um grande balão insuflado.

A pesquisa publicada na revista Nature Astronomy tem por base as mais recentes leituras do telescópio Planck, da Agência Espacial Europeia.

Estes dados referem-se ao fundo cósmico de micro-ondas (CMB na sigla em Inglês), isto é, o brilho da radiação que resta do Big Bang e que é um efeito de luz ambiente que ocupa todo o espaço quando se bloqueiam estrelas, galáxias e outras interferências.

O CMB é fundamental para definir a história e o comportamento do Universo, sendo o seu vestígio mais antigo.

Os novos dados do Planck apontam para conclusões que ameaçam a percepção que tínhamos do Universo até agora. Já se fala numa verdadeira crise na cosmologia, tendo-se verificado também que o Universo se está a expandir muito mais rápido do que os cientistas previam.

As razões para esse facto são ainda um mistério e podem ou não estar relacionadas com outras conclusões desafiantes que apontam que o Universo pode não ser plano, como um lençol infinito, mas ser antes esférico e fechado, como um grande balão insuflado.

Esta hipótese resulta das anomalias detectadas nos dados do CMB por cosmologistas das Universidades Johns Hopkins (EUA), Sapienza de Roma (Itália) e de Manchester (Reino Unido).

As investigações indicam que há significativamente mais “lentes gravitacionais” do CMB do que seria de esperar. “A gravidade parece estar a dobrar as micro-ondas do CMB mais do que a física existente pode explicar”, destaca o site científico Live Science.

Estes cientistas apontam que há 41 vezes mais probabilidades de o Universo ser fechado do que plano. A teoria é que terá uma forma “ligeiramente curvada”, com uma “flexão lenta” que não é importante para a nossa rotina diária. Mas viajando até fora da nossa galáxia, isso significa que se nos movermos numa linha recta, terminaremos no local onde começamos.

“A diferença entre um universo fechado e aberto é um pouco como a diferença entre uma folha plana esticada e um balão insuflado”, explica ao Live Science o cosmologista Alessandro Melchiorri, um dos investigadores envolvidos no estudo.

“Isto significa, por exemplo, que se tivermos dois fotões e se viajarem em paralelo, num universo fechado vão [eventualmente] encontrar-se”, aponta Melchiorri. Num universo plano, esses dois fotões viajariam sem nunca se cruzarem, caso não houvesse qualquer interferência nos seus trajectos.

Todavia, a ideia do “Universo fechado” é, para já, apenas uma hipótese e são necessárias “futuras medições” para “clarificar se as discordâncias observadas são devidas a sistemáticas não detectadas ou a uma nova física, ou se são, simplesmente, flutuações estatísticas”, apontam os autores do estudo.

Cosmologistas que não estiveram envolvidos no estudo encaram a teoria com algum cepticismo, como é o caso de Andrei Linde da Universidade de Stanford (EUA), que, em declarações ao Live Science, faz referência a outro estudo que ainda não foi publicado em torno dos mesmos dados do Planck e que concluiu que o mais provável é que o Universo seja plano.

Melchiorri contrapõe que esse estudo teve por base um segmento demasiado pequeno dos dados do Planck, defendendo a análise da sua equipa.

Certo é que se a teoria do “Universo fechado” se confirmar, é preciso “sintonizar” a física do mecanismo primordial associado ao Big Bang e refazer todos os cálculos envolvidos, destaca o cosmologista. Isso será uma grande complicação que acarreta inúmeros problemas e toda uma nova física.

SV, ZAP //

Por SV
6 Novembro, 2019

 

Emergência climática. Cientistas mundiais alertam para “sofrimento incalculável”

CIÊNCIA/VIDA

Mais de 11 mil cientistas de 153 países subscreveram um artigo no qual sugerem acções concretas em seis etapas de modo a que a humanidade evite consequências catastróficas. Estamos em emergência climática, avisam.

Onze mil cientistas declaram que estamos a viver em emergência climática
© NASA

É um novo alerta que se faz ouvir bem alto. E, desta vez, é a comunidade científica que levanta a voz para “acordar” a humanidade em defesa do ambiente. Vivemos num estado de emergência climática e é preciso aumentar os esforços para combater as alterações climáticas de modo a evitar um “sofrimento incalculável”.

Quem avisa são os mais de 11 mil cientistas de 153 países que subscreveram um artigo no qual destacam a urgência de tomar medidas perante aquilo que confirmam ser a emergência climática que o planeta Terra está a viver.

É uma verdadeira Aliança dos Cientistas do Mundo, como se lê no documento. Mas não se ficam pelo alerta. Propõem medidas concretas em seis etapas de modo a evitar consequências catastróficas.

No artigo, que é no fundo uma carta aberta publicada na revista BioScience, é referido que “as alterações climáticas estão a evoluir mais depressa do que muitos cientistas esperavam“.

“Declaramos, clara e inequivocamente, que o planeta Terra está a enfrentar uma emergência climática”, afirmam os mais de 11 mil signatários do documento.

Os especialistas avisam que é preciso um substancial aumento nos esforços para evitar o “sofrimento incalculável” que a humanidade pode enfrentar caso não haja uma mudança do estilo de vida.

“Para garantir um futuro sustentável, temos de mudar a maneira como vivemos”, lê-se no artigo. E a mudança pode começar a surgir com a resposta à declaração e aviso dos cientistas de que estamos actualmente a viver um estado de emergência climática.

Dizem ter a “obrigação moral” de “alertar a humanidade para ameaças existenciais” e, nesse sentido, consideram que a mudança de estilo de vida “implica grandes transformações na forma como nossa sociedade global funciona e interage com os ecossistemas naturais”.

Alertas dos cientistas têm 40 anos. “Continuamos a viver como se nada fosse”

“Estamos a fase de transição, na qual os governos e os que estão no poder querem ser vistos a fazer a coisa certa, mas sem investirem ou apoiarem” a mudança, lamenta à Euronews Jennifer Rudd, da Universidade Swansea. “Não estamos a ver nenhuma acção radical”, critica.

A carta aberta tem como base dados científicos publicados há 40 anos, entre os quais estão informações sobre o uso de energia, a temperatura, o crescimento populacional, as emissões de carbono e o desmatamento. Dados que foram estabelecidos na Conferência Mundial do Clima, realizada em Genebra, em 1979, quando estiveram reunidos cientistas de 50 países.

“Apesar dos 40 anos de grandes negociações globais, continuamos a viver como se nada fosse e não estamos a conseguir resolver esta crise”, disse o professor de ecologia William Ripple, da Universidade do Oregon e co-autor principal do artigo.

O que propõem os cientistas para evitar consequências catastróficas?

Perante este cenário, os 11 mil cientistas propõem medidas para evitar consequências catastróficas devido às alterações climáticas.

Estas são algumas das acções concretas que sugerem:

– A “substituição de combustíveis fósseis por fontes renováveis ​​de baixo carbono e outras fontes de energia mais limpas”, que sejam seguras para as pessoas e meio ambiente.

– A redução de emissões de “poluentes climáticos de curta duração, como o metano e hidrofluorcarbonetos”

– “Reduzir o desmatamento e restaurar e proteger ecossistemas” como as florestas.

– Sugerem que a nossa alimentação seja “à base de plantas”, que se reduza o consumo de “produtos de origem animal” e apelam para uma redução do desperdício alimentar.

– Deve ser “rapidamente reduzida” a “extracção excessiva de materiais e a super-exploração de ecossistemas impulsionadas pelo crescimento económico”

– Defendem ainda a estabilização da população global “e, idealmente, reduzida gradualmente”, recorrendo “a abordagens que garantam justiça social e económica”.

Cientistas mundiais preparados para ajudar na transição para um futuro sustentável

Os 11 mil cientistas estão “prontos” para ajudar os responsáveis pelas tomadas de decisões na “transição justa para um futuro sustentável e equitativo”.

Acreditam que as perspectivas de um futuro sustentável são melhores se os tomadores de decisões e toda a humanidade responderem a este aviso e declaração de que estamos a viver num estado de emergência climática, no fundo a “agirem para preservar a vida no planeta Terra, o nosso único lar”.

Diário de Notícias

Susete Henriques
05 Novembro 2019 — 18:32

 

2970: Desigualdade pode ser mais acentuada em Marte

CIÊNCIA

NASA
Concepção artística de uma colónia em Marte

Como seria a vida em Marte? Temos tendência a julgar que a vida no Planeta Vermelho seria mais risonha, mas em termos de desigualdades, Savannah Mandel garante que isso não é verdade.

A antropóloga espacial Savannah Mandel passou dez semanas no “aeroporto” norte-americano para naves espaciais comerciais, no deserto do Novo México, a fazer trabalho de campo para a sua dissertação. Durante essas semanas, Mandel cruzou-se com vários trabalhadores “dispostos a arriscar tudo” para participar em empreendimentos no Espaço.

O motivo? “Eles acreditam que as viagens espaciais garantem o futuro da humanidade”, explica Mandel, apesar de sustentar que os problemas da humanidade não desaparecem noutro planeta. Aliás, podem até piorar quando se trata de desigualdade, frisou, citada pelo OZY.

Com apenas 23 anos, Mandel é um dos membros mais jovens de um pequeno grupo de antropólogos ao redor do mundo, que centra todas as suas atenções em estudar de que forma os seres humanos se relacionam com o Espaço.

Valerie Olson, pioneira no campo e professora da Universidade da Califórnia, em Irvine, estima que existam menos de 100 antropólogos do Espaço na Terra. No entanto, a especialista sublinha que, devagarinho, o campo está a crescer.

A investigação de Mandel sobre o Spaceport America é inovadora: a jovem debruçou-se sobre a vida dos trabalhadores. Actualmente, trabalha como escritora científica do Instituto Americano de Física e é também uma escritora de ficção científica dedicada a completar um romance sobre um robô.

Este ano, o The Geek Anthropologist publicou um romance de Mandel sobre o primeiro antropólogo na Lua. Na história da autora, a reprodução lunar deve ser aprovada, havendo apenas um ponto, em toda a nave, apelidada de “O Condado”, onde um casal pode conceber.

Recentemente, a conferência sobre Espaço e Humanidade, realizada em Lexington, no Kentucky, juntou desde académicos a artistas, para reflectir como os seres humanos serão afectados pelas mudanças espaciais, como reconhecer e evitar preconceitos, por exemplo.

Mandel falou sobre um artigo que escreveu, no ano passado, para o The Geek Anthropologist, descrevendo os perigos de um “Efeito Elísio“, segundo o qual a comercialização do Espaço – como mineração de asteróides – aprofunda as disparidades globais de riqueza, uma vez que a lei existente é obscura.

Num artigo deste ano, desta vez para o Anthropology News, Mandel ecoou o tema, alertando sobre o “imperialismo lunar“, segundo o qual os países ocidentais com mais recursos financeiros olham o para o Espaço com a mentalidade colonial forjada pela sua própria história.

A antropologia do Espaço recebe muito menos recursos académicos e governamentais do que outras disciplinas. Mandel quer continuar, mas não tem certeza se poderá construir  uma carreira na academia por causa da sua paixão assumida por ficção científica.

Ainda assim, torna-se urgente trazer este tipo de temas para cima da mesa. As startups espaciais, e até a própria NASA, beneficiariam em poder contar com o contributo de antropólogos do Espaço, uma vez que apresentam narrativas e perspectivas diferentes, com foco na conservação como forma de proteger um novo mundo logo desde o início.

Mandel deseja que todo o seu trabalho inspire as pessoas sobre o que está por vir. “Adoro o Espaço, mas realmente quero que não deixemos a Terra no pó. Estamos a mover-nos muito rapidamente para um futuro interestelar”.

ZAP //

Por ZAP
5 Novembro, 2019

 

2969: Asteróide passou incrivelmente perto da Terra (e só foi notado minutos antes)

CIÊNCIA

lwpkommunikacio / Flickr

Um pequeno asteróide passou esta quinta-feira muito perto da Terra, sendo apenas detectado menos de uma hora antes da sua aproximação máxima.

O objecto espacial, baptizado de C0PPEV1, foi inicialmente detectado pelo US Catalina Sky Survey, sendo depois rastreado por vários outros observatórios norte-americano.

O asteróide passou a 6.200 quilómetros da Terra, passando sobre o sul da África a uma velocidade aproximada de 43.452 quilómetros por hora. O portal Earth Sky escreve mesmo que este corpo passou “incrivelmente perto” da Terra.

Tendo em conta a escala astronómica, este corpo rochoso passou realmente perto. Para termos de comparação, importa referir que os satélites de telecomunicações geo-estacionários orbitam a 35.786 quilómetros da Terra; a Estação Internacional Espacial (EEI), por sua vez, está a cerca de 400 quilómetros acima do nível do mar.

Os cientistas estimam, segundo Earth Sky, que o C0PPEV1 tenha um diâmetro entre 2 a 7 metros e, por isso, é muito pequeno para representar perigo para a Terra, mesmo num cenário de colisão com o nosso planeta.

Tony Dunn @tony873004

In about 45 minutes from now (now = 10/31/19 7:00 am PDT), newly-discovered #asteroid C0PPEV1 will pass only 6200 km above Earth’s surface. 45 minutes ago it was passing through Earth’s shadow.
This is much closer than our geostationary satellites. http://orbitsimulator.com/gravitySimulatorCloud/simulations/1572529210218_C0PPEV1.html 

De acordo com o mesmo portal, esta aproximação aponta vulnerabilidades na detecção deste tipo de corpos que podem ameaçar a Terra.

A NASA tem reunido esforços para melhorar a capacidade de detecção destes corpos rochosos. Em Abril último, uma equipa de astrónomos propôs uma nova estratégia para a detecção precoce de rochas espaciais em rota de colisão com a Terra, que consiste no rastreamento do calor que estes corpos rochosos emitem durante a sua trajectória.

“Se encontrarmos um objecto apenas alguns dias dias antes do impacto, as nossas opções são limitadas”, começou por explicar a cientista do Laboratório de Propulsão a Jacto da agência espacial norte-americana, Amy Mainzer.

“Por isso, concentramos os nossos esforços para encontrar NEOs (Near-Earth Object), quando estes se encontram ainda muito longe do planeta, fornecendo o máximo tempo possível e abrindo uma gama mais ampla de possibilidade para a mitigação” do objecto”.

Cientistas têm nova estratégia para detectar asteróides em rota de colisão com a Terra

Uma equipa de astrónomos da NASA propôs uma nova estratégia para a detecção precoce de rochas espaciais em rota de…

ZAP //

Por ZAP
6 Novembro, 2019