2947: Space X quer chegar à Lua a bordo da Starship antes de 2022

CIÊNCIA

Space X / Flickr

A Space X quer pousar na Lua ainda antes de 2022 a bordo da sua nave espacial Starship, projectada para realizar viagens interplanetárias. Dois anos depois, em 2024, a empresa espacial conta estar a enviar humanos para o satélite natural.

Actualmente, a Starship está a ser desenvolvida nas instalações da empresa do visionário e multimilionário Elon Musk na Florida e no Texas, nos Estados Unidos.

O veículo, explica a agência noticiosa Europa Press, tem como objectivo ser o sucessor “tudo em um” e um substituto do Falcon 9 e Falcon Heavy, apresentando maior capacidade de carga útil e a podendo chegar à Lua e, eventualmente, até Marte.

“Aspiracionalmente, queremos que a nave espacial orbite dentro de um ano”, afirmou Gwynne Shotwell, presidente e directora de operações da SpaceX, numa série de entrevistas rápidas com empresas espaciais que decorreram em Washington, nos Estados Unidos.

“Definitivamente, queremos pousar na Lua antes de 2022. Queremos […] transportar cargas para lá para garantir que existam recursos para as pessoas que finalmente pousarem na Lua até 2024 (…) Se tudo correr bem, esse é o período de tempo aspiracional”, acrescentou a responsável da Space X, citado pelo portal Tech Crunch.

Shotwell admitiu que o período de tempo é ambicioso, frisando ainda que se tratam de datas “aspiracionais”. Ainda assim, a especialista da Space X vê estas datas “apertadas” como uma excelente fonte de motivação para os seus trabalhadores.

“Elon [Musk] apresenta estes objectivos incrivelmente audaciosos e as pessoas dizem: ‘Nunca farás isso, nunca irá orbitar, nunca terás um foguete real para orbitar (…) Então, francamente, adoro quando dizem que não podemos fazê-lo, porque isso motiva os meus fantásticos 6.500 funcionários a fazê-lo”.

Até o momento, a empresa construiu e testou um veículo de demonstração chamado Starhopper, que consiste apenas na base do veículo e num dos motores Raptor que serão utilizados no novo sistema de lançamento da nave espacial e no reforço Super Heavy.

Depois dos voos bem-sucedidos em baixa altitude com este veículo, a SpaceX montou os seus veículos de teste Mk1 e Mk2 Starship, que representam a escala completa da nave espacial orbital. Antes de avançar para as viagens interplanetárias, serão ainda realizados novos testes de altitude. Só depois é que a Space X vai construir protótipos adicionais para voos orbitais e, finalmente, para voos tripulados com humanos.

A reluzente Nave Estelar de Musk é de aço porque vai “sangrar água”

Ao longo do mês de Janeiro, Elon Musk, fundador e CEO da Space X, tem levantado o véu sobre aquela…

// ZAP

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2 Novembro, 2019

 

2946: Crise na Cosmologia. O Universo está a expandir-se muito mais rápido do que pensávamos

CIÊNCIA

(dr) Colaboração TNG Uma simulação de computador da distribuição da matéria no Universo

O Universo está a expandir-se muito mais rápido do que os cientistas previam e a criar uma verdadeira “crise na Cosmologia”. O motivo por trás desta expansão ainda é um mistério.

Uma equipa de cientistas confirmou este problema ao analisar os dados recolhidos através de uma nova tecnologia de telescópio que depende de espelhos que mudam de forma.

De acordo com o artigo científico, publicado recentemente no Monthly Notices of the Royal Astronomical Society, as medições precisas da taxa na qual o Universo se está a expandir não correspondem ao modelo padrão que os cientistas têm usado há décadas.

“É aqui que reside a crise da Cosmologia”, constatou Chris Fassnacht, astrofísico e co-autor do estudo, num comunicado à imprensa e citado pelo Science Alert. Estudos científicos publicados no início deste ano chegaram a conclusões semelhantes.

“Esta incompatibilidade tem crescido e chegou agora a um ponto impossível de ser descartado. A disparidade não poderia ocorrer apenas por acaso“, frisou Adam Riess, cientista vencedor do Prémio Nobel, acrescentando que estas descobertas “podem ser o desenvolvimento mais emocionante da Cosmologia das últimas décadas”.

O mistério da constante Hubble

O Universo está constantemente a crescer. Durante várias décadas, os cientistas tentaram medir a rapidez desse crescimento – um número que ficou conhecido como constante de Hubble.

Os cientistas reúnem a história do Universo através do estudo do brilho da radiação que resta do Big Bang, chamado de fundo cósmico de micro-ondas (CMB). Quando analisam o CMB, os investigadores olham para o passado, para uma luz que viaja a uma velocidade constante.

Com base nessas observações, os cientistas descobriram que, após o Big Bang, o Universo expandiu-se muito rapidamente, e que essa expansão diminuiu à medida que a gravidade da matéria escura recuou. Mas, recentemente, os cientistas encontraram um problema.

As medidas do Universo contemporâneo mostram que se está a expandir muito mais rápido do que aquilo que o modelo padrão prevê. O estudo de Riess, de Abril deste ano, descobriu que o Universo se está a expandir 9% mais rápido do que o previsto pelos cálculos baseados no CMB.

Se estes valores não batem certo, torna-se muito claro que falta uma peça neste puzzle.

Afinal, o Universo é mais novo do que pensávamos

Volvidos mais de 10 mil milhões de anos após a sua formação, o Universo parece ter ainda muito por contar….

Nova tecnologia confirma dilema

Para o mais recente estudo, os cientistas usaram um sistema de espelhos de ponta no telescópio Keck Observatory, no Havai. O dispositivo usa espelhos flexíveis que podem corrigir distorções causadas pela atmosfera da Terra e tornar imagens de objectos no céu extremamente nítidas.

A equipa apontou o telescópio para três sistemas de galáxias brilhantes e altamente activas – chamados quasares – e estudaram-nas com base num processo chamado lente gravitacional, que mede a maneira como a luz é curvada à medida que viaja em orno de objectivos maciços no seu caminho em direcção à Terra.

Um objecto massivo distorce a luz em várias direcções, e isso permite que os cientistas consigam observar versões diferentes e distorcidas do mesmo quasar. Assim, a equipa pode comparar essas imagens de modo a calcular quanto tempo a luz de um quasar demora a chegar até nós, e, desta forma, recolher informações sobre quanto é que o Universo se expandiu durante esse tempo de viagem.

G Chen / C Fassnacht / UC Davs
O sistema quasar

Os novos resultados mostraram, tal como os estudos anteriormente publicados, que o Universo está a expandir mais rápido do que o que o modelo padrão prevê. “Uma diferença na constante de Hubble entre o Universo inicial e o tardio significa que falta algo no nosso modelo padrão actual”, concluiu a astrofísica Sherry Suyu, em comunicado.

A cientista coloca ainda uma hipótese em cima da mesa: “poderia ser uma energia escura exótica, ou uma nova partícula relativista, ou alguma outra nova física ainda por descobrir”.

Os cientistas ainda não sabem qual é a peça que falta neste puzzle, mas há quem culpe a matéria escura, a força invisível e misteriosa que poderia ter acelerado a expansão ao empurrar e sobrecarregar a sua gravidade.

Pode ser que a nova tecnologia de telescópio com base em espelhos nos leve a um modelo cosmológico mais completo do Universo. Até lá, os cientistas prometem não desistir de desvendar este mistério.

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2 Novembro, 2019

 

2945: Descoberta nova espécie de crustáceo. Estava na boca de um tubarão-baleia

CIÊNCIA

Tomikawa et al

Uma equipa de cientistas japoneses descobriu na boca de um tubarão-baleia (Rhincodon typus) uma nova espécie de crustáceo semelhante ao camarão.

De acordo com a agência noticiosa AFP, que avança a notícia, os pequenos animais recém-descobertos são uma variedade de subordem dos gammaridea, um tipo de crustáceo conhecido pela sua capacidade de sobreviver numa vasta variedade de habitats.

“Esta criatura, que tem geralmente entre 3 a 5 centímetros de comprimento, é incrível porque pode viver em ambientes diferentes”, disse à agência o cientista principal do estudo, Ko Tomikawa, professor associado da Universidade de Hiroxima, no Japão.

“Mas não esperar encontrar um no interior da boca de um tubarão-baleia”, confessou.

“A boca do tubarão-baleia é, provavelmente, um bom habitat, uma vez que a água do mar fresca, necessária para a respiração, entra regularmente, e a comida flui também”. Além disso, acrescentou, a boca do tubarão-baleia fornece “um lugar seguro” para estes crustáceos, longe dos predadores.

Estas pequenas criaturas tem o corpo são acastanhadas e dispõem de uma patas “peludas” que as ajudam a alimentar-se captando substâncias orgânicas. A espécie foi baptizada como Podocerus jinbe, tendo em conta o nome japonês para tubarão-baleia (jinbe zame).

A nova espécie foi encontrada depois de Tomikawa ter sido contactado por uma reversa de peixes subaquática em Okinawa, no sul do país, que desconfiava que um tubarão-baleia estava a viver lá, conta ainda o portal Gizmodo. A investigação encontrou cerca de mil criaturas foram encontradas dentro das brânquias da boca do tubarão.

Um artigo com os detalhes da descoberta foi esta semana publicado na revista científica especializada Species Diversity.

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2 Novembro, 2019

 

2944: Há 500 milhões de anos, as trilobites morreram em fila indiana (e agora sabemos porquê)

CIÊNCIA

(dr) Jean Vannier

Há 480 milhões de anos, no período Ordoviciano baixo, muitas trilobites morreram no fundo do mar em fila indiana. Agora, uma equipa de cientistas da Universidade de Lyon, em França, desvendou o mistério.

Em linhas estranhamente ordenadas, com os seus longos espinhos a tocarem uns nos outros como se estivessem em fila indiana ou a caminhar meticulosamente: foi assim que morreram várias trilobites no fundo do mar, há 480 milhões de anos.

O porquê de estes animais terem morrido em fila indiana permaneceu um mistério durante muito tempo. Agora, uma recente investigação sugere uma resposta.

A maneira como os artrópodes morreram, enterrados por sedimentos, sugere a presença de tempestades na altura, ou seja, o comportamento migratório colectivo foi desencadeado por distúrbios no ambiente.

Actualmente, muitos animais exibem comportamentos colectivos e sociais. Mas como e porque é que o comportamento colectivo evoluiu ainda permanece bastante sombrio, uma vez que exemplos deste tipo no registo fóssil são relativamente escassos.

Há cerca de 10 anos, uma equipa de paleontologistas encontrou uma espécie de artrópode anteriormente desconhecida do Baixo Cambriano (541 a 485 milhões de anos atrás) numa linha peculiar quase perfeita.

Vannier et al. / Scientific Reports, 2019

Até agora, os cientistas estavam convencidos de que esta linha era indicativa de comportamento colectivo, ou migratório ou relacionado com a reprodução. No entanto, análises até ao momento deixaram de fora informações muito importantes, como pesquisas do ambiente sedimentar em que foram enterradas.

Recentemente, o geólogo Jean Vannier, da Universidade de Lyon, e uma equipa internacional de cientistas descreveram as várias filas destas trilobites, chamadas Ampyx priscus, encontradas no Tremadocian Fezouata Shale Lagerstätte, perto de Marrocos.

“Mostramos que estes alinhamentos de trilobites não resultam de transporte e acumulação passivos por correntes, mas sim de um comportamento colectivo“, escreveram os cientistas, no artigo científico publicado na Scientific Reports. “O Ampyx priscus estava, provavelmente, a migrar em grupo e usou os seus longos espinhos projectados para manter uma formação de fileira única por contactos físicos possivelmente associados a mecano-receptores e/ou comunicação química“.

Segundo o Science Alert, esta análise constatou que os sedimentos em que as trilobites foram enterradas são consistentes com os sedimentos agitados e depositados por ondas provocadas por tempestades – em quantidades suficientes para enterrar linhas de trilobites, mas não fortes o suficiente para carregá-las.

Assim, sepultadas numa camada do fundo do mar, as trilobites morreram como estavam, envenenadas com sulfureto de hidrogénio, agitado pela tempestade, ou sufocadas.

Esta investigação torna claro o facto de haver fortes indícios de que o comportamento colectivo já prosperava há quase meio milhão de anos.

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2 Novembro, 2019

 

2943: Asteroid Impacts Might Wipe Out Alien Life Around Dwarf Stars

SCIENCE

What’s the recipe for a living planet? A new paper suggests that the right number of impacts is a key ingredient.

A NASA illustration shows an asteroid striking a planet.
(Image: © NASA/Don Davis)

What’s the recipe for a living planet? Astronomers aren’t sure — we haven’t found any other than Earth yet.

But we have some educated guesses: Life probably needs water, carbon, and enough light and heat to power a world without burning it to a crisp. The gravity shouldn’t be too high, and an atmosphere wouldn’t hurt either. But a new study proposes another essential ingredient: major asteroid and comet impacts, in just the right amounts.

When a large object strikes a planet, two things happen: The material from the object gets added to the planet’s mass, and some of the atmosphere around the impact zone gets kicked off into space, said Mark Wyatt, a University of Cambridge astronomer and lead author of the new paper. In truly giant impacts, like the one that formed Earth’s moon, some atmosphere gets booted off the far side of the planet as well, which means a bit more gets lost. But that doesn’t mean a wannabe home world should skip the impacts entirely. If a planet is to develop the conditions thought necessary for life, it’s best to belong to a middle category of planets that absorb plenty of major impacts — but not so many that they lose their atmospheres.

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That’s because planets almost certainly need “volatiles” in their atmospheres in order to sprout life, Wyatt told Live Science. Volatiles are chemicals, like water and carbon dioxide, that can boil at low temperatures. All life that we know of relies on water and carbon to sustain itself at a basic chemical level, and scientists believe that the properties of those chemicals make them necessary for life to arise anywhere in the universe.

But not all planets start off with the necessary concentrations of volatiles. Early in a star’s lifetime, it’s much brighter. And that extra shine is hot enough to bake all the loose dust in the region that will become the star’s habitable zone — the not-too-hot, not-too-cold area — later on. Those hot early temperatures likely strip water and other volatiles from the dust that will eventually become habitable planets. So after planets form and the star cools down, these rocky orbs need to acquire their volatiles from somewhere else in the solar system. In other words, they’ve got to smash into a bunch of big stray objects.

The researchers found that the best candidates for delivering volatiles while not stripping the planet’s atmosphere and sterilizing it are medium-size objects. Impacts from 60-foot-wide (20 meters) to 3,300-foot-wide (1 kilometer) asteroids and comets are very efficient at delivering volatiles and will tend to add more to the atmosphere than they subtract, the authors found. Bigger asteroids, between about 1 and 12 miles (2 and 20 km) across, will tend to strip more atmosphere than they add.

Giant impacts like the one that formed Earth’s moon, the authors found, don’t mess with that story as much as you might expect. Such events are pretty rare, and while they can change the composition of an atmosphere, they won’t completely remove it.

One of the important lessons from this paper is that small “M class” stars — the most common category of stars, too dim to see with the naked eye, many of them red dwarfs — are likely bad candidates for life, the authors wrote. That’s significant, because a great many potentially habitable exoplanets have turned up around those sorts of stars.

“For M stars, their low luminosity means that the habitable zone is much closer to the star than for a star like the sun,” Wyatt said.

To get enough light, an Earth-like planet circling an M-class star might have to be as close to that star as Mercury is to our sun.

And it gets worse. Right up next to a small, low-mass star, asteroids and comets fly around at much higher speeds and crash more dramatically into planets.

“Higher-velocity impacts are much more efficient at stripping an atmosphere,” Wyatt said.

That’s bad news for life on M worlds. And it’s not the only factor that makes M-world life unlikely.

“There are a number of reasons why habitable planets orbiting M dwarfs might not have an atmosphere, including stripping from stellar winds and the planets being much closer in to their host star,” said Sarah Rugheimer, an expert in exoplanet atmospheres at the University of Oxford, who was not involved in this research.

So is there any hope for life on M worlds?

“I think, ultimately, we will answer this question observationally with [the James Webb Space Telescope] soon after it launches: Do habitable planets orbiting M dwarfs have atmospheres?” Rugheimer said. “We know that slightly hotter and bigger planets orbiting M dwarfs do have thick atmospheres. But this question still remains for habitable planets: Can they retain a thin enough atmosphere, something like Earth rather than Venus?”

The authors emphasized in the paper that many of their conclusions are based on uncertainties: Where does life form? How much do other star systems out there resemble our solar system?

Edwin Bergin, an expert in planet formation and water at the University of Michigan who was not involved in this research, agreed with the authors that there are what he called “significant complications” in the calculations behind this paper.

“But the general trends they present are quite interesting and could be important,” he said.

He pointed to his own work, which has suggested that Earth started out with a thicker, nitrogen-rich atmosphere but lost much of it to impacts. The authors of this new paper suggested in their model that impacts from comets and asteroids might have shaped the atmospheres of Earth, Mars and Venus.

Down the road, the researchers said, there’s more to learn about how this work can explain our own solar system, particularly the role of giant impacts here. This paper has not yet been published in a peer-reviewed journal and is available on the preprint server arXiv.

Originally published on Live Science.
By Rafi Letzter – Staff Writer
31/10/2019