2779: Índia a 1078 km/h. Hyperloop arranca em 2020

TECNOLOGIA

O Hyperloop é uma nova forma de viajar, rápida e pouco poluente. O projecto para a Índia deverá arrancar já no final de 2020 e pode deslocar pessoas a 1078 km/h.

Actualmente, viajar a cerca de 1000 quilómetros por hora só é possível de avião. No entanto, as emissões poluentes dos motores deste transporte são, cada vez mais, uma preocupação dos Governos de diversos países. Essa preocupação leva à procura de soluções alternativas mais amigas do ambiente.

Uma das soluções encontradas é o Hyperloop, um transporte que tem como objectivo deslocar passageiros e mercadorias em cápsulas pressurizadas que levitam magneticamente num tubo em vácuo. O Hyperloop vai permitir viajar a velocidades superiores às de um avião comercial, mas com um menor gasto de energia e sem poluir.

A ideia do Hyperloop One partiu do multimilionário e CEO da Tesla Elon Musk, mas nunca surgiu um cliente… pelo menos, até agora. De acordo com Jay Walder, o CEO da Virgin Hyperloop One (a alteração da denominação da empresa seguiu-se à entrada de Richard Branson e da Virgin, em 2017), adquiriu um Hyperloop para ligar Bombaim a Pune (separadas por estrada em cerca de 150 quilómetros), estando as escavações agendadas para o final de 2020.

Segundo o Observador, para já, serão apenas construídos 12 quilómetros de tubo, em que a levitação magnética se destina a reduzir o atrito e a aumentar o conforto, para depois o vácuo no seu interior anular a resistência ao avanço.

Caso tudo funcione como previsto, o resto do percurso será finalizado, para que as deslocações entre as duas cidades seja possível a uma velocidade de 1078 km/h. O topo do tubo deverá ser revestido por painéis solares para que se reduzam as emissões nocivas ao ambiente.

Depois de Musk ter publicado todos os dados recolhidos pela sua equipa de desenvolvimento em 2013, encorajando outros a abraçar esta tecnologia, foram várias as empresas que se interessaram nesta forma de viajar, com destaque para a Virgin Hyperloop One e a sua principal concorrente, a Hyperloop Technologies.

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5 Outubro, 2019

 

2778: Cientistas já sabem como funciona a proteína que torna os tardígrados “invencíveis”

CIÊNCIA

dottedhippo / Canva

Uma equipa de cientistas da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, acaba de descobrir como funciona a proteína que torna os tardígrados, também conhecidos como ursos de água, quase invencíveis.

Os cientistas já conheciam as surpreendentes capacidades de sobrevivência destes minúsculos seres vivos, tendo agora conseguido explicar como é que uma proteína presente no seu corpo os torna tão resistentes, escreve o portal IFL Science.

Estes seres microscópicos, recorde-se, têm capacidades impressionantes que lhes permitem sobreviver em condições extremas: os tardígrados podem viver em temperaturas muito baixas no Oceano Árctico, resistir a altos níveis de radiação e até sobreviver a produtos químicos fatais para a maioria dos seres vivos.

Estudos anteriores revelaram que estes seres têm uma proteína (Dsup) que suprime danos no ADN induzidos por raio-X. No entanto, não era ainda claro como é que a proteína protegia os tardígrados contra este tipo de radiação – até agora.

Na nova investigação, cujos resultados foram esta semana publicados na revista científica eLife, os cientistas descobriram, recorrendo a análises bioquímicas, que a Dsup se liga à cromatina, uma substância composta por ADN ligado a proteínas.

Durante o processo, explicaram os cientistas, é criada uma espécie de nuvem protectora que, tal como o nome indica, protege as células contra os radicais hidroxila, moléculas altamente reactivas produzidas pela exposição aos raios X, explica a Russia Today.

“Agora temos uma explicação molecular sobre como é que a proteína Dsup protege as células da radiação de raios-X”, afirmou o cientista James T. Kadonaga, que participou na nova investigação, citado em comunicado da universidade norte-americana.

Os cientistas frisaram que esta descoberta é importante não só porque ajuda a melhor perceber a Biologia destes seres vivos, como também pode facilitar o desenvolvimento de células animais resistentes a condições extremas, visando aumentar a sua longevidade.

“Dsup pode ser usado numa variedade de aplicações, como terapias baseadas em células e ‘kits’ de diagnóstico nas quais o aumento da sobrevivência celular é benéfico”, explicou ainda o cientista.

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5 Outubro, 2019

 

2777: Encontradas evidências de vida microscópica com 3,5 mil milhões de anos

CIÊNCIA

University of New South Wales

Cientistas encontraram restos orgânicos de vida microscópica com 3,5 mil milhões de anos. Foram encontrados preservados em estromatólitos na Austrália.

Estromatólitos são rochas fósseis formadas por actividades de microrganismos e foi aqui que vida microscópica se pode ter desenvolvido há 3,5 mil milhões de anos. Acredita-se que estes possam ser alguns dos primeiros organismos a realizar fotossíntese, sendo responsáveis pelo oxigénio que surgiu no planeta.

Geólogos encontraram na Austrália as primeiras evidências directas de uma das formas mais antigas de vida. De acordo com o New Atlas, há décadas que cientistas procuravam por estas provas, encontradas agora por cientistas da Universidade de Nova Gales do Sul e publicadas na revista na semana passada na revista Geology.

Para as conseguirem, os investigadores tiveram de perfurar os estromatólitos para recolher amostras do centro das rochas. Aí havia uma maior probabilidade de encontrarem indícios de vida antiga. Com recurso a técnicas avançadas, os cientistas concluíram que estas rochas feitas maioritariamente de pirita continham sinais claros de matéria orgânica preservada.

Esta é uma descoberta emocionante — pela primeira vez, somos capazes de mostrar ao mundo que esses estromatólitos são evidências definitivas da primeira vida na Terra”, disse Raphael Baumgartner, investigador responsável pelo estudo.

“A matéria orgânica que encontramos preservada dentro da pirita dos estromatólitos é empolgante. Estamos a analisar filamentos coerentes e cordões excepcionalmente preservados que normalmente são restos de biofilmes microbianos“, acrescentou.

Apesar da descoberta ser claramente empolgante, estas não são as formas de vida mais antigas conhecidas pelos cientistas. Na Gronelândia foram encontrados estromatólitos com 3,7 mil milhões de anos e, no Canadá, acredita-se que tenham sido encontradas formas de vida com 4,3 mil milhões de anos.

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5 Outubro, 2019

 

2776: Extraterrestres podem estar a vigiar a Terra através de sondas espias

CIÊNCIA

NASA/JPL-Caltech

Os extraterrestres podem estar a vigiar a Terra através de sondas robóticas ocultas instaladas em corpos próximos do nosso planeta, alertou um físico do Search for Extraterrestrial Intelligence (SETI).

De acordo com James Benford, o cientista norte-americano que avançou com esta hipótese, é possível que os alienígenas vigiem a Terra há milhões de anos através de sondas de espionagem colocadas em objectos rochosos próximos da Terra. 

O cientista argumenta que objectos co-orbitais próximos – corpos que seguem uma rota em torno do Sol semelhante à da Terra -, recentemente descobertos fornecem uma “forma ideal para observar o nosso mundo”.

“Uma sonda próxima da Terra poderia ganhar tempo enquanto a nossa civilização desenvolve tecnologias capazes de localizá-la. Se encontrada, a sonda poderia estabelecer contacto connosco em tempo real”, defendeu Benford, que publicou recentemente os resultados da sua investigação na revista científica The Astronomical Journal.

“[A sonda] pode estar a reportar [informações] ao seu centro sobre a nossa Biosfera e a civilização há eras“, considerou ainda o cientista.

De acordo com o cientista, estas sondas robóticas poderiam ou não responder a um sinal, dependendo das motivações dos alegados seres alienígenas.

Apesar de a hipótese ser remota, o cientista do SETI considera importante verificá-la: para que os cientistas encontrem evidências de tecnologia alienígena, Benford sugere que sejam utilizados telescópios ópticos e radio-eléctricos e que até se envie uma nave espacial.

“Qual a possibilidade de uma sonda espia extraterrestre estar estacionada num desses objectos co-orbitais? Muito baixa, obviamente. Mas, se a missão for barata, por que não ir verificar? Se não encontrarmos um extraterrestre, pelo menos podemos encontrar outras coisas interessantes”, sugeriu, em declarações ao portal Science Alert.

Alguns cientistas acreditam que a Lua pode o candidato ideal para o posto de espionagem extraterrestre, tendo em conta a sua proximidade constante da Terra. No entanto, outros cientistas pensam o nosso satélite natural poderia ser um local arriscado: o facto de ser tão próximo da Terra, deixaria os extraterrestres pouco ocultos.

As ideias de Benford têm por base a longa conjectura de hipóteses já elaboradas por pessoas que participam em programas SETI.

Tal como recorda o mesmo portal de Ciência, foi o radio-físico Ronald Bracewell, em meados de 1960, o primeiro a sugerir que “comunidades galácticas superiores” poderiam ter instalado sondas inter-estelares autónomas no Espaço para observar, controlar e talvez até para comunicar com outras formas de vida.

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5 Outubro, 2019

 

2775: Guerra nuclear entre Índia e Paquistão poderia matar 100 milhões e provocar arrefecimento global

AMBIENTE

rclarkeimages / Flickr

Um estudo criado por investigadores mostra como uma guerra entre a Índia e o Paquistão causar a morte de 100 milhões de mortes, ao que se seguiria a fome em massa a nível global à medida e um novo período de arrefecimento no planeta, com temperaturas não vistas desde a última Era Glacial.

Num artigo publicado quarta-feira, citado pelo Raw Story, os cientistas relatam um cenário criado para o ano 2025, no qual militantes atacam o parlamento indiano, matando a maioria dos seus líderes. Nesse mesmo cenário, Nova Deli retalia, enviando tanques para a parte de Caxemira controlada pelo Paquistão.

Temendo ser invadida, Islamabade atinge as forças invasoras com armas nucleares, desencadeando uma troca crescente – que se torna o conflito mais mortal da História – e envia milhões de toneladas de fumo negro e espesso para a atmosfera.

Este cenário projectado pelos investigadores surge num momento de renovadas tensões entre os dois países, que travaram várias guerras pelo território de maioria muçulmana de Caxemira, e que estão a construir arsenais atómicos. Cada país tem já cerca de 150 ogivas nucleares à sua disposição e o número deverá subir para mais de 200 em 2025.

“A Índia e o Paquistão continuam em conflito por Caxemira e todos os meses lemos sobre pessoas a morrer ao longo da fronteira”, disse à AFP o professor de Ciências Ambientais da Rutgers University, Alan Robock, em dos autores do artigo.

O primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi, abandonou em Agosto a autonomia da parte da Caxemira controlada por Nova Deli, com o seu homólogo paquistanês, Imran Khan, a avisar que a disputa poderia transformar-se numa guerra nuclear.

Pierre J. / Flickr

O último conflito na fronteira dois países ocorreu em Fevereiro, terminando depois de o Paquistão devolver à Índia o corpo de um piloto abatido.

Arrefecimento catastrófico

Tendo por a população actual e os centros urbanos – que provavelmente seriam alvos -, os investigadores estimaram que até 125 milhões de pessoas poderiam ser mortas se fossem usadas armas de 100 quilotons – seis vezes mais potentes que as bombas lançadas em Hiroshima. Durante a 2.ª Guerra Mundial, foram mortas entre 75 e 80 milhões de pessoas.

A pesquisa constatou que tempestades de fogo em massa desencadeadas pelas explosões das armas nucleares poderiam liberar entre 16 a 36 milhões de toneladas de fuligem (carbono preto) na atmosfera, que se espalhariam pelo mundo em semanas.

Essa fuligem, por sua vez, absorveria a radiação solar, aquecendo o ar e aumentando a fumaça. A luz solar que atinge a Terra diminuiria de 20 a 35%, arrefecendo a superfície de entre dois a cinco graus Celsius e reduzindo a precipitação em 15 a 30%.

A isso se seguiria a escassez mundial de alimentos, com os seus efeitos a persistir durante aproximadamente uma década.

“Espero que nosso trabalho faça as pessoas perceberem que não se podem usar armas nucleares. São armas de genocídio em massa”, indicou ainda Alan Robock à AFP, acrescentando que as evidências do estudo apoiam o Tratado da ONU, de 2017, sobre a Proibição de Armas Nucleares.

TP, ZAP //

Por TP
4 Outubro, 2019

 

2774: The Ocean Cleanup recolhe plástico do Pacífico pela primeira vez

CIÊNCIA

(hd) The Ocean Cleanup / EPA

O fundador da associação The Ocean Cleanup, Boyan Slat, anunciou que a sua criação está finalmente a conseguir recolher plásticos na Grande Mancha de Lixo do Pacífico, depois de um teste que durou um ano.

Os plásticos invadiram os mares e este é um dos maiores problemas que a humanidade tem para resolver. No entanto, há uma esperança: a associação sem fins lucrativos The Ocean Cleanup está a conseguir recolher plástico da ilha de lixo do Pacífico Norte.

O sistema consiste num conjunto de tubos que formam uma barreira flutuante em forma de U que consegue apanhar o plástico, deixando uma abertura na parte inferior para que os peixes e outros animais possam nadar em liberdade.

Depois do teste lançado em Setembro do ano passado e concluído em Janeiro de 2019 ter falhado, por não ter conseguido recolher praticamente nenhum plástico, Boyan Slat, fundador da The Ocean Cleanup, pensou que talvez usar a corrente a seu favor seria uma boa abordagem. No primeiro teste, a própria estrutura acabou por se partir.

Esta quarta-feira, o holandês anunciou, numa conferência de imprensa em Roterdão, que estão finalmente a conseguir recolher plástico na Grande Mancha de Lixo do Pacífico, um amontoado de lixo que tem 17 vezes o tamanho de Portugal, localizado entre o Havai e a costa da Califórnia.

“Agora temos um sistema autónomo na Grande Mancha de Lixo do Pacífico que usa as forças naturais do oceano para capturar e concentrar passivamente os plásticos, confirmando assim o princípio mais importante por trás do sistema de limpeza do oceano”, disse à CNN.

Segundo um estudo publicado em Setembro na Nature, o consumo anual de plástico ultrapassou os 320 milhões de toneladas. Segundo o Público, o método criado por Slat pode fazer a diferença, já que é capaz de apanhar micro-plásticos com apenas um milímetro, mas também grandes objectos de pescas abandonados.

O plano agora é ampliar o sistema, de modo a torná-lo mais forte e resistente, para que possam ser atingidos objectivos de, nos próximos cinco anos, capturar 50% dos resíduos (cerca de 40 mil toneladas) da Grande Mancha de Lixo do Pacífico.

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4 Outubro, 2019

 

2773: Há uma fibra (associada ao luxo) que resiste ao frio do espaço sideral

CIÊNCIA

pxhere

A seda é capaz de resistir a temperaturas do espaço sideral. Enquanto outras fibras poliméricas se quebram com o frio ela aumenta a resistência.

Depois de muitos anos a trabalhar essa aparente contradição, uma equipa de investigadores da Universidade de Oxford, no Reino Unido, descobriu que a resistência criogénica da seda se deve às suas fibrilas (pequenas fibras) em nano escala.

A ordem e hierarquia sub-microscópicas permite que a seda resista a temperaturas negativas de 200 graus, e possivelmente ainda mais baixas, o que torna a fibra natural, clássica e associada ao luxo como a ideal para aplicações nas profundezas do frio do espaço sideral.

A equipa testou o comportamento e funções de várias sedas à temperatura do nitrogénio líquido (196 graus negativos). As fibras incluíam sedas de aranha, mas sobretudo as do bicho-da-seda, mais grossas.

Num artigo publicado esta quinta-feira na revista Materials Chemistry Frontiers, os investigadores explicam que conseguiram mostrar que a seda aumenta a resistência em condições em que outros materiais se tornariam quebradiços, parecendo contradizer o entendimento da ciência dos polímeros, não perdendo, mas antes ganhando qualidades em temperaturas muito frias, ficando mais forte e mais elástica.

De acordo com a teoria tradicional dos polímeros, diz o estudo que as pequenas fibras individuais se tornam mais duras à medida que ficam mais frias. Na seda, a alteração da temperatura modula a atracção entre moléculas e afecta as propriedades individuais de cada pequena fibra.

As descobertas poderão ter implicações de longo alcance, sejam novos materiais para uso nas regiões polares, sejam novos compostos para aviões leves ou para outros aparelhos na estratosfera e mesosfera.

“Prevemos que este estudo levará ao design e construção de novas famílias de filamentos e compósitos estruturais difíceis usando filamentos naturais inspirados na seda para aplicações em condições de frio extremo, como no espaço”, adiantou o professor Fritz Vollrath, do Departamento de Zoologia da Universidade de Oxford.

As sedas naturais são ambientalmente sustentáveis, e muitas delas são bio-compatíveis, o que as torna boas para uso em dispositivos médicos.

ZAP // Lusa

Por ZAP
4 Outubro, 2019