2772: Cientista da NASA diz: “estamos perto de anunciar vida extraterrestre em Marte…”

CIÊNCIA

Numa entrevista surpreendente, o director da Divisão de Ciência Planetária da NASA, Jim Green, disse que a agência espacial está perto de “fazer alguns anúncios” sobre vida extraterrestre em Marte – mas que não estamos prontos para isso.

Não é de agora que se ambiciona conhecer vida extraterrestre, tem havido mesmo uma procura crescente. No entanto, será que estamos preparados para esse momento revolucionário?

NASA poderá anunciar algo revolucionário

Jim Green referiu que o que a NASA tem para dar a conhecer “será revolucionário”. Conforme as palavras do cientista em entrevista ao The Telegraph, teremos grandes novidades em breve.

É como quando Copérnico declarou ‘não andamos a dar a volta ao Sol’. Completamente revolucionário. Vai começar uma nova linha de pensamento. Acho que não estamos preparados para os resultados. Nós não estamos.

Acrescentou que está preocupado porque acredita que a NASA está perto de encontrar a vida e fazer tal anúncio. Contudo, é uma interrogação sobre o que acontecerá depois!

O que acontece a seguir é um novo conjunto de questões científicas. Essa vida é como a nossa? Como estamos relacionados? Pode a vida mover-se de planeta para planeta ou temos uma faísca e o ambiente certo e essa faísca gera vida – como nós ou não – com base no ambiente químico em que se encontra?

Referiu Green.

Missão a Marte está a entusiasmar a comunidade científica

Em comunicado, o porta-voz da NASA, Allard Beutel, disse que a agência está entusiasmada com a missão a Marte. Além disso, existe um grande optimismo com as missões futuras onde as perspectivas de vida foram levantadas.

Um componente chave do trabalho da NASA é a procura por blocos de construção e sinais de vida noutros lugares. Estamos animados com as descobertas científicas dos nossos rovers em Marte actualmente e no futuro, bem como as missões para Europa, Titan, e outros lugares. Assim como os astronautas da NASA que pousaram na Lua mudaram a nossa concepção do nosso lugar no universo, a descoberta da vida noutros lugares também seria um evento que mudaria a civilização. Como com todas as descobertas, a NASA trabalharia para confirmar e partilhar informações validadas com o mundo o mais rápido possível.

Disse Beutel via e-mail à publicação.

Em Julho próximo, a NASA está programada para lançar o seu veículo Marte 2020 no que ela espera que seja uma “caçada bem sucedida” para a vida extraterrestre no Planeta Vermelho. Em Novembro passado, a agência espacial selecionou Jezero Crater como o ponto de pouso para o rover, onde se espera que ele aterre na superfície do planeta a 18 de Fevereiro de 2021.

A Cratera Jezero, com cerca de 45 km de largura, fica na borda oeste de Isidis Planitia, uma bacia de impacto gigante ao norte do equador do planeta. A NASA observou que é o lar de algumas das “paisagens cientificamente mais interessantes que Marte tem para oferecer. Segundo o astrónomo, este local já foi o lar de um antigo delta de um rio, onde antigas moléculas orgânicas e outros sinais de vida microbiana podem ter sido armazenados há milhões de anos.

Jezero Crater foi escolhida entre mais de 60 locais

Jim Bridenstine

@JimBridenstine

JUST IN: Jezero Crater will be the landing site of ’s next rover being sent to Mars in 2020. This area, with a history of containing water, may have ancient organic molecules & other potential signs of microbial life from billions of years ago: https://www.nasa.gov/press-release/nasa-announces-landing-site-for-mars-2020-rover 

Além da missão Mars 2020, cujo lançamento está previsto para um custo estimado de mais de 2 mil milhões de dólares, de acordo com a Space News, a Agência Espacial Europeia também irá colocar um rover em Marte. O rover ExoMars está programado para aterrar no Planeta Vermelho em Março de 2021.

Green referiu que essas duas missões oferecem uma “oportunidade de encontrar vida”, acrescentando que “nunca perfuramos tão profundamente” no planeta.

Quando começamos o campo da astrobiologia nos anos 90, começamos a procurar vida extrema. Descemos em minas a 3 quilómetros de profundidade na Terra e se elas tinham água, então estavam cheias de vida. Fomos para lugares onde se pensa que nada poderia sobreviver, e estão cheios de vida. E o resultado final é que onde há água, há vida.

Concluiu Jim Green.

Leito de lago pode ter sido um dia próspero em vida marciana

Em Junho de 2018, a NASA fez um anúncio impressionante. Nessa altura, observaram que o Curiosity rover “encontrou moléculas orgânicas em rochas de um antigo leito de lago”. As rochas têm milhares de milhões de anos de idade, disse a NASA, antes de acrescentar que não tinha encontrado vida no planeta.

Um estudo apresentado em Agosto sugeriu que o Planeta Vermelho era suficientemente quente e húmido. Assim, é um ambiente propício a ter tempestades maciças e água corrente. Deste modo, este será um ambiente que pode ter sustentado a vida, entre 3 e 4 mil milhões de anos.

ExoMars envia imagens impressionantes da superfície de Marte

Estas são as primeiras imagens de Marte enviadas pela nave espacial ExoMars Trace Gas Orbiter (TGO) da Agência Espacial Europeia (ESA). Missão com corporação da Corporação Estatal de Actividades Espaciais Roscosmos. As fotos mostram … Continue a ler ExoMars envia imagens impressionantes da superfície de Marte

04 Out 2019

 

2771: Novos compostos orgânicos descobertos nos grãos de gelo de Encélado

CIÊNCIA

Nesta imagem obtida pela sonda Cassini da NASA em 2007, as plumas de Encélado são claramente visíveis. A lua está quase em frente do Sol, da perspectiva da Cassini.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Novos tipos de compostos orgânicos, os ingredientes dos aminoácidos, foram detectados nas plumas expelida da lua de Saturno, Encélado. As descobertas são o resultado da análise profunda e contínua dos dados da missão Cassini da NASA.

Poderosas fontes hidrotermais ejectam material do núcleo de Encélado, que se mistura com a água do imenso oceano subterrâneo da lua antes de ser libertado para o espaço como vapor de água e grãos de gelo. As moléculas recém-descobertas, condensadas nos grãos gelados, foram determinadas como compostos contendo azoto e oxigénio.

Na Terra, compostos semelhantes fazem parte das reacções químicas que produzem aminoácidos, os blocos de construção da vida. As fontes hidrotermais no fundo do oceano fornecem a energia que alimenta as reacções. Os cientistas pensam que as fontes hidrotermais de Encélado possam operar da mesma maneira, fornecendo energia que leva à produção de aminoácidos.

“Se as condições forem as ideais, estas moléculas vindas do oceano profundo de Encélado podem estar no mesmo caminho de reacção que vemos aqui na Terra. Ainda não sabemos se os aminoácidos são necessários para a vida além da Terra, mas a descoberta de moléculas que formam aminoácidos é uma peça importante do quebra-cabeças,” disse Nozair Khawaja, que liderou a equipa de investigação. As suas descobertas foram publicadas na edição de dia 2 de Outubro da revista Monthly Notices of the Royal Astronomical Society.

Embora a missão da Cassini tenha terminado em Setembro de 2017, os dados que forneceu serão minados durante décadas. A equipa de Khawaja usou dados do instrumento CDA (Cosmic Dust Analyzer) da sonda, que detectou grãos de gelo emitidos de Encélado para o anel E de Saturno.

Os cientistas usaram as medições do espectrómetro de massa do CDA para determinar a composição do material orgânico nos grãos.

Os compostos orgânicos identificados dissolveram-se no oceano de Encélado e depois evaporaram-se da superfície da água antes de condensar e congelar em grãos de gelo dentro das fissuras da crosta da lua, descobriram os cientistas. Soprados para o espaço com a pluma crescente emitida por estas fissuras, os grãos de gelo foram então analisados pelo CDA da Cassini.

As novas descobertas complementam a descoberta da equipa, no ano passado, de grandes moléculas orgânicas complexas e insolúveis que se pensa flutuarem à superfície do oceano de Encélado. A equipa aprofundou este trabalho para descobrir quais os ingredientes, dissolvidos no oceano, necessários para os processos hidrotermais que estimulariam a formação de aminoácidos.

“Aqui estamos a descobrir blocos orgânicos menores e solúveis – potenciais percursores de aminoácidos e outros ingredientes necessários para a vida na Terra,” disse o co-autor Jon Hillier.

“Este trabalho mostra que o oceano de Encélado possui blocos de construção reactivos em abundância, e é outra luz verde na investigação da habitabilidade de Encélado,” acrescentou o co-autor Frank Postberg.

Astronomia On-line
4 de Outubro de 2019

 

As “sementes” dos buracos negros, desaparecidas do jardim cósmico

CIÊNCIA

Os buracos negros super-massivos no coração de galáxias em fusão aproximam-se cada vez mais um do outro até que se fundem, libertando quantidades gigantescas de energia. O processo pode explicar como é que os buracos negros atingem tamanhos tão grandes.
Crédito: NASA

No vasto jardim do Universo, os buracos negros mais pesados cresceram a partir de sementes. Alimentados pelo gás e poeira que consumiram, ou pela fusão com outros objectos densos, estas sementes cresceram em tamanho e massa para formar os centros das galáxias como a nossa Via Láctea. Mas, ao contrário do reino das plantas, as sementes dos buracos negros gigantes devem ter sido buracos negros também. E ninguém encontrou estas sementes – ainda.

Uma ideia é que os buracos negros super-massivos – o equivalente em massa a centenas de milhares a milhares de milhões de sóis – cresceram a partir de uma população de buracos negros mais pequenos que nunca foram vistos. Este grupo elusivo, os “buracos negros de massa intermédia”, teriam entre 100 e 100.000 vezes a massa da nossa estrela-mãe. Entre as centenas de buracos negros encontrados até agora, existem muitos relativamente pequenos, mas nenhum com certeza no “deserto” intermédio da gama de massas.

Os cientistas estão a trabalhar com poderosos telescópios espaciais da NASA, além de outros observatórios, para rastrear objectos distantes que se encaixam na descrição destas entidades exóticas. Já encontraram dezenas de possíveis candidatos e estão a trabalhar para confirmá-los como buracos negros. Mas, mesmo que o façam, isto abre um novo mistério: como é que os buracos negros de massa intermédia se formaram?

“O que é fascinante, e a razão de se gastar tanto tempo a encontrar estes buracos negros de massa intermédia, é porque lançam luz sobre os processos que aconteceram no início do Universo, sobre as massas destes buracos negros relíquias, e sobre novos mecanismos de formação de buracos negros que ainda não conhecemos,” disse Fiona Harrison, professora de física no Caltech em Pasadena, no estado norte-americano da Califórnia, e investigadora principal da missão NuSTAR da NASA.

Os buracos negros

Um buraco negro é um objecto extremamente denso no espaço, do qual nenhuma luz consegue escapar. Quando o material cai num buraco negro, não tem como sair. E quanto mais um buraco negro come, mais cresce em massa e tamanho.

Os buracos negros mais pequenos são chamados de “massa estelar”, entre 1 e 100 vezes a massa do Sol. Formam-se quando as estrelas explodem em processos violentos chamados super-novas.

Os buracos negros super-massivos, por outro lado, são as âncoras centrais de galáxias grandes – por exemplo, o nosso Sol e todas as outras estrelas da Via Láctea orbitam um buraco negro chamado Sagitário A* com aproximadamente 4,1 milhões de massas solares. Um buraco negro ainda mais massivo – com uns incríveis 6,5 mil milhões de vezes a massa do Sol – serve como peça central da galáxia Messier 87 (M87). O buraco negro super-massivo de M87 aparece na famosa imagem do EHT (Event Horizon Telescope), mostrando um buraco negro e a sua “sombra” pela primeira vez. Esta sombra é provocada pelo horizonte de eventos, o ponto de não retorno do buraco negro, curvando e capturando a luz com a sua forte gravidade.

Os buracos negros super-massivos tendem a ter discos de material em seu redor chamados “discos de acreção”, feitos de partículas extremamente quentes e altamente energéticas que brilham à medida que se aproximam do horizonte de eventos – a região de não retorno do buraco negro. Aqueles que fazem os seus discos brilhar intensamente, porque comem muito, são chamados “núcleos galácticos activos”.

A densidade de matéria necessária para criar um buraco negro é incompreensível. Para fazer um buraco negro com 50 vezes a massa do Sol, precisaríamos de colocar o equivalente a 50 sóis numa bola com menos de 300 km de diâmetro. Mas, no caso do buraco negro super-massivo de M87, é como se 6,5 mil milhões de sóis fossem comprimidos numa bola maior que a órbita de Plutão. Em ambos os casos, a densidade é tão alta que o material original deve desmoronar numa singularidade – um rasgo no tecido do espaço-tempo.

A chave para o mistério das origens dos buracos negros é o limite físico de quão depressa podem crescer. Até os monstros gigantes nos centros das galáxias têm limites para os seus frenesins alimentícios, porque uma certa quantidade de material é repelido pela radiação altamente energética proveniente de partículas quentes perto do horizonte de eventos. Só a comer material circundante, um buraco negro de baixa massa pode duplicar a sua massa em 30 milhões de anos, por exemplo.

“Se começarmos com uma massa de 50 sóis, não podemos simplesmente aumentá-la para mil milhões ao longo de mil milhões de anos,” disse Igor Chilingarian, astrofísico do Observatório Astrofísico do Smithsonian, em Cambridge, Massachusetts, e da Universidade Estatal de Moscovo. Mas, “como sabemos, existem buracos negros super-massivos menos de mil milhões de anos após a formação do Universo.”

Como fazer um buraco negro que não podemos ver

No início da história do Universo, a semente de um buraco negro de massa intermédia pode ter sido formada a partir do colapso de uma grande nuvem de densa de gás ou de uma explosão de super-nova. As primeiras estrelas que explodiram no Universo tinham hidrogénio e hélio puros nas suas camadas exteriores, com elementos mais pesados concentrados no núcleo. Esta é uma receita para um buraco negro muito mais massivo do que as estrelas explosivas modernas, que estão “poluídas” com elementos pesados nas suas camadas exteriores e, portanto, perdem mais massa através dos seus ventos estelares.

“Se estamos a formar buracos negros com 100 massas solares no início do Universo, alguns deles devem fundir-se, mas então basicamente devíamos produzir uma gama completa de massas, e alguns deles ainda devem andar por aí,” comentou Tod Strohmayer, astrofísico do Centro de Voo Espacial Goddard da NASA, Greenbelt, Maryland. “Então, onde é que estão, se realmente se formaram?”

Uma pista de que os buracos negros de massa intermédia ainda podem realmente estar por aí veio do LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) da NSF, uma colaboração entre o Caltech e o MIT (Massachusetts Institute of Technology). Os detectores do LIGO, em combinação com uma instalação europeia chamada Virgo, estão a encontrar muitas fusões diferentes de buracos negros através de ondulações no espaço-tempo chamadas ondas gravitacionais.

Em 2016, o LIGO anunciou uma das descobertas científicas mais importantes dos últimos 50 anos: a primeira detecção de ondas gravitacionais. Especificamente, os detectores localizados em Livingston, Louisiana, e Hanford, Washington, captaram o sinal de dois buracos negros em fusão. As massas destes buracos negros – 29 e 36 vezes a massa do Sol, respectivamente – surpreenderam os cientistas. Embora estes ainda não sejam tecnicamente de massa intermédia, são grandes o suficiente para levantar sobrancelhas.

É possível que todos os buracos negros de massa intermédia já se tenham fundido, mas também que a tecnologia não tenha sido aperfeiçoada para os localizar.

Então, onde é que estão?

É complicado procurar buracos negros no “deserto” da massa intermédia porque os próprios buracos negros não emitem luz. No entanto, os cientistas podem procurar sinais indicadores específicos usando telescópios sofisticados e outros instrumentos. Por exemplo, dado que o fluxo de matéria para um buraco negro não é constante, a massa agregada de material consumido provoca certas variações na emissão de luz no ambiente. Tais mudanças podem ser vistas mais rapidamente em buracos negros mais pequenos do que em buracos negros maiores.

“Numa escala de horas, podemos fazer a campanha observacional que, para os núcleos galácticos activos, leva meses,” disse Chilingarian.

O candidato mais promissor a buraco negro de massa intermédia tem o nome HLX-1, com uma massa de cerca de 20.000 vezes a do Sol. HLX-1 significa “Hyper-Luminous X-ray source 1” e a sua produção energética é muito maior que a de estrelas parecidas com o Sol. Foi descoberto em 2009 pelo astrónomo australiano Sean Farrell, usando o telescópio espacial XMM-Newton da ESA. Um estudo de 2012, usando os telescópios espaciais Hubble e Swift da NASA, encontrou sugestões de um enxame de jovens estrelas azuis em órbita deste objecto. Pode ter sido o centro de uma galáxia anã engolida pela galáxia maior ESO 243-49. Muitos cientistas consideram HLX-1 um buraco negro de massa intermédia já provado, disse Harrison.

“As cores da luz de raios-X que emite, e o modo como se comporta, são muito semelhantes a um buraco negro,” acrescentou Harrison. “Muitas pessoas, incluindo o meu grupo, têm programas para encontrar coisas que se parecem com HLX-1, mas até agora nenhum é consistente. Mas a caça continua.”

Objectos menos brilhantes que podem ser buracos negros de massa intermédia são chamadas fontes de raios-X ultra-luminosas, ou ULXs (“ultraluminous X-ray sources”). Uma ULX cintilante chamada NGC 5048 X-1 tem sido especialmente interessante para os cientistas que procuram buracos negros de massa intermédia. Mas os observatórios de raios-X NuSTAR e Chandra da NASA surpreenderam os cientistas ao revelar que muitas ULXs não são buracos negros – são pulsares, remanescentes estelares extremamente densos que parecem pulsar como faróis.

M82 X-1, a fonte de raios-X mais brilhante na galáxia M82, é outro objecto muito brilhante que parece piscar em escalas de tempo consistentes com um buraco negro de massa intermédia. Estas mudanças no brilho estão ligadas com a massa do buraco negro e são provocadas por material em órbita perto da região interior do disco de acreção. Um estudo de 2014 analisou variações específicas na luz de raios-X e estimou que M82 X-1 tem uma massa equivalente a 400 sóis. Os cientistas usaram dados de arquivo do satélite RXTE (Rossi X-ray Timing Explorer) da NASA para estudar estas variações de brilho em raios-X.

Mais recentemente, os cientistas investigaram um grupo maior de possíveis buracos negros de massa intermédia. Em 2018, Chilingarian e colegas descreveram uma amostra de 10 candidatos reanalisando dados ópticos do SDSS (Sloan Digital Sky Survey) e comparando as perspectivas iniciais com dados de raios-X do Chandra e do XMM-Newton. Agora estão a utilizar telescópios terrestres no Chile e no Arizona. Mar Mezcua do Instituto de Ciências Espaciais da Espanha liderou um estudo separado em 2018, também com o Chandra, encontrando 40 buracos negros crescentes em galáxias anãs que podem estar nesta faixa especial de massa intermédia. Mas Mezcua e colaboradores argumentam que estes buracos negros se formaram originalmente no colapso de nuvens gigantes, não em explosões estelares.

O que aí vem

As galáxias anãs são lugares interessantes para continuar esta procura porque, em teoria, sistemas estelares mais pequenos podem hospedar buracos negros de massa muito menor do que os encontrados nos centros de galáxias maiores como a nossa.

Os cientistas também estão a procurá-los em enxames globulares – concentrações esféricas de estrelas localizadas nos arredores da Via Láctea e de outras galáxias – pela mesma razão.

“Podem lá haver buracos negros desta categoria, em galáxias desta categoria, mas se não estiverem a acretar muita matéria, poderá ser difícil observá-los,” disse Strohmayer.

Os caçadores de buracos negros de massa intermédia aguardam ansiosamente o lançamento do Telescópio Espacial James Webb da NASA, que estudará as primeiras galáxias da Universo. O Webb vai ajudar os astrónomos a descobrir o que surgiu primeiro – a galáxia ou o seu buraco negro central – e como esse buraco negro pode ter sido produzido. Em combinação com observações de raios-X, os dados infravermelhos do Webb serão importantes para identificar alguns dos candidatos mais antigos a buraco negro.

Outra nova ferramenta lançada em Julho pela agência espacial russa Roscosmos chama-se Spectrum X-Gamma, uma espaço-nave que varre o céu em raios-X e transporta um instrumento com espelhos desenvolvidos e construídos em parceria com o Centro de Voo Espacial Marshall da NASA, em Huntsville, estado norte-americano do Alabama. As informações de ondas gravitacionais da colaboração LIGO-Virgo também vão ajudar na busca, assim como a missão planeada LISA (Laser Interferometer Space Antenna) da ESA.

Esta frota de novos instrumentos e tecnologias, além das actuais, vai ajudar os astrónomos à medida que continuam a vasculhar o jardim cósmico em busca das sementes de buracos negros e galáxias como a nossa.

Astronomia On-line
4 de Outubro de 2019

 

2769: “Casa dos Mortos” encontrada na Noruega pode desvendar novos segredos da Era Viking

CIÊNCIA

Khosrork / Canva

Pouco se sabe sobre as morgues – ou “casa dos mortos” – vikings. Esta nova descoberta aponta uma diversidade nas práticas funerárias vikings até agora desconhecida, que vai muito além do uso de barcos, em simbologia da travessia para o outro lado da vida. 

Durante a construção de uma estrada na província de Trondelag, na Noruega, foi encontrado um cemitério no território da fazenda medieval de Vinjeora. Depois de várias escavações, ficou claro que não se tratava de um cemitério comum, mas sim de uma morgue da Era Viking.

Esta rara descoberta consiste numa construção de cerca de cinco metros de comprimento e meio metro de largura. De acordo com os arqueólogos que trabalharam no local, o prédio tinha colunas nos seus quatro cantos, que sustentavam um telhado de tábuas. À excepção de alguns tijolos, as paredes e o tecto do prédio já não estão preservados há muito tempo.

Vikinger i krig

Spenner funn av et dødehus fra vikingtid

FANT HUS MIDT I GRAVHAUG: Den døde ble sannsynligvis gravlagt inne i huset. Foto: Raymond Sauvage / NTNU Vitenskapsmuseet

Raymond Sauvage, arqueólogo do Museu Científico da Universidade de Ciência e Tecnologia da Noruega, disse à NRK que “esta descoberta é muito interessante”, na medida em que o condado de Vinjeora foi um assentamento viking. Nos campos de Vinjeora foram encontrados até sete cemitérios, invisíveis aos olhos leigos por causa do impacto de vários anos de actividade agrícola.

Os arqueólogos encontraram na região tanto barcos quanto caixões, o que sugere que os vikings velavam os mortos de várias maneiras. “Já sabíamos que, naquela altura, as pessoas eram veladas em barcos. Mas agora sabemos que alguns poderiam ser velados em covas”, afirmou o arqueólogo, citado pela Sputnik News.

“Alguns eram, inclusive, cremados. Somando todas as informações, temos um quadro muito interessante. Esperamos que isto possa melhorar a nossa percepção sobre a Era Viking na Escandinávia”, acrescentou Sauvage.

Fant sjeldent dødehus

Inne i gravhaugen fant arkeologene restene av et sjeldent dødehus fra vikingtida.– Vi kjenner jo til at folk ble begravd i båter. Nå forstår vi at noen også fikk et hus med seg i graven, sier Raymond Sauvage.Les mer her: https://www.nrk.no/viten/arkeologer-ved-ntnu-vitenskapsmuseet-har-funnet-restene-fra-et-sjeldent-dodehus-fra-vikingtiden-1.14707210

Publicado por NRK Viten em Quinta-feira, 26 de setembro de 2019

Até agora, foram descobertas 15 morgues na Noruega. Apesar da descoberta de construções semelhantes noutros pontos da Escandinávia, como na Suécia e na Dinamarca, este fenómeno ainda é pouco conhecido.

Há quem acredite que estas “casas” desempenharam papel simbólico, semelhante à prática de despachar cadáveres em barcos, simbolizando a travessia final.

Marianne Hem Eriksem, do Museu de História Cultural de Oslo, sugeriu que as “casas dos mortos” fossem um local ritualístico, cuja função seria acompanhar a transição entre a morte biológica e a morte social. “Talvez fossem locais para se despedirem, limpar e vestir os cadáveres, antes do momento do enterro”, explicou.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2768: Jazz marciano? Sonda da NASA detecta “sons peculiares” em Marte

CIÊNCIA

A sonda InSight, projectada pela NASA para estudar o interior de Marte, detectou uma série de “sons peculiares” em solo marciano, revelou a agência espacial norte-americana esta semana. 

Os sons, que podem ser ouvidos numa gravação disponibilizada pela NASA, foram capturados graças ao sismógrafo do rover e correspondem a sinais sísmicos e outros ruídos registados no Planeta Vermelho.

Depois de captados, explica a NASA, estes mesmo sons foram adaptados para que pudessem ser ouvidos pelo ouvido humano.

O sismógrafo em causa é capaz de registar ondas sonoras como as que são produzidas por rajadas de vento ou mesmo pelos movimentos do braço robótica da sonda e outras ferramentas mecânicas.

“Como soam para vocês? (…) Como um conjunto de jazz marciano?”, questionou a NASA, na sua página oficial, aos seus leitores.

Desde que pousou em Marte, em Novembro passado, a InSight detectou mais de 100 eventos no Planeta Vermelho, 21 dos quais considerados terramotos.

A sonda aterrou em Marte ao fim de uma viagem de seis meses e meio, depois de ter sido lançada para o espaço a 5 de maio deste ano. A InSight representa o regresso das sondas à superfície de Marte depois de um interregno de seis anos, desde que a sonda Curiosity chegou à superfície do planeta em 2012.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2767: Andrómeda tem estado a devorar outras galáxias desde bebé (e a Via Láctea pode ser a próxima)

CIÊNCIA

NASA
Andrómeda, ou M31, é uma galáxia espiral parecida com a Via Láctea.

A Andrómeda (M31), que tem cerca de 10.000 milhões de anos de antiguidade, tem estado a devorar outras galáxias desde bebé e a Via Láctea pode ser a sua próxima vítima, revelou uma nova investigação.

De acordo com o novo estudo, cujos resultados foram esta quarta-feira publicados na revista Nature, a Andrómeda devorou pelo menos outras duas galáxias ao incorporar as suas estrelas no seu halo galáctico há mil milhões de anos.

Na mesma publicação, os cientistas alerta que o mesmo pode acontecer com a nossa galáxia: a Via Láctea pode ser devorada pela “canibal” Andrómeda.

A Via Láctea, recorde-se, está em rota de colisão com a Andrómeda, que é a maior galáxia próxima de nós. O evento de colisão deverá ocorrer dentro de 4,5 mil milhões de anos.

“A Andrómeda tem um halo estelar muito maior e muito mais complexo do que a Via Láctea, o que indica que canibalizou muito mais galáxias, possivelmente maiores”, explicou o autor do estudo, Dougal Mackey, em comunicado citado pelo portal Space.com.

“Saber que tipo de monstro a nossa galáxia enfrenta é útil para descobrirmos o destino final da Via Láctea”, afirmou o especialista.

Para rastrear as últimas “vítimas” da Andrómeda, os cientistas analisaram restos de grupos de estrelas – aglomerados globulares – recorrendo a cinco telescópios e ficaram surpresos ao descobrir que os vestígios eram oriundos de duas galáxias que vinham de direcções completamente diferentes.

Partindo destes “arqueológicos cósmicos”, os cientistas pretendem agora continuar com as suas investigações, uma vez que estudar a Andrómeda permitirá melhor perceber a evolução da Via Láctea.

Somos arqueólogos cósmicos, a única diferença é que estamos a escavar fósseis de galáxias mortas há muito tempo, e não a História humano”, rematou o cientista Geraint Lewis, professor da Universidade de Sidney, na Austrália, e co-autor do estudo.

ZAP //Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2766: O vulcão Anak Krakatoa “avisou” que ia colapsar (mas ninguém percebeu)

CIÊNCIA

Ben Beiske / Flickr

Em Dezembro do ano passado, parte do vulcão Anak Krakatoa colapsou no oceano. O tsunami resultante matou 430 pessoas e destruiu as casas de dezenas de milhares de habitantes.

Dois estudos divulgados no último mês procuram aprender mais para futuros desastres deste tipo. Um apresenta más notícias, sugerindo que versões ainda piores podem ser mais comuns do que pensávamos, mas o outro oferece esperança de que possamos melhorar a identificação de eventos futuros antes que ocorram.

Os danos dos eventos de 2018 foram suficientemente trágicos, mas o Anak Krakatoa incomoda os vulcanologistas por causo do seu potencial. A erupção de 1883 pelo Krakatoa original levou a 36 mil mortes e mudou o clima do planeta durante mais de um ano. Anak Krakatoa formou-se a partir dos restos mortais do primeiro vulcão.

A conclusão publicada no fim de Agosto na revista especializada Geology é que mesmo eventos modestos podem ter consequências mais sérias. Usando imagens de radar por satélite que revelam a ilha através do fumo antes e depois do colapso, Rebecca Williams, da Hull University, calculou apenas 0,1 quilómetro cúbico a deslizar para o oceano no colapso inicial causador de tsunami – um terço do que esperava.

As estimativas anteriores incluíram o colapso da coroa e cratera do vulcão, mas Williams mostrou que foram perdidas durante vários dias subsequentes, em vez de um único evento dramático que desencadeou o tsunami.

Se uma quantidade tão modesta de rocha pudesse causar uma onda tão devastadora, quão pior teria sido se tudo tivesse acontecido de uma só vez? “Eu considero que os modelos estão a subestimar a capacidade destes deslizamentos de terra para fazer tsunamis maiores”, disse Williams à BBC. Com Krakatoa localizado entre as duas ilhas mais populosas da Indonésia, o perigo é enorme.

Prevenir tais desastres é quase certamente impossível, mas prever pode ser outra questão. Thomas Walter, do Centro Alemão de Pesquisa em Geociências, liderou uma equipa que procurava pistas negligenciadas pelo vulcão sobre o desastre iminente.

Num artigo publicado esta semana na revista especializada Nature, os cientistas relatam que “antes do colapso, o vulcão exibia um estado elevado de actividade, incluindo anomalias térmicas precursoras, um aumento na área da superfície da ilha e um movimento gradual em direcção ao mar do seu flanco sudoeste”.

Alguns dos avisos chegaram demasiado tarde  para serem úteis, como o pequeno terremoto dois minutos antes do colapso. No entanto, nos seis meses anteriores ao colapso, os sensores térmicos indicaram 100 vezes as emissões normais de calor e o movimento mais rápido dos flancos da ilha.

Vários sensores ao redor do vulcão captaram sinais de movimento e desgaseificação pouco antes do colapso, que individualmente não eram suficientes para emitir um alerta, mas analisados ​​colectivamente poderiam ter fornecido o aviso necessário.

Uma semana depois do colapso, o vulcão Anak Krakatoa ficou com apenas um quarto do tamanho que tinha antes da erupção. O Anak Krakatoa tem agora um volume de 40 a 70 milhões de metros cúbicos, tendo perdido entre 150 e 180 milhões de metros cúbicos de volume.

A Indonésia está localizada no Anel de Fogo do Pacífico, um arco de linhas de falhas na Bacia do Pacífico com mais de 400 vulcões, dos quais pelo menos 129 activos. A região, com grande actividade sísmica e vulcânica, regista cerca de sete mil terramotos por ano – na sua grande maioria moderados.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2765: Cientistas revelam os melhores países para sobreviver a uma pandemia global

CIÊNCIA

herraez / Canva

Uma equipa de cientistas da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, elencou alguns dos melhores países para sobreviver a uma eventual pandemia global ou outra qualquer crise que coloque a Humanidade em risco.

“As descobertas no campo da Biotecnologia podem ver uma pandemia geneticamente modificada a ameaçar a sobrevivência da nossa espécie”, explicou Nick Wilson, um dos autores do estudo, citado em comunicado da instituição de ensino.

De acordo com a investigação levada a cabo, cujos resultados foram esta semana publicados na revista Risk Analysis, os países insulares seriam os melhores lugares em caso de crise devido ao seu isolamento natural.

Os especialistas seleccionaram as 20 opções mais favoráveis para este cenário, sendo estas classificadas consoante a sua disponibilidade de recursos, localização, capacidade de serem auto-suficientes e número de habitantes. Quanto maior for a população, recordam, mais fácil seria depois reiniciar a civilização afectada pela eventual pandemia.

Os resultados revelaram que a Austrália é o melhor lugar para sobreviver em caso de crise, tendo em conta a sua produção de alimentos e energia, seguindo-se depois a Nova Zelândia e a Islândia. “Tal como esperado, foram os países com alto PIB, que são auto-suficientes na produção de alimentos e/ou energia e que são também um pouco remotos, que se saíram melhor”, escreveram os cientistas.

“Embora os portadores da doença [em causa] possam contornar facilmente as fronteiras terrestres, uma ilha fechada e auto-suficiente pode abrigar uma população isolada e tecnologicamente apta para posteriormente repovoar a Terra após o desastres”, frisou.

Embora os perigoso estudados na investigação não sejam iminentes, os cientistas recordam que são totalmente reais. Por isso, defendem, é necessário começar a planear como mitigar uma crise que ameaça a extinção.

É como uma apólice de seguro. Espera-se que nunca se use, mas se ocorrer um desastre, a estratégia deve ter sido estabelecida com antecedência”, exemplifica Wilson.

“Pode ser que exista uma necessidade clara e premente onde a única opção para a Humanidade é um refúgio numa ilha”, afirmou o principal autor do estudo, Matt Boyd, acrescentando que, embora o Regulamento Sanitário Internacional geralmente não apoie o encerramento das fronteiras em caso de uma ameaça deste género, a introdução rápida de controlos fronteiriços seria essencial.

ZAP //

Por ZAP
4 Outubro, 2019

 

2764: VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

CIÊNCIA

© TVI24 VÍDEO: o impacto do aquecimento global nos Alpes pelos olhos de uma águia

Uma águia-rabalva equipada com uma câmara vai mostrar ao mundo o impacto do aquecimento global nos Alpes.

Através dos olhos de Victor, de nove anos, um exemplar da maior águia da Europa, vai ser possível observar o estado em que se encontram os glaciares que atravessam os Alpes, alguns em risco de colapso devido às alterações climáticas, como o Monte Branco, em Itália.

O primeiro voo oficial acontece nesta quinta-feira, desde o topo da montanha suíça de Piz Corvatsch. Victor, que voará com uma câmara de 360º e um GPS, segue depois para os Alpes alemães, austríacos e italianos, terminando a viagem sobre os Alpes franceses no próximo dia 7.

Está previsto que percorra três a cinco quilómetros numa altitude de 3000 metros até 1500, num total de cinco voos.

O objectivo é derrotar a apatia no que respeita ao combate às alterações climáticas e também no sentido de proteger as próprias aves.

A Humanidade tem dois sonhos: nadar com golfinhos e voar com as águias. Esta é a primeira vez que todos voamos nas costas de uma águia numa distância destas e com esta vista, e podemos ver como é um voo real de uma águia. Como podemos convencer as pessoas a proteger as aves e o seu ambiente se nunca mostramos o que elas veem?”, afirmou o falcoeiro francês e fundador da Freedom Conservation, Jacques-Olivier Travers, em declarações à Associated Press (AP).

No vídeo abaixo poderá ver um ensaio das viagens que Victor realizará, onde é possível ver montanhistas e snowboarders.

msn notícias
Redacção TVI24
03/10/2019

 

2763: Micro-plásticos detestados pela primeira vez em pinguins da Antárctida

CIÊNCIA

slobirdr / Flickr

A poluição por micro-plásticos já chegou à Antárctida, de acordo com um estudo da Universidade de Coimbra (UC) publicado na revista Scientific Reports, do grupo Nature.

Uma equipa de investigadores do Centro de Ciências do Mar e do Ambiente (MARE) da Faculdade de Ciências e Tecnologia da UC (FCTUC) “encontrou, pela primeira vez, micro-plásticos em pinguins da Antárctida, confirmando que este tipo de poluição já entrou na cadeia alimentar marinha”, foi hoje anunciado.

“Ao analisarem a dieta de pinguins ‘gentoo Pygocelis papua’ em duas regiões da Antárctida, os investigadores observaram que 20% das 80 amostras de fezes das aves continham micro-plásticos”, afirma a FCTUC numa nota enviada hoje à agência Lusa.

As partículas de plástico, com comprimento inferior a cinco milímetros, têm “diversas tipologias, formas e cores, o que indica uma grande variedade de possíveis fontes destes micro-plásticos”, acrescenta.

“A poluição marinha por plásticos é reconhecidamente uma ameaça aos oceanos em todo o mundo, mas só recentemente tem havido um aumento do esforço científico sobre micro-plásticos”, sublinha a FCTUC.

“Em zonas mais remotas do planeta, como a Antárctida, esperava-se que a presença de micro-plásticos fosse muito reduzida, embora estudos recentes já tenham encontrado micro-plásticos em sedimentos e nas águas do Oceano Antárctico”, destaca a Faculdade.

Para Filipa Bessa, autora principal do artigo, “é alarmante que micro-plásticos já tenham chegado à Antárctida”. Este estudo é “o primeiro a registar micro-plásticos em pinguins e na cadeia alimentar marinha Antárctica”, refere a investigadora, citada pela FCTUC.

“A variedade de micro-plásticos encontrados nos pinguins poderá indicar diferentes fontes de poluição, indiciando uma difícil solução para este problema”, sublinha ainda Filipa Bessa.

José Xavier, autor sénior do artigo, afirma, por seu lado, que “este estudo vem na altura certa, pois os micro-plásticos podem causar efeitos tóxicos nos animais marinhos e nada se sabe sobre o que eles poderão provocar nos animais da região Antárctica”.

Por isso, conclui o docente do Departamento de Ciências da Vida da FCTUC, “esta descoberta é de muita importância para desenvolver novas medidas para reduzir a poluição na Antárctida, particularmente relacionada com plásticos, podendo servir de exemplo para outras regiões do mundo”.

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019

 

2762: Novas gravuras rupestres descobertas junto ao rio Zêzere

CIÊNCIA

Pedro Dias / Flickr
Rio Zêzere

Um novo conjunto de gravuras rupestres foi descoberto no Poço do Caldeirão, junto ao rio Zêzere, na freguesia da Barroca, concelho do Fundão, distrito de Castelo Branco, disse à Lusa o director do Museu Arqueológico local, Pedro Salvado.

“Estamos a falar de um conjunto de novas gravuras que representam a cabeça de um cavalo, um caprino e figuras geométricas, e que estão enquadradas num complexo gráfico que remonta à pré-história. Aparentemente, são do período do Paleolítico Superior, mas esse estudo terá de ser aprofundado”, apontou Pedro Salvado.

Estas gravuras foram recentemente identificadas por uma equipa do Museu Arqueológico Municipal José Alves Monteiro, no âmbito de trabalhos de monitorização, e estão na mesma zona onde já se tinham descoberto outras gravuras, em 2003.

O conjunto agora identificado conta com diferentes figuras, sendo que uma dela desperta mais atenção pela conservação da rocha e pela nitidez da imagem, que representa um caprino.

“Também é uma rocha que está muito próxima da linha de água e que confirma a importância que o rio sempre teve nas comunidades, sendo que estamos perante um conjunto de mensagens milenares que confirma a importância daquele sítio fabuloso, que é o Poço do Caldeirão, que continua a comunicar e que está muito longe de estar esgotado do ponto de vista do estudo”, acrescentou.

Depois de identificadas as rochas, o Museu Arqueológico deu a conhecer as imagens a especialistas, designadamente a Primitiva Bueno e Rodrigo de Balbín, catedráticos de pré-história na Universidade de Alcalá (Madrid, Espanha), que, numa primeira abordagem, confirmaram a importância do achado por abrir a porta a “uma sequência completa do Paleolítico Superior” naquela região.

Contactado pela Lusa, o presidente da Câmara do Fundão, Paulo Fernandes, garantiu que esse trabalho científico será “seguramente” realizado, até no âmbito da recém-criada Rede Nacional de Arte Pré-Histórica, promovida pelo Museu do Côa e da qual o Fundão é membro fundador.

Paulo Fernandes destacou ainda a relevância do achado e lembrou que, após as primeiras descobertas, o município apostou num programa de visitação e da criação de um espaço interpretativo, investimento que pretende agora intensificar de modo a incluir as novas figuras, quer nos programas, quer nos conteúdos do espaço.

São descobertas muito importantes que consolidam aquilo que é um lugar arqueológico de primeira linha e o que nos torna um ponto incontornável daquilo que são as rotas da arte pré-histórica em Portugal”, apontou.

Descobertas novas gravuras rupestres no Vale do Côa. E são uma surpresa

Uma equipa de arqueólogos colocou a descoberto uma nova rocha com gravuras rupestres, no sítio da Penascosa, no Parque Arqueológico…

ZAP // Lusa

Por Lusa
3 Outubro, 2019