2750: Asteróides perigosos para a Terra podem estar escondidos na sombra de Júpiter

CIÊNCIA

Júpiter e a sua enorme força gravitacional é visto como um escudo protector da Terra contra asteróides potencialmente destrutivos. Assim, a gravitar o maior planeta do sistema solar está um grupo de asteróides e cometas capturados pela força deste astro. Contudo, estas rochas podem representar uma ameaça escondida para a Terra.

Segundo os astrónomos, se existirem mudanças severas nas suas órbitas, as rochas espaciais podem ser lançadas contra Terra e astros vizinhos.

Asteróides e cometas guardados por Júpiter podem ser ameaça para a Terra

Segundo um estudo recente, a conclusão de que estes asteróides podem ser um perigo potencial baseou-se na identificação de pelo menos um objecto que poderia experimentar tal mudança orbital. Assim, identificar e vigiar outros objectos escondidos nesta população poderia ajudar a identificar perigos potenciais para a Terra com muita antecedência.

O maior planeta do sistema solar, Júpiter, esconde muitos asteróides e cometas na sombra. Alguns deles, como as suas luas, estão gravitacionalmente ligados ao planeta. Contudo, outros seguem uma órbita semelhante à de Júpiter, circundando o Sol. Para estes “devotos”, uma alta inclinação, ou um ângulo com o plano do sistema solar de mais de 40 graus, está ligada a uma baixa excentricidade, dando-lhes uma órbita quase circular.

E se uma alteração os levasse a não ter uma baixa inclinação por uma alta excentricidade?

Um artigo recente examina o que poderia acontecer se os objectos estáveis que orbitam perto de Júpiter trocassem a sua baixa inclinação por uma alta excentricidade, criando uma órbita mais oval. De acordo com o autor, Kenta Oshima, investigador do Observatório Astronómico Nacional do Japão, tal mudança poderia ser uma má notícia para a Terra.

Apontamos a possibilidade de que populações de asteróides potencialmente perigosos não detectados existem em locais de alta inclinação de [esses objectos].

Escreveu Oshima.

Uma armada escondida

Escondidos na sombra de Júpiter, muitos desses objectos são difíceis de ver da Terra. Neste momento, enquanto as suas órbitas estão estáveis, isso não é um problema. No entanto, se as suas órbitas se deslocarem, eles podem mover-se da segurança de Júpiter para um caminho de colisão com a Terra ou outros planetas internos.

Quando começarem a “dançar” ao redor da Terra, estes devem tornar-se visíveis aos caçadores de objectos potencialmente perigosos. Contudo, o seu perigo inerente significa que os astrónomos devem estar a trabalhar já para os identificar.

Um objecto com uma alta inclinação mergulhará dentro e fora do plano do sistema solar em que os planetas orbitam, por isso, as interacções serão poucas e distantes entre si. Em termos mais práticos, para que possamos entender, este “voo” dos asteróides podem ser exemplificados com o caso dos aviões.

Se os aviões voarem acima do solo, podem colidir com algo enquanto aterram ou descolam. Assim, se voarem muito baixo, a probabilidade de chocar com uma montanha ou mesmo com um edifício aumenta significativamente. O mesmo acontece com os asteróides. Se tiverem uma rota baixa, perto dos astros, há uma probabilidade de colisão muito maior. Essas colisões podem fazer com que mudem de órbita.

Asteróide 2004 AE9 faz “voos rasantes a Marte”

Oshima já identificou um membro potencial desta armada oculta, o 2004 AE9. O objecto orbita cerca de 1,5 unidades astronómicas (UAs; uma unidade astronómica é a distância entre a Terra e o Sol) dentro do caminho de Júpiter.

Ocasionalmente, o asteróide passa por Marte nas suas órbitas, aproximando-se de 0,1 AU. Estes fly-bys mudaram a órbita do asteróide ao longo do tempo. A órbita não só se aproximou do plano do sistema solar, como também se tornou mais excêntrica. Embora não haja o perigo de ela afectar a Terra num futuro próximo. No entanto, o AE9 de 2004 pode um dia mudar a sua órbita o suficiente para deixar Júpiter e colidir com um planeta rochoso.

Objectos que originalmente se movem em órbitas altamente inclinadas, mas quase circulares, têm uma baixa probabilidade de impacto. Se elas se tornarem instáveis e a inclinação for trocada por excentricidade, o caminho pode se tornar um cruzamento de planeta com uma inclinação baixa, o que se traduz numa maior probabilidade de impacto.

Explicou Carlos de la Fuente Marcos, que estuda a dinâmica do sistema solar na Universidade Complutense de Madrid.

De acordo com este investigador, o processo levaria pouco menos de um milhão de anos. É um desenvolvimento bastante rápido em termos astronómicos.

NASA / JPL-Caltech

Júpiter atraiu asteróides troianos

Um punhado de planetas e cometas foram identificados como co-orbitais de Júpiter nos últimos anos. Além disso, o planeta também atraiu um grupo de corpos chamados asteróides troianos, que orbitam imediatamente em frente e atrás de Júpiter, e cujas órbitas provavelmente não mudarão. Contudo, outros perigos futuros podem estar escondidos perto do planeta gigante; identificá-los é importante.

Vale a pena ficar de olho, especialmente catalogando-os para fazer um censo e conhecer melhor o tamanho real dessa população potencialmente perigosa.

Referiu Carlos de la Fuente Marcos.

Se por um lado os caminhos de alta inclinação tornaram estas rochas improváveis causadoras de impactos com a Terra (ou com algo dentro do sistema solar interno), por outro também os tornam difíceis de encontrar. Isso porque a maioria das investigações concentra-se no plano do sistema solar, onde os objectos mais propensos a colidir com a Terra se encontram.

Se os objectos ocultos representam ou não um perigo para a Terra permanece desconhecido, o que não é nada tranquilizador.

Júpiter acabou de ser atingido por algo tão grande que se viu da Terra

Júpiter é o maior planeta do Sistema Solar, tanto em diâmetro quanto em massa, e é o quinto mais próximo do Sol. Este astro é observável da Terra a olho nu e recolhe a … Continue a ler Júpiter acabou de ser atingido por algo tão grande que se viu da Terra

2749: Icebergue duas vezes maior que ilha da Madeira separa-se da Antárctida

ALTERAÇÕES CLIMÁTICAS

É o maior icebergue a soltar-se da plataforma de gelo Amery em mais de 50 anos. Cientistas dizem que evento não está ligado às alterações climáticas, sendo normal.

O icebergue D28 soltou-se no dia 25 de Setembro.
© DR

Um icebergue com 1582 quilómetros quadrados, mais de duas vezes o tamanho da ilha da Madeira (741 quilómetros quadrados), separou-se da plataforma de gelo Amery, na Antárctida. Baptizado de D28, é o maior icebergue em 50 anos e obriga a monitorização constante, já que pode tornar-se um risco se alcançar as rotas de transporte marítimo.

As plataformas de gelo, como a Amery, são massas de gelo flutuantes que são como uma extensão dos glaciares que fluem da terra para o mar.

@CopernicusEU

The new D28 Iceberg (five times the area of Malta  or ~1582km²) just calved away from Amery ice shelf #Antarctica
Before (20/09) and after (25/09) #Sentinel1 captures processed by @StefLhermitte

Os cientistas monitorizam há quase duas décadas uma secção da plataforma de gelo conhecida como “dente a abanar” (por parecer que está prestes a separar-se), mas foi de uma zona vizinha que o D28 acabou por soltar-se. “É um molar comparado com um dente de leite”, disse a professora Helen Amanda Fricker, do Instituto Scripps de Oceanografia dos EUA, à BBC.

@MarkDoman

The D28 iceberg that broke away from the Amery ice shelf in Antarctica last week. Read more about it here: http://ab.co/2o42umU  Imagery via @CopernicusEU and @sentinel_hub

“Nós previmos que um grande icebergue se iria soltar entre 2010 e 2015”, disse Fricker à estação de televisão australiana ABC. “Estou contente de ver este desprendimento depois de tantos anos. Sabíamos que iria acontecer, mas para nos manter atentos, não foi exactamente onde esperávamos”, acrescentou.

Os cientistas não acreditam que este acontecimento esteja ligado às alterações climáticas, sendo parte normal do ciclo de vida das plataformas de gelo a cada 60 ou 70 anos. O último grande icebergue a soltar da plataforma Amery, em 1963 ou 1964, tinha 9000 quilómetros quadrados.

Diário de Notícias
01 Outubro 2019 — 10:15

 

2748: Astrónomos detectam moléculas de gás em 2I/Borisov

CIÊNCIA

Composição colorida de 2I/Borisov, com quatro exposições de 60 segundos obtidas pelo Observatório Gemini. Os riscos azuis e vermelhos são estrelas de fundo que parecem “mover-se” devido ao movimento do cometa.
Crédito: composição por Travis Rector; Observatório Gemini/NSF/AURA

Uma equipa internacional de astrónomos, incluindo investigadores da Queen’s University em Belfast, Irlanda do Norte, fez uma descoberta histórica, detectando moléculas de gás num cometa que entrou no nosso Sistema Solar, vindo de outra estrela.

É a primeira vez que os astrónomos conseguem detectar este tipo de material num objecto interestelar.

A descoberta representa um importante passo em frente para a ciência, pois agora permitirá que os cientistas decifrem exactamente a composição destes objectos e como o nosso Sistema Solar se compara com outros na nossa Galáxia.

“Pela primeira vez, podemos medir com precisão a composição de um visitante interestelar e compará-lo com o nosso próprio Sistema Solar,” disse o professor Alan Fitzsimmons do Centro de Investigação Astrofísica da Queen’s University em Belfast.

O Cometa Borisov foi descoberto pelo astrónomo amador da Crimeia, Gennady Borisov, em Agosto. Observações ao longo dos 12 dias seguintes mostraram que não estava em órbita do Sol, apenas a passar pelo Sistema Solar no seu próprio percurso em torno da nossa Galáxia.

A 24 de Setembro recebeu a designação oficial 2I/Borisov, o segundo objecto interestelar já descoberto pelos astrónomos. Ao contrário do primeiro objecto, descoberto há dois anos, 1I/’Oumuamua, este objecto parecia um cometa ténue, com uma atmosfera circundante de partículas de poeira e uma cauda curta.

Alan Fitzsimmons e colegas da Europa, dos EUA e do Chile usaram o Telescópio William Herschel em La Palma, nas Ilhas Canárias, para detectar o gás no cometa. Mas isto foi complicado.

Ele disse: “A nossa primeira tentativa foi na sexta-feira, 13 de Setembro, mas tivemos azar e fomos impedidos de o fazer devido ao brilho do céu, tão perto do Sol. Mas a tentativa seguinte foi bem-sucedida.”

Os astrónomos do observatório apontaram o telescópio gigante para o cometa antes e durante o amanhecer, entre as 6 e as 7 da manhã da sexta-feira seguinte. Ao passar a fraca radiação do cometa por um espectrógrafo, os astrónomos conseguiram medir a quantidade de luz emitida pelo cometa em função do comprimento de onda ou cor.

O professor Fitzsimmons explicou: “Um espectro permite-nos detectar tipos individuais de gás graças às suas impressões digitais espectrais. Recebemos os dados ao meio-dia e às 17 horas sabíamos que havíamos detectado gás com sucesso e pela primeira vez.”

O gás detectado foi o cianogénio, composto por um átomo de carbono e um átomo de azoto ligados entre si. É um gás tóxico se inalado, mas é relativamente comum nos cometas.

Ao combinar estes espectros com imagens filtradas do cometa obtidas com o telescópio TRAPPIST-Norte em Marrocos, a equipa também mediu a quantidade de poeira expelida pelo cometa e estabeleceu limites para o tamanho do núcleo central.

O Dr. Emmanuel Jehin está a monitorizar o cometa usando o telescópio TRAPPIST-Norte em Marrocos e forneceu dados cruciais para medir a quantidade de poeira cometária emitida por 2I. Ele disse: “Estamos habituados a ver imagens de cometas, mas este é tão especial! Observo-o há duas semanas, quase todas as manhãs, estou fascinado pelo facto deste objecto não ser como os outros que tenho observado, que realmente veio de outra estrela, provavelmente muito distante.”

A professora Karen Meech da Universidade do Hawaii já havia observado anteriormente o cometa e usou os novos dados para calcular o possível tamanho do cometa.

Ela relatou: “A nossa análise preliminar, usando a quantidade de gás vista a sair do núcleo, sugere que é provável que grande parte da superfície esteja activa, em contraste com os típicos cometas de curto período.”

A equipa concluiu que a característica mais notável do cometa é que parece vulgar em termos de gás e poeira que está a emitir. Parece que nasceu há 4,6 mil milhões de anos atrás, juntamente com os outros cometas no nosso Sistema Solar, mas veio de um sistema estelar ainda não identificado.

À medida que o cometa se aproxima do Sol, ficará mais brilhante e mais visível para os astrónomos. O Dr. Olivier Hainaut, do ESO, acrescentou: “O próximo ano será extremamente empolgante, pois poderemos acompanhar a evolução de 2I à medida que passa pelo nosso Sistema Solar. Em comparação, tivemos apenas algumas semanas para estudar ‘Oumuamua antes que ficasse ténue demais.”

A ESA aprovou este ano uma missão espacial que poderá visitar um futuro visitante interestelar. A missão Comet Interceptor tem lançamento previsto para 2028.

Astronomia On-line
1 de Outubro de 2019

 

2747: Explosão rádio enigmática ilumina o halo tranquilo de uma galáxia

CIÊNCIA

O sinal de FRB 181112 era composto por diversas pulsações, cada uma com menos de 40 micros-segundos de duração (10.000 vezes mais curtas que um piscar de olhos). Esta curta duração das pulsações dá-nos um limite superior para a densidade do gás do halo da galáxia atravessada, uma vez que a passagem por um meio mais denso alargaria a duração do sinal rádio.
Crédito: ESO/M. Kornmesser

Com o auxílio do VLT (Very Large Telescope) do ESO, os astrónomos observaram pela primeira vez uma rápida explosão de ondas rádio a passar por um halo galáctico. Com uma duração de menos de um milissegundo, esta explosão enigmática de ondas rádio cósmicas chegou quase imperturbável até à Terra, sugerindo assim que o halo da galáxia atravessado tem uma densidade surpreendentemente baixa e um campo magnético bastante fraco. Esta nova técnica poderá ser usada para explorar halos esquivos de outras galáxias.

Utilizando um mistério cósmico para investigar outro, os astrónomos analisaram o sinal de uma rápida explosão de ondas rádio no intuito de estudarem o gás difuso existente no halo de uma galáxia massiva. Em Novembro de 2018, o rádio telescópio ASKAP (Australian Square Kilometre Array Pathfinder) observou uma rápida explosão de ondas rádio, chamada FRB 181112. Observações de seguimento levadas a cabo com o VLT e outros telescópios revelaram que as pulsações rádio passaram pelo halo de uma galáxia massiva na sua trajectória até à Terra. Esta descoberta permitiu aos astrónomos analisar os sinais rádio no intuito de extrair informações sobre a natureza do halo de gás.

“O sinal da rápida explosão rádio expôs a natureza do campo magnético existente em torno da galáxia e a estrutura do halo de gás. O estudo demonstra uma nova técnica para explorar a natureza dos halos das galáxias,” disse J. Xavier Prochaska, professor de Astronomia e Astrofísica na Universidade de Santa Cruz, Califórnia, EUA, autor principal de um artigo científico que apresenta estes novos resultados e que foi publicado a semana passada na revista Science.

Os astrónomos ainda não sabem o que causa as rápidas explosões de ondas rádio e apenas recentemente conseguiram localizar as galáxias que deram origem a alguns destes novos sinais rádio muito brilhantes e curtos. “Assim que sobrepusemos as imagens rádio e visíveis, vimos logo que esta explosão rádio passava pelo halo de uma galáxia localizada mais perto de nós e que, pela primeira vez, tínhamos uma maneira directa de investigar a matéria que rodeia esta galáxia, matéria esta que é invisível doutro modo,” disse a co-autora do artigo Cherie Day, estudante de doutoramento na Universidade de Tecnologia de Swinburne, na Austrália.

Um halo galáctico contém tanto matéria escura como normal ou bariónica, esta última encontrando-se essencialmente sob a forma de um gás quente ionizado. Enquanto a parte luminosa de uma galáxia massiva pode ter uma dimensão de cerca de 30.000 anos-luz, o seu halo mais ou menos esférico apresenta um diâmetro dez vezes maior. O gás do halo alimenta a formação estelar, à medida que se move em direcção ao centro da galáxia, enquanto outros processos, tais como explosões de super-novas, podem lançar material para fora das regiões de formação estelar e em direcção ao halo galáctico. Uma das razões pelas quais os astrónomos estudam o gás do halo prende-se com o facto de tentarem compreender melhor estes processos de ejecção, os quais podem “desligar” a formação estelar.

“O halo desta galáxia é surpreendentemente calmo,” diz Prochaska. “O sinal rádio passou pela galáxia quase sem ser perturbado, o que contradiz modelos anteriores que previam o que deveria acontecer a explosões rádio nestas circunstâncias.”

O sinal de FRB 181112 era composto por diversas pulsações, cada uma com menos de 40 micros-segundos de duração (10.000 vezes mais curtas que um piscar de olhos). Esta curta duração das pulsações dá-nos um limite superior para a densidade do gás do halo, uma vez que a passagem por um meio mais denso alargaria a duração do sinal rádio. Os investigadores calcularam que a densidade do gás do halo deverá ser inferior a 0,1 átomos por centímetro cúbito (equivalente a algumas centenas de átomos num volume correspondente a um balão de criança). A densidade limita também a possibilidade de existência de turbulência ou nuvens de gás frio no halo. Frio aqui é um termo relativo, referindo-se a temperaturas de cerca de 10.000º C, comparativamente ao gás quente do halo com cerca de 1 milhão de graus Celsius.

“Tal como o ar estremece num dia quente de verão, também a atmosfera ténue nesta galáxia massiva deveria deformar o sinal da explosão das rápidas ondas rádio. Em vez disso, recebemos um sinal tão limpo e nítido que não existe praticamente nenhuma assinatura do gás por onde passou,” disse o co-autor Jean-Pierre Macquart, astrónomo no ICRAR (International Center for Radio Astronomy Research) da Universidade de Curtin, na Austrália.

O estudo não encontrou evidências de nuvens turbulentas frias ou pequenos nodos densos de gás frio. O sinal de rádio também nos deu informação sobre o campo magnético do halo, o qual é muito fraco — um milhar de milhões de vezes mais fraco que o de um imã de frigorífico.

Nesta altura, com resultados para apenas um halo galáctico, os investigadores não podem dizer se a densidade baixa e campo magnético fraco que mediram são invulgares ou se estudos anteriores de halos galácticos sobrestimaram estas propriedades. Prochaska espera que o ASKAP e outros rádio telescópios usem mais explosões de ondas rádio rápidas para estudarem outros halos galácticos e investigar as suas propriedades.

“Esta galáxia pode ser especial,” disse Prochaska. “Temos que utilizar explosões de rápidas ondas rádio para estudar dezenas ou centenas de galáxias com uma grande variedade de massas e idades para investigarmos a população completa.” Telescópios ópticos como o VLT do ESO desempenham um papel importante ao revelar quão longe se encontra a galáxia que deu origem a cada explosão de ondas rádio, assim como se a explosão passou através do halo de alguma galáxia situada mais perto de nós.

Astronomia On-line
1 de Outubro de 2019

 

2746: Os bebés da pré-história já usavam biberões

CIÊNCIA

Uma equipa de arqueólogos encontrou na Alemanha biberões datados da Idade do Bronze e do Ferro, revela um novo estudo.

Os objectos, encontrados no parque natural de Altmühltal, na cidade de Dietfurt, foram descritos como pequenas garrafas de de argila com pitões em forma de mamilo.

Mais tarde, detalha a investigação cujos resultados foram agora publicados na revista Nature, foram identificados como biberões, contendo vestígios de leite de cabra e vaca.

De acordo com o Sinc, os recipientes, que tinham entre 5 a 10 centímetros de diâmetro, foram encontrados junto de sepulturas infantis que datam do ano 5.000 a.C.

Segundo a agência Europa Press, o achado é a primeira evidência de que os bebés pré-históricos foram alimentados com leite animais em recipientes, que podem ser comparados aos biberões modernos, há 7.000 anos.

Para chegar à composição dos vestígios encontrados nos recipientes, uma equipa de cientistas da Universidade de Bristol, no Reino Unido, recorreu à análise química e isotópica dos resíduos encontrados na superfície dos vasos.

Estas vasijas eran los biberones de la Edad de Bronce. Un estudio ha conseguido detectar trazas de leche de rumiante en su interior de hace 3.000 años, confirmando lo que se creía: que se usaban para alimentar a los pequeños.https://www.nature.com/articles/s41586-019-1572-x 

“Sabemos que os recipientes de argila utilizados para alimentar ou desmamar crianças apareceram pela primeira vez no período neolítico na Alemanha há cerca de 7.000 anos, tornando-se depois mais comuns na Idade do Bronze e do Ferro na Europa”, explicou o autor principal do estudo, Julie Dunne, citado pelo mesmo portal.

Siân Halcrow, professor associado da Universidade de Otago, na Nova Zelândia, acrescentou que os cientistas não descartam que a utilização de leite animal na dieta dos bebés antigos pudesse ter efeitos negativos para a crianças.

(h) Helena Seidl da Fonseca

“Os recipientes provavelmente eram difíceis de limpar e apresentavam riscos de exposição a infecções para bebés, como gastro-enterites”, supôs.

Os cientistas já tinham provado a existência deste tipo de recipientes na Europa por volta de 5.000 a.C. Contudo, não era ainda claro que tipo de líquido é que era usado no biberão, nem se este servia para alimentar crianças, idosos ou pessoas doentes.

ZAP //

Por ZAP
1 Outubro, 2019

 

2745: Cientista encontra forma de criar um laser capaz de abrir um buraco no Universo

CIÊNCIA

A tecnologia de laser pode atingir patamares impressionantes. Cientistas estão a tentar perceber como atingir uma potência na ordem dos petawatts, à qual nada sobrevive.

A ideia descrita no artigo publicado este mês na revista académica Physical Review Letters é que pode usar um espelho feito de plasma, o material ultra-quente encontrado no Sol, para focalizar o raio. O plasma é considerado o quarto estado da matéria, e é obtido a partir do sobreaquecimento dos gases.

Um espelho de plasma ajudaria a elevar a potência do feixe de energia. Além da matéria, acredita-se que o próprio tecido do espaço e do tempo poderia ser fragmentado. E tudo o que precisamos para chegar lá é um simples espelho.

Actualmente, o laser mais poderoso do mundo produz entre cinco e dez petawatts, e há planos para chegar aos 100 petawatts num futuro próximo.

Só que todo este poder destrutivo não é tão acessível quanto isso. Na verdade, a energia que cada um desses feixes de laser consome é algo como 5-5000 J, durante um tempo muito curto de tempo — entre um picos-segundo e alguns femtos-segundos. No entanto, o fluxo de energia é imenso.

Toda essa energia do laser é focada de modo a obter uma intensidade um pouco acima daquela necessária para criar um plasma. Ao atingirem um valor um pouco maior, e se a luz atingir apenas um electrão, haverá energia suficiente para iniciar uma cascata de produção de electrões-positrões a partir do vácuo.

Se a intensidade do laser subir um pouco mais, nem mesmo esse electrão é necessário — a luz arrancará electrões virtuais do vácuo, gerando cargas a partir do aparente nada do espaço vazio.

Contudo, chegar a essa intensidade, acima do laser mais poderoso do mundo, é muito difícil, porque falta um material que possa sobreviver tempo suficiente para focalizar a luz do laser. É aí que os espelhos de plasma entram.

A ideia é simples: quando a luz atinge o plasma, os electrões são acelerados para frente e para trás, seguindo o campo eléctrico da luz. Com isso, os electrões absorvem e re-emitem a luz na direcção oposta. Por outras palavras, a luz reflecte no plasma, que por sua vez tem como vantagem o facto de já ser uma matéria tão destruída. Por isso, o raio laser não pode danificar o espelho.

Inicialmente, pensava-se que os espelhos de plasma não poderiam actuar como um bom elemento de foco, mas com a ajuda de um supercomputador, novos modelos criados pelos cientistas mostraram que um espelho de plasma pode ser o caminho certo a seguir.

O investigador Henri Vincenti, autor do novo estudo, aproveitou estes avanços computacionais para adaptar este código e criar novas maneiras de aumentar a intensidade de alguns laseres.

O modelo de Vincenti é algo menos complicado do que parece. Os detalhes técnicos são relativamente simples e exigem um pulso a laser de baixa potência em terawatt para criar o espelho e, em seguida, basta atingi-lo com toda a potência disponível alguns picos-segundos depois.

Isso é algo fácil para um laboratório de laser de alta potência. Resta agora esperar para ver se alguém está disposto a experimentar e então saberemos se, de facto, podemos fazer um buraco no espaço-tempo.

ZAP // Canaltech

Por ZAP
1 Outubro, 2019

 

2744: Simulação da NASA demonstra força gravitacional de um buraco negro

CIÊNCIA

NASA’s Goddard Space Flight Center/Jeremy Schnittman

Depois de revelar a primeira fotografia de um buraco negro, a NASA decidiu partilhar uma simulação para demonstrar a força gravitacional deste fenómeno.

A primeira fotografia alguma vez registada de um buraco negro é uma imagem marcante, mas não nos permite ter a ideia do que realmente ocorre num buraco negro. Para colmatar essa falha, a NASA resolveu criar uma simulação, na qual é possível visualizar o fenómeno.

Segundo a Sputnik News, a simulação foi criada pelo Centro de Voo Espacial Goddard, da agência espacial norte-americana, através de um software. Esta simulação tem como objectivo demonstrar a força gravitacional de um buraco negro, onde nem mesmo a luz consegue escapar.

A gravidade extrema própria de um buraco negro distorce a luz emitida por diferentes regiões do disco de acumulação, produzindo a aparência deformada que conseguimos ver na simulação. À medida que os campos magnéticos giram através do gás agitado, foram-se nós brilhantes que se dissipam constantemente no disco.

Mais próximo do buraco negro, o gás orbita quase à velocidade da luz, enquanto as partes externas giram um pouco mais devagar. Esta diferença distorce os nós brilhantes, produzindo faixas claras e escuras no disco.

Quando visto de lado, o disco parece mais brilhante à esquerda do que à direita. isto explica-se pelo facto de o gás brilhante do lado esquerdo do disco se mover na nossa direcção, a uma velocidade tão rápida que os efeitos da relatividade de Einstein aumentam o brilho. Pelo contrário, no lado direito da simulação, o gás afasta-se de nós, pelo que nos dá a sensação de que é um pouco mais fraco.

Esta assimetria, segundo a NASA, desaparece quando vemos o disco completamente de frente, porque, desta perspectiva, nenhuma material se move ao longo da nossa linha de visão.

Vídeos e simulações ajudam-se a visualizar o que Einstein queria dizer quando afirmou que a gravidade distorce o tecido do espaço e do tempo”, explicou Jeremy Schnittman, um dos responsáveis pela simulação. “Até há pouco tempo, estas simulações eram limitadas à nossa imaginações. Nunca pensei que seria possível ver um buraco negro real”, rematou.

ZAP //

Por ZAP
1 Outubro, 2019

 

2743: Elon Musk divulga as primeiras imagens da nave que quer enviar para Marte

TECNOLOGIA

O foguetão, com capacidade para cerca de uma centena de passageiros, deverá descolar pela primeira vez dentro de um a dois meses. Pode atingir os 65 mil pés – 20 quilómetros – e tem como objectivo fazer viagens a Marte, à Lua e a outros locais do sistema solar.

Starship
© Twitter Space X

A Space X, a empresa do multimilionário Elon Musk, divulgou as primeiras imagens da nave espacial (Starship) que quer enviar para Marte, para a lua ou outros pontos do sistema solar com seres humanos.

A primeira montagem da Starship está terminada e a nave deverá partir dentro de um a dois meses, segundo o Elon Musk (46 anos), que apresentou as imagens do projecto na madrugada de domingo em directo das instalações da Space X, no Texas, Estados Unidos.

Starship serves as a large, long-duration spacecraft capable of carrying passengers or cargo to Earth orbit, planetary destinations, and between destinations on Earth

“O Starship vai ser o foguetão mais poderoso da história, com a capacidade de levar humanos à lua, a Marte e mais além”, disse o empresário.

A nave, que tem capacidade para transportar cerca de 100 pessoas, deverá atingir os 65 mil pés, cerca de 20 quilómetros, e depois regressar a Terra. Sobre a forma como o foguetão aterrará, Musk indicou que será “como um para-quedas em queda livre” e que ao contrário de um avião deverá ter o máximo de resistência possível e menos sustentação.

“A massa da nave – sem combustível – é de aproximadamente 120 toneladas”, referiu Musk, acrescentando que a nave é “completamente reutilizável”.

@SpaceX

Ultimately, Starship will carry as many as 100 people on long-duration, interplanetary flights

Elon Musk tem expresado vontade de construir bases na Lua ou em Marte. Segundo o multimilionário, esta pode ser a forma de garantir a sobrevivência da raça humana e, assim, promover a sua regeneração na Terra no caso de uma terceira guerra mundial. “Queremos garantir que o Homem permaneça noutro lugar (para além da Terra) como uma semente da civilização humana, para que possa trazer de volta a civilização e talvez diminuir a duração da idade das trevas”, afirmou em Março.

A primeira vez que a Space X lançou um foguetão para a órbita terrestre foi há 11 anos. Desde então, a empresa concluiu 78 lançamentos espaciais.

11 years ago today, we launched our first successful mission. To date, we’ve completed 78 launches and have developed the world’s only operational reusable orbital class rockets and spacecraft—capable of launching to space, returning to Earth, and flying again

Diário de Notícias
30 Setembro 2019 — 08:52

 

 

2742: Ursos polares estão a ficar sem comida

CIÊNCIA

Scott Schliebe / U.S. Fish and Wildlife Service

Segundo um especialista da Polar Bears International, a perda de gelo no Árctico está a afectar a alimentação dos ursos polares.

O Árctico está a perder gelo a um ritmo mais acelerado do que o previsto pelos cientistas, e isto é uma má notícias para os ursos polares. De acordo com um relatório do Painel Inter-governamental para as Alterações Climáticas (IPCC), criado pelas Nações Unidas e divulgado esta semana, a alimentação destes animais está a ser prejudicada.

Segundo o relatório, dedicado ao impacto das alterações climáticas nos oceanos e na criosfera, caso não haja uma acção urgente para reduzir as emissões de gases com efeito de estufa, os gelos permanentes vão derreter a um ritmo sem precedentes.

Um especialista entrevistado pelo The Guardian adianta que a situação está a afectar as populações de ursos polares que vivem e caçam na encosta norte do Alasca, bem como aquelas que vivem nos blocos de gelo no mar de Bering, que diz respeito a uma extensão marítima no extremo norte do oceano Pacífico.

“Agora que o gelo se afastou muito da zona costeira sabemos que os ursos não se estão a alimentar, e os que são forçados a ir para terra não encontram muito o que comer”, explica Steven Amstrup, da Polar Bears International, uma organização de conservação de ursos polares sem fins lucrativos.

Segundo o Observador, em 2015, o mesmo grupo adiantou que a população de ursos polares no mar de Beaufort, que faz parte do oceano Árctico, diminuiu em 40% na década anterior.

ZAP //

Por ZAP
30 Setembro, 2019