2648: A Terra tem um terceiro pólo (e está a derreter)

CIÊNCIA

Situado na plataforma tibetana a 6740 metros de acima do nível do mar, os glaciares no sopé da cadeia montanhosa Meili já perderam um quarto do gelo desde 1970 – e o pior está para vir.

Concentrando a maior quantidade de neve e de gelo depois do Árctico e do Antárctico, dois terços dos seus glaciares podem desaparecer nos próximos 80 anos, revela um relatório agora publicado pelo Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC).

Os cientistas avisam que no final do século esta camada de gelo em torno do Kawa Kapo, uma montanha sagrada para os budistas, terá derretido severamente e já nada pode ser feito. Mesmo que se cumpram as metas do acordo internacional para limitar o aquecimento global em 1,5ºC acima dos níveis pré-industriais, o degelo é irreversível.

Khawa Karpo está no “terceiro pólo” do mundo. É assim que os glaciologistas se referem a esta zona, lar da vasta camada de gelo Hindu Kush-Himalaia, porque contém a maior quantidade de neve e gelo depois do Árctico e Antárctico – cerca de 15% do total global. No entanto, um quarto de seu gelo foi perdido desde 1970.

De acordo com a reportagem do jornal britânico The Guardian, esta “torre de água gelada” da Ásia alimenta dez dos maiores rios do mundo, entre eles o Ganges e o Mekong, e dos quais dependem directamente – através da água que bebem, que usam na agricultura ou para produzir energia – 1,6 mil milhões de pessoas.

Esta região do planeta não tem tido a atenção que o degelo nos pólos Norte e Sul têm tido. Uma previsão errada veiculada pelo próprio IPCC, em 2007, antecipando o fim de todos os glaciares dos Himalaias até 2035, terá contribuído para uma desvalorização da situação.

As condições de acesso também não têm facilitado a situação. Situando-se num local sagrado para os locais, o acesso ao glaciar de Mingyong, no sopé da montanha Kawa Kapo, está vedado aos cientistas e tem de ser estudado apenas com recursos a fotografias tiradas sucessivamente ao longo do tempo para medir a retracção do gelo.

Tal como está a acontecer nos pólos, o aumento da temperatura média global do planeta ajuda a explicar o desaparecimento dos glaciares. Porém, no caso da plataforma tibetana, os efeitos fazem-se sentir mais rapidamente pela altitude a que se encontra.

Mesmo que o aumento da temperatura no planeta fique abaixo de 1,5ºC, a subida na região rondará os dois graus. Os efeitos já se fazem sentir na diminuição da queda de neve. Comparando com há quatro décadas, registam-se agora menos quatro noites frias por ano e sete mais noites quentes.

“Esta é a crise climática de que não se fala”, alerta um cientista-chefe de uma organização internacional baseada em Katmandu.

ZAP //

Por ZAP
16 Setembro, 2019

 

2647: Este caranguejo usa os dentes que tem no estômago para “rosnar” aos inimigos

CIÊNCIA

Ricardo Andrade Veras / Wikimedia
Ocypode quadrata, também chamado “caranguejo-fantasma”

Os caranguejos-fantasmas usam os dentes que têm na região gástrica para “rosnar” aos seus inimigos quando se sentem ameaçados.

Geralmente, quando o nosso estômago faz barulho é sinal de que estamos com fome. Pois bem, de acordo com uma nova pesquisa, os Ocypode quadrata, também conhecidos por “caranguejos-fantasma”, levaram esse comportamento a um nível mais extremo.

Estes animais, tal como muitos outros crustáceos, compensam a falta de dentes na boca com dentes no intestino — o moinho gástrico — para moer e processar os alimentos. No entanto, escreve o IFLScience, os cientistas descobriram agora que estes caranguejos também usam esses dentes para “rosnar” aos inimigos em encontros inesperados, quando as suas pinças estão ocupadas.

De acordo com os investigadores, cujo estudo foi agora publicado na revista científica Proceedings of the Royal Society B: Biological Sciences, esta é a primeira evidência de um animal que usa sons do estômago para comunicar.

“Conseguíamos ouvir os caranguejos a ‘rosnar’, mas não conseguíamos perceber como é que o faziam. Como não encontrámos estruturas e movimentos externos que pudessem produzir esse som característico, começámos a procurar internamente”, explica à revista Newsweek Jennifer Taylor, autora do estudo e investigadora do Scripps Institution of Oceanography, nos Estados Unidos.

Para descobrir de onde vinha o segundo som, para além daquele provocado com as pinças, a equipa tentou colocar um endoscópio pela boca destes animais, mas infelizmente um deles esmagou-o.

Foi então que os cientistas usaram um laser não invasivo que mede as vibrações, descobrindo que o som vinha da região gástrica dos caranguejos. Suspeitando que o som vinha sobretudo do moinho gástrico, a equipa radiografou os caranguejos enquanto lutavam com os seus inimigos e voilà, conseguiram capturá-lo em acção.

Esta foi uma descoberta que surpreendeu os cientistas, uma vez que os caranguejos já possuem garras especialmente desenvolvidas para se comunicarem acusticamente.

Uma possível resposta para este comportamento é que o som que as garras emitem serve para advertir à distância, enquanto o estômago é usado para continuar a ameaça, mas quando um oponente está tão perto que as suas garras estão envolvidas numa luta.

ZAP //

Por ZAP
16 Setembro, 2019

 

2646: Descoberto um mundo subterrâneo perdido no meio da Antárctida

CIÊNCIA

Durante as primeiras expedições na Antárctida, exploradores polares descobriram uma caverna de gelo “perdida” com três andares, vários lagos e um rio.

A formação geológica foi encontrada na ilha Galindez, onde estão baseados os exploradores da 24.ª Expedição Antárctida Ucraniana (UAE). Havia uma entrada conhecida para a caverna em frente à estação costeira da ilha, mas há alguns anos a abertura ficou bloqueada quando um glaciar se deslocou para o oceano.

Após várias tentativas de encontrar uma nova entrada para a caverna, o grupo de exploradores encontrou uma abertura numa antiga base britânica. Dessa forma, descobriram que a caverna é realmente três vezes maior do que se pensava anteriormente.

No piso inferior da magnífica caverna, a equipa encontrou um lago congelado e uma divisão gigante, quase tão alto como um prédio de quatro andares (12 metros), tendo oito metros de largura e 30 metros de comprimento.

Sobre os três andares da caverna, com cerca de 200 metros, a equipa também descobriu um rio de gelo e uma pena de pássaro num bloco de gelo 20 metros abaixo da superfície.

Os membros da equipa sabem se a pena não pertence a um pinguim, mas a amostra foi enviada de volta para a Ucrânia para um exame mais aprofundado a fim de determinar exactamente a que animal pertence e há quanto tempo tem estado lá.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
15 Setembro, 2019

 

2645: Nova tecnologia consegue gerar electricidade através das noites frias

CIÊNCIA

Scopio / Canva

Cientistas da Universidade de Stanford e da Universidade da Califórnia em Los Angeles construíram um dispositivo que consegue gerar electricidade através do frio sentido durante a noite.

Há dois anos, numa noite gelada de Dezembro, num telhado da Califórnia, nos Estados Unidos, uma pequena luz brilhou com uma ajudinha do ar frio. Ainda que tenha sido um brilho fraco, foi o suficiente para demonstrar a possibilidade de gerar energia renovável depois do Sol se pôr.

Segundo o Science Alert, juntamente com os engenheiros da Universidade de Stanford, Wei Li e Shanhui Fan, o cientista de materiais Aaswath Raman, da Universidade da Califórnia em Los Angeles (UCLA), construiu um dispositivo que produz uma voltagem ao canalizar o calor residual do dia para o ar frio.

“Acreditamos que esta pode ser a base de uma tecnologia complementar à energia solar. Embora a produção de energia sempre seja substancialmente menor, pode trabalhar em horas em que as células solares não podem”, explica Raman, cujo estudo foi publicado na revista científica Joule.

Este dispositivo faz uso do bom e velho efeito termoeléctrico. Utilizando um material chamado termopar, os engenheiros podem converter uma mudança de temperatura numa diferença de voltagem. Isto exige algo relativamente quente de um lado e um local para a energia térmica escapar do outro.

(dr) Aaswath Raman
O dispositivo construído pelo cientista Aaswath Raman

Para manter os custos baixos, a equipa usou objectos simples e prontos a usar que praticamente qualquer um de nós poderia facilmente ter em mãos.

A equipa montou um gerador termoeléctrico barato e ligaram-no a um disco de alumínio preto para libertar calor no ar nocturno. O gerador foi colocado dentro de uma caixa de poliestireno selada com uma janela transparente à luz infravermelha e ligada a um pequeno LED.

Durante seis horas, a caixa foi deixada a arrefecer num telhado de Stanford, à medida que a temperatura caia um pouco abaixo do ponto de congelamento. À medida que o calor fluía do solo para o céu, o pequeno gerador produzia corrente suficiente para dar vida à luz. No seu melhor, o dispositivo gerou cerca de 0,8 miliwatts de energia, correspondendo a 25 miliwatts de energia por metro quadrado.

Embora não seja, para já, uma enorme quantidade de energia, é um excelente ponto de partida. A equipa sugere que, com os ajustes e as condições certas, não está fora de questão chegar aos 500 miliwatts por metro quadrado.

(dr) Aaswath Raman

ZAP //

Por ZAP
15 Setembro, 2019

 

2644: Descoberta enguia que tem a maior descarga eléctrica alguma vez vista

CIÊNCIA

(dr) L. Sousa
Electrophorus voltai

Foram descobertas duas novas espécies de enguias eléctricas (Electrophorus electricus), sendo que uma delas tem a maior descarga eléctrica alguma vez vista num animal, com uma potência de 850 volts.

Podendo chegar a 2,5 metros de comprimento, a Electrophorus electricus pode ser encontrada em rios, córregos, pântanos e riachos espalhados pelo norte da América do Sul. Os cientistas tinham assumido há muito tempo que se tratava de uma única espécie mas, afinal, há pelo menos três espécies diferentes. Os resultados foram publicados na revista científica Nature Communications.

David de Santana, zoólogo e investigador do Museu Nacional de História Natural, da Instituição Smithsonian, e os seus colegas foram os responsáveis por esta descoberta, depois de terem examinado 107 espécimes de enguia recolhidas nos últimos seis anos.

Inicialmente, a equipa não conseguiu encontrar nenhuma característica externa que as pudesse distinguir. No entanto, quando analisaram o seu ADN, encontraram diferenças genéticas que claramente apontavam para três espécies distintas.

Depois, ao reexaminar os animais, os investigadores descobriram diferenças físicas subtis, como a forma do crânio e as características da barbatana peitoral. Além disso, cada espécie também parecia estar confinada a uma região específica.

A já conhecida E. electricus pode ser encontrada nas terras altas do escudo das Guianas, ao longo da fronteira da Venezuela e da Guiana. Por sua vez, a E. voltai, uma das duas novas espécies, vive um pouco mais a sul, nas terras altas do escudo brasileiro e, por fim, a E. varii é encontrada nas águas turvas e lentas das planícies.

Curiosamente, os cientistas também descobriram que a Electrophorus voltai pode descarregar até 850 volts de electricidade, em comparação com os 650 volts da E. electricus, tornando-o o “gerador de bioelectricidade vivo mais forte” alguma vez visto.

Apesar desta descoberta, a equipa ainda não conseguiu perceber porque é que uma espécie consegue desenvolver uma carga muito maior do que a outra, quando ambas vivem nas terras altas de baixa condutividade da Grande Amazónia.

“Podemos especular que poderia ser uma adaptação fisiológica para viver em ambientes com baixa condutividade”, explica de Santana à IFLScience. “No entanto, a E. electricus vive num ambiente semelhante e não produz uma descarga tão forte”.

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16 Setembro, 2019

 

2643: Todos os cometas do Sistema Solar podem ter vindo do mesmo lugar

CIÊNCIA

Rosetta / NavCam / ESA
Imagem obtida no dia 15 de maio de 2016 pela câmara de navegação da Rosetta, do Cometa 67P/Churyumov-Gerasimenko

Os cometas do Sistema Solar podem ter nascido no mesmo lugar. Um astrónomo da Universidade de Leiden aplicou modelos químicos a catorze cometas conhecidos e encontrou um padrão claro.

Todos os cometas do Sistema Solar podem partilhar o mesmo local de nascimento. Pela primeira vez, o astrónomo Christian Eistrup aplicou modelos químicos a catorze cometas conhecidos, e encontrou um padrão claro. A publicação do artigo científico foi aceite na revista Astronomy & Astrophysics.

Os modelos tinham como objectivo prever a composição química de discos protoplanetários, discos planos de gás e poeira que cobrem estrelas jovens. Compreender estes discos pode esclarecer os cientistas quanto ao mecanismo de formação de estrelas e planetas. Estes modelos desenvolvidos pelo investigador da Universidade de Leiden mostram-se também úteis para aprender mais sobre cometas e as suas origens.

“Pensei que seria interessante comparar os nossos modelos químicos com dados já publicados sobre cometas. Fizemos algumas estatísticas para determinar se houve um momento ou local especial no nosso jovem Sistema Solar, onde os nossos modelos químicos se cruzam com os dados de cometas”, explicou Eistrup em comunicado.

Surpreendentemente, foi mesmo isso que aconteceu. Os catorze cometas mostraram a mesma tendência: “havia um modelo único que melhor se adequava a cada cometa, indicando que todos compartilhavam a mesma origem”.

Onde nasceram, então, os cometas? Segundo os cientistas, os cometas são oriundos de um lugar muito perto do nosso jovem Sol, quando ainda estava cercado por um disco protoplanetário, numa altura em que os planetas ainda se estavam a formar.

O modelo sugere uma área em torno do Sol, dentro da faixa em que o monóxido de carbono se transforma em gelo. “Nesses lugares, a temperatura varia de 21 a 28 Kelvin, que fica em torno de 250 graus Celsius negativos. Uma temperatura muito fria, tão fria que quase todas as moléculas que conhecemos são gelo.”

“De acordo com os nossos modelos, sabemos que existem algumas reacções que ocorrem na fase de gelo, embora muito lentamente, num período de 100.000 a um milhão de anos. Mas isso poderia explicar por que existem cometas diferentes com diferentes composições”, disse o investigador, citado pelo Europa Press.

Mas se os cometas vêm do mesmo lugar, como é que acabam em diferentes lugares e órbitas do Sistema Solar? “Embora acreditemos que eles se formaram em lugares semelhantes ao redor do jovem Sol, as órbitas de alguns desses cometas poderiam ser alteradas, por exemplo, por Júpiter.”

ZAP //

Por ZAP
16 Setembro, 2019