2642: Este pôr-do-sol arroxeado foi causado por uma erupção do outro lado do mundo

CIÊNCIA

NASA
Erupção do vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril

A erupção do vulcão Raikoke, em Junho, fez com que o nascer e o pôr-do-sol no outro lado do mundo, mais concretamente nos Estados Unidos, ficassem anormalmente roxos.

Quando o outrora adormecido vulcão Raikoke, nas Ilhas Kuril, um arquipélago de picos vulcânicos entre a península russa de Kamchatka e a ilha japonesa de Hokkaido, entrou em erupção em Junho, emitiu uma densa coluna de cinzas e gases que até foi vista do Espaço.

Mas, segundo o IFLScience, os seus efeitos duraram muito mais tempo do que se pensava. Dois meses depois da erupção, Glenn Randall, fotógrafo do Estado norte-americano do Colorado, estava a fotografar numa região montanhosa quando, mais tarde, se apercebeu que as suas imagens estavam a capturar um profundo reflexo violeta nas águas do lago, apesar do céu dourado.

E, pelos vistos, não tinha sido o único a reparar neste fenómeno. A Universidade do Colorado Boulder também avançou que muitos norte-americanos por todo o país tinham notado que o nascer e o pôr-do-sol estavam anormalmente roxos nos últimos meses. Por quê? A resposta pode estar do outro lado do mundo.

Os investigadores acreditam que a erupção do Raikoke pode ter sido o culpado. Em Agosto, lançaram um balão meteorológico de grande altitude no Wyoming que mediu aerossóis naturais e outros materiais particulados 32 quilómetros acima do solo.

Os cientistas descobriram que as camadas de aerossol eram 20 vezes mais espessas do que o normal desde a erupção e provavelmente resultaram neste fenómeno único chamado “scattering” (“dispersão” em Português), através do qual as partículas na camada de ozono da Terra — como dióxido de enxofre e cinzas de uma erupção vulcânica — reflectem ou refractam a luz solar, resultando em certas cores predominantes.

@IFLScience

This Purple Sunset In The Rocky Mountains Was Caused By Something On The Other Side Of The Worldhttps://www.iflscience.com/editors-blog/this-purple-sunset-in-the-rocky-mountains-was-caused-by-something-on-the-other-side-of-the-world/ 

Isto mostra que mesmo uma erupção vulcânica relativamente pequena pode ter um impacto no outro lado do mundo. Embora a erupção do Raikoke não seja motivo de preocupação, os cientistas notam que é das erupções maiores que temos de ter cuidado.

É o caso do Monte Tambora, na Indonésia, cuja erupção em 1815 libertou cinzas e 60 megatons de dióxido de enxofre na atmosfera, sombreando o globo e perturbando os padrões climáticos (a temperatura média global desceu até 3ºC).

O ano posterior a esta erupção ficou conhecido como o “ano sem verão”, lembra num comunicado Lars Kalnajs, investigador do Laboratório de Física Atmosférica e Espacial (LASP). As colheitas foram más, resultado na morte de 80 mil pessoas que morreram de doenças associadas à fome e à falta de comida.

Na história mais recente, os cientistas destacam ainda quando o Monte Pinatubo, nas Filipinas, entrou em erupção em 1991, libertando nuvens de cinzas gigantes que continham 20 milhões de toneladas de dióxido de enxofre, diminuindo a temperatura global em cerca de 0,5°C nos dois anos seguintes à erupção.

Por isso, Kalnajs considera que erupções como a do Raikoke são um lembrete da razão pela qual a monitorização dos dados é essencial. Os resultados desta investigação vão ser publicados ainda este ano.

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15 Setembro, 2019

 

2641: Astrónomos viram “bolhas” gigantes no buraco negro da Via Láctea

CIÊNCIA

(dr) Mark A. Garlick
O buraco negro super-massivo no centro da Via Láctea é a origem plausível dos protões PeV

Uma equipa internacional de astrónomos descobriu um dos maiores fenómenos já observados no centro da Via Láctea: duas “bolhas” gigantes, emissoras de ondas de rádio, acima e abaixo da região central da nossa galáxia.

Segundo o CanalTech, esta foi a grande descoberta do telescópio sul-africano MeerKAT, inaugurado há pouco mais de um ano. Estes objectos espaciais estendem-se numa distância de 1.400 anos-luz, que corresponde a cerca de 5% da distância entre o Sistema Solar e o centro da galáxia.

Dentro destas bolhas, os electrões movem-se e produzem ondas de rádio à medida que são acelerados por campos magnéticos. Os cientistas, que publicaram recentemente o artigo científico na Nature, mostraram que este fenómeno é resultado de uma explosão perto do buraco negro super-massivo da Via Láctea – Sagittarius A* – algo que terá acontecido há alguns milhões de anos, produzindo grandes quantidades de energia.

Os astrónomos acreditam que a explosão terá sido causada pelo Sagittarius A*, quando passou por um período intenso de consumo de matéria. Outra explicação apontada seria a formação quase simultânea e a subsequente morte de cerca de 100 grandes estrelas.

Oliver Pfuhl, astrónomo do Observatório Europeu do Sul, em Garching, na Alemanha, considera que tanto a explosão de estrelas como a actividade do buraco negro podem ser a explicação destas bolhas gigantes. “É particularmente intrigante relacionar as bolhas de rádio com este evento de formação estelar.”

Heywood, autor principal do estudo, explicou que “o centro da Via Láctea é relativamente calmo quando comparado com outras galáxias com buracos negros centrais muito activos”. Ainda assim, o buraco negro central da nossa galáxia pode-se tornar activo, explodindo à medida que devora aglomerados maciços de poeira e gás.

Isto significa que, num desses períodos incomuns, Sagittarius A* desencadeou enormes explosões que resultaram nestas estruturas emissoras de ondas de rádio nunca antes observadas.

Além de ser um grande passo na astronomia, esta descoberta pode ainda ajudar a resolver outro grande mistério: a origem dos electrões necessários para gerar a emissão de ondas de rádio de intrigantes filamentos magnetizados – estruturas semelhantes a fios que não são vistas noutro lugar, excepto no centro galáctico.

“Quase todos os filamentos estão confinados pelas bolhas de rádio”, segundo outro autor do estudo, Farhad Yusef-Zadeh, da Northwestern University.

As gigantes bolhas da nossa galáxia foram descobertas por acaso, com a ajuda do radiotelescópio MeerKAT, quando os cientistas criaram uma imagem do centro galáctico para comemorar a inauguração do observatório. O MeerKAT é um conjunto de 64 antenas de rádio, cada uma com 13,5 metros de diâmetro, localizado num local remoto do Cabo Setentorial.

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15 Setembro, 2019

 

2640: O pico mais alto da Suécia foi destronado por causa da sinistra remodelação das montanhas

CIÊNCIA

Tadeáš Gregor / Wikimedia

Os suecos tiveram um novo exemplo da alteração do clima do nosso planeta, com a notícia de que o ponto mais alto do país já não é o mesmo.

Em apenas 60 anos, o pico sul da montanha Kebnekaise, no extremo norte da Suécia, 150 quilómetros acima do Círculo Polar Árctico, perdeu 24 metros, e com eles o título de topo do país.

O pico norte roubou-lhe a designação de pico mais alto da Suécia, posicionando-se agora a 1,2 metros acima do irmão, nos seus 2096,8 metros. A principal diferença entre estes picos é o facto de este último ser de rocha, enquanto que o do sul é um glaciar fustigado pelo aquecimento global.

Esta alteração vai obrigar a alterar os compêndios de geografia suecos, segundo a equipa de investigadores responsável pela medição do Kebnekaise. “Isto é um marco, um sinal muito óbvio e muito claro para todos na Suécia de que as coisas estão a mudar” e que “é preciso fazer alguma coisa quanto a isso”, disse a geógrafa que liderou o projecto, Gunhild Ninis Rosqvist, da Universidade de Estocolmo, ao The Guardian.

A equipa assume uma margem de erro de apenas alguns centímetros. “Quase toda a redução deu-se nas duas últimas décadas, em que o glaciar perdeu uma média de um metro por ano“, explicou a cientista.

Rosqvist acredita que os picos norte e sul vão andar a disputar o primeiro lugar do pódio nos próximos anos, devido à neve e aos Invernos que se avizinham. Ainda assim, a prazo, o destino do pico sul está traçado e é “muito claro”.

As medições do pico foram realizadas no dia 3, concluído o degelo do verão, num ano em que a Suécia registou os meses de Maio e Julho mais quentes da sua história. A localidade de Markusvinsa, a norte do Circulo Polar Árctico, registou 34,8 ºC no dia 26 de Julho.

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14 Setembro, 2019

 

2639: Podem chover pedras no “lado nocturno” dos exoplanetas de Júpiter

CIÊNCIA

(dr) McGill University
Nuvens de rocha condensadas

De acordo com um “relatório meteorológico astronómico”, os lados escuros dos exoplanetas de Júpiter podem ter um clima bastante rochoso. As nuvens espessas de minerais vaporizados podem estar a chover pedras.

Uma equipa de astrónomos da Universidade McGill usou os telescópios espaciais Spitzer e Hubble para estudar o clima em 12 “Júpiteres quentes” – exoplanetas gigantes de gás que orbitam muito perto das suas estrelas hospedeiras.

Estes planetas estão trancados. Isto significa que um lado fica sempre de frente para a estrela, enquanto que o lado oposto está envolto numa escuridão eterna. Como seria de esperar, o lado diurno destes planetas é extremamente quente. O lado nocturno, apesar de ser um pouco mais frio, ainda consegue ser suficientemente quente para derreter chumbo.

Segundo o New Atlas, o que surpreendeu esta equipa de investigadores foi a consistência das temperaturas nocturnas nos 12 exoplanetas analisados. A equipa descobriu que as temperaturas nestes planetas se situavam em torno dos 800 graus Celsius.

“Os modelos de circulação atmosférica previam que as temperaturas do lado nocturno deveriam variar muito mais do que variam na realidade”, disse Dylan Keating, autor principal do artigo científico, recentemente publicado na Nature Astronomy.

“Esta descoberta é verdadeiramente surpreendente, uma vez que todos os planetas que estudamos recebem quantidades diferentes de radiação das suas estrelas hospedeiras, e as temperaturas diurnas variam, entre elas, quase 1.700 graus Celsius.”

O mistério que faz com que estas temperaturas sejam tão consistentes ainda não foi resolvido, mas a equipa de cientistas sugere uma explicação: a cobertura das nuvens pode ser a culpada, ao formar uma espécie de cobertor grosso que impede o calor de irradiar para o Espaço.

De acordo com a equipa, as nuvens são feitas de rocha, vaporizadas pelas intensas temperaturas do lado diurno antes de o vento as soprar para o lado mais negro. Aí, as temperaturas mais baixas fazem-nas condensar e causam, possivelmente, as tais chuvas rochosas.

“A uniformidade das temperaturas nocturnas sugere que as nuvens são, provavelmente, muito semelhantes em termos de composição”, explica Keating. “Os nosso dados sugerem que estas nuvens são compostas por minerais como sulfeto de manganês, silicatos ou rochas.”

No futuro, as observações destes “Júpiteres quentes” em diferentes comprimentos de onda ajudarão os astrónomos a determinar de que são feitas estas nuvens.

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15 Setembro, 2019

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2638: Como salvar o planeta? Debate faz-se este fim de semana em Lisboa

CIÊNCIA

Face às crises climática e ambiental, urge encontrar soluções e pô-las em prática. As fundações Oceano Azul e Francisco Manuel dos Santos promovem o debate.

© Reuters

O ponto de partida é o planeta e a desordem que uma única espécie – a nossa – está a provocar no seu equilíbrio ambiental, climático e global. Em poucas décadas, que se contam pelos dedos de uma mão, as actividades humanas conduziram a Terra a um ponto que até recentemente era difícil imaginar, com problemas e crises que se acumulam em todas as frentes.

A biodiversidade terrestre está em queda abrupta, nos oceanos a sobre-pesca desertifica as águas e o lixo não degradável afoga os seres vivos, as alterações climáticas desorganizam os ecossistemas e causam fenómenos intensos e destrutivos, a exploração intensiva dos recursos naturais destrói habitats e equilíbrios ecológicos, a agricultura intensiva, com a utilização de herbicidas e pesticidas em excesso, envenena a água potável e, como se não bastasse, o desperdício alimentar a que nos damos ao luxo chega a atingir entre 25 e 30%, ou seja, um terço, dos alimentos produzidos. Mais parece um caminho traçado para o desastre. Mas como impedi-lo? E o que pode cada um de nós fazer?

É para equacionar estas questões e ensaiar respostas possíveis e concretas que a Fundação Francisco Manuel dos Santos e a Fundação Oceano Azul promovem neste fim de semana o encontro O Futuro do Planeta, que traz a Portugal alguns dos mais destacados nomes internacionais na área do ambiente, das alterações climáticas e da geopolítica, incluindo vários especialistas portugueses.

Durante dois dias – hoje (sábado) e amanhã (domingo), no Teatro Camões, no Parque das Nações, em Lisboa -, especialistas como o ecólogo e autor americano Carl Safina, a oceanógrafa e investigadora Sylvia Earle, o antigo secretário de Estado norte-americano John Kerry e cientistas portugueses ligados ao ambiente, oceanos, alterações climáticas, demografia ou consumo, como Viriato Soromenho-Marques, Filipe Duarte Santos, Luísa Schmidt, Iva Pires ou Noberto Serpa, vão debater os problemas que a humanidade e o planeta enfrentam no século XXI e propor caminhos para a sua resolução.

Mas o tempo urge e a janela de oportunidade é curta, acreditam hoje os especialistas. É o caso de Sylvia Earle, que estará no encontro de Lisboa, para quem tudo se jogará nos próximos dez anos, como afirmou em entrevista recente ao site de educação e ciência CoolAustralia. “Os próximos dez anos serão provavelmente os mais importantes dos próximos dez mil anos”, porque “há opções que vamos perder durante a próxima década, a menos que passemos já à acção”.

Em relação aos oceanos, para Sylvia Earle, um habitat tão natural como o terrestre, pois mergulhar é uma das suas actividades favoritas tanto em trabalho como nos tempos livres, é necessário travar a fundo em várias frentes: nas pescas e na sua utilização como caixote do lixo, mas também no que está a causar as alterações climáticas, porque elas estão a aquecer os mares. E, aí, descarbonizar a economia, reduzir drasticamente o consumo, mudar a produção dos alimentos e mudar a alimentação são os caminhos a trilhar, que estarão certamente em cima da mesa no encontro que hoje começa em Lisboa, e que pode tornar-se um marco na consciência para acção.

John Kerry, outra das figuras em destaque no encontro, deverá sublinhar igualmente em Lisboa a ideia que ainda há dias proferiu na Austrália, no âmbito da Global Table, uma conferência sobre agricultura e alimentação, de que as alterações climáticas são hoje uma emergência e que é preciso agir. Crítico da nova presidência do seu próprio país e de outros que adiam soluções para as alterações climáticas, John Kerry não poupou palavras na conferência na Austrália. “Não podemos permanecer sentados e deixar o processo político para os neandertais que não acreditam no futuro. Temos falta de liderança, mas isso vai mudar.”

Diário de Notícias
Filomena Naves
14 Setembro 2019 — 01:42

 

Asteróide 2 vezes maior que Mosteiro dos Jerónimos passa “perto” da Terra

CIÊNCIA

Um segundo asteróide já passou a cerca de 5,6 milhões de quilómetros do nosso planeta, segundo a NASA

Asteróide
© NASA

Um asteróide que pode ser duas vezes maior que o mosteiro dos Jerónimos, cuja fachada mede 300 metros, passou esta noite a 5,6 milhões de quilómetros da Terra, segundo a NASA. Foi o segundo asteróide de tamanho médio a passar perto do nosso planeta este sábado.

O asteróide 2010 C01, que tem entre 120 e 250 metros de comprimento, esteve mais próximo da Terra na madrugada de sábado, quando eram 02.42 em Lisboa. Já o segundo asteróide, 2000 QW7, um pouco maior com 290 a 650 metros em comprimento, esteve mais próximo do nosso planeta às 22.54 de sábado.

“Estes asteróides estão bem observados — um desde 2000 e outro desde 2010 — e as órbitas são bem conhecidas”, disse Lindley Johnson, do Gabinete de Coordenação da Defesa Planetária da NASA, em Washington. “Ambos os asteróides estão a passar a cerca de 14 distâncias lunares da Terra, ou cerca de 5,6 milhões de quilómetros, mas pequenos asteróides passam pela Terra tão perto o tempo todo”, acrescentou, citado pela agência espacial norte-americana.

O 2010 C01 é um “visitante” assíduo, tendo feito outra aproximação à Terra no ano passado, a 11 de Setembro. As visitas serão anuais até 2023, afastando-se depois da Terra até 2061.

A última vez que o 2000 QW7 tinha passado perto da Terra foi quando foi identificado, a 1 de Setembro de 2000, e só voltará a passar assim perto a 19 de Outubro de 2038.

Diário de Notícias
Susana Salvador
14 Setembro 2019 — 18:16

 

2636: Estudo mostra que o canguru gigante tinha uma parecença com os pandas

CIÊNCIA

(dr) Mike Lee / South Australian Museum
Crânio de um canguru gigante da espécie já extinta Simosthenurus occidentalis

O já extinto canguru gigante tinha uma característica muito semelhante com o panda-gigante dos dias modernos: grandes mandíbulas que lhe permitiam comer alimentos que outros animais não conseguiam.

Há mais de 40 mil anos, o sudoeste da Austrália estava repleto de cangurus gigantes. Um  desses animais já extintos — Simosthenurus occidentalis — exibia uma pata com apenas um dedo (os cangurus modernos têm três), pesava quase 120 quilos e alimentava-se de plantas.

Agora, de acordo com o Business Insider, uma nova investigação sugere que esta espécie tinha uma característica semelhante à de um animal do nosso tempo: o panda-gigante.

Simosthenurus tinha grandes mandíbulas que lhe permitiam comer alimentos duros, como folhas maduras, caules e galhos, quando outras fontes de alimento eram escassas.

O panda-gigante é o único animal nos dias de hoje que tem mandíbulas semelhantes, aproveitando-se delas para comer também vegetação difícil de mastigar, como bambu.

Reconstrução artística do canguru gigante Simosthenurus occidentalis

Segundo o novo estudo, agora publicado na revista científica PLOS One, a mandíbula deste canguru era até mais semelhante à dos pandas gigantes do que à dos cangurus modernos.

“No geral, estes cangurus eram bem diferentes dos cangurus modernos, com corpos mais espessos, braços longos e musculados com dedos estendidos, apenas um dedo grande do pé e cabeças em forma de caixa que eram mais parecidas com as de um coala”, explicou à revista Newsweek Rex Mitchell, autor do estudo e zoólogo da Universidade de New England, na Austrália.

O investigador decidiu perceber como é que estas mandíbulas permitiam a este canguru comer alimentos rígidos, determinando quanta força o seu crânio poderia resistir. Para isso, criou modelos digitais 3D de um crânio deste canguru e simulou as forças mecânicas.

Mitchell descobriu que as maçãs do rosto gigantes deste animal suportavam grandes músculos que teriam impedido a sua mandíbula de se deslocar quando mordia os alimentos. Os ossos na frente e no topo do crânio formavam um arco que ajudava a impedir a torção dos músculos.

“A capacidade de consumir partes de plantas que outros herbívoros daquela época não conseguiam ofereceu-lhe uma vantagem competitiva nestes tempos difíceis”, explica o investigador.

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15 Setembro, 2019

 

2635: Criatura com “cabeça de canivete suíço” deu origem aos escorpiões e às aranhas

CIÊNCIA

(dr) Joanna Liang, Royal Ontario Museum
Mollisonia plenovenatrix

Encontrada no Canadá, esta nova espécie de fóssil provou ser o quelicerado mais antigo, situando a origem dos escorpiões e das aranhas há 500 milhões de anos.

Com o tamanho de um dedo polegar, olhos em forma de ovo e uma cabeça parecida com um canivete suíço, o Mollisonia plenumnatrix foi um predador feroz. As suas pernas longas e os seus numerosos pares de membros davam-lhe a habilidade de agarrar, esmagar e mastigar de uma só vez.

Esta espécie tinha ainda um par de pinças muito pequenas à frente da boca, chamadas quelíceras. Estes apêndices dão o nome ao grupo de escorpiões e aranhas – quelicerados . que os usam para matar, manter e muitas vezes cortar as suas presas.

“Antes desta descoberta, não era possível identificar as quelíceras noutros fósseis do Cambriano”, disse o principal autor, Cédric Aria, membro das expedições Burgess Schist do Royal Ontario Museu.

Além destas, há outras características neste fóssil que permitiram aos cientistas concluir que Mollisonia plenumnatrix não era uma versão “primitiva” de um quelicerado, uma vez que já era morfologicamente próximo das espécies modernas.

Segundo o LiveScience, uma delas é o facto de a criatura exibir estruturas respiratórias semelhantes a guelras, surpreendentemente semelhantes às dos quelicerados modernos.

Os autores do estudo, publicado dia 11 de Setembro na Nature, acreditam que Mollisonia caçava, de preferência, perto do fundo do mar, graças às suas pernas bem desenvolvidas. Além disso, por parecer tão moderno, os cientistas concluíram que os quelicerados parecem ter prosperado rapidamente, preenchendo um nicho ecológico que outros artrópodes deixaram de atender naquele momento.

Desta forma, os autores da investigação acreditam que a origem dos quelicerados deve ser ainda mais profunda no interior do período Cambriano, quando o coração da “explosão” ocorreu. Mollisonia foi descrito pela primeira vez há mais de um século, mas, até agora, só eram conhecidos exoesqueletos deste animal.

Ainda que o passado seja repleto de surpresas, Mollisonia plenumnatrix é uma importante peça-chave neste quebra-cabeças da biodiversidade.

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14 Setembro, 2019

 

2634: Qual o tamanho mínimo para que um planeta possa ser habitável? Cientistas responderam

CIÊNCIA

NASA

Uma equipa de cientistas de Harvard revelou o tamanho crítico abaixo do qual um planeta nunca pode ser habitável, mesmo que esteja numa área com uma distância à sua estrela que permita a existência de água no estado líquido.

Os cientistas descobriram que o tamanho crítico é de, aproximadamente, 2,7% da massa da Terra. Se um objecto for menor do que 2,7% da massa do nosso planeta, a sua atmosfera escapará antes de ter a oportunidade de desenvolver água líquida superficial, tal como acontece actualmente com os cometas. Para colocar este número num contexto, a Lua corresponde a 1,2% da massa da Terra e Mercúrio a 5,53%.

A equipa foi também capaz de estimar as zonas habitáveis desses pequenos planetas em torno de certas estrelas. Para tal, modelaram dois cenários possíveis para dois tipos diferentes de estrelas: uma estrela do tipo G, como o nosso próprio Sol, e uma estrela do tipo M, inspirada numa anã vermelha na constelação de Leo.

Segundo o Europa Press, o efeito de estufa descontrolado ocorre quando a atmosfera absorve mais calor do que aquele que consegue irradiar para o Espaço, impedindo assim que o planeta arrefeça causando um aquecimento incontrolável que acaba por transformar os oceanos em vapor.

No entanto, quando os planetas diminuem de tamanho, algo de extraordinário acontece: à medida que aquecem, as suas atmosferas expandem-se, ficando cada vez maiores em relação ao tamanho do planeta. Essas grandes atmosferas aumentam a absorção de calor e a radiação, permitindo que o planeta mantenha uma temperatura estável.

A expansão atmosférica impede que os planetas de baixa gravidade sofram um efeito estufa descontrolado, permitindo, assim, que consigam manter a água líquida na superfície enquanto orbitam mais perto das suas estrelas.

Em sentido inverso, quando os planetas se tornam demasiado pequenos, perdem completamente a sua atmosfera e, consequentemente, a água líquida presente na superfície congela ou evapora.

Desta forma, a equipa de Harvard provou que existe um tamanho crítico abaixo do qual um planeta nunca pode ser habitável, o que significa que a zona habitável é limitada não apenas no Espaço, mas também no tamanho do planeta.

Nesta investigação, os cientistas resolveram outro antigo mistério do nosso próprio Sistema Solar. Há muito que a comunidade científica se questionava sobre se as luas de Júpiter seriam habitáveis caso a radiação solar aumentasse. Ora, segundo esta tese, estas luas são demasiado pequenas para manter a água líquida da superfície, mesmo estando mais próximas do Sol.

Quando as observações de mundos aquáticos de baixa massa forem possíveis, “será empolgante tentar testar estas previsões”, rematou Robin Wordsworth, principal autor do estudo, publicado recentemente no Astrophysical Journal.

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Por ZAP
14 Setembro, 2019