2630: Flashes periódicos e inesperados podem lançar luz sobre a acreção de buracos negros

CIÊNCIA

Uma visão de raios-X do buraco negro activo no núcleo da galáxia distante GSN 069, a cerca de 250 milhões de anos-luz de distância, com base em dados do observatório de raios-X XMM-Newton da ESA. A parte superior da animação mostra as observações reais e o gráfico na parte inferior mostra variações no brilho dos raios-X da fonte em relação ao seu nível “inactivo”.
Esta animação é baseada em quase 40 horas de observações desta fonte, que passa por erupções nunca antes vistas – de nome “erupções quase periódicas”, ou EQPs – a cada nove horas. A sequência foi acelerada para fins de ilustração; cada quadro corresponde a cerca de 3 minutos de tempo real de exposição do XMM-Newton.
Estas erupções foram detectadas pela primeira vez no dia 24 de Dezembro de 2018, quando a fonte aumentou repentinamente de brilho por um factor de 100, e depois voltou aos seus níveis normais numa hora, só para “reacender” novamente nove horas depois.
Embora nunca antes observados, os cientistas pensam que erupções quase periódicas como estas podem ser na realidade comuns no Universo.
Crédito: ESA/XMM-Newton; G. Miniutti & M. Giustini (CAB, CSIC-INTA, Espanha)

O telescópio espacial de raios-X da ESA, XMM-Newton, detectou explosões periódicas nunca antes vistas de radiação de raios-X provenientes de uma galáxia distante que poderão ajudar a explicar alguns comportamentos enigmáticos de buracos negros activos.

O XMM-Newton, o mais poderoso observatório de raios-X, descobriu alguns flashes misteriosos do buraco negro activo no núcleo da galáxia GSN 069, a cerca de 250 milhões de anos-luz de distância. No dia 24 de Dezembro de 2018, a fonte aumentou repentinamente de brilho por um factor de 100, e depois voltou aos seus níveis normais numa hora, só para “reacender” novamente nove horas depois.

“Foi completamente inesperado,” diz Giovanni Miniutti, do Centro de Astrobiologia de Madrid, Espanha, autor principal de um novo artigo publicado anteontem na revista Nature.

“Os buracos negros gigantes piscam regularmente como uma vela, mas as mudanças rápidas e repetidas observadas em GSN 069 a partir do mês de Dezembro são algo completamente novo.”

Outras observações, realizadas com o XMM-Newton bem como com o Observatório de raios-X Chandra da NASA nos meses seguintes, confirmaram que o buraco negro distante ainda mantinha o ritmo, emitindo rajadas quase periódicas de raios-X a cada nove horas. Os investigadores estão a chamar o novo fenómeno de “erupções quase periódicas,” ou EQPs.

“A emissão de raios-X vem de material que está a ser acretado no buraco negro e aquecido no processo,” explica Giovanni.

“Existem vários mecanismos no disco de acreção que podem dar origem a este tipo de sinal quase periódico, potencialmente ligado a instabilidades no fluxo de acreção próximo do buraco negro central.

“Alternativamente, as erupções podem ser devidas à interacção do material do disco com um segundo corpo – outro buraco negro ou talvez o remanescente de uma estrela anteriormente perturbada pelo buraco negro.”

Embora nunca antes observados, Giovanni e colegas pensam que surtos periódicos como estes podem ser na realidade comuns no Universo.

É possível que o fenómeno não tenha sido identificado antes, porque a maioria dos buracos negros nos núcleos de galáxias distantes, com massas de milhões a milhares de milhões de vezes a massa do nosso Sol, são muito maiores do que o buraco negro em GSN 069, que é apenas cerca de 400.000 vezes mais massivo do que o nosso Sol.

Quanto maior e mais massivo o buraco negro, mais lentas as flutuações de brilho que pode exibir, de modo que um típico buraco negro super-massivo entra em erupção não a cada nove horas, mas a cada poucos meses ou anos. Isto tornaria a detecção improvável, pois as observações raramente abrangem períodos de tempo tão longos.

E mais: as EQPs como as encontradas em GSN 069 podem fornecer uma estrutura natural para interpretar alguns padrões intrigantes observados numa fracção significativa de buracos negros activos, cujo brilho parecer variar demasiado depressa para ser facilmente explicado pelos modelos teóricos actuais.

“Conhecemos muitos buracos negros massivos cujo brilho aumenta ou diminui por factores muito elevados em dias ou meses, enquanto esperamos que variem num ritmo muito mais lento,” explica Giovanni.

“Mas se parte desta variabilidade corresponder às fases de subida ou descida de erupções semelhantes às descobertas em GSN 069, então a rápida variabilidade destes sistemas, que parece actualmente inviável, pode ser explicada naturalmente. Novos dados e novos estudos dirão se esta analogia realmente se aplica.”

As erupções quase periódicas avistadas em GSN 069 também podem explicar outra propriedade intrigante observada na emissão de raios-X de quase todos os buracos negros super-massivos brilhantes com acreção: o chamado “excesso suave”.

Consiste na emissão aprimorada a baixas energias de raios-X, e ainda não há consenso sobre o que a provoca, a teoria principal invocando uma nuvem de electrões aquecidos perto do disco de acreção.

Tal como buracos negros semelhantes, o de GSN 069 exibe um excesso de raios-X tão suave durante as explosões, mas não entre as erupções.

“Podemos estar a testemunhar a formação do excesso suave em tempo real, o que poderá esclarecer a sua origem física,” diz o co-autor Richard Saxton da equipa de operações do XMM-Newton no centro de astronomia da ESA na Espanha.

“De momento, não se sabe como a nuvem de electrões é criada, mas estamos a tentar identificar o mecanismo estudando as mudanças no espectro de raios-X de GSN 069 durante as erupções.”

A equipa já está a tentar identificar as propriedades que definem GSN 069, no momento em que as erupções periódicas foram detectadas pela primeira vez, a fim de procurar mais casos de estudo.

“Um dos nossos objectivos imediatos é procurar erupções quase periódicas de raios-X noutras galáxias, para melhor entender a origem física deste novo fenómeno,” acrescenta a co-autora Margherita Giustini do Centro de Astrobiologia de Madrid.

“GSN 069 é uma fonte extremamente fascinante, com potencial para se tornar numa referência no campo da acreção de buracos negros,” diz Norbert Schartel, cientista do projecto XMM-Newton da ESA.

A descoberta não teria sido possível sem as capacidades do XMM-Newton.

“Estas explosões acontecem na parte menos energética da banda de raios-X, onde o XMM-Newton é imbatível. Certamente precisaremos de usar o observatório novamente se quisermos encontrar mais destes tipos de eventos no futuro,” conclui Norbert.

Astronomia On-line
13 de Setembro de 2019

 

2629: Novos modelos sugerem que lagos de Titã são crateras de explosão

CIÊNCIA

Esta impressão de artista de um lago no pólo norte da lua de Saturno, Titã, ilustra orlas elevadas e parecidas a muralhas como aquelas vistas pela sonda Cassini da NASA em torno de Winnipeg Lacus.
Crédito: NASA/JPL-Caltech

Usando dados de radar da sonda Cassini da NASA, investigações publicadas recentemente apresentam um novo cenário que explica porque alguns lagos cheios de metano na lua de Saturno, Titã, estão cercados por orlas íngremes que atingem centenas de metros de altura. Os modelos sugerem que explosões de azoto aquecido criaram bacias na crosta da lua.

Titã é o único corpo planetário no nosso Sistema Solar, além da Terra, que possui líquidos estáveis à sua superfície. Mas, em vez de chover água das nuvens e de encher lagos e mares como na Terra, em Titã é o metano e o etano – hidrocarbonetos que consideramos gases, mas que se comportam como líquidos no clima gelado de Titã.

A maioria dos modelos existentes que expõem a origem dos lagos de Titã mostra o metano líquido a dissolver o leito de rocha e de compostos orgânicos sólidos da lua, escavando reservatórios que se enchem com líquido. Esta pode ser a origem de um tipo de lago em Titã que possui fronteiras íngremes. Na Terra, os corpos de água que se formam da mesma maneira, dissolvendo o calcário circundante, são conhecidos como lagos cársicos [ou cársticos].

Os novos modelos alternativos para alguns dos lagos mais pequenos (dezenas de quilómetros em comprimento) viram essa teoria de cabeça para baixo: propõem bolsas de azoto líquido na crosta aquecida de Titã, transformando-se em gás que explode para formar crateras, crateras estas que depois se enchem de metano líquido. A nova teoria explica porque alguns dos lagos mais pequenos próximos do pólo norte de Titã, como Winnipeg Lacus, parecem nas imagens de radar ter orlas muito íngremes que se elevam acima do nível do mar – bordas difíceis de explicar com o modelo cársico.

Os dados de radar foram recolhidos pelo orbitador Cassini – uma missão gerida pelo JPL da NASA em Pasadena, Califórnia – durante a sua última passagem por Titã, enquanto a sonda se preparava para o seu mergulho final na atmosfera de Saturno há dois anos. Uma equipa internacional de cientistas liderada por Giuseppe Mitri da Universidade G. d’Annunzio, na Itália, ficou convencida de que o modelo cársico não estava de acordo com o que viam nestas novas imagens.

“A orla sobe e o processo cársico funciona da maneira oposta,” disse Mitri. “Não estávamos a encontrar qualquer explicação que se encaixasse com uma bacia de lago cársico. Na realidade, a morfologia era mais consistente com uma cratera de explosão, onde a borda é formada por material ejectado do interior da cratera. É um processo totalmente diferente.”

O trabalho, publicado dia 9 de Setembro na revista Nature Geosciences, entrelaça-se com outros modelos climáticos de Titã para mostrar que a lua pode estar quente em comparação com o que era nas “eras glaciais” anteriores de Titã.

Ao longo dos últimos 500 milhões a mil milhões de anos em Titã, o metano na sua atmosfera actuou como um gás de efeito estufa, mantendo a lua relativamente quente – embora ainda fria pelos padrões da Terra. Os cientistas há muito que pensam que a lua passou por épocas de arrefecimento e aquecimento, já que o metano é esgotado pela química solar e depois reabastecido.

Nos períodos mais frios, o azoto dominava a atmosfera, chovendo e percorrendo a crosta gelada para se acumular em lagos logo abaixo da superfície, disse o cientista da Cassini e co-autor do estudo Jonathan Lunine da Universidade de Cornell, em Ithaca, Nova Iorque.

“Estes lagos com orlas íngremes, muralhas e bordas elevadas seriam um sinal de períodos da história de Titã em que havia azoto líquido à superfície e na crosta,” observou. Até o aquecimento localizado seria suficiente para transformar o azoto líquido em vapor, fazendo com que se expandisse rapidamente e explodindo para criar uma cratera.

“Esta é uma explicação completamente diferente para as bordas íngremes em redor destes pequenos lagos, que têm sido um tremendo quebra-cabeças,” disse Linda Spilker, cientista do projecto Cassini no JPL. “À medida que os cientistas continuam a explorar o tesouro de dados da Cassini, vamos continuar a juntar cada vez mais peças do puzzle. Durante as próximas décadas, entenderemos cada vez mais o sistema de Saturno.”

Astronomia On-line
13 de Setembro de 2019

 

2628: Buraco negro de massa intermédia lança estrela pela Via Láctea

CIÊNCIA

Estrelas jovens e massivas como PG1610+062, no halo galáctico da Via Láctea, vivem longe das regiões de formação estelar da nossa Galáxia. Os astrónomos estão a tentar entender como é que estas “estrelas fugitivas” foram forçadas a sair do seu local de nascimento. Novas observações de PG1610+062 sugerem que um buraco negro de massa intermédia, na Via Láctea, pode ser responsável por expulsar a estrela do seu enxame natal.
Crédito: A. Irrgang, FAU

Uma equipa internacional de astrónomos identificou a origem de uma estrela em fuga a alta velocidade de nome PG 1610+062 e determinou que foi provavelmente ejectada do seu enxame onde nasceu com a ajuda de um buraco negro de massa intermédia.

Os resultados foram publicados na revista Astronomy & Astrophysics.

A fim de restringir a velocidade de rotação projectada de PG 1610+062, a sua velocidade radial, bem como medir com precisão a sua composição química, a equipa precisou de dados espectrais da estrela, mas a sua distância e posição no espaço tornaram o instrumento ESI (Echellette Spectrograph and Imager) do Observatório W. M. Keck a única ferramenta para o trabalho.

“No hemisfério norte, apenas a combinação do Observatório Keck e do ESI nos deu o que precisávamos. A área de recolha do Keck permitiu-nos reunir fotões suficientes para o nosso objecto e o ESI tem exactamente a resolução correta, que é alta o suficiente para resolver todas as características espectrais,” diz o coautor Thomas Kupfer, pós-doutorado do Instituto Kavli para Física Teórica na Universidade da Califórnia em Santa Barbara.

Embora anteriormente considerada uma estrela antiga com metade da massa do Sol, típica do halo galáctico, os dados do Observatório Keck revelaram que PG 1610+062 é na verdade uma estrela surpreendentemente jovem, dez vezes mais massiva, expelida do Disco Galáctico a quase à velocidade de escape da Via Láctea.

Também existem estrelas ainda mais velozes, chamadas estrelas de hiper-velocidade – as primeiras três foram descobertas em 2005. Entre elas está a estrela ímpar US 708, encontrada em observações com o LRIS (Low Resolution Imaging Spectrometer) do telescópio Keck I; estava a viajar tão depressa que escapou à atracção gravitacional da Via Láctea. Para atingir estas velocidades, é necessário um evento de expulsão extremamente dramático.

Simulações realizadas em 1988 sugeriram que um buraco negro gigante com 4 milhões de vezes a massa do Sol era capaz de o fazer. Ao interromper um sistema estelar binário, ou seja, engolindo uma estrela e deixando a sua parceira estelar com toda a energia do sistema, ejectando-a muito além da velocidade de escape da Via Láctea. À falta de outras explicações plausíveis para a formação das estrelas de hiper-velocidade, este cenário foi prontamente aceite como o mecanismo padrão de expulsão, em particular depois que as evidências observacionais da existência de um buraco negro super-massivo no Centro Galáctico se tornaram avassaladoras no início da década de 2000.

Usando as medições de precisão astrométrica da missão Gaia da ESA, PG1610+062 foi rastreada, não para perto do Centro Galáctico, mas para o braço espiral de Sagitário da nossa Galáxia, descartando a ideia de que o buraco negro super-massivo do Centro Galáctico tivesse expelido a estrela.

Ainda mais interessante é a extrema aceleração derivada para PG1610+062, que exclui provavelmente todos os outros cenários alternativos, excepto a interacção com um buraco negro de massa intermédia. Prevê-se que tais objectos existam em enxames estelares jovens nos braços espirais da Via Láctea, mas nenhum foi efectivamente confirmado até ao momento.

“PG1610+062 pode fornecer evidências de que os buracos negros de massa intermédia realmente existem na nossa Galáxia. A ‘corrida’ para os encontrar está em andamento,” diz o autor principal Andreas Irrgang da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga, Alemanha.

Há muito mais para aprender sobre esta estrela e sobre o seu local de origem. À medida que a missão Gaia prossegue, a precisão vai melhorar e o local de origem será reduzido ainda mais, possivelmente permitindo que os astrónomos procurem o enxame estelar e, finalmente, o buraco negro.

A equipa, que inclui Felix Fürst do Centro Europeu de Astronomia Espacial na Espanha, Stephan Geier do Instituto de Física e Astronomia da Universidade de Potsdam, na Alemanha, e Ulrich Heber da Universidade Friedrich-Alexander de Erlangen-Nuremberga, está actualmente a pesquisar candidatas adicionais semelhantes a PG1610+062 usando o Gaia e outros telescópios. As mais brilhantes e mais próximas podem ser adequadas para rastrear os núcleos dos enxames estelares, o que poderá fornecer evidências de buracos negros de massa intermédia nos seus centros.

Astronomia On-line
13 de Setembro de 2019

 

2627: Um novo Oumuamua pode ter acabado de entrar no Sistema Solar (e está a caminho de Marte)

CIÊNCIA

ESA / M. Kornmesser / European Southern Observatory Impressão de artista do primeiro asteróide interestelar: Oumuamua.

Os astrónomos terão encontrado um segundo objecto de outro sistema solar que agora entrou no nosso. O objecto pode mesmo passar por Marte este ano – mas ainda está longe.

O palpite dos cientistas é forte, mas ainda não é certo: agora, as hipóteses são muito maiores de que o objecto, conhecido como cometa “C/2019 Q4 (Borisov)”, seja interestelar, e não uma rocha de dentro do sistema solar. O primeiro objecto interestelar já detectado – a misteriosa e controversa rocha espacial em forma de charuto Oumuamua – passou através do nosso Sistema Solar em 2017.

O astrónomo ucraniano amador Gennady Borisov pode ter sido o primeiro a detectar o C / 2019 Q4 no céu em 30 de Agosto. Os astrónomos têm recolhido dados na esperança de traçar o caminho do objecto através do espaço e descobrir de onde veio. “É tão emocionante que estamos basicamente a desviar o olhar de todos os nossos outros projectos de momento”, disse Olivier Hainaut, astrónomo do Observatório Europeu do Sul, ao Business Insider.

“A principal diferença entre o Oumuamua e esta é que temos muito, muito tempo de antecedência”, acrescentou. “Agora os astrónomos estão muito mais preparados.”

As primeiras imagens sugerem que o C / 2019 Q4 é seguido por uma pequena cauda ou halo de poeira. Essa é uma característica distinta dos cometas – contêm gelo que é aquecido por estrelas próximas, o que os leva a atirar gás e areia para o espaço. A poeira poderia tornar o C / 2019 Q4 mais simples de monitorizar do que Oumuamua, já que a poeira reflecte a luz solar.

Isto também poderia permitir que os cientistas estudem mais facilmente a composição do objecto, uma vez que os instrumentos do telescópio podem “provar” a luz para procurar assinaturas químicas. “Aqui temos algo que nasceu em torno de outra estrela e viajou na nossa direcção”, disse Hainaut.

Astrónomos de todo o mundo estão a pegar em todos os telescópios disponíveis para traçar o caminho do C / 2019 Q4 no espaço. O objectivo é ver se o objecto tem uma órbita elíptica (em forma oval e ao redor do Sol) ou hiperbólica (em forma de marca de selecção e em uma trajectória aberta). Parece muito mais provável que o caminho seja hiperbólico, embora os astrónomos ainda não tenham a certeza. Em particular, estão a tentar verificar a excentricidade do C / 2019 Q4 ou quão extrema é sua órbita.

A velocidade aparentemente alta do objecto e do seu manto de poeira semelhante a um cometa também inclinam a balança para a probabilidade de ser interestelar, acrescentou Hainaut. “Pode demorar alguns dias ou semanas até termos dados suficientes para dizer definitivamente”.

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2019/09/08.824 UT, 11x60sec exp.
0.20-m Ritchey-Chretien + CCD + f/5.4 focal reducer.#Cometobs

Quando Oumuamua passou a correr pela Terra a uma distância de apenas 24 milhões de quilómetros em Outubro de 2017, os astrónomos não tinham ideia de que estava a chegar. Se for interestelar, o C / 2019 Q4 chegará ao ponto mais próximo do Sol no final de Dezembro e os cientistas deverão poder observá-lo até Janeiro de 2021.

A importância do primeiro Oumuamua reside no facto de ser o primeiro asteróide detectado que não vem do Sistema Solar. A natureza do “Mensageiro das Estrelas” está rodeado de mistérios desde o dia em que foi descoberto por astrónomos da Universidade do Hawai, em Outubro de 2017.

Depois de constatar mudanças na velocidade do seu movimento, o Centro de Astrofísica Harvard-Smithsonian sugeriu que o asteróide poderia ser uma “sonda” enviada à Terra intencionalmente por uma “civilização alienígena”.

No último ano, o mundo da astronomia debruçou-se no estudo do corpo celeste e as mais várias teorias já foram apresentadas em artigos científicos: desde o seu passado violento, passando pela possibilidade de ser um sistema binário, e até o provável local de onde veio o Oumuamua.

Recentemente, investigadores da Universidade de Harvard sugeriram que milhares de objetos semelhantes ao Oumuamua podem estar presos no Sistema Solar.

ZAP //

Por ZAP
13 Setembro, 2019

 

2626: Encontrados os restos de um continente perdido. Estavam enterrados debaixo do sul da Europa

CIÊNCIA

Ali McLure / Flickr

Até agora ninguém havia notado, mas sob os pés dos habitantes do sul da Europa, que inclui a Península Ibérica, jazem os restos de um antigo continente.

O continente afundou há muito tempo nas profundezas da Terra e a sua história, 250 milhões de anos depois, foi reconstruida passo a passo por uma equipa de geólogos das universidades de Utrecht, Oslo e do Instituto de Geofísica ETH em Zurique.

Os únicos restos visíveis desse continente perdido, conhecido como Grand Adria, são as rochas calcárias que podem ser encontradas nas cadeias de montanhas do sul da Europa. Os investigadores, que publicaram o seu trabalho na revista especializada Gondwana Research este mês, acredita que as rochas começaram a sua existência como sedimentos marinhos para mais tarde serem “raspados” a partir da superfície da Terra e elevados às suas posições actuais graças às colisões das placas tectónicas.

Por esse motivo, tanto o tamanho original como a forma e a história dessa massa terrestre desaparecida foram muito difíceis de reconstruir. No seu artigo, os geólogos explicam que grande parte dele constituiu, durante milhões de anos, o fundo de antigos mares tropicais rasos.

De acordo com Douwe van Hinsbergen, da Universidade de Utrecht, Grand Adria tinha uma história “violenta e complicada”. De facto, separou-se do sul do super-continente Gondwana, que entendia o que é hoje a África, América do Sul, Austrália, Antárctica, subcontinente indiano e Península Arábica, há 240 milhões de anos. A partir desse momento, começou a mover-se para o norte.

Os investigadores acreditam que, há cerca de 140 milhões de anos, Grand Adria era uma massa terrestre do tamanho da Gronelândia, coberta em grande parte por um mar tropical leve, onde os sedimentos se acumulavam lentamente para se transformarem em rochas. Mais tarde, entre 100 e 120 milhões de anos atrás, colidiu com o que é hoje a Europa, quebrando e sendo empurrado para o continente.

Apenas uma pequena parte das rochas de Gran Adria, arrancadas da crosta terrestre durante a colisão, conseguiu permanecer na superfície da Terra.

O estudo também teve de lidar com uma complicação adicional: as rochas de Grand Adria estão espalhadas por mais de 30 países, variando de uma faixa da Península Ibérica ao Irão. Da mesma forma que as rochas, também os dados da sua história se dispersaram.

Finalmente, até há menos de uma década, os geólogos não possuíam o software sofisticado necessário para realizar reconstruções tão complexas como esta. “A região do Mediterrâneo é simplesmente um desastre geológico. Tudo está dobrado, quebrado e empilhado.”

Para realizar o estudo, a equipa passou dez anos a recolher informações sobre as idades das amostras de rochas de Grand Adria, bem como a direcção dos campos magnéticos presos nelas. Com isso, conseguiram identificar não apenas quando, mas onde essas rochas se formaram.

Dessa maneira, os cientistas perceberam que, enquanto se deslocavam para o norte, Grand Adria girava no sentido anti-horário, empurrando e raspando outras placas tectónicas no seu caminho. No final, chegou à colisão com a Europa.

Embora isso tenha ocorrido a velocidades não superiores a 3 ou 4 centímetros por ano, o acidente destruiu completamente a crosta de Gran Adria, com cerca de 100 quilómetros de espessura, enviando a maior parte para as profundezas do manto da terra e logo abaixo do sul do continente europeu. Algumas partes deste continente perdido têm mais de 1.500 quilómetros de profundidade.

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Por ZAP
13 Setembro, 2019

 

2625: Pela primeira vez, um homem alcançou o ponto mais profundo de todos os 5 oceanos

Saspotato / Flickr

Escondida sob o Estreito de Fram, uma passagem que separa a Gronelândia e Svalbard, fica o ponto mais profundo do Oceano Árctico, onde o fundo do mar chega a 5.550 metros. Agora, o explorador Victor Vescovo tornou-se na primeira pessoa a alcançá-lo.

Em 24 de Agosto, Vescovo desceu ao fundo do chamado Molloy Deep, uma vala gelada que fica a 274 quilómetros a oeste de Svalbard, na Noruega. Para chegar a Molloy, Vescovo desceu num submersível chamado DSV Limiting Factor entre 64 a 80 quilómetros da borda de um bloco de gelo, de acordo com um comunicado. Após o mergulho solo inicial de Vescovo, a equipa mergulhou mais duas vezes.

“Estava frio, claro, e tivemos apenas seis a oito semanas de bom tempo por ano para experimentar”, disse Vescovo ao Live Science. “No inverno, o local de mergulho é coberto de gelo e, quando não é, as tempestades podem ser um problema“.

A expedição inteira foi cronometrada em torno das estreitas janelas climáticas que permitiriam mergulhar nos oceanos Árctico e Meridional. “Felizmente, os deuses do tempo sorriram-nos este ano.”

Com os mergulhos mais recentes, Vescovo e a sua equipa concluíram a “Expedição Five Deeps”, uma missão para chegar ao fundo dos cinco oceanos do mundo – uma conquista filmada para Deep Planet, uma série de documentários que será exibida no Discovery Channel ainda este ano.

Vescovo já desceu até a parte mais profunda do Oceano Atlântico, o Oceano Antárctico, o Oceano Índico e do o Oceano Pacífico. Em maio, quebrou o recorde de James Cameron com o mergulho a solo mais profundo de todos os tempos no Oceano Pacífico. O explorador desceu 10.927 metros do Challenger Deep, o ponto mais profundo do planeta e parte da Fossa das Marianas.

Vescovo disse que a sua parte favorita de estar nas profundezas era o facto de estar a ir a um lugar ninguém tinha ido antes e “trazendo luz a lugares que não a veem há milhões de anos”. Explorar as profundezas era um sonho de Vescovo desde que era criança, quando lia história sobre as grandes aventuras dos exploradores do século XX.

“Com a equipa certa, talentosa e apaixonada, e a tenacidade de superar contratempos, tudo é possível”, disse. “Ainda há uma quantidade enorme de coisas para explorar pela primeira vez neste mundo”.

Este mergulho também fez de Vescovo a primeira pessoa a mergulhar na parte mais profunda de todos os oceanos do mundo.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2019