2624: Os canhotos têm um cérebro diferente dos destros

CIÊNCIA

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Uma equipa de cientistas identificou, pela primeira vez, os genes que nos tornam canhotos. Estes genes podem contribuir para uma melhor capacidade de comunicação verbal e estar relacionados com a esquizofrenia.

Uma equipa de cientistas da Universidade de Oxford, no Reino Unido, analisou o ADN de 400 mil pessoas, entre as quais 38.332 eram canhotas.

Os cientistas estudaram e compararam vários exames cerebrais com perfis genéticos com o principal objectivo de procurar associações entre genes, cérebros e utilização das mãos. O estudo foi publicado esta quinta-feira na Brain.

“Pela primeira vez, em seres humanos, conseguimos estabelecer que as diferenças citoesqueléticas [na estrutura celular] associadas à utilização das mãos são efectivamente visíveis no cérebro”, afirmou uma das autoras do estudo, Gwenaëlle Douaud, citada pela BBC.

A partir daqui, foi possível perceber que as variantes genéticas relacionadas com a condição de canhoto estão ligadas às diferenças na “matéria branca” do cérebro, em particular, nas áreas associadas com a linguagem.

Nos participantes canhotos, as duas metades do cérebro – os hemisférios esquerdo e direito – comunicavam melhor entre si e estavam mais bem coordenadas nas regiões envolvidas na linguagem.

Este fenómeno levou os investigadores a pensar que os canhotos podem ter habilidades verbais mais desenvolvidas, embora ainda não consigam prová-lo.

Além disso, os cientistas encontraram uma associação à condição de canhoto com probabilidade de desenvolver esquizofrenia e Parkinson, no sentido em que “há mais canhotos entre os pacientes que sofrem com esquizofrenia, do que entre a população em geral. Em contraste, há menos canhotos com doença de Parkinson”, segundo Dominic Furniss, outro autor do estudo.

No artigo científico, a equipa realça ainda que ser canhoto pode ser um estigma. “Em muitas culturas, ser canhoto é visto como ser-se infeliz ou malicioso, e isso reflecte-se na linguagem”, explicou Furniss. Em francês, por exemplo, gauche pode significar “esquerda” ou “desajeitado”. Em inglês, right (direita) também significa “estar certo”.

“O que este estudo mostra é que ser canhoto é apenas uma consequência do desenvolvimento biológico do cérebro. Não tem nada a ver com sorte ou maldade”, rematou o investigador.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2019

 

2623: “Lodo assassino”. Algas potencialmente mortais invadem praias da Bretanha

CIÊNCIA

regardelabretagne / Flickr

Activistas ambientais consideram que este “lodo assassino” está relacionado com os nitratos dos fertilizantes usados na agricultura intensiva e com os resíduos da produção de gado e de lacticínios.

Durante as últimas décadas, começaram a aparecer algas potencialmente letais nas baías da costa noroeste da Bretanha, em França. Segundo o The Guardian, ambientalistas dizem que esta situação está relacionada com os nitratos dos fertilizantes e com os resíduos da produção intensiva de suínos, de aves e de lacticínios que fluem para o sistema fluvial e acabam no mar.

Quando as algas se decompõem, gases tóxicos ficam presos sob a sua crosta, tornando-as potencialmente fatais para as pessoas que as pisam. “Pode matar uma pessoa em poucos segundos”, afirma André Ollivro, ex-técnico de gás, que lidera a luta contra o que ficou conhecido como “lodo assassino”.

“Quando tinha 16 anos, costumava trazer um barco para aqui com o meu tio. Naquela época, era só beleza natural e não se via algas empilhadas. É uma pena que este lugar esteja agora associado à morte”, lamenta Ollivro, agora com 74 anos.

Este verão, seis praias foram encerradas em Saint-Brieuc por causa destas algas. Várias escavadoras e camiões levaram-nas para um centro de tratamento, onde depois foram secas e eliminadas. O cheiro resultante deste processo era tão intenso — os locais queixaram-se que tinham acordado à noite por causa desse odor — que o centro teve de encerrar de forma temporária.

A revolta, segundo o jornal britânico, intensificou-se em Julho, quando os familiares de um homem, que morreu no estuário de Gouessant em 2016, processaram as autoridades estaduais e locais. A família alegou que não tinha sido feito o suficiente para impedir a propagação das algas e que o público não tinha sido devidamente avisado dos perigos.

Jean-René Auffray, de 50 anos, morreu enquanto corria perto da praia em Hillion. A área onde depois foi encontrado foi a mesma onde, há cinco anos, também morreram mais de 30 javalis. Já em 2009, outro homem, Thierry Morfoisse, morreu repentinamente enquanto conduzia um camião que transportava algas para longe de uma praia.

O líder do partido francês Europa Ecologia – Os Verdes, Yannick Jadot, acusou recentemente o Estado de encobrir os riscos destas algas e de estar mais interessado em proteger a indústria de alimentos.

Do outro lado, Thierry Burlot, vice-presidente responsável pelo ambiente na região da Bretanha e responsável pelo único centro de refugo destas algas, afirma que as iniciativas estaduais reduziram consideravelmente os nitratos no sistema de água nos últimos anos. Um desses exemplos é a baía de Saint-Brieuc, cujos níveis caíram para metade.

“A Bretanha tem cerca de 2700 quilómetros de costa e menos de 5% é afectada por este fenómeno. Há 15 anos, no pior momento, recolhíamos 30 mil toneladas de algas por ano em certas praias da Côtes d’Armor. Agora, são dez mil toneladas por ano“.

Sylvain Ballu, um cientista do Céva (Centre d’études et de valorisation des algues), confirma que há sinais positivos que confirmam que os níveis de nitratos estão a diminuir, mas que isso não é ainda suficiente.

“A poluição geralmente é invisível a olho nu, sobretudo quando se trata de nitratos ou pesticidas. Estas algas tornaram a poluição invisível extremamente visível, mal cheirosa e perigosa”, conclui.

ZAP //

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11 Setembro, 2019

 

2622: Descobertas 257 pegadas de neandertais na costa da Normandia

CIÊNCIA

Rachel Knickmeyer / Flickr

A Normandia está talhada para viver e contar uma parte da nossa história. Uma equipa de cientistas descobriu 257 pegadas de neandertais ao longo da costa daquele território, em França, que estarão “imaculadamente preservadas” há 80 mil anos.

A investigação, partilhada segunda-feira na revista especializada Proceedings of the National Academy of Sciences, parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com entre 10 e 13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes. De acordo com o jornal britânico The Guardian, há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1,90 metros.

Os pés dos neandertais eram mais largos que os dos humanos modernos. A partir do tamanho das pegadas em Le Rozel, os investigadores estimaram o tamanho dos indivíduos que as criaram e depois inferiram a sua idade.

O diário britânico revela ainda que a zona onde foram encontradas as pegadas, Le Rozel, foi originalmente descoberta por Yves Roupin, um arqueologista amador, nos anos 60. O Governo francês só interveio seriamente, apoiando as escavações, em 2012, quando aquela zona estava ameaçada pela erosão.

Jérémy Duveau, co-autor do estudo, disse que as impressões foram deixadas em solo lamacento e rapidamente preservadas pela areia movida pelo vento. “Foi incrível observar estes trilhos, que representam momentos da vida de indivíduos, às vezes muito jovens, que viveram há 80 mil anos”, disse Duveau, do Museu Nacional de História Natural da França.

As pegadas foram encontradas entre o que a equipa chamou “material arqueológico abundante”, revelando evidências de açougue de animais e fabricação de ferramentas. As pegadas remontam a uma época em que só os neandertais viviam na Europa Ocidental.

Uma das questões que intriga os cientistas prende-se com o facto de haverem mais crianças e adolescentes do que adultos. A questão que fica é: será que os neandertais morriam cedo ou estavam noutro lado qualquer?

Esta descoberta de pegadas de neandertais é somente a décima, depois de outras terem sido encontradas na Grécia, Roménia, Gibraltar e França.

ZAP //

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11 Setembro, 2019

 

2621: Mais de 800 asteróides podem colidir com Terra nos próximos 100 anos

CIÊNCIA

(CC0/PD) Bibbi228 / pixabay

A Agência Espacial Europeia (ESA) estima que existam, anualmente, 878 asteróides na lista dos potencialmente perigosos que podem colidir com o nosso planeta.

A ideia de um enorme asteróide colidir com o planeta Terra pode parecer um enredo de ficção científica, mas, de acordo com a Agência Espacial Europeia (ESA), pode-se tornar realidade.

Segundo o britânico Mirror, a ESA estima que há 878 rochas espaciais que podem esbarrar contra o nosso planeta. “A lista da ESA junta todos os asteróides dos quais temos conhecimento e que têm hipóteses ‘não nulas’ de colidir com a Terra nos próximos 100 anos – destacando que o impacto, sendo bastante improvável, não pode ser excluído.”

Além disso, a ESA adianta que mesmo uma colisão com um asteróide de pequenas dimensões poderia causar “destruições graves”.

Para reduzir o risco de que algo aconteça do futuro, a Agência Espacial Europeia uniu esforços com outros parceiros internacionais, nomeadamente a NASA, em missões de busca destes corpos celestes e no desenvolvimento de tecnologias para desviá-los do seu percurso.

Nos próximos dias, especialistas em defesa planetária vão encontrar-se em várias cidades europeias para coordenar os esforços conjuntos. O primeiro encontro terá lugar em Roma, na Itália, onde os cientistas irão discutir os planos do projecto da NASA – Teste de Redireccionamento de Asteróide Duplo (DART) -, que consiste num impacto cinético no asteróide duplo Didymos B.

Nos dias 12 e 13 de Setembro, os especialistas discutirão em Munique, na Alemanha, a recente passagem de raspão pela Terra, no dia 9 deste mês, do asteróide 2006 QV89 que não tinha sido detectado.

ZAP // Sputnik News

Por ZAP
12 Setembro, 2019

 

2620: Caverna em Maiorca mostra que a água do mar subiu 16 metros há milhares de anos (e pode voltar a acontecer)

CIÊNCIA

Onur Köklük / Flickr

Escondida na costa nordeste da ilha espanhola de Maiorca, encontram-se as Cuevas de Artà, uma enorme rede de caverna repleta de estalagmites e estalactites.

Estas formações rochosas naturais dominam espaços cavernosos com nomes como a “Câmara do Purgatório” ou a “Câmara do Inferno” – mas a caverna Artà guarda um segredo antigo, revela agora um novo estudo.

Na nova investigação, uma equipa internacional de cientistas analisou depósitos minerais chamados espeleotemas dentro da Caverna Artà. Os espeleoteas, quem incluem estalagmites e estalactites, assumem várias formas diferentes e desenvolvem-se lentamente à medida que precipitam nas reacções químicas à base de água que ocorrem ao longo de dezenas a centenas de milhares de anos.

A análise desses depósitos geoquímicos pode dizer muito sobre as condições ambientais quando essa formação mineral surgiu.

No novo estudo, publicado no fim de Agosto na revista especializada Nature, os cientistas analisaram características chamadas super-crescimentos freáticos, que se formam dentro de cavernas, quando estas são inundadas pelo aumento da água do oceano.

Dentro da rede de cavernas, a equipa liderada pela geoquímica Oana Dumitru, da Universidade do Sul da Florida, identificou seis dessas formações de super-crescimento, encontradas em vários locais dentro da caverna e em elevações que variavam de 22,5 a 32 metros acima do nível do mar.

A análise das amostras extraídas desses super-crescimentos data dos depósitos de entre 4,39 a 3,27 milhões de anos atrás, indicando que se formaram durante a época do Plioceno, o último grande período de aquecimento da Terra, quando árvores até cresceram no Polo Sul. Mas isso não é tudo o que os investigadores descobriram.

Um intervalo durante o Plioceno Tardio, chamado Período Quente do Meio Piacenziano, é frequentemente considerado um tipo de análogo para o futuro aquecimento antropocêntrico. Isto porque as condições atmosféricas de dióxido de carbono eram comparáveis ​​às de hoje (cerca de 400 ppm) e o mundo estava entre 2 a 3°C mais quente do que uma temperatura média global pré-industrial.

Durante esse período, os cientistas descobriram que o nível médio global do mar estava a 16,2 metros acima do nível actual. De acordo com a equipa, é provável que, mesmo que o CO2 atmosférico se estabilize onde está hoje, o nível do mar provavelmente subirá inevitavelmente novamente às mesmas altitudes, embora reconheçam que possa demorar centenas ou milhares de anos.

“Considerando os padrões actuais de derretimento, a extensão do nível do mar provavelmente seria causada pelo colapso das camadas de gelo da Gronelândia e da Antárctica Ocidental”, explicou Dumitru em comunicado.

Assim, escreve o ScienceAlert, se os humanos não são capazes de estabilizar ou reduzir o carbono atmosférico e outros gases de efeito estufa que capturam calor, poderíamos observar até 23,5 metros de elevação do nível do mar – algo que o mundo testemunhou pela última vez há quatro milhões de anos atrás, quando as temperaturas eram até 4°C superiores aos níveis pré-industriais.

Por outro lado, se conseguirmos manter com sucesso os aumentos acima da temperatura pré-industrial de 1,5 a 2ºC, estudos anteriores publicados no ano passado indicam que o aumento do nível do mar pode estar limitado entre dois a seis metros acima do actual nível do mar.

O objectivo científico dos investigadores é usar a química antiga contida na caverna Artà para ajustar a calibração dos futuros modelos de placas de gelo.

ZAP //

Por ZAP
12 Setembro, 2019