2605: 257 pegadas de neandertais descobertas na costa da Normandia

CIÊNCIA

A investigação parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com 10/13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes. Há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1.90m

© NurPhoto

Se em tempos testemunhou a morte, agora fala-nos sobre vida. A Normandia está talhada para viver e contar uma parte da nossa história: uma equipa de cientistas descobriu 257 pegadas de neandertais ao longo da costa daquele território, em França, que estarão “imaculadamente preservadas” há 80 mil anos, relata o “The Guardian”.

A investigação, partilhada segunda-feira na publicação oficial da Academia Nacional de Ciências do Estados Unidos (Proceedings of the National Academy of Sciences), parece confirmar que aquelas espécies próximas dos humanos viviam em grupo, neste caso com 10/13 indivíduos, a maioria crianças e adolescentes, especifica o diário britânico. Há vestígios que sugerem que alguns dos corpos, provavelmente de adultos, tinham mais de 1.90m.

O “The Guardian” revela ainda que a zona onde foram encontradas as pegadas, Le Rozel, foi descoberta em primeiro lugar por Yves Roupin, um arqueologista amador, nos anos 60. O Governo francês só interveio seriamente, apoiando as escavações, em 2012, quando aquela zona estava ameaçada pela erosão.

Uma das questões que intriga os cientistas prende-se com o facto de haverem mais crianças e adolescentes do que adultos. Ou seja, será que os neandertais morriam cedo ou estavam noutro lado qualquer?

Esta descoberta de pegadas de neandertais é somente a décima, depois de outras na Grécia, Roménia, Gibraltar e França.

msn notícias
Expresso
10/09/2019

 

2604: A erupção do Kilauea foi uma “fábrica” de algas no Oceano Pacífico

CIÊNCIA

A incrível floração de algas ligada à erupção do vulcão Kilauea, no ano passado, foi deflagrada pela lava despejada no oceano Pacífico.

Quando ocorre uma erupção vulcânica, pensamos imediatamente num desastre. No entanto, dependendo das condições, uma erupção pode mesmo significar renovação de vida. O artigo científico, publicado no dia 5 de Setembro na Science, ilustra bem esta situação.

Uma equipa de cientistas das universidades do Havai e do Sul da Califórnia (USC) analisou atentamente as imagens capturadas por um satélite da NASA, em Julho do ano passado. Ao observarem as fotografias da erupção do vulcão Kilauea, os cientistas notaram que a água ao redor do vulcão estava verde.

O satélite detectou grandes quantidades de clorofila, o pigmente verde que converte a luz em energia, presente em algas e outras plantas. Os cientistas foram de barco até à região para recolher amostras, com a esperança de descobrir por que motivo tantas algas começaram a crescer na água após a erupção que derramou, aproximadamente, mil milhões de toneladas de lava quente.

O novo estudo mostra que a pluma verde no oceano ao redor do vulcão continha o cocktail perfeito para o crescimento de plantas e algas: uma mistura fértil de níveis mais altos de nitrato, ácido silícico, ferro e fosfato.

“Não havia razão para esperarmos que uma floração de algas deste tipo acontecesse”, disse o geoquímico Seth John, professor de ciências da Terra da USC e autor do estudo. “A lava não contém nitrato”, continuou, citado pelo Europa Press.

Quer na água, quer na terra, o azoto é um fertilizante natural para as plantas. Com tais condições, a eflorescência de algas expandiu-se por centenas de quilómetros no Oceano Pacífico.

“Normalmente, sempre que uma alga cresce e se divide, é devorada imediatamente por outro plâncton. A única maneira de haver essa floração é se ocorrer um desequilíbrio”, explicou Nicholas Hawco, co-autor do estudo.

Segundo os cientistas, o azoto tem origem, provavelmente, no fundo do oceano. Quando a lava quente entrou, forçou uma ressurgência de águas mais frias e profundas do Pacífico. Ao subir, a água transportou azoto e outras partículas para a superfície, ajudando assim as algas a proliferar.

“Ao longo da costa da Califórnia, existem afloramentos regulares”, afirmou John. “Todos os estratos de algas e criaturas marinhas que habitam nesses ecossistemas são basicamente movidos por correntes que trazem nutrientes fertilizantes das águas profundas para a superfície.”

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019

 

2603: Astrónomos suspeitam que há um tesouro escondido sob a superfície da Lua

CIÊNCIA

giumaiolini / Flickr

Uma equipa de cientistas dos Estados Unidos e do Canadá suspeitam que haja um tesouro escondido nas profundezas da Lua.

Mineração de riquezas é a última coisa que está na mente dos astrónomos. Porém, saber mais sobre a química lunar poderá resolver um conflito sobre a aparente falta de elementos preciosos que se pensa formar o manto da Lua.

Desde sempre que olhamos para metade da face da Lua. Contudo, só recebemos as primeiras pistas reais sobre o que está por baixo da sua superfície quando os astronautas trouxeram para a Terra várias centenas de quilos de material lunar cerca há 50 anos.

“Temos um total geral de 400 quilos de amostras que foram trazidos de volta pelas missões Apolo. É uma quantidade muito pequena de material”, disse James Brenan, da Universidade Dalhousie, no Canadá, em comunicado publicado pela Phys. “Para descobrir algo sobre o interior da Lua, precisamos de reverter a composição das lavas que vêm à superfície.”

Retro-engenharia em basaltos trazidos de volta das missões Apolo 15 e 17 foi usada em 2007 para estimar a quantidade de elementos siderófilos que compõem o manto da Lua. Uma boa proporção deve ter sido proveniente de uma chuva de materiais de construção que sobraram à medida que o Sistema Solar terminou a sua fase de construção, por isso é um indicador útil do tipo de ataque que a Lua sofreu logo após a sua formação.

Estranhamente, as medições eram dez a 100 vezes menores que o esperado. Mesmo depois de aplicar modelos ajustando a maneira como os impactos dos meteoritos podem corroer a Lua, em vez de contribuir para a sua massa, os números nunca fizeram muito sentido, deixando muito espaço para perguntas.

Parte do problema pode estar na forma como os investigadores geralmente começam com a suposição de que a geoquímica da Lua é mais ou menos a mesma que a nossa. Não é exactamente uma suposição irracional, dadas as teorias amplamente sugeridas, sugerindo que a Lua foi feita a partir da própria carne e ossos do nosso planeta.

Mas, apesar de todas as semelhanças, existem diferenças. Assim, a equipa de cientistas combinou os resultados de experiências sobre a solubilidade do enxofre com modelos sobre pressão e termodinâmica do magma de arrefecimento para determinar um conjunto mais preciso de restrições à composição do manto lunar.

Os investigadores descobriram, de acordo com o estudo publicado em Agosto na revista especializada Nature Geoscience, que a existência desses elementos siderófilos ausentes era mais do que provável – simplesmente não estariam à superfície.

“Os nossos resultados mostram que o enxofre nas rochas vulcânicas lunares é uma impressão digital da presença de sulfeto de ferro no interior rochoso da lua, onde pensamos que os metais preciosos foram deixados para trás quando as lavas foram criadas”, explicou Brenan.

Os resultados não fornecem, no entanto, uma estimativa sólida da composição de metais preciosos no manto. Se vale a pena minerar no futuro dependerá do que as futuras missões encontrarem. Explorações de formações rochosas profundas expostas a impactos nas regiões sul da Lua podem ajudar a restringir ainda mais os números de elementos de ferro no manto.

ZAP //

Por ZAP
10 Setembro, 2019