2602: Fóssil com 550 milhões de anos dá novas luzes sobre a mobilidade dos animais

CIÊNCIA

(dr) Virginia Tech College of Science
O fóssil do Yilingia spiciformis, encontrado no sul da China

O fóssil de uma nova espécie (Yilingia spiciformis) pode representar a mais antiga evidência conhecida de um animal a mover-se na superfície da Terra.

Um dia, há 550 milhões de anos, um pequeno diplópode decidiu dar um passeio pelo fundo lamacento do oceano. De acordo com o Live Science, graças ao fóssil encontrado numa rocha no sul da China, este pode representar a mais antiga evidência de um animal a andar na superfície da Terra, provando por acaso que os animais são móveis desde pelo menos o período Ediacarano (há 635 a 539 milhões de anos).

Os autores do estudo, publicado esta quinta-feira na revista Nature, apelidaram esta nova espécie de Yilingia spiciformis. A criatura tinha um corpo longo e fino, medindo até dez centímetros de comprimento e três centímetros de largura, composto por cerca de 50 segmentos simétricos.

A Y. spiciformis habitava o fundo do oceano, onde arrastava o seu corpo pegajoso, deixando trilhas com 58 centímetros de comprimento. Os investigadores suspeitam que esteja relacionado com os artrópodes (invertebrados minúsculos que incluem crustáceos e diplópodes) ou anelídeos (vermes segmentados).

Significativamente, o animal mostra uma simetria bilateral, o que significa que os lados esquerdo e direito do corpo são idênticos, assim como os seres humanos e a maioria dos outros animais.

De acordo com os cientistas, esta pode ser uma característica inerente a todos os animais que evoluíram para se deslocarem pela superfície da Terra, o que poderia tornar os “pequenos passos” deste verme num grande salto para os animais.

“A mobilidade deu aos animais a possibilidade de deixarem uma pegada inconfundível na Terra, literal e metaforicamente”, disse o co-autor do estudo Shuhai Xiao, professor de geociências da Virginia Tech College of Science. “Os animais [bilaterais] e, em particular, os seres humanos são motores e agitadores da Terra. A sua capacidade de moldar a face do planeta está finalmente ligada à origem da motilidade animal”.

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9 Setembro, 2019

 

2601: O lago mais antigo da Europa revela como era o clima no Mediterrâneo no passado (e como será no futuro)

CIÊNCIA

Charlie Marchant / Wikimedia

O lago da Ocrida, entre a Albânia e o norte da Macedónia, é um dos mais profundos e antigos lagos da Europa. Lagos como este geralmente duram apenas algumas centenas de milhares de anos antes de ficarem cheios de sedimentos.

Mas esse não é o caso do lago da Ocrida, uma vez que é muito mais antigo do que isso. Agora, a sua idade permitiu aos investigadores abrir uma janela para o passado da bacia do Mediterrâneo.

De acordo com um estudo publicado este mês na revista especializada Nature, os cientistas conseguiram ter uma ideia de como era o clima nos últimos 1,36 milhões de anos no Mediterrâneo. Os investigadores mostraram que, durante períodos inter-glaciais quentes, as chuvas de inverno no Mediterrâneo aconteceram ao mesmo tempo que as monções de verão na África.

“Descobrimos uma tele-conexão entre as monções africanas e as precipitações de inverno na região do Mediterrâneo, assim como entre os sistemas climáticos tropicais e as chuvas nas latitudes médias a milhares de quilómetros de distância”, disse Alexander Francke, da Universidade de Wollongong, em comunicado, publicado pela Phys.

“Sempre que a radiação solar recebida do Sol é aprimorada no Hemisfério Norte, temos uma migração para o norte do sistema climático tropical e vemos um aumento das chuvas no inverno no lago da Ocrida. Vemos esse mecanismo de maneira consistente nos últimos 1,3 milhão de anos”.

A equipa recolheu sedimentos num local onde o lago tem 245 metros de profundidade. Os cientistas perfuraram 568 metros nos sedimentos e reconstruiram a história climática do lago durante toda a sua existência.

Ao combinar os dados com simulações de modelos climáticos, os investigadores conseguiram obter informações sobre o clima no centro-norte do Mediterrâneo. A região é caracterizada por Invernos húmidos e Verões secos e isso está relacionado com a sua interacção com o clima tropical africano, especialmente em termos de aquecimento da superfície do mar.

“Este sistema climático seria bastante estável durante o verão e o outono até que as temperaturas diminuam no inverno e o ar frio do norte faça com que todo o sistema fique instável. Esse sistema de baixa pressão move-se para leste em direcção à Península dos Balcãs e promove chuvas nos meses de inverno”, explicou Francke.

Mas não é apenas sobre o passado. Os modelos climáticos encontraram dificuldades em prever como a crise climática causada pelo homem afectará o Mediterrâneo nos próximos anos. Alguns apontam para os Invernos mais húmidos, outros para mais secos. Estes novos dados serão essenciais para refinar os modelos e fornecer pistas sobre o que o futuro reserva para o Mediterrâneo.

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9 Setembro, 2019

 

2600: A NASA detectou uma misteriosa luz verde que desapareceu rapidamente

CIÊNCIA

O observatório espacial NuSTAR da NASA captou uma explosão de luz azul e verde brilhante de raios-X enquanto observava a galáxia Fireworks.

Os pontos de luz, que desapareceram alguns dias após serem detectados e que são conhecidos como fonte de raios X ultra-luminosos (ULX), foram baptizados de ULX-4, pois é o quarto identificado nesta galáxia.

Apenas dez dias após a primeira observação, de repente, as luzes desapareceram com a mesma rapidez com que apareceram. Os investigadores descartaram que fosse uma super-nova porque nenhuma luz visível foi detectada com a fonte de raios-X.

“Dez dias é um período muito curto para que um objecto tão brilhante apareça“, disse Hannah Earnshaw, principal autora do novo estudo, em comunicado. A cientistas disse que foi uma experiência “emocionante” porque mudanças cada vez mais graduais são geralmente observadas ao longo do tempo.

A luz pode vir de um buraco negro que está a consumir outro objecto, como uma estrela. Estudos sugerem que a gravidade de um buraco negro pode separar um objecto que se aproxima demais. Os restos que são colocados em órbita perto do buraco negro movem-se muito rápido, aquecem até milhões de graus Celsius e emitem raios-X.

Como a maioria dos buracos negros “se alimenta” de objectos densos, como uma estrela, por um período prolongado, os ULXs geralmente têm uma duração longa, diferente da observada recentemente, que teve vida curta ou “transitória”. Este foi um evento muito mais raro, que poderia ser um buraco negro destruindo rapidamente uma pequena estrela.

No entanto, os astrónomos também propuseram outras explicações possíveis, de modo que o ULX-4 fosse produzido por uma estrela de neutrões. Como os buracos negros, podem extrair material e formar um disco de detritos que se movem rapidamente.

“Este resultado é um passo para entender alguns dos casos mais raros e extremos em que a matéria se acumula em buracos negros ou estrelas de neutrões”, concluiu Earnshaw.

A descoberta foi apresentada num estudo publicado no início de Agosto na revista especializada The Astrophysical Journal.

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9 Setembro, 2019