2599: Pode a ciência ajudar a evitar a formação dos grandes furacões?

CIÊNCIA

Teorias para combater ciclones têm caído por terra. Mas os cientistas sonham com uma solução

© DR

Há já algumas décadas que se questiona se a ciência e a tecnologia podem ou não ajudar a travar ou mesmo evitar a formação dos ciclones tropicais, como o furacão “Dorian” que esta semana devastou as Bahamas com ventos a chegar aos 295 quilómetros por hora. O tema voltou a ganhar espaço após Donald Trump, Presidente dos Estados Unidos, ter alegadamente questionado as autoridades sobre a possibilidade de usar bombas nucleares para travar furacões. O tema já tem 60 anos. “Não seria preciso dizê-lo, mas é uma má ideia”, diz a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos.

“A maior dificuldade ao usar explosivos para modificar furacões é a quantidade de energia necessária”, explica esta agência americana, em resposta à pergunta que é lançada todos os anos nesta altura. “Um furacão totalmente desenvolvido cria tanta energia quanto uma bomba nuclear de 10 mega-toneladas a explodir a cada 20 minutos.” Além desse impacto, a explosão provocaria uma enorme onda de choque e chuva radioactiva.

Ainda que afastada esta possibilidade, os cientistas têm continuado a procurar hipóteses de usar a ciência para evitar a formação dos furacões, considerados um dos tipos de desastres naturais mais devastadores e com maior impacto em termos humanos e financeiros.

Entre as décadas de 60 e 80, os Estados Unidos chegaram a lançar um projecto de investigação, chamado “Stormfury”, que consistiu numa forma de introduzir iodeto de prata nas nuvens, com o objectivo de enfraquecer os ciclones tropicais. Depois de quatro testes num intervalo de oito dias, os cientistas chegaram a achar que a força dos ventos tinha sido reduzida em 30%, mas acabaram por concluir que a ideia não funcionava.

Nos anos mais recentes, o foco mudou-se do ar para os oceanos. Em 2011, surgiu a ideia de arrefecer a temperatura da superfície da água do mar, que é uma das condições favoráveis à formação de furacões. Achou-se que bastaria desenvolver uma enorme bomba de água, que funcionaria com a energia das ondas, e que puxaria para o fundo a água mais quente da superfície. Pouco tempo depois, concluiu-se que a tecnologia requeria “mais investigação” e mais financiamento.

Solução longínqua

Mais recentemente, em Março de 2018, a revista “Forbes” escreveu sobre como a ciência nos pode ‘salvar’ dos furacões, com base num artigo publicado pelo SINTEF, um centro de investigação norueguês que propõe combater a formação de ciclones tropicais com a mesma tecnologia usada para evitar a formação de gelo nos fiordes. Numa conduta perfurada, colocada debaixo de água e com ar comprimido, são produzidas bolhas de ar que sobem dentro de água, levando a que está mais fria para a superfície.

“Ao trazer esta água para cima, usando uma cortina de bolhas, a temperatura à superfície ficará abaixo dos 26,5°C, cortando a fonte de energia do furacão. Isto irá permitir prevenir que os furacões atinjam intensidades mais perigosas”, afirmou à “Forbes” Grim Eidnes, investigador do SINTEF. Os cientistas defendem até que esta tecnologia poderia ser instalada nas plataformas petrolíferas do Golfo do México, à semelhança do que é feito na Escandinávia. Um dos maiores problemas? O seu custo. Embora o número de mortos e o impacto económico da devastação provocada pelos furacões seja muito alta todos anos, o valor necessário para financiar esta tecnologia é bastante elevado. Além disso, alterar as condições do oceano levanta muitas dúvidas até pelo efeito significativo na vida marinha.

“Todas as sugestões partilham um mesmo ponto: falham na avaliação do tamanho e poder dos ciclones tropicais”, conclui a NOAA. “Talvez um dia, quando for possível viajar quase à velocidade da luz até às estrelas, tenhamos energia suficiente para uma intervenção de força bruta na dinâmica dos furacões.”

msn meteorologia
Expresso
Raquel Albuquerque
08/09/2019

 

2598: Descoberta na costa do Japão nova espécie de baleia-bicuda

CIÊNCIA

(cv) YouTube

Além de ser mais pequena, a Berardius minimus possui uma morfologia diferente, um bico mais curto e uma cor mais escura em comparação com as espécies Berardius já conhecidas.

Há vários anos que os pescadores de baleia japoneses falam de um tipo raro de baleia-bicuda, apelidando-a de Kurotsuchikujira. O pequeno tamanho deste cetáceo iludiu os investigadores mas, agora, uma nova investigação descobriu que este animal pode ser mesmo caracterizado como uma nova espécie, escreve o IFLScience.

As baleias-bicudas gostam de viver no oceano profundo e são especialmente evasivas, tornando-as uma das espécies de baleias mais difíceis de estudar. No Pacífico Norte e nas águas adjacentes, existem duas espécies de Berardius: a Berardius bairdii e agora a Berardius minimus, assim baptizada pelo seu tamanho particularmente pequeno.

Os investigadores analisaram quatro exemplares já falecidos desta baleia: três da ilha de Hokkaido, no Japão, e uma da ilha de Unalaska, nos Estados Unidos. Todas “diferiam dos seus congéneres” na morfologia, osteologia e filogenia molecular.

Ilustração da Berardius minimus (em cima) e da Berardius bairdii (em baixo)

“Só de olhar para elas, podemos dizer que têm um tamanho corporal notavelmente menor, um corpo em forma de eixo, um bico mais curto e uma cor mais escura em comparação com as espécies Berardius já conhecidas”, disse Tadasu K. Yamada, curador emérito do Museu Nacional da Natureza e Ciência do Japão e um dos autores do estudo publicado, em Agosto, na revista Scientific Reports.

Além de ser mais pequena — a B. minimus mede pouco mais de seis metros (em comparação com a B. bairdii, que mede cerca de dez) —, esta nova espécie também possui um bico distintamente mais curto e outras diferenças notáveis no crânio e na composição esquelética.

“Ainda há muitas coisas que não sabemos sobre a B. minimus. Ainda não sabemos como são as fêmeas adultas e ainda existem muitas questões relacionadas à distribuição desta espécie, por exemplo”, afirma outro dos autores do estudo, Takashi F. Matsuishi.

As baleias nesta parte do mundo também são chamadas de Karasu. Os investigadores não têm a certeza se as Karasu e as Kurotsuchikujira são da mesma espécie ou se são, na verdade, uma terceira e nova espécie.

ZAP //

Por ZAP
8 Setembro, 2019

 

2597: Cientistas conseguem converter CO2 em combustível líquido puro

CIÊNCIA

(dr) Jeff Fitlow / Rice University
O reactor de electrocatálise recicla dióxido de carbono para produzir soluções de combustível líquido puro através de electricidade

Cientistas da Universidade Rice, nos Estados Unidos, conseguiram que o dióxido de carbono possa ser reutilizado de forma eficiente, graças a um electrolisador que usa electricidade renovável para produzir combustível líquido puro.

Segundo a agência Europa Press, o reactor catalítico desenvolvido pelo engenheiro químico e biomolecular do laboratório da Universidade Rice, Haotian Wang, utiliza dióxido de carbono (CO2) como matéria-prima e, no seu mais recente protótipo, produz altas concentrações de ácido fórmico altamente purificado.

Nos testes, o novo electrolisador alcançou uma eficiência de conversão de energia de aproximadamente 42%. Isto significa que quase metade da energia eléctrica pode ser armazenada em ácido fórmico como combustível líquido.

“O ácido fórmico é um transportador de energia. É um combustível de célula de combustível que pode gerar electricidade e emitir dióxido de carbono, que podemos usar e reciclar novamente”, explica Hang.

Além disso, é essencial na indústria da engenharia química como matéria-prima para outros produtos químicos e como material de armazenamento de hidrogénio que pode conter quase mil vezes a energia do mesmo volume de hidrogénio molecular, “difícil de comprimir”, segundo o engenheiro.

De acordo com Chuan Xia, autor principal do estudo agora publicado na revista Nature Energy, dois avanços fizeram com que este novo dispositivo fosse possível: o desenvolvimento de um catalisador bidimensional de bismuto robusto e um electrólito de estado sólido que elimina a necessidade de sal como parte da reacção.

“Actualmente, as pessoas produzem catalisadores na escala de miligramas ou gramas”, diz o cientista, que revela que a equipa desenvolveu uma forma de os produzir numa escala de quilogramas, o que permitirá que o processo seja mais fácil para a indústria.

Por outro lado, o electrólito sólido à base de polímero é revestido com ligantes de ácido sulfónico para direccionar cargas positivas ou grupos amino funcionais para direccionar iões negativos.

“No geral, as pessoas reduzem o dióxido de carbono num electrólito líquido tradicional como a água salgada. Queremos que conduza a electricidade, mas o electrólito da água pura é demasiado resistente. Logo, temos de adicionar sais como cloreto de sódio ou bicarbonato de potássio para que os iões possam mover-se livremente na água”, explica Wang.

Porém, quando o ácido fórmico é gerado desta maneira, mistura-se com os sais. “Para a maioria das aplicações, é necessário remover os sais do produto final, o que requer muita energia e custos. Logo, usamos electrólitos sólidos que conduzem protões e podem ser feitos de polímeros insolúveis ou compostos inorgânicos, eliminando a necessidade de sais”, acrescenta.

A velocidade a que flui a água através da câmara deste produto determina a concentração da solução. O desempenho lento com a configuração actual produz uma solução que é quase 30% de ácido fórmico em peso, enquanto que fluxos mais rápidos permitem personalizar a concentração. Os investigadores esperam alcançar concentrações mais altas dos reactores de próxima geração que aceitam o fluxo de gás para extrair vapores de ácido fórmico puro.

“O panorama geral é que a redução de dióxido de carbono é muito importante por causa do seu efeito no aquecimento global e na síntese química verde. Se a electricidade vier de fontes renováveis, como o sol ou o vento, podemos criar um circuito que converta dióxido de carbono em algo importante”, conclui.

ZAP //

Por ZAP
8 Setembro, 2019